#1
Fui a uma conferência na gulbenkian e, em pleno auditório, o meu telemóvel desapareceu. não sei se foi perdido ou palmado por algum bem vestido ou alguma larápia disfarçada de tia, o que é certo é que ainda não apareceu.
não que faça muita questão em reaver essa pestinha feita de plástico e componentes electronicos, mas a agenda faz-me muita falta, tem números irrecuperáveis.
Se alguém o vir por aí, que o mande regressar a casa.
26.5.04
25.5.04
#3
Esta noite, no seu discurso à nação - a partir da Escola de Guerra do Exército, em Carlisle - Bush falou da tortura levada a cabo pelas tropas da coligação na prisão de Abu Ghraib, Iraque, tendo enrolado diversas vezes a lingua ao tentar dizer o nome deste local.
eu cá não sou de intrigas, mas parece-me que a verdadeira explicação para a anunciada demolição daquela prisão reside nas dificuldades de pronuncia de george w...
Esta noite, no seu discurso à nação - a partir da Escola de Guerra do Exército, em Carlisle - Bush falou da tortura levada a cabo pelas tropas da coligação na prisão de Abu Ghraib, Iraque, tendo enrolado diversas vezes a lingua ao tentar dizer o nome deste local.
eu cá não sou de intrigas, mas parece-me que a verdadeira explicação para a anunciada demolição daquela prisão reside nas dificuldades de pronuncia de george w...
24.5.04
#1
where the streets have no name
I wanna run, I want to hide
I wanna tear down the walls
That hold me inside.
I wanna reach out
And touch the flame
Where the streets have no name.
I wanna feel sunlight on my face.
I see the dust-cloud
Disappear without a trace.
I wanna take shelter
From the poison rain
Where the streets have no name
Where the streets have no name
Where the streets have no name.
We're still building and burning down love
Burning down love.
And when I go there
I go there with you
(It's all I can do).
The city's a flood, and our love turns to rust.
We're beaten and blown by the wind
Trampled in dust.
I'll show you a place
High on a desert plain
Where the streets have no name
Where the streets have no name
Where the streets have no name.
We're still building and burning down love
Burning down love.
And when I go there
I go there with you
(It's all I can do).
U2, The Joshua Tree
where the streets have no name
I wanna run, I want to hide
I wanna tear down the walls
That hold me inside.
I wanna reach out
And touch the flame
Where the streets have no name.
I wanna feel sunlight on my face.
I see the dust-cloud
Disappear without a trace.
I wanna take shelter
From the poison rain
Where the streets have no name
Where the streets have no name
Where the streets have no name.
We're still building and burning down love
Burning down love.
And when I go there
I go there with you
(It's all I can do).
The city's a flood, and our love turns to rust.
We're beaten and blown by the wind
Trampled in dust.
I'll show you a place
High on a desert plain
Where the streets have no name
Where the streets have no name
Where the streets have no name.
We're still building and burning down love
Burning down love.
And when I go there
I go there with you
(It's all I can do).
U2, The Joshua Tree
23.5.04
#1
Nothing as it seems
don't feel like home, he's a little out...
and all these words elope, it's nothing like your poem
putting in, inputting in, don't feel like methadone
a scratching voice all alone, there's nothing like your baritone
it's nothing as it seems, the little that he needs, it's home
the little that he sees, is nothing he concedes, it's home
one uninvited chromosome, a blanket like the ozone
it's nothing as it seems, all that he needs, it's home
the little that he frees, is nothing he believes
saving up a sunny day, something maybe two tone
anything of his own, a chip off the cornerstone
who's kidding, rainy day
a one way ticket headstone
occupations overthrown, a whisper through a megaphone
it's nothing as it seems, the little that he needs, it's home
the little that he sees, is nothing he concedes, it's home
and all that he frees, a little bittersweet, it's home
it's nothing as it seems, the little that you see, it's home...
Pearl Jam in Binaural
Nothing as it seems
don't feel like home, he's a little out...
and all these words elope, it's nothing like your poem
putting in, inputting in, don't feel like methadone
a scratching voice all alone, there's nothing like your baritone
it's nothing as it seems, the little that he needs, it's home
the little that he sees, is nothing he concedes, it's home
one uninvited chromosome, a blanket like the ozone
it's nothing as it seems, all that he needs, it's home
the little that he frees, is nothing he believes
saving up a sunny day, something maybe two tone
anything of his own, a chip off the cornerstone
who's kidding, rainy day
a one way ticket headstone
occupations overthrown, a whisper through a megaphone
it's nothing as it seems, the little that he needs, it's home
the little that he sees, is nothing he concedes, it's home
and all that he frees, a little bittersweet, it's home
it's nothing as it seems, the little that you see, it's home...
Pearl Jam in Binaural
22.5.04
#1
esta foi a surpresa do dia, pela voz de Marisa Monte.
Bem Que Se Quis
Bem que se quis
depois de tudo ainda ser feliz
mas já nao há caminho pra voltar.
O que é que a vida fez da nossa vida?
O que é que a gente não faz por amor?
Mas tanto faz,
ja me esqueci de te esquecer porque
o teu desejo é o meu melhor prazer
e o meu destino é querer sempre mais
a minha estrada corre pro teu mar
Agora vem pra perto vem
vem depressa vem sem fim dentro de mim
que eu quero sentir
o teu corpo pesando sobre o meu
vem meu amor vem pra mim,
me abraca devagar,
me beija e me faz esquecer.
Marisa Monte, in M
esta foi a surpresa do dia, pela voz de Marisa Monte.
Bem Que Se Quis
Bem que se quis
depois de tudo ainda ser feliz
mas já nao há caminho pra voltar.
O que é que a vida fez da nossa vida?
O que é que a gente não faz por amor?
Mas tanto faz,
ja me esqueci de te esquecer porque
o teu desejo é o meu melhor prazer
e o meu destino é querer sempre mais
a minha estrada corre pro teu mar
Agora vem pra perto vem
vem depressa vem sem fim dentro de mim
que eu quero sentir
o teu corpo pesando sobre o meu
vem meu amor vem pra mim,
me abraca devagar,
me beija e me faz esquecer.
Marisa Monte, in M
21.5.04
20.5.04
19.5.04
18.5.04
17.5.04
#2
Tinha um colega de curso que, quando se via com um trabalho muito importante em mãos, começava sempre por fazer a capa do dito.
dizia o bom do Jorge que a estética e o trabalho criativo o inspiravam para a escrita (e dizia mais, mas isso não vem ao caso).
eu cá, tenho três coisas essenciais para preparar a redacção de um trabalho:
1- fermentar a ideia durante alguns dias de pura improdutividade.
2- desarrumar a secretária até ao ponto de só eu ser capaz de ali encontrar o que quer que seja.
3- arranjar um título momentaneamente perfeito para lhe dar.
depois de cumpridos estes três requisitos, a coisa fica fácil.
Tinha um colega de curso que, quando se via com um trabalho muito importante em mãos, começava sempre por fazer a capa do dito.
dizia o bom do Jorge que a estética e o trabalho criativo o inspiravam para a escrita (e dizia mais, mas isso não vem ao caso).
eu cá, tenho três coisas essenciais para preparar a redacção de um trabalho:
1- fermentar a ideia durante alguns dias de pura improdutividade.
2- desarrumar a secretária até ao ponto de só eu ser capaz de ali encontrar o que quer que seja.
3- arranjar um título momentaneamente perfeito para lhe dar.
depois de cumpridos estes três requisitos, a coisa fica fácil.
15.5.04
13.5.04
#3
será que isto se pode incluir na categoria das propostas fracturantes de que a ala mais à esquerda da nosso parlamento tanto gosta?...
CDS-PP quer acabar com o galheteiro em nome do azeite
Lusa, Público on-line, 13 de maio, 19:30
O CDS-PP entregou hoje na Assembleia da República um projecto que visa proteger a pureza do azeite e que, na prática, pretende acabar com o tradicional galheteiro nos estabelecimentos públicos.
Numa declaração no plenário da Assembleia da República, o deputado do PP Herculano Gonçalves manifestou a preocupação do partido com as notícias recentes que dão conta da utilização de diversas misturas, nomeadamente em restaurantes, que prejudicam a qualidade do azeite.
"Esta é, quer do ponto de vista da manutenção da qualidade do produto, quer do ponto de vista da manutenção da saúde pública, uma situação preocupante que urge resolver", afirmou Herculano Gonçalves.
Com este objectivo, o CDS-PP entregou hoje no Parlamento um projecto que determina normas para o acondicionamento do azeite e do óleo de bagaço de azeitona servido à mesa em restaurantes, hospitais, cantinas e estabelecimentos similares.
De acordo com o projecto, as embalagens a servir ao público neste tipo de estabelecimentos não podem exceder uma capacidade máxima de 0,5 litros e terão de estar dotadas de sistemas de inviolabilidade que assegurem a não alteração do respectivo produto.
"Entende-se que estas embalagens substituirão, com vantagem e segurança para o consumidor final, o tradicional galheteiro", considerou o deputado popular.
No caso de o projecto do CDS ser aprovado, os produtores terão seis meses para se adaptarem ao novo sistema. Terminado este prazo, as coimas para os infractores podem ir desde os 750 euros até um máximo de 44.890 euros
será que isto se pode incluir na categoria das propostas fracturantes de que a ala mais à esquerda da nosso parlamento tanto gosta?...
CDS-PP quer acabar com o galheteiro em nome do azeite
Lusa, Público on-line, 13 de maio, 19:30
O CDS-PP entregou hoje na Assembleia da República um projecto que visa proteger a pureza do azeite e que, na prática, pretende acabar com o tradicional galheteiro nos estabelecimentos públicos.
Numa declaração no plenário da Assembleia da República, o deputado do PP Herculano Gonçalves manifestou a preocupação do partido com as notícias recentes que dão conta da utilização de diversas misturas, nomeadamente em restaurantes, que prejudicam a qualidade do azeite.
"Esta é, quer do ponto de vista da manutenção da qualidade do produto, quer do ponto de vista da manutenção da saúde pública, uma situação preocupante que urge resolver", afirmou Herculano Gonçalves.
Com este objectivo, o CDS-PP entregou hoje no Parlamento um projecto que determina normas para o acondicionamento do azeite e do óleo de bagaço de azeitona servido à mesa em restaurantes, hospitais, cantinas e estabelecimentos similares.
De acordo com o projecto, as embalagens a servir ao público neste tipo de estabelecimentos não podem exceder uma capacidade máxima de 0,5 litros e terão de estar dotadas de sistemas de inviolabilidade que assegurem a não alteração do respectivo produto.
"Entende-se que estas embalagens substituirão, com vantagem e segurança para o consumidor final, o tradicional galheteiro", considerou o deputado popular.
No caso de o projecto do CDS ser aprovado, os produtores terão seis meses para se adaptarem ao novo sistema. Terminado este prazo, as coimas para os infractores podem ir desde os 750 euros até um máximo de 44.890 euros
#2
em tempo de celebração da 7ª arte no festival de Cannes, é preciso recordar que hoje se completam 87 anos de uma das primeiras sessões de cinema experimental levadas a cabo no nosso país.
O evento teve lugar lá para os lados da cova da iria, e foi presenciada por 3 espectadores que, além de estarem a mascar folhas alucinogénicas, não tinham pago bilhete.
espantados com a projecção, os meliantes juram a pés juntos ter visto uma luz e a imagem de uma virgem - embora não conste que a pelicula projectada tenha sido rodada num consultório de ginecologista (a arte poética de Jorge de Sousa Braga era então uma miragem).
não estando de todo excluida a teoria que defende o envolvimento de Manoel de Oliveira nesta primeira aparição (experimental) do cinema português - a descrição de uma oliveira que tremia muito pode ser indicio de tal), este momento, que marcou indelevelmente a jovem República Portuguesa, foi alvo de diversas interpretações, prevalecendo a teoria mistico-filosófica de que nossa senhora apareceu aos pastorinhos para lhes fazer algumas revelações.
a arte e a sua interepretação são e serão motivos de controversia.
em tempo de celebração da 7ª arte no festival de Cannes, é preciso recordar que hoje se completam 87 anos de uma das primeiras sessões de cinema experimental levadas a cabo no nosso país.
O evento teve lugar lá para os lados da cova da iria, e foi presenciada por 3 espectadores que, além de estarem a mascar folhas alucinogénicas, não tinham pago bilhete.
espantados com a projecção, os meliantes juram a pés juntos ter visto uma luz e a imagem de uma virgem - embora não conste que a pelicula projectada tenha sido rodada num consultório de ginecologista (a arte poética de Jorge de Sousa Braga era então uma miragem).
não estando de todo excluida a teoria que defende o envolvimento de Manoel de Oliveira nesta primeira aparição (experimental) do cinema português - a descrição de uma oliveira que tremia muito pode ser indicio de tal), este momento, que marcou indelevelmente a jovem República Portuguesa, foi alvo de diversas interpretações, prevalecendo a teoria mistico-filosófica de que nossa senhora apareceu aos pastorinhos para lhes fazer algumas revelações.
a arte e a sua interepretação são e serão motivos de controversia.
11.5.04
10.5.04
9.5.04
#1
tragam as camisas de forças
a avaliar pela notícia do Dn de hoje (que se reproduz parcialmente), a minha teoria da demência precoce do PSD ganha cada vez mais força: já não bastava darem atenção em demasia a paulo portas & sus muchachos, agora também lhes deu para elogiar o alberto joão, que, ainda por cima, está em plena deriva maoista.
O Congresso Nacional do PSD pode contar com a presença de Alberto João Jardim, que não resiste a participar num espectáculo com audiência assegurada. No dia de todos os elogios - Dias Loureiro confessou que gostaria que «o País, de norte a sul, fosse uma imensa Madeira» e José Luís Arnault apontou Jardim como «exemplo de ética e de dádiva à causa pública» - o líder madeirense foi a figura central do 1.º dia do Congresso regional do PSD/M e confirmou a sua participação, depois de ter assegurado que não iria àquele encontro dos sociais-democratas.
E foi neste clima, onde anunciou uma «Revolução Cultural» para a Madeira depois do sucesso da «Revolução Tranquila», que Jardim aproveitou as duas horas do discurso para antecipar a parte da intervenção que não repetirá quando subir à tribuna da reunião magna do partido de Durão Barroso dentro de quinze dias.(...)
tragam as camisas de forças
a avaliar pela notícia do Dn de hoje (que se reproduz parcialmente), a minha teoria da demência precoce do PSD ganha cada vez mais força: já não bastava darem atenção em demasia a paulo portas & sus muchachos, agora também lhes deu para elogiar o alberto joão, que, ainda por cima, está em plena deriva maoista.
