31.12.04

#1
[2004]

5 discos
José Mario Branco - Resistir é Vencer
Rodrigo Leão - Cinema
Ella & Louis - Our love is here to stay
PJ Harvey - hu hu her
Lhasa - the living road

5 filmes
Lost in translation
2046
Motorcicle diaries
A melhor juventude
Before sunset

5 livros
Um amor feliz - David Mourão Ferreira
Poesia Completa - Nuno Júdice
o Cheiro da Noite - Andrea Camalieri
O amante do Vulcão - Susan Sotang
As cidades invisiveis - Italo Calvino

5 Concertos
José Mario Branco no coliseu
Festa da Música- CCB
Lhasa - Forum Lisboa
Pixies- SBSR
Rodrigo Leão - CCB

5 descobertas
Ella Fitzgerald
Fundação Vieira da Silva/ Arpad Szenes
Jardins de Serralves
David Mourão Ferreira
Calabria

A não esquecer
Sophia
Henry C. Bresson
Mestre Paredes
Arafat e Palestina

Alguns Lugares
Casa (a minha)
Golfo de Taranto
Cratera Vesúvio
Stromboli
Ruesta
Cais do Ginjal
Il pigmalion
Estrada Velha

A não repetir
Tortura no Iraque
Bush
11 de Março
Julgamento do Aborto
Darfur
Santana e Portas

A repetir
Derrota das direitas em Portugal e na Europa
Grandes viagens à aventura
Quebrar barreiras e reinventar fronteiras
Descobrir outras pessoas


Algumas palavras chave
Bandiera rossa
Paleariza
fotografia
Poesia
Enquanto houver estrada para andar...



Poderia escrever muito mais, mas fico-me por aqui.
Desejo-me e desejo-vos um ano cheio e em cheio.

30.12.04

#1
[feel like]



29.12.04

#3
[para 2005]

Lá diz o poeta que um fato de marinheiro não chega para se entender o mar. Tenho-me como um navegador e não me conformo com o navegar com a costa à vista. Dai que acredite que o meu destino são as grandes apostas, o mar alto e as tempestades, .
Quando estou envolvido com algo em que acredito, a ideia de abdicar, de não me fazer ao mar, é-me inconcebivel. No entanto, uma das minhas maiores duvidas é se será mais dificil tomar a decisão de pôr o barco no mar ou, depois de o ter feito, segurar a vela na tempestade.
Continuar a navegar, mesmo que contra a maré, mesmo que pareça mais fácil encontrar um porto seguro, é meu voto para dois mil e cinco - esperando que se estenda até dois mil e setenta e cinco.
#2
[gramaticando]

Gostava que desencontro passasse a escrever-se dezencontro.
#1
[pela boca morre o peixe]

Nunca tinha pensado em tal coisa, mas, agora que falas nisso, não está mal visto não senhor...

Não sou nenhum bandido, nem nenhum mafioso, que decide as coisas em segredo

Luis Nobre Guedes
TSF, 24 de Dezembro 2004

28.12.04

#3
[entre livros]

Ontem estive a arrumar livros na minha estante nova. Por género da obra, por continente e país de origem de quem o escreve.
Quando peguei nos chilenos, formou-se-me uma dúvida na consciência: será que, apesar de estarmos entre escritores, o Sepúlveda não se ofende se o colocar ao pé d@s Norte-American@s?
Pelo sim pelo não, passei-o para a prateleira seguinte.


#2
[podes fugir... mas não te podes esconder]


Freud teorizava a personalidade humana como um iceberg.

À tona de água encontra-se a parte consciente de cada um de nós, suportada e pressionada pela grande massa submersa do inconsciente. A influência do inconsciente sobre o consciente seria mediada pelo pré-consciente, que serviria como um filtro às suas pulsões.
Neste filme todo, os sonhos servem como escape, ou seja, são uma forma de expressão junto do consciente dos desejos e pulsões reprimidas, isto numa altura em que os mecanismos de defesa psicológica estão em baixo.
Esta teoria foi ampliada ealterada, bem como contestada e negada. Mas não deixa de ser interessante.
#1
[pensamentos de Natal]

Condutor 100% cool
aquele que, para conduzir os amigos a casa em segurança, não bebe.

Bebado 100% cool
aquele que, para ser conduzido em segurança, não toca no volante e vomita sempre no sitio certo.

23.12.04

#1
[bilhete]


Ontem deram-me um bilhete como este.

Ainda não percebi ao certo se é de amor
ou de adeus.

22.12.04

#4
[Querer gritar]


e não encontrar palavras que ultrapassem, que quebrem, a muralha de silêncio.
#3
[coisas de gajos apaixonados]

Este Relógio

José Luis Peixoto
A Capital, 22 de Dezembro, 2004

Antes de sair, olhou para este relógio e disse que voltava no início da noite. Eu não lhe perguntei a que horas voltava, mas ela disse que voltava às nove. Eram três horas da tarde. Eu lia um livro. Olhei--a quando aproximou o rosto e os lábios para nos beijarmos. Não a olhei quando saiu mas, agora, consigo imaginar a porta depois de a ter fechado, os passos a desaparecerem nos degraus da escada e, depois, o silêncio sem ela. Consigo até imaginá-la na rua. As mãos sobre a mala que comprou, os seus passos. Talvez a tenha imaginado durante alguns instantes depois de sair. No entanto, se o fiz, essas imagens misturaram-se com aquilo que lia e com a certeza triste de ela ir sair e de ter de aprender a estar sem ela durante tempo a parecer infinito. Demorei meia hora até olhar para o relógio, este relógio, o mesmo para onde ela olhou antes de sair quando disse que voltava às nove. Tinha passado meia hora e, por isso, continuei a ler. Tentei não pensar que faltava mais de dez vezes o tamanho daquele tempo que passei sem ela até a ver de novo. Continuei a ler. A minha atenção entrava dentro das palavras, mas voltava sempre para ela. Continuava a ler, mas ela estava no fim de cada parágrafo, escondida entre as frases, no momento de virar uma página. Tentei não olhar para este relógio. Quando olhei, eram cinco horas, eram seis e meia, eram sete e meia. Às oito horas, pousei o livro e comecei a esperá-la. Fiquei sentado neste sofá, nesta sala, a esperá-la. Olho para este relógio. São onze horas. Ainda não voltaste. Penso em tudo. Espero-te. Imagino tudo. Onde estás? Tudo me parece possível e impossível.
#2
[presentes]


nesta alturar do ano começam a chover presentes para o grande chefe. Parece que toda a gente lhe quer adoçar o paladar. Como bom democrata, divide sempre tudo com a malta - se não o fizesse era julgado em tribunal popular. Hoje já ganhei um ananás dos Açores e uma garrafa de reserva do Dão... nada mal para quem, como eu, não vai à bola com o natal.
#1
[dos dias]


Ano após ano não deixo de celebrar o melhor dos acontecimentos: a partir de hoje os dias começam a crescer.

20.12.04

#2
[case study]


Pinochet encarna aquilo que classifico como uma verdadeira pescadinha de rabo na boca da medicina: sempre que a coisa começa ficar dificil para ele, nomeadamente quando a justiça ameaça morder-lhe as canelas, o senhor, de muita idade e fraca saúde, tem uma quebra geral no seu estado fisico: Ele é demencia ligeira (detectada com 40 anos de atraso), paralisia temporária, embolias cerebrais, glicémia alta e te(n)são baixa (desculpem lá...), enfim, maleitas de um velho muito jarreta, nada de novo. O que me espanta é que o tipo recupera sempre de forma espetacular, sendo esses verdadeiros milagres consequencia de um muito humano abrandar da furia judiciária. Razões humanitárias, aplicadas a quem sempre as levou com rectidão.
#1
[post tirado a ferros]


É no confronto com os nossos limites que compreendemos a natureza dos nossos equilibrios.

