2.9.04

#2
[Aiiiiiiii]

O grito, reprimido e mastigado, transformou-se num suspiro arrastado que cortou o entardecer.
#1
[AHHHHHHHHHHHHHHH]

Há momentos em que tenho uma vontade imensa de gritar, acreditando ser esta a forma de me deixar invadir pelo silêncio.

1.9.04

#3
[escritas...]

"(...) Escrever é uma ousadia. Não tenho ambições literárias. Gosto de Ler as coisas que escrevo, mas não acho que isso chegue. Para escrever um livro, de romance ou de poesia, é preciso que seja imprescindível para nós. Não acho que tais coisas venham nos genes."

Daniel [barnabé] Oliveira,
A Capital, 22 Agosto 2004
#2
[respiganço]
Não resisti a mais um grande momento do TBR, no sus les paves lá plage. Reza assim:


Itinerância
Poderia enviar-te um postal de férias, mas não tenho a morada do teu corpo.



#1
[Psi20]

Ontem caí na cama.
Hoje caí da cama.

31.8.04

#2
[womam on waves]

ABAIXO ASSINADO

Está lançado, pelas associações que apoiaram a vinda do navio, um abaixo assinado de protesto pelo impedimento da entrada do referido barco em Portugal que será entregue durante esta concentração na residência oficial primeiro-ministro .
Pede-se a vossa solidariedade na recolha de assinaturas e na divulgação desta iniciativa:
http://www.PetitionOnline.com/19592c11/petition.html


PROTESTO

4ª FEIRA, DIA 1, 18H

Concentração contra a decisão do governo em impedir a entrada em águas territóriais do navio das women on waves.
Em frente à residência oficial do primeiro-ministro (S. Bento, ao lado da Assembleia da República), agora ocupada pelo Santana


#1
[lacticinios]

A malta do comboio a queixar-se das férias que teve e das que não teve.
Encontrar, logo de manhã um velho conhecido que, pura energia matinal, fez questão de me contar ao pormenor o seu (interessante...) trabalho numa multinacional de lacticinios. conversa de circunstância, a familia e quê, e nem uma janela para me escapar.
Avançar pela multidão e dar comigo a pedir passagem noutra lingua.
Descer a Rua e ver as bandeiras ainda a esvoaçar... a malta deve ter vibrado mesmo com essa força da natureza chamada Obikwelu.
Ler os 50 e-mails em atraso, dar respostas, não me fixar nas palavras escritas, imaginar pastas de diversas cores e formas a encaixar nas letras, quais peças de um tetris gastronómico a jogar com a modorra do dia a dia.
life's like...

30.8.04

#4
[poemas & jazz]

Fui à procura de alimento para a fome que me roi. Encontrei um livro que se assemelha a um tratado, não sei se de poesia ou de jazz. Talvez dos dois, e por isso se chame Poezz, editado em Maio pela Almedina.
Foi lá que encontrei este "Diptico para Bill Evans"

I
Tocava
Muito inclinado
Como quem ouve
CAda vez mais fundo

II
não tocava

Abria um espaço
Que nos permitia
ouvir

Alberto de Lacerda
#2
[...]

Já basta deste ar viciado.
Apanhar sol na moleirinha e arejar ideias, porque, depois de tamanha ausência, não me posso arriscar a uma overdose.

#1
[Ella...]


SUMMERTIME

Summertime, and the livin' is easy
Fish are jumpin' and the cotton is high
Oh, your daddy's rich and your ma is good-lookin'
So hush little baby, Don't you cry

One of these mornings you're gonna rise up singing
And you'll spread your wings and you'll take to the sky
But 'til that morning, there ain't nothin' can harm you
With Daddy and Mammy standin' by

One of these mornings you're gonna rise up singing
And you'll spread your wings and you'll take to the sky
But 'til that morning, there ain't nothin can harm you
With Daddy and Mammy standin' by

George Gershwin

acordei com estas palavras na cabeça.
imagino-as cantadas por Ella Fitzgerald, inebria-me o calor da ideia.

29.8.04

#1
[regressos]


Na minha modesta e rodada opinião, a melhor das viagens é aquela que se vai fazendo ao sabor dos dias. São sempre precisas algumas ideias prévias, mas é bom chegar ao fim e perceber que a ideia inicial era boa mas não tão boa como o que realmente acabou por acontecer.
É assim que me sinto. Nos últimos 15 dias perdi contacto com a net, não tive oportunidade de contar o que se foi passando. Fa-lo-ei em breve, seguramente que haverá muito para dizer... uma noite num hotel chamado califórnia, uma tarde numa terra surreal que, apesar de cheia de gente, estava vazia, a escalada ao vesúvio, um festival de folk grecanico, uma viagem de comboio com direito a jogo de voleibol sobre os carris...
Agora é tempo de digerir, de me sintonizar comigo e com o mundo real. Sempre a arquitectrar a próxima partida.

15.8.04

#4
[Outra voz]


hoje ha outra voz que se junta a esta viagem.
a blogosfera que aguarde o relato a 4 maos.
#3
[uh, ah, Chavez no se và]


Nao sou um admirador incondicional do populista Hugo Chavez, presidente da Venezuela. No entanto, devo admitir que a sua revoluçao bolivariana, além de fazer tremer os poderes da oligarquia estabelecida naquele pais, tem aumentado os niveis de democracia de base, permitindo aos 80% de populaçao pobre - de um pais que é o 5o produtor mundial de petroleo - acesso gratuito a bens como saude e educaçao, fornecendo-lhes também intrumentos legais e materiais que permitiram um desenvolvimento do associativismo, do micro-credito e de um plano de reforma agraria.
Nao acredito nos milagres nem nos paraisos terrenos. A Chavez e a quem o segue haverà muito que apontar. No entanto quem tem apontado o dedo é quem nao pode com a ideia de que @s pobres podem ter direitos e acesso a um minimo de dignidade através do estado social, financiado pelos lucros obtidos pela nacionalizaçao do petroleo: as confederaçoes patronais, a burocracia sindical comprometida com a corrupçao, os partidos que, nos ultimos 40 anos, dividiram entre si o poder, a aristocracia, os média privados, a hierarquia da igreja catolica (que persegue os padres que, no terreno, tem feito a ponte entre os programas sociais do governo e as comunidades), a extremna direita e alguma esquerda também, todos metidos numa "coordenadora democràtica" que parece nao querer mais do que tirar Chavez do poder, evitando sempre falar do dia que se segue - tanta simplicidade e abnegaçao vinda de algumas destas figuras (muitas delas directamente relacionadas com o golpe de estado de 2002) até é de estranhar.

