10.11.04

#2
[tarde de Novembro]

No ano passado passei parte do Outono fora do país.
Hoje, ao apreciar o sol das quatro da tarde a bater no empedrado e nos edifícios do Terreiro do Paço, ao seguir o voo das gaivotas, ao sentir o frio a cortar e o cheiro das castanhas assadas, apercebi-me de que já não me recordava de quão bonitas são as tardes de Novembro em Lisboa, esta cidade imensa que tanto amo.
#1
[devagarinho]

Some Took The Words Away
Poor head
Can hardly move my lips for speaking
I said So, what is this thing I cannot explain?
I'd blame all the things I feel but can't quite place
Perhaps they're written on my face
Someone took the words away

Why don't you speak up and say what you mean?
Summon my powers of conversation
I talk to myself,
I'm fine
When you're around,
Then I decline the invitation

It's strange to finally find myself so tongue-tied
A change has come over me
I'm powerless to express
Every thing I know but cannot speak
And if I try my voice will break
Someone took the words away
Someone took the words away

Elvis Costello
North

9.11.04

#3
[das palavras]


Isto às vezes é tremendo porque a gente quer exprimir sentimentos em relação a pessoas e as palavras são gastas e poucas. E depois aquilo que a gente sente é tão mais forte que as palavras...

António Lobo Antunes,
in Público, 9 Novembro 2004
no dia dos 25 anos da sua carreira
#1
[15 anos]


Do imbiss do turco
Ouve-se a rádio anunciar que em Postdamerplatz o muro está a cair
.

#1
[...]


hoje sinto-me ausente de mim.

8.11.04

#4
[Memória colectiva]

Em conversa com a Bubamara, chegámos à conclusão de que a versão platinada de Herman José simboliza, em si, um atentado à memória colectiva de uma geração.
Mantemo-nos em boicote.
#3
[Ainda a Palestina]


Com Olhos em Gaza
FRANCISCO SEIXAS DA COSTA
Público, 07 de Novembro de 2004

A face pálida de Yasser Arafat tornou-se ainda mais lívida, ao ouvir o que lhe disse o colaborador que interrompeu bruscamente a conversa que o presidente da Autoridade Palestiniana mantinha com Mário Soares, na minha presença. Arafat balbuciou qualquer coisa e saiu, apressado, para uma sala ao lado, deixando-nos a conjecturar sobre o que tanto o perturbara. Quando regressou, denotava uma imensa preocupação: Shimon Peres, então ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, acabara de lhe confirmar que, pouco antes, o primeiro-ministro Itzhak Rabin havia sido alvejado num comício em Tel-Aviv. Não se conheciam ainda pormenores sobre o seu estado. Sem o dizermos, o cenário de um atentado de autoria palestiniana atravessou-nos a todos. Minutos mais tarde, veio a saber-se que o autor dos disparos fora, afinal, um judeu radical e que Rabin, entretanto, morrera.

Estávamos em Gaza, em 5 de Novembro de 1995, após um jantar oficial, regressados à "guest house" da Autoridade Palestiniana, numa inédita visita do Presidente da República portuguesa iniciada nessa tarde, que eu acompanhava em substituição de Jaime Gama. A simpatia por Portugal e o imenso respeito de Arafat por Mário Soares ficaram patentes em vários gestos, desde a nossa chegada. O líder palestiniano fazia questão de recordar a atitude corajosa e solidária de Soares quando, anos antes, este fora visitá-lo a Beirute, sob fogo, durante o cerco sofrido pelas forças da Al Fatah.

A comitiva portuguesa saíra de Jerusalém, nessa manhã, após uma visita oficial de três dias a Israel. A presença do presidente português ficara marcada pela contínua expressão da amizade e admiração de Itzhak Rabin e de Shimon Peres, que viam em Mário Soares, simultaneamente, um sólido amigo de Israel e um militante pela reconciliação no Médio Oriente, defensor dos direitos do povo palestiniano. Viviam-se os tempos de esperança posteriores aos Acordos de Oslo e Washington e, a avaliar pelas medidas de segurança excepcionais que rodeavam Rabin, que haviam obrigado a súbitas mudanças do programa, pressentiam-se os riscos que o primeiro-ministro israelita estaria a correr para forçar, de uma vez por todas, as portas da paz possível. Mas estávamos muito longe de pressentir a tragédia.