O Congresso Nacional do PSD pode contar com a presença de Alberto João Jardim, que não resiste a participar num espectáculo com audiência assegurada. No dia de todos os elogios - Dias Loureiro confessou que gostaria que «o País, de norte a sul, fosse uma imensa Madeira» e José Luís Arnault apontou Jardim como «exemplo de ética e de dádiva à causa pública» - o líder madeirense foi a figura central do 1.º dia do Congresso regional do PSD/M e confirmou a sua participação, depois de ter assegurado que não iria àquele encontro dos sociais-democratas.
E foi neste clima, onde anunciou uma «Revolução Cultural» para a Madeira depois do sucesso da «Revolução Tranquila», que Jardim aproveitou as duas horas do discurso para antecipar a parte da intervenção que não repetirá quando subir à tribuna da reunião magna do partido de Durão Barroso dentro de quinze dias.(...)
8.5.04
#2
Nesta altura Kublai Kan imterrompia-o ou imaginava interrompê-lo, ou Marco Polo imaginava que era interrompido, com uma pergunta como: - caminhas sempre de cabeça virada para trás? - ou:- o que vês está sempre nas tuas costas? - ou melhor: - A tua viagem só se faz no passado?
Tudo para que Marco Polo pudesse explicar ou imaginar que explicava ou imaginarem que explicava ou conseguir finalmente explicar a si próprio que aquilo que ele procurava era sempre algo que estava diante de sí, e mesmo que se tratasse do passado era um passado que mudava à medida que ele avançava na sua viagem, porque o passado do viajante muda de acordo com o itinerário realizado, digamos não o passado próximo a que cada dia que passa acrescenta um dia, mas o passado mais remoto. Chegando a qualquer nova cidade o viajante reencontra o seu passado que já não sabia que tinha: a estranheza do que já não somos ou já não possuímos espera-nos ao caminho nos lugares estranhos e não possuídos.
(...)
- viajas para reviver o teu passado? - era agora a pergunta de Kan, que também podia ser formulada assim: - viajas para achar o teu futuro?
E a resposta de Marco - O algures é um espelho em negativo. O viajante reconhece o pouco que é seu, descobrindo o muito que não teve nem terá.
Italo Calvino in As Cidades Invisíveis
Nesta altura Kublai Kan imterrompia-o ou imaginava interrompê-lo, ou Marco Polo imaginava que era interrompido, com uma pergunta como: - caminhas sempre de cabeça virada para trás? - ou:- o que vês está sempre nas tuas costas? - ou melhor: - A tua viagem só se faz no passado?
Tudo para que Marco Polo pudesse explicar ou imaginar que explicava ou imaginarem que explicava ou conseguir finalmente explicar a si próprio que aquilo que ele procurava era sempre algo que estava diante de sí, e mesmo que se tratasse do passado era um passado que mudava à medida que ele avançava na sua viagem, porque o passado do viajante muda de acordo com o itinerário realizado, digamos não o passado próximo a que cada dia que passa acrescenta um dia, mas o passado mais remoto. Chegando a qualquer nova cidade o viajante reencontra o seu passado que já não sabia que tinha: a estranheza do que já não somos ou já não possuímos espera-nos ao caminho nos lugares estranhos e não possuídos.
(...)
- viajas para reviver o teu passado? - era agora a pergunta de Kan, que também podia ser formulada assim: - viajas para achar o teu futuro?
E a resposta de Marco - O algures é um espelho em negativo. O viajante reconhece o pouco que é seu, descobrindo o muito que não teve nem terá.
Italo Calvino in As Cidades Invisíveis
#1
o concerto de José Mário Branco no Coliseu foi, simplesmente, esmagador.
não sei se terei oportunidade de voltar a ver o Zé numa apresentação desta grandiosidade, mas tenho a certeza, e a noite de hoje confirmou-o mais uma vez, de que as suas sementes de música e inquietação estão bem lançadas.
ao poeta e ao homem agradeço esse enorme espetáculo que, por mais de uma vez, me soltou as lágrimas dos olhos.
o concerto de José Mário Branco no Coliseu foi, simplesmente, esmagador.
não sei se terei oportunidade de voltar a ver o Zé numa apresentação desta grandiosidade, mas tenho a certeza, e a noite de hoje confirmou-o mais uma vez, de que as suas sementes de música e inquietação estão bem lançadas.
ao poeta e ao homem agradeço esse enorme espetáculo que, por mais de uma vez, me soltou as lágrimas dos olhos.
7.5.04
#3
EVOLUÇÃO???
Quando o abismo fundo se configura como o cenário mais provável, restam-nos ainda os Surrealistas para dar cor à coisa.
"(...) Vem agora à memória do autor, não se sabe bem poruê, a frase inicial de um discurso: Reza assim:
A revolução não é um estado de coisas permanente e não podemos permitir-lhes que assim queira caminhar. A Corrente da Revolução desencadeada deve ser conduzida pelo canal da evolução.
Tudo nos levaria a crer que é uma frase recente, muito recente. Realmente, é de 6 de Julho.
6 de Julho de 1933 Adolf Hitler na Chancelaria do Reich, no seu discurso aos reichstatthalter nacionais e socialistas, todos perfilados e impecavelmente fardados. Ficariam conhecidos na generalidade por NAZIS. E foi o que se viu.
O Autor despede-se. Bastante chateado, como de costume, e razoavelmente atabafado. No entanto resolveu não desistir. Nunca desistir."
também esta passagem poderia ter sido escrito ontem, entre duas ou três divagações, mas foi trazida ao prelo em 1976, aquando do prefácio à segunda edição dos Contos do Gin-tónico, por Mário-Henrique Leiria.
EVOLUÇÃO???
Quando o abismo fundo se configura como o cenário mais provável, restam-nos ainda os Surrealistas para dar cor à coisa.
"(...) Vem agora à memória do autor, não se sabe bem poruê, a frase inicial de um discurso: Reza assim:
A revolução não é um estado de coisas permanente e não podemos permitir-lhes que assim queira caminhar. A Corrente da Revolução desencadeada deve ser conduzida pelo canal da evolução.
Tudo nos levaria a crer que é uma frase recente, muito recente. Realmente, é de 6 de Julho.
6 de Julho de 1933 Adolf Hitler na Chancelaria do Reich, no seu discurso aos reichstatthalter nacionais e socialistas, todos perfilados e impecavelmente fardados. Ficariam conhecidos na generalidade por NAZIS. E foi o que se viu.
O Autor despede-se. Bastante chateado, como de costume, e razoavelmente atabafado. No entanto resolveu não desistir. Nunca desistir."
também esta passagem poderia ter sido escrito ontem, entre duas ou três divagações, mas foi trazida ao prelo em 1976, aquando do prefácio à segunda edição dos Contos do Gin-tónico, por Mário-Henrique Leiria.
6.5.04
4.5.04
3.5.04
#2
a cooperativa Mó de Vida está a preparar a celebração do dia internacional do comércio justo, a 8 de Maio. é também neste dia que o espaço da mó (no pragal) celebra 1 ano de actividade, motivos de sobra para festejar!
fica o link, para quem estiver interessado em conhecer o espaço e as actividades desta associação. valem bem a pena!
a cooperativa Mó de Vida está a preparar a celebração do dia internacional do comércio justo, a 8 de Maio. é também neste dia que o espaço da mó (no pragal) celebra 1 ano de actividade, motivos de sobra para festejar!
fica o link, para quem estiver interessado em conhecer o espaço e as actividades desta associação. valem bem a pena!
#1
a Associação Abril em Maio continua em grande produção, preparando-se para inaugurar mais uma edição, a décima, da sua Feira de Maio.
este evento configura-se como uma feira alternativa onde se vendem produtos diversos, se apresentam multiplas actividades culturais e se partilham muitas ideias.
para quem é adepto de eventos do main stream, não conhece a Associação e o seu lindo espaço de funcionamento (uma antiga biseladora, situada nos Anjos), esta é uma oportunidade a não perder.
fica a apresentação da feira e o link para o programa.
10ª FEIRA DE MAIO
13 a 17 de Maio, Regueirão dos Anjos
BOLA AO CENTRO
Como todos os anos, a Abril em Maio realiza uma Feira de Maio, cinco dias de Feira com livros, discos, vídeos nem sempre fáceis de encontrar, objectos feitos a mão por quem sabe e lhe apetece, biológicos e caseiros (do rabanete à aguardente passando pelos queijos e doces), reciclados (papéis, cadernos e blocos), segunda mão de tudo um pouco, etc. ,etc.
A Feira de Maio realiza-se este ano entre 13 e 17 de Maio e chama-se “Bola ao centro”.
Como todos os anos, durante a Feira, há colóquios, espectáculos, música, oficinas, este ano sobretudo à volta do Futebol e da Cidade.
Participa nestas actividades gente de varias áreas – da política às artes: Francisco Martins Rodrigues, Jorge Silva Melo, Eduarda Dionísio, Nuno Pacheco, Fernando Catroga, Eugénio Alves, João Mesquita, A. Ribeiro Cardoso, Pitum (Keil do Amaral), Marc Perelman, Patrick Vassort, Vítor Silva Tavares, José Paiva, António Marques, Margarida Guia, Thomas Bakk, Jean-Pierre Garnier, Helena Roseta, Vitor Matias Ferreira, André Ruivo, Alain Corbel, o grupo de jazz “Combo”, o grupo de teatro “Estaca Zero”, Bárbara Assis Pacheco, Sofia Areal, Cátia Salgueiro, Maria Rogel del Hoyo, Sofia Verdon, Regina Guimarães, Ghyslaine Fritz, entre outros.
Muitos já participaram noutras actividades da Abril em Maio, que faz agora 10 anos, nomeadamente os colaboradores já habituais que vêm de França (Marc Perelman, Jean-Pierre Garnier, Margarida Guia).
PROGRAMA
a Associação Abril em Maio continua em grande produção, preparando-se para inaugurar mais uma edição, a décima, da sua Feira de Maio.
este evento configura-se como uma feira alternativa onde se vendem produtos diversos, se apresentam multiplas actividades culturais e se partilham muitas ideias.
para quem é adepto de eventos do main stream, não conhece a Associação e o seu lindo espaço de funcionamento (uma antiga biseladora, situada nos Anjos), esta é uma oportunidade a não perder.
fica a apresentação da feira e o link para o programa.
13 a 17 de Maio, Regueirão dos Anjos
BOLA AO CENTRO
Como todos os anos, a Abril em Maio realiza uma Feira de Maio, cinco dias de Feira com livros, discos, vídeos nem sempre fáceis de encontrar, objectos feitos a mão por quem sabe e lhe apetece, biológicos e caseiros (do rabanete à aguardente passando pelos queijos e doces), reciclados (papéis, cadernos e blocos), segunda mão de tudo um pouco, etc. ,etc.
A Feira de Maio realiza-se este ano entre 13 e 17 de Maio e chama-se “Bola ao centro”.
Como todos os anos, durante a Feira, há colóquios, espectáculos, música, oficinas, este ano sobretudo à volta do Futebol e da Cidade.
Participa nestas actividades gente de varias áreas – da política às artes: Francisco Martins Rodrigues, Jorge Silva Melo, Eduarda Dionísio, Nuno Pacheco, Fernando Catroga, Eugénio Alves, João Mesquita, A. Ribeiro Cardoso, Pitum (Keil do Amaral), Marc Perelman, Patrick Vassort, Vítor Silva Tavares, José Paiva, António Marques, Margarida Guia, Thomas Bakk, Jean-Pierre Garnier, Helena Roseta, Vitor Matias Ferreira, André Ruivo, Alain Corbel, o grupo de jazz “Combo”, o grupo de teatro “Estaca Zero”, Bárbara Assis Pacheco, Sofia Areal, Cátia Salgueiro, Maria Rogel del Hoyo, Sofia Verdon, Regina Guimarães, Ghyslaine Fritz, entre outros.
Muitos já participaram noutras actividades da Abril em Maio, que faz agora 10 anos, nomeadamente os colaboradores já habituais que vêm de França (Marc Perelman, Jean-Pierre Garnier, Margarida Guia).
PROGRAMA
1.5.04
#4
e por falar nas relações entre as autarquias e o ramo imobiliário, fiquem sabendo que 50% da facturação da Camara de Sintra no ano de 2003 veio directamente dos impostos sobre o imobiliário.
fernando seara, o presidente-careca-benfiquista, diz que esta % está a diminuir, mas, com este esquema de funcionamento, nunca poderá deixar de haver especulação imobiliária, porque, para os executivos municipais enrascados,esta é uma verdadeira fonte que não esgota.
e por falar nas relações entre as autarquias e o ramo imobiliário, fiquem sabendo que 50% da facturação da Camara de Sintra no ano de 2003 veio directamente dos impostos sobre o imobiliário.
fernando seara, o presidente-careca-benfiquista, diz que esta % está a diminuir, mas, com este esquema de funcionamento, nunca poderá deixar de haver especulação imobiliária, porque, para os executivos municipais enrascados,esta é uma verdadeira fonte que não esgota.
#3
oh por favor... como podem dizer uma coisa destas??????
só falta acrescentar que a estação de metro da falagueira, construida ao pé da zona, também foi prevista nesta maquinação... e que as lagrimas do Sr. Joaquim Raposo, esse homem tão honesto, são cristalinas como as dos crocodilos.
Câmara da Amadora Projectou Urbanizar Terrenos da Bombardier
Por CATARINA SERRA LOPES, Publico, 01 de Maio de 2004
Os terrenos da Bombardier, indústria metalomecânica pesada, localizada na Venda Nova, no concelho da Amadora, que encerrou as instalações e despediu mais de 300 empregados no passado mês de Março, estarão destinados para a construção de uma urbanização desde Julho de 2002.
A acusação foi suscitada quinta-feira à noite na Assembleia Municipal da Amadora por elementos da plataforma de luta contra o prolongamento da Circular Regional Interior de Lisboa. De acordo com as declarações de membros desta força local, a Câmara da Amadora terá encomendado há dois anos um estudo de urbanização para a zona da Venda Nova e da Falagueira, no qual aparece o espaço actualmente ocupado pela Bombardier, sem a indústria mas com prédios de habitação no seu lugar.