Hoje referenda-se na Venezuela a continuaçao ou nao, do mandato de Chavez, que vai até 2006. Este facto constitui, por si so, uma novidade no panorama da democracia mundial... que outra constituiçao permite referendos revogatorios dos altos cargos politicos? so esta, cuja elaboraçao foi conduzida pelo governo de Chavez e aceite por larga maioria da populaçao em referendo - parece que os opositores do presidente também se agarram a ela com unhas e dentes, reconhecendo-lhe valor de lei.

Para derrotar Chavez, os defensores do SI tem de obter mais um voto que o numero total dos votos da ultima eleiçao presidencial, pouco mais de 3 milhoes de votos. A campanha foi animada, até meteu telenovelas à mistura - a chamada novela venezuelana. Acabou com cortejos de milhoes, a favor e contra, nas ruas de Caracas. Os do SI, apoioados abertamente por Collin Powell (isto é, pelos EUA), ja falam em fraude... As sondagens na Venezuela dizem que a vitoria do SI é segura, mas a maior agencia de sondagens da América do Sul diz o contrario, e esta nao tem relaçao com nenhuma das partes.

Neste contexto, um grupo de pernsolidades de renome mundial, como Chico Buarque, Eduardo Galeano, Ken Livingstone (Mayor de Londres), Bernard Cassen (director do Le Monde Diplo)ou José Bové, entre muitos outros, decidiram dar um apoio internacional a Chavez, assinando um documento onde declaram que, face ao respeito demonstrado pela democracia e pela constituiçao venezuelana e à manifesta intervençao dos EUA em toda este processo, se foseem venezuelanos votariam NO.

Tenho lido muito sobre todo este processo no IL Manifesto, e a informaçao obtida parece nao ter nada a ver com a que, por exemplo, o DN de hoje dà. Mas é uma informaçao que bate certo com a dada por alguns amigos que acompanham de o processo in loco... por tudo isto, quando penso no dia de amanha, espero que os resultados sejam festejados com o slogam que vem das favelas de Caracas... Hu ha, Chavez no se va!
#2
[existem...]


American@s a almoçar à minha frente...
Estava tudo soo good, amazing, e very italian, mas d@s 4, a unica que soube dar uso à faca durante a refeiçao tinha um boné enfiado até às orelhas.
#1
[Ferragosto]


Este é o dia que marca a temporada. Além de ser feriado nacional, significa também o fim da temporada de férias para muita gente... espera-se que a populaçao de Roma, que se viu reduzida pela debandada estival, chegue hoje um pouco acima de 30% do seu numero habitual. Jà nos centros de veraneio, é impossivel encontrar uma cama ou um lugar à sombra para descansar, estando os preços muito inflacionados durante estes dias, que constituem uma epoca altissima. Em resumo, um autentico fim do mundo em cuecas para um viajante mochileiro que tem de se deslocar.

12.8.04

3#
[evidencia]


apesar ds comboios raramente chegarem a horas, este pais consegue ser a sétima potencia industrial do mundo.
dà que pensar...
#2
[a espora]

Se olharem para o mapa de itàlia, podem constatar que na Puglia, mesmo na zona do tornozelo, existe uma pequena peninsula que, pela sua forma e localizaçao, pode ser considerada a espora desta bota. é onde estou agora.
das janelas do comboio ve-se terreno fertil, so de olhar a cor consegui imaginar tomate (pomodoro) e beringelas (melanzane) a crescer. hà também o maciço de calcàrio, onde se situa o parque natural do gargano, rico em vegetaçao tipicamente mediterranica (pleonasmo...) e onde existem grutas para todos os gostos. A costa é também rica em beleza geologica, tendo prais de areia branca e agua azul esverdeada... dificil encarar tudo isto.
Hà aqui uma mistura curiosa de gente... @s locais, pescadores e agricultores - muitos convertidos ao turismo -, e @s outr@s... uma turba imensa de italianos que nesta altura do campeonato nao quer saber se o Berlusca manda ou o Prodi desmanda... querem sol, boa comida, paz e jornais de bola. Assim como uma espécie de Tapada das Merces em calçao de banho, estao a topar?
A propsito de bola, o nosso pais anda na boca desta gente... nao porque o Cherne seja muito popular por aqui ou os nossos feitos culturais se destaquem, mas sim porque um tal de Trapalhoni è mister do Benfica... dio mio!
#1 [noticias de casa...]

Saudações ao viajante.
Podias ter dado uma nota mais simpática ao
Francisco Amigo dos Bichos.
Não te deixes ir com as tormentas de Verão: Aguardo
postal.
Já se sabe quem é que andou a entalar o Ferro Rodrigues... Folhetim de
férias!
Abraço do pai

9.8.04

#2 [Henri]

Para saber como tem andado o mundo nos ultimos dias, dei uma vista de olhos pelo Barnabé.
Descobri que Cartier-Bresson foi fotografar a eternidade. é tempo de sair para a rua com a nikon e prestar-lhe homenagem.
#1
[baci]

Perugia nao é feita so de beijos de chocolate e avela - e a bem dizer ainda nao os vi. a Umbria repousa a seus pés e, ao longe, tem-se uma longinqua visao da reconstruida Assis, terra de um tipo que gostava de animais (ha gostos para tudo).
a viagem segue bota a baixo, e com ela as tempestades de verao: a de ontem foi a 4a, e, se a estatistica nao jogar a meu favor, ainda me faltarao umas 5 até voltar para casa... começa a nao haver pachorra para tanta agua e trovao!

7.8.04

#1 [a estrada]

a estrada abre-se a cada passo, o horizonte é o limite
apesar das tempestades de verao, o sol continua a fazer brilhar os dias.