17.12.04

#3
[sobre o post anterior]


O Nuno Milagre é um amigo.
Ele convidou-me para o lançamento do seu livro e eu estendi o convite à blogosfera.
Um livro meu é uma ideia distante. E sem pseudónimos.
Esclarecid@s?
#2
[IRRECONHECÍVEIS VISTOS DO ESPAÇO]


Este é o título do livro de poemas e textos que vou lançar no próximo dia 21
de Dezembro. É verdade, acredito que seja uma surpresa para algumas pessoas,
para outras nem tanto. O livro tem 34 páginas, é uma edição de autor e custa
5 euros, o desenho da capa é da Adrina Molder e a paginação do Luís Branco.
Não há muito a dizer sobre o livro, por isso, em vez de obrigar alguém a
apresentá-lo e dizer bem do livro e de mim de encomenda, convidei uns amig@s
para contarem umas histórias para nos entreter e ler alguns dos poemas.
Aceitam o convite?

Terça-feira, 21 de Dezembro de 2004 às 19 horas
na ZDB, Rua da Barroca, 59 - Lisboa (ao Bairro Alto) lançamento do livro “Irreconhecíveis Vistos do Espaço” de Nuno Milagre


(...)
irreconhecíveis vistos do espaço não vislumbramos o amanhã
e deslumbramo-nos no dia-a-dia a correr à frente e por trás de nós não nos perguntem onde paramos se não garantem onde vamos aperta-me a mão na sombra deste mar escuro que não sabe onde nos leva sobre a estrada de água dura trepidam os corpos no barco aperta-me a mão se eu te pudesse ao menos ver mais uma vez dentro ou fora deste mar não sabemos o que será de nós nem nós o que será do que sabemos aperta-me a mão neste mar escuro que nos leva aperto-te a mão
(...)

#1
[da arte poética]

Arábica & Robusta

saber que em ti
cada manhã
é um recomeço

16.12.04

#3
[da arte poética]

Nº 237
Parcialmente, a santidade consiste na capacidade de praticar transgressões bem orientadas. Por exemplo: matando em nós os fantasmas tutelares. Sem ternura. É assim que se atinge a multipla orfandade.

Ana Harherly
primeira das 7 tisanas inéditas
In poesia do Mundo, vol 2
#2
[nem sabes o que perdes...]

Não gostaria de beijar uma mulher que tivesse um piercing na língua.

Umberto Eco, Escritor Italiano
#1
[até tu, D. Duarte...]


PPM* concorre sozinho

Titulo do DN de hoje


*Partido Popular Monárquico, grupito de lunáticos que santana queria federar na sua malograda plataforma eleitoral

15.12.04

#3
[palavras para quê?]

"Compromisso Portugal" Diz Que as Suas Propostas Tiveram Receptividade no PS

Título do Público, 15 de Dezembro, 2004

prevejo inumeras oportunidades para constatar que são poucas as diferenças entre o governo que se adivinha e o desgoverno. Os sinais começam a surgir, não só de dentro do PS, que já começou a agradecer os trabalhinhos sujos que a direita fez, como também do mundo da alta finança. O Compromisso Portugal, um conjunto de tecnocratas lambidinhos que, há alguns meses, defendeu a desregulamentação total das leis laborais em beneficio exclusivo do lucro, já veio dar a sua bênção.
#2
[relactividade moral]


Ex-ditador Pinochet Escapa a Prisão Domiciliária

A defesa do antigo líder chileno diz que ele está a ser vítima de abuso dos direitos humanos.

in Publico, 15 de Dezembro 2004
#1
[da arte poética]

Abrir portas onde só julgava existirem paredes e trancas.
Deixar entar a luz.

14.12.04

#2
[sobre os sismos II]

Zero graus na escala de Peixoto

José Luís Peixoto
A Capital, 14 de Dezembro, 2004

Não senti nada. A minha mãe telefonou-me a meio da tarde e, antes de dizer qualquer coisa, perguntou-me: «sentiste?» E eu, que passei o dia sentado a escrever, com os estores da janela corridos à minha frente - nem sequer a imagem da rua, das pessoas e dos carros que passam, do dia a anoitecer - respondi-lhe: «senti o quê?» E ela, admirada com a minha admiração, a falar-me do terramoto, da cadeira a tremer lentamente sobre os mosaicos, quase como um zumbido, quase a andar sozinha. Não senti nada. E parece-me que não posso achar que gostava de ter sentido. Parece-me que, se confessar a mim próprio «gostava de ter sentido», tenho de bater três vezes na madeira, tenho de dizer lagarto lagarto lagarto, porque não posso desejar apenas para satisfação da minha curiosidade aquilo que pode trazer tanto sofrimento. Mas a verdade é que invejo - bater três vezes na madeira, lagarto lagarto lagarto - o entusiasmo com que a minha mãe me perguntou: «sentiste?» Não senti nada. Tento convencer-me que ter uma vida em que se escreve romances é assim. Ganha-se e perde-se. Ganha-se exactamente onde se perde. Muitas vezes tive amigos a dizerem-me: «tens de vir comigo a tal parte», ou «não podes perder tal coisa». Quase sempre, troquei isso por parágrafos, por capítulos ou, nos dias piores, como hoje, troquei isso pela frustração de passar o dia inteiro sentado, com os estores corridos à minha frente, a tentar escrever e a não gostar do resultado, a tentar de novo e a achar que todas as tentativas eram más, cada vez piores e, à noite, a não ter nada que me conforte, nem um parágrafo bem conseguido, nem uma metáfora certeira, nem um terramoto - bater três vezes na madeira, lagarto lagarto lagarto - que me mostre que foi um dia em que estive vivo.
#1
[sobre os sismos]

Poderá um sismo fazer tremer as nossas mais intimas fundações?
Pode sim, dependendo da intensidade com que nos abala.

13.12.04

#4
[Sampaio aceita demissão de Santana]


O choradinho que Santana anda por ai a fazer comoveu até as entranhas da terra. Resultado: um sismo foi sentido na região de Lisboa.
#3
[sobre as estatuas]

Têm a sorte de não ter sentimentos, mas não há pombo que não lhes cague em cima...
venha o diabo e escolha!
#2
[sobre a relatividade das coisas]

Não quero ter a terrivel limitação de quem vive apenas do que é passivel de fazer sentido.
Eu não: Quero é uma verdade inventada.

Crarisse Lispector
#1
[é isto que me faz falta]


9.12.04

#3
[pois é...]

Oscar Wilde

Viver é a coisa menos frequente do mundo
A maior parte das pessoas existee isso é tudo.

Joaquim Pessoa
in Os Dias da Serpente
#2
[vergonhoso]

É absolutamente imoral que, num planeta onde se queimam excessos de produção para que se mantenham preços e onde se gastam milhões em guerras desnecessárias, existam razões para notícias como esta.

****

Cinco Milhões de Crianças morrem de fome todos os anos
JOANA FERREIRA DA COSTA
Público, 09 de Dezembro de 2004