O alegado estudo, da autoria do arquitecto Bruno Soares e com data de Julho de 2002, vem contrariar as declarações do primeiro-ministro, Durão Barroso, que ainda recentemente garantiu publicamente que os terrenos da Bombardier nunca deixariam de ser destinados à indústria e que não seria permitida qualquer alteração do Plano Director Municipal da Amadora. Na assembleia municipal, o presidente do município, o socialista Joaquim Raposo, foi confrontado sobre a existência do referido estudo de urbanização e as suas implicações.
Em tom de acusação, um dos elementos da plataforma levou a assistência a crer que a falência da Bombardier terá sido um processo pensado com anos de antecedência, "visto ser mais rentável construir habitação naquele terreno do que ter ali a fábrica a funcionar a construir comboios". Joaquim Raposo manteve-se, por seu lado, imperturbável, não respondendo às acusações feitas, nem prestando quaisquer explicações acerca deste assunto. Uma postura que manteve mesmo após a sessão da assembleia, escusando-se a comentar a questão.
Os responsáveis pela Bombardier, por seu lado, mostraram-se totalmente surpresos com a existência do alegado estudo de urbanização e afiançaram não ter conhecimento de qualquer projecto de urbanização para a zona. "O único conhecimento que existe é de um protocolo que a autarquia nos apresentou há uns anos e pelo qual pretendiam que cedêssemos uns terrenos da fábrica para construção de uns arruamentos", esclareceu uma fonte oficial da empresa contactada pelo PÚBLICO. "Mas não assinámos nem esse protocolo, nem nenhum. Aliás, a fábrica irá continuar em funcionamento com 100 trabalhadoras nestas mesmas instalações. Não estamos a pensar ceder o terreno seja para que fim for", rematou o porta-voz da Bombardier.
oh por favor... como podem dizer uma coisa destas??????
só falta acrescentar que a estação de metro da falagueira, construida ao pé da zona, também foi prevista nesta maquinação... e que as lagrimas do Sr. Joaquim Raposo, esse homem tão honesto, são cristalinas como as dos crocodilos.
Câmara da Amadora Projectou Urbanizar Terrenos da Bombardier
Por CATARINA SERRA LOPES, Publico, 01 de Maio de 2004
Os terrenos da Bombardier, indústria metalomecânica pesada, localizada na Venda Nova, no concelho da Amadora, que encerrou as instalações e despediu mais de 300 empregados no passado mês de Março, estarão destinados para a construção de uma urbanização desde Julho de 2002.
A acusação foi suscitada quinta-feira à noite na Assembleia Municipal da Amadora por elementos da plataforma de luta contra o prolongamento da Circular Regional Interior de Lisboa. De acordo com as declarações de membros desta força local, a Câmara da Amadora terá encomendado há dois anos um estudo de urbanização para a zona da Venda Nova e da Falagueira, no qual aparece o espaço actualmente ocupado pela Bombardier, sem a indústria mas com prédios de habitação no seu lugar.
O alegado estudo, da autoria do arquitecto Bruno Soares e com data de Julho de 2002, vem contrariar as declarações do primeiro-ministro, Durão Barroso, que ainda recentemente garantiu publicamente que os terrenos da Bombardier nunca deixariam de ser destinados à indústria e que não seria permitida qualquer alteração do Plano Director Municipal da Amadora. Na assembleia municipal, o presidente do município, o socialista Joaquim Raposo, foi confrontado sobre a existência do referido estudo de urbanização e as suas implicações.
Em tom de acusação, um dos elementos da plataforma levou a assistência a crer que a falência da Bombardier terá sido um processo pensado com anos de antecedência, "visto ser mais rentável construir habitação naquele terreno do que ter ali a fábrica a funcionar a construir comboios". Joaquim Raposo manteve-se, por seu lado, imperturbável, não respondendo às acusações feitas, nem prestando quaisquer explicações acerca deste assunto. Uma postura que manteve mesmo após a sessão da assembleia, escusando-se a comentar a questão.
Os responsáveis pela Bombardier, por seu lado, mostraram-se totalmente surpresos com a existência do alegado estudo de urbanização e afiançaram não ter conhecimento de qualquer projecto de urbanização para a zona. "O único conhecimento que existe é de um protocolo que a autarquia nos apresentou há uns anos e pelo qual pretendiam que cedêssemos uns terrenos da fábrica para construção de uns arruamentos", esclareceu uma fonte oficial da empresa contactada pelo PÚBLICO. "Mas não assinámos nem esse protocolo, nem nenhum. Aliás, a fábrica irá continuar em funcionamento com 100 trabalhadoras nestas mesmas instalações. Não estamos a pensar ceder o terreno seja para que fim for", rematou o porta-voz da Bombardier.
#2
Apesar da aparente segurança do maestro luis filipe pereira, o barco da saúde está memos a ir ao fundo. e os ratos já começaram a saltar borda fora...
Responsável pela Unidade de Missão dos Hospitais SA Demite-se
Público, 1 de Maio, 2004
O encarregado da unidade de missão para os hospitais SA, José Mendes Ribeiro, pediu ontem a demissão ao ministro da Saúde. Segundo soube o PÚBLICO, as razões prendem-se com divergências quanto à chefia do novo Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC).
Este sistema, apresentado publicamente na terça-feira por Luís Filipe Pereira, foi desenvolvido pela equipa de Mendes Ribeiro, que coordena e tutela toda a actividade relacionada com a gestão e funcionamento dos hospitais-empresa, uma das grandes bandeiras deste ministério.
Ontem à tarde, o encarregado da unidade de missão conversou com o ministro, tendo defendido que a sua equipa deveria ficar responsável pela chefia do SIGIC. Luís Filipe Pereira terá discordado e mostrou-se irredutível na decisão de não entregar o SIGIC, que será aplicado não só os 30 hospitais SA no âmbito da unidade de missão, mas a todos os hospitais do Serviço Nacional de Saúde. O ministro defendeu que o sistema deverá ficar sobre a sua tutela directa.
(...)
Apesar da aparente segurança do maestro luis filipe pereira, o barco da saúde está memos a ir ao fundo. e os ratos já começaram a saltar borda fora...
Responsável pela Unidade de Missão dos Hospitais SA Demite-se
Público, 1 de Maio, 2004
O encarregado da unidade de missão para os hospitais SA, José Mendes Ribeiro, pediu ontem a demissão ao ministro da Saúde. Segundo soube o PÚBLICO, as razões prendem-se com divergências quanto à chefia do novo Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC).
Este sistema, apresentado publicamente na terça-feira por Luís Filipe Pereira, foi desenvolvido pela equipa de Mendes Ribeiro, que coordena e tutela toda a actividade relacionada com a gestão e funcionamento dos hospitais-empresa, uma das grandes bandeiras deste ministério.
Ontem à tarde, o encarregado da unidade de missão conversou com o ministro, tendo defendido que a sua equipa deveria ficar responsável pela chefia do SIGIC. Luís Filipe Pereira terá discordado e mostrou-se irredutível na decisão de não entregar o SIGIC, que será aplicado não só os 30 hospitais SA no âmbito da unidade de missão, mas a todos os hospitais do Serviço Nacional de Saúde. O ministro defendeu que o sistema deverá ficar sobre a sua tutela directa.
(...)
30.4.04
#2
este post deve ser lido ao som dos sofá surfers
a imagem é da autoria do Luis Branco e foi repescada no blog da attac
este post deve ser lido ao som dos sofá surfers
a imagem é da autoria do Luis Branco e foi repescada no blog da attac
29.4.04
#2
por falar em telemóveis... recebi este sugestivo email:
Protesto contra as três operadoras de telecomunicações portuguesas.
Devido às constantes subidas de preços dos tarifários das três
operadoras de telecomunicações do país, seja por causa do aumento do
IVA, da inflação ou por vontade própria, organizamos um protesto para
forçar a Vodafone, Optimus e TMN a baixarem os preços dos seus serviços
para lhes mostrar que SÃO ELES QUE PRECISAM DE NÓS! Este tipo de
protesto já ocorreu em alguns países e com sucesso, sendo as companhias
obrigadas a baixar os preços. Isto porque a união faz a força!
Portanto, dia 1 de Maio, Sábado, POR FAVOR DESLIGA O TEU TELEMÓVEL!
Não esqueças esta data. E se eventualmente necessitares de fazer uma
chamada muito urgente, faz a chamada mas depois desliga imediatamente o
telemóvel.
por falar em telemóveis... recebi este sugestivo email:
Protesto contra as três operadoras de telecomunicações portuguesas.
Devido às constantes subidas de preços dos tarifários das três
operadoras de telecomunicações do país, seja por causa do aumento do
IVA, da inflação ou por vontade própria, organizamos um protesto para
forçar a Vodafone, Optimus e TMN a baixarem os preços dos seus serviços
para lhes mostrar que SÃO ELES QUE PRECISAM DE NÓS! Este tipo de
protesto já ocorreu em alguns países e com sucesso, sendo as companhias
obrigadas a baixar os preços. Isto porque a união faz a força!
Portanto, dia 1 de Maio, Sábado, POR FAVOR DESLIGA O TEU TELEMÓVEL!
Não esqueças esta data. E se eventualmente necessitares de fazer uma
chamada muito urgente, faz a chamada mas depois desliga imediatamente o
telemóvel.
#1
DR Strange fone
cada vez me sinto mais aliviado por não ter conseguido entrar no curso de medicina. bem vistas as coisas, @s gaj@s andam 6 anos a estudar dia e noite, muit@s vivem com complexos de serem elite e, ainda por cima, andam sempre delegad@s de propaganda médica ou outros introjões a tentar oferecer-lhes viajens e telemóveis a troco de pequenos negócios onde os utentes são moeda de troca...
DR Strange fone
cada vez me sinto mais aliviado por não ter conseguido entrar no curso de medicina. bem vistas as coisas, @s gaj@s andam 6 anos a estudar dia e noite, muit@s vivem com complexos de serem elite e, ainda por cima, andam sempre delegad@s de propaganda médica ou outros introjões a tentar oferecer-lhes viajens e telemóveis a troco de pequenos negócios onde os utentes são moeda de troca...
28.4.04
#4

Alguém me explica como é que se faz um shot com isto? é que, mesmo depois de ler a receita, fiquei completamente à nora...
PASTEL DE NATA
por Maria de Lourdes Modesto
para a massa folhada:
500g de farinha; 500g de manteiga; 2 a 3 dl de água; sal.
para o creme:
5 dl de natas; 8 gemas; 2 colheres de chá de farinha; 200g de açucar; casca de limão.
fazer massa folhada pode ser um verdadeiro desafio. para quem não se quiser aventurar, pode optar-se por comprar a massa já feita, e seguir a receita em tudo o restante. será substancialmente mais fácil, mas não será tão saboroso.
derrete-se o sal na água morna e divide-se a manteiga em três partes iguais. coloca-se a farinha sobre uma base de trabalho, faz-se uma cova ao meio e deita-se a água. amassa-se a mistura até que fique consistente e deixa-se descansar 20 minutos. de seguida estende-se a massa em forma de quadrado. amassa-se um pouco a gordura de modo a ficar com a consistência da massa. barra-se com uma terça parte da margarina toda a massa, deixando por barrar uma tira com a largura de um dedo, em toda a volta do quadrado. dobra-se a massa de baixo para cima e da esquerda para a direita, tendo como principal cuidado a perfeição do ajustamento das pontas e dos lados. estende-se a massa com um rolo até formar novamente um quadrado. barra-se de novo com o segundo terço de gordura e procede-se do mesmo modo. repete-se esta operação com a restante gordura. finalmente, estende-se a massa o mais fina possível, corta-se em tiras e enrolam-se de modo a obterem-se rolos compridos. cortam-se em bocados com 2 a 3 cm. coloca-se ao alto cada bocado de massa nas forminhas de pastéis e, com a ajuda do dedo polegar, ligeiramente molhado em água, esmaga-se a massa forrando as forminhas. entretanto, prepara-se o creme misturando todos os ingredientes indicados. leva-se a mistura ao lume até levantar fervura. retira-se do calor e, quando estiver morno, deita-se nas caixas de massa. levam-se a cozer em forno muito quente (250 a 300ºC). as formas usadas para os pastéis de nata são as formas de queques. serve-se polvilhado com açucar e canela.

Alguém me explica como é que se faz um shot com isto? é que, mesmo depois de ler a receita, fiquei completamente à nora...
PASTEL DE NATA
por Maria de Lourdes Modesto
para a massa folhada:
500g de farinha; 500g de manteiga; 2 a 3 dl de água; sal.
para o creme:
5 dl de natas; 8 gemas; 2 colheres de chá de farinha; 200g de açucar; casca de limão.
fazer massa folhada pode ser um verdadeiro desafio. para quem não se quiser aventurar, pode optar-se por comprar a massa já feita, e seguir a receita em tudo o restante. será substancialmente mais fácil, mas não será tão saboroso.
derrete-se o sal na água morna e divide-se a manteiga em três partes iguais. coloca-se a farinha sobre uma base de trabalho, faz-se uma cova ao meio e deita-se a água. amassa-se a mistura até que fique consistente e deixa-se descansar 20 minutos. de seguida estende-se a massa em forma de quadrado. amassa-se um pouco a gordura de modo a ficar com a consistência da massa. barra-se com uma terça parte da margarina toda a massa, deixando por barrar uma tira com a largura de um dedo, em toda a volta do quadrado. dobra-se a massa de baixo para cima e da esquerda para a direita, tendo como principal cuidado a perfeição do ajustamento das pontas e dos lados. estende-se a massa com um rolo até formar novamente um quadrado. barra-se de novo com o segundo terço de gordura e procede-se do mesmo modo. repete-se esta operação com a restante gordura. finalmente, estende-se a massa o mais fina possível, corta-se em tiras e enrolam-se de modo a obterem-se rolos compridos. cortam-se em bocados com 2 a 3 cm. coloca-se ao alto cada bocado de massa nas forminhas de pastéis e, com a ajuda do dedo polegar, ligeiramente molhado em água, esmaga-se a massa forrando as forminhas. entretanto, prepara-se o creme misturando todos os ingredientes indicados. leva-se a mistura ao lume até levantar fervura. retira-se do calor e, quando estiver morno, deita-se nas caixas de massa. levam-se a cozer em forno muito quente (250 a 300ºC). as formas usadas para os pastéis de nata são as formas de queques. serve-se polvilhado com açucar e canela.
