#1
chegar a casa tarde e a más horas.
sentar-me em frente ao computador com a memória de um jantar italiano ainda presente- dom massimiliano, rua de s. bento, recomendo vivamente-, memória de um passado muito presente.
chá de camomila, que ajuda a concentrar mas não varre o sono.
no leitor de cd's o piano de brad meldhau. na memória uma canção com dez anos ou mais.
escrever ao sabor do desejo. talvez descrever.
31.3.04
30.3.04
#2
depois de, no principio do mês, ter assistido, estupefacto, à conferencia que duas associações próvida organizaram na assembleia da republica, hoje encontrei, no publico, alguma arguemntação que desmente com credibilidade o que ali foi dito.
nareferida sessão, dois reputados cidadãos estrangeiros (um advogado e uma dita "cientista" vieram tentar convencer os presentes de algo que parecia ser uma enorme fraude.
esta fraude antevia-se não pela associação que faziam, que até poderia ser verdadeira, entre o aborto e cancro, mas pela argumentação fraca e diabolizante que ali se utilizou. os convidados apresentaram estudos que comprovavam claramente a situação e que representavam tudo o que as mulheres precisavam de saber para não abortarem. estudos esses, que foram levados a cabo na austrália nas décadas de 70 e 80 e que, pelo seu baixo nivel cientifico, nunca foram publicados em nenhuma revista cientifica daquele país, só tendo visto a luz do dia numa manhosa revista francesa em 1995.
sobre artigos como o que aqui reproduzo, os senhores em questão dirão ser este mais um complot da industria abortista, que um deles tem vindo, ao bom estilo americano, a processar consecutivamente nos últimos anos.
resta ainda dizer que estes artistas se diziam defensores da lei irlandesa - aquela que proibe todo e qualquer aborto, mesmo em casos de violação e mal formação.
fica então um pouco de luz neste obscurantismo próvida.
Aborto Não Potencia o Cancro da Mama
Por CLARA BARATA
público, 30 de Março de 2004
Abortar não aumenta as possibilidades de vir a sofrer de cancro da mama mais tarde. Os cientistas já não tinham grandes dúvidas em relação a esta afirmação, mas este argumento surgia frequentemente, usado por organizações que se opõem à interrupção voluntária da gravidez - algo que aconteceu ainda este mês em Portugal. Agora, um grupo de cientistas relata na revista médica "The Lancet" que, após analisar 53 estudos que envolveram 83 mil mulheres em 16 países, não encontraram indícios dessa relação.
Foi a primeira vez que se compararam todos os estudos que se debruçaram sobre essa alegada ligação, sugerida na década de 70, e que foi analisada a metodologia usada. Os estudos melhor concebidos, concluiu o grupo liderado por Valerie Beral, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, não detectaram uma relação entre o aborto e o aumento do risco de vir a sofrer de cancro da mama. Mas os estudos mal concebidos - com perguntas que influeciavam a resposta, ou feitos com mulheres que tinham já cancro da mama - encontravam por vezes essa relação.
"Nunca ninguém tinha podido fazer isto. Tivemos acesso aos dados originais e podemos analisá-los com critérios iguais para todos. Podemos dizer de forma definitiva que o aborto, seja espontâneo ou provocado, não aumenta o risco de vir a sofrer de cancro da mama", disse a investigadora da Unidade de Epidemiologia do Centro de Investigação sobre o Cancro de Oxford, citada pela agência Reuters.
"O que a nossa análise mostrou é que há uma série de trabalhos que não são fiáveis. O que se sugere é que pode haver uma ligeiríssima redução no risco de sofrer de cancro da mama para quem fez um aborto", sublinhou Beral, que coordenou os trabalhos da equipa que se identifica como Grupo de Colaboração na Investigação sobre os Factores Hormonais no Cancro da Mama. Entre estes investigadores encontra-se Richard Doll, que na década de 50 relacionou o tabaco com o cancro do pulmão.
Os resultados foram apresentados sob a forma do risco relativo - um método estatístico que compara as possibilidades de vir a sofrer de cancro da mama de mulheres que já fizeram abortos com que as que nunca o fizeram. Se o risco relativo tiver um valor inferior ou igual a 1, isso quer dizer que é nulo, que não existe. E o estudo publicado na última edição da "The Lancet" aponta para um risco relativo de vir a sofrer de cancro da mama de 0,98 para as mulheres que tiveram abortos espontâneos e 0,93 para as que tiveram abortos provocados.
Os estudos considerados de má qualidade eram aqueles que os activistas antiaborto têm citado ao longo dos anos. Perguntavam a mulheres que já sofriam de cancro da mama se já tinham feito um aborto; mas era mais provável que estas mulheres revelassem ter abortado do que mulheres saudáveis, porque procuravam perceber por que é que tinham a doença. Isto enviesava as respostas, disse Beral.
Os estudos mais bem feitos, que não dependiam da memória ou de relatos feitos pelas doentes, depois de lhes ter sido diagnosticado o cancro, acompanhavam um grupo de mulheres ao longo de vários anos, registando acontecimentos relevantes para a sua saúde, como um aborto ou o surgimento de tumores na mama. Ou então foram considerados fiáveis registos oficiais de casos de cancro da mama e de abortos em países como a Suécia.
Revelador foi verificar que consoante o tipo de estudo, os resultados eram bem diferentes.
depois de, no principio do mês, ter assistido, estupefacto, à conferencia que duas associações próvida organizaram na assembleia da republica, hoje encontrei, no publico, alguma arguemntação que desmente com credibilidade o que ali foi dito.
nareferida sessão, dois reputados cidadãos estrangeiros (um advogado e uma dita "cientista" vieram tentar convencer os presentes de algo que parecia ser uma enorme fraude.
esta fraude antevia-se não pela associação que faziam, que até poderia ser verdadeira, entre o aborto e cancro, mas pela argumentação fraca e diabolizante que ali se utilizou. os convidados apresentaram estudos que comprovavam claramente a situação e que representavam tudo o que as mulheres precisavam de saber para não abortarem. estudos esses, que foram levados a cabo na austrália nas décadas de 70 e 80 e que, pelo seu baixo nivel cientifico, nunca foram publicados em nenhuma revista cientifica daquele país, só tendo visto a luz do dia numa manhosa revista francesa em 1995.
sobre artigos como o que aqui reproduzo, os senhores em questão dirão ser este mais um complot da industria abortista, que um deles tem vindo, ao bom estilo americano, a processar consecutivamente nos últimos anos.
resta ainda dizer que estes artistas se diziam defensores da lei irlandesa - aquela que proibe todo e qualquer aborto, mesmo em casos de violação e mal formação.
fica então um pouco de luz neste obscurantismo próvida.
Aborto Não Potencia o Cancro da Mama
Por CLARA BARATA
público, 30 de Março de 2004
Abortar não aumenta as possibilidades de vir a sofrer de cancro da mama mais tarde. Os cientistas já não tinham grandes dúvidas em relação a esta afirmação, mas este argumento surgia frequentemente, usado por organizações que se opõem à interrupção voluntária da gravidez - algo que aconteceu ainda este mês em Portugal. Agora, um grupo de cientistas relata na revista médica "The Lancet" que, após analisar 53 estudos que envolveram 83 mil mulheres em 16 países, não encontraram indícios dessa relação.
Foi a primeira vez que se compararam todos os estudos que se debruçaram sobre essa alegada ligação, sugerida na década de 70, e que foi analisada a metodologia usada. Os estudos melhor concebidos, concluiu o grupo liderado por Valerie Beral, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, não detectaram uma relação entre o aborto e o aumento do risco de vir a sofrer de cancro da mama. Mas os estudos mal concebidos - com perguntas que influeciavam a resposta, ou feitos com mulheres que tinham já cancro da mama - encontravam por vezes essa relação.
"Nunca ninguém tinha podido fazer isto. Tivemos acesso aos dados originais e podemos analisá-los com critérios iguais para todos. Podemos dizer de forma definitiva que o aborto, seja espontâneo ou provocado, não aumenta o risco de vir a sofrer de cancro da mama", disse a investigadora da Unidade de Epidemiologia do Centro de Investigação sobre o Cancro de Oxford, citada pela agência Reuters.
"O que a nossa análise mostrou é que há uma série de trabalhos que não são fiáveis. O que se sugere é que pode haver uma ligeiríssima redução no risco de sofrer de cancro da mama para quem fez um aborto", sublinhou Beral, que coordenou os trabalhos da equipa que se identifica como Grupo de Colaboração na Investigação sobre os Factores Hormonais no Cancro da Mama. Entre estes investigadores encontra-se Richard Doll, que na década de 50 relacionou o tabaco com o cancro do pulmão.
Os resultados foram apresentados sob a forma do risco relativo - um método estatístico que compara as possibilidades de vir a sofrer de cancro da mama de mulheres que já fizeram abortos com que as que nunca o fizeram. Se o risco relativo tiver um valor inferior ou igual a 1, isso quer dizer que é nulo, que não existe. E o estudo publicado na última edição da "The Lancet" aponta para um risco relativo de vir a sofrer de cancro da mama de 0,98 para as mulheres que tiveram abortos espontâneos e 0,93 para as que tiveram abortos provocados.
Os estudos considerados de má qualidade eram aqueles que os activistas antiaborto têm citado ao longo dos anos. Perguntavam a mulheres que já sofriam de cancro da mama se já tinham feito um aborto; mas era mais provável que estas mulheres revelassem ter abortado do que mulheres saudáveis, porque procuravam perceber por que é que tinham a doença. Isto enviesava as respostas, disse Beral.
Os estudos mais bem feitos, que não dependiam da memória ou de relatos feitos pelas doentes, depois de lhes ter sido diagnosticado o cancro, acompanhavam um grupo de mulheres ao longo de vários anos, registando acontecimentos relevantes para a sua saúde, como um aborto ou o surgimento de tumores na mama. Ou então foram considerados fiáveis registos oficiais de casos de cancro da mama e de abortos em países como a Suécia.
Revelador foi verificar que consoante o tipo de estudo, os resultados eram bem diferentes.
#1
já não nos bastava o cherne e agora, na ausencia deste, a chefe do governo é a manuelinha ferreira leita...
mas o mais grave é que, se nos falhar o bacalhau seco das finanças, o nosso governo-oceanário passa a ser chefiado por paulo portas, esse ministro chaputa.
na chefia do estado encontra-se, momentaneamente, mota amaral... qeu o espírito santo não se constipe!
já não nos bastava o cherne e agora, na ausencia deste, a chefe do governo é a manuelinha ferreira leita...
mas o mais grave é que, se nos falhar o bacalhau seco das finanças, o nosso governo-oceanário passa a ser chefiado por paulo portas, esse ministro chaputa.
na chefia do estado encontra-se, momentaneamente, mota amaral... qeu o espírito santo não se constipe!
29.3.04
#1
porque a cantiga ainda é uma arma, estas são histórias que têm de chegar a quem, como eu, nunca as viveu.
I Encontro da Canção Portuguesa - O Coliseu Encheu e Fez de "Grândola" Um Hino
Por POR MARIA GUIOMAR BELO MARQUES
Público, 29 de Março de 2004
Quem lá esteve recorda essa noite como um momento único. Nunca, até então, fora tão clara e publicamente anunciada a agonia do regime. O recurso passou por uma afinação de mais de cinco mil vozes entoadas bem alto e sem medo. Naquele dia, 29 de Março de 1974, tornou-se ainda mais clara a força da urgência de liberdade, a dimensão de uma resistência mais forte do que o medo e a cada vez menor capacidade do regime para impedir o inevitável curso da História. As muitas carrinhas da polícia de choque, que se alinharam entre a Rua Eugénio dos Santos e a Avenida da Liberdade, os muitos pides refastelados na sala, a par dos destacados para os bastidores, não foram suficientes para impedir o inevitável. O cronómetro contou a seu desfavor. E eles sabiam-no, apesar de tudo, com ainda maior rigor do que aqueles milhares que nem quiseram pensar no medo. A PIDE sabia mais e sabia melhor do que ninguém. Muito para além, seguramente, daquelas cordas vocais síncronas do Coliseu, daquele coro que estava determinado em não ser o dos caídos.
Passavam alguns minutos da uma da manhã, quando Zeca Afonso, ladeado por todos os intervenientes do concerto, entoou, pela segunda vez nessa noite, o "Grândola Vila Morena", naquele que seria o momento mais empolgante e simbólico da resistência cantada ao regime. Livres como o vento, os pensamentos, e o poema, uniram-se a uma só voz, como um pré-aviso de que a liberdade estava a passar por aqui. E, também, que não iria ficar-se por ali.
Marcado para as 21H30, não pertenceu a uma má organização, nem a um fatídico atraso português, a responsabilidade por apenas mais de meia hora depois, o espectáculo ter começado. Ao mesmo tempo que, à porta do Coliseu, centenas de pessoas sem bilhete tentavam um ingresso (o mercado negro funcionou deficientemente, mas houve quem, mesmo assim, tivesse conseguido por cinquenta escudos bilhetes de vinte) e, sem sucesso, ali se mantiveram, na esperança de um eco vindo do interior, lá dentro, onde a sala cantava, pacientemente, desconfiada, sem certezas, temas do proscrito Zeca. Talvez nada chegasse a acontecer. Nos bastidores, fervilhantes e empolgados, para os protagonistas as decisões estavam por tomar. Caetano de Carvalho, à data sub-secretário de Estado da Informação e Turismo, confrontava-se com a dificuldade em permitir a actuação de alguns dos artistas, censurando letras soletradas quase como suspiros verso a verso, ou parte destas, ao mesmo tempo que percepcionava uma sala expectante e cuja reacção era imprevisível. Simultaneamente, os organizadores discutiam a solução a dar aos versos cortados e aos temas desde logo proibidos.
Uma inevitabilidade
Negociadas inteligentemente, as soluções foram sendo encontradas. A ninguém interessava o confronto inevitável entre uma assistência determinada em fazer daquela uma grande noite e uma pide receosa, consciente de servir um regime com os dias contados. Quem ia para cantar cantou e quem ia para sublinhar refrões e desaguar poemas calados também o fez.
Tradicionalmente, os Prémios da Casa da Imprensa, atribuídos às diferentes expressões artísticas nacionais e aos seus pares, eram entregues durante um espectáculo que nunca perturbou o regime: A Grande Noite do Fado. Mas, em 1971, num acto de rebeldia então insipiente, ousou uma solução alternativa, e, recorrendo a um elenco mais abrangente e consensual, organizou aquilo a que então chamou "Música Nova", reunindo no Coliseu um conjunto de artistas oriundos de diversas sensibilidades musicais, mas, entre os quais, já então, a chamada música de intervenção pontuava. Três anos depois, foi mais audaz. Sopravam ventos de mudança auspiciosos ao ensejo.
Habituados às entrelinhas, ou seja, a semi-dizer a verdade como fuga à censura, os jornalistas, aos quais hoje se chama no melhor inglês "opinion makers", sabiam o que acontecia e o quanto não podiam contar, o que lhes era cortado pela Censura Prévia, e a melhor técnica para, de forma ínvia, o dizerem. Não é de estranhar, portanto, que formassem uma consciência esclarecida relativamente à realidade que não era dita e muito menos explicada. A Casa da Imprensa, uma Mútua na sua génese, estava, assim, particularmente bem colocada para poder ter intervenções culturais.