2.8.04

#1 [BOTAS]
de novo em florença, de passagem para reencontrar as esquinas e o seu substrato.
a viagem começou por 10 dias de intenso trabalho e partilha no meio da natureza, na serra da estrela e no meio dos pirineus aragoneses, numa aldeia gerida por um colectivo da CGT, confederaçao sindical libertària. um pedaço de paraiso, a pedir reflexao e descanso. dez dias sem mundo, mas a pensar no mundo. num deles lembrei-me do novo mote para o metro.
depois de uma viagem repartida com 40 italian@s muito doid@s, estou de regresso à bota, preparando-me para percorre-la e saborear-lhe o relevo.
até jà!

[a promessa de postal para qume me mandar morada mantem-se : andre_blog@yahoo.com.br]

22.7.04

#1
[post antes de ir fazer o jantar, e a pensar já na partida]


"(...) Há alguns anos (...) veio-me à ideia meter-me num navio e ver a parte aquática do mundo. É uma maneira que eu tenho de afugentar a melancolia e regularizar a circulação. Sempre que na minha boca se desenha uma esgar carrancudo; sempre que me vai na alma um Novembro húmido e cinzento, sempre que dou comigo a deter-me involuntariamente em frente das agências funerárias ou a engrossar o séquito de todos os funerais com que me deparo; e, especialmente, sempre que me sinto invadido por um estado de espírito de tal maneira mórbido, que só os sólidos principios morais me impedem de descer à rua com a ideia deliberada de arrancar metodicamente os chapéus a todos os transeundes, nessa altura dou-me conta que está na hora de me fazer ao mar, quanto antes. (...) Embora não se dêem conta, tal como eu, quase todos os homens acalentam, mais tarde ou mais cedo, este desejo de mar.(...)"

Herman Melville, nas primeiras linhas de "Moby Dick"

[gosto muito de vocês, mas vou-me embora, por la carretera, com a mochila às costas e sem destino concreto. vou arejar as ideias, apanhar sol e falar outras linguas. se for caso disso digam coisas para o e-mail... quem me mandar morada recebe um postal de volta]

21.7.04

#1

mudei o template e ainda não o consegui pôr como queria.
agora também não estou para pensar nisso. as férias começaram, vou-me dedicar a fazer qualquer coisa que não implique estar em frente a um computador. quando voltar logo vejo que rumo quero dar ao blog. até breve.

20.7.04

#1
ao fim de muitas voltas no template, consegui recuperar a formatação dos posts. falta agora recuperar a informação da barra lateral.

19.7.04

#2

ando para aqui às voltas com a formatação dos posts... se alguém me souber explicar como posso formatá-los de modo a que os poemas, em vez de serem condensados em várias linhas, apareçam na sua forma original, que diga alguma coisa, andre_blog@yahoo.com.br
#2

Tenho de ter paciência para não me perder dentro de mim.Vivo me perdendo de vista.Preciso de paciência porque sou vários caminhos,inclusive o fatal beco-sem-saída.Sou um homem que escolheu o silêncio grande.


Clarice Lispector,in Um Sopro de Vida


de um momento para o outro esta mulher entrou na minha vida.
cruzei-me com ela por acaso, mas, a pouco e pouco, passei a encontra-la com inusitada recorrencia: citações em sitios diversos, livros nos escaparates, poemas perdidos, uma biografia... não pedi nem procurei, simplesmente apareceu, chegou sem dizer ao que vinha e está-se a instalar com incisão própria das paixões.
ao principio não liguei, depois ignorei e desdenhei. agora estou prestes a abvrandar a resistência e entrar a fundo na leitura. Desconfio que ela vai ser uma das minhas companhias de verão.
#1

Logo que nasci

Logo que nasci
Foi-me dada ordem
De me procurar.
Não vou ter descanso
Em nenhum lugar.


Natércia Freire


16.7.04

#2
sintomas
blogomania,
blogofrustação,
blogorejeição,
blogodependência,
blogodeserção,
blogodesatenção,
blogo-euforia,
blogodisforia,
blogocompulsão,
blogogramática,
blogosemântica,
blogo-estética,
blogodistância,
blogodesistência,
blogocansaço.
 
este post foi respigado nas torneiras  de freud, é da autoria de (do/da ??)  Ale
#1
acabo de abrir o blogger para postar sobre o meu novo fotoblog e dou com uma versão actualizada do software que me vai permitir fazer muito mais grafismos...
isto vai ser radical!!
parece que até pode albergar imagens, mas disso ainda não há certezas.

15.7.04

#2
vou-me diluir

14.7.04

#1
gostava de diluir-me numa tela de cinema.
#1
Que Há-de Ser de Nós?


Já viajámos de ilhas em ilhas
já mordemos fruta ao relento
repartindo esperanças e mágoas
por tudo o que é vento

Já ansiámos corpos ausentes
como um rio anseia p´la foz
já fizemos tanto e tão pouco
que há-de ser de nós?

Que há-de ser do mais longo beijo
que nos fez trocar de morada
dissipar-se-á como tudo em nada?

Que há-de ser, só nós o sabemos
pondo o fogo e a chuva na voz
repartindo ao vento pedaços
que hão-de ser de nós

Já avivámos brasas molhadas
no caudal da lágrima vã
e flutuando, a lua nos trouxe
à luz da manhã

Reencontrámos lágrimas e riso
demos tempo ao tempo veloz
já fizemos tanto e tão pouco
que há-de ser de nós

Que há-de ser da mais longa carta
que se abriu, peito alvoroçado
devolver-se-á: «endereço errado?»

Que há-de ser, só nós o sabemos
pondo o fogo e a chuva na voz
repartindo ao vento pedaços
que hão-de ser de nós

Já enchemos praças e ruas
já invocámos dias mais justos
e as estátuas foram de carne
e de vidro os bustos

Já cantámos tantos presságios
pondo o fogo e a chuva na voz
já fizemos tanto e tão pouco
que há-de ser de nós?

Que há-de ser da longa batalha
que nos fez partir à aventura?
que será, que foi
quanto é, quanto dura?