A fome a má nutrição matam anualmente cinco milhões de crianças em todo o mundo, um "escândalo" que podia ser evitado com investimento económico modesto face aos benefícios futuros, denunciou ontem a Organização para a Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO).
De acordo com o relatório anual deste organismo, 852 milhões de pessoas sofriam de má nutrição entre 2000 e 2002, mais 18 milhões do que em meados da década de 90. Um flagelo que continua a assolar em larga escala os países em vias de desenvolvimento.
"É possível que a comunidade internacional ainda não se tenha apercebido da mais-valia que resultará de um aumento do investimento na luta contra a fome", declarou Hartwig de Haen, subdirector-geral da FAO, ontem, durante a apresentação do relatório em Roma, Itália. "Além do sofrimento humano, só por si escandaloso, a fome tem como consequência importantes perdas económicas", defendeu o responsável, considerando "incompreensível" a falta de esforço da comunidade internacional neste combate. "É uma questão de vontade política e de prioridades", conclui.
No relatório sobre a insegurança alimentar no mundo, a FAO diz que, anualmente, "mais de 20 milhões de bebés com baixo peso nascem nos países em vias de desenvolvimento" e que cinco milhões de crianças morrem devido à má nutrição. Um número muito superior de pessoas sofrerá durante toda a sua vida das sequelas deixadas pela má nutrição, que reduzirão a sua capacidade de trabalhar e ganhar a vida.
A FAO calcula que a falta de produtividade causada por este flagelo terá custos superiores a 500 mil milhões de dólares. Valor ao qual contrapõe os cerca de 30 mil milhões de dólares necessários por ano para cobrir os custos de saúde com as doenças provocadas pela falta de alimento em todo o mundo. Um valor cinco vezes superior ao alcançado até agora pelo Fundo Global contra a Sida Tuberculose e Malária.
Ironicamente, este investimento é pequeno face aos potenciais benefícios económicos a longo prazo: cada dólar investido na luta contra a fome representará, no futuro, entre cinco a 20 dólares em desenvolvimento e produtividade, defende a FAO.
Alguns sinais de optimismo
Dos 852 milhões de pessoas que passam fome no planeta, a esmagadora maioria (815 milhões) vive nos países em desenvolvimento. A má nutrição e a falta de alimentos atinge também 28 milhões de pessoas nos países de transição e nove milhões nos países desenvolvidos.
Os números revelam que o esforço para combater o flagelo é claramente insuficiente para cumprir os objectivos fixados em 1996 na Cimeira Mundial da Alimentação, denuncia a FAO. No encontro, os países comprometeram-se a fazer cair para metade o número de pessoas a sofrer de má nutrição até 2015.
A FAO encontra, no entanto, alguns sinais de optimismo: 30 países - que representam cerca de metade da população do terceiro mundo - conseguiram reduzir em 25 por cento o número de pessoas com fome durante a década de 90. A luta travada em estados como o Brasil, Chile, Moçambique, Jamaica, Peru, Tailândia, Emirados Árabes Unidos ou o Uruguai mostra que é possível conseguir progressos rápidos na redução do flagelo e as melhores formas de os alcançar.
Uma melhoria ligeira foi registada na África subsariana, onde a proporção de pessoas subalimentadas passou de 36 para 33 por cento, conclui a FAO. O subdirector-geral do organismo defendeu ontem que as estratégias para resolver o flagelo estão traçadas e que a fome tem de tornar-se uma prioridade. "Sabemos como pôr fim à fome e é tempo de agir face a este objectivo", concluiu Hartwig de Haen.
#1
[melanzane]

Moral da história: as beringelas ficaram por estufar.

7.12.04

#2
[...]

Da arte de andar num arame sem rede, aprende-se a cada passo que se dá.

#1
[isto só em itália]

A pré-campanha para as legislativas de 2006 em Itália está ao rubro.
Berlusconi anunciou que terá milhares de jovens a fazer campanha por si, porta a porta e nas escolas, reeditando a sua estratégia de campanha de 2001. Prodi, classificando-os como mercenários - uma vez que serão contratados- responde com uma tirada quase maoista, talvez para agradar às alas mais à esquerda da sua coligação (que terá uma participação alargada que se estenderá da Margarida (a democracia cristã do centro esquerda) à Refundação Comunista…
Esta resposta é uma tirada de antologia

Noi - scandisce Romano Prodi rivolto all'assemblea della Rete dei cittadini per l'Ulivo, a Montecatini - non possiamo fare come loro. Non possiamo arruolare mille mercenari. Per questo a ogni mercenario dovremo contrapporre mille volontari. Poi si sa che i mercenari non hanno mai difeso il suolo della patria, e anche questa volta lo dovremo difendere noi. L'incubo è finito. Davanti a noi c'è l'alba.

in Il Manifesto, 5 de Dezembro 2004

Nós – atira Prodi agitado à assembleia da Rede de Cidadãos pela Oliveira em Montecatini – não podemos fazer como eles. Não podemos contratar milhares de mercenários. Por isso, a cada mercenário deveremos contrapor milhares de voluntários. Pois sabe-se que os mercenários nunca defenderam o solo da pátria, e também desta vez deveremos ser nós a defende-lo. O pesadelo acabou. À nossa frente está o amanhecer.

6.12.04

#4
[com os olhos cheios de imagens]

Tive de atravessar a cidade de uma ponta à outra ao final da tarde.
As ruas cheias de estrangeiros, o sol a marcar, a luz a provocar.
Por acaso trazia a Nikon, foi um festim!
Agora, acabada que estáa travessia, sento-me na frente do monitor com os olhos cheios de imagens e vontade de partilha-las, mas guardo-me em silêncio, procurando o espaço das palavras.

#3
[poema colado (com cuspo)]

encontrar
de novo
sinais
da tua
(omni)
presença

André
Sintra, 5 de Dezembro 2004
#2
[intoletâncias]

Mario Pinto atira-se hoje, no público de hoje, aos comunistas que, em geral, se identificam com o Marxismo Leninismo, e ao PCP em particular.
A minha (de)formação à esquerda, aproxima-me perigosamente do marxismo, mas deixa-me a alguma distância do Leninismo e, sobretudo, do que dele foi feito por Estaline e companhia. Fico também a milhas dos PC's que herdaram a velhinha tradição moscovita e que dela ainda fazem bandeira, nomeadamente do partido que agora foi tomado por J. de Sousa.

Mario Pinto, um arauto do cristianismo mais retrogado e radical, um defensor do liberalismo conservador, perora, ao seu estilo de talibã do crussifixo, contra os crimes do comunismo, tentado, nessa linha argumentativa, pintar um ideal apenas com as cores negras com que o século XX, na maioria dos casos, o travestiu.
Se tivesse oportunidade, não deixaria de perguntar a Mário Pinto o que pensa da inquisição, das diversas cruzadas que a igreja católica dirigiu durante os seus dois milénios de história, ou sobre o apoio tácito que deu, no século XX, a Hitler e outros ditadores que tais, tão ou mais sanguinários como os carrascos de Moscovo ou Pequim. No fim de contas, foi tudo em nome de um ideal de justiça e igualdade. Parece-me que Mario Pinto apenas relativiza o que lhe dá jeito, porque, se aplicasse ao seu ideal a linha de argumentação que usa contra o comunismo, perderia a fé em menos de dois parágrafos....
Faz-me tanta impressão esse sentimento primário, básico e visceral, contra a esquerda em geral e contra @s comunistas em particular.
#1
[maturidade II]


Em 4 dias tive quatro sessões de olhos em bico, isto é, de contacto com a arte e cultura orientais.
Sempre fui um pouco arisco aos filmes e outras demonstrações daquele lado do planeta -excepto, talvez, a comida. Nada de preconceito, simplesmetne não me conseguia concentrar, pelo que toda a simplicidade, a ingenuidade construida e o ambiente não me cativavam.
Por isso, qual não é o meu espanto quando dei comigo satisfeito com uma sessão de animação japonesa na culturgest (de fazer inveja ao Vasco Granja), deliciado com um sushi, emocionado com 2046 de Wong Kar Wai e espantado com uma mostra de arte contemporânea Japonesa no museu Berardo... será maturidade?

3.12.04

#1
[uma boa Notícia]


Não esquecemos nem perdoamos @s milhares de mort@s e desaparecid@s

Pinochet Perde Imunidade
Público, 03 de Dezembro de 2004

O Tribunal de Apelo de Santiago levantou ontem a imunidade parlamentar ao antigo ditador general Augusto Pinochet, de forma a poder determinar as suas responsabilidades pelo assassínio do general Carlos Prats. A Força Aérea e a Marinha reconheceram a participação de oficiais seus em actos de tortura, e os jornalistas disseram-se "envergonhados" por terem calado esses atropelos.

A decisão da instância chilena foi tomada por 14 votos contra nove e abre a possibilidade do julgamento do autocrata pelo seu eventual papel na morte do antigo comandante das Forças Armadas, vice-Presidente de Salvador Allende e ministro do Interior morto na sequência da explosão de um carro armadilhado, em Buenos Aires, no dia 30 de Setembro de 1974. O atentado, em que morreu também a mulher do militar, Sofia Cuthbert, é um dos crimes atribuídos à Operação Condor.

