#1
[7:51h]
Acordar com um beijo amigo (mesmo que enviado por sms), abre sempre uma perspectiva diferente sobre o dia que se enfrenta.
12.10.04
11.10.04
#4
[...]
Deixei-me ficar a trabalhar até mais tarde, fui vendo a sala a esvaziar, a noite a entrar pela janela, o sossego a instalar-se no espaço caótico de todos os dias.
Enquanto o país aguarda em suspenso pela a declaração de Santana (pura poesia, certamente), e o fax debita furiosamente as inferteis circulares, eu tenho os ouvidos sintonizados num cotonete musical, deixando-me embalar pelos sons.
Os dedos acariciam o teclado e transformam ideias em palavras, ferindo o branco do ecrã, transpondo para ali esta sensação que em mim se instala.
A voz soturna de Beth Gibons, os acordes melancólicos dos seus Portishead - canções antigas que me levam às coisas aprendidas, que vou elencando e dispondo no tabuleiro dos dias, como um jogo de xadrês, fazendo-me equacionar as certezas, os ângulos de leitura e os passos a dar.
Há sempre coisas que não queremos sobrevalorizar, palavras que nos custam dizer, momentos que, pelas mais diversas razões, preferiamos não recordar. Há coisas que não consigo calar, sossegar em mim, esquecer.
Tudo isto converge para este momento.
[...]
Deixei-me ficar a trabalhar até mais tarde, fui vendo a sala a esvaziar, a noite a entrar pela janela, o sossego a instalar-se no espaço caótico de todos os dias.
Enquanto o país aguarda em suspenso pela a declaração de Santana (pura poesia, certamente), e o fax debita furiosamente as inferteis circulares, eu tenho os ouvidos sintonizados num cotonete musical, deixando-me embalar pelos sons.
Os dedos acariciam o teclado e transformam ideias em palavras, ferindo o branco do ecrã, transpondo para ali esta sensação que em mim se instala.
A voz soturna de Beth Gibons, os acordes melancólicos dos seus Portishead - canções antigas que me levam às coisas aprendidas, que vou elencando e dispondo no tabuleiro dos dias, como um jogo de xadrês, fazendo-me equacionar as certezas, os ângulos de leitura e os passos a dar.
Há sempre coisas que não queremos sobrevalorizar, palavras que nos custam dizer, momentos que, pelas mais diversas razões, preferiamos não recordar. Há coisas que não consigo calar, sossegar em mim, esquecer.
Tudo isto converge para este momento.
#2
[o sul a chamar por mim]
Vuelvo al sur
Vuelvo al Sur,
como se vuelve siempre al amor,
vuelvo a vos,
con mi deseo,
con mi temor.
Llevo el Sur,
como un destino del corazon,
soy del Sur,
como los aires del bandoneon.
Sueño el Sur,
inmensa luna, cielo al reves,
busco el Sur,
el tiempo abierto, y su despues.
Quiero al Sur,
su buena gente, su dignidad,
siento el Sur,
como tu cuerpo en la intimidad.
Te quiero Sur,Sur, te quiero
Sur...
Fernando E. Solanas
[o sul a chamar por mim]
Vuelvo al sur
Vuelvo al Sur,
como se vuelve siempre al amor,
vuelvo a vos,
con mi deseo,
con mi temor.
Llevo el Sur,
como un destino del corazon,
soy del Sur,
como los aires del bandoneon.
Sueño el Sur,
inmensa luna, cielo al reves,
busco el Sur,
el tiempo abierto, y su despues.
Quiero al Sur,
su buena gente, su dignidad,
siento el Sur,
como tu cuerpo en la intimidad.
Te quiero Sur,Sur, te quiero
Sur...
Fernando E. Solanas
#1
[na crista da montanha]
Novíssimo Testamento - Fabrício Carpinejar
[na crista da montanha]
Encontrei, no blog do Viagiattore, este Poema Editado, e logo o identifiquei com o que chamo andar na crista da montanha, esse lugar onde se vê mais e onde o vento bate dos dois lados.
espero que gostem.
