#1
[até tu, D. Duarte...]
PPM* concorre sozinho
Titulo do DN de hoje
*Partido Popular Monárquico, grupito de lunáticos que santana queria federar na sua malograda plataforma eleitoral
16.12.04
15.12.04
#3
[palavras para quê?]
"Compromisso Portugal" Diz Que as Suas Propostas Tiveram Receptividade no PS
Título do Público, 15 de Dezembro, 2004
prevejo inumeras oportunidades para constatar que são poucas as diferenças entre o governo que se adivinha e o desgoverno. Os sinais começam a surgir, não só de dentro do PS, que já começou a agradecer os trabalhinhos sujos que a direita fez, como também do mundo da alta finança. O Compromisso Portugal, um conjunto de tecnocratas lambidinhos que, há alguns meses, defendeu a desregulamentação total das leis laborais em beneficio exclusivo do lucro, já veio dar a sua bênção.
[palavras para quê?]
"Compromisso Portugal" Diz Que as Suas Propostas Tiveram Receptividade no PS
Título do Público, 15 de Dezembro, 2004
prevejo inumeras oportunidades para constatar que são poucas as diferenças entre o governo que se adivinha e o desgoverno. Os sinais começam a surgir, não só de dentro do PS, que já começou a agradecer os trabalhinhos sujos que a direita fez, como também do mundo da alta finança. O Compromisso Portugal, um conjunto de tecnocratas lambidinhos que, há alguns meses, defendeu a desregulamentação total das leis laborais em beneficio exclusivo do lucro, já veio dar a sua bênção.
#2
[relactividade moral]
Ex-ditador Pinochet Escapa a Prisão Domiciliária
A defesa do antigo líder chileno diz que ele está a ser vítima de abuso dos direitos humanos.
in Publico, 15 de Dezembro 2004
[relactividade moral]
Ex-ditador Pinochet Escapa a Prisão Domiciliária
A defesa do antigo líder chileno diz que ele está a ser vítima de abuso dos direitos humanos.
in Publico, 15 de Dezembro 2004
14.12.04
#2
[sobre os sismos II]
Zero graus na escala de Peixoto
José Luís Peixoto
A Capital, 14 de Dezembro, 2004
Não senti nada. A minha mãe telefonou-me a meio da tarde e, antes de dizer qualquer coisa, perguntou-me: «sentiste?» E eu, que passei o dia sentado a escrever, com os estores da janela corridos à minha frente - nem sequer a imagem da rua, das pessoas e dos carros que passam, do dia a anoitecer - respondi-lhe: «senti o quê?» E ela, admirada com a minha admiração, a falar-me do terramoto, da cadeira a tremer lentamente sobre os mosaicos, quase como um zumbido, quase a andar sozinha. Não senti nada. E parece-me que não posso achar que gostava de ter sentido. Parece-me que, se confessar a mim próprio «gostava de ter sentido», tenho de bater três vezes na madeira, tenho de dizer lagarto lagarto lagarto, porque não posso desejar apenas para satisfação da minha curiosidade aquilo que pode trazer tanto sofrimento. Mas a verdade é que invejo - bater três vezes na madeira, lagarto lagarto lagarto - o entusiasmo com que a minha mãe me perguntou: «sentiste?» Não senti nada. Tento convencer-me que ter uma vida em que se escreve romances é assim. Ganha-se e perde-se. Ganha-se exactamente onde se perde. Muitas vezes tive amigos a dizerem-me: «tens de vir comigo a tal parte», ou «não podes perder tal coisa». Quase sempre, troquei isso por parágrafos, por capítulos ou, nos dias piores, como hoje, troquei isso pela frustração de passar o dia inteiro sentado, com os estores corridos à minha frente, a tentar escrever e a não gostar do resultado, a tentar de novo e a achar que todas as tentativas eram más, cada vez piores e, à noite, a não ter nada que me conforte, nem um parágrafo bem conseguido, nem uma metáfora certeira, nem um terramoto - bater três vezes na madeira, lagarto lagarto lagarto - que me mostre que foi um dia em que estive vivo.