O I Encontro da Canção Portuguesa, como a direcção decidiu designar o espectáculo que há 30 anos ajudou a tornar ainda mais fracos os já de si frágeis alicerces do regime, foi um acto de consciência corajosa. José Jorge Letria, organizador e interveniente, na sua qualidade de jornalista "baladeiro", como risonhamente recorda o termo ambíguo que Raúl Solnado glosou no "ZipZip" (o programa televisivo que deu tempo de antena à canção de intervenção, embrulhada num formato sui generis destinado a contornar o status quo do marcelismo) recorda a complexidade que então se vivia, referindo: "Havia uma conjuntura muito complexa, porque já se tinha dado o 16 de Março, tinha saído o livro do Spínola 'Portugal e o Futuro' e a guerra colonial era insustentável. Tivemos dúvidas se deveríamos avançar com este projecto, mas a CI acabou por decidir que sim". Destemida e, até, "com alguma inconsciência relativamente às consequências possíveis", pondera hoje Letria, a CI decidiu avançar.
As autorizações, pedidas com a antecedência regulamentar, foram sendo dadas a conta-gotas. A lista dos intervenientes, facultada com o pedido de autorização para a realização do espectáculo, justificado com a entrega dos prémios, e a garantia de que nenhum deles interpretaria qualquer canção cuja letra não fosse previamente autorizada, originou respostas diversas. Os nomes de Zeca Afonso, integralmente proibido de passar na rádio, e de Adriano Correia de Oliveira originaram um pedido expresso a Caetano de Carvalho, com as garantias inerentes de que não profeririam a mais ténue palavra sem autorização. Os nomes de Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo, Rui Mingas e Teresa Paula Brito, mereceram ofício de autorização, embora o primeiro, tal como os dois últimos (Rui Mingas terá tido justificações claras sobre a sua ausência, tal como Duarte Mendes, militar de carreira) não tenham participado.
Sem incidentes
O concerto decorreu no fio do nervo. A assistência, que sabia ao que ia, correspondeu e entendeu as palavras de Mário Cardoso, então presidente da CI, quando explicou: "Para poder apresentar, esta noite, o espectáculo que se vai seguir, a CI teve de vencer obstáculos de diversa ordem, como não é difícil de calcular". Acrescentando, no fim da sua brevíssima intervenção, o pedido de colaboração: "Para que o espectáculo decorra, todo ele, da melhor forma possível. Essa será, estamos certos, a maneira de todos nós garantirmos a possibilidade de nos encontrarmos aqui, novamente, no próximo ano. Contamos, pois, com a vossa compreensão". O presidente da CI fazia, entre linhas, o pedido para que nada manchasse o sopro de liberdade que uma assistência ao rubro, mas infiltrada de provocadores, desejava ansiosamente.
O conjunto Marcos Resende, sem pejo nem fantasmas, aceitou enfrentar uma plateia sequiosa de Zeca Afonso. Injustamente mal recebido, aceitou estoicamente o facto, porque as suas letras não tinham sido sujeitas ao crivo monossilábico da pide. Carlos Alberto Moniz e Maria Amparo seguiram-se-lhe com a verdade das palavras de Zeca, mal entendidas. Manuel José Soares, pouco conhecido cantor de intervenção, ultrapassou com naturalidade a ausência do apresentador desistente José Nuno Martins, e à pergunta do público complacente "como te chamas?", respondeu com naturalidade à chamada.
Depois, sucedeu-lhe o silêncio. A plateia já tinha percebido, nessa altura, que algo se passava. Nos bastidores, continuavam a negociar-se trovas, poemas e cansaços com os sempre omnipotentes e omnipresentes pides. Os assobios e as palmas sincopadas eram-lhes destinadas. Surgiu, então, Carlos Paredes e Fernando Alvim com "Verdes Anos", um dos momentos mais aclamados da noite. A música, mesmo sem palavras, também diz coisas. Mas os censores sempre primaram por temer apenas os textos. E enquanto continuavam zelosamente a impedir letras nos bastidores, Joaquim Furtado, um bem aventurado e destemido substituto de José Nuno Martins, nomeou os premiados (uns ausentes, outros, mais corajosos, presentes), entre os quais dois se destacaram: a produção do álbum "Sobreviventes", de Sérgio Godinho, um exilado cujas músicas conseguiram entrar no mercado discográfico nacional, e Adelino Gomes, cujo trabalho no programa da Rádio Renascença, "Página Um", lhe valeu um desemprego claramente político.
Depois vieram Ary dos Santos, conotado como o letrista dos Festivais da Canção, inicialmente vaiado e pateado, mas cuja pujança poética, declamatória e pessoal, se impuseram, e mais cinco. Mais cinco mil. A Zeca, cantor proibido e odiado pelo regime, permitiram-lhe o "Grândola". Segundo Manuel Freire, ao qual os versos "voaram pela janela" (como explicou na altura) e optou por um lá, lá, lá, preenchido pela assistência, "ele queria cantar uma música com refrão e cantou o "Grândola", que era um tema pelo qual até tinha pouco apreço, mas que reunia as condições". E depois o "Milho Verde". E novamente o "Grândola", num balancear alentejanamente resistente, com todo o Coliseu a acompanhar.
Não houve represálias, ao contrário daquilo que, segundo Letria, seria de esperar. Talvez a explicação esteja nas palavras de Eugénio Alves, jornalista envolvido na organização: "Foi tudo preparado como era possível, com notícias regulares. Já tudo andava no ar, tinha havido o 16 de Março e até Marcello Caetano parecia despedir-se no seu 'Conversas em Família'. Os militares estavam na plateia e depois de pensarem usar o 'Venham Mais Cinco' como senha, optaram pelo 'Grândola'. Este espectáculo serviu para isso e, talvez igualmente importante, serviu, como diria o Zeca, para animar a malta. Que era o que fazia falta."
porque a cantiga ainda é uma arma, estas são histórias que têm de chegar a quem, como eu, nunca as viveu.
I Encontro da Canção Portuguesa - O Coliseu Encheu e Fez de "Grândola" Um Hino
Por POR MARIA GUIOMAR BELO MARQUES
Público, 29 de Março de 2004
Quem lá esteve recorda essa noite como um momento único. Nunca, até então, fora tão clara e publicamente anunciada a agonia do regime. O recurso passou por uma afinação de mais de cinco mil vozes entoadas bem alto e sem medo. Naquele dia, 29 de Março de 1974, tornou-se ainda mais clara a força da urgência de liberdade, a dimensão de uma resistência mais forte do que o medo e a cada vez menor capacidade do regime para impedir o inevitável curso da História. As muitas carrinhas da polícia de choque, que se alinharam entre a Rua Eugénio dos Santos e a Avenida da Liberdade, os muitos pides refastelados na sala, a par dos destacados para os bastidores, não foram suficientes para impedir o inevitável. O cronómetro contou a seu desfavor. E eles sabiam-no, apesar de tudo, com ainda maior rigor do que aqueles milhares que nem quiseram pensar no medo. A PIDE sabia mais e sabia melhor do que ninguém. Muito para além, seguramente, daquelas cordas vocais síncronas do Coliseu, daquele coro que estava determinado em não ser o dos caídos.
Passavam alguns minutos da uma da manhã, quando Zeca Afonso, ladeado por todos os intervenientes do concerto, entoou, pela segunda vez nessa noite, o "Grândola Vila Morena", naquele que seria o momento mais empolgante e simbólico da resistência cantada ao regime. Livres como o vento, os pensamentos, e o poema, uniram-se a uma só voz, como um pré-aviso de que a liberdade estava a passar por aqui. E, também, que não iria ficar-se por ali.
Marcado para as 21H30, não pertenceu a uma má organização, nem a um fatídico atraso português, a responsabilidade por apenas mais de meia hora depois, o espectáculo ter começado. Ao mesmo tempo que, à porta do Coliseu, centenas de pessoas sem bilhete tentavam um ingresso (o mercado negro funcionou deficientemente, mas houve quem, mesmo assim, tivesse conseguido por cinquenta escudos bilhetes de vinte) e, sem sucesso, ali se mantiveram, na esperança de um eco vindo do interior, lá dentro, onde a sala cantava, pacientemente, desconfiada, sem certezas, temas do proscrito Zeca. Talvez nada chegasse a acontecer. Nos bastidores, fervilhantes e empolgados, para os protagonistas as decisões estavam por tomar. Caetano de Carvalho, à data sub-secretário de Estado da Informação e Turismo, confrontava-se com a dificuldade em permitir a actuação de alguns dos artistas, censurando letras soletradas quase como suspiros verso a verso, ou parte destas, ao mesmo tempo que percepcionava uma sala expectante e cuja reacção era imprevisível. Simultaneamente, os organizadores discutiam a solução a dar aos versos cortados e aos temas desde logo proibidos.
Uma inevitabilidade
Negociadas inteligentemente, as soluções foram sendo encontradas. A ninguém interessava o confronto inevitável entre uma assistência determinada em fazer daquela uma grande noite e uma pide receosa, consciente de servir um regime com os dias contados. Quem ia para cantar cantou e quem ia para sublinhar refrões e desaguar poemas calados também o fez.
Tradicionalmente, os Prémios da Casa da Imprensa, atribuídos às diferentes expressões artísticas nacionais e aos seus pares, eram entregues durante um espectáculo que nunca perturbou o regime: A Grande Noite do Fado. Mas, em 1971, num acto de rebeldia então insipiente, ousou uma solução alternativa, e, recorrendo a um elenco mais abrangente e consensual, organizou aquilo a que então chamou "Música Nova", reunindo no Coliseu um conjunto de artistas oriundos de diversas sensibilidades musicais, mas, entre os quais, já então, a chamada música de intervenção pontuava. Três anos depois, foi mais audaz. Sopravam ventos de mudança auspiciosos ao ensejo.
Habituados às entrelinhas, ou seja, a semi-dizer a verdade como fuga à censura, os jornalistas, aos quais hoje se chama no melhor inglês "opinion makers", sabiam o que acontecia e o quanto não podiam contar, o que lhes era cortado pela Censura Prévia, e a melhor técnica para, de forma ínvia, o dizerem. Não é de estranhar, portanto, que formassem uma consciência esclarecida relativamente à realidade que não era dita e muito menos explicada. A Casa da Imprensa, uma Mútua na sua génese, estava, assim, particularmente bem colocada para poder ter intervenções culturais.
O I Encontro da Canção Portuguesa, como a direcção decidiu designar o espectáculo que há 30 anos ajudou a tornar ainda mais fracos os já de si frágeis alicerces do regime, foi um acto de consciência corajosa. José Jorge Letria, organizador e interveniente, na sua qualidade de jornalista "baladeiro", como risonhamente recorda o termo ambíguo que Raúl Solnado glosou no "ZipZip" (o programa televisivo que deu tempo de antena à canção de intervenção, embrulhada num formato sui generis destinado a contornar o status quo do marcelismo) recorda a complexidade que então se vivia, referindo: "Havia uma conjuntura muito complexa, porque já se tinha dado o 16 de Março, tinha saído o livro do Spínola 'Portugal e o Futuro' e a guerra colonial era insustentável. Tivemos dúvidas se deveríamos avançar com este projecto, mas a CI acabou por decidir que sim". Destemida e, até, "com alguma inconsciência relativamente às consequências possíveis", pondera hoje Letria, a CI decidiu avançar.
As autorizações, pedidas com a antecedência regulamentar, foram sendo dadas a conta-gotas. A lista dos intervenientes, facultada com o pedido de autorização para a realização do espectáculo, justificado com a entrega dos prémios, e a garantia de que nenhum deles interpretaria qualquer canção cuja letra não fosse previamente autorizada, originou respostas diversas. Os nomes de Zeca Afonso, integralmente proibido de passar na rádio, e de Adriano Correia de Oliveira originaram um pedido expresso a Caetano de Carvalho, com as garantias inerentes de que não profeririam a mais ténue palavra sem autorização. Os nomes de Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo, Rui Mingas e Teresa Paula Brito, mereceram ofício de autorização, embora o primeiro, tal como os dois últimos (Rui Mingas terá tido justificações claras sobre a sua ausência, tal como Duarte Mendes, militar de carreira) não tenham participado.
Sem incidentes
O concerto decorreu no fio do nervo. A assistência, que sabia ao que ia, correspondeu e entendeu as palavras de Mário Cardoso, então presidente da CI, quando explicou: "Para poder apresentar, esta noite, o espectáculo que se vai seguir, a CI teve de vencer obstáculos de diversa ordem, como não é difícil de calcular". Acrescentando, no fim da sua brevíssima intervenção, o pedido de colaboração: "Para que o espectáculo decorra, todo ele, da melhor forma possível. Essa será, estamos certos, a maneira de todos nós garantirmos a possibilidade de nos encontrarmos aqui, novamente, no próximo ano. Contamos, pois, com a vossa compreensão". O presidente da CI fazia, entre linhas, o pedido para que nada manchasse o sopro de liberdade que uma assistência ao rubro, mas infiltrada de provocadores, desejava ansiosamente.
O conjunto Marcos Resende, sem pejo nem fantasmas, aceitou enfrentar uma plateia sequiosa de Zeca Afonso. Injustamente mal recebido, aceitou estoicamente o facto, porque as suas letras não tinham sido sujeitas ao crivo monossilábico da pide. Carlos Alberto Moniz e Maria Amparo seguiram-se-lhe com a verdade das palavras de Zeca, mal entendidas. Manuel José Soares, pouco conhecido cantor de intervenção, ultrapassou com naturalidade a ausência do apresentador desistente José Nuno Martins, e à pergunta do público complacente "como te chamas?", respondeu com naturalidade à chamada.
Depois, sucedeu-lhe o silêncio. A plateia já tinha percebido, nessa altura, que algo se passava. Nos bastidores, continuavam a negociar-se trovas, poemas e cansaços com os sempre omnipotentes e omnipresentes pides. Os assobios e as palmas sincopadas eram-lhes destinadas. Surgiu, então, Carlos Paredes e Fernando Alvim com "Verdes Anos", um dos momentos mais aclamados da noite. A música, mesmo sem palavras, também diz coisas. Mas os censores sempre primaram por temer apenas os textos. E enquanto continuavam zelosamente a impedir letras nos bastidores, Joaquim Furtado, um bem aventurado e destemido substituto de José Nuno Martins, nomeou os premiados (uns ausentes, outros, mais corajosos, presentes), entre os quais dois se destacaram: a produção do álbum "Sobreviventes", de Sérgio Godinho, um exilado cujas músicas conseguiram entrar no mercado discográfico nacional, e Adelino Gomes, cujo trabalho no programa da Rádio Renascença, "Página Um", lhe valeu um desemprego claramente político.