Que há-de ser, só nós o sabemos
pondo o fogo e a chuva na voz
repartindo ao vento pedaços
que hão-de ser de nós

Sérgio Godinho,in Coincidências
#1
Silêncio

O silêncio e o mutismo têm um significado muito diferente. O silêncio é um prelúdio de abertura à revelação, o mutismo é o fechar-se à revelação, seja por recusa de a receber ou de a transmitir, seja por punição de a ter misturado com a confusão dos gestos e das paixões. O silêncio abre uma passagem, o mutismo impede-a. Segundo as tradições, antes da criação havia o silêncio; e haverá de novo silêncio no fim dos tempos. O silêncio envolve os grandes acontecimentos, o mutismo oculta-os; um dá às coisas grandeza e majestade; o outro despreza-as e degrada-as. Um marca o progresso, o outro uma regressão. O Silêncio, dizem as regras monásticas, é uma grande cerimónio(...).
in Dicionário dos Símbolos, Editorial Teorema

13.7.04

#2
lá fora está sol, aqui está halogénio
lá fora faz calor e aqui também (alergia oa ar condicionado é tramada)
lá fora há um mundo inteiro que gira, aqui estou a imagina-lo a girar.
acho que vou dar uso à nikon.
#1
tomarão de assalto
mil silêncios
esta noite
se alguém houver
que dome o vento

11.7.04

#2

Depois de uma passagem pela JF de Carnide, a exposição Artes na Rua 04 encontra-se estacionada, até 29 de Agosto, no pavilhão preto do Museu da Cidade, ao Campo Grande.
Organizada pelo MEF - Movimento de Expressão Fotográfica -, esta mostra faz-se do trabalho dos alunos e monitores envolvidos nos diferentes projectos levados a cabo por esta associação no último ano, existindo também contribuição de artistas convidados.


Moldura Roubada, António Sousa
#1
nos livros dos grandes mestres da anatomo-fisiologia humana, pode encontrar-se referência a uma estranha situação:
apesar de funcionarem com aparente normalidade, existem rarissimos casos de pessoas cujo coração, por mal formação congénita, se encontra no lado direito.
Sampaio confirmou-o na noite de 6ª feira.

9.7.04

#2
chegamos ao ponto de ser preciso um tribunal da ONU vir dizer que o muto que israel está a construir na palestina é um atentado aos direitos humanos.
mesmo assim os tipos ainda não estão convencidos...
isso é que é obstinação!
#1
não sei o que fiz às palavras. não aparecem, nem se fazem ouvir em mim. falta-me o sabor da poesia.

8.7.04

#4
deve ser o tal esplendor de Portugal...
Scolari, esse admirador confesso de pinochet, foi feito comendador e aclamado na Assembleia da República Portuguesa.
#3

Só pérolas!

é melhor esquecer a ideia das eleições antecipadas, porque o 24 horas - esse grande orgão de informação -, diz, na primeira página de hoje, que José Castelo Branco - chateux blanc, essa grande personalidade da vida portuguesa -, apoia a nomeação de Santana como PM.
#2

Promoção de verão na associação Abril em Maio
Livros baratos e muitas propostas para um tempo diferente
#1
tímida, sensual, poliglota, grandiosa, envolvente, emocionante, emocionada, dedicada, criativa, reinventada, emotiva, afinada, diversa, doce, melancólica, apaixonada, obsessiva, viciante, exasperada, musical, poética, exploradora, curiosa, nómada, deslumbrante, deslumbrada...
chama-se Lhasa de Sela e ontem deu um concerto memorável, no Fórum Lisboa.

7.7.04

#3

Centenas de pessoas no Rossio para exigir eleições antecipadas
título de notícia do publico online, sobre o protesto de ontem no rossio

francamente, não se percebe. é certo que a manif não tinha a alegria e o dinamismo das que fizemos em Belém, que a substituição das chaves e das marchas adaptadas pelos speakers da cgtp não foi boa política, que o discurso do da silva se arrastou e repetiu até à naúsea e que a humidade sindical não deu dinamismo à coisa... mas porra, estavam lá uns largos milhares de pessoas!!!
toda a notícia é facciosa, amanhã, se isto se mantiver no papel, lá terei de escrever uma cartinha ao director.
#2

já apareceram!
(parece que o software se sentiu ameaçado... :) )
#1
alguém me explica porque é que o blogger me gamou os dois últimos posts que escrevi? apesar de terem sido dados como 100% publicados, os pobrezinhos nunca viram a luz do dia...
se calahar aguardam a decisão do PR...
mistérios da blogosfera.

6.7.04

#1

A FORMA JUSTA
Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos - se ninguém atraiçoasse - proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
- Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo.

Sophia de Mello Breyner Andresem

5.7.04

#4
não digam a ninguém, mas a tradução desta edição, além de ser literal, não foi revista em condições. é tão má que até dá dó... por este andar a geração público não será rasca, mas sim iletrada.

acho que vou devolver o meu exemplar ao José Manuel Fernandes

.
#3
(depois da confissão que faço no último post, acho que só me resta comprar novo exemplar dos volumes em causa, tentando desta forma compensar e aplacar a fúria dos lezados...)

4.7.04

#2
Em casa de bibliotecári@s e de amantes dos livros, por vezes aconte a alguns desses preciosos objectos serem desviados da prateleira habitual, ganhando um estatuto de volumes sagrados, que, graças à luz que em si transportam, ganham o o privilégio de acompanhar @ desviante para todo o lado e pela vida fora.
foi isso que aconteceu cá em casa aos dois primeiros volumes da Obra Poética de Sophia (edição do Circulo de Leitores). a anexação foi quase imediata e os livros, os mundos a que emprestam corpo, têm-me acompanhado de perto desde que, há uns dez anos, os encontrei na estante.
abri-los é sempre uma experiência, porque neles fui deixando, entre as páginas, pedaços dos dias. são marcas que assinalam poemas classificados, por motivos emotivos e/ou estéticos, como especiais. mas os objecto, em si, também têm valor: bilhets de cinema, um folheto de uma exposição de fotografias, flores e folhas secas...
não me lembro o que me levou a marcar as páginas 320/321 do primeiro volume com um bilhete de metro dos antigos (que custou 60 escudos), mas as palavras, como a sua autora, são ainda cheias de sentido:

NOITE
Sózinha estou entre paredes brancas
Pela janela azul entrou a noite
Com o seu rosto altíssimo de estrelas.