O veredicto deve agora ser corroborado pelo Supremo Tribunal para poder seguir o seu caminho. Em Agosto, a mais alta instância judicial chilena pronunciou-se a favor do levantamento da imunidade de Pinochet para que este pudesse ser ouvido por aquela operação - uma trama de cumplicidades entre os serviços secretos de várias ditaduras dos anos de chumbo da América Latina.

Entretanto a Força Aérea e a Marinha chilenas reconheceram quase ao mesmo tempo a sua participação em actos de tortura durante a ditadura. Os Carabineiros também.

A assunção de responsabilidades foi feita pelos respectivos comandos. Mas enquanto a aviação assumiu sem pestanejar a sua parte, os marinheiros disseram que a sua arma "nunca validou nem mesmo sugeriu a aplicação da tortura".

Os reconhecimentos seguiram-se à recente entrega ao Presidente Lagos do relatório da Comissão Nacional sobre Prisão Política e Tortura.

Também o Colégio dos Jornalistas, a principal associação dos profissionais do sector, disse-se "envergonhada (...) por aqueles que, utilizando o nome ou o título de jornalistas, mancharam o dever de revelar uma verdade que, difundida oportunamente, teria ajudado a salvar vidas".

2.12.04

#3
[moby dixit]


Why does my heart
Feel so bad?
Why does my soul
Feel so bad?
#2
[Nisto até estamos de acordo]


mas paramos por aqui.

(...)
A alternativa não é o engenheiro Sócrates, nem qualquer variante do Guterrismo. O balanço do Guterrismo foi trágico para o país e um guterrista reciclado, sem chama, nem destino, reproduziria a nossa mediocridade e atraso. Desconfiem sempre de quem quer mudar e não sente o genuino desgosto com o que está. E o engenheiro Sócrates foi o mais mole crítico de Santana Lopes. Mas, se chegar ao poder, será pela mão do seu anterior companheiro de debates televisivos.
(...)


Pacheco Pereira
in Público, 2 de Dezembro 2004

#1
[Notícia de outro Planeta]


esta é daquelas que vale a pena guardar, para memória futura...

Cientistas Propõem Criar Parques Protegidos em Marte
Público, 02 de Dezembro de 2004
Andereia Oliveira

Da próxima vez que der um passeio pelo planeta Marte, certifique-se que não deixa atrás de si um monte de lixo. Isto pode parecer um pouco estranho, mas é bem possível que, daqui a umas décadas, quando houver de facto astronautas da Terra em Marte, existam tabuletas com esta mensagem espalhadas pelo solo avermelhado do nosso vizinho no sistema solar. Pelo menos se vingar a proposta que dois cientistas apresentaram na revista "Science Policy": preservar algumas zonas do planeta vermelho, de forma a mantê-las no seu estado puro.
A ideia de Charles Cockell, um microbiólogo da British Antarctic Survey, em Cambridge (Reino Unido) e por Gerda Horneck, astrobióloga do Centro Alemão Aeroespacial, em Colónia, prevê a criação de "parques planetários" em sete zonas de Marte, com uma regulamentação semelhante às dos parques protegidos da Terra.
"Cada pessoa tem direito a observar a beleza árida da superfície marciana, sem ter de suportar uma paisagem repleta de monte de cascos de velhas naves espaciais", afirmam os cientistas, citados pelo "site" noticioso da revista científica "Nature" ( http:www.nature.com/news ).
Apesar de não se ter encontrado vida em Marte, Cockell e Horneck salientam que, se lá for detectada alguma vez vida, passada ou presente, isso será decisivo. "Se existir vida microscópica em Marte, isso será um argumento de peso para estes parques planetários, de forma a proteger estes seres da destruição humana."
Estes investigadores cartografaram sete zonas para possível conservação que possuem muitas das características representativas da paisagem marciana. O Parque Polar protegeria a calote de gelo do planeta, enquanto o Parque Olimpo incluiria o maior vulcão do sistema solar e destinar-se-ia a evitar futuras invasões de montanhistas que deixam lixo atrás de si, como acontece no Monte Evereste, aqui na Terra.
Outros parques protegeriam enormes crateras provocadas por meteoritos e os locais de aterragem das sondas Viking 1 e Mars Pathfinder.
Não é a primeira vez que surge uma ideia deste tipo. Outros cientistas sugeriram que o local onde a Apolo 11 aterrou na Lua, transportando os primeiros astronautas, fosse transformado em património mundial. Mas tomar essa iniciativa seria um desafio para as leis internacionais, uma vez muitas nações nunca chegaram a assinar o tratado das Nações Unidas que pretende estabelecer o espaço como património de toda a humanidade. E entre essas nações estão precisamente os EUA, a Rússia e a China - precisamente as que têm capacidade para fazer viagens espaciais, utilizando os seus próprios meios.

30.11.04

#9
[Diário Clínico II]


O PSL, prematuro da incubadora de S. Bento, apresenta sinais evidentes de pioria do seu estado de saúde, com graves sequelas resultantes da sua imaturidade multiorgânica, tipica dos pré termo que não passaram pelos quinze dias de campanha e por um parto do tipo eleitoral.
#8
[Diário Clínico I]


o Sr. JS, utente da cama 1 da unidade de saúde de Belém apresenta melhorias significativas, tendo sido observada hoje alguma reacção à estimulação sensorial dolorosa.
O Score de Glasgow apresenta evolução, o coma profundo poderá estar em reversão. Aguardam-se desenvolvimentos.
#7
[está a cair]


Assisto emocionado ao principio da dissolução do governo.
#6
[sorte a minha...]


Ao trabalhar na secretária mais perto da porta, um tipo torna-se no alvo primordial dos apertos de mão de toda a escumalha que por aqui vai entrando...
Tenho de pedir um subsidio de risco ao meu chefe.
#5
[Parábola]

Quando estamos apaixonados fazemos tolices e adoramos as tolices de quem é alvo da nossa paixão.
Quando não correspondemos a um sentimento, ficamos doidos com as palermices de que @ outr@ é capaz.
#4
[Prematuros & incubadoras]

PARTO SEM DOR


E agora eu vou-me embora
e embora a dor
não queira ir já embora
agora eu vou-me embora
e parto sem dor

E parto dentro de momentos
apesar de haver momentos
em que dentro a dor
não parte sem dor

Sérgio Godinho
#3
[não é nada com eles...]


Jorge Sampaio e Paulo Portas Não Comentam Crise Governamental

Titulo do Público de hoje
#2
[da....]

Estar a meio de uma frase, e esquecer completamente o nome do tipo de cujo artigo estou energicamente a falar. Isto está bonito!
#1
[jazz]


Cada vez gosto mais do ritmo de A night in Tunisia, de Dizzy Gillespie.

29.11.04

#8
[isto hoje está a render]

Das palvras escritas
Ao magma a
incandescer em mim
sustenho a erupção.
Pensa-las rectilineas e
poder encaixar a frio,
de forma quase mecânica,
cada um dos impulsos.
É então que encontram
o espaço de papel
para que sejam fogo.

André
Novembro de 2004
#7
[esperança II]

Ou será que teremos a defenestração deste (des)governo?
#6
[esperança]

Dia 1 de Dezembro Santana volta a Belém para falar com Sampaio.
Será que iremos assistir a uma nova Restauração, desta vez a da legalidade democrática?

#5
[Loose...]

Este Blog está a tornar-se numa verdadeira religião.
#4
[...]