Depois vieram Ary dos Santos, conotado como o letrista dos Festivais da Canção, inicialmente vaiado e pateado, mas cuja pujança poética, declamatória e pessoal, se impuseram, e mais cinco. Mais cinco mil. A Zeca, cantor proibido e odiado pelo regime, permitiram-lhe o "Grândola". Segundo Manuel Freire, ao qual os versos "voaram pela janela" (como explicou na altura) e optou por um lá, lá, lá, preenchido pela assistência, "ele queria cantar uma música com refrão e cantou o "Grândola", que era um tema pelo qual até tinha pouco apreço, mas que reunia as condições". E depois o "Milho Verde". E novamente o "Grândola", num balancear alentejanamente resistente, com todo o Coliseu a acompanhar.
Não houve represálias, ao contrário daquilo que, segundo Letria, seria de esperar. Talvez a explicação esteja nas palavras de Eugénio Alves, jornalista envolvido na organização: "Foi tudo preparado como era possível, com notícias regulares. Já tudo andava no ar, tinha havido o 16 de Março e até Marcello Caetano parecia despedir-se no seu 'Conversas em Família'. Os militares estavam na plateia e depois de pensarem usar o 'Venham Mais Cinco' como senha, optaram pelo 'Grândola'. Este espectáculo serviu para isso e, talvez igualmente importante, serviu, como diria o Zeca, para animar a malta. Que era o que fazia falta."
28.3.04
27.3.04
#1
Ouvindo Carlos Paredes
Dedos frenéticos
acariciam o papel,
as cordas de um livro, e tocam
o marulhar longínquo
de uma cidade a pulsar,
sapatos cruzando o chão,
quebrando a areia.
afectos nas ombreiras,
palavras que não se sabem,
futilidades,
banalidades,
ilusões,
revoluções,
sonhos confessos,
sonhos esquecidos.
Os dedos tocam o papel
acariciam
corpos quebrados
e logo renascidos
copos vazios, entristecidos
mesas coxas, cadeiras nuas,
a solidão e um encontro,
uma mão longa
atravessando a noite
tocando a caricia
com dedos de papel
na manhã que rompe
um barco que chega
outro que parte,
um relógio parado,
o tempo que passa,
um palhaço cinzento
um policia colorido,
e os dedos que acariciam
um livro,
palpam nas cordas do papel
histórias antigas
notícias frescas
poemas compridos, cumpridos,
matemáticas difíceis,
encurtam distâncias
acendem esperanças
na dança que se dança
na música que não pára
no silêncio
e no êxtase.
André, 2002
Ouvindo Carlos Paredes
Dedos frenéticos
acariciam o papel,
as cordas de um livro, e tocam
o marulhar longínquo
de uma cidade a pulsar,
sapatos cruzando o chão,
quebrando a areia.
afectos nas ombreiras,
palavras que não se sabem,
futilidades,
banalidades,
ilusões,
revoluções,
sonhos confessos,
sonhos esquecidos.
Os dedos tocam o papel
acariciam
corpos quebrados
e logo renascidos
copos vazios, entristecidos
mesas coxas, cadeiras nuas,
a solidão e um encontro,
uma mão longa
atravessando a noite
tocando a caricia
com dedos de papel
na manhã que rompe
um barco que chega
outro que parte,
um relógio parado,
o tempo que passa,
um palhaço cinzento
um policia colorido,
e os dedos que acariciam
um livro,
palpam nas cordas do papel
histórias antigas
notícias frescas
poemas compridos, cumpridos,
matemáticas difíceis,
encurtam distâncias
acendem esperanças
na dança que se dança
na música que não pára
no silêncio
e no êxtase.
André, 2002
26.3.04
#1
depois de, na semana passada, ter posto na rua um livro com textos escritos em homenagem a ao Mestre da guitarra portuguesa, o público de hoje traz os movimentos perpétuos- música para carlos paredes, um disco da autoria de alguns dos mais criativos nomes da música portuguesa que se faz nos dias de hoje.
saúda-se a iniciativa do jornal, que, alguns meses após o seu lançamento, disponibiliza um cd duplo por menos de metade do preço a que é vendido nas lojas de referência...
ficamos com A música do Mestre.
depois de, na semana passada, ter posto na rua um livro com textos escritos em homenagem a ao Mestre da guitarra portuguesa, o público de hoje traz os movimentos perpétuos- música para carlos paredes, um disco da autoria de alguns dos mais criativos nomes da música portuguesa que se faz nos dias de hoje.
saúda-se a iniciativa do jornal, que, alguns meses após o seu lançamento, disponibiliza um cd duplo por menos de metade do preço a que é vendido nas lojas de referência...
ficamos com A música do Mestre.
25.3.04
24.3.04
#2
Ler Jornais É Saber Mais
Por JOAQUIM FIDALGO
Publico, 24 de Março de 2004
Há uma terrível guerra em curso no Sudão, e quase ninguém sabe. É uma guerra que não passa na televisão, porque ainda está muito longe da gente (onde fica o Sudão?, bem gostava de ver a pergunta feita a algum/a jovem licenciado/a no concurso Um Contra Todos!), porque não mete americanos, porque os grandes "media", para já, não a descobriram. Mas contam-nos os jornais (alguns jornais...) que é uma guerra trágica, semelhante ao genocídio de 1994 no Ruanda, um outro conflito que os principais "media" descobriram tarde, quando já havia milhares e milhares de mortos, daqueles que dão imagens fantásticas para o World Press Photo. Contava o PÚBLICO de sábado que num só confronto desta guerra entre etnias tinham sido violadas mais de 100 mulheres. E nós que julgávamos que só há guerra no Iraque.
Há números assustadores quanto à sida em muitos sítios de África. Na Suazilândia, por exemplo, 40 por cento da população (40 por cento da população!) está infectada com o vírus. Ali perto, no Botswana, as mais recentes estatísticas foram motivo de satisfação porque a taxa de infecção já é "só" de 37,5 por cento dos habitantes... Soube também pelo jornal. Também não me consta que a notícia tenha passado na televisão. Não é um "evento", não tem historinha dentro, não tem ministro a dizer que, não mostra gente com lágrimas, é longe e custa caro para mandar um repórter ou uma equipa. Aliás, onde fica a Suazilândia?... E o Botswana?...
Cheguemos mais perto, então. Ouçamos a miséria que mora mesmo ao pé de nós, e que não é só a do pedinte que nos toca na paragem do semáforo, pois não haveria semáforos bastantes para dar encosto a todas as misérias do país. Lá dizia o jornal: há, hoje, pelo menos 200 mil pessoas com fome em Portugal. F-O-M-E. E muitas não pedem, nem no semáforo nem em lado nenhum, têm vergonha, revolvem-se-lhes as entranhas quando não conseguem comida para dar aos filhos. "Ninguém sabe o que é eles pedirem-me pão e eu não ter para dar." Pois não, ninguém sabe. Ninguém imagina. E ninguém percebe também como é que 600 mil pensionistas sobrevivem com 208 euros por mês. E esses não são os piores - há 123 mil que só recebem 151,84 euros mensais. E outros 290 mil não vão além de uma pensãozinha de 186,16 euros. Para comer, para vestir, para morar, para tudo. Li no jornal.
Li também de um milhão (um milhão!) de pessoas que não têm água canalizada em casa, que não podem fazer aquele gesto banalíssimo e tão útil de ir à torneira. Sabemos o que custa quando a água falha por umas horitas... E onde se passa isto? Não é no Sudão, não é no Botswana, não, é aqui mesmo, em Portugal. Uma em cada dez pessoas deste país não tem o que nós temos como se fosse a coisa mais natural de se ter neste mundo. Sim, também veio no jornal. E etc.
Há muito quem ache que os jornais deviam dar mais boas, e menos más, notícias. Quem dera. Também há quem ache que o mundo devia ter muito mais boas do que más notícias para serem dadas. Quem dera...
Ler Jornais É Saber Mais
Por JOAQUIM FIDALGO
Publico, 24 de Março de 2004
Há uma terrível guerra em curso no Sudão, e quase ninguém sabe. É uma guerra que não passa na televisão, porque ainda está muito longe da gente (onde fica o Sudão?, bem gostava de ver a pergunta feita a algum/a jovem licenciado/a no concurso Um Contra Todos!), porque não mete americanos, porque os grandes "media", para já, não a descobriram. Mas contam-nos os jornais (alguns jornais...) que é uma guerra trágica, semelhante ao genocídio de 1994 no Ruanda, um outro conflito que os principais "media" descobriram tarde, quando já havia milhares e milhares de mortos, daqueles que dão imagens fantásticas para o World Press Photo. Contava o PÚBLICO de sábado que num só confronto desta guerra entre etnias tinham sido violadas mais de 100 mulheres. E nós que julgávamos que só há guerra no Iraque.
Há números assustadores quanto à sida em muitos sítios de África. Na Suazilândia, por exemplo, 40 por cento da população (40 por cento da população!) está infectada com o vírus. Ali perto, no Botswana, as mais recentes estatísticas foram motivo de satisfação porque a taxa de infecção já é "só" de 37,5 por cento dos habitantes... Soube também pelo jornal. Também não me consta que a notícia tenha passado na televisão. Não é um "evento", não tem historinha dentro, não tem ministro a dizer que, não mostra gente com lágrimas, é longe e custa caro para mandar um repórter ou uma equipa. Aliás, onde fica a Suazilândia?... E o Botswana?...
Cheguemos mais perto, então. Ouçamos a miséria que mora mesmo ao pé de nós, e que não é só a do pedinte que nos toca na paragem do semáforo, pois não haveria semáforos bastantes para dar encosto a todas as misérias do país. Lá dizia o jornal: há, hoje, pelo menos 200 mil pessoas com fome em Portugal. F-O-M-E. E muitas não pedem, nem no semáforo nem em lado nenhum, têm vergonha, revolvem-se-lhes as entranhas quando não conseguem comida para dar aos filhos. "Ninguém sabe o que é eles pedirem-me pão e eu não ter para dar." Pois não, ninguém sabe. Ninguém imagina. E ninguém percebe também como é que 600 mil pensionistas sobrevivem com 208 euros por mês. E esses não são os piores - há 123 mil que só recebem 151,84 euros mensais. E outros 290 mil não vão além de uma pensãozinha de 186,16 euros. Para comer, para vestir, para morar, para tudo. Li no jornal.
Li também de um milhão (um milhão!) de pessoas que não têm água canalizada em casa, que não podem fazer aquele gesto banalíssimo e tão útil de ir à torneira. Sabemos o que custa quando a água falha por umas horitas... E onde se passa isto? Não é no Sudão, não é no Botswana, não, é aqui mesmo, em Portugal. Uma em cada dez pessoas deste país não tem o que nós temos como se fosse a coisa mais natural de se ter neste mundo. Sim, também veio no jornal. E etc.
Há muito quem ache que os jornais deviam dar mais boas, e menos más, notícias. Quem dera. Também há quem ache que o mundo devia ter muito mais boas do que más notícias para serem dadas. Quem dera...
#1
" (...) O acto decidido pelo governo de Israel é um crime: chamem-se as coisas pelos nomes. E é um crime estúpido: a longa experiência anterior de assassinatos selectivos mostra que estes não são solução para a violência nem travam os atentados suicidas"
José Manuel Fernandes, in Público, 24 de Março
depois de ler o editorial do Publico de hoje, logo me perguntei:
será que JMF já se apercebeu de que a guerra do iraque (que el apoia incondicionalmente) também é um crime estúpido, representa, entre outras coisas, um assassinato em massa que em nada contribui para a estabilização da região, não sendo por isso solução epara a paz no mundo?
" (...) O acto decidido pelo governo de Israel é um crime: chamem-se as coisas pelos nomes. E é um crime estúpido: a longa experiência anterior de assassinatos selectivos mostra que estes não são solução para a violência nem travam os atentados suicidas"
José Manuel Fernandes, in Público, 24 de Março
depois de ler o editorial do Publico de hoje, logo me perguntei:
será que JMF já se apercebeu de que a guerra do iraque (que el apoia incondicionalmente) também é um crime estúpido, representa, entre outras coisas, um assassinato em massa que em nada contribui para a estabilização da região, não sendo por isso solução epara a paz no mundo?
23.3.04
#3
novidades na programação do próximo fim de semana na Abril em Maio
DOMINGO 28 MARÇO 22H
REPUBBLICA NOSTRA
(1995. 83’)
de DANIELE INCALCATERRA
com a PRESENÇA DO AUTOR
Enquanto alguns juízes italianos põem em causa a legitimidade da elite política e económica do pais através da operação “mãos limpas”, Silvio Berlusconi faz, graças ao seu império económico e às suas cadeias de televisão, uma ascensão fulgurante até Primeiro Ministro. Por sua vez inculpado, a sua queda é igualmente espectacular. Crónica dum período agitado (1994).
Os actores são: os juízes Antonio Di Pietro e Piercmillo Davigo, Alvaro Superchi - operário da Alfaromeo, candidato da esquerda -, Gianni Pilo, candidato da Forza Itália em Milão, braço direito de Berlusconi, e o seu instituto de sondagens largamente utilizado para decidir as grandes orientações do governo, os eleitos duma esquerda tradicional que ficam em contacto com aqueles que representam, e Berlusconi ele-próprio, principalmente através da sua imagem televisiva. Neste filme, as relações entre as diferentes componentes da vida política italiana são expostas cronologicamente, por vezes com muito humor, e a montagem tem a força da demonstração.
novidades na programação do próximo fim de semana na Abril em Maio
REPUBBLICA NOSTRA
(1995. 83’)
de DANIELE INCALCATERRA
com a PRESENÇA DO AUTOR
Enquanto alguns juízes italianos põem em causa a legitimidade da elite política e económica do pais através da operação “mãos limpas”, Silvio Berlusconi faz, graças ao seu império económico e às suas cadeias de televisão, uma ascensão fulgurante até Primeiro Ministro. Por sua vez inculpado, a sua queda é igualmente espectacular. Crónica dum período agitado (1994).
Os actores são: os juízes Antonio Di Pietro e Piercmillo Davigo, Alvaro Superchi - operário da Alfaromeo, candidato da esquerda -, Gianni Pilo, candidato da Forza Itália em Milão, braço direito de Berlusconi, e o seu instituto de sondagens largamente utilizado para decidir as grandes orientações do governo, os eleitos duma esquerda tradicional que ficam em contacto com aqueles que representam, e Berlusconi ele-próprio, principalmente através da sua imagem televisiva. Neste filme, as relações entre as diferentes componentes da vida política italiana são expostas cronologicamente, por vezes com muito humor, e a montagem tem a força da demonstração.
#3
consultando fontes pedagógicas mais esclarecidas, concluo que no post anterior incitei o governo à utilização de um trava linguas, isto é, um jogo de de palavras de proveniência popular que tem por fim, contraditoriamente, "destravar" as línguas e exercitar a dicção. Uns mais embricados que outros, caracterizam-se pela condensada brevidade da frase e pelo sobressalto das sonoridades, que a rapidez da elocução torna mais embaraçantes.
com toda esta ciência, depressa se conclui que estes rapazes ainda têm esperança.
consultando fontes pedagógicas mais esclarecidas, concluo que no post anterior incitei o governo à utilização de um trava linguas, isto é, um jogo de de palavras de proveniência popular que tem por fim, contraditoriamente, "destravar" as línguas e exercitar a dicção. Uns mais embricados que outros, caracterizam-se pela condensada brevidade da frase e pelo sobressalto das sonoridades, que a rapidez da elocução torna mais embaraçantes.
com toda esta ciência, depressa se conclui que estes rapazes ainda têm esperança.