Arafat despediu-se de nós, nessa noite, com uma sombra triste no olhar que não perderia na manhã seguinte, quando abreviámos a visita, para nos deslocarmos ao funeral de Rabin. Acto a que ele, contudo, não pôde assistir, como desejaria. Recordo as palavras trocadas por Soares com Arafat, no momento da nossa saída de Gaza. Do pesar que ambos sentiam pela desaparição de Rabin ressaltava a consciência mútua de que nada voltaria a ser igual no destino daquilo a que então se chamava o Processo de Paz do Médio Oriente.

Voltei a encontrar Arafat algumas outras vezes - em Barcelona, em Malta, em Bruxelas e em Nova Iorque. Sem excepção, perguntava-me sempre pelo seu "amigo Mário Soares" e teimava em relembrar, na sua voz cada vez mais trémula, aquela noite em Gaza, que lhe deve ter ficado na memória dos seus sonhos perdidos de uma Palestina livre.

Yasser Arafat cometeu, nos anos que se seguiram, uma imensidão de erros políticos, imerso numa conjuntura em que se deixou enredar, em que o radicalismo tomou conta dos acontecimentos, de um lado e do outro de uma barricada de ódio, hoje ironicamente simbolizada num muro real de incompreensão. O conflito israelo-palestiniano converteu-se, entretanto, numa imolação de inocentes, numa bola de neve de violência e de terror, com que já convivemos sem espanto, à vista do cinismo estratégico dos feiticeiros da realpolitik, da cobardia complacente de alguns e da fraternidade hipócrita de outros. O mundo tarda em perceber que, graças à aliança objectiva de messianismos contraditórios, alimentados pelo desespero e pelo fanatismo, se ateou a partir das margens do Jordão, à vista de todos, um incêndio imenso, que não pára de estender-se e que está, cada vez mais, longe de ser debelado, ardendo como o petróleo que lhe alimenta as raízes.

Em 5 de Novembro de 1995, morreu Itzhak Rabin. O ocaso de Yasser Arafat terá começado na mesma data, precisamente nove anos depois. Esta coincidência sela o destino trágico dos dois homens que mais perto estiveram de obter a paz para os seus povos.
#2
[poesia]


Sentimos
estar seco
o impulso
de dizer.
Deixemos
que os outros
digam um pouco
de nós.

André,
8 de Novembro, 2004
#1
[Manhã de segunda feira]


Estação de metro de Sete Rios, hora de ponta matinal. Tudo parecia correr bem, até que o segurança, à beira do cais,decidiu não me deixar entrar no transporte, alegando que estava cheio demais, que as pessoas se estavam a acotovelar... imagine-se. E eu que estava desejoso por me enlatar com aquela massa humana.
Lá fiquei sossegadinho na estação, esperando o próximo. A certa altura, apareceu um elefante e um tigre fugidos do Jardim Zoológico, foi um pandemónio. Só faltavam os macacos e o os trapezistas do circo Chen para compor o ramalhete.
Entrei no metro e descobri que este ia em sentido contrário, só parou na Amadora.
Voltei e, ao descer a Rua de S. Bento, fui assaltado por 3 velhinhas que queriam trocos para a aspirina. Assalto à mão armada, usavam a seringa dos diabetes.
Na porta do Edificio, o polícia não me quis deixar entrar, disse que já estava cheio demais, que as pessoas se estavam a acotovelar. Esta cena não me é estranha...
Chego ao gabinete e dou com o grande chefe constipado e de mau humor.
Enfim, uma manhã de segunda feira perfeitamente normal.

4.11.04

#3
[Velocidade pessoal]

Um filme com ritmo, grão e substância. Gostei de o ver.