PASSAGEM
O êxtase do ar e a palavra vento
Povoam de ti meu pensamento.
#1
TOCA A ACORDAR

ACABOU O CIRCO!!!!

3.7.04

#1

PORQUE
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos são sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não..

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andressem
#1

SOPHIA
No fundo
a imagem pura
o sentir minimal
a incoerência pragmática
da metáfora.
No fim
o fundo
a inconstância salgada
nesse teu mar.

André,
em memória da Mestra

1.7.04

#1

NOVO PROTESTO

3ª feira, dia 6
18:30, Rossio
convoca a CGTP
estaremos lá tod@s

nem Santanas nem Durões
nós queremos eleições!!!

30.6.04

#2
por causa da subida das temperaturas, o sistema de saúde entrou em alerta amarelo. quer isto dizer que @s velhinh@s estão a beber menos água do que aquela que seria necessária para colmatar as perdas...
tudo a beber, ÁGUA!

uma sugestão de Metro(Enfermeiro)Grafista
#1
com toda a turbolência que afecta o país, lembrei-me que é tempo de voltar a O Principe, de Nicolau Maquiavel.

29.6.04

#2
(quem é ela? quem é ela?)
#1

está confirmado: o cherne vai para mar alto.
é preciso sair à rua e protestar: ELEIÇÕES JÁ!!!

28.6.04

#2

face à trapaça política, precisamos de responder com firmeza: ELEIÇÕES JÁ!

convoca tod@s para novo protesto em Belem, terça feira, 19h


****


o nosso país aproxima-se da maior trapaça política, um verdadeiro atentado à democracia e à inteligência do povo português.
depos de criticar violentamente a "fuga" de Guterres, Barroso prepara-se para fazer o mesmo, deixando, em jeito de "sucessão dinástica" (palavras de António Capucho), santana Lopes como Primeiro Ministro.
Apesar de esta ser uma saida legal para a crise levantada pela saida de Durão, é absolutamente intolerável que o novo primeiro ministro seja escolhido nos gabinetes do PSD... Manuela Ferreira Leite já considerou este processo um verdadeiro golpe de estado dentro do seu partido
não podemos esquecer que esta coligação - que se prepara para apoiar um novo governo - não foi eleita, fez-se por conveniencia após as eleições de 2002. para lá disto, sofreu uma estrondosa derrota nas eleições europeis, sinal do descontentamento popular com o rumo político que segue.
é verdade que não se vota para eleger um primeiro ministro, mas também é verdade que o nº1 da lista de um partido é a figura que se perfila, junto do eleitorado como candidato a... o que só agrava a situação, uma vez que, por ser presidente da CML, Santana Lopes não se candidatou às legislativas de 2002
Por fim, e não menos importante, é preciso lembrar que Santana Lopes é digno representande da Extrema Direita que durante o PREC, fez a defesa do antigamente... acredito que esteja mais moderado, mas sei muito bem que, com a sua tendencia populista, Santana irá formar com Paulo Portas um dos governos mais à direita deste país nos últimos 30 anos.

#1
SANTANA:
QUERES ENTRAR PELA CALADA

MAS A PORTA ESTÁ FECHADA
(e a malta não está calada!)

27.6.04

#1

não é segredo nenhum: não sou grande apoiante da seleção e esta onda da bandeirinha e do nacional pagodismo me enjoam um bocado largo. no entanto, esta imagem, respigada no barnabé, acaba por traduzir a dúvida que, no fundo, está por detrás desta minha negação dos futebois: será que há alguma coisa por detrás de tudo isto?
a resposta à minha dúvida virá da reacção do povo à grave situação política que se está a desenhar. do povo da esquerda, e também daquele que acreditou e confiou no cherne, e que vê agora o seu voto a ser posto de lado em nome da manutenção do poder.
hoje acordei com o SMS que convoca a manifestação de repudio pela antidemocrática troca de Durão por Santana (Domingo, 19h, Belém). tratei de a divulgar. lá estarei, ao fim da tarde, pelas eleições antecipadas.

24.6.04

#2
Bandiera Rossa


também o metrografismos põe a sua bandeira à janela

23.6.04

#1
tal como nos anos anteriores, o governo esperou pelo início do verão para anunciar mais uma das suas bombásticas medidas.
enquanto a malta anda distraida com a bola e com o princípio do verão, os gajos põe em marcha um plano para reforma da segurança social que vai desregular todo o sistema, cortando os laços de solidariedade inter-geracional e, pior que isso, vai levar a que os que têm muito deixem de contribuir para as segurança social dos que pouco ou nada podem ter.
tudo isto apresentado no jornal da :2 por um mui cristão bagão félix, com o seu ar beato de quem não vai passar fome... que náusea!

#2

Poooora pá!!! o Combo tá d(r)ead
#2
"(...) todas as fés no mundo se baseiam em invenções. É essa a definição de : aceitação daquilo que imaginamos ser verdade, daquilo que não podemos provar. Todas as religiões descrevem Deus através de metáforas, de alegorias, de exageros, desde os antigos Egípcios até às catequistas dos nossos dias. As metáforas são uma maneira de ajudar as nossas mentes a processar o improcessável. Os problemas surgem quando começamos a acreditar literalmente nas nossas próprias metáforas (...)"
Dan Brown, in o Código Da Vinci

22.6.04

#1

há palavras qeu nos beijam
como se tivessem boca
(...)
palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte
(...)
Alexandre O'Neill
#3
"(...) a história é sempre escrita pelos vencedores. Quando duas culturas se chocam, a que perde é obliterada, e a que venceescreve os livros de história... livros que exaltam a sua própria causa e menosprezam a do inimigo derrotado. COmo Napoleão certa vez disee, " o que é a história senão uma fábula em relação à qual todos estão de acordo?" - sorriu. - Mas, pela sus própria natureza, a história é sempre um relato unilateral."