Poema editado
Legendar a conversa dos pássaros ao amanhecer, esticar o arame do violino, acolher o elogio dos defeitos, prender em gaiolas os livros de leitura avoada, trocar mensalmente a terra do rosto, agradecer a quem te cumprimenta por engano, empregar as ervas como escolta das flores, desaparecer na visibilidade, interromper a sesta do vento, conhecer-te na medida em que me ignoro, repetir os erros para decorar os caminhos, afiar a faca na compra para que seja leal na despedida, levantar atrasado com a solidão ao lado, reverenciar o muro que nos permite imaginar uma vida diferente da nossa, escolher as melhores maçãs pelo assédio dos insetos, assobiar estrelas entre os telhados, partir os cabides ao arrumar as malas, avisar das falhas na calçada, seguir quem está perdido, ser a primeira roupa do teu dia, desafiar as cigarras desafinando mais alto, revezar com o pessegueiro a guarda da porta, buscar um confidente fora da consciência, barbear a insônia com a lâmina dos seios, abandonar teu corpo antes da luz depor o peso, morar no clarão exilado, curvar-se no violão como uma violeta cansada, compensar a forte dose da fala com os gestos, imitar a elegância de objetos esquecidos, deixar a música se inventar sozinha, segurar no braço da cerração para atravessar a rua, retribuir o aceno das sobrancelhas, presenciar da janela a palestra da chuva, espreguiçar a camisa dormida de espuma, eleger tristezas para concorrer com as tuas, engolir de volta as palavras que te agrediram, medir a altura do poço com uma moeda, entender que meus livros são parecidos comigo (demoram a fazer amigos), verificar o pulso da madeira, achar no pesadelo um quarto para dormir, arder como um musgo na soleira da porta, descer o fecho do vestido e vestir o quarto, combinar encontros e desencontrar-se consigo no meio do trajeto, desistir de compor o diário porque não existe segredo quando escrito, anotar na agenda as reuniões que não quero ir, apiedar-se da vocação fúnebre do guarda-chuva, falir na memória preservando a imaginação, acautelar-se das paredes velhas, o cimento armado, carregar o sobretudo como uma garrafa vazia, comemorar o que desconhecemos um do outro.
Legendar a conversa dos pássaros ao amanhecer, esticar o arame do violino, acolher o elogio dos defeitos, prender em gaiolas os livros de leitura avoada, trocar mensalmente a terra do rosto, agradecer a quem te cumprimenta por engano, empregar as ervas como escolta das flores, desaparecer na visibilidade, interromper a sesta do vento, conhecer-te na medida em que me ignoro, repetir os erros para decorar os caminhos, afiar a faca na compra para que seja leal na despedida, levantar atrasado com a solidão ao lado, reverenciar o muro que nos permite imaginar uma vida diferente da nossa, escolher as melhores maçãs pelo assédio dos insetos, assobiar estrelas entre os telhados, partir os cabides ao arrumar as malas, avisar das falhas na calçada, seguir quem está perdido, ser a primeira roupa do teu dia, desafiar as cigarras desafinando mais alto, revezar com o pessegueiro a guarda da porta, buscar um confidente fora da consciência, barbear a insônia com a lâmina dos seios, abandonar teu corpo antes da luz depor o peso, morar no clarão exilado, curvar-se no violão como uma violeta cansada, compensar a forte dose da fala com os gestos, imitar a elegância de objetos esquecidos, deixar a música se inventar sozinha, segurar no braço da cerração para atravessar a rua, retribuir o aceno das sobrancelhas, presenciar da janela a palestra da chuva, espreguiçar a camisa dormida de espuma, eleger tristezas para concorrer com as tuas, engolir de volta as palavras que te agrediram, medir a altura do poço com uma moeda, entender que meus livros são parecidos comigo (demoram a fazer amigos), verificar o pulso da madeira, achar no pesadelo um quarto para dormir, arder como um musgo na soleira da porta, descer o fecho do vestido e vestir o quarto, combinar encontros e desencontrar-se consigo no meio do trajeto, desistir de compor o diário porque não existe segredo quando escrito, anotar na agenda as reuniões que não quero ir, apiedar-se da vocação fúnebre do guarda-chuva, falir na memória preservando a imaginação, acautelar-se das paredes velhas, o cimento armado, carregar o sobretudo como uma garrafa vazia, comemorar o que desconhecemos um do outro.
Novíssimo Testamento - Fabrício Carpinejar
10.10.04
8.10.04
7.10.04
#1
[ah pois é...]
Os partidos da maioria agitam-se, como se de um ninho de lacraus furiosso se tratassem.
Mesmo os mais liberais e neo-conservadores da nossa praça lhes lançam metralha serrada... fica o exemplo de JMF que, no editorial do Público de hoje é contundente para com o (des)governo.
****
Ainda Mal Começou...