Três mulheres muito diferentes decidem mudar as suas vidas e buscam uma nova esperança. Delia foge de um marido que abusa dela. Greta arrisca tudo numa nova carreira. E Paula desperta após um acidente trágico. Mas será que elas estão mesmo dispostas a arriscar uma nova vida ou estão apenas a cometer novamente os mesmos erros do passado?
in Cinecartaz
#2
[desmentido]

Parece que o post que está aqui em baix onão está correcto, fontes hospitalares desmentiram a morte do lider Palestiniano.
No entanto, a pergunta mantem-se... e agora?
#1
[em memória]

E agora?



Yasser Arafat

1929-2004

3.11.04

#3
[Se uma borboleta...]

A Teoria Matemática do Caos defende que, qualquer caos contem em si uma ordem, que gera a sua tendencial organização.
Um dos exemplos mais conhecidos desta teoria é o de que se uma borboleta bater as asas em Pequim, irá provocar um Tornado em Washington, pela simples razão de ter dado início a uma sequência de acontecimentos, que nem têm de estar ligados entre si.
Hoje, ao ver o telejornal, lembrei-me desta teoria e encontrei explicação para esta energia sem nome que, nos últimos dias, me tem atravessado: na Islância, há um vulcão que entrou em erupção.
#2
[Leituras pela manhã]

A minha sala de leitura itinerante favorita é o comboio, especialmente o da linha de Sintra.
Hoje de manhã, a míuda que estava sentada na minha frente lia o código da estrada, talvez antevendo as contra-ordenações que irá cometer em breve. Eu estava entregue a algo muito mais interessante: o livro de instruções do frigorifico. Deviamos estar na carruagem técnica.
#1
[o pior parece estar para acontecer]

Parece que, à segunda tentativa, Bush vai mesmo ganhar as eleições presidenciais.
O povo americano deu provas de ser mesmo diminuido, por isso só tem o que merece... o pior é que o resto do mundo também leva por tabela.

2.11.04

#5
[absolvida]


Uma miúda. 17 anos, a morar num barraco, trabalhadora estudante.
Vacilou, mas tomou uma das decisões mais dificeis da sua vida.
Um enfermeiro - com letra pequena, porque @s com letra grande são solidári@s com o sofrimento- que faz uma denuncia, pondo as suas convicções morais acima do direito à privacidade, acima do dever ético do segredo profissional. Para nada, o aborto estava consumado. Ou talvez quisesse ver a míuda na cadeia, há muita gente assim.
Um país que se recusa a encarar a realidade e o drama do aborto clandestino, insistindo em perpetuar a falta de educação sexual e o direito de escolha de cada uma e cada um ao seu corpo.
Um julgamento aplaudido por muit@s, e uma absolvição que, apesar de ser a unica saída decente, não apaga a humilhação e a vergonha publica.
Estive, mais uma vez, à porta do tribunal. Voltarei a estar enquanto outros casos forem julgados, enquanto esta lei medieval não for alterada.
Tenho vergonha deste país e também daquele individuo que, acaso da vida, tem o mesmo curso que eu.
#4
[Uruguay à esquerda]

A vitória da Esquerda no Uruguay amplia as perspectivas que se têm vindo a abrir no sul da américa, esse quase continente devassado por séculos de imperialismo selvagem.
Trinta e um anos depois do esmagamento da Frente Popular de Allende e do sonho do povo chileno, algo parece estar a mudar: Brasil, Argentina, Venezuela, Chile, Uruguay... apesar de alguma frouxidão face às grandes intituições monetárias e às exigencias das multinacionais, estes países têm governos com argumentos e legitimidade para que a bandeira da dignidade e da justiça seja levantada bem alta, em nome dessa enorme massa de gente que nada tem.
Assim o queiram fazer.


Deixo-vos um artigo excelente, do sempre atento Eduardo Galeano, publicado no La Jornada de ontem.