ACORDA SAMPAIO!!!!
#3
[Estabilidade governativa]

As Razões de Henrique Chaves
Público, 29 de Novembro de 2004

Convidado para ministro adjunto, nunca me foi dada oportunidade de exercer qualquer função ao nível da coordenação do Governo, própria das funções inerentes a esta pasta.
Certamente porque, desde cedo, terá sido pressentida a minha discordância quanto à forma como era realizada essa coordenação e se alinhava o comportamento do Governo e do primeiro-ministro, tendo eu optado por responder com discrição àquilo que sempre considerei excesso de exposição.
Estando as principais funções de ministro adjunto exclusivamente dependentes do primeiro-ministro, só a este cabe a responsabilidade de conceder ou não as condições para o exercício desse cargo, o que, no meu caso, nunca aconteceu
(...
Em face do referido esvaziamento de qualquer papel de coordenação do Governo - um dos pressupostos do acordo de aceitação do cargo para que fui nomeado - e confrontado com um cenário de remodelação ministerial, era minha intenção a de aproveitar a oportunidade para abandonar as funções de imediato, por considerar não estarem reunidas as condições para o exercício daquele.
Foi-me, no entanto, traçado um cenário, nos termos do qual a remodelação resultaria de uma pressão de véspera, alegadamente por quem, para tanto, tem poder institucional, a qual teria por objectivo forçar a prevenção do cometimento de novos erros graves, geradores de instabilidade social e institucional, por quem, sem resguardo, os vinha cometendo.
Oportunamente, comuniquei a intenção de me demitir.
Foi-me pedido, veementemente, com a invocação de razões de qualquer espécie, chegando até à de índole patriótica, que não o fizesse, porque a minha saída poderia redundar numa instabilidade interpretável como um irregular funcionamento das instituições.
(...)
Dois factos novos, para mim, vieram alternar, de forma irreversível, a minha decisão, ao revelarem a falta de verdade do enquadramento no qual ela fora tomada.
Em primeiro lugar, tenho hoje a certeza que o cenário que me foi apresentado como sendo de véspera à noite e resolvido de forma improvisada foram, afinal, delineado semanas antes, de forma detalhada e reiterada e discutida entre vários actores, sem o meu conhecimento, não obstante eu constituir um dos visados.
Em segundo lugar, um dia depois, foi-me comunicada a intenção, alegadamente firme, de se proceder à demissão de um outro ministro.
Os dois factos referidos consubstanciam, para mim, o primeiro, a constatação de que me faltaram à verdade, de uma forma muito grave, que não posso tolerar e com a qual não posso conviver, e o segundo, não só isso, mas também que, afinal, a saída de qualquer ministro não acarretaria, como consequência necessária, no contexto das pressões institucionais havidas, o irregular funcionamento das instituições.
(...)
Compreenderão que, perante tão grave inversão dos valores de lealdade e verdade, não tive qualquer dúvida em apresentar a minha demissão, assim preservando a minha dignidade
#2
[descubra as diferenças]

Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa?

*Pergunta a ser referendada pelos cidadãos e cidadãs do estado Português no referendo de 2005


Aprueba usted el tratado por el que se instituye uma Constitución para lá Unión Europea?

*Pergunta a ser referendada pelos cidadãos e cidadãs do estado Espanhol, no referendo de 2005.
#1
[Impasse]

Querer renunciar
e não saber
conjugar
tremendo verbo

André, Novembro 2004

26.11.04

#3
[Nova galeria]
Continuo a fotografar e agora tenho uma nova galeria para partilhar imagens.
Podem usar as fotografias, mas não se esqueçam da referência e de me avisar.
United-Collors

#2
[Descobertas de um vegetariano I]


Um dia descobri que, daurante anos, algo me passou completamente ao lado: as couves de bruxelas. Não ia muito à bola com elas, ou melhor, eram-me quase indiferentes.
Dizem que, com o tempo, os nossos gostos se refinam. Não sei se foi esse o caso, mas o que é certo é que, sem saber muito bem como, me enamorei por tamanho vegetal.
A sua natureza arisca, o seu sabor alternado entre o doce e o amargo, a sua forma misteriosa, a sua cor única, as possibilidades gastronómicas que encerra...
tudo atributos que colocam este vegetal num lugar de eleição.
Fica um pouco mais de informação sobre este mistério em forma de couve, bem como alguns conselhos práticos, tudo isto retirado daqui

*********************

COUVE DE BRUXELAS
A couve de bruxelas, é uma verdura que lembra pequenos repolhos e por isso, também é chamada de repolhinho. Ela tem a particularidade de crescer ao longo do talo da planta, que na época da colheita fica totalmente coberto pelos pequenos repolhos. Na cozinha a couve de bruxelas é usada de várias maneiras, e é principalmente recomendada como acompanhamento para carnes. Também pode ser usada no preparo de sopas, ensopados e cozidos
A couve de bruxelas é rica em sais minerais, principalmente fósforo e ferro. Contém vitaminas A e C, ambas importantes para a vista e para a pele. Como tem poucas calorias, pode fazer parte das dietas de emagrecimento. Além disso, é rica em celulose, sendo recomendada para as pessoas que têm problemas intestinais.
A couve de bruxelas é vendida por quilo. Na hora de comprar, escolha as mais redondas e pesadas. Quanto mais firme e verde for a verdura, mais fresca ela estará. Para saber quanto comprar, calcule 1 quilo para 6 pessoas.
A couve de bruxelas é mais resistente que a couve comum e pode ser conservada por mais dias. Antes de guardar, retire as folhas manchadas ou machucadas. Depois coloque em saco plástico e ponha na gaveta da geladeira. Dessa maneira ela se conserva durante 1 semana. Se quiser guardar por mais tempo, é preciso congelar.
#1
[sobre a criatividade]

gosto da sensação que me assalta quendo, pela rua fora, alguma ideia me surge: um frase, uma imagem, uma fotografia, uma filosofia, um post para este blog...

25.11.04

#3
[não se acredita]

No dia em que se assinala a luta contra a violência contra as mulheres, repesco uma notícia de ontem, também ela digna do Inimigo Público.
Este post tem co-autoria da minha assessora juridica, a quem agradeço. :)

Supremo Responsabiliza Parcialmente Vítima de Maus Tratos e Atenua Pena
MARIANA OLIVEIRA
Público , 24 de Novembro de 2004

O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) atenuou a pena de prisão de um homicida que estrangulou a própria mulher até à morte por considerar que as atitudes desta terão contribuído para o desfecho fatal da relação. O arguido foi condenado na primeira instância a 14 anos de prisão, uma pena que o STJ reduziu para 11 anos.
No acórdão, proferido no passado dia 10, os juízes deste tribunal superior referem que "não terão sido alheias" ao crime "as condutas anteriores da vítima, designadamente os levantamentos bancários deixando as contas do casal a zero, a ponto de o arguido ficar sem dinheiro para pagar o [um] almoço e talvez isso [tenha sido] o detonador da raiva que conduziu ao homicídio".
Entre as restantes condutas, conta-se que "deixou algumas vezes esturricar a comida que confeccionava; chegou a sair e a chegar a casa de noite; ia tomar café a um estabelecimento de cafetaria e não deu conhecimento ao arguido de uma deslocação; chegou a mostrar a barriga quando se encontrava junto de pessoas amigas e se falava da condição física de cada uma delas". Os juízes admitiram, no entanto, que tais comportamentos resultavam dos problemas psíquicos da vítima, decorrentes da morte de uma filha do casal.
Os magistrados do STJ defendem que este caso é o típico "homicídio ocasional", que dificilmente se repetirá, logo, não existem grandes exigências de prevenção. Os juízes, que qualificam o arguido de "primário", realçam que este "dedicou toda a sua vida ao trabalho na construção civil" e sempre zelou pela educação dos seus dois filhos, preocupando-se com o seu futuro. "É considerado um bom pai de família e estimado por todos os seus amigos", referem.
Agressões desvalorizadas
Os juízes desvalorizam os maus tratos (insultos, murros, estalos e pontapés) infligidos pelo arguido à mulher e dados como provado em duas situações. Num dos casos, as feridas e os hematomas deram lugar a um período de doença de seis dias. "À parte as desavenças conjugais (onde, por regra, não existe apenas um culpado) que conduziram à criminalidade em apreço, o arguido mostra-se socialmente inserido", sustentam.
Maria Fernanda foi estrangulada pelo marido a 28 de Maio de 2002, na sequência de uma discussão. A tragédia está intimamente associada à morte de uma filha do casal em Janeiro de 2001, que transtornou os dois e tornou os desentendimentos entre ambos "muito frequentes". O facto de a filha ter falecido numa altura em que era o pai quem a estava a acompanhar no hospital (o cansaço tinha levado ao afastamento da mãe dois dias antes) fez com que Maria Fernanda culpasse o marido pela morte da menor. O seu comportamento psíquico, social e afectuoso mudou susbtancialmente desde então.
O arguido já tinha recorrido da pena para o Tribunal da Relação do Porto, que indeferiu o seu pedido.
#2
[urbanismos]

Gosto da obscuridade dos becos, das ruas secundárias sinuosas, dos recantos improváveis.
Mas tenho sentido a falta da amplitude própria das grandes avenidas, e da ilusão de espaço que me proporcionam.
#1
[maturidade]

hoje, depois de pagar a conta da luz e da água, concluí que estou a ficar crescidinho...