Publico, 07 de Outubro de 2004
José Manuel Fernandes
Os estragos provocados por este Governo ao fim
de pouco mais de três meses ultrapassam as piores previsões dos mais pessimistas
Apesar de não se conhecerem todos os detalhes das circunstâncias que rodearam a saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI - e de provavelmente nunca se virem a conhecer -, a decisão do antigo líder do PSD, que implicou uma ruptura radical com um velho amigo a que o ligam laços de família, mostra que se ultrapassou um novo limite. E ultrapassou-se esse limite no momento em que na TVI, uma estação privada de televisão, se começou a perceber que os negócios que dependiam do Governo dificilmente iriam para a frente, se a estação mantivesse a assertividade crítica de alguma da sua informação e opinião. Isso não terá sucedido ontem, nem sequer depois das declarações de Rui Gomes da Silva: isso vem sucedendo há muito e mostra que persistem em Portugal dois males antigos que fazem com que sejamos uma democracia pouco liberal. Primeiro, porque as tentações de os governos controlarem a informação não desapareceram, antes recrudesceram com o actual Executivo, e o império da PT- criado sob o PS, alimentado e protegido pelo PSD - permite ter uma terrível arma de intervenção capaz de condicionar mesmo os grupos privados, na televisão e não só. Depois, porque em Portugal são raríssimos os empresários que não actuam em função das conveniências do Governo do momento, não só por dependerem do Estado, mas também por o Estado nunca ter liberalizado as regras da economia por forma a que tudo não dependa, em última análise, da mendigada rubrica de um ministro.
Chegámos agora a um dos momentos mais baixos deste círculo vicioso. De um lado, um governo acossado e fraco, desorientado e acéfalo, incapaz de resistir à tentação da manipulação e desesperado por não perceber que o mal não está em quem divulga as más notícias, mas em quem lhes dá origem: eles próprios. Do outro lado, elites que ou estão divorciadas da causa pública, ou estão concubinadas com os poderes - elites incapazes de perceberem aquilo que Jorge Sampaio recordou no seu discurso do 5 de Outubro: o fiasco trágico das elites políticas (mas também económicas) do Estado Novo e as consequências do fracasso da tentativa tardia de reforma durante o marcelismo. Essas elites sabiam que era necessário transitar para uma democracia pluralista e descolonizar, mas falharam quando chegou altura das reformas necessárias. Bloquearam, intrigaram e não conseguiram tirar o país do beco em que se encontrava.
Ora é essa situação em que muitos portugueses já se sentem hoje e alguns dos que se iludiram com a experiência marcelista há anos que sentem que estamos a caminhar de novo para um abismo.
Com uma agravante: o nível intelectual e cultural dessas elites, quer das que chegaram a pensar que era possível a transição gradual, quer nalguns casos das que eram genuinamente autoritárias, era infinitamente superior ao de muitos daqueles que desgraçadamente nos governam. É trágico - lancinante mesmo - ter de admiti-lo, mas depois de se assistir a uma demonstração de iliberalismo democrático como a dos últimos dias (que é a ponta do icebergue do mal-estar que se vive em muitas redacções) e de ninguém ter porventura dado a atenção devida a tudo o que disse terça-feira Jorge Sampaio, na actual crise o risco de ruptura e declínio é porventura bem maior do que a oportunidade de mudança e de progresso. Daí o receio: ainda não batemos no fundo.
[ah pois é...]
Os partidos da maioria agitam-se, como se de um ninho de lacraus furiosso se tratassem.
Mesmo os mais liberais e neo-conservadores da nossa praça lhes lançam metralha serrada... fica o exemplo de JMF que, no editorial do Público de hoje é contundente para com o (des)governo.
****
Ainda Mal Começou...
Publico, 07 de Outubro de 2004
José Manuel Fernandes
Os estragos provocados por este Governo ao fim
de pouco mais de três meses ultrapassam as piores previsões dos mais pessimistas
Apesar de não se conhecerem todos os detalhes das circunstâncias que rodearam a saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI - e de provavelmente nunca se virem a conhecer -, a decisão do antigo líder do PSD, que implicou uma ruptura radical com um velho amigo a que o ligam laços de família, mostra que se ultrapassou um novo limite. E ultrapassou-se esse limite no momento em que na TVI, uma estação privada de televisão, se começou a perceber que os negócios que dependiam do Governo dificilmente iriam para a frente, se a estação mantivesse a assertividade crítica de alguma da sua informação e opinião. Isso não terá sucedido ontem, nem sequer depois das declarações de Rui Gomes da Silva: isso vem sucedendo há muito e mostra que persistem em Portugal dois males antigos que fazem com que sejamos uma democracia pouco liberal. Primeiro, porque as tentações de os governos controlarem a informação não desapareceram, antes recrudesceram com o actual Executivo, e o império da PT- criado sob o PS, alimentado e protegido pelo PSD - permite ter uma terrível arma de intervenção capaz de condicionar mesmo os grupos privados, na televisão e não só. Depois, porque em Portugal são raríssimos os empresários que não actuam em função das conveniências do Governo do momento, não só por dependerem do Estado, mas também por o Estado nunca ter liberalizado as regras da economia por forma a que tudo não dependa, em última análise, da mendigada rubrica de um ministro.