#2
lição de dicção para os nossos governantes, desejando uma maior capacidade na utilização da letra R.
ora façam favor de repetir (força morais sarmento!!):
o Rato
Roeu
a Rolha
da gaRRafa de Rum
do Rei
da Russia.
letra R!!
agora experiemntem aplica-la à totalidade daquela frase colorida que têm no vosso site:
abril é Revolução!
isso mesmo! com umas semaninhas de treino e uns cravos na lapela, e ninguem notará a esse ligeiro atraso no vosso desenvolvimento!
lição de dicção para os nossos governantes, desejando uma maior capacidade na utilização da letra R.
ora façam favor de repetir (força morais sarmento!!):
o Rato
Roeu
a Rolha
da gaRRafa de Rum
do Rei
da Russia.
letra R!!
agora experiemntem aplica-la à totalidade daquela frase colorida que têm no vosso site:
abril é Revolução!
isso mesmo! com umas semaninhas de treino e uns cravos na lapela, e ninguem notará a esse ligeiro atraso no vosso desenvolvimento!
22.3.04

dois dias depois posso mostrar esta linda capa do il manifesto de domingo. agradeço à teresa o alojamento, um viajante precisa de bons amigos para o albergarem, nem que seja no eter ;)
#1
a carina mandou esta mensagem aos amigos. o grafismos vem a condizer com a alegria e a mensagem original traz uma flores que não consegui transpor.
obrigadinho.
(e não sou alérgico)
Olá todos!
Como já devem ter percebido, a PRIMAVERA está a chegar! E, como de costume, aqui vai:
Feliz Primavera!!!!!!!!!!! Com muitos passarinhos, florzinhas e aquele sol de fim de tarde delicioooosooooo...!!!
Para os asmáticos e alérgicos ao pólen.... temos pena! eheheh *** :)
P.S. Se alguém souber da data precisa para este acontecimento, este ano, hora e dia, por favor avise :)
a carina mandou esta mensagem aos amigos. o grafismos vem a condizer com a alegria e a mensagem original traz uma flores que não consegui transpor.
obrigadinho.
(e não sou alérgico)
Olá todos!
Como já devem ter percebido, a PRIMAVERA está a chegar! E, como de costume, aqui vai:
Feliz Primavera!!!!!!!!!!! Com muitos passarinhos, florzinhas e aquele sol de fim de tarde delicioooosooooo...!!!
Para os asmáticos e alérgicos ao pólen.... temos pena! eheheh *** :)
P.S. Se alguém souber da data precisa para este acontecimento, este ano, hora e dia, por favor avise :)
21.3.04
19.3.04
18.3.04
17.3.04
#2
De sms em sms até ao 20 de Março
Vamos criar uma corrente na blogosfera! Participa e Divulga
Guerra e terrorismo: 2 faces do mesmo dólar !
Manifestação, Sábado, 15h, Lgo. de Camões (Lisboa) e Praça da Batalha (Porto)
Convoca tod@s os teus amigos e conhecidos para a manifestação de 20 de Março!!!
De sms em sms até ao 20 de Março
Vamos criar uma corrente na blogosfera! Participa e Divulga
Guerra e terrorismo: 2 faces do mesmo dólar !
Manifestação, Sábado, 15h, Lgo. de Camões (Lisboa) e Praça da Batalha (Porto)
Convoca tod@s os teus amigos e conhecidos para a manifestação de 20 de Março!!!
16.3.04
15.3.04
#2
AVISO À POPULAÇÃO
foram avistadas, nos últimos dias, andorinhas no céu de lisboa.
não existindo qualquer relação comprovada entre este facto (completamente anomalo) e e o início da primavera ou o florescer iminente dos jacarandás da rua barata salgueiro, o comité redactorial do metrografismos apela à calma e serenidade dos seus leitores e leitoras.
recomendamos, por motivos de segurança e higiene pública, a utilização parcimoniosa de óculos escuros e roupa de meia estação, alimentação equilibrada e doses moderadas de permanência no jardins da cidade, especialmente nos bancos do adamastor.
alterações ao estado das coisas serão anunciadas, neste espaço, com a brevidade que a análise da situação determinar.
antes de terminar, repetimos: não está comprovado início da primavera, há que manter a calma.
AVISO À POPULAÇÃO
foram avistadas, nos últimos dias, andorinhas no céu de lisboa.
não existindo qualquer relação comprovada entre este facto (completamente anomalo) e e o início da primavera ou o florescer iminente dos jacarandás da rua barata salgueiro, o comité redactorial do metrografismos apela à calma e serenidade dos seus leitores e leitoras.
recomendamos, por motivos de segurança e higiene pública, a utilização parcimoniosa de óculos escuros e roupa de meia estação, alimentação equilibrada e doses moderadas de permanência no jardins da cidade, especialmente nos bancos do adamastor.
alterações ao estado das coisas serão anunciadas, neste espaço, com a brevidade que a análise da situação determinar.
antes de terminar, repetimos: não está comprovado início da primavera, há que manter a calma.
14.3.04
#3
as primeiras projecções dão uma vitória tangencial ao PSOE.
apesar das poucas diferenças da política deste partido com o pp, no que respeita ao neoliberalismo que ambos defendem, confesso que a possibilidade desta direita - que é herdeira directa de franco (o galego fraga foi ministro do ditador e padrinho religioso e político de aznar) -, sair derrotada me anima bastante, pode significar o anunciar de um novo ciclo político na europa.
vejamos o que nos diz a noite.
as primeiras projecções dão uma vitória tangencial ao PSOE.
apesar das poucas diferenças da política deste partido com o pp, no que respeita ao neoliberalismo que ambos defendem, confesso que a possibilidade desta direita - que é herdeira directa de franco (o galego fraga foi ministro do ditador e padrinho religioso e político de aznar) -, sair derrotada me anima bastante, pode significar o anunciar de um novo ciclo político na europa.
vejamos o que nos diz a noite.
#2
continua a discussão em redor dos atentados de madrid.
foi a eta? foi a al qaeda?
ou terá sido essa espantosa coligação dos bascos com bin laden, adiantada por josé manuel fernandes e outros espanholistas e que faz lembrar a famosa coligação-piada Iraque/UNITA?
há até quem jure ter visto um saudita barbudo de txapela (boina basca) a emborcar cidra, paxaran e txacolli (bebidas alcóolicas mais populares naquelas bandas) nas últimas festas de s. firmin em hernani (um bastião do nacionalismo basco)...
parece que os cidadãos do estado espanhol estão a aperceber-se da manipulação que os seus governos e os seus média lhes têm imposto, esperemos que tudo isto tenha alguma repercussão nas urnas.
continua a discussão em redor dos atentados de madrid.
foi a eta? foi a al qaeda?
ou terá sido essa espantosa coligação dos bascos com bin laden, adiantada por josé manuel fernandes e outros espanholistas e que faz lembrar a famosa coligação-piada Iraque/UNITA?
há até quem jure ter visto um saudita barbudo de txapela (boina basca) a emborcar cidra, paxaran e txacolli (bebidas alcóolicas mais populares naquelas bandas) nas últimas festas de s. firmin em hernani (um bastião do nacionalismo basco)...
parece que os cidadãos do estado espanhol estão a aperceber-se da manipulação que os seus governos e os seus média lhes têm imposto, esperemos que tudo isto tenha alguma repercussão nas urnas.
#1
depois de a ler de um só folego a carta da al qaeda onde se reivindicam os atentados de madrid (segue em anexo), tive vontade de gritar ao durão, esse pateta, que para desculpas ele não conta com a eta.
esse cherne fedorento, em conjunto com o pequeno portas, levaram-nos atrás de bush e de blair nessa cruzada contra o eixo do mal, pelo petróleo desprotegido.
é preciso acabar com esta guerra, é urgente o regresso dos gnr's de lá.
próximo sábado, dia 20 15h, tod@s ao largo do camões me lisboa ou à praça da batalha no porto, para dizer não à ocupação, à guerra, às mentiras e ao terror.
---xxx---xxx---xxx---xxx--
A Carta das Brigadas Abu Hafs Al-Masri
Público, 13 de Março de 2004
Em Nome de Deus, Clemente e Misericordioso, quando te castigam tens de castigar da mesma maneira os que te castigaram. Mata-os onde quer que os encontres; expulsa-os como eles te expulsaram; a traição é mais grave que o assassínio. Aos que cometem agressões contra ti, deves fazer o mesmo.
Na sua última declaração (sobre ataques à bomba em Bagdad e Kerbala) datada do 11 de Muharam, 1425 no calendário Hijri (2 de Março), a brigada Abu Hafs al-Masri prometeu que estava a preparar mais ataques.
Agora a brigada cumpriu a sua palavra. O esquadrão da morte conseguiu penetrar nas profundezas do cruzado europeu e atingir com um golpe doloroso um dos pilares da aliança dos cruzados - a Espanha. Estes ataques à bomba fizeram parte de um velho ajuste de contas com o cruzado Espanha pela sua guerra contra o Islão.
Onde está a América para te proteger hoje, Aznar. Quem te vai proteger de nós, e à Grã-Bretanha, à Itália, ao Japão e a outros agentes? Quando golpeámos as tropas italianas em Nasiriyah já enviámos aos agentes da América uma advertência: abandonai a aliança contra o Islão. Mas não entendesteis a mensagem; agora deixámo-la clara, esperamos que tenham compreendido desta vez.
Nós nas brigadas Abu Hafs al-Masri não nos sentimos tristes pela morte dos chamados civis. É legítimo que eles matem as nossas crianças, mulheres, velhos e homens no Afeganistão, Iraque, Palestina e Caxemira, e é ilegítimo que nós os matemos a eles? Deus todo-poderoso diz que "deves agredir aqueles que te agridem".
Deixem de nos tomar como alvos, libertem os nossos prisioneiros e deixem a nossa terra, deixaremos de vos atacar. Os povos dos países aliados dos EUA têm de pressionar os seus governos para que acabem imediatamente com a aliança com os EUA na guerra contra o terror, que significa guerra contra o Islão. Se persistirem, nós também continuaremos.
Queremos dizer-vos: o esquadrão do Fumo da Morte vai atingi-los em breve, e então vereis os vossos mortos aos milhares, se Deus quiser. Isto é um aviso.
Noutra operação, os Esquadrões dos Soldados de Jerusalém golpearam os judeus e os mações em Istambul, e três mações importantes morreram naquela operação, e se não fosse por uma falha técnica teriam morrido todos os mações.
Gostaríamos de dizer ao esquadrão Bilal bin Rabah que a liderança concordou com a proposta, e que quando o representante chegar, o trabalho começará.
Gostaríamos também de dizer ao esquadrão Abu Ali al-Harithi que a liderança decidiu que o Iémen será o terceiro pântano para o ídolo deste tempo, a América, para dar uma lição ao governo apostada que vem logo a seguir a Musharraf, em traição e infidelidade. Por isso, todas células devem estar em alerta e a acção começará em 4515 (código). Não se esqueçam de enfraquecer, não se esqueçam de Abu Ali al-Harithi, e não esqueçam o imã muçulmano que foi extraditado para o Egipto pelo xeque iemenita Abd al-Qadir Abd al-Aziz (Sayyed Imam Sharif). Ele foi preso três meses depois dos ataques de 11 de Setembro.
E queremos dizer aos que matam ulemas muçulmanos no Iraque que devem parar, caso contrário...
Informamos os muçulmanos de todo o mundo que estão concluídos 90 por cento dos preparativos da operação Vento da Morte Negra, para ser levada a cabo na América, e que será realizada em breve, se Deus quiser. Os crentes celebrarão a vitória de Deus.
Aviso à nação: Evitem a proximidade das instalações civis e militares da América e dos seus aliados. Deus é grande, Deus é grande - o Islão está a chegar, com o poder dos poderosos e a humilhação dos maus.
Brigadas de Abu Hafs al Masri/Al-Qaeda.
20 Muharram 1425
depois de a ler de um só folego a carta da al qaeda onde se reivindicam os atentados de madrid (segue em anexo), tive vontade de gritar ao durão, esse pateta, que para desculpas ele não conta com a eta.
esse cherne fedorento, em conjunto com o pequeno portas, levaram-nos atrás de bush e de blair nessa cruzada contra o eixo do mal, pelo petróleo desprotegido.
é preciso acabar com esta guerra, é urgente o regresso dos gnr's de lá.
próximo sábado, dia 20 15h, tod@s ao largo do camões me lisboa ou à praça da batalha no porto, para dizer não à ocupação, à guerra, às mentiras e ao terror.
---xxx---xxx---xxx---xxx--
A Carta das Brigadas Abu Hafs Al-Masri
Público, 13 de Março de 2004
Em Nome de Deus, Clemente e Misericordioso, quando te castigam tens de castigar da mesma maneira os que te castigaram. Mata-os onde quer que os encontres; expulsa-os como eles te expulsaram; a traição é mais grave que o assassínio. Aos que cometem agressões contra ti, deves fazer o mesmo.
Na sua última declaração (sobre ataques à bomba em Bagdad e Kerbala) datada do 11 de Muharam, 1425 no calendário Hijri (2 de Março), a brigada Abu Hafs al-Masri prometeu que estava a preparar mais ataques.
Agora a brigada cumpriu a sua palavra. O esquadrão da morte conseguiu penetrar nas profundezas do cruzado europeu e atingir com um golpe doloroso um dos pilares da aliança dos cruzados - a Espanha. Estes ataques à bomba fizeram parte de um velho ajuste de contas com o cruzado Espanha pela sua guerra contra o Islão.
Onde está a América para te proteger hoje, Aznar. Quem te vai proteger de nós, e à Grã-Bretanha, à Itália, ao Japão e a outros agentes? Quando golpeámos as tropas italianas em Nasiriyah já enviámos aos agentes da América uma advertência: abandonai a aliança contra o Islão. Mas não entendesteis a mensagem; agora deixámo-la clara, esperamos que tenham compreendido desta vez.
Nós nas brigadas Abu Hafs al-Masri não nos sentimos tristes pela morte dos chamados civis. É legítimo que eles matem as nossas crianças, mulheres, velhos e homens no Afeganistão, Iraque, Palestina e Caxemira, e é ilegítimo que nós os matemos a eles? Deus todo-poderoso diz que "deves agredir aqueles que te agridem".
Deixem de nos tomar como alvos, libertem os nossos prisioneiros e deixem a nossa terra, deixaremos de vos atacar. Os povos dos países aliados dos EUA têm de pressionar os seus governos para que acabem imediatamente com a aliança com os EUA na guerra contra o terror, que significa guerra contra o Islão. Se persistirem, nós também continuaremos.
Queremos dizer-vos: o esquadrão do Fumo da Morte vai atingi-los em breve, e então vereis os vossos mortos aos milhares, se Deus quiser. Isto é um aviso.
Noutra operação, os Esquadrões dos Soldados de Jerusalém golpearam os judeus e os mações em Istambul, e três mações importantes morreram naquela operação, e se não fosse por uma falha técnica teriam morrido todos os mações.