#3
a voz e as palavras de beth orton dão cabo de mim.
Running down to a central reservation
In last night's red dress
And I can still smell you on my fingers
And taste you on my breath
Stepping through brilliant shades
Of the color you bring
But this time, this time, this time
Is whatever I want it to mean
(...)
Beth Orton, in Central Reservation
a voz e as palavras de beth orton dão cabo de mim.
Running down to a central reservation
In last night's red dress
And I can still smell you on my fingers
And taste you on my breath
Stepping through brilliant shades
Of the color you bring
But this time, this time, this time
Is whatever I want it to mean
(...)
Beth Orton, in Central Reservation
#1

fui ver És a nossa fé, um documentário dirigido por Edgar Pêra sobre crom@s da bola, d@s que vivem o futebol como a última das coisas na face da terra.
neste trabalho, filmado em super 8, Pêra e sus muchach@s observam a bola de uma perspectiva sociológico-irónica bastante reveladora, promovendo uma reflexão sobre esse mundo paralelo que, tantas vezes, parece querer sobrepor-se ao mundo real.
esta é uma daquelas idas ao cinema que se recomenda a toda a gente: a quem gosta de futebol, a quem o detesta e a quem lhe consegue ser indiferente.

fui ver És a nossa fé, um documentário dirigido por Edgar Pêra sobre crom@s da bola, d@s que vivem o futebol como a última das coisas na face da terra.
neste trabalho, filmado em super 8, Pêra e sus muchach@s observam a bola de uma perspectiva sociológico-irónica bastante reveladora, promovendo uma reflexão sobre esse mundo paralelo que, tantas vezes, parece querer sobrepor-se ao mundo real.
esta é uma daquelas idas ao cinema que se recomenda a toda a gente: a quem gosta de futebol, a quem o detesta e a quem lhe consegue ser indiferente.
27.4.04
#1
Quatro não-haikus
Rente ao desejo
há o evocar
do secreto nome das coisas.
II
Talvez um dia te diga
que todo o poeta
é um ladrão.
III
Oferecer-te um verso
da mesma forma que teu olhar
me oferece o relâmpago.
IV
És o principio e o fim
o sol a pique
sobre o poema.
Manuel A. Domingos
DnJovem, 27 de Abril, 2004
Quatro não-haikus
Rente ao desejo
há o evocar
do secreto nome das coisas.
II
Talvez um dia te diga
que todo o poeta
é um ladrão.
III
Oferecer-te um verso
da mesma forma que teu olhar
me oferece o relâmpago.
IV
És o principio e o fim
o sol a pique
sobre o poema.
Manuel A. Domingos
DnJovem, 27 de Abril, 2004
25.4.04
#2
O FRUTO MADURO *
Imagina
Que rumamos sem limites para a Utopia
onde sonhos e pessoas se confundem
com a doçura do silêncio
onde as mãos e a paz se constroem
misturadas que estão nas telas que pintam.
Imagina
A liberdade individual colectivamente sentida
sem símbolos opressores
nem oprimidos
Sem ideias estanques
nem o dogma da sobre vivência
Imagina ...
Este será o fruto maduro
da mais triunfante das revoluções
André, 1999, nos 25 anos de Abril
* Publicado no DNJovem em 6 de Outubro de 2001
Imagina
Que rumamos sem limites para a Utopia
onde sonhos e pessoas se confundem
com a doçura do silêncio
onde as mãos e a paz se constroem
misturadas que estão nas telas que pintam.
Imagina
A liberdade individual colectivamente sentida
sem símbolos opressores
nem oprimidos
Sem ideias estanques
nem o dogma da sobre vivência
Imagina ...
Este será o fruto maduro
da mais triunfante das revoluções
André, 1999, nos 25 anos de Abril
* Publicado no DNJovem em 6 de Outubro de 2001
#1
São Vidas
nasce um dia claro. talvez aliviado, como aquele de Sophia de Mello Breyner.
nasce o dia e eu chego a casa. os pássaros cantam o inicio da primavera. talvez sejam também eles mais livres hoje do que há 30 anos.
ainda não prendi um cravo ao peito, para assinalar a esperança e incerteza dessa outra madrugada de abril.
Vi, até há poucos minutos atrás, pessoas na rua, de cravo e sorrisos rasgados. muit@s cantavam velhas e novas canções. as comemorações estenderam-se.
chego a casa e o corpo fraqueja. mas há tempo ainda para as palavras, para a poesia - se não fosse a poesia o que seria? -, para lembrar uma noite cheia, entre gente alegre, homens e mulheres que, como eu, não eram nascidos, mas vivem o sonho e sabem que neste país há um governo a tentar lavar a história. não passarão!
há tempo para recordar que a luta continua, que o R é um trabalho a fazer, que devemos isso não só aos que o fizeram até hoje como ao futuro. só assim Abril não se transformará num um refrão gasto ou na memória esbatida de Maia e da sua soldadesca.
Abril é esta manhã que se abre e os olhos com que a queremos (e podemos) ver abrir.
São vidas que se estendem pela estrada fora, que se tocam e se afastam, que olham para trás e que cerram o punho na alegria da luta.
são vidas, as nossas vidas.
São Vidas
nasce um dia claro. talvez aliviado, como aquele de Sophia de Mello Breyner.
nasce o dia e eu chego a casa. os pássaros cantam o inicio da primavera. talvez sejam também eles mais livres hoje do que há 30 anos.
ainda não prendi um cravo ao peito, para assinalar a esperança e incerteza dessa outra madrugada de abril.
Vi, até há poucos minutos atrás, pessoas na rua, de cravo e sorrisos rasgados. muit@s cantavam velhas e novas canções. as comemorações estenderam-se.
chego a casa e o corpo fraqueja. mas há tempo ainda para as palavras, para a poesia - se não fosse a poesia o que seria? -, para lembrar uma noite cheia, entre gente alegre, homens e mulheres que, como eu, não eram nascidos, mas vivem o sonho e sabem que neste país há um governo a tentar lavar a história. não passarão!
há tempo para recordar que a luta continua, que o R é um trabalho a fazer, que devemos isso não só aos que o fizeram até hoje como ao futuro. só assim Abril não se transformará num um refrão gasto ou na memória esbatida de Maia e da sua soldadesca.
Abril é esta manhã que se abre e os olhos com que a queremos (e podemos) ver abrir.
São vidas que se estendem pela estrada fora, que se tocam e se afastam, que olham para trás e que cerram o punho na alegria da luta.
são vidas, as nossas vidas.
23.4.04
#2
Valsa Quase Antidepressiva
dança comigo a primeira valsa da primavera:
dança sem sonhos, esquece as promessas, ninguém nos espera.
já enchi os dias de lutas vazias:
estou gasto, cansado e dormente.
E a um pouco de sexo ou muita poesia,
ainda não fico indiferente.
Fala comigo na palavra falsa da fantasia:
chovem amigos na festa da praça do meio dia.
é certo que as flores parecem maiores
que toda a virtude do mundo:
com um pouco de sexo ou muita poesia
ainda me sinto profundo.
se este mundo fosse feito para ser doce
eu seria doce fosse eu quem fosse.
foge comigo na última volta da maratona,
nada comigo num lago de metadona.
já deixei as asas na cave e as chaves no fundo do mar:
com um pouco de sexo ou muita poesia
ainda nos vamos casar.
JP Simões in Exilio, Quinteto TATI
Valsa Quase Antidepressiva
dança comigo a primeira valsa da primavera:
dança sem sonhos, esquece as promessas, ninguém nos espera.
já enchi os dias de lutas vazias:
estou gasto, cansado e dormente.
E a um pouco de sexo ou muita poesia,
ainda não fico indiferente.
Fala comigo na palavra falsa da fantasia:
chovem amigos na festa da praça do meio dia.
é certo que as flores parecem maiores
que toda a virtude do mundo:
com um pouco de sexo ou muita poesia
ainda me sinto profundo.
se este mundo fosse feito para ser doce
eu seria doce fosse eu quem fosse.
foge comigo na última volta da maratona,
nada comigo num lago de metadona.
já deixei as asas na cave e as chaves no fundo do mar:
com um pouco de sexo ou muita poesia
ainda nos vamos casar.
JP Simões in Exilio, Quinteto TATI
#1
" chegará o dia em que remeteremos para a história um preâmbulo que já faz parte da história (...)"
telmo correia, deputado do cds, no inico do debate da revisão constitucional
o cds tem um odio de morte à cosntituição de 76 e, enquanto o destilava, este senhor quase rebentava as costuras do casaco de tão inflamado.
aquele que foi considerado um dos textos mais modernos do mundo ainda deixa irritada muita gente, especialmente essa direita rasteirinha e saudosista que se põe em bicos de pés, enebriada que está com o poder.
deixo aqui outra afirmação do mesmo deputado do cds, quando aludia à constituição desejada por este partido.
para que fique presente o que eles querem e que espero nunca chegar a ver:
"(...)alguns dizem que esse dia chegará no ia em que a maioria qeu agorea governa Portugal tiver dois terços para fazer a revisão da Constituição. Sei que é ambicioso, mas não é impossivel e nós somos muito ambiciosos"
fica o preêmbulo da constituição, que, apesar dos ataques cerrados, se manteve inalterado.
Preâmbulo
A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista.
Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.
A Revolução restituiu aos portugueses os direitos e liberdades fundamentais. No exercício destes direitos e liberdades, os legítimos representantes do povo reúnem-se para elaborar uma Constituição que corresponde às aspirações do País.
A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o estado de direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país livre, mais justo e mais fraterno.
(…)
" chegará o dia em que remeteremos para a história um preâmbulo que já faz parte da história (...)"
telmo correia, deputado do cds, no inico do debate da revisão constitucional
o cds tem um odio de morte à cosntituição de 76 e, enquanto o destilava, este senhor quase rebentava as costuras do casaco de tão inflamado.
aquele que foi considerado um dos textos mais modernos do mundo ainda deixa irritada muita gente, especialmente essa direita rasteirinha e saudosista que se põe em bicos de pés, enebriada que está com o poder.
deixo aqui outra afirmação do mesmo deputado do cds, quando aludia à constituição desejada por este partido.
para que fique presente o que eles querem e que espero nunca chegar a ver:
"(...)alguns dizem que esse dia chegará no ia em que a maioria qeu agorea governa Portugal tiver dois terços para fazer a revisão da Constituição. Sei que é ambicioso, mas não é impossivel e nós somos muito ambiciosos"
fica o preêmbulo da constituição, que, apesar dos ataques cerrados, se manteve inalterado.
Preâmbulo
A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista.
Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.
A Revolução restituiu aos portugueses os direitos e liberdades fundamentais. No exercício destes direitos e liberdades, os legítimos representantes do povo reúnem-se para elaborar uma Constituição que corresponde às aspirações do País.
A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o estado de direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país livre, mais justo e mais fraterno.
(…)
20.4.04
#6
uma mensagem da amnistia internacional
Vigília nas imediações da Embaixada de Israel
Quarta-feira, dia 21 de Abril, pelas 18:30
Comemoração da libertação de Mordechai Vanunu
O Grupo Local Portugal 19 - Sintra da Amnistia Internacional realiza na quarta-feira, dia 21 de Abril, pelas 18:30, uma vigília nas imediações da Embaixada de Israel, na Rua António Enes, em Lisboa, para comemorar a libertação de Mordechai Vanunu, cidadão israelita preso há 18 anos (12 dos quais em solitária) por denunciar a produção de armas nucleares por Israel.
Apesar de ser libertado, Vanunu será proibido de viajar para fora de Israel, de contactar com cidadãos estrangeiros e de falar para a imprensa. O Grupo 19 da Amnistia Internacional considera que a justificação oficial apresentada pelas autoridades israelitas - a possibilidade de Vanunu revelar mais segredos - é desprovida de sentido, dado que já se passaram 18 anos sobre a sua detenção e tudo o que pudesse saber se encontra desactualizado. Na realidade, Israel pretende impedir que Vanunu revele pormenores sobre o seu rapto pela Mossad em Itália e o seu julgamento secreto em Israel em 1986.
Por conseguinte, o Grupo 19 da Amnistia Internacional irá também reclamar o levantamento das restrições aos direitos fundamentais de Vanunu, tal como nas vigílias nas demais cidades do mundo inteiro (Washington, Detroit, São Francisco, Londres, Toronto, Roma e Dublin, entre outras).
uma mensagem da amnistia internacional
Vigília nas imediações da Embaixada de Israel
Quarta-feira, dia 21 de Abril, pelas 18:30
Comemoração da libertação de Mordechai Vanunu
O Grupo Local Portugal 19 - Sintra da Amnistia Internacional realiza na quarta-feira, dia 21 de Abril, pelas 18:30, uma vigília nas imediações da Embaixada de Israel, na Rua António Enes, em Lisboa, para comemorar a libertação de Mordechai Vanunu, cidadão israelita preso há 18 anos (12 dos quais em solitária) por denunciar a produção de armas nucleares por Israel.
Apesar de ser libertado, Vanunu será proibido de viajar para fora de Israel, de contactar com cidadãos estrangeiros e de falar para a imprensa. O Grupo 19 da Amnistia Internacional considera que a justificação oficial apresentada pelas autoridades israelitas - a possibilidade de Vanunu revelar mais segredos - é desprovida de sentido, dado que já se passaram 18 anos sobre a sua detenção e tudo o que pudesse saber se encontra desactualizado. Na realidade, Israel pretende impedir que Vanunu revele pormenores sobre o seu rapto pela Mossad em Itália e o seu julgamento secreto em Israel em 1986.
Por conseguinte, o Grupo 19 da Amnistia Internacional irá também reclamar o levantamento das restrições aos direitos fundamentais de Vanunu, tal como nas vigílias nas demais cidades do mundo inteiro (Washington, Detroit, São Francisco, Londres, Toronto, Roma e Dublin, entre outras).
#5
a ida a banhos de saramago com durão barroso, na semana passada, trouxe-me à memória um dos refrões que jorge palma melhor escreveu. desde que acabei de ler o último ensaio daquele escritor, tenho andado a matutar com mais frequência no dito refrão, e com a prisão de valentim loureiro, saboreei, novamente, a profundidade e ironia do estribilho.
lá diz o cantor boémio que o sistema é antigo e não poupa ninguém.
a ida a banhos de saramago com durão barroso, na semana passada, trouxe-me à memória um dos refrões que jorge palma melhor escreveu. desde que acabei de ler o último ensaio daquele escritor, tenho andado a matutar com mais frequência no dito refrão, e com a prisão de valentim loureiro, saboreei, novamente, a profundidade e ironia do estribilho.
lá diz o cantor boémio que o sistema é antigo e não poupa ninguém.