*******************

Águas de Outubro
por Eduardo Galeano

Um par de dias antes de que no norte da América se elegesse o presidente do planeta, no sul da América houve eleições e houve plebiscito num país ignorado, um país secreto, chamado Uruguai. Nessas eleições ganhou a esquerda, pela primeira vez na história nacional, e neste plebiscito, pela primeira vez na história mundial, o voto popular opôs-se à privatização da água e confirmou que a água é um direito de todos.
***
O movimento encabeçado por Tabaré Vázquez acabou com o monopólio compartilhado dos partidos tradicionais, que vinham governando o Uruguai desde das origens do universo. —Eu acreditava que haviam ganho os blanco, mas ganharam os colorados — ouvia-se dizer, assim ou o inverso, em cada eleição. Por oportunismo, sim, mas também porque depois, de tanto cogovernar, se haviam convertido num partido único disfarçado de dois. Farta de ser burlada, as pessoas fizeram uso do pouco usado senso comum. Perguntaram-se as pessoas: Por que prometem mudanças e mais uma vez convidam-nos a escolher entre o mesmo e o mesmo? Por que não fizeram essas mudanças se estão há uma eternidade no governo? O vice-presidente do país chegou à conclusão de que este povo perguntão não é inteligente. Nunca se tornara tão evidente o abismo que separava o país real dos discursos caça-votos. No país real, país ferido, onde só se multiplicam os emigrantes e os mendigos, a maioria optou por tapar os ouvidos perante as discursatas destes marcianos a competirem pelo governo do Júpiter com altissonantes palavras vindas da Lua. Nenhum dos donos do poder teve a honestidade confessar: —Estamos todos fodidos. Há trinta e tantos anos brotou a Frente Ampla nestas planícies do sul. "Irmão, não te vás", exortava o novo movimento. "Nasceu uma esperança". Mas a crise foi mais veloz do que essa esperança e acelerou a hemorragia de população que esvaziou o país de jovens. No fim do sonho da Suíça da América começava o pesadelo da pobreza e da violência. A espiral da violência culminou na ditadura militar, que converteu o Uruguai numa vasta câmara de torturas. Depois, quando voltou a democracia, os políticos dominantes exterminaram o pouco que restava do sistema produtivo e converteram o Uruguai num grande banco. O banco quebrou, como costuma acontecer com os bancos quando os banqueiros os assaltam, e ficámos cheios de dívidas e vazios de gente. Agora até os dentistas se queixam: "Pouquinha gente, pouquinhos dentes". Em todos esses anos, de desastre em desastre, perdemos uma multidão. Os jovens são os que mais foram, para procurar trabalho em outras terras, sob outros céus. E para mais vergonha, não contentes em expulsar os rapazes, este sistema esclerótico proíbe-os de votar. O Uruguai é um dos poucos países em que não podem votar os que vivem no estrangeiro, nem nos consulados nem pelo correio. Parece inexplicável, mas tem explicação. Em quem votariam esses votos? Os donos do país suspeitavam o pior. Têm razão.
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No acto final da sua campanha, o candidato à vice-presidência pelo Partido Colorado anunciou que se a esquerda ganhasse as eleições todos os uruguaios seriam obrigados a vestir igual, como os chineses na China de Mao.
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Ele foi mais um entre os muitos involuntários agentes da esquerda triunfante. Nem o mais sacrificado dos militantes fez tanto pela vitória como os tribunos da pátria que alertaram a população contra o iminente perigo de que a democracia caísse em mãos de tiranos inimigos da liberdade e delinquentes inimigos da democracia, terroristas, sequestradores e assassinos. Foram denúncias de grande eficácia: quanto mais atacavam os diabos, mais votos somava o inferno. Em grande medida, graças as esses arautos do apocalipse e ao seu verbo trovejante, a esquerda conseguiu ganhar, na primeira volta, por maioria absoluta. A gente votou contra o medo.