Gostaríamos de dizer ao esquadrão Bilal bin Rabah que a liderança concordou com a proposta, e que quando o representante chegar, o trabalho começará.
Gostaríamos também de dizer ao esquadrão Abu Ali al-Harithi que a liderança decidiu que o Iémen será o terceiro pântano para o ídolo deste tempo, a América, para dar uma lição ao governo apostada que vem logo a seguir a Musharraf, em traição e infidelidade. Por isso, todas células devem estar em alerta e a acção começará em 4515 (código). Não se esqueçam de enfraquecer, não se esqueçam de Abu Ali al-Harithi, e não esqueçam o imã muçulmano que foi extraditado para o Egipto pelo xeque iemenita Abd al-Qadir Abd al-Aziz (Sayyed Imam Sharif). Ele foi preso três meses depois dos ataques de 11 de Setembro.
E queremos dizer aos que matam ulemas muçulmanos no Iraque que devem parar, caso contrário...
Informamos os muçulmanos de todo o mundo que estão concluídos 90 por cento dos preparativos da operação Vento da Morte Negra, para ser levada a cabo na América, e que será realizada em breve, se Deus quiser. Os crentes celebrarão a vitória de Deus.
Aviso à nação: Evitem a proximidade das instalações civis e militares da América e dos seus aliados. Deus é grande, Deus é grande - o Islão está a chegar, com o poder dos poderosos e a humilhação dos maus.
Brigadas de Abu Hafs al Masri/Al-Qaeda.
20 Muharram 1425
12.3.04
#1
o atentado de ontem chamou, de novo, a questão basca ao lume.
sem ter provas concretas, o governo do estado espanhol não tardou a pôr a culpa em cima da eta, mesmo existindo sinais ocntrários, quer por parte dos bascos que sempre foram acusados de intimos dos terroristas, bem como pelas diferenças observadas no modus operandi do atentado.
o facto é que um massacre destes com o carimbo da eta dava um jeitasso ao pp de aznar e rajoy. a exploração política qeu dele fizeram bem o prova.
mas, pelo fim da tarde, surge a notícia que todos temiamos:
a al quaeda reivindicou um atentado que tinha a sua cara.
as coisas começaram então a fazer mais sentido, o fanatismo destes ex-amigos da CIA, que não pode ser confundido com a tolerancia que a religião muçulmana incorpora, dá cartas.
os inocentes que perderam a vida foram vittimas da patetice de aznar, da sua fidelidade a bush, do servilismo, da participação nestas guerras contra o eixo do mal.
não nos podemos esquecer que o cherne e o paulinho das feiras também participaram na festa...
fica um texto que repesquei dos meus arquivos. nele falo sobre o filme la pelota vasca, piele contra piedra, um filme inquietante sobre a questão basca.
--XX--XX--XX--xx--
há, entre o branco e o preto, uma gama de cores de matizes, que importa explorar.
esta é a ideia que Julio Medem - que realizou, entre outros, vacas (1992),e os amantes do circulo polar (1998) - procura explorar, aplicando-a a uma realidade que alguns tentam ocultar: o conflito social, político e armado em Euskal Herria (pais basco).
este filme/documentario é um convite ao dialogo, diz-nos um realizador que, apesar da sua origem basca, nega qualquer simpatia com a violência ou tendencia nacionalista (na verdade, vive fora do pais basco, em madrid, há cerca de uma decada). um convite ao dialogo que é posto em cima da mesa, projectado na tela, na forma de dezenas de intrevistas a homens e mulheres que se encontram nos diversos cumprimentos de onda deste espectro que varia entre o preto e o branco, desde vitimas da ETA (sobreviventes ou familiares) a familiares dos presos, passando por distintos membros do PSOE e dos partidos de Euskal Herria. pode-se também ouvir aqui o testemunho daqueles e daquelas que sofreram tortura policial, de policias que falam da sua vida diária, escutar o que têm a dizer a amnistia internacional,l as associaçoes de apoio às vitimas, artistas, intelectuais, psicologos, sociologos, jornalistas, historiadores, e até padres - com o testemunho do clero basco e de um padre irlandês, directamente envolvido nos acordos de paz da irlanda do norte.
de fora ficam as razoes da ETA, que acabam por ser analisadas pela esquerda aberzale (nacionalista), e o partido popular de aznar, que se auto-excluiu deste documentario - chegando mesmo a procurar um caso politico à sua volta, insistindo numa ligaçao directa entre o "on" da camara digital e o gatilho de uma qualquer pistola. entre isto, há homens e as mulheres que acendem mais algumas luzes sobre um conflito que, contrariamente ao que aznar tenta vender, esta longe de ter uma resoluçao.
a diferença de opinioes é a principal riqueza de um documentario que olha para o pais basco de hoje, para a sua historia e para as alternativas que se lhe abrem, existindo, por parte do autor, uma tentiva de equilibrio e auto-regulaçao: o terrorismo da ETA é posto lado a lado com o terrorismo do estado espanhol, que se manifesta, por exemplo, pela repressao de todo o nacionalismo, pela tentativa constante de monopolizar a informaçao e de criar um sentimento maniqueista do género "ou estas com a nossa democracia ou com a pistola da ETA"... branco ou negro.
e esta diversidade de opinioes acaba por revelar algumas ideias comuns, tais como o facto de nao existir soluçao para o conflito que nao passe pelo diálogo, sendo este sistematicamente recusado pelo pp - partido que tem levado a cabo uma politica de diabolizaçao dos seus opositores para manter o status quo, para se manter no poder e para justificar (e disfarçar) as suas politicas neo conservadoras que transbordam franquismo.
vi-me perante um documento inquietante, até porque as questoes que aqui se levantam nao se restringem ao eixo politico madrid/euskal herria, sao questoes que se levantam sobre este tempo de guerra infinita e sobre o mundo em que vivemos.
o atentado de ontem chamou, de novo, a questão basca ao lume.
sem ter provas concretas, o governo do estado espanhol não tardou a pôr a culpa em cima da eta, mesmo existindo sinais ocntrários, quer por parte dos bascos que sempre foram acusados de intimos dos terroristas, bem como pelas diferenças observadas no modus operandi do atentado.
o facto é que um massacre destes com o carimbo da eta dava um jeitasso ao pp de aznar e rajoy. a exploração política qeu dele fizeram bem o prova.
mas, pelo fim da tarde, surge a notícia que todos temiamos:
a al quaeda reivindicou um atentado que tinha a sua cara.
as coisas começaram então a fazer mais sentido, o fanatismo destes ex-amigos da CIA, que não pode ser confundido com a tolerancia que a religião muçulmana incorpora, dá cartas.
os inocentes que perderam a vida foram vittimas da patetice de aznar, da sua fidelidade a bush, do servilismo, da participação nestas guerras contra o eixo do mal.
não nos podemos esquecer que o cherne e o paulinho das feiras também participaram na festa...
fica um texto que repesquei dos meus arquivos. nele falo sobre o filme la pelota vasca, piele contra piedra, um filme inquietante sobre a questão basca.
--XX--XX--XX--xx--
há, entre o branco e o preto, uma gama de cores de matizes, que importa explorar.
esta é a ideia que Julio Medem - que realizou, entre outros, vacas (1992),e os amantes do circulo polar (1998) - procura explorar, aplicando-a a uma realidade que alguns tentam ocultar: o conflito social, político e armado em Euskal Herria (pais basco).
este filme/documentario é um convite ao dialogo, diz-nos um realizador que, apesar da sua origem basca, nega qualquer simpatia com a violência ou tendencia nacionalista (na verdade, vive fora do pais basco, em madrid, há cerca de uma decada). um convite ao dialogo que é posto em cima da mesa, projectado na tela, na forma de dezenas de intrevistas a homens e mulheres que se encontram nos diversos cumprimentos de onda deste espectro que varia entre o preto e o branco, desde vitimas da ETA (sobreviventes ou familiares) a familiares dos presos, passando por distintos membros do PSOE e dos partidos de Euskal Herria. pode-se também ouvir aqui o testemunho daqueles e daquelas que sofreram tortura policial, de policias que falam da sua vida diária, escutar o que têm a dizer a amnistia internacional,l as associaçoes de apoio às vitimas, artistas, intelectuais, psicologos, sociologos, jornalistas, historiadores, e até padres - com o testemunho do clero basco e de um padre irlandês, directamente envolvido nos acordos de paz da irlanda do norte.
de fora ficam as razoes da ETA, que acabam por ser analisadas pela esquerda aberzale (nacionalista), e o partido popular de aznar, que se auto-excluiu deste documentario - chegando mesmo a procurar um caso politico à sua volta, insistindo numa ligaçao directa entre o "on" da camara digital e o gatilho de uma qualquer pistola. entre isto, há homens e as mulheres que acendem mais algumas luzes sobre um conflito que, contrariamente ao que aznar tenta vender, esta longe de ter uma resoluçao.
a diferença de opinioes é a principal riqueza de um documentario que olha para o pais basco de hoje, para a sua historia e para as alternativas que se lhe abrem, existindo, por parte do autor, uma tentiva de equilibrio e auto-regulaçao: o terrorismo da ETA é posto lado a lado com o terrorismo do estado espanhol, que se manifesta, por exemplo, pela repressao de todo o nacionalismo, pela tentativa constante de monopolizar a informaçao e de criar um sentimento maniqueista do género "ou estas com a nossa democracia ou com a pistola da ETA"... branco ou negro.
e esta diversidade de opinioes acaba por revelar algumas ideias comuns, tais como o facto de nao existir soluçao para o conflito que nao passe pelo diálogo, sendo este sistematicamente recusado pelo pp - partido que tem levado a cabo uma politica de diabolizaçao dos seus opositores para manter o status quo, para se manter no poder e para justificar (e disfarçar) as suas politicas neo conservadoras que transbordam franquismo.
vi-me perante um documento inquietante, até porque as questoes que aqui se levantam nao se restringem ao eixo politico madrid/euskal herria, sao questoes que se levantam sobre este tempo de guerra infinita e sobre o mundo em que vivemos.
11.3.04
#2
um grupo de bibliotecári@s está a levar a cabo uma petição pela defesa das bibliotecas públicas, que se encontram ameaçadas por normas europeias que querem restringir o emrpestimo de livros.
eu assinei e divulguei, o acesso livre ao conhecimento deve ser +protegido e ampliado, em nome da liberdade e da democracia.
um grupo de bibliotecári@s está a levar a cabo uma petição pela defesa das bibliotecas públicas, que se encontram ameaçadas por normas europeias que querem restringir o emrpestimo de livros.
eu assinei e divulguei, o acesso livre ao conhecimento deve ser +protegido e ampliado, em nome da liberdade e da democracia.
#1
estou consternado com o que se passou em Madrid esta manhã.
tendo ou não sido a eta (ainda não se sabe), acredito que tod@s @s basc@s que, mais do que independentistas, são democratas, também compartilham esta dor.
além do horror, da desumanidade e da dor, há ainda uma coisa que me deixa revoltado com tudo isto: o pp tem a porata aberta para uma segunda maioria absoluta, este era o empurrão que faltava.
estou consternado com o que se passou em Madrid esta manhã.
tendo ou não sido a eta (ainda não se sabe), acredito que tod@s @s basc@s que, mais do que independentistas, são democratas, também compartilham esta dor.
além do horror, da desumanidade e da dor, há ainda uma coisa que me deixa revoltado com tudo isto: o pp tem a porata aberta para uma segunda maioria absoluta, este era o empurrão que faltava.
10.3.04
#2
elogio do tempo
tenho dado com o encerramento de actividades de diversos blogues.
encontrar fechadas janelas que acompanhei com relactiva frequência dá-me muito que pensar. delas fica aquilo que, no verão passado, defini como pequenas pegadas na areia dos dias, uma forma peculiar de partilha e de estar mais próximo d@s outr@s.
devo confessar também ter pensado em fechar a persiana, a diminuição da postagem dos últimos dias é disso sinal, mas, por agora, a minha vontade de metrografar ainda tem força. vejamos por quanto tempo mais.
elogio do tempo
tenho dado com o encerramento de actividades de diversos blogues.
encontrar fechadas janelas que acompanhei com relactiva frequência dá-me muito que pensar. delas fica aquilo que, no verão passado, defini como pequenas pegadas na areia dos dias, uma forma peculiar de partilha e de estar mais próximo d@s outr@s.
devo confessar também ter pensado em fechar a persiana, a diminuição da postagem dos últimos dias é disso sinal, mas, por agora, a minha vontade de metrografar ainda tem força. vejamos por quanto tempo mais.
9.3.04
5.3.04
4.3.04
#3
A minha indignidade não é contra o arbitro
avelino ferreira torres, sobre os acontecimentos de domingo no campo do marco de canavezes.
alguém explica a este senhor que a sua indignidade começou há, pelo menos, 30 anos, quando andava enrolado com a extrema direita bombista?
alguém lhe diz que a sua indignidade reside no facto de, na terra que (des)governa, existirem ruas, espaços e edificios com o seu nome e, qual estalinismo à tuga, bustos seus?
alguém lhe pode fazer ver que a sua indignidade se alimenta com o facto de se julgar um cacique, dono e senhor de uma terra e de uma gente?
e já agora... era bom que alguém lhe dissesse que a sua indignação com a bola não justifica o seu (habitual) comportamento de hooligan.
A minha indignidade não é contra o arbitro
avelino ferreira torres, sobre os acontecimentos de domingo no campo do marco de canavezes.
alguém explica a este senhor que a sua indignidade começou há, pelo menos, 30 anos, quando andava enrolado com a extrema direita bombista?
alguém lhe diz que a sua indignidade reside no facto de, na terra que (des)governa, existirem ruas, espaços e edificios com o seu nome e, qual estalinismo à tuga, bustos seus?
alguém lhe pode fazer ver que a sua indignidade se alimenta com o facto de se julgar um cacique, dono e senhor de uma terra e de uma gente?
e já agora... era bom que alguém lhe dissesse que a sua indignação com a bola não justifica o seu (habitual) comportamento de hooligan.
#2
aqui há uns meses fiz referência à compra da voxx por luis nobre guedes, classificando-a como uma jogada berlusconiana de concentração de meios de comunicação. no mesmo post, brincava com isto, dizendo que o tipo ainda ia formar um partido à sua imagem, chamado a nossa selecção.
hoje li uma notícia no Público que materializa este pesadelo...
depois de, no sábado, termos levado com a Forca Portugal, essa coligação futebolistica em prepotente afirmação, hoje temos a novidade do fim de emissão da Voxx e da Luna - rádio da margem sul, dedicada à música clássica e ao jazz, comprada por nobre guedes na mesma altura.
De acordo com o (até hoje) director da rádio Luna, Guilherme Satter, as duas estações irão agora "calar-se" porque o novo dono "não está interessado em prosseguir com as respectivas filosofias" e passarão a "retransmitir programação de estações do grupo Media Capital Rádios".