#2
Telejornal à Queluz de Baixo
Tiago Videira, DNJovem, 20 de Abril, 2004
Ingredientes:
Uma apresentadora sorridente, mordaz e com boca desmesurada
Um cenário piroso
Staff a gosto
Modo de fazer:
1. Atentado terrorista em Israel/Espanha/Irlanda/EUA (riscar o que não interessa) hoje causou __ vítimas mortais e feriu outras ___. O atentado já foi reivindicado pelo Hamas/ETA/IRA/Al-Qaeda (riscar o que não interessa) e condenado fortemente pela ONU. O presidente Jorge Sampaio já exprimiu o seu pesar.
2. Mais um caso de abuso sexual de menores. Um rapaz de __ anos foi molestado por um indivíduo de __ anos de idade. A população local está revoltada. O suspeito foi detido e encontra-se em prisão preventiva a aguardar julgamento.
3. Desastre na A_ envolvendo __ automóveis. __ pessoas morreram e __ ficaram feridas, algumas com gravidade, tendo já sido transportadas para o hospital mais próximo. Pensa-se que a causa do acidente terá sido excesso de velocidade/álcool (Riscar o que não interessa). A circulação só ficou normalizada ao fim da tarde.
4. No Desporto, o Porto segue imparável na conquista do seu __º campeonato, indo já com __ vitórias consecutivas. Desta vez os pupilos de José Mourinho derrotaram o seu adversário por __ bolas a 0. O treinador vencido tem fortes queixas da arbitragem.
Preencher os espaços em branco com números confortáveis e a gosto do cozinheiro. Servir todos os dias bem quente e à hora do jantar.
Dá para quatro milhões de pessoas.
Telejornal à Queluz de Baixo
Tiago Videira, DNJovem, 20 de Abril, 2004
Ingredientes:
Uma apresentadora sorridente, mordaz e com boca desmesurada
Um cenário piroso
Staff a gosto
Modo de fazer:
1. Atentado terrorista em Israel/Espanha/Irlanda/EUA (riscar o que não interessa) hoje causou __ vítimas mortais e feriu outras ___. O atentado já foi reivindicado pelo Hamas/ETA/IRA/Al-Qaeda (riscar o que não interessa) e condenado fortemente pela ONU. O presidente Jorge Sampaio já exprimiu o seu pesar.
2. Mais um caso de abuso sexual de menores. Um rapaz de __ anos foi molestado por um indivíduo de __ anos de idade. A população local está revoltada. O suspeito foi detido e encontra-se em prisão preventiva a aguardar julgamento.
3. Desastre na A_ envolvendo __ automóveis. __ pessoas morreram e __ ficaram feridas, algumas com gravidade, tendo já sido transportadas para o hospital mais próximo. Pensa-se que a causa do acidente terá sido excesso de velocidade/álcool (Riscar o que não interessa). A circulação só ficou normalizada ao fim da tarde.
4. No Desporto, o Porto segue imparável na conquista do seu __º campeonato, indo já com __ vitórias consecutivas. Desta vez os pupilos de José Mourinho derrotaram o seu adversário por __ bolas a 0. O treinador vencido tem fortes queixas da arbitragem.
Preencher os espaços em branco com números confortáveis e a gosto do cozinheiro. Servir todos os dias bem quente e à hora do jantar.
Dá para quatro milhões de pessoas.
19.4.04
18.4.04
#1
histórias do despertar
encontro-me perante um emaranhado de ideias, de sonhos e de pensamentos que parecem não se ter ordenado com o sono. levanto-me e deambulo pela casa como se estivesse a passear numa realidade desconhecida. as palavras estão enroladas num novelo sem pontas, o novelo do sentido que as une.
esta foi a sensação de acordar no domingo cinzento que hoje se pôs.
a casa silênciosa, o jornal da manhã com notícias sem novidade, o pequeno almoço e um café justo com açucar mascavado devolvem-me, pouco a pouco, a um sentir mais terra a terra.
debruço-me sobre as últimas páginas da pretensa lucidez de saramago, e eis que, pela página 290, encontro uma passagem que me faz sorrir e andar umas horas para trás, regressando ao despertar:
" Não dormiu bem, sonhou com uma nuvem de palavras que fugiam e se dispersavem enquanto ele as ia perseguindo com uma rede de caçar borboletas e lhes rogava Detenham-se, por favor, não se mexam, esperem aí por mim. Então, de repente, as palavras pararam e juntaram-se, amontoaram-se umas sobre as outras como um enxame de abelhas à espera de uma colmeia onde se deixassem cair, e ele, com uma exclamação de alegria, lançou a rede. (...)"
José Saramago, in Ensaio sobre a lucidez
histórias do despertar
encontro-me perante um emaranhado de ideias, de sonhos e de pensamentos que parecem não se ter ordenado com o sono. levanto-me e deambulo pela casa como se estivesse a passear numa realidade desconhecida. as palavras estão enroladas num novelo sem pontas, o novelo do sentido que as une.
esta foi a sensação de acordar no domingo cinzento que hoje se pôs.
a casa silênciosa, o jornal da manhã com notícias sem novidade, o pequeno almoço e um café justo com açucar mascavado devolvem-me, pouco a pouco, a um sentir mais terra a terra.
debruço-me sobre as últimas páginas da pretensa lucidez de saramago, e eis que, pela página 290, encontro uma passagem que me faz sorrir e andar umas horas para trás, regressando ao despertar:
" Não dormiu bem, sonhou com uma nuvem de palavras que fugiam e se dispersavem enquanto ele as ia perseguindo com uma rede de caçar borboletas e lhes rogava Detenham-se, por favor, não se mexam, esperem aí por mim. Então, de repente, as palavras pararam e juntaram-se, amontoaram-se umas sobre as outras como um enxame de abelhas à espera de uma colmeia onde se deixassem cair, e ele, com uma exclamação de alegria, lançou a rede. (...)"
José Saramago, in Ensaio sobre a lucidez
16.4.04
15.4.04
#1
Belleville Rendez-vous

um filme a não perder de vista, uma pincelada alegre a lembrar uma versão desenhada e colorida de tatti, uma lição imperdivel sobre máfia, avós, psicologia canina e fugas intempestivas.

14.4.04
#3
o metrografismos associa-se ao barnabé nesta campanha
assinem e divulguem!
Petição: Zé Manel para o Iraque
José Manuel Fernandes, director do Público e brilhante sacristão do neoconservadorismo português, criticou hoje a retirada dos civis no Iraque, sob risco de se transmitir «sinais de fraqueza» perante a crescente resistência do povo iraquiano à ocupação imperialista.
A esquerda está atenta e lançou um movimento nacional para enviarmos JMF para o Iraque, servindo como escudo humano. Assinem a petição e divulguem-na. Parodiem o extremismo desta direita e combatam a ocupação. Se formos bem sucedidos, Pacheco Pereira está na calha.
o metrografismos associa-se ao barnabé nesta campanha
assinem e divulguem!
Petição: Zé Manel para o Iraque
José Manuel Fernandes, director do Público e brilhante sacristão do neoconservadorismo português, criticou hoje a retirada dos civis no Iraque, sob risco de se transmitir «sinais de fraqueza» perante a crescente resistência do povo iraquiano à ocupação imperialista.
A esquerda está atenta e lançou um movimento nacional para enviarmos JMF para o Iraque, servindo como escudo humano. Assinem a petição e divulguem-na. Parodiem o extremismo desta direita e combatam a ocupação. Se formos bem sucedidos, Pacheco Pereira está na calha.
13.4.04
#2
se fosse um caracol, estaria, certamente, longe dos horrores da especulação imobiliária.
como a natureza não me fez gastropode - ou seja o meu estomago não serve para a locomoção e o meu ranho só dá para uns miseros pacotes de klinex p+or semana - tenho de me contentar com a sorte de não acabar entre oregãos, malaguetas e bejecas.
a luta continua, a casa é um direito.
ufff.
se fosse um caracol, estaria, certamente, longe dos horrores da especulação imobiliária.
como a natureza não me fez gastropode - ou seja o meu estomago não serve para a locomoção e o meu ranho só dá para uns miseros pacotes de klinex p+or semana - tenho de me contentar com a sorte de não acabar entre oregãos, malaguetas e bejecas.
a luta continua, a casa é um direito.
ufff.
#1
Contra o Terror
Por MAHOMED YIOSSUF MOHAMED ADAMGY *
Público, 12 de Abril de 2004
"Quem matar uma pessoa, sem que esta tenha cometido homicídio ou semeado a corrupção na terra, será considerado como se tivesse morto todo o género humano: e quem a salvar será considerado como se tivesse salvo todo o género humano".
(Alcorão, 5:32).
A AL FURQÁN, na sua qualidade de humilde Voz Portuguesa do Islão, CONDENA veementemente os atentados terroristas de 11 de Março, em Madrid, como condena os assassinatos e os massacres de inocentes na Palestina, no Iraque, no Afeganistão, no Burundi, na Thetchénia, etc., considerando-os actos de guerra contra humanidade. O terror e a guerra alimentam-se um do outro.
É lamentável termos que assistir a humanidade deixando valores divinos de lado para poder reunir mais poder ou riquezas em troca de vidas inocentes, invasões arbitrárias de países, humilhação de povos, colocação de ditaduras com o rótulo de democracias, etc.
Mesmo supondo que os autores sejam professos da Religião Islâmica, isso não pode e não deve significar que a culpa seja de todos os adeptos do Islão, assim como não podemos culpar todos os cristãos pelas Cruzadas que massacraram centenas de milhares de inocentes muçulmanos, judeus, inclusive próprios cristãos, nem condenar todos os judeus pelos massacres que todos os dias são praticados pelo Governo de Ariel Sharon contra os palestinianos.
Um ano depois do início da guerra contra o Iraque, a promessa de uma melhoria dos direitos humanos para os iraquianos está longe de se cumprir, conforme revelou a Amnistia Internacional nesta quinta-feira, num relatório que denuncia as "flagrantes violações" dos direitos humanos, e constatando que mais de 10.000 civis iraquianos morreram desde o início da guerra anglo-americana no Iraque, sobretudo devido a um uso excessivo da força por parte das tropas americanas ou em circunstâncias duvidosas"
Hoje sabe-se que os factos que serviram de justificação para a guerra, invasão e ocupação do Iraque junto da opinião pública internacional foram exagerados, ou mesmo inventados. E ao invés do que prometeram os senhores da guerra o Médio Oriente (e mesmo o mundo) não é hoje um lugar mais seguro. Com a agravante de ter não só aumentando a espiral da violência como, também, ter proporcionado a construção do Muro da Maior Vergonha de Israel.
Actualmente, a Europa está preocupada com as organizações que usam o terror sob a aparência do Islão, e esta preocupação não está mal colocada. É óbvio que aqueles que levam a cabo o terror e os seus apoiantes devem ser punidos de acordo com o critério judicial internacional, que tenha um peso e uma medida. Contudo, um ponto mais importante a considerar são as estratégias correctas que têm que ser prosseguidas, para encontrar soluções viáveis para estes problemas, no sentido de, finalmente, alcançar a tão almejada paz no mundo.
A Europa assumirá, seguramente, medidas mais dissuasivas para responder ao terror e tem o direito de o fazer. Contudo, tem que ficar explicitamente estabelecido que esta não é uma guerra contra o Islão e contra os Muçulmanos mas, pelo contrário, uma medida que serve os melhores interesses de Paz e do Islão. O "Confronto das Civilizações", como muito bem afirmou há dias o Sr. Presidente da República Portuguesa, deve, a todo o custo, ser evitado. Deve ser proporcionada ajuda para a expansão do "Verdadeiro Islão" - o qual é uma religião de amor, amizade, paz e fraternidade - e para a sua verdadeira compreensão pelas sociedades Islâmicas.
A solução para as facções radicais nos países Islâmicos não deve ser a "secularização forçada". Pelo contrário, uma tal política incitaria mais a reacções das massas e alimentaria o radicalismo. A solução é a disseminação do verdadeiro Islão e de um papel modelo de um Muçulmano que abraça os valores humanitários do Alcorão, tais como direitos humanos, democracia, liberdade, bons princípios morais, ciência e estética, e que oferece felicidade e glória à humanidade.
A fonte do terrorismo é a ignorância e o fanatismo, sendo que a solução é a educação. Aos círculos que simpatizam com o terror, deve ser dito que o terror está completamente contra o Islão, que o terror apenas prejudica o Islão, os Muçulmanos e a Humanidade de uma forma geral. Além disso, a estas pessoas deve ser proporcionada educação de modo a serem purificadas desta barbaridade. O apoio da Europa para uma tal política educativa produziria resultados muito positivos.
* Director da Revista Islâmica Portuguesa Al Furqán
Contra o Terror
Por MAHOMED YIOSSUF MOHAMED ADAMGY *
Público, 12 de Abril de 2004
"Quem matar uma pessoa, sem que esta tenha cometido homicídio ou semeado a corrupção na terra, será considerado como se tivesse morto todo o género humano: e quem a salvar será considerado como se tivesse salvo todo o género humano".
(Alcorão, 5:32).
A AL FURQÁN, na sua qualidade de humilde Voz Portuguesa do Islão, CONDENA veementemente os atentados terroristas de 11 de Março, em Madrid, como condena os assassinatos e os massacres de inocentes na Palestina, no Iraque, no Afeganistão, no Burundi, na Thetchénia, etc., considerando-os actos de guerra contra humanidade. O terror e a guerra alimentam-se um do outro.
É lamentável termos que assistir a humanidade deixando valores divinos de lado para poder reunir mais poder ou riquezas em troca de vidas inocentes, invasões arbitrárias de países, humilhação de povos, colocação de ditaduras com o rótulo de democracias, etc.
Mesmo supondo que os autores sejam professos da Religião Islâmica, isso não pode e não deve significar que a culpa seja de todos os adeptos do Islão, assim como não podemos culpar todos os cristãos pelas Cruzadas que massacraram centenas de milhares de inocentes muçulmanos, judeus, inclusive próprios cristãos, nem condenar todos os judeus pelos massacres que todos os dias são praticados pelo Governo de Ariel Sharon contra os palestinianos.