[sobre os sismos II]
Zero graus na escala de Peixoto
José Luís Peixoto
A Capital, 14 de Dezembro, 2004
Não senti nada. A minha mãe telefonou-me a meio da tarde e, antes de dizer qualquer coisa, perguntou-me: «sentiste?» E eu, que passei o dia sentado a escrever, com os estores da janela corridos à minha frente - nem sequer a imagem da rua, das pessoas e dos carros que passam, do dia a anoitecer - respondi-lhe: «senti o quê?» E ela, admirada com a minha admiração, a falar-me do terramoto, da cadeira a tremer lentamente sobre os mosaicos, quase como um zumbido, quase a andar sozinha. Não senti nada. E parece-me que não posso achar que gostava de ter sentido. Parece-me que, se confessar a mim próprio «gostava de ter sentido», tenho de bater três vezes na madeira, tenho de dizer lagarto lagarto lagarto, porque não posso desejar apenas para satisfação da minha curiosidade aquilo que pode trazer tanto sofrimento. Mas a verdade é que invejo - bater três vezes na madeira, lagarto lagarto lagarto - o entusiasmo com que a minha mãe me perguntou: «sentiste?» Não senti nada. Tento convencer-me que ter uma vida em que se escreve romances é assim. Ganha-se e perde-se. Ganha-se exactamente onde se perde. Muitas vezes tive amigos a dizerem-me: «tens de vir comigo a tal parte», ou «não podes perder tal coisa». Quase sempre, troquei isso por parágrafos, por capítulos ou, nos dias piores, como hoje, troquei isso pela frustração de passar o dia inteiro sentado, com os estores corridos à minha frente, a tentar escrever e a não gostar do resultado, a tentar de novo e a achar que todas as tentativas eram más, cada vez piores e, à noite, a não ter nada que me conforte, nem um parágrafo bem conseguido, nem uma metáfora certeira, nem um terramoto - bater três vezes na madeira, lagarto lagarto lagarto - que me mostre que foi um dia em que estive vivo.
13.12.04
9.12.04
#2
[vergonhoso]
É absolutamente imoral que, num planeta onde se queimam excessos de produção para que se mantenham preços e onde se gastam milhões em guerras desnecessárias, existam razões para notícias como esta.
****
Cinco Milhões de Crianças morrem de fome todos os anos
JOANA FERREIRA DA COSTA
Público, 09 de Dezembro de 2004
A fome a má nutrição matam anualmente cinco milhões de crianças em todo o mundo, um "escândalo" que podia ser evitado com investimento económico modesto face aos benefícios futuros, denunciou ontem a Organização para a Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO).
De acordo com o relatório anual deste organismo, 852 milhões de pessoas sofriam de má nutrição entre 2000 e 2002, mais 18 milhões do que em meados da década de 90. Um flagelo que continua a assolar em larga escala os países em vias de desenvolvimento.
"É possível que a comunidade internacional ainda não se tenha apercebido da mais-valia que resultará de um aumento do investimento na luta contra a fome", declarou Hartwig de Haen, subdirector-geral da FAO, ontem, durante a apresentação do relatório em Roma, Itália. "Além do sofrimento humano, só por si escandaloso, a fome tem como consequência importantes perdas económicas", defendeu o responsável, considerando "incompreensível" a falta de esforço da comunidade internacional neste combate. "É uma questão de vontade política e de prioridades", conclui.
No relatório sobre a insegurança alimentar no mundo, a FAO diz que, anualmente, "mais de 20 milhões de bebés com baixo peso nascem nos países em vias de desenvolvimento" e que cinco milhões de crianças morrem devido à má nutrição. Um número muito superior de pessoas sofrerá durante toda a sua vida das sequelas deixadas pela má nutrição, que reduzirão a sua capacidade de trabalhar e ganhar a vida.
A FAO calcula que a falta de produtividade causada por este flagelo terá custos superiores a 500 mil milhões de dólares. Valor ao qual contrapõe os cerca de 30 mil milhões de dólares necessários por ano para cobrir os custos de saúde com as doenças provocadas pela falta de alimento em todo o mundo. Um valor cinco vezes superior ao alcançado até agora pelo Fundo Global contra a Sida Tuberculose e Malária.
Ironicamente, este investimento é pequeno face aos potenciais benefícios económicos a longo prazo: cada dólar investido na luta contra a fome representará, no futuro, entre cinco a 20 dólares em desenvolvimento e produtividade, defende a FAO.
Alguns sinais de optimismo
Dos 852 milhões de pessoas que passam fome no planeta, a esmagadora maioria (815 milhões) vive nos países em desenvolvimento. A má nutrição e a falta de alimentos atinge também 28 milhões de pessoas nos países de transição e nove milhões nos países desenvolvidos.