Chegámos agora a um dos momentos mais baixos deste círculo vicioso. De um lado, um governo acossado e fraco, desorientado e acéfalo, incapaz de resistir à tentação da manipulação e desesperado por não perceber que o mal não está em quem divulga as más notícias, mas em quem lhes dá origem: eles próprios. Do outro lado, elites que ou estão divorciadas da causa pública, ou estão concubinadas com os poderes - elites incapazes de perceberem aquilo que Jorge Sampaio recordou no seu discurso do 5 de Outubro: o fiasco trágico das elites políticas (mas também económicas) do Estado Novo e as consequências do fracasso da tentativa tardia de reforma durante o marcelismo. Essas elites sabiam que era necessário transitar para uma democracia pluralista e descolonizar, mas falharam quando chegou altura das reformas necessárias. Bloquearam, intrigaram e não conseguiram tirar o país do beco em que se encontrava.
Ora é essa situação em que muitos portugueses já se sentem hoje e alguns dos que se iludiram com a experiência marcelista há anos que sentem que estamos a caminhar de novo para um abismo.
Com uma agravante: o nível intelectual e cultural dessas elites, quer das que chegaram a pensar que era possível a transição gradual, quer nalguns casos das que eram genuinamente autoritárias, era infinitamente superior ao de muitos daqueles que desgraçadamente nos governam. É trágico - lancinante mesmo - ter de admiti-lo, mas depois de se assistir a uma demonstração de iliberalismo democrático como a dos últimos dias (que é a ponta do icebergue do mal-estar que se vive em muitas redacções) e de ninguém ter porventura dado a atenção devida a tudo o que disse terça-feira Jorge Sampaio, na actual crise o risco de ruptura e declínio é porventura bem maior do que a oportunidade de mudança e de progresso. Daí o receio: ainda não batemos no fundo.
6.10.04
#2
[sede de mais]
Parece que estou em maré de sorte.
Depois de ontem ter arranjado a casa, hoje encontrei esta mensagem na minha caixa de correio:
Tenho o gosto de informar que, na sequência da nossa entrevista de Sábado p.p., passarei a contar com a sua participação na oficina de escrita narrativa, a partir de 7 de Outubro.
Saudações amigas do
Mário de Carvalho
[sede de mais]
Parece que estou em maré de sorte.
Depois de ontem ter arranjado a casa, hoje encontrei esta mensagem na minha caixa de correio:
Tenho o gosto de informar que, na sequência da nossa entrevista de Sábado p.p., passarei a contar com a sua participação na oficina de escrita narrativa, a partir de 7 de Outubro.
Saudações amigas do
Mário de Carvalho
5.10.04
#2
[fumo branco]
Depois de uma maratona negocial intensa, um poderoso lobby pró primeira casa conseguiu ganhar espaço no meu pensamento. A decisão estava quase tomada, a queda da hipótese "2ªcasa" só veio apressar a escolha. Perdi uma casinha linda, ganhei a simpatia de uns "quase senhorios", arranjei um espaço que, não tendo o charme do outro, me estimula.
De hoje em diante, o Metrografista entra em processo de mudança. Daqui a um mês, quando estiverem no Museu de Arte Moderna, em Sintra, olhem para o prédio da frente: a janela que ostentar a bandeira com o arco iris da paz (como a da foto ao lado) é da casa onde será bem vind@ quem vier por bem.
Para @s amig@s que estão longe: não esqueço que os vossos sofás foram minha morada por este mundo fora, espero por tod@s com a mesma gentileza e disponibilidade que sempre têm tido para mim.
Estou CONTENTE, este é um dia que, definitivamente, me dá sorte.
[fumo branco]
Depois de uma maratona negocial intensa, um poderoso lobby pró primeira casa conseguiu ganhar espaço no meu pensamento. A decisão estava quase tomada, a queda da hipótese "2ªcasa" só veio apressar a escolha. Perdi uma casinha linda, ganhei a simpatia de uns "quase senhorios", arranjei um espaço que, não tendo o charme do outro, me estimula.