Um ano depois do início da guerra contra o Iraque, a promessa de uma melhoria dos direitos humanos para os iraquianos está longe de se cumprir, conforme revelou a Amnistia Internacional nesta quinta-feira, num relatório que denuncia as "flagrantes violações" dos direitos humanos, e constatando que mais de 10.000 civis iraquianos morreram desde o início da guerra anglo-americana no Iraque, sobretudo devido a um uso excessivo da força por parte das tropas americanas ou em circunstâncias duvidosas"
Hoje sabe-se que os factos que serviram de justificação para a guerra, invasão e ocupação do Iraque junto da opinião pública internacional foram exagerados, ou mesmo inventados. E ao invés do que prometeram os senhores da guerra o Médio Oriente (e mesmo o mundo) não é hoje um lugar mais seguro. Com a agravante de ter não só aumentando a espiral da violência como, também, ter proporcionado a construção do Muro da Maior Vergonha de Israel.
Actualmente, a Europa está preocupada com as organizações que usam o terror sob a aparência do Islão, e esta preocupação não está mal colocada. É óbvio que aqueles que levam a cabo o terror e os seus apoiantes devem ser punidos de acordo com o critério judicial internacional, que tenha um peso e uma medida. Contudo, um ponto mais importante a considerar são as estratégias correctas que têm que ser prosseguidas, para encontrar soluções viáveis para estes problemas, no sentido de, finalmente, alcançar a tão almejada paz no mundo.
A Europa assumirá, seguramente, medidas mais dissuasivas para responder ao terror e tem o direito de o fazer. Contudo, tem que ficar explicitamente estabelecido que esta não é uma guerra contra o Islão e contra os Muçulmanos mas, pelo contrário, uma medida que serve os melhores interesses de Paz e do Islão. O "Confronto das Civilizações", como muito bem afirmou há dias o Sr. Presidente da República Portuguesa, deve, a todo o custo, ser evitado. Deve ser proporcionada ajuda para a expansão do "Verdadeiro Islão" - o qual é uma religião de amor, amizade, paz e fraternidade - e para a sua verdadeira compreensão pelas sociedades Islâmicas.
A solução para as facções radicais nos países Islâmicos não deve ser a "secularização forçada". Pelo contrário, uma tal política incitaria mais a reacções das massas e alimentaria o radicalismo. A solução é a disseminação do verdadeiro Islão e de um papel modelo de um Muçulmano que abraça os valores humanitários do Alcorão, tais como direitos humanos, democracia, liberdade, bons princípios morais, ciência e estética, e que oferece felicidade e glória à humanidade.
A fonte do terrorismo é a ignorância e o fanatismo, sendo que a solução é a educação. Aos círculos que simpatizam com o terror, deve ser dito que o terror está completamente contra o Islão, que o terror apenas prejudica o Islão, os Muçulmanos e a Humanidade de uma forma geral. Além disso, a estas pessoas deve ser proporcionada educação de modo a serem purificadas desta barbaridade. O apoio da Europa para uma tal política educativa produziria resultados muito positivos.
* Director da Revista Islâmica Portuguesa Al Furqán
12.4.04
#1
quiseste mudar o mundo a ferro e fogo, e agora tens de pedir permissão...
Sara para Giulia, in A Melhor Juventude
Aqui posto de Comando, transmito:
esta é uma observação que se adequa aos/às que caiem na cantiga de que abril é só evolução, e para ser fixada pel@s que acreditam n@ R.
quiseste mudar o mundo a ferro e fogo, e agora tens de pedir permissão...
Sara para Giulia, in A Melhor Juventude
Aqui posto de Comando, transmito:
esta é uma observação que se adequa aos/às que caiem na cantiga de que abril é só evolução, e para ser fixada pel@s que acreditam n@ R.
8.4.04
#3
História
Fiz sempre de casa verso um caminho para longe
uma fuga, um pranto, uma despedida,
construí sempre,
com os dilacerantes materiais uma
dolorosa arte,
uma casa na penumbra,
nos vales esquecidos.
Ninguém me visita,
ninguém sobe a minha colina,
nestes dias de inverno,
neste país do medo onde uma magoada mãe
edificou o ninho nos altos ramos da tempestade.
Ninguém reconhece, nos traços leves de cada ruga,
as aterradoras inscrições de uma vida,
as lâminas doces que atravessaram os
pulsos do sonhador.
José Agostinho Baptista
História
Fiz sempre de casa verso um caminho para longe
uma fuga, um pranto, uma despedida,
construí sempre,
com os dilacerantes materiais uma
dolorosa arte,
uma casa na penumbra,
nos vales esquecidos.
Ninguém me visita,
ninguém sobe a minha colina,
nestes dias de inverno,
neste país do medo onde uma magoada mãe
edificou o ninho nos altos ramos da tempestade.
Ninguém reconhece, nos traços leves de cada ruga,
as aterradoras inscrições de uma vida,
as lâminas doces que atravessaram os
pulsos do sonhador.
José Agostinho Baptista
#1
fui dar uso ao cartão medeia.
pela quarta vez este ano senti o envolvente prazer do escuro do cinema, o silêncio da tela onde correm vidas e onde passam tempos irreais.
quando andava na faculdade era costume baldar-me às aulas à 6ª à tarde para ir às estreias do king. adorava ir lá e ter a sala só para mim, ou então encontrar estranhas personagens que, de uma forma ou de outra, me alimentavam o imaginário com as histórias que contavam ou pareciam contar.
também ia noutros dias da semana, a sala vazia e os filmes vindos de sabe-se lá onde sempre foram optima companhia. muitas vezes nem sabia ao que ia, o que deu direito a grandes surpresas, como por exemplo a vida sonahda dos anjos ou funny games, e a grandes desilusões (se bem que poucas), como o rio.
hoje fui ver a primeira parte de a melhor juventude, de Marco Tulia Giordana.
3 horas non stop, senza fermata, perdido na história de uma itália convulsa dos anos 60 e 70. a trama é ligeira, fácil de acompanhar. as referências são muitas e a fotografias é muito boa. o modo como a luz é filmada traz-me recordações exactas, faz-me divagar.
espero ansiosamente pela segunda parte, conto ve-la ainda esta semana.
fica o apontamento do público.
--XX--XX--XX
É a história de uma família italiana do fim dos anos 60 até aos nossos dias. No centro da história, dois irmãos: Nicola e Matteo. No início, partilham os mesmos sonhos, as mesmas esperanças, leituras, amizades. Até ao dia em que o encontro com uma jovem rapariga com problemas psíquicos ditará o destino de cada um e separará os seus caminhos: Nicola decide estudar psiquiatria e Matteo abandona os estudos e entra na polícia. Para além dos dois irmãos, a família é ainda composta por duas irmãs, Giovanna e Francesca, o pai e a mãe, os amigos, as companheiras, os filhos... Todos eles vão fazer reviver acontecimentos e lugares que tiveram um papel crucial na história de Itália: das cheias de Florença à luta contra a Máfia, dos grandes jogos de futebol contra a Coreia e a Alemanha às canções que marcaram gerações, da cidade de Turin dos anos 70 à Milão dos anos 80, dos movimentos estudantis ao terrorismo, da crise dos anos 90 à tentativa de inovação e construção de um país moderno. As personagens perseguem os seus sonhos atravessando a História: crescem, magoam-se, criam novas ilusões em que apostam todas as suas energias. "La Meglio Gioventù - A Melhor Juventude" - título de uma recolha de poemas de Pasolini mas também uma velha canção dos caçadores dos alpes italianos - é o fresco de uma geração que, apesar de todas as suas contradições, ingenuidade ou até mesmo violência deslocada, se esforçou por tornar o mundo em algo um pouco melhor. (O filme, com duração aproximada de seis horas, é exibido em duas partes.)
fui dar uso ao cartão medeia.
pela quarta vez este ano senti o envolvente prazer do escuro do cinema, o silêncio da tela onde correm vidas e onde passam tempos irreais.
quando andava na faculdade era costume baldar-me às aulas à 6ª à tarde para ir às estreias do king. adorava ir lá e ter a sala só para mim, ou então encontrar estranhas personagens que, de uma forma ou de outra, me alimentavam o imaginário com as histórias que contavam ou pareciam contar.
também ia noutros dias da semana, a sala vazia e os filmes vindos de sabe-se lá onde sempre foram optima companhia. muitas vezes nem sabia ao que ia, o que deu direito a grandes surpresas, como por exemplo a vida sonahda dos anjos ou funny games, e a grandes desilusões (se bem que poucas), como o rio.
hoje fui ver a primeira parte de a melhor juventude, de Marco Tulia Giordana.
3 horas non stop, senza fermata, perdido na história de uma itália convulsa dos anos 60 e 70. a trama é ligeira, fácil de acompanhar. as referências são muitas e a fotografias é muito boa. o modo como a luz é filmada traz-me recordações exactas, faz-me divagar.
espero ansiosamente pela segunda parte, conto ve-la ainda esta semana.
fica o apontamento do público.
--XX--XX--XX
É a história de uma família italiana do fim dos anos 60 até aos nossos dias. No centro da história, dois irmãos: Nicola e Matteo. No início, partilham os mesmos sonhos, as mesmas esperanças, leituras, amizades. Até ao dia em que o encontro com uma jovem rapariga com problemas psíquicos ditará o destino de cada um e separará os seus caminhos: Nicola decide estudar psiquiatria e Matteo abandona os estudos e entra na polícia. Para além dos dois irmãos, a família é ainda composta por duas irmãs, Giovanna e Francesca, o pai e a mãe, os amigos, as companheiras, os filhos... Todos eles vão fazer reviver acontecimentos e lugares que tiveram um papel crucial na história de Itália: das cheias de Florença à luta contra a Máfia, dos grandes jogos de futebol contra a Coreia e a Alemanha às canções que marcaram gerações, da cidade de Turin dos anos 70 à Milão dos anos 80, dos movimentos estudantis ao terrorismo, da crise dos anos 90 à tentativa de inovação e construção de um país moderno. As personagens perseguem os seus sonhos atravessando a História: crescem, magoam-se, criam novas ilusões em que apostam todas as suas energias. "La Meglio Gioventù - A Melhor Juventude" - título de uma recolha de poemas de Pasolini mas também uma velha canção dos caçadores dos alpes italianos - é o fresco de uma geração que, apesar de todas as suas contradições, ingenuidade ou até mesmo violência deslocada, se esforçou por tornar o mundo em algo um pouco melhor. (O filme, com duração aproximada de seis horas, é exibido em duas partes.)
6.4.04
4.4.04
2.4.04
#1
apesar de serem duas da manhã e de estar morto de cansaço (ainda não cheiro a podre), obriguei-me a vir ao blog e postar este esclarecimento:
o post de ontem, que anunciava o fim do blog, foi uma divagação de primeiro de abril.
a quem se mostrou preocupado com o (falso) anuncio da minha blogodesistência, os meus agradecimentos.
vou dormir.
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
apesar de serem duas da manhã e de estar morto de cansaço (ainda não cheiro a podre), obriguei-me a vir ao blog e postar este esclarecimento:
o post de ontem, que anunciava o fim do blog, foi uma divagação de primeiro de abril.
a quem se mostrou preocupado com o (falso) anuncio da minha blogodesistência, os meus agradecimentos.
vou dormir.
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
1.4.04
31.3.04
#1
chegar a casa tarde e a más horas.
sentar-me em frente ao computador com a memória de um jantar italiano ainda presente- dom massimiliano, rua de s. bento, recomendo vivamente-, memória de um passado muito presente.
chá de camomila, que ajuda a concentrar mas não varre o sono.
no leitor de cd's o piano de brad meldhau. na memória uma canção com dez anos ou mais.
escrever ao sabor do desejo. talvez descrever.
chegar a casa tarde e a más horas.
sentar-me em frente ao computador com a memória de um jantar italiano ainda presente- dom massimiliano, rua de s. bento, recomendo vivamente-, memória de um passado muito presente.
chá de camomila, que ajuda a concentrar mas não varre o sono.
no leitor de cd's o piano de brad meldhau. na memória uma canção com dez anos ou mais.
escrever ao sabor do desejo. talvez descrever.
30.3.04
#2
depois de, no principio do mês, ter assistido, estupefacto, à conferencia que duas associações próvida organizaram na assembleia da republica, hoje encontrei, no publico, alguma arguemntação que desmente com credibilidade o que ali foi dito.
nareferida sessão, dois reputados cidadãos estrangeiros (um advogado e uma dita "cientista" vieram tentar convencer os presentes de algo que parecia ser uma enorme fraude.
esta fraude antevia-se não pela associação que faziam, que até poderia ser verdadeira, entre o aborto e cancro, mas pela argumentação fraca e diabolizante que ali se utilizou. os convidados apresentaram estudos que comprovavam claramente a situação e que representavam tudo o que as mulheres precisavam de saber para não abortarem. estudos esses, que foram levados a cabo na austrália nas décadas de 70 e 80 e que, pelo seu baixo nivel cientifico, nunca foram publicados em nenhuma revista cientifica daquele país, só tendo visto a luz do dia numa manhosa revista francesa em 1995.
sobre artigos como o que aqui reproduzo, os senhores em questão dirão ser este mais um complot da industria abortista, que um deles tem vindo, ao bom estilo americano, a processar consecutivamente nos últimos anos.
resta ainda dizer que estes artistas se diziam defensores da lei irlandesa - aquela que proibe todo e qualquer aborto, mesmo em casos de violação e mal formação.
fica então um pouco de luz neste obscurantismo próvida.
Aborto Não Potencia o Cancro da Mama
Por CLARA BARATA
público, 30 de Março de 2004
Abortar não aumenta as possibilidades de vir a sofrer de cancro da mama mais tarde. Os cientistas já não tinham grandes dúvidas em relação a esta afirmação, mas este argumento surgia frequentemente, usado por organizações que se opõem à interrupção voluntária da gravidez - algo que aconteceu ainda este mês em Portugal. Agora, um grupo de cientistas relata na revista médica "The Lancet" que, após analisar 53 estudos que envolveram 83 mil mulheres em 16 países, não encontraram indícios dessa relação.