24.11.04

#4
[surrealismos]

Mas o que é o surrealismo hoje?
(...)
O surrealismo agora é muito bonito para fazer uma exposição, mas espero que alguém se lembre (...) de dizer que o Surrealismo é uma Revolução. Mental, Social, Moral.

Mario Cesariny de Vasconcelos
in JL, 24 de Novembro 2004
#3
[de olhos em bico]

De tão anedótica que é, esta notícia é digna do Inimigo Público.
Fica postada, para memória futura.

****************************************

China Aposta Forte na economia cubana
FERNANDO SOUSA
Público, 24 de Novembro de 2004

O Presidente chinês, Hu Jintao, concluiu ontem uma visita de dois dias a Cuba durante a qual assinou 16 acordos bilaterais nos mais diversos domínios, incluindo o níquel, a principal riqueza do país. A estada foi ainda aproveitada pelo visitante e os anfitriões, Raul e Fidel Castro, para mostrarem sintonia relativamente a questões políticas de fundo.
"Temos uma base sólida para aprofundar as nossas relações dadas as nossas grandes convergências políticas", disse o visitante, ontem, pouco antes de deixar a ilha. "Ambos escolhemos a via socialista para o nosso desenvolvimento", explicou aos jornalistas.
Hu Jintao referiu-se a Cuba como "pátria de um povo heróico" e a Castro, o seu Presidente, como o homem que soube responder a todas as suas "dificuldades".
O Presidente chinês chegou à ilha na segunda-feira, depois de visitar sucessivamente, a Argentina, onde participou no Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico, e o Brasil, onde deixou vários compromissos de natureza económica. Mas os que fez em Cuba tiveram a acompanhá-los palavras diferentes.
Recebido por Raul Castro, número dois do regime, visitou logo a seguir o Presidente cubano, que o recebeu, na cadeira de rodas onde convalesce da fractura recente de um braço e uma perna, com um sonoro "Viva a China!"
Duas horas a assinar compromissos Hu Jintao respondeu com desejos de votos "sinceros" de que o povo cubano avance a bom ritmo no "caminho da construção do socialismo", após o que passou ao objectivo da viagem - a assinatura de uma série de acordos bilaterais, um deles capaz de dar algum alívio ao dramático panorama económico do país. O agravamento recente pelos Estados Unidos do embargo económico à ilha levou as suas autoridades a decretarem uma série de medidas de austeridade e a proibição de circulação do dólar americano como forma de compensarem a falta de liquidez.
Durante cerca de duas horas e perante a comunicação social as duas partes assinaram 16 compromissos nas áreas da economia, educação e saúde. O que mais publicidade teve nas agências foi o do níquel, de que Cuba possui as maiores reservas provadas do mundo - 800 milhões de toneladas.
O acordo neste caso prevê a construção de uma fábrica de extracção e de produção deste mineral, que existe misturado com o cobalto, com uma capacidade de 22,500 toneladas. A unidade será levantada na província de Holguin, a 800 quilómetros a leste de Havana, será chamada "Las Cariocas" e deverá permitir aumentar a produção cubana das 75 mil toneladas actuais para 100 mil.
As entidades detentoras do empreendimento serão a chinesa Minmetal, com 49 por cento, e a cubana Cubaniquel, com os restantes 51 por cento. Os chineses e os europeus são os maiores importadores do níquel da ilha.
#2
[Fórum TSF]

Expressão favorita dos comentadores de bancada...
támal!!!

Mas quando se trata de participar, de construir, de dar o corpo ao manifesto...
tá quieto!!
#1
[...]
Filosofia

Construo o pensamento em pedaços: cada
ideia que ponho em cima da mesa, é uma parte do
que penso; e ao ver como cada fragmento se
torna um todo, volto a parti-lo, para evitar
conclusões.

Nuno Júdice
in Pedro, Lembrando Inês

23.11.04

#4
[...]

Acabo de receber um mail para c(h)orar.
Por razões éticas, não vou aqui reproduzi-lo.
#3
[tenho-me esquecido de dizer]


que gostei muito deste filme


e que gosto cada vez mais de Agnès Jaoui
#2
[your face]

Cinco fisionomias
1
Fazes do olhar um diorama
a transmutação da opala

2
Tens Novembro nos lábios
o princípio duma promessa

3
Trazes dentro de mim um violino
algo que incendeia os séculos

4
Um corpo e a ausência
exílio nocturno

5
Na respiração da mulher revelam-se os nomes

João Artur Santos
DNJ, 23 Novembro 2004
#1
[A mesa]

Ontem inaugurei a cozinha lá de casa.
Como não poderia deixar de ser, a gastronomia Italiana foi a eleita - pasta al tono.
Esperam-se grandes cozinhados e manjares, porque, como aprendi com la famiglia, com @s amig@s e com @s grandes da literatura, as relações humanas constroem-se em longas jornadas à volta da mesa.
E, por falar em Mesa, passo a palavra ao poeta:

põe a mesa
come à mesa
levanta a mesa trabalha à mesa

desmanivela-a desce é cama

faz a cama
abre a cama
brinca na cama
dorme na cama

desmanivela-a desce mais é caixão

entaipa o caixão
forra o caixão
entra no caixão
fecha o caixão

era a brincar

manivela-o sobe é cama
manivela-a sobe mais é mesa

põe os cotovelos na mesa

Alexandre O'Neill

22.11.04

#2
[alguns apontamentos de um fim de semana]

- um texto escrito à pressa, sobre um disco que (ainda) não ouvi;
-Maria Rita a dançar, descalça, numa magnifica noite atlântica;
- gavetas e livros em trânsito;
- variações sobre a memória: revelação, ampliação, impressão;
- inauguração de uma grande arvore de natal, com fogo de artificio;
- Cinema: Rodrigo Leão a conduzir uma projecção de arrepiar;
- lua crescente, reflectindo um estranho silêncio e calma sobre o mar;
- uma maçã, às seis da manhã;
- expedição fotográfica pela leveza do frio;
- escultura ao ar livre, na volta do duche;
- aproximação à arte do trolha;
- leituras (mais ou menos) partilhadas, pela noite fora.
#1
[Prece matinal]

This fire is out of control
I'm gonna burn this city,
burn this city

Franz Ferdinand

19.11.04

#3
[pergunta (nada) retórica]

Porquê resistir a tamanha evidência?

#2
[Irish do it better]

Fields of Athenry

By a lonely prison wall
I heard a sweet voice calling,
"Danny, they have taken you away.
For you stole Travelian's corn,
That your babes might see the morn,
Now a prison ship lies waiting in the bay

Fair lie the fields of Athenry
Where once we watched the small freebirds fly.
Our love grew with the spring,
We had dreams and songs to sing
As we wandered through the fields of Athenry.

By a lonely prison wall
I heard a young man calling
"Nothing matters, Jenny, when you're free
Against the famine and the crown,
I rebelled, they ran me down,
Now you must raise our children without me."

Fair lie the fields of Athenry
Where once we watched the small freebirds fly.
Our love grew with the spring,
We had dreams and songs to sing
As we wandered through the fields of Athenry.