Dan Brown, in O Código Da Vinci
#2

Berlusconi, esse grande artista

21.6.04

#1

desde que a descobri nas ruas de Sintra, numa noite de verão, que faço a mim mesmo a seguinte pergunta: haverá flor mais charmosa que a magnólia?
até hoje não conheci nenhuma que a batesse na beleza, na suavidade e textura das pétalas, na graciosidade da forma do botão inicial, na maneira protectora como vai desabrochando, na magia das pétalas enrugadas e secas, cor de chá e ainda com vestígios de perfume, que se espalham pelo chão depois da flor cumprir as suas funções de reprodução e de espantar distraídos...
a magnólia, que os botânicos consideram como a mais antiga das flores, é, num poema que ainda não escrevi, a metáfora perfeita para o amor.
#2
reparei agora que há quase uma ano que ando por aqui metrografar.
foi numa noite de pouco sono, após ter "bebido" o segundo concerto em 3 dias da Adriana Calcanhotto, que decidi criar este espaço, transformando-o, a pouco a pouco e sem intenção declarada, num prolongamento dos meus dias.
se, como disse um dia disse a Sónia, com o meu blog "se consegue, ao menos, ir sabendo alguma coisa de ti", esta tem sido também uma forma de, directa ou indirectamente, eu ir descobrindo mais algumas coisas de e em mim.
com este post não estou, de madeira nenhuma, a querer entrar em balanço trágico-melancólicos. no entranto, lembrei-me que seria interessante se @s habitués do metrografismos - @s que conheço e @s ilustres anónim@s -, partilhassem comigo (e com @s outr@s)as impressões que este espaço vos tem suscitado ao longo deste tempo.
mandem-me então, via e-mail, as vossas opiniões. serão postadas no dia 26.
#1
uma breve consulta à edição de 2004 do borda d'água dar-me-ia, com precisão a data do solestício de verão.
não tendo à mão tão sábio almanaque, uso a estratégia de sempre: declaro o dia de hoje, 21 de junho, como O dia do solestício, aquele em que a luz solar é maior, aquele em que começa o verão- mais nada!
é um dia de que gosto muito pois a ideia dos dias longos é algo que me agrada particularmente. é também um dia cheio de memórias que são, como diz a canção, ora amargas ora doces.

19.6.04

#2
DE CORTAR A RESPIRAÇÃO...

Não só a imagem e a cor desta fotografia são de cortar a respiração, mas também a memória do cheiro e do calor de uma tarde de Setembro em Fez.
Situada no centro do país, nas franjas da cordilheira do rift e antes do médio atlas se impôr, Fez foi uma das capitais imperiais de Marrocos, sendo um ponto de confluência de mercadores e viajantes vindos da montanha, do mar e do deserto, ou seja, um ponto de encontro fervilhante, onde o comércio floresceu e ainda hoje se mantem activo.
A cidadela (medina) de Fez é um enorme formigueiro de ruas estreitas e labirinticas, habitado por algumas centenas de milhar de pessoas, onde a cada porta corresponde, seguramente, uma casa comercial. aqui tudo se vende e tudo se compra, desde os tradicionais tapetes marroquis à contrafacção perfeita do sapato desportivo da moda em Paris.
Esta teia de ruas é cruzada por homens, mulheres, crianças e animais. não existindo muitos cães na cidade - os muçulmnanos não são propriamente apreciadores deste demoníaco animal -, podemos encontrar por alí, para lá dos animais que, depois de mortos, servirão de alimento a toda aquela gente, centenas de burros que servem para o transporte de todos os bens que vêm do exterior, das botijas de gás à Coca Cola.
Os burriqueiros são donos e senhores das ruas. avançam com os seus animais carregados e gritam em altos berros: BALAK; BALAK!!, que é como quem diz: saiam da frente!!! e o melhor é mesmo arranjar um recanto onde nos possamos meter.
Para lá dos bens de consumo, os burros transportam também toneladas de peles para os tintureiros. estes lavoram num espaço que, sendo maior do que um campo de futebol, está coberto de pequenos tanques, cada um com espaço para um ou dois homens, onde se procede à curtição e coloração da pele. os tanques destinados a esta última actividade são os que se podem observar nesta fotografia. distinguem-se dos restantes pela coloração das suas águas, que é conseguida com corantes naturais trazidos das montanhas em redor da cidade. depois de lavoradas, as peles são postas a secar nos terraços de toda a medina.
As tinturarias devem constituir um dos poucos espaços amplos dentro da medina, sendo rodeadas por casas de habitação e, claro está, de comércio, cujas varandas são alugadas por curtos periodos de tempo aos curiosos que queiram ter uma vista previligiada sobre o que ali se vai passando.
Os homens que alí trabalham devem, calculo eu, ter uma vida curta: passam os dias sob um sol abrasador, mergulhados em corantes e água suja - apresentando a sua pele originais tonalidades - e sujeitos a um cheiro de cortar a respiração, tão nauseabundo que só um consumo contínuo de haxixe lhes dá uma certa tolerância olfactiva. organizam-se em cooperativas e repartem entre si o dinheiro oferecidos pelos visitantes que se atrevem a descer àquelas profundezas mal cheirosas... são, seguramente, explorados em cada minuto do seu trabalho, mas apresentam-se sempre de coração aberto, com uma gentileza que lhes está escrita no olhar e que eu não sei transcrever.
#1
A terra vista do céu, uma exposição de 120 fotografias aéreas de diversos pontos do mundo. está plantada, até 30 de setembro, no terreiro do paço - ao ar livre.
podem encontrar mais informações sobre este e outros trabalhos do autor aqui.
valeu bem a pena parar por ali umas horas a apreciá-la, a recordar viagens passadas e a alimentar o bicho nómada que me roi... e sempre cantarolando o mote de Caetano:
Terra, terra,
Por mais distante
o errante navegante
Quem jamais te esqueceria