Foi a primeira vez que se compararam todos os estudos que se debruçaram sobre essa alegada ligação, sugerida na década de 70, e que foi analisada a metodologia usada. Os estudos melhor concebidos, concluiu o grupo liderado por Valerie Beral, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, não detectaram uma relação entre o aborto e o aumento do risco de vir a sofrer de cancro da mama. Mas os estudos mal concebidos - com perguntas que influeciavam a resposta, ou feitos com mulheres que tinham já cancro da mama - encontravam por vezes essa relação.
"Nunca ninguém tinha podido fazer isto. Tivemos acesso aos dados originais e podemos analisá-los com critérios iguais para todos. Podemos dizer de forma definitiva que o aborto, seja espontâneo ou provocado, não aumenta o risco de vir a sofrer de cancro da mama", disse a investigadora da Unidade de Epidemiologia do Centro de Investigação sobre o Cancro de Oxford, citada pela agência Reuters.
"O que a nossa análise mostrou é que há uma série de trabalhos que não são fiáveis. O que se sugere é que pode haver uma ligeiríssima redução no risco de sofrer de cancro da mama para quem fez um aborto", sublinhou Beral, que coordenou os trabalhos da equipa que se identifica como Grupo de Colaboração na Investigação sobre os Factores Hormonais no Cancro da Mama. Entre estes investigadores encontra-se Richard Doll, que na década de 50 relacionou o tabaco com o cancro do pulmão.
Os resultados foram apresentados sob a forma do risco relativo - um método estatístico que compara as possibilidades de vir a sofrer de cancro da mama de mulheres que já fizeram abortos com que as que nunca o fizeram. Se o risco relativo tiver um valor inferior ou igual a 1, isso quer dizer que é nulo, que não existe. E o estudo publicado na última edição da "The Lancet" aponta para um risco relativo de vir a sofrer de cancro da mama de 0,98 para as mulheres que tiveram abortos espontâneos e 0,93 para as que tiveram abortos provocados.
Os estudos considerados de má qualidade eram aqueles que os activistas antiaborto têm citado ao longo dos anos. Perguntavam a mulheres que já sofriam de cancro da mama se já tinham feito um aborto; mas era mais provável que estas mulheres revelassem ter abortado do que mulheres saudáveis, porque procuravam perceber por que é que tinham a doença. Isto enviesava as respostas, disse Beral.
Os estudos mais bem feitos, que não dependiam da memória ou de relatos feitos pelas doentes, depois de lhes ter sido diagnosticado o cancro, acompanhavam um grupo de mulheres ao longo de vários anos, registando acontecimentos relevantes para a sua saúde, como um aborto ou o surgimento de tumores na mama. Ou então foram considerados fiáveis registos oficiais de casos de cancro da mama e de abortos em países como a Suécia.
Revelador foi verificar que consoante o tipo de estudo, os resultados eram bem diferentes.
depois de, no principio do mês, ter assistido, estupefacto, à conferencia que duas associações próvida organizaram na assembleia da republica, hoje encontrei, no publico, alguma arguemntação que desmente com credibilidade o que ali foi dito.
nareferida sessão, dois reputados cidadãos estrangeiros (um advogado e uma dita "cientista" vieram tentar convencer os presentes de algo que parecia ser uma enorme fraude.
esta fraude antevia-se não pela associação que faziam, que até poderia ser verdadeira, entre o aborto e cancro, mas pela argumentação fraca e diabolizante que ali se utilizou. os convidados apresentaram estudos que comprovavam claramente a situação e que representavam tudo o que as mulheres precisavam de saber para não abortarem. estudos esses, que foram levados a cabo na austrália nas décadas de 70 e 80 e que, pelo seu baixo nivel cientifico, nunca foram publicados em nenhuma revista cientifica daquele país, só tendo visto a luz do dia numa manhosa revista francesa em 1995.
sobre artigos como o que aqui reproduzo, os senhores em questão dirão ser este mais um complot da industria abortista, que um deles tem vindo, ao bom estilo americano, a processar consecutivamente nos últimos anos.
resta ainda dizer que estes artistas se diziam defensores da lei irlandesa - aquela que proibe todo e qualquer aborto, mesmo em casos de violação e mal formação.
fica então um pouco de luz neste obscurantismo próvida.
Aborto Não Potencia o Cancro da Mama
Por CLARA BARATA
público, 30 de Março de 2004
Abortar não aumenta as possibilidades de vir a sofrer de cancro da mama mais tarde. Os cientistas já não tinham grandes dúvidas em relação a esta afirmação, mas este argumento surgia frequentemente, usado por organizações que se opõem à interrupção voluntária da gravidez - algo que aconteceu ainda este mês em Portugal. Agora, um grupo de cientistas relata na revista médica "The Lancet" que, após analisar 53 estudos que envolveram 83 mil mulheres em 16 países, não encontraram indícios dessa relação.
Foi a primeira vez que se compararam todos os estudos que se debruçaram sobre essa alegada ligação, sugerida na década de 70, e que foi analisada a metodologia usada. Os estudos melhor concebidos, concluiu o grupo liderado por Valerie Beral, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, não detectaram uma relação entre o aborto e o aumento do risco de vir a sofrer de cancro da mama. Mas os estudos mal concebidos - com perguntas que influeciavam a resposta, ou feitos com mulheres que tinham já cancro da mama - encontravam por vezes essa relação.
"Nunca ninguém tinha podido fazer isto. Tivemos acesso aos dados originais e podemos analisá-los com critérios iguais para todos. Podemos dizer de forma definitiva que o aborto, seja espontâneo ou provocado, não aumenta o risco de vir a sofrer de cancro da mama", disse a investigadora da Unidade de Epidemiologia do Centro de Investigação sobre o Cancro de Oxford, citada pela agência Reuters.
"O que a nossa análise mostrou é que há uma série de trabalhos que não são fiáveis. O que se sugere é que pode haver uma ligeiríssima redução no risco de sofrer de cancro da mama para quem fez um aborto", sublinhou Beral, que coordenou os trabalhos da equipa que se identifica como Grupo de Colaboração na Investigação sobre os Factores Hormonais no Cancro da Mama. Entre estes investigadores encontra-se Richard Doll, que na década de 50 relacionou o tabaco com o cancro do pulmão.
Os resultados foram apresentados sob a forma do risco relativo - um método estatístico que compara as possibilidades de vir a sofrer de cancro da mama de mulheres que já fizeram abortos com que as que nunca o fizeram. Se o risco relativo tiver um valor inferior ou igual a 1, isso quer dizer que é nulo, que não existe. E o estudo publicado na última edição da "The Lancet" aponta para um risco relativo de vir a sofrer de cancro da mama de 0,98 para as mulheres que tiveram abortos espontâneos e 0,93 para as que tiveram abortos provocados.
Os estudos considerados de má qualidade eram aqueles que os activistas antiaborto têm citado ao longo dos anos. Perguntavam a mulheres que já sofriam de cancro da mama se já tinham feito um aborto; mas era mais provável que estas mulheres revelassem ter abortado do que mulheres saudáveis, porque procuravam perceber por que é que tinham a doença. Isto enviesava as respostas, disse Beral.
Os estudos mais bem feitos, que não dependiam da memória ou de relatos feitos pelas doentes, depois de lhes ter sido diagnosticado o cancro, acompanhavam um grupo de mulheres ao longo de vários anos, registando acontecimentos relevantes para a sua saúde, como um aborto ou o surgimento de tumores na mama. Ou então foram considerados fiáveis registos oficiais de casos de cancro da mama e de abortos em países como a Suécia.
Revelador foi verificar que consoante o tipo de estudo, os resultados eram bem diferentes.
#1
já não nos bastava o cherne e agora, na ausencia deste, a chefe do governo é a manuelinha ferreira leita...
mas o mais grave é que, se nos falhar o bacalhau seco das finanças, o nosso governo-oceanário passa a ser chefiado por paulo portas, esse ministro chaputa.
na chefia do estado encontra-se, momentaneamente, mota amaral... qeu o espírito santo não se constipe!
já não nos bastava o cherne e agora, na ausencia deste, a chefe do governo é a manuelinha ferreira leita...
mas o mais grave é que, se nos falhar o bacalhau seco das finanças, o nosso governo-oceanário passa a ser chefiado por paulo portas, esse ministro chaputa.
na chefia do estado encontra-se, momentaneamente, mota amaral... qeu o espírito santo não se constipe!
29.3.04
#1
porque a cantiga ainda é uma arma, estas são histórias que têm de chegar a quem, como eu, nunca as viveu.
I Encontro da Canção Portuguesa - O Coliseu Encheu e Fez de "Grândola" Um Hino
Por POR MARIA GUIOMAR BELO MARQUES
Público, 29 de Março de 2004
Quem lá esteve recorda essa noite como um momento único. Nunca, até então, fora tão clara e publicamente anunciada a agonia do regime. O recurso passou por uma afinação de mais de cinco mil vozes entoadas bem alto e sem medo. Naquele dia, 29 de Março de 1974, tornou-se ainda mais clara a força da urgência de liberdade, a dimensão de uma resistência mais forte do que o medo e a cada vez menor capacidade do regime para impedir o inevitável curso da História. As muitas carrinhas da polícia de choque, que se alinharam entre a Rua Eugénio dos Santos e a Avenida da Liberdade, os muitos pides refastelados na sala, a par dos destacados para os bastidores, não foram suficientes para impedir o inevitável. O cronómetro contou a seu desfavor. E eles sabiam-no, apesar de tudo, com ainda maior rigor do que aqueles milhares que nem quiseram pensar no medo. A PIDE sabia mais e sabia melhor do que ninguém. Muito para além, seguramente, daquelas cordas vocais síncronas do Coliseu, daquele coro que estava determinado em não ser o dos caídos.
Passavam alguns minutos da uma da manhã, quando Zeca Afonso, ladeado por todos os intervenientes do concerto, entoou, pela segunda vez nessa noite, o "Grândola Vila Morena", naquele que seria o momento mais empolgante e simbólico da resistência cantada ao regime. Livres como o vento, os pensamentos, e o poema, uniram-se a uma só voz, como um pré-aviso de que a liberdade estava a passar por aqui. E, também, que não iria ficar-se por ali.
Marcado para as 21H30, não pertenceu a uma má organização, nem a um fatídico atraso português, a responsabilidade por apenas mais de meia hora depois, o espectáculo ter começado. Ao mesmo tempo que, à porta do Coliseu, centenas de pessoas sem bilhete tentavam um ingresso (o mercado negro funcionou deficientemente, mas houve quem, mesmo assim, tivesse conseguido por cinquenta escudos bilhetes de vinte) e, sem sucesso, ali se mantiveram, na esperança de um eco vindo do interior, lá dentro, onde a sala cantava, pacientemente, desconfiada, sem certezas, temas do proscrito Zeca. Talvez nada chegasse a acontecer. Nos bastidores, fervilhantes e empolgados, para os protagonistas as decisões estavam por tomar. Caetano de Carvalho, à data sub-secretário de Estado da Informação e Turismo, confrontava-se com a dificuldade em permitir a actuação de alguns dos artistas, censurando letras soletradas quase como suspiros verso a verso, ou parte destas, ao mesmo tempo que percepcionava uma sala expectante e cuja reacção era imprevisível. Simultaneamente, os organizadores discutiam a solução a dar aos versos cortados e aos temas desde logo proibidos.
Uma inevitabilidade
Negociadas inteligentemente, as soluções foram sendo encontradas. A ninguém interessava o confronto inevitável entre uma assistência determinada em fazer daquela uma grande noite e uma pide receosa, consciente de servir um regime com os dias contados. Quem ia para cantar cantou e quem ia para sublinhar refrões e desaguar poemas calados também o fez.
Tradicionalmente, os Prémios da Casa da Imprensa, atribuídos às diferentes expressões artísticas nacionais e aos seus pares, eram entregues durante um espectáculo que nunca perturbou o regime: A Grande Noite do Fado. Mas, em 1971, num acto de rebeldia então insipiente, ousou uma solução alternativa, e, recorrendo a um elenco mais abrangente e consensual, organizou aquilo a que então chamou "Música Nova", reunindo no Coliseu um conjunto de artistas oriundos de diversas sensibilidades musicais, mas, entre os quais, já então, a chamada música de intervenção pontuava. Três anos depois, foi mais audaz. Sopravam ventos de mudança auspiciosos ao ensejo.
Habituados às entrelinhas, ou seja, a semi-dizer a verdade como fuga à censura, os jornalistas, aos quais hoje se chama no melhor inglês "opinion makers", sabiam o que acontecia e o quanto não podiam contar, o que lhes era cortado pela Censura Prévia, e a melhor técnica para, de forma ínvia, o dizerem. Não é de estranhar, portanto, que formassem uma consciência esclarecida relativamente à realidade que não era dita e muito menos explicada. A Casa da Imprensa, uma Mútua na sua génese, estava, assim, particularmente bem colocada para poder ter intervenções culturais.
O I Encontro da Canção Portuguesa, como a direcção decidiu designar o espectáculo que há 30 anos ajudou a tornar ainda mais fracos os já de si frágeis alicerces do regime, foi um acto de consciência corajosa. José Jorge Letria, organizador e interveniente, na sua qualidade de jornalista "baladeiro", como risonhamente recorda o termo ambíguo que Raúl Solnado glosou no "ZipZip" (o programa televisivo que deu tempo de antena à canção de intervenção, embrulhada num formato sui generis destinado a contornar o status quo do marcelismo) recorda a complexidade que então se vivia, referindo: "Havia uma conjuntura muito complexa, porque já se tinha dado o 16 de Março, tinha saído o livro do Spínola 'Portugal e o Futuro' e a guerra colonial era insustentável. Tivemos dúvidas se deveríamos avançar com este projecto, mas a CI acabou por decidir que sim". Destemida e, até, "com alguma inconsciência relativamente às consequências possíveis", pondera hoje Letria, a CI decidiu avançar.
As autorizações, pedidas com a antecedência regulamentar, foram sendo dadas a conta-gotas. A lista dos intervenientes, facultada com o pedido de autorização para a realização do espectáculo, justificado com a entrega dos prémios, e a garantia de que nenhum deles interpretaria qualquer canção cuja letra não fosse previamente autorizada, originou respostas diversas. Os nomes de Zeca Afonso, integralmente proibido de passar na rádio, e de Adriano Correia de Oliveira originaram um pedido expresso a Caetano de Carvalho, com as garantias inerentes de que não profeririam a mais ténue palavra sem autorização. Os nomes de Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo, Rui Mingas e Teresa Paula Brito, mereceram ofício de autorização, embora o primeiro, tal como os dois últimos (Rui Mingas terá tido justificações claras sobre a sua ausência, tal como Duarte Mendes, militar de carreira) não tenham participado.