é preciso dizer mais alguma coisa?
aqui há uns meses fiz referência à compra da voxx por luis nobre guedes, classificando-a como uma jogada berlusconiana de concentração de meios de comunicação. no mesmo post, brincava com isto, dizendo que o tipo ainda ia formar um partido à sua imagem, chamado a nossa selecção.
hoje li uma notícia no Público que materializa este pesadelo...
depois de, no sábado, termos levado com a Forca Portugal, essa coligação futebolistica em prepotente afirmação, hoje temos a novidade do fim de emissão da Voxx e da Luna - rádio da margem sul, dedicada à música clássica e ao jazz, comprada por nobre guedes na mesma altura.
De acordo com o (até hoje) director da rádio Luna, Guilherme Satter, as duas estações irão agora "calar-se" porque o novo dono "não está interessado em prosseguir com as respectivas filosofias" e passarão a "retransmitir programação de estações do grupo Media Capital Rádios".
é preciso dizer mais alguma coisa?
#1
sobre os resultados do debate de ontem na AR, tenho pouco a dizer.
da corja que nos governa não se esperava outra coisa.
ficam os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e o a saúde pública do país - pouco interesa se mal ou bem - a marinar até 2006, talvez nessa altura os senhores tenham vontade de acordar.
sobre os resultados do debate de ontem na AR, tenho pouco a dizer.
da corja que nos governa não se esperava outra coisa.
ficam os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e o a saúde pública do país - pouco interesa se mal ou bem - a marinar até 2006, talvez nessa altura os senhores tenham vontade de acordar.
2.3.04
#2
poderia ser dito por qualquer defensor dos direitos das mulheres, por qualquer intelectual com pretensão, por qualquer esquerdista irritado com o governo...
mas foi escrito por um jovem de cabelo muito lambidinho e oculos estilo para dar maturidade, num tom de quem anda zangado com o rumo que o mundo leva. foi em 1982, e o colunista do jornal Tempo (semanário de 65 mil exemplares de tiragem média) era paulo portas.
podem encontrar 3 dos artigos onde o arttista discorreu sobre a matéria, no barnabé.
a festa segue dentro de momentos.
" Não tem nada a ver com a Europa um país em que o discurso da social-democracia sobre as questões morais se limita a dizer que o aborto é a restauração da pena de morte. É próprio dos mais conservadores dentro dos conservadores, e sul-americano concerteza. Não tem nada a ver com a Europa que a livre iniciativa seja um palmarés deixado vazio, preterido pelas fáceis e dóceis concessões às corporações fácticas. É próprio dos Estados sobretudo confessionais e não de sociedades civis dinâmicas. Não tem nada a ver com a Europa que se regrida a ponto de substituir o acto livre e consciente, por isso pleno e sublime de escolher uma religião, pela imposição de um princípio de obrigatoriedade, por isso sem elevação, nas escolas, de uma confissão. É próprio do passado.”
in Tempo, 20 de Maio de 1982, página 8
poderia ser dito por qualquer defensor dos direitos das mulheres, por qualquer intelectual com pretensão, por qualquer esquerdista irritado com o governo...
mas foi escrito por um jovem de cabelo muito lambidinho e oculos estilo para dar maturidade, num tom de quem anda zangado com o rumo que o mundo leva. foi em 1982, e o colunista do jornal Tempo (semanário de 65 mil exemplares de tiragem média) era paulo portas.
podem encontrar 3 dos artigos onde o arttista discorreu sobre a matéria, no barnabé.
a festa segue dentro de momentos.
" Não tem nada a ver com a Europa um país em que o discurso da social-democracia sobre as questões morais se limita a dizer que o aborto é a restauração da pena de morte. É próprio dos mais conservadores dentro dos conservadores, e sul-americano concerteza. Não tem nada a ver com a Europa que a livre iniciativa seja um palmarés deixado vazio, preterido pelas fáceis e dóceis concessões às corporações fácticas. É próprio dos Estados sobretudo confessionais e não de sociedades civis dinâmicas. Não tem nada a ver com a Europa que se regrida a ponto de substituir o acto livre e consciente, por isso pleno e sublime de escolher uma religião, pela imposição de um princípio de obrigatoriedade, por isso sem elevação, nas escolas, de uma confissão. É próprio do passado.”
in Tempo, 20 de Maio de 1982, página 8
29.2.04
#2
Força Portugal
há coisas que me desconcertam...
há uns meses, uma série de gajos baldaram-se ao trabalho para ir à bola. a desculpa foi clara: trabalho político.
no entanto, se uma série de outros gajos decide levantar questões dificeis, perguntar, divergir e pôr em causa... os gajos da bola acusam logo, de dedo espetado: querem mexer com questões de consciência individual, querem fazer aproveitamento político.
Forca Portugal!
Força Portugal
há coisas que me desconcertam...
há uns meses, uma série de gajos baldaram-se ao trabalho para ir à bola. a desculpa foi clara: trabalho político.
no entanto, se uma série de outros gajos decide levantar questões dificeis, perguntar, divergir e pôr em causa... os gajos da bola acusam logo, de dedo espetado: querem mexer com questões de consciência individual, querem fazer aproveitamento político.
Forca Portugal!
27.2.04
#3
recebi, da parte de Mr Ginger, o mail abaixo transcrito. como este amigo é grande utilizador do sistema de comentários do metrografismos, penso que é justo dar-lhe algum direito de antena.
se derem uma volta pela tasca deste great vodka snifer, não percam os diferentes episódios da sua genial blogonovela, na qual eu próprio começo a ter um papel venezuelano.
--XX--XX--XX--
viva,
sei q este mail n serve para nada
mas mesmo assim devo escreve-lo
.....................................
caro andré metrografista,
a tua (excelente) participación na blogonovala n é + que una forma de
pressao para colocares comentarios no blog
presumo q n cedas a pressoes e/ou chantagens
(espero bem q n o faças. das-me muito jeito assim "casmurrito")
encontrei-te a parceira ideal, q tanbien morre de amores por ti
saudações bloguisticas
ginger ale (aka great vodka snifer)
:P
recebi, da parte de Mr Ginger, o mail abaixo transcrito. como este amigo é grande utilizador do sistema de comentários do metrografismos, penso que é justo dar-lhe algum direito de antena.
se derem uma volta pela tasca deste great vodka snifer, não percam os diferentes episódios da sua genial blogonovela, na qual eu próprio começo a ter um papel venezuelano.
--XX--XX--XX--
viva,
sei q este mail n serve para nada
mas mesmo assim devo escreve-lo
.....................................
caro andré metrografista,
a tua (excelente) participación na blogonovala n é + que una forma de
pressao para colocares comentarios no blog
presumo q n cedas a pressoes e/ou chantagens
(espero bem q n o faças. das-me muito jeito assim "casmurrito")
encontrei-te a parceira ideal, q tanbien morre de amores por ti
saudações bloguisticas
ginger ale (aka great vodka snifer)
:P
26.2.04
#2
porque há ideias que são cavalos desenfreados nos sonhos.
Horses
Horses in my dreams
Like waves, like the sea
They pull out of here
They pull, they are free
Rode a horse around the world
Along the tracks of a train
Broke the record, found the gold
Set myself free again
I have pulled myself clear
Horses in my dreams
Like waves, like the sea
On the tracks of a train
Set myself free again
I have pulled myself clear
PJ Harvey, in Storys from the City...
porque há ideias que são cavalos desenfreados nos sonhos.
Horses
Horses in my dreams
Like waves, like the sea
They pull out of here
They pull, they are free
Rode a horse around the world
Along the tracks of a train
Broke the record, found the gold
Set myself free again
I have pulled myself clear
Horses in my dreams
Like waves, like the sea
On the tracks of a train
Set myself free again
I have pulled myself clear
PJ Harvey, in Storys from the City...
#1
apesar de ser bastante brando com os privados, o autor deste texto traça, de uma forma sintética, o quadro geral da Saúde no nosso país...
sugiro leitura atenta a quem quer perceber o que se esconde por detrás do misterioso sorriso do Sr. Luis Filipe Pereira, ex administrador do grupo mello e actual ministro da saúde.
Um Alerta: Há Doença na Saúde
Por A. REIS MARQUES
público, 26 de Fevereiro de 2004
O Ministério da Saúde seguiu uma estratégia consonante com a política do Governo, cuja linha orientadora dominante é o definhamento do papel social do Estado e a sua substituição pela iniciativa privada. O Estado está a desenvencilhar-se progressivamente das suas obrigações sociais, com o cidadão indefeso perante o poder económico e as forças do mercado, ficando um espectro de devastação da organização, da cultura e da motivação dos profissionais dos vários sectores.
São as receitas neoliberais expandidas a nível global, com o endeusamento do mercado e a subordinação das pessoas e do seu bem-estar às leis que comandam a oferta e a procura.
Sabemos que está na moda o conceito de que nada no mundo moderno pode escapar às determinantes macroeconómicas. Este não é o nosso paradigma, estamos interessados em procurar alternativas.
A economia só é determinante porque pode influenciar o bem-estar do homem. A saúde é para todos um bem inestimável, por isso um direito social que deverá ser garantido sem discriminações a todos os cidadãos. É uma marca determinante de um projecto solidário da sociedade.
O resultado das alterações introduzidas recentemente na saúde está aí: o capital financeiro vai apanhar o grande volume de negócios que este sector representa, com o actual Governo a preparar o clima propício à privatização da maior parte do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Para já, fez uma habilidade contabilística, tirando os défices da saúde do Orçamento do Estado, passando parte dos hospitais a SA (sociedades anónimas). Outros, os novos hospitais a construir, vão sê-lo em parceria com entidades privadas. Os hospitais SA já consumiram o capital social com que foram dotados e, a partir de 2004, vão ter necessidade de novos investimentos, sendo provável a cedência nessa altura de parte do seu capital a investidores privados. Assim, é previsível que grande parte do sector público vá para o privado.
As últimas notícias publicadas na comunicação social sobre os hospitais SA mostram que a sua contabilidade, a forma como estão a operar, os gestores escolhidos, o privilégio que dão a alguns doentes (os que têm seguros), a falta de material que se vai fazendo notar, os problemas ligados aos contratos de trabalho dos funcionários, a selecção adversa que vão praticando são indicadores do desnorte que vai no ministério.
Os actuais responsáveis ministeriais elaboraram também novas leis para a gestão dos hospitais e centros de saúde não SA e, passados quase dois anos, nada aconteceu quanto à eficiência e à eficácia destes serviços. Antes pelo contrário, tudo se conjuga para rapidamente os centros de saúde serem acoplados aos hospitais SA, garantindo-se assim um bolo conjunto de doentes aos futuros compradores destas redes de unidades. A grande novidade é a nomeação em profusão dos homens e mulheres dos partidos do Governo para muitos dos conselhos de administração, não apresentando a maioria deles qualquer currículo que os recomende ou a mínima experiência no sector. A sua falta de competência é na generalidade gritante, mas vem-se consumando a corrida aos "jobs for the family", já visível em todas as empresas públicas. A verdade é que rapidamente tudo vai desmoronar-se, como exemplarmente está a acontecer na Figueira da Foz e noutros SA.
Conhecemos a necessidade imperiosa de alterar as regras de funcionamento da nossa administração e em particular do SNS. Há muito a mudar para conseguirmos ganhos em saúde, mas temos a certeza de que, apesar disso, o sector da saúde é o que melhor funciona na nossa administração.
À cultura de serviço público que o molda, é necessário juntar modernos modelos de gestão das estruturas complexas que são hoje as unidades de saúde. Este ministro levantou a bandeira da empresarialização, dizendo com alguma demagogia que com esta metodologia conseguiria um atendimento de qualidade e geriria melhor os recursos. Mas gerir não é, no seu entendimento, estudar as necessidades em saúde e alocar recursos para atingir os objectivos ou rentabilizar os já instalados. Gerir, para o Governo, é reduzir os gastos de qualquer maneira, sem critérios, sem tentar avaliar as consequências. A gestão não está ao serviço das pessoas, mas ao serviço da economia, transformando-se rapidamente numa ideologia, sem valores, sem moral, sem ética.
Na saúde, é perigosa a adopção das leis do mercado como princípio fundamental na modernização e competitividade da prestação, até porque não configura um verdadeiro mercado e está em jogo um dos bens mais sagrados das pessoas.
O sector público tem de dispor da espinha dorsal do sistema (grandes hospitais e centros de saúde estratégicos) para facilmente poder corrigir as distorções e as discriminações. O SNS, que embora seja hoje um mal-amado, é um produto generoso e solidário de várias gerações, certidão de garantia da saúde para os portugueses, e que precisa de ser agilizado para cumprir o papel de motor das transformações e dos avanços científicos.
O Estado tem de ser o regulador e, sem poder de intervenção, a regulação fica prejudicada. Só com um sector público moderno e eficiente se pode fazer uma efectiva regulação. De outra forma, nada nos afiança a equidade tanto no acesso, como nos processos de diagnóstico e terapêutica utilizados, em suma, a qualidade da prestação.
A privatização não é por si uma solução; há bons e maus gestores privados, boas e más empresas privadas. A solução passa por fazer uma correcta análise das necessidades e dotação das administrações regionais com meios para as satisfazer, pela avaliação dos serviços, pela responsabilização dos directores dos serviços, pela criação de incentivos à produtividade e à qualidade. Passa também pela gestão conjugada das várias unidades de uma região, facilitando a referenciação, estudando possíveis complementaridades, aproveitando totalmente as competências e os recursos humanos, gerindo clinicamente os doentes, tendo em atenção as suas necessidades em saúde e pela optimização da relação custo/eficácia dos procedimentos.
A nossa visão do futuro próximo é pessimista, pela possível diminuição da qualidade, com a provável exclusão de muitos estratos populacionais dos cuidados mais sofisticados, com o progressivo definhar do serviço público e a sua substituição por unidades privadas. Sabemos que uma prestação social pode ser feita contratualmente por privados, mas a saúde é um bem em que a qualidade pode ser facilmente mascarada, e os beneficiários do serviço, quase sempre debilitados, não estão em condições para a avaliarem correctamente e, muito menos, reivindicarem melhores condições.
Não há entidade reguladora nem meios para ressarcir em tempo útil danos que a voragem da produtividade vai originar. Só os médicos assumindo a provedoria do doente o podem proteger das discriminações.
A iniciativa privada necessária deve subordinar-se a princípios éticos, pelo que a iniciativa dos profissionais, das IPSS, ou outras entidades com experiência no sector seriam de privilégio. Pretendemos que não se reproduzam em Portugal os erros de outros países. Temos de assumir que há custos sociais a suportar para a dignificação da condição humana.
Presidente do conselho regional do Centro da Ordem dos Médicos
apesar de ser bastante brando com os privados, o autor deste texto traça, de uma forma sintética, o quadro geral da Saúde no nosso país...
sugiro leitura atenta a quem quer perceber o que se esconde por detrás do misterioso sorriso do Sr. Luis Filipe Pereira, ex administrador do grupo mello e actual ministro da saúde.
Um Alerta: Há Doença na Saúde
Por A. REIS MARQUES
público, 26 de Fevereiro de 2004
O Ministério da Saúde seguiu uma estratégia consonante com a política do Governo, cuja linha orientadora dominante é o definhamento do papel social do Estado e a sua substituição pela iniciativa privada. O Estado está a desenvencilhar-se progressivamente das suas obrigações sociais, com o cidadão indefeso perante o poder económico e as forças do mercado, ficando um espectro de devastação da organização, da cultura e da motivação dos profissionais dos vários sectores.