Os números revelam que o esforço para combater o flagelo é claramente insuficiente para cumprir os objectivos fixados em 1996 na Cimeira Mundial da Alimentação, denuncia a FAO. No encontro, os países comprometeram-se a fazer cair para metade o número de pessoas a sofrer de má nutrição até 2015.
A FAO encontra, no entanto, alguns sinais de optimismo: 30 países - que representam cerca de metade da população do terceiro mundo - conseguiram reduzir em 25 por cento o número de pessoas com fome durante a década de 90. A luta travada em estados como o Brasil, Chile, Moçambique, Jamaica, Peru, Tailândia, Emirados Árabes Unidos ou o Uruguai mostra que é possível conseguir progressos rápidos na redução do flagelo e as melhores formas de os alcançar.
Uma melhoria ligeira foi registada na África subsariana, onde a proporção de pessoas subalimentadas passou de 36 para 33 por cento, conclui a FAO. O subdirector-geral do organismo defendeu ontem que as estratégias para resolver o flagelo estão traçadas e que a fome tem de tornar-se uma prioridade. "Sabemos como pôr fim à fome e é tempo de agir face a este objectivo", concluiu Hartwig de Haen.
[vergonhoso]
É absolutamente imoral que, num planeta onde se queimam excessos de produção para que se mantenham preços e onde se gastam milhões em guerras desnecessárias, existam razões para notícias como esta.
****
Cinco Milhões de Crianças morrem de fome todos os anos
JOANA FERREIRA DA COSTA
Público, 09 de Dezembro de 2004
A fome a má nutrição matam anualmente cinco milhões de crianças em todo o mundo, um "escândalo" que podia ser evitado com investimento económico modesto face aos benefícios futuros, denunciou ontem a Organização para a Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO).
De acordo com o relatório anual deste organismo, 852 milhões de pessoas sofriam de má nutrição entre 2000 e 2002, mais 18 milhões do que em meados da década de 90. Um flagelo que continua a assolar em larga escala os países em vias de desenvolvimento.
"É possível que a comunidade internacional ainda não se tenha apercebido da mais-valia que resultará de um aumento do investimento na luta contra a fome", declarou Hartwig de Haen, subdirector-geral da FAO, ontem, durante a apresentação do relatório em Roma, Itália. "Além do sofrimento humano, só por si escandaloso, a fome tem como consequência importantes perdas económicas", defendeu o responsável, considerando "incompreensível" a falta de esforço da comunidade internacional neste combate. "É uma questão de vontade política e de prioridades", conclui.
No relatório sobre a insegurança alimentar no mundo, a FAO diz que, anualmente, "mais de 20 milhões de bebés com baixo peso nascem nos países em vias de desenvolvimento" e que cinco milhões de crianças morrem devido à má nutrição. Um número muito superior de pessoas sofrerá durante toda a sua vida das sequelas deixadas pela má nutrição, que reduzirão a sua capacidade de trabalhar e ganhar a vida.
A FAO calcula que a falta de produtividade causada por este flagelo terá custos superiores a 500 mil milhões de dólares. Valor ao qual contrapõe os cerca de 30 mil milhões de dólares necessários por ano para cobrir os custos de saúde com as doenças provocadas pela falta de alimento em todo o mundo. Um valor cinco vezes superior ao alcançado até agora pelo Fundo Global contra a Sida Tuberculose e Malária.
Ironicamente, este investimento é pequeno face aos potenciais benefícios económicos a longo prazo: cada dólar investido na luta contra a fome representará, no futuro, entre cinco a 20 dólares em desenvolvimento e produtividade, defende a FAO.
Alguns sinais de optimismo
Dos 852 milhões de pessoas que passam fome no planeta, a esmagadora maioria (815 milhões) vive nos países em desenvolvimento. A má nutrição e a falta de alimentos atinge também 28 milhões de pessoas nos países de transição e nove milhões nos países desenvolvidos.
Os números revelam que o esforço para combater o flagelo é claramente insuficiente para cumprir os objectivos fixados em 1996 na Cimeira Mundial da Alimentação, denuncia a FAO. No encontro, os países comprometeram-se a fazer cair para metade o número de pessoas a sofrer de má nutrição até 2015.
A FAO encontra, no entanto, alguns sinais de optimismo: 30 países - que representam cerca de metade da população do terceiro mundo - conseguiram reduzir em 25 por cento o número de pessoas com fome durante a década de 90. A luta travada em estados como o Brasil, Chile, Moçambique, Jamaica, Peru, Tailândia, Emirados Árabes Unidos ou o Uruguai mostra que é possível conseguir progressos rápidos na redução do flagelo e as melhores formas de os alcançar.