De hoje em diante, o Metrografista entra em processo de mudança. Daqui a um mês, quando estiverem no Museu de Arte Moderna, em Sintra, olhem para o prédio da frente: a janela que ostentar a bandeira com o arco iris da paz (como a da foto ao lado) é da casa onde será bem vind@ quem vier por bem.
Para @s amig@s que estão longe: não esqueço que os vossos sofás foram minha morada por este mundo fora, espero por tod@s com a mesma gentileza e disponibilidade que sempre têm tido para mim.
Estou CONTENTE, este é um dia que, definitivamente, me dá sorte.
#1
[are you talking about me?]
ESQUADROS
Eu ando pelo mundo prestando atenção
Em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo, cores
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
E como uma segunda pele, um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Eu quero chegar antes
Pra sinalizar o estar de cada coisa
Filtrar seus graus
Eu ando pelo mundo divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome dos meninos que têm fome
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
(Quem é ela? Quem é ela?)
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle
Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde
Transito entre dois lados, de um lado
Eu gosto de opostos
Expondo meu modo, me mostro
Eu canto para quem?
Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
Minha alegria meu cansaço?
Meu amor, cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado
Adriana Calcanhotto
[are you talking about me?]
ESQUADROS
Eu ando pelo mundo prestando atenção
Em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo, cores
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
E como uma segunda pele, um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Eu quero chegar antes
Pra sinalizar o estar de cada coisa
Filtrar seus graus
Eu ando pelo mundo divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome dos meninos que têm fome
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
(Quem é ela? Quem é ela?)
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle
Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde
Transito entre dois lados, de um lado
Eu gosto de opostos
Expondo meu modo, me mostro
Eu canto para quem?
Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
Minha alegria meu cansaço?
Meu amor, cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado
Adriana Calcanhotto
4.10.04
#3
[votações]
O post sobre as minhas casas resultou numa verdadeira chuva de opiniões para o meu telemóvel.
Isto é lindo, do nada surge uma verdadeira sondagem via SMS... parece que toda a gente tem algo a dizer.
Já agora, a opção pela segunda casa vai na cabeça do pelotão, destacada (e na minha também...).
Obrigado a tod@s!
[votações]
O post sobre as minhas casas resultou numa verdadeira chuva de opiniões para o meu telemóvel.
Isto é lindo, do nada surge uma verdadeira sondagem via SMS... parece que toda a gente tem algo a dizer.
Já agora, a opção pela segunda casa vai na cabeça do pelotão, destacada (e na minha também...).
Obrigado a tod@s!
#1
[decisões]
Depois de muito procurar, tenho entre mãos duas casas para alugar.
A primeira é espaçosa, luminosa.
A segunda é pequenina, tem menos luz.
A primeira é bem situada, numa artéria movimentada, com vista para o mar.
A segunda é bem situada, num lugar sossegado, com vista para o mar.
A primeira tem um espaço de fácil utilização.
A segunda exige soluções imagéticas, exige um saber fazer e um saber estar.
A primeira tem uma senhoria um bocado metediça.
A segunda um casal de senhorios velhotes e simpáticos.
A primeira é mais cara que a segunda.
A primeira é um estilo de vida mais direitinho, arrumadinho e tal.
A segunda é uma opção de vida bem mais ao meu estilo...
Nunca me esqueço daquela máxima que diz que é feliz quem pode fazer opções. Mas, uma vez que as grandes decisões me deixam sempre em palpos de aranha, mais uma vez verifico que ser feliz dá trabalho. :)
[decisões]
Depois de muito procurar, tenho entre mãos duas casas para alugar.
A primeira é espaçosa, luminosa.
A segunda é pequenina, tem menos luz.
A primeira é bem situada, numa artéria movimentada, com vista para o mar.
A segunda é bem situada, num lugar sossegado, com vista para o mar.
A primeira tem um espaço de fácil utilização.
A segunda exige soluções imagéticas, exige um saber fazer e um saber estar.
A primeira tem uma senhoria um bocado metediça.
A segunda um casal de senhorios velhotes e simpáticos.
A primeira é mais cara que a segunda.
A primeira é um estilo de vida mais direitinho, arrumadinho e tal.
A segunda é uma opção de vida bem mais ao meu estilo...
Nunca me esqueço daquela máxima que diz que é feliz quem pode fazer opções. Mas, uma vez que as grandes decisões me deixam sempre em palpos de aranha, mais uma vez verifico que ser feliz dá trabalho. :)
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