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Também o plebiscito da água foi uma vitória contra o medo. A opinião pública uruguaia sofreu um bombardeio de extorsões, ameaças e mentiras. Ao votar contra a privatização da água íamos sofrer a solidão e o castigo e íamos condenar-nos a um porvir de poços negros e charcos fedorentos Tal como nas eleições, no plebiscito venceu o senso comum. As pessoas votaram confirmando que a água, recurso natural escasso e finito, deve ser um direito de todos e não um privilégio daqueles que podem pagá-lo. E as pessoas confirmaram, também, que não se chupa o dedo e sabem que mais cedo do que tarde, num mundo sedento, as reservas de água serão tanto ou mais cobiçadas do que as reservas de petróleo. Os países pobres, mas ricos em água, têm que aprender a defender-se. Mais de cinco séculos se passaram desde Colombo. Até quando continuaremos a trocar ouro por espelhinhos? Não valeria a pena que outros países submetessem o tema da água ao voto popular? Numa democracia, quando é verdadeira, quem deve decidir? O Banco Mundial ou os cidadãos de cada país? Os direitos democráticos existem deveras, ou são as cerejas que decoram um bolo envenenado? Uns anos antes, em 1992, também o Uruguai fora o único país do mundo que submetera a plebiscito a privatização das empresas públicas. Setenta e dois por cento votaram contra. Não seria democrático plebiscitar as privatizações em toda a parte, tendo em conta que comprometem o destino de várias gerações?
***
Nós, os latino-americanos, fomos educados, há séculos, para a impotência. Uma pedagogia que vem desde os tempos coloniais, ensinada por militares violentos, doutores pusilânimes e frades fatalistas, enfiou-nos na alma a certeza de que a realidade é intocável e não temos outro remédio senão tragar no silêncio os sapos nossos de cada dia. O Uruguai de outros tempos fora uma excepção. Contra a herança do não é possível e do não se pode, e contra o costume de confundir o realismo com a obediência e a traição, este país soube ter educação laica e gratuita antes da Inglaterra, voto feminino antes da França, jornada de trabalho de oito horas antes dos Estados e divórcio antes da Espanha (70 anos antes da Espanha, para sermos exactos). Agora estamos começando a recuperar aquela energia criadora, que parecia perdida na longa noite da nostalgia. E não seria mau ter muito em conta que aquele Uruguai dos tempos fecundos foi filho da audácia, não do medo.
***
Fácil não será. A implacável realidade não demorará a recordar-nos a inevitável distância que separa o que se quer do que se pode. A esquerda chega ao governo num país roto, que em tempos muito passados esteve na vanguarda do progresso universal e hoje faz fila entre os de mais detrás, um país fundido, endividado até os cabelos e submetido à ditadura financeira internacional, que não vota mas veta. Temos uma reduzida margem de manobra e de movimento. Mas o que na solução é difícil, e até impossível, pode ser imaginado, e até realizado, se nos juntarmos com os países vizinhos como fomos capazes de juntar-nos com os vizinhos do bairro.
***
Na primeira manifestação da história da Frente Ampla, que lançou um rio de gente nas ruas, alguém havia gritado, entre assustado e feliz, a partir da multidão: —Corremos o risco de ganhar! Trinta e tantos anos depois, aconteceu. Este país está irreconhecível. Do foi ao é, do é ao será: as pessoas, que andavam tão descrentes que já nem no niilismo acreditavam, voltaram a crer, e crêem com gana. Os uruguaios, melancólicos, parados, que à primeira vez parecem argentinos com valium, andam a bailar no ar. Tremenda responsabilidade para os triunfadores. Para aqueles que foram votados, e para aqueles que os votaram. Haverá que cuidar, como a folha que cuida do fruto, este renascimento da fé, esta refundação da alegria. E recordar a cada dia quanta razão tinha don Carlos Quijano quando dizia que os pecados contra a esperança são os únicos que não têm perdão nem redenção.
#3
[mudanças]

Já instalei os CD's e já levei os livros de poesia para lá. Ontem, depois duma épica descida de um terceiro andar, com uma conversa sobre marx à mistura, instalei os sofás.
Neste momento a casa de banho e a sala estão minimamente habitáveis. Amanhã chegarão o frigorifico e a cama. Depois disso assento arraiais.
É a primeria vez que faço uma mudança, em causa própria, ou para casa própria. É um processo rico em coisas para pensar. A ocupação e humanização do espaço transforma-se, a pouco e pouco, numa viagem interior sem paralelos.
#2
[em suspenso]

O mundo aguarda pelos resultados da eleição presidencial americana.
Apesar de ver poucas diferenças entre os dois candidatos, se tivesse direito de voto não deixaria de apostar naquele que se situa menos à direita, qualquer coisa será melhor que Bush e os seus pistoleiros.
#1
[fotografias]

Sim, é verdade, eu gosto de fotografar janelas, o pôr do sol, o mar, os rios e as pontes... algum problema?