Uma melhoria ligeira foi registada na África subsariana, onde a proporção de pessoas subalimentadas passou de 36 para 33 por cento, conclui a FAO. O subdirector-geral do organismo defendeu ontem que as estratégias para resolver o flagelo estão traçadas e que a fome tem de tornar-se uma prioridade. "Sabemos como pôr fim à fome e é tempo de agir face a este objectivo", concluiu Hartwig de Haen.
7.12.04
#1
[isto só em itália]
A pré-campanha para as legislativas de 2006 em Itália está ao rubro.
Berlusconi anunciou que terá milhares de jovens a fazer campanha por si, porta a porta e nas escolas, reeditando a sua estratégia de campanha de 2001. Prodi, classificando-os como mercenários - uma vez que serão contratados- responde com uma tirada quase maoista, talvez para agradar às alas mais à esquerda da sua coligação (que terá uma participação alargada que se estenderá da Margarida (a democracia cristã do centro esquerda) à Refundação Comunista…
Esta resposta é uma tirada de antologia
Noi - scandisce Romano Prodi rivolto all'assemblea della Rete dei cittadini per l'Ulivo, a Montecatini - non possiamo fare come loro. Non possiamo arruolare mille mercenari. Per questo a ogni mercenario dovremo contrapporre mille volontari. Poi si sa che i mercenari non hanno mai difeso il suolo della patria, e anche questa volta lo dovremo difendere noi. L'incubo è finito. Davanti a noi c'è l'alba.
in Il Manifesto, 5 de Dezembro 2004
Nós – atira Prodi agitado à assembleia da Rede de Cidadãos pela Oliveira em Montecatini – não podemos fazer como eles. Não podemos contratar milhares de mercenários. Por isso, a cada mercenário deveremos contrapor milhares de voluntários. Pois sabe-se que os mercenários nunca defenderam o solo da pátria, e também desta vez deveremos ser nós a defende-lo. O pesadelo acabou. À nossa frente está o amanhecer.
[isto só em itália]
A pré-campanha para as legislativas de 2006 em Itália está ao rubro.
Berlusconi anunciou que terá milhares de jovens a fazer campanha por si, porta a porta e nas escolas, reeditando a sua estratégia de campanha de 2001. Prodi, classificando-os como mercenários - uma vez que serão contratados- responde com uma tirada quase maoista, talvez para agradar às alas mais à esquerda da sua coligação (que terá uma participação alargada que se estenderá da Margarida (a democracia cristã do centro esquerda) à Refundação Comunista…
Esta resposta é uma tirada de antologia
Noi - scandisce Romano Prodi rivolto all'assemblea della Rete dei cittadini per l'Ulivo, a Montecatini - non possiamo fare come loro. Non possiamo arruolare mille mercenari. Per questo a ogni mercenario dovremo contrapporre mille volontari. Poi si sa che i mercenari non hanno mai difeso il suolo della patria, e anche questa volta lo dovremo difendere noi. L'incubo è finito. Davanti a noi c'è l'alba.
in Il Manifesto, 5 de Dezembro 2004
Nós – atira Prodi agitado à assembleia da Rede de Cidadãos pela Oliveira em Montecatini – não podemos fazer como eles. Não podemos contratar milhares de mercenários. Por isso, a cada mercenário deveremos contrapor milhares de voluntários. Pois sabe-se que os mercenários nunca defenderam o solo da pátria, e também desta vez deveremos ser nós a defende-lo. O pesadelo acabou. À nossa frente está o amanhecer.
6.12.04
#4
[com os olhos cheios de imagens]
Tive de atravessar a cidade de uma ponta à outra ao final da tarde.
As ruas cheias de estrangeiros, o sol a marcar, a luz a provocar.
Por acaso trazia a Nikon, foi um festim!
Agora, acabada que estáa travessia, sento-me na frente do monitor com os olhos cheios de imagens e vontade de partilha-las, mas guardo-me em silêncio, procurando o espaço das palavras.
[com os olhos cheios de imagens]
Tive de atravessar a cidade de uma ponta à outra ao final da tarde.
As ruas cheias de estrangeiros, o sol a marcar, a luz a provocar.
Por acaso trazia a Nikon, foi um festim!
Agora, acabada que estáa travessia, sento-me na frente do monitor com os olhos cheios de imagens e vontade de partilha-las, mas guardo-me em silêncio, procurando o espaço das palavras.