Sem incidentes
O concerto decorreu no fio do nervo. A assistência, que sabia ao que ia, correspondeu e entendeu as palavras de Mário Cardoso, então presidente da CI, quando explicou: "Para poder apresentar, esta noite, o espectáculo que se vai seguir, a CI teve de vencer obstáculos de diversa ordem, como não é difícil de calcular". Acrescentando, no fim da sua brevíssima intervenção, o pedido de colaboração: "Para que o espectáculo decorra, todo ele, da melhor forma possível. Essa será, estamos certos, a maneira de todos nós garantirmos a possibilidade de nos encontrarmos aqui, novamente, no próximo ano. Contamos, pois, com a vossa compreensão". O presidente da CI fazia, entre linhas, o pedido para que nada manchasse o sopro de liberdade que uma assistência ao rubro, mas infiltrada de provocadores, desejava ansiosamente.
O conjunto Marcos Resende, sem pejo nem fantasmas, aceitou enfrentar uma plateia sequiosa de Zeca Afonso. Injustamente mal recebido, aceitou estoicamente o facto, porque as suas letras não tinham sido sujeitas ao crivo monossilábico da pide. Carlos Alberto Moniz e Maria Amparo seguiram-se-lhe com a verdade das palavras de Zeca, mal entendidas. Manuel José Soares, pouco conhecido cantor de intervenção, ultrapassou com naturalidade a ausência do apresentador desistente José Nuno Martins, e à pergunta do público complacente "como te chamas?", respondeu com naturalidade à chamada.
Depois, sucedeu-lhe o silêncio. A plateia já tinha percebido, nessa altura, que algo se passava. Nos bastidores, continuavam a negociar-se trovas, poemas e cansaços com os sempre omnipotentes e omnipresentes pides. Os assobios e as palmas sincopadas eram-lhes destinadas. Surgiu, então, Carlos Paredes e Fernando Alvim com "Verdes Anos", um dos momentos mais aclamados da noite. A música, mesmo sem palavras, também diz coisas. Mas os censores sempre primaram por temer apenas os textos. E enquanto continuavam zelosamente a impedir letras nos bastidores, Joaquim Furtado, um bem aventurado e destemido substituto de José Nuno Martins, nomeou os premiados (uns ausentes, outros, mais corajosos, presentes), entre os quais dois se destacaram: a produção do álbum "Sobreviventes", de Sérgio Godinho, um exilado cujas músicas conseguiram entrar no mercado discográfico nacional, e Adelino Gomes, cujo trabalho no programa da Rádio Renascença, "Página Um", lhe valeu um desemprego claramente político.
Depois vieram Ary dos Santos, conotado como o letrista dos Festivais da Canção, inicialmente vaiado e pateado, mas cuja pujança poética, declamatória e pessoal, se impuseram, e mais cinco. Mais cinco mil. A Zeca, cantor proibido e odiado pelo regime, permitiram-lhe o "Grândola". Segundo Manuel Freire, ao qual os versos "voaram pela janela" (como explicou na altura) e optou por um lá, lá, lá, preenchido pela assistência, "ele queria cantar uma música com refrão e cantou o "Grândola", que era um tema pelo qual até tinha pouco apreço, mas que reunia as condições". E depois o "Milho Verde". E novamente o "Grândola", num balancear alentejanamente resistente, com todo o Coliseu a acompanhar.
Não houve represálias, ao contrário daquilo que, segundo Letria, seria de esperar. Talvez a explicação esteja nas palavras de Eugénio Alves, jornalista envolvido na organização: "Foi tudo preparado como era possível, com notícias regulares. Já tudo andava no ar, tinha havido o 16 de Março e até Marcello Caetano parecia despedir-se no seu 'Conversas em Família'. Os militares estavam na plateia e depois de pensarem usar o 'Venham Mais Cinco' como senha, optaram pelo 'Grândola'. Este espectáculo serviu para isso e, talvez igualmente importante, serviu, como diria o Zeca, para animar a malta. Que era o que fazia falta."
porque a cantiga ainda é uma arma, estas são histórias que têm de chegar a quem, como eu, nunca as viveu.
I Encontro da Canção Portuguesa - O Coliseu Encheu e Fez de "Grândola" Um Hino
Por POR MARIA GUIOMAR BELO MARQUES
Público, 29 de Março de 2004
Quem lá esteve recorda essa noite como um momento único. Nunca, até então, fora tão clara e publicamente anunciada a agonia do regime. O recurso passou por uma afinação de mais de cinco mil vozes entoadas bem alto e sem medo. Naquele dia, 29 de Março de 1974, tornou-se ainda mais clara a força da urgência de liberdade, a dimensão de uma resistência mais forte do que o medo e a cada vez menor capacidade do regime para impedir o inevitável curso da História. As muitas carrinhas da polícia de choque, que se alinharam entre a Rua Eugénio dos Santos e a Avenida da Liberdade, os muitos pides refastelados na sala, a par dos destacados para os bastidores, não foram suficientes para impedir o inevitável. O cronómetro contou a seu desfavor. E eles sabiam-no, apesar de tudo, com ainda maior rigor do que aqueles milhares que nem quiseram pensar no medo. A PIDE sabia mais e sabia melhor do que ninguém. Muito para além, seguramente, daquelas cordas vocais síncronas do Coliseu, daquele coro que estava determinado em não ser o dos caídos.
Passavam alguns minutos da uma da manhã, quando Zeca Afonso, ladeado por todos os intervenientes do concerto, entoou, pela segunda vez nessa noite, o "Grândola Vila Morena", naquele que seria o momento mais empolgante e simbólico da resistência cantada ao regime. Livres como o vento, os pensamentos, e o poema, uniram-se a uma só voz, como um pré-aviso de que a liberdade estava a passar por aqui. E, também, que não iria ficar-se por ali.
Marcado para as 21H30, não pertenceu a uma má organização, nem a um fatídico atraso português, a responsabilidade por apenas mais de meia hora depois, o espectáculo ter começado. Ao mesmo tempo que, à porta do Coliseu, centenas de pessoas sem bilhete tentavam um ingresso (o mercado negro funcionou deficientemente, mas houve quem, mesmo assim, tivesse conseguido por cinquenta escudos bilhetes de vinte) e, sem sucesso, ali se mantiveram, na esperança de um eco vindo do interior, lá dentro, onde a sala cantava, pacientemente, desconfiada, sem certezas, temas do proscrito Zeca. Talvez nada chegasse a acontecer. Nos bastidores, fervilhantes e empolgados, para os protagonistas as decisões estavam por tomar. Caetano de Carvalho, à data sub-secretário de Estado da Informação e Turismo, confrontava-se com a dificuldade em permitir a actuação de alguns dos artistas, censurando letras soletradas quase como suspiros verso a verso, ou parte destas, ao mesmo tempo que percepcionava uma sala expectante e cuja reacção era imprevisível. Simultaneamente, os organizadores discutiam a solução a dar aos versos cortados e aos temas desde logo proibidos.
Uma inevitabilidade
Negociadas inteligentemente, as soluções foram sendo encontradas. A ninguém interessava o confronto inevitável entre uma assistência determinada em fazer daquela uma grande noite e uma pide receosa, consciente de servir um regime com os dias contados. Quem ia para cantar cantou e quem ia para sublinhar refrões e desaguar poemas calados também o fez.
Tradicionalmente, os Prémios da Casa da Imprensa, atribuídos às diferentes expressões artísticas nacionais e aos seus pares, eram entregues durante um espectáculo que nunca perturbou o regime: A Grande Noite do Fado. Mas, em 1971, num acto de rebeldia então insipiente, ousou uma solução alternativa, e, recorrendo a um elenco mais abrangente e consensual, organizou aquilo a que então chamou "Música Nova", reunindo no Coliseu um conjunto de artistas oriundos de diversas sensibilidades musicais, mas, entre os quais, já então, a chamada música de intervenção pontuava. Três anos depois, foi mais audaz. Sopravam ventos de mudança auspiciosos ao ensejo.
Habituados às entrelinhas, ou seja, a semi-dizer a verdade como fuga à censura, os jornalistas, aos quais hoje se chama no melhor inglês "opinion makers", sabiam o que acontecia e o quanto não podiam contar, o que lhes era cortado pela Censura Prévia, e a melhor técnica para, de forma ínvia, o dizerem. Não é de estranhar, portanto, que formassem uma consciência esclarecida relativamente à realidade que não era dita e muito menos explicada. A Casa da Imprensa, uma Mútua na sua génese, estava, assim, particularmente bem colocada para poder ter intervenções culturais.
O I Encontro da Canção Portuguesa, como a direcção decidiu designar o espectáculo que há 30 anos ajudou a tornar ainda mais fracos os já de si frágeis alicerces do regime, foi um acto de consciência corajosa. José Jorge Letria, organizador e interveniente, na sua qualidade de jornalista "baladeiro", como risonhamente recorda o termo ambíguo que Raúl Solnado glosou no "ZipZip" (o programa televisivo que deu tempo de antena à canção de intervenção, embrulhada num formato sui generis destinado a contornar o status quo do marcelismo) recorda a complexidade que então se vivia, referindo: "Havia uma conjuntura muito complexa, porque já se tinha dado o 16 de Março, tinha saído o livro do Spínola 'Portugal e o Futuro' e a guerra colonial era insustentável. Tivemos dúvidas se deveríamos avançar com este projecto, mas a CI acabou por decidir que sim". Destemida e, até, "com alguma inconsciência relativamente às consequências possíveis", pondera hoje Letria, a CI decidiu avançar.
As autorizações, pedidas com a antecedência regulamentar, foram sendo dadas a conta-gotas. A lista dos intervenientes, facultada com o pedido de autorização para a realização do espectáculo, justificado com a entrega dos prémios, e a garantia de que nenhum deles interpretaria qualquer canção cuja letra não fosse previamente autorizada, originou respostas diversas. Os nomes de Zeca Afonso, integralmente proibido de passar na rádio, e de Adriano Correia de Oliveira originaram um pedido expresso a Caetano de Carvalho, com as garantias inerentes de que não profeririam a mais ténue palavra sem autorização. Os nomes de Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo, Rui Mingas e Teresa Paula Brito, mereceram ofício de autorização, embora o primeiro, tal como os dois últimos (Rui Mingas terá tido justificações claras sobre a sua ausência, tal como Duarte Mendes, militar de carreira) não tenham participado.
Sem incidentes
O concerto decorreu no fio do nervo. A assistência, que sabia ao que ia, correspondeu e entendeu as palavras de Mário Cardoso, então presidente da CI, quando explicou: "Para poder apresentar, esta noite, o espectáculo que se vai seguir, a CI teve de vencer obstáculos de diversa ordem, como não é difícil de calcular". Acrescentando, no fim da sua brevíssima intervenção, o pedido de colaboração: "Para que o espectáculo decorra, todo ele, da melhor forma possível. Essa será, estamos certos, a maneira de todos nós garantirmos a possibilidade de nos encontrarmos aqui, novamente, no próximo ano. Contamos, pois, com a vossa compreensão". O presidente da CI fazia, entre linhas, o pedido para que nada manchasse o sopro de liberdade que uma assistência ao rubro, mas infiltrada de provocadores, desejava ansiosamente.
O conjunto Marcos Resende, sem pejo nem fantasmas, aceitou enfrentar uma plateia sequiosa de Zeca Afonso. Injustamente mal recebido, aceitou estoicamente o facto, porque as suas letras não tinham sido sujeitas ao crivo monossilábico da pide. Carlos Alberto Moniz e Maria Amparo seguiram-se-lhe com a verdade das palavras de Zeca, mal entendidas. Manuel José Soares, pouco conhecido cantor de intervenção, ultrapassou com naturalidade a ausência do apresentador desistente José Nuno Martins, e à pergunta do público complacente "como te chamas?", respondeu com naturalidade à chamada.
Depois, sucedeu-lhe o silêncio. A plateia já tinha percebido, nessa altura, que algo se passava. Nos bastidores, continuavam a negociar-se trovas, poemas e cansaços com os sempre omnipotentes e omnipresentes pides. Os assobios e as palmas sincopadas eram-lhes destinadas. Surgiu, então, Carlos Paredes e Fernando Alvim com "Verdes Anos", um dos momentos mais aclamados da noite. A música, mesmo sem palavras, também diz coisas. Mas os censores sempre primaram por temer apenas os textos. E enquanto continuavam zelosamente a impedir letras nos bastidores, Joaquim Furtado, um bem aventurado e destemido substituto de José Nuno Martins, nomeou os premiados (uns ausentes, outros, mais corajosos, presentes), entre os quais dois se destacaram: a produção do álbum "Sobreviventes", de Sérgio Godinho, um exilado cujas músicas conseguiram entrar no mercado discográfico nacional, e Adelino Gomes, cujo trabalho no programa da Rádio Renascença, "Página Um", lhe valeu um desemprego claramente político.
Depois vieram Ary dos Santos, conotado como o letrista dos Festivais da Canção, inicialmente vaiado e pateado, mas cuja pujança poética, declamatória e pessoal, se impuseram, e mais cinco. Mais cinco mil. A Zeca, cantor proibido e odiado pelo regime, permitiram-lhe o "Grândola". Segundo Manuel Freire, ao qual os versos "voaram pela janela" (como explicou na altura) e optou por um lá, lá, lá, preenchido pela assistência, "ele queria cantar uma música com refrão e cantou o "Grândola", que era um tema pelo qual até tinha pouco apreço, mas que reunia as condições". E depois o "Milho Verde". E novamente o "Grândola", num balancear alentejanamente resistente, com todo o Coliseu a acompanhar.
Não houve represálias, ao contrário daquilo que, segundo Letria, seria de esperar. Talvez a explicação esteja nas palavras de Eugénio Alves, jornalista envolvido na organização: "Foi tudo preparado como era possível, com notícias regulares. Já tudo andava no ar, tinha havido o 16 de Março e até Marcello Caetano parecia despedir-se no seu 'Conversas em Família'. Os militares estavam na plateia e depois de pensarem usar o 'Venham Mais Cinco' como senha, optaram pelo 'Grândola'. Este espectáculo serviu para isso e, talvez igualmente importante, serviu, como diria o Zeca, para animar a malta. Que era o que fazia falta."
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