On the windswept harbour wall,
She watched the last star rising
As the prison ship sailed out across the sky
But she'll watch and hope and pray,
For her love in Botany Bay
Whilst she is lonely in the fields of Athenry.

#1
[...]

Faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon é quase glacial

18.11.04

#5
[Livros]


Narrativa 'A SOPA'Uma casa onde se cruzam muitas vidas 'esfarrapadas' Terceiro romance de Filomena Marona Beja Um retrato lúcido da miséria humana
José Mário Silva
In DN, 18 Novembro, 2004

De há uns anos para cá, com a entrada na Europa comunitária e a globalização dos mercados, Portugal sofreu uma metamorfose: o velho país de emigrantes transformou-se num lugar de imigração. Em vez de darmos braços às fábricas francesas, recebemos agora - para construir pontes, Expos e estádios - a força de trabalho, tantas vezes ilegal, dos operários de Leste. Eis uma realidade social nova e bastante complexa, mas com a qual nos defrontamos todos os dias, na rua ou nas páginas dos jornais. Não deixa por isso de ser estranho que a actual literatura portuguesa continue a ignorar, com poucas excepções, um fenómeno que é cada vez mais visível na nossa sociedade.O mesmo se passa, aliás, em relação a outro tipo de existências precárias, como a dos mendigos, sem-abrigo e demais excluídos. Talvez com receio de cair no tão abjurado politicamente correcto ou, pior ainda, num impossivelmente anacrónico neo-neo-realismo, o certo é que a maior parte dos escritores portugueses contemporâneos foge destas temáticas como o diabo da cruz. Na melhor das hipóteses, o assunto surge de raspão, como motor de uma narrativa secundária, ou a servir de «pano de fundo». Quantos romances recentes é que fizeram destes homens e mulheres postos à margem, perdidos ou desencontrados, as suas personagens principais? Meia dúzia, no máximo.Também por isso, A Sopa, de Filomena Marona Beja, é um livro corajoso. Fruto de uma longa investigação de cariz quase jornalístico, em contacto directo com o mundo que descreve, este romance está permanentemente no fio da navalha. Sentimos que em qualquer momento a prosa pode deslizar para o moralismo delicodoce, mas a escrita exacta, tensa e cortante de Marona Beja consegue sempre, in extremis, fugir da emoção fácil e piedosa.A estratégia é clara e surpreendentemente eficaz. Em vez de mostrar a existência problemática de pessoas zangadas com o mundo e com a vida que lhes coube (vistas de fora, à distância), FMB coloca- -nos - a nós, leitores - entre elas, no meio do seu quotidiano, das suas conversas e desabafos, dos seus desejos e quezílias, das suas camaratas e roupas malcheirosas. O que A Sopa tem de mais interessante é precisamente a galeria de personagens: do Victor, um alcoólico com traumas de África, ao Fernando, antigo maluquinho das bicicletas que até nem se importa de aprender, já velho, a trabalhar com um computador; passando pelo enfermeiro Salomão e restante pessoal auxiliar. Isto para não falar das duas figuras centrais e verdadeiros eixos da história: Nela, actriz decadente, tolhida pela osteoporose, a caminho da loucura (citando Yeats, sempre); e Anselmo, o escritor clandestino, observador exímio dos outros e intérprete de um inesperado volte-face final.Todos eles coexistem na Fundação, um antigo depósito de hulha, junto ao Tejo, reconvertido em abrigo, com refeitório e camas feitas. Ali matam a fome e o tédio. Ali se confrontam com os externos, que só aparecem à hora da comida, mas também com dois imigrantes que hão-de ter sortes diversas: Boubacar, bicho-do-mato senegalês; e Kiev, um ex-músico ucraniano de gestos cortezes e má sina.Quando circula pelas memórias das personagens, em ritmo febril, todo frases curtas e elipses, FMB consegue ser excelente. Mas quando força as referências temporais (a questão de Timor, por exemplo) ou faz desastradas alusões meta-literárias (de Gil Vicente a versos de canções de Vitorino) tudo vacila. Ainda assim, cheio de vulnerabilidades, este é um livro atento, intenso, tocante. E necessário.
#4
[Imperdoável]


Nunca fui ver e ouvir jazz ao Hot Club.
#3
[ainda o vulcão]

(...)
A sua paixão desafiava tudo o que se sabe da paixão: que é estimulada (ou antes mantida acesa) pela dúvida, a separação, a ameaça, a recusa, a frustração; e que é incompatível com a posse, com a segurança. Mas a posse não diminuía nada. O Cavaliere estava enfeitiçado sexualmente. Nunca se apercebera do desesperado desejo de que o abraçassem. (...)

Susan Sontang,
In O Amante do Vulcão
#2
[yesterday]

Some Days Are Better Than Others
Some days are dry, some days are leaky
Some days come clean, other days are sneaky
Some days take less, but most days take more
Some slip through your fingers and onto the floor
Some days you're quick, but most days you're speedy
Some days you use more force than is necessary
Some days just drop in on us
Some days are better than others

Some days it all adds up
And what you got is not enough
Some days are better than others

Some days are slippy, other days sloppy
Some days you can't stand the sight of a puppy
Your skin is white but you think you're a brother
Some days are better than others

Some days you wake up with her complaining
Some sunny days you wish it was raining
Some days are sulky, some days have a grin
And some days have bouncers and won't let you in

Some days you hear a voice
Taking you to another place
Some days are better than others

Some days are honest, some days are not
Some days you're thankful for what you've got
Some days you wake up in the army
And some days it's the enemy

Some days are work, most days you're lazy
Some days you feel like a bit of a baby
Lookin' for Jesus and His mother
Some days are better than others

Some days you feel ahead
You're making sense of what she said
Some days are better than others

Some days you hear a voice
Taking you to another place
Some days are better than others

U2, Zooropa
#1
[JPP]

Lí o artigo de Pacheco Pereira no público de Hoje. É demolidor para Santana Lopes e para a corja que o acompanha na (des) governação do país.
Só não o coloco aqui porque não está online, mas é um texto para ter em arquivo e, como dizia o anuncio, para mais tarde recordar.

17.11.04

#2
[falam falam falam, mas na hora da verdade...]

e eis que, dez dias antes do congresso que, supostamente, iria tomar a decisão, o PCP comunica que Jerónimo de Sousa será o seu próximo lider.

Assim se vê
a forca do PC!
osseva od odariv odacob mu em-otnis ejoh

]oãçagevan à osiva[
1#

16.11.04

#5
[...]

CENSURAR v (de censura + suf - ar) 1- Condenar ou criticar pessoas, comportamentos, atitudes (...); 2- Examinar um texto, um filme ou qualquer obra criada, cortando, alterando ou banindo aquilo que é considerado nocivo para as autoridades ou para quem detém o poder (...).

in
Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea
Academia das Ciências de Lisboa
Lisboa, Ed. Verbo, 2001
#4
[momentos musicais das próximas semanas]

19 de Novembro - Maria Rita, Pav. Atlântico
20 de Novembro - Rodrigo Leão, CCB
22 de Novembro - Vertigo, U2
- Norte, Jorge Palma
29 de Novembro - AM/FM, The Gift

Tudo o que vier a mais não se desperdiça.
#3
[a música merece tudo]

A música preenche-me o silêncio, trá-lo consigo nos seus espaços, nas suas entrelinhas, nas suas entrepautas.
A música, poesia com e sem palavras, é exaltação, é queda e ascenção, é redenção.
A música é companheira de boémia, de trabalho, de cansaço e energia, da grande e interminável viagem.
A música é amante fiel e vadia, que se dá e renova, a que me entrego com a devoção própria das últimas coisas.
A música é uma religião pagã, cheia de mistério e racionalidade. É uma realidade por explorar.
De música pouco sei: sou desafinado, não sei tocar, falta-me o ritmo. São razões pequenas, insuficientes para a renuncia à grande paixão.
A música... merece tudo.
#2
[ai se o Eça fosse vivo...]