#2
[intoletâncias]
Mario Pinto atira-se hoje, no público de hoje, aos comunistas que, em geral, se identificam com o Marxismo Leninismo, e ao PCP em particular.
Mario Pinto, um arauto do cristianismo mais retrogado e radical, um defensor do liberalismo conservador, perora, ao seu estilo de talibã do crussifixo, contra os crimes do comunismo, tentado, nessa linha argumentativa, pintar um ideal apenas com as cores negras com que o século XX, na maioria dos casos, o travestiu.
Se tivesse oportunidade, não deixaria de perguntar a Mário Pinto o que pensa da inquisição, das diversas cruzadas que a igreja católica dirigiu durante os seus dois milénios de história, ou sobre o apoio tácito que deu, no século XX, a Hitler e outros ditadores que tais, tão ou mais sanguinários como os carrascos de Moscovo ou Pequim. No fim de contas, foi tudo em nome de um ideal de justiça e igualdade. Parece-me que Mario Pinto apenas relativiza o que lhe dá jeito, porque, se aplicasse ao seu ideal a linha de argumentação que usa contra o comunismo, perderia a fé em menos de dois parágrafos....
Faz-me tanta impressão esse sentimento primário, básico e visceral, contra a esquerda em geral e contra @s comunistas em particular.
[intoletâncias]
Mario Pinto atira-se hoje, no público de hoje, aos comunistas que, em geral, se identificam com o Marxismo Leninismo, e ao PCP em particular.
A minha (de)formação à esquerda, aproxima-me perigosamente do marxismo, mas deixa-me a alguma distância do Leninismo e, sobretudo, do que dele foi feito por Estaline e companhia. Fico também a milhas dos PC's que herdaram a velhinha tradição moscovita e que dela ainda fazem bandeira, nomeadamente do partido que agora foi tomado por J. de Sousa.
Mario Pinto, um arauto do cristianismo mais retrogado e radical, um defensor do liberalismo conservador, perora, ao seu estilo de talibã do crussifixo, contra os crimes do comunismo, tentado, nessa linha argumentativa, pintar um ideal apenas com as cores negras com que o século XX, na maioria dos casos, o travestiu.
Se tivesse oportunidade, não deixaria de perguntar a Mário Pinto o que pensa da inquisição, das diversas cruzadas que a igreja católica dirigiu durante os seus dois milénios de história, ou sobre o apoio tácito que deu, no século XX, a Hitler e outros ditadores que tais, tão ou mais sanguinários como os carrascos de Moscovo ou Pequim. No fim de contas, foi tudo em nome de um ideal de justiça e igualdade. Parece-me que Mario Pinto apenas relativiza o que lhe dá jeito, porque, se aplicasse ao seu ideal a linha de argumentação que usa contra o comunismo, perderia a fé em menos de dois parágrafos....
Faz-me tanta impressão esse sentimento primário, básico e visceral, contra a esquerda em geral e contra @s comunistas em particular.
#1
[maturidade II]
Em 4 dias tive quatro sessões de olhos em bico, isto é, de contacto com a arte e cultura orientais.
Sempre fui um pouco arisco aos filmes e outras demonstrações daquele lado do planeta -excepto, talvez, a comida. Nada de preconceito, simplesmetne não me conseguia concentrar, pelo que toda a simplicidade, a ingenuidade construida e o ambiente não me cativavam.
Por isso, qual não é o meu espanto quando dei comigo satisfeito com uma sessão de animação japonesa na culturgest (de fazer inveja ao Vasco Granja), deliciado com um sushi, emocionado com 2046 de Wong Kar Wai e espantado com uma mostra de arte contemporânea Japonesa no museu Berardo... será maturidade?
[maturidade II]
Em 4 dias tive quatro sessões de olhos em bico, isto é, de contacto com a arte e cultura orientais.
Sempre fui um pouco arisco aos filmes e outras demonstrações daquele lado do planeta -excepto, talvez, a comida. Nada de preconceito, simplesmetne não me conseguia concentrar, pelo que toda a simplicidade, a ingenuidade construida e o ambiente não me cativavam.
Por isso, qual não é o meu espanto quando dei comigo satisfeito com uma sessão de animação japonesa na culturgest (de fazer inveja ao Vasco Granja), deliciado com um sushi, emocionado com 2046 de Wong Kar Wai e espantado com uma mostra de arte contemporânea Japonesa no museu Berardo... será maturidade?