São as receitas neoliberais expandidas a nível global, com o endeusamento do mercado e a subordinação das pessoas e do seu bem-estar às leis que comandam a oferta e a procura.
Sabemos que está na moda o conceito de que nada no mundo moderno pode escapar às determinantes macroeconómicas. Este não é o nosso paradigma, estamos interessados em procurar alternativas.
A economia só é determinante porque pode influenciar o bem-estar do homem. A saúde é para todos um bem inestimável, por isso um direito social que deverá ser garantido sem discriminações a todos os cidadãos. É uma marca determinante de um projecto solidário da sociedade.
O resultado das alterações introduzidas recentemente na saúde está aí: o capital financeiro vai apanhar o grande volume de negócios que este sector representa, com o actual Governo a preparar o clima propício à privatização da maior parte do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Para já, fez uma habilidade contabilística, tirando os défices da saúde do Orçamento do Estado, passando parte dos hospitais a SA (sociedades anónimas). Outros, os novos hospitais a construir, vão sê-lo em parceria com entidades privadas. Os hospitais SA já consumiram o capital social com que foram dotados e, a partir de 2004, vão ter necessidade de novos investimentos, sendo provável a cedência nessa altura de parte do seu capital a investidores privados. Assim, é previsível que grande parte do sector público vá para o privado.
As últimas notícias publicadas na comunicação social sobre os hospitais SA mostram que a sua contabilidade, a forma como estão a operar, os gestores escolhidos, o privilégio que dão a alguns doentes (os que têm seguros), a falta de material que se vai fazendo notar, os problemas ligados aos contratos de trabalho dos funcionários, a selecção adversa que vão praticando são indicadores do desnorte que vai no ministério.
Os actuais responsáveis ministeriais elaboraram também novas leis para a gestão dos hospitais e centros de saúde não SA e, passados quase dois anos, nada aconteceu quanto à eficiência e à eficácia destes serviços. Antes pelo contrário, tudo se conjuga para rapidamente os centros de saúde serem acoplados aos hospitais SA, garantindo-se assim um bolo conjunto de doentes aos futuros compradores destas redes de unidades. A grande novidade é a nomeação em profusão dos homens e mulheres dos partidos do Governo para muitos dos conselhos de administração, não apresentando a maioria deles qualquer currículo que os recomende ou a mínima experiência no sector. A sua falta de competência é na generalidade gritante, mas vem-se consumando a corrida aos "jobs for the family", já visível em todas as empresas públicas. A verdade é que rapidamente tudo vai desmoronar-se, como exemplarmente está a acontecer na Figueira da Foz e noutros SA.
Conhecemos a necessidade imperiosa de alterar as regras de funcionamento da nossa administração e em particular do SNS. Há muito a mudar para conseguirmos ganhos em saúde, mas temos a certeza de que, apesar disso, o sector da saúde é o que melhor funciona na nossa administração.
À cultura de serviço público que o molda, é necessário juntar modernos modelos de gestão das estruturas complexas que são hoje as unidades de saúde. Este ministro levantou a bandeira da empresarialização, dizendo com alguma demagogia que com esta metodologia conseguiria um atendimento de qualidade e geriria melhor os recursos. Mas gerir não é, no seu entendimento, estudar as necessidades em saúde e alocar recursos para atingir os objectivos ou rentabilizar os já instalados. Gerir, para o Governo, é reduzir os gastos de qualquer maneira, sem critérios, sem tentar avaliar as consequências. A gestão não está ao serviço das pessoas, mas ao serviço da economia, transformando-se rapidamente numa ideologia, sem valores, sem moral, sem ética.
Na saúde, é perigosa a adopção das leis do mercado como princípio fundamental na modernização e competitividade da prestação, até porque não configura um verdadeiro mercado e está em jogo um dos bens mais sagrados das pessoas.
O sector público tem de dispor da espinha dorsal do sistema (grandes hospitais e centros de saúde estratégicos) para facilmente poder corrigir as distorções e as discriminações. O SNS, que embora seja hoje um mal-amado, é um produto generoso e solidário de várias gerações, certidão de garantia da saúde para os portugueses, e que precisa de ser agilizado para cumprir o papel de motor das transformações e dos avanços científicos.
O Estado tem de ser o regulador e, sem poder de intervenção, a regulação fica prejudicada. Só com um sector público moderno e eficiente se pode fazer uma efectiva regulação. De outra forma, nada nos afiança a equidade tanto no acesso, como nos processos de diagnóstico e terapêutica utilizados, em suma, a qualidade da prestação.
A privatização não é por si uma solução; há bons e maus gestores privados, boas e más empresas privadas. A solução passa por fazer uma correcta análise das necessidades e dotação das administrações regionais com meios para as satisfazer, pela avaliação dos serviços, pela responsabilização dos directores dos serviços, pela criação de incentivos à produtividade e à qualidade. Passa também pela gestão conjugada das várias unidades de uma região, facilitando a referenciação, estudando possíveis complementaridades, aproveitando totalmente as competências e os recursos humanos, gerindo clinicamente os doentes, tendo em atenção as suas necessidades em saúde e pela optimização da relação custo/eficácia dos procedimentos.
A nossa visão do futuro próximo é pessimista, pela possível diminuição da qualidade, com a provável exclusão de muitos estratos populacionais dos cuidados mais sofisticados, com o progressivo definhar do serviço público e a sua substituição por unidades privadas. Sabemos que uma prestação social pode ser feita contratualmente por privados, mas a saúde é um bem em que a qualidade pode ser facilmente mascarada, e os beneficiários do serviço, quase sempre debilitados, não estão em condições para a avaliarem correctamente e, muito menos, reivindicarem melhores condições.
Não há entidade reguladora nem meios para ressarcir em tempo útil danos que a voragem da produtividade vai originar. Só os médicos assumindo a provedoria do doente o podem proteger das discriminações.
A iniciativa privada necessária deve subordinar-se a princípios éticos, pelo que a iniciativa dos profissionais, das IPSS, ou outras entidades com experiência no sector seriam de privilégio. Pretendemos que não se reproduzam em Portugal os erros de outros países. Temos de assumir que há custos sociais a suportar para a dignificação da condição humana.
Presidente do conselho regional do Centro da Ordem dos Médicos
25.2.04
#1
eis um texto publicado no the Atlanta Journal e as consequências que gerou, um monumental engano...
-xx-xx-xx-xx-xx-xx-xx-
Companion Wanted:
SINGLE BLACK FEMALE seeks companionship, ethnicity unimportant. I am a very
good looking girl who LOVES to play. I love long walks in the woods, riding
in your pick-up truck, hunting, camping, fishing trips, and cozy winter
nights lying by the fire. Candlelight dinners will have me eating out of
your hands. I'll be at the front door when you get home from work, wearing
only what nature gave me. Kiss me and I'm yours. Call (404) 875-6429 and ask
for Daisy.
Over 15,000 men found themselves talking to the Atlanta Humane Society about
an 8-week-old Black Labrador Retriever.
eis um texto publicado no the Atlanta Journal e as consequências que gerou, um monumental engano...
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SINGLE BLACK FEMALE seeks companionship, ethnicity unimportant. I am a very
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your hands. I'll be at the front door when you get home from work, wearing
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for Daisy.
Over 15,000 men found themselves talking to the Atlanta Humane Society about
an 8-week-old Black Labrador Retriever.
24.2.04
#2
a relação que tenho com os poemas de florbela espanca é comparável à que tenho com o Martini - bebi muito de ambos e ambos me deixaram cataplético, dediquei-lhes noites e mágoas... até que. sem dar conta, enjoei e a sua memória passou a trazer-me um misto de nausea e doce recordação.
lembrei-me disto enquanto tentava escrever um post sobre os últimos dias. a palavra alentejo faz-me sempre lembrar as palavras retorcidas da poetisa (sem gelo nem limão), uma inconstância tremenda, sentimentos em ebulição, estradas a derreter, o desejo de água fresca, a sensação de ser o princípio e o fim das coisas.
não consegui encontrar um poema seu que me desse a imagem dos dias que passaram, já que a chuva era tanta.
estou de volta, com o surrealismo revoltado contra a aspereza dos dias.
a relação que tenho com os poemas de florbela espanca é comparável à que tenho com o Martini - bebi muito de ambos e ambos me deixaram cataplético, dediquei-lhes noites e mágoas... até que. sem dar conta, enjoei e a sua memória passou a trazer-me um misto de nausea e doce recordação.
lembrei-me disto enquanto tentava escrever um post sobre os últimos dias. a palavra alentejo faz-me sempre lembrar as palavras retorcidas da poetisa (sem gelo nem limão), uma inconstância tremenda, sentimentos em ebulição, estradas a derreter, o desejo de água fresca, a sensação de ser o princípio e o fim das coisas.
não consegui encontrar um poema seu que me desse a imagem dos dias que passaram, já que a chuva era tanta.
estou de volta, com o surrealismo revoltado contra a aspereza dos dias.
21.2.04
20.2.04
#1
arrepia-me a recordação da adriana calcanhoto a cantar noite.
o coliseu rendeu-se à simplicidade da sua imensidão.
foi em junho. gostei tanto que tive de voltar, duas noites depois.
no final do segundo espectáculo, incendiado pela voz, pelo jogo de luz e pela sede dos dias, aventurei-me pela blogosfera e postei os metrografismos.
arrepia-me a recordação da adriana calcanhoto a cantar noite.
o coliseu rendeu-se à simplicidade da sua imensidão.
foi em junho. gostei tanto que tive de voltar, duas noites depois.
no final do segundo espectáculo, incendiado pela voz, pelo jogo de luz e pela sede dos dias, aventurei-me pela blogosfera e postei os metrografismos.
19.2.04
#1
a capa da Visão de hoje traz escarrapachado um belo exemplo de educação para a saúde, que deveria ser levado em conta por muito boa gente, em nome de um mundo melhor.
leiam com atenção: o sexo faz bem à saúde.
a quem duvidar desta medicina alternativa eu recomendo: não neguem à partida uma ciencia que desconhecem.
a capa da Visão de hoje traz escarrapachado um belo exemplo de educação para a saúde, que deveria ser levado em conta por muito boa gente, em nome de um mundo melhor.
leiam com atenção: o sexo faz bem à saúde.
a quem duvidar desta medicina alternativa eu recomendo: não neguem à partida uma ciencia que desconhecem.
18.2.04
17.2.04
#3
acabou o julgamento de aveiro, essa vergonha para a democracia e para a consciência.
apesar da absolvição de tod@s @s arguid@s, fica a ofensa, a humilhação e a avaliação moral a que foram submetid@s aqueles homens e, sobretudo, aquelas mulheres. dúvido que o tempo seja suficiente para sarar uma ferida que, em nome da justiça, se abriu ainda mais.
já é tempo de se assumir esta realidade, de implementar medidas que diminuam a opção pelo aborto e de permitir que quem por ele opta o possa fazer em dignidade.
é também tempo de quebrar o tabu da sexualidade, de olhar com outros olhos os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, de acabar com este moralismo hipócrita.
acabou o julgamento de aveiro, essa vergonha para a democracia e para a consciência.
apesar da absolvição de tod@s @s arguid@s, fica a ofensa, a humilhação e a avaliação moral a que foram submetid@s aqueles homens e, sobretudo, aquelas mulheres. dúvido que o tempo seja suficiente para sarar uma ferida que, em nome da justiça, se abriu ainda mais.
já é tempo de se assumir esta realidade, de implementar medidas que diminuam a opção pelo aborto e de permitir que quem por ele opta o possa fazer em dignidade.
é também tempo de quebrar o tabu da sexualidade, de olhar com outros olhos os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, de acabar com este moralismo hipócrita.
16.2.04
#1
não é todos os dias que se recebe um elogio de uma simpática...
Senhor Metrografista,
mais uma voz que se junta ao coro de protestos por não ter comentários
no seu blog.
Só mesmo o LINDÍSSIMO poema "Imagina que há uma guerra" para me fazer
enviar-te um comentário via mail.
Adorei - em beleza e simplicidade, achei mesmo...
Um beijinho,
C
não é todos os dias que se recebe um elogio de uma simpática...
Senhor Metrografista,
mais uma voz que se junta ao coro de protestos por não ter comentários
no seu blog.
Só mesmo o LINDÍSSIMO poema "Imagina que há uma guerra" para me fazer
enviar-te um comentário via mail.
Adorei - em beleza e simplicidade, achei mesmo...
Um beijinho,
C
15.2.04
#1
Imagina que há uma guerra
Imagina que há uma guerra
e não vai ninguém,
que nos encontramos todos
numa esquina ou
no jardim mais bonito desta cidade
para celebrar
uma guerra vazia,
para brindar aos mortos
que não morrerão
e às bombas frustadas
Imagina que há uma guerra
e não vai ninguém
que a arrogância dos discursos
se redime nas espingardas caladas
e que em nosso nome
não se alimentará
um ódio que não é nosso
andré, escrito há um ano
Imagina que há uma guerra
Imagina que há uma guerra
e não vai ninguém,
que nos encontramos todos
numa esquina ou
no jardim mais bonito desta cidade
para celebrar
uma guerra vazia,
para brindar aos mortos
que não morrerão
e às bombas frustadas
Imagina que há uma guerra
e não vai ninguém
que a arrogância dos discursos
se redime nas espingardas caladas
e que em nosso nome
não se alimentará
um ódio que não é nosso
andré, escrito há um ano
#1
Em nosso nome não
apesar dos meses de organização, só esperavamos, no máximo dos máximos, 20 mil pessoas na rua.
quando cheguei ao largo do camões nem quis acreditar no que via: não havia espaço para mais um ovo! todas as ruas de acesso se enchiam com um massa humana gigantesca, colorida e alegre por estar alí à luz do sol. homens e mulheres, velhos e graudos, crianças, bebés, crentes e ateus, figuras públicas, ilustres anónim@s, estudantes, reformados, operários, doutores, bandeiras partidárias e sindicais, cartazes e faixas feitos de improviso por quem nunca experimentara o protesto, imaginação e esperança.
seriamos 50, 80, 100 mil? no mundo teremos sido uns trinta milhões a gritar em sintonia: Em nosso nome não!
um mês mais tarde, vimos, nas lajes, o cherne a lamber (mais uma vez) as botas a bush. Com medo do protesto, foram ao canto mais isolado da europa para assinar a guerra. nem assim se livraram de uma manif de 500 convictos pacifistas (eu estava lá, por acaso). a magoa d@s açorean@s é indescritivel...
Em nosso nome não!
não conseguimos parar a guerra, mas fizemos o mundo suspender a respiração enquanto via nascer, nas ruas, aquilo a que o new york times chamou a nova superpotência.
mostrámos aos senhores da guerra, aos bushs e aos sadans, aos tonys e aos bins, que entre o preto e o branco, existem as cores da tolerância, existem os sonhos de outro mundo, um mundo diferente, outro mundo possível. dissemos-lhes...