18.6.04

#2

Am i losing my head?
#1
LA FURA volta a at(r)acar

(...)
Hoy, La Fura presenta Naumon: un barco mercante que surcará las aguas del Mediterráneo durante el 2004 y en el que convivirán diferentes contenedores artísticos, educativos y culturales. Naumon es el más audaz proyecto de La Fura dels Baus, que en el 2004 cumple 25 años de historia. Lejos de acomodarse en su trayectoria artística consolidada, los directores de la Fura asumen nuevos retos. Enlazando con sus inicios nómadas siguiendo los pasos que marcaban el carro y la mula, La Fura dels Baus se embarca en un viaje iniciático, en esta ocasión, a bordo del mercante Naumon.
Naumon: un escenario nómada para cruzar la oscuridad y deleitarse en la luz.
Naumon: la travesía de la imaginación el peregrinaje del enigma, el juego de la creación, la música del viento.
Naumon: la búsqueda de los deseos, el goce de las utopías
Naumon: el buque de la memoria, la inmersión en los recuerdos, el aire de los presentimientos.
Naumon: el amor a las formas, la línea del horizonte, la espiral infinita, el vértigo, el círculo dorado, el punto que interroga.
Naumon: el bosque de los mitos y de los dioses.
Naumon: el cuerpo, la sangre, la entraña, el alma, la palabra.
Naumon: la sonrisa del océano, la amistad del mar, la tempestad, la calma.
Naumon: la nave de los locos, la balsa de los demasiado cuerdos, la esperanza de los náufragos.
Naumon: fuego en el agua, remolino, vuelo, danza.
Naumon: el territorio de las preguntas.
Naumon: el barco de los libres.
(...)



17.6.04

#2
uma sesta de 20 minutos depois do almoço deixa-me muito mais fresco. mãos à obra.

16.6.04

#1
lembrei-me deste texto depois de ter lido Il Matto, em 2004)
#3
se há coisa que me chateia, é ter milhares de coisas para fazer e não sentir animo para pegar em qualquer uma delas.
#2

Fui ver, em mais uma reposição do 222, o maravilhoso io non ho paura (não tenho medo).
para lá do envolvimento criado pela história e fotografia do filme - qeu foi rodado em pelicula -, este foi também um reencontro com a lingua italiana e com as imensas paisagens do sul. fica a crítica do publico.

*******

No idílico Verão de 1978, numa pequena aldeia italiana, um rapaz de dez anos, Michele, descobre um outro rapaz, Filippo, que está escondido num buraco, mantido em cativeiro. Os dois tornam-se amigos e Michele acaba por descobrir que os seus próprios pais e os outros adultos da aldeia são responsáveis pelo cativeiro de Filippo. O rapaz vai então aprender, na sua tentativa de libertar Filippo, o que custa a liberdade.
#1
um poema Anónimo, dedicado aos e às abstencionistas

Canção de bater no chão
Nasce o sol trabalhamos.
põe-se o sol descansamos.
Cavamos um poço, para beber,
Lavramos um campo, p'ra comer:
O imperador e o seu poder
- Queremos lá saber!

Séc III AC, China

15.6.04

#1

campanha pós eleitoral
diga ao manel que vale menos que o MRPP (o que é duplamente mau)

14.6.04

#1
a maior derrota eleitoral de sempre da direita portuguesa deixa-me mesmo muito bem disposto.
o cherne e o paulinho das feiras que se cuidem!

13.6.04

#1

" (...)
alguém que acorde este país
que deite fogo aos alibís
(...)"

parece que a seleção grega de futebol deu ouvidos ao apelo do Zé Mário...
será que isto serviu para a malta se aperceber da esparrela em que caiu, ou vai tudo continuar a vendar os olhos com um trapo colorido e a queixar-se da baixa auto estima e do sr. scolari?

10.6.04

#4
essa tanga do dia de camões não me diz nada. é uma tradição que se mantem até aos dias de hoje, tendo sido uma história inventada, alimentada e explorada pelo fascismo para enaltecer um nacionalismo cinzento, um patriotismo serôdio.
não obstante, hoje é um dia como outro qualquer para as palavras do poeta.

Enquanto quis Fortuna que tivesse
Esperança de algum contentamento,
O gosto do suave pensamento
Me fez com que seus efeitos escrevesse.

Porém, temendo Amor que aviso desse,
Minha escritura a algum juízo isento,
Escureceu-me o engenho co tormento,
Para que seus enganos não dissesse.

Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos
A diversas vontades! Quando lerdes
Num breve livro casos tão diversos,

Verdades puras são, e não defeitos.
E sabei que, segundo o tiverdes,
Tereis o entendimento de meus versos.

Luís de Camões

9.6.04

#3
um dia surreal...
5 horas de sono mal dormido; o fim inesperado da campanha eleitoral; um calor de rachar; um taxista racista; uma escalada da calçada de S. Domingos um tanto ou quanto conturbada; alguns minutos do rodopio da urgência hospitalar (senti-me um agarrado na fila da metadona...); umas cerejas com um JP Simões sóbrio (??!!) que, com a voz grave de sempre, perorava acerca da revolução e da necessidade imperativa de um regresso ao essencial; a memória de Mario Viegas; o rossio coberto de relva sintética...
será que aconteceu mesmo, ou terei sonhado com tudo isto?
#2
não resisti à urgência de postar este genial cartoon do il manifesto de dia 8.
#1
a vida é um contínuo de ironias.

8.6.04

#2
O OBSCURANTISMO CONTINUA...
o Bloco denunciou, no barnabé o debate foi aceso.
depois de toda a polémica, este excremento, obviamente patrocinado pela direita mais reacionária e radical, continua a ser divulgado junto da população. para lá do exacrável conteúdo do dito panfleto (podem ver o resto nos aquivos do barnabé), este patrocinio torna-se mais obvio por ser notório que, por detrás desta campanha, aqui há muito dinheiro: o folheto foi distribuido, por exemplo, em todas as caixas de correio de alguns bairros periféricos da grande Lisboa - mesmo nas caixas que correspondem a casas vazias, que se identificam por estarem atafulhadas de papel, sinal inequivoco de que a distribuição é feita por equipas pagas.
FORKA PORTUGAL!
#1
tal como aconteceu com os seus restantes discos, bastou-me a audição de alguns acordes do primeiro tema para me apaixonar pelo mais recente trabalho de PJ Harvey.
é um disco muito coeso, mais complexo e dificil de assimilar do que aquilo que aparenta à primeira audição. ando pois a digeri-lo.
para já, as unicas coisas que me desagradam são o nome, que não tem nada a ver com nada, e a foto da capa do disco - a bela e fotogénica poly jean ficou completamente desfigurada neste instantâneo.