Alto Astral
JOSÉ VITOR MALHEIROS
in Público, 16 de Novembro de 2004

"Eu quero que o país vá subindo no seu astral!" Estas palavras de Santana Lopes, proferidas do púlpito no discurso de encerramento do último congresso do PPD-PSD-PSL, são o que se chama um grito de alma. Não é "Cogito ergo sum", nem "I have a dream", mas cada nação produz o que produz. No nosso caso é mais bolos.
Não fique preocupado, se não souber ao certo o que é "o astral". Uma breve consulta ao "Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea" da Academia das Ciências de Lisboa explica que a expressão (para além de querer dizer "relativo aos astros" quando é usada como adjectivo, mas não é isso que interessa) vem da teosofia e do ocultismo e descreve o "plano intermediário entre o físico e o espiritual, povoado de almas e espíritos, só observado pelos videntes e hipnóticos" ou a "parte fluida do ser humano, intermediária entre o corpo físico e a alma". Claro que a expressão vem do Brasil, onde, ainda segundo o DLPC, quer dizer "disposição de espírito" ou "humor". De onde vem este significado? Você tá bobo, cara? De astro mesmo, né? Todo mundo sabe que humor e amor é coisa de astro, são eles que ficam colocando a gente nesse plano ou no outro e sobem ou baixam o astrau da gente. Não sabia mesmo? Santana sabe.
Outro primeiro-ministro poderia ter falado de brio, de projecto, de ânimo, de sonho, de ambição, de futuro, de trabalho, de empenhamento, de desafio, mas Santana sabe falar ao povo na sua própria língua e saiu o astral!
Mas não se pense que saiu por acaso. O astral presta-se mais à banha da cobra do que o projecto e até do que o sonho, porque o astral não depende nem do trabalho (lagarto, lagarto), nem do desejo, nem sequer de nós. Só depende dos astros, dos deuses, dos alinhamentos siderais, dessa coisa etérea que é a coisa nenhuma. Nem é preciso querer, astral é astral, acontece à gente sem a gente querer. Além de que o astral é sentimental ("Me liga!"), tem a ver com destino, com coisas escritas nos céus com pozinho de estrelas e não exige nenhum mas nenhum esforço. Astrau é assim mesmo! Como se faz para melhorar o astral? Incríveu! Você não sabe? Relaxe! Nada melhor para o astrau! Não sabe como? Beba uma caipirinha. Duas!
O astral é ainda melhor do que a Nossa Senhora de Fátima (Paulo Portas foi definitivamente ultrapassado), porque é mais moderno, não fere susceptibilidades e não acarreta nenhuma obrigação. A Nossa Senhora é uma mãe severa que persevera, mas o austral é uma boa. A Nossa Senhora estava bem para os tempos de austeridade, mas a austeridade já era. Agora é o astral.
Desvendado o astral percebemos melhor o novo símbolo do PSD-PPD-PSL: é um satélite a ser colocado em órbita, em direcção aos astros, uma espécie de guerra das estrelas, mas para criar alinhamentos de Mercúrio com Vénus, para fortalecer o astral. Será que José Sócrates já percebeu que a sua ideia das novas fronteiras acaba de lhe ser roubada mesmo debaixo do nariz?
Depois do astral já percebemos porque é que a palavra de ordem do primeiro dia do congresso era "verdade" e a do segundo dia "confiança". É que, quando se prega a verdade, o povo pode ficar com ideia de que tem direito a alguma coisa e até pode começar a fazer perguntas, mas com a confiança não há riscos. Confie! Não pergunte, não diga, não duvide! Suba o astral! Relaxe. Deixe tudo na mão do PSLPSDPP. Beba mais uma caipirinha. Me liga!
#1
[dez anos]

O tempo passou e dele fizemos o que as escolhas determinaram, a cada momento.
Nunca diria que, uma década depois, num século distante, a minha vida é o que é hoje. Apesar dessa ingenuidade, dessa inocencia que tinha, estou contente com os caminhos que fui fazendo, com a incerteza com que sempre fui lançando os dados, tirando as cartas do baralho ou movendo as peças do meu xadrês pessoal.
Para não se tornar fatal a melancolia deve ser servida em doses moderadas, e o arrependimento, que não mata mas pode moer, deve ter uma curta validade, ganhando, depois, natureza arquelógica.
Não deixo de recordar as pessoas que conheci, as pessoas que deixei, as que nunca mais vi, as que guardei e guardo, os lugares onde fui, as palavras lidas, as escritas... e as pessoas, as palavras, os sitios e as oportunidades que de mim partiram.
Recordo mas projecto-me sempre no futuro, como diz o poeta, o que interessa no que foi é o que vai ser.
A estrada segue. Há que continuar a faze-la com raiva, reanimamdoa paixão de perguntar.

15.11.04

#3
[Sky Captain]

Filme de ocasião, daqueles que só se vão ver por duas razões: ou a companhia ou não estar mais nenhum a começar. Juntei as duas :)
Um filme inspirado nos clássicos da BD: um heroi redentor, uma jornalista sedutora, um inventor engenhocas e um plano maquiavélico para dominar o mundo, que os três, em conjunto com alguns amigos, conseguem frustrar.
Quase duas horas de animação, que acabaram com chave de ouro:

Somewhere Over the Rainbow
Somewhere over the rainbow
Way up high,
There's a land that I heard of
Once in a lullaby.

Somewhere over the rainbow
Skies are blue,
And the dreams that you dare to dream
Really do come true.

Someday I'll wish upon a star
And wake up where the clouds are farBehind me.
Where troubles melt like lemon drops
Away above the chimney tops
That's where you'll find me.

Somewhere over the rainbow
Bluebirds fly.
Birds fly over the rainbow.
Why then, oh why can't I?
If happy little bluebirds flyBeyond the rainbow
Why, oh why can't I?

music by Harold Arlen and lyrics by E.Y. Harburg
#2
[a tua presença]

Palavras para quê? A música merece tudo!
#1
[leituras de fim de semana]

(...)
À medida que se ia aproximando uma nova erupção do Vesúvio, o Cavaliere subia mais frequentemente à montanha, em parte para ver até onde ia a sua coragem. (...) Por vezes sentia-se mais seguro durante as suas escaladas na montanha fervente que noutro lugar qualquer.
A montanha constituía uma experiência diferente de tudo o resto, uma medida diversa. A terra estende-se, o céu cresce, o golfo alarga-se. Não temos de lembrar de quem somos.
(...)

Susan Sontang
in O Amante do Vulcão

12.11.04

#4
[veneno]

por vezes, só provando do nosso próprio veneno é que nos apercebemos das mossas que n@s outr@s ele provoca.
#3
[no meu mail]

CONTRA A LEI DAS RENDAS

Assembleia de Inquilinos:
15 de Novembro na Faculdade de Letras de Lisboa (Cidade Universitária) às 20:30h.
Concentração junto à Assembleia da República:
18 de Novembro a partir das 15h.

Divulgue esta iniciativa no seu prédio e no seu bairro!
Face à gravidade do problema temos de estar unidos e mobilizados!
#2
[...]

Your skin makes me cry
#1
[Shalon]

11.11.04

#4
[lá vou eu outra vez]

Por vezes sinto-me como o coelho da Alice:
esgroviado, sempre a correr para todo o lado e com a desconfortável sensação de não ter tempo para nada.
Lá vou eu outra vez!!!
[post cheio de trabalho]
#3

Uma das músicas mais tocantes dos Madredeus: a minha companhia do momento:

MILAGRE

É grande o silêncio,
Aguardo o milagre,
chegas amor finalmente,
Ó meu amor, mesmo tarde;
E vou livremente,
contigo a meu lado,
tenho o meu mundo contente,
neste sonhar acordado.
- Onde está a tua voz, quero ouvir a tua voz...
- Onde está a tua voz, queria ouvir a tua voz...
O desejo pretende,
louvar a saudade,
A tua voz anda ausente,
e eu estar contigo é milagre.

letra de Pedro Ayres Magalhães
música de Rodrigo Leão