3.12.04
#1
[uma boa Notícia]
Não esquecemos nem perdoamos @s milhares de mort@s e desaparecid@s
Pinochet Perde Imunidade
Público, 03 de Dezembro de 2004
O Tribunal de Apelo de Santiago levantou ontem a imunidade parlamentar ao antigo ditador general Augusto Pinochet, de forma a poder determinar as suas responsabilidades pelo assassínio do general Carlos Prats. A Força Aérea e a Marinha reconheceram a participação de oficiais seus em actos de tortura, e os jornalistas disseram-se "envergonhados" por terem calado esses atropelos.
A decisão da instância chilena foi tomada por 14 votos contra nove e abre a possibilidade do julgamento do autocrata pelo seu eventual papel na morte do antigo comandante das Forças Armadas, vice-Presidente de Salvador Allende e ministro do Interior morto na sequência da explosão de um carro armadilhado, em Buenos Aires, no dia 30 de Setembro de 1974. O atentado, em que morreu também a mulher do militar, Sofia Cuthbert, é um dos crimes atribuídos à Operação Condor.
O veredicto deve agora ser corroborado pelo Supremo Tribunal para poder seguir o seu caminho. Em Agosto, a mais alta instância judicial chilena pronunciou-se a favor do levantamento da imunidade de Pinochet para que este pudesse ser ouvido por aquela operação - uma trama de cumplicidades entre os serviços secretos de várias ditaduras dos anos de chumbo da América Latina.
Entretanto a Força Aérea e a Marinha chilenas reconheceram quase ao mesmo tempo a sua participação em actos de tortura durante a ditadura. Os Carabineiros também.
A assunção de responsabilidades foi feita pelos respectivos comandos. Mas enquanto a aviação assumiu sem pestanejar a sua parte, os marinheiros disseram que a sua arma "nunca validou nem mesmo sugeriu a aplicação da tortura".
Os reconhecimentos seguiram-se à recente entrega ao Presidente Lagos do relatório da Comissão Nacional sobre Prisão Política e Tortura.
Também o Colégio dos Jornalistas, a principal associação dos profissionais do sector, disse-se "envergonhada (...) por aqueles que, utilizando o nome ou o título de jornalistas, mancharam o dever de revelar uma verdade que, difundida oportunamente, teria ajudado a salvar vidas".
[uma boa Notícia]
Não esquecemos nem perdoamos @s milhares de mort@s e desaparecid@s
Pinochet Perde Imunidade
Público, 03 de Dezembro de 2004
O Tribunal de Apelo de Santiago levantou ontem a imunidade parlamentar ao antigo ditador general Augusto Pinochet, de forma a poder determinar as suas responsabilidades pelo assassínio do general Carlos Prats. A Força Aérea e a Marinha reconheceram a participação de oficiais seus em actos de tortura, e os jornalistas disseram-se "envergonhados" por terem calado esses atropelos.
A decisão da instância chilena foi tomada por 14 votos contra nove e abre a possibilidade do julgamento do autocrata pelo seu eventual papel na morte do antigo comandante das Forças Armadas, vice-Presidente de Salvador Allende e ministro do Interior morto na sequência da explosão de um carro armadilhado, em Buenos Aires, no dia 30 de Setembro de 1974. O atentado, em que morreu também a mulher do militar, Sofia Cuthbert, é um dos crimes atribuídos à Operação Condor.
O veredicto deve agora ser corroborado pelo Supremo Tribunal para poder seguir o seu caminho. Em Agosto, a mais alta instância judicial chilena pronunciou-se a favor do levantamento da imunidade de Pinochet para que este pudesse ser ouvido por aquela operação - uma trama de cumplicidades entre os serviços secretos de várias ditaduras dos anos de chumbo da América Latina.
Entretanto a Força Aérea e a Marinha chilenas reconheceram quase ao mesmo tempo a sua participação em actos de tortura durante a ditadura. Os Carabineiros também.
A assunção de responsabilidades foi feita pelos respectivos comandos. Mas enquanto a aviação assumiu sem pestanejar a sua parte, os marinheiros disseram que a sua arma "nunca validou nem mesmo sugeriu a aplicação da tortura".
Os reconhecimentos seguiram-se à recente entrega ao Presidente Lagos do relatório da Comissão Nacional sobre Prisão Política e Tortura.
Também o Colégio dos Jornalistas, a principal associação dos profissionais do sector, disse-se "envergonhada (...) por aqueles que, utilizando o nome ou o título de jornalistas, mancharam o dever de revelar uma verdade que, difundida oportunamente, teria ajudado a salvar vidas".
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