7.6.04

#1
durão burloso disse, sobre a morte de Reagan, que todos os portugueses lhe têm uma divida de gratidão.
eu nego. a esse pistoleiro de série b, imitação mal conseguida de pato donald, não devo qualquer bom sentimento. são homens como este que tornam, a cada dia que passa, mais irrespirável o ar, que fazem deste mundo um lugar pior para nós e para @s vindour@s.

4.6.04

#2

TIANANMEN, 4 de Junho de 1989


Faz hoje 15 anos que assistimos estupefactos, pela TV, à brutalidade com que o Governo Chinês reprimiu milhões de pessoas que se concentravam na mais famosa praça de Beijing, exigindo, acima de tudo, liberdade.
A Revolução Socialista na China acabou cedo, pouco depois da longa marcha conduzida por mao. a pouco e pouco, recorrendo à repressão constante do povo, o vermelho da bandeira da grande China socialista transformou-se no sangue que as oligarquias corruptas e neo capitalistas asiáticas não se coibem de derramar em proveito próprio e em nome de um sonho que, todos os dias, vão enterrando mais um pouco.
1989 Foi o ano da grande viragem. vimos (e não esquecemos!)Tianamen e a queda do muro, dois momentos que simbolizaram o ruir de um sistema que se apresetava como perfeito, e a vitória de outro sistema que nunca o foi - já se sabia na altura e a história confirma-o todos os dias.
coisas que não têm emenda. o capitalismo é uma delas. o "socialismo", que dominou meio mundo durante boa parte do século XX, também não tinha. caiu de podre, abrindo espaço a uma crise na esquerda que começara com a chegada de Estaline ao poder e se tornara crescente desde a invasão da Hungria pelo exercito vermelho, nos fins da década de 50.
Mas as ideias de justiça, igualdade e liberdade que alimentam, desde sempre a luta de muitos homens e mulheres, permanecem, cada vez mais, actuais. na ressaca desta derrota anunciada, outras formas de ver o mundo ganharam espaço para crescer, ganhar corpo e florir, a luta contra o capitalismo selvagem pintou-se de outras cores. a mobilização mundial contra a guerra do Iraque, a luta dos indigenas de Chiapas, a luta d@s galeg@s contra o fuel do prestige, o crescente movimento dos forúns sociais que se alarga a todo o mundo ou as manifestações de hoje em Roma contra a visita de Bush são momentos visiveis e cruciais da luta emancipadora da humanidade a que alguns ousam chamar socialismo. e este socialismo, que não é uma meta a atingir mas sim uma construção forjada da luta e da partilha de todos os dias, só o poderá ser se mantiver este caracter de liberdade e permanente mudança.
Embora tenham outros contornos, os motivos que abriram espaço para a luta dos trabalhadores de chicago, à revolução de 1917, à grande marcha, ao maio de 68, ou da revoluçõa de Abril continuam a existir. uma pequena parte da humanidade continua a explorar a grande maioria, a servir-se dela em proveito próprio, explorando recursos de forma insane e desperdiçando "execedentes" enquanto a fome cresce. o desemprego e a precaridade no nosso país, as somas astronómicas de publicidade que a nike paga a tiger woods em contraste com a miséria qeu paga aos seus operários da tailandia, ou a dependencia do petroleo que o mercado insiste em amplair são alguns exemplos.
a democracia é uma farsa. exemplos são muitos, basta olhar para as mentiras de Aznar bush, blair e desse insignificante cherne. os homens e as mulheres que detinham o poder continuam a te-lo e a usá-lo como bem lhes apraz. Levantados do Chão, de saramago ilustra-o de forma exemplar.
Hoje, 15 anos mais tarde, é essencial lembrar para não esquecer, porque o que interessa no que foi é o que vai ser.

3.6.04

#1
buioso silenzio
dove mi mancano
le parole
#2

those lemon days make me feel like slippin' under

#1
estes dias que começam muito cedo e acabam (muito tarde) deixam-me a cabeça a mil, por mais que o corpo só queira cama. entre várias associações de ideias e jogos mentais lembrei-me do quão bom seria uivar à lua cheia que por aí anda.

2.6.04

#2
os meus anseios sintetizados em poucas palavras

original achado n'o quarto do pulha
quando sai a versão de 8x3m?
#1

a não perder: Lost in Supermarket, um original dos Clash, recriado por Emir kusturica e a sua No Smoking Band.

1.6.04

#1

hotel de Seteais, Sintra
a manhã estava fresca e coberta pela tipica neblina de sintra. chegamos cedo e todo aquele relvado me encheu as medidas. o primeiro impulso foi desatar a correr e só parar no fim, perto das roseiras que o delimitam junto ao hotel. o verde a passar-me debaixo dos pés, o espaço a abrir-se à minha frente e o sol a abrir o dia, as árvores enormes e agitadas pela brisa. A manhã foi passada em corridas, atrás d@s outr@s e de uma qualquer bola.
haverá sensação mais parecida com a felicidade do que esta?
na hora do almoço o farnel, até aí muito bem guardado no cesto de vime rectangular que me aconpanhava diariamente. não havia colher para a gelatina!
durante a tarde, já com calor, um casamento lá ao fundo. as pernas já não chegavam para outra corrida, antes do regresso a casa.
foi há vinte anos (!!??). é a primeira de muitas (e variadas) recordações que tenho deste lugar que faz parte da minha vida.
fiquei com todo o filme desta excursão escolar gravado na memória e, quando penso em liberdade, ainda hoje me imagino a correr por aquele relvado fora.

#1
postar ou não postar?
eis uma questão interessante, mas é já tão tarde e estou tão cansado que não vou perder tempo a pensar nela.

29.5.04

#1


Prisioneiro em Fez

O deserto não me deixa dormir
Escrevo à luz da querosene
mais uma mensagem desesperada
-talvez nas montanhas a sul de Chauén-
Em vão
Eis-me aqui prisioneiro
de mim mesmo com a única saída bloqueada:
o coração

Jorge de Sousa Braga
O Poeta Nu