Em nosso nome não!
foi há um ano, em lisboa e no mundo.
Em nosso nome não
apesar dos meses de organização, só esperavamos, no máximo dos máximos, 20 mil pessoas na rua.
quando cheguei ao largo do camões nem quis acreditar no que via: não havia espaço para mais um ovo! todas as ruas de acesso se enchiam com um massa humana gigantesca, colorida e alegre por estar alí à luz do sol. homens e mulheres, velhos e graudos, crianças, bebés, crentes e ateus, figuras públicas, ilustres anónim@s, estudantes, reformados, operários, doutores, bandeiras partidárias e sindicais, cartazes e faixas feitos de improviso por quem nunca experimentara o protesto, imaginação e esperança.
seriamos 50, 80, 100 mil? no mundo teremos sido uns trinta milhões a gritar em sintonia: Em nosso nome não!
um mês mais tarde, vimos, nas lajes, o cherne a lamber (mais uma vez) as botas a bush. Com medo do protesto, foram ao canto mais isolado da europa para assinar a guerra. nem assim se livraram de uma manif de 500 convictos pacifistas (eu estava lá, por acaso). a magoa d@s açorean@s é indescritivel...
Em nosso nome não!
não conseguimos parar a guerra, mas fizemos o mundo suspender a respiração enquanto via nascer, nas ruas, aquilo a que o new york times chamou a nova superpotência.
mostrámos aos senhores da guerra, aos bushs e aos sadans, aos tonys e aos bins, que entre o preto e o branco, existem as cores da tolerância, existem os sonhos de outro mundo, um mundo diferente, outro mundo possível. dissemos-lhes...
Em nosso nome não!
foi há um ano, em lisboa e no mundo.
13.2.04
#1
Out of time
Where's the love song to set us free
Too many people down
Everything turning the wrong way round
And I don't know what life would be
If we stop dreaming now
Lord knows we'd never clear the clouds
And you've been so busy lately that you haven't found the time
To open up your mind
And watch the world spinning gently out of time
Feel the sunshine on your face
It's on a computer now
Gone to the future way out in space
And you've been so busy lately that you haven't found the time
To open up your mind
And watch the world spinning gently out of time x 2
Tell me I'm not dreaming
But are we out of time
We're out of time
Out of time (x4)
Blur, think thank
Out of time
Where's the love song to set us free
Too many people down
Everything turning the wrong way round
And I don't know what life would be
If we stop dreaming now
Lord knows we'd never clear the clouds
And you've been so busy lately that you haven't found the time
To open up your mind
And watch the world spinning gently out of time
Feel the sunshine on your face
It's on a computer now
Gone to the future way out in space
And you've been so busy lately that you haven't found the time
To open up your mind
And watch the world spinning gently out of time x 2
Tell me I'm not dreaming
But are we out of time
We're out of time
Out of time (x4)
Blur, think thank
12.2.04
11.2.04
#4
NATO happy to ignore explosions in Afghan opium output, says Russia
título retirado do jornal Britânico The Guardian, 9 Fevereiro 2003
e, no primeiro parágrafo da notícia, podemos ler:
«A Nato está a fechar os olhos ao florescente mercado do ópio no Afeganistão para assim garantir o apoio dos senhores da guerra, no sentido de manter a segurança no país, afirmou o ministro da defesa Russo.»
o resto do texto é uma resposta exemplar à pergunta: a quem serve a guerra?
NATO happy to ignore explosions in Afghan opium output, says Russia
título retirado do jornal Britânico The Guardian, 9 Fevereiro 2003
e, no primeiro parágrafo da notícia, podemos ler:
«A Nato está a fechar os olhos ao florescente mercado do ópio no Afeganistão para assim garantir o apoio dos senhores da guerra, no sentido de manter a segurança no país, afirmou o ministro da defesa Russo.»
o resto do texto é uma resposta exemplar à pergunta: a quem serve a guerra?
#3
e que tal um jazz vindo directamente de new orleans?
WWOZ New Orleans Community Radio
Your Jazz and Heritage Station
esta é uma ideia roubada ao senhor carne.
e que tal um jazz vindo directamente de new orleans?
WWOZ New Orleans Community Radio
Your Jazz and Heritage Station
esta é uma ideia roubada ao senhor carne.
#2
lá dizia o outrro: oh meux amigox... jejejejejeje
Ai o Sexo!...
Por JOAQUIM FIDALGO
Público, 11 de Fevereiro de 2004
A senhora secretária de Estado da Educação e militante do PP, de sua graça Mariana Cascais, é um espanto. Por exemplo, ela acha que a lei que preconiza, desde há 20 anos (!!!), a obrigatoriedade da educação sexual nas escolas portuguesas está a ser cumprida. Deve ser a única pessoa a pensar tal, mas lá terá as suas razões. Ainda assim, admite que é necessário proceder a algumas mudanças e está a tratar disso. Por acaso, uns deputados do PSD - partido que faz coligação governamental com o PP - também estão a tratar disso, e por acaso com perspectivas muito diferentes das da senhora secretária de Estado da Educação...
Mas Mariana Cascais é uma verdadeira liberal, por pouco que pareça. A senhora disse, em entrevista ao "Diário de Notícias" do último domingo, esta coisa espantosa: "Se eu quisesse, não havia educação sexual." Tal e qual. Lendo a elucidativa conversa que teve com as jornalistas, percebe-se bem o sentido daquela afirmação. É algo do género "vocês estão para aí a sugerir que sou retrógrada e conservadora, que tenho umas ideias um pouco fechadas em relação à educação sexual nas escolas, mas não, eu até sou muito aberta, e a prova é que até vai haver alguma educação sexual nas escolas, sim, alguma, portanto não me acusem, até porque sou eu que mando e, se eu quisesse, nem sequer se falava dessas... ah... 'coisas' nas nossas escolas". Estão a ver como ela é aberta, moderna e "práfrentex"? Ela, que é "dona" da educação em Portugal; ela, que manda nas escolas a seu bel-prazer; ela, que podia perfeitamente, "se quisesse", riscar a educação sexual dos programas, mesmo havendo uma lei da República que a tornou obrigatória; ela, sim, vai generosamente permitir alguma abordagem dessas... ah... 'coisas' nas aulas!
Mas atenção, tem tudo de ser científico, neutro e prudente. Não se pode, por exemplo, ir para uma sala de aula mostrar como é que se coloca um preservativo, essa modernice que se faz em algumas escolas estrangeiras. Não, nós "temos uma mentalidade muito retrógrada", garante a senhora (que bem deve saber do que fala...). Para ela, talvez se possa falar do preservativo, mas pouquinho e como algo de excepcional, algo que só "os outros", os "que se portam menos bem", precisam de usar. Porque o importante é os meninos e as meninas aprenderem os valores da abstinência pré-matrimonial e da fidelidade conjugal a um só parceiro (e isto é que é ser neutro...). Mais nada! Se sabem para que serve um preservativo, e se até aprendem as técnicas do seu uso correcto, às tantas vão pôr-se todos para aí a utilizá-lo de manhã à noite... Sim, que a educação sexual é nisso que dá: num regabofe sem parança, numa promiscuidade a todo o transe, numa pouca-vergonha!
E eu que julgava que educação sexual era para os jovens estarem bem informados de tudo (mas informados mesmo, clara e concretamente) para depois poderem decidir, com liberdade responsável, como querem conduzir a sua vida, por exemplo sabendo os riscos que correm e sabendo também como evitá-los... Há-de ser giro ver a senhora secretária de Estado da Educação discutir estas matérias com os colegas sociais-democratas da coligação!
lá dizia o outrro: oh meux amigox... jejejejejeje
Ai o Sexo!...
Por JOAQUIM FIDALGO
Público, 11 de Fevereiro de 2004
A senhora secretária de Estado da Educação e militante do PP, de sua graça Mariana Cascais, é um espanto. Por exemplo, ela acha que a lei que preconiza, desde há 20 anos (!!!), a obrigatoriedade da educação sexual nas escolas portuguesas está a ser cumprida. Deve ser a única pessoa a pensar tal, mas lá terá as suas razões. Ainda assim, admite que é necessário proceder a algumas mudanças e está a tratar disso. Por acaso, uns deputados do PSD - partido que faz coligação governamental com o PP - também estão a tratar disso, e por acaso com perspectivas muito diferentes das da senhora secretária de Estado da Educação...
Mas Mariana Cascais é uma verdadeira liberal, por pouco que pareça. A senhora disse, em entrevista ao "Diário de Notícias" do último domingo, esta coisa espantosa: "Se eu quisesse, não havia educação sexual." Tal e qual. Lendo a elucidativa conversa que teve com as jornalistas, percebe-se bem o sentido daquela afirmação. É algo do género "vocês estão para aí a sugerir que sou retrógrada e conservadora, que tenho umas ideias um pouco fechadas em relação à educação sexual nas escolas, mas não, eu até sou muito aberta, e a prova é que até vai haver alguma educação sexual nas escolas, sim, alguma, portanto não me acusem, até porque sou eu que mando e, se eu quisesse, nem sequer se falava dessas... ah... 'coisas' nas nossas escolas". Estão a ver como ela é aberta, moderna e "práfrentex"? Ela, que é "dona" da educação em Portugal; ela, que manda nas escolas a seu bel-prazer; ela, que podia perfeitamente, "se quisesse", riscar a educação sexual dos programas, mesmo havendo uma lei da República que a tornou obrigatória; ela, sim, vai generosamente permitir alguma abordagem dessas... ah... 'coisas' nas aulas!
Mas atenção, tem tudo de ser científico, neutro e prudente. Não se pode, por exemplo, ir para uma sala de aula mostrar como é que se coloca um preservativo, essa modernice que se faz em algumas escolas estrangeiras. Não, nós "temos uma mentalidade muito retrógrada", garante a senhora (que bem deve saber do que fala...). Para ela, talvez se possa falar do preservativo, mas pouquinho e como algo de excepcional, algo que só "os outros", os "que se portam menos bem", precisam de usar. Porque o importante é os meninos e as meninas aprenderem os valores da abstinência pré-matrimonial e da fidelidade conjugal a um só parceiro (e isto é que é ser neutro...). Mais nada! Se sabem para que serve um preservativo, e se até aprendem as técnicas do seu uso correcto, às tantas vão pôr-se todos para aí a utilizá-lo de manhã à noite... Sim, que a educação sexual é nisso que dá: num regabofe sem parança, numa promiscuidade a todo o transe, numa pouca-vergonha!
E eu que julgava que educação sexual era para os jovens estarem bem informados de tudo (mas informados mesmo, clara e concretamente) para depois poderem decidir, com liberdade responsável, como querem conduzir a sua vida, por exemplo sabendo os riscos que correm e sabendo também como evitá-los... Há-de ser giro ver a senhora secretária de Estado da Educação discutir estas matérias com os colegas sociais-democratas da coligação!
#1
Amigo, perdi o caminho. Eco: o caminho prossegue.
Há outro caminho? Eco : o caminho é só um.
Tenho de reconstruir o trilho? Eco: está perdido, desapareceu
Para trás, tenho de caminhar para trás! Eco: nenhum caminho vai lá ter, nenhum.
Então farei daqui o meu lugar, Eco: (a estrada continua)
Permanecerei imóvel e fixarei o meu rosto, Eco: (a estrada avança)
Ficarei aqui, ficarei para sempre. Eco: nenhum se por aqui, nenhum.
Não consigo encontrar o caminho Eco: o caminho prossegue.
Oh, os lugares porque passei! Eco: essa viagem acabou.
E o que virá por fim? Eco: A estrada prossegue.
Edwuin Muir
Amigo, perdi o caminho. Eco: o caminho prossegue.
Há outro caminho? Eco : o caminho é só um.
Tenho de reconstruir o trilho? Eco: está perdido, desapareceu
Para trás, tenho de caminhar para trás! Eco: nenhum caminho vai lá ter, nenhum.
Então farei daqui o meu lugar, Eco: (a estrada continua)
Permanecerei imóvel e fixarei o meu rosto, Eco: (a estrada avança)
Ficarei aqui, ficarei para sempre. Eco: nenhum se por aqui, nenhum.
Não consigo encontrar o caminho Eco: o caminho prossegue.
Oh, os lugares porque passei! Eco: essa viagem acabou.
E o que virá por fim? Eco: A estrada prossegue.
Edwuin Muir
10.2.04
#1
Bruno Bozzetto, já ouviram falar?
entre outras coisas, é um ás a utilizar flash como meio de suporte na dificil explicação das ideossincrasias culturais italianas.
Bruno Bozzetto, já ouviram falar?
entre outras coisas, é um ás a utilizar flash como meio de suporte na dificil explicação das ideossincrasias culturais italianas.
9.2.04
#4
uma dia destes, uma colega viu-me a tirar umas notas no meu caderninho e comentou:
- tens um moleskine!
- moles kê?
- moleskine, esse caderno na tua mão é um moleskine, é famoso em todo o mundo.
não liguei muito à história, para mim era só um caderno preto de que gosto muito porque me foi dado por uma amiga italiana com a recomendação de nele deixar esquiços das viagens.
moles... kê?
ontem descobri o mistério que o tal kê guarda.
afinal, o "caderninho preto", que até tem um papel fino demais para canetas de tinta e uma estrutura pouco recomendada a quem gosta de fazer up grades às memórias escritas, é um objecto de culto de viajantes, artistas e escritores - entre os quais luis sepulveda. parece que as suas dimensões reduzidas (tamanho de bolso), as suas folhas brancas, o elastico que o fecha e a sua discrição lhe deram estatuto de companheiro indispensável de quem anda por aí a vaguear.
tem piada a história, dá-me vontade de ir novamente em busca de outros ares.
uma dia destes, uma colega viu-me a tirar umas notas no meu caderninho e comentou:
- tens um moleskine!
- moles kê?
- moleskine, esse caderno na tua mão é um moleskine, é famoso em todo o mundo.
não liguei muito à história, para mim era só um caderno preto de que gosto muito porque me foi dado por uma amiga italiana com a recomendação de nele deixar esquiços das viagens.
moles... kê?
ontem descobri o mistério que o tal kê guarda.
afinal, o "caderninho preto", que até tem um papel fino demais para canetas de tinta e uma estrutura pouco recomendada a quem gosta de fazer up grades às memórias escritas, é um objecto de culto de viajantes, artistas e escritores - entre os quais luis sepulveda. parece que as suas dimensões reduzidas (tamanho de bolso), as suas folhas brancas, o elastico que o fecha e a sua discrição lhe deram estatuto de companheiro indispensável de quem anda por aí a vaguear.
tem piada a história, dá-me vontade de ir novamente em busca de outros ares.
#2
«Se eu quisesse não havia educação sexual»
Mariana Cascais (Secretária de Estado da Educação), em entrevista ao dn de ontem
para que não haja enganos: a educação sexual é um favorzinho que esta amiga nos faz...
«Se eu quisesse não havia educação sexual»
Mariana Cascais (Secretária de Estado da Educação), em entrevista ao dn de ontem
para que não haja enganos: a educação sexual é um favorzinho que esta amiga nos faz...
8.2.04
#1
finalmente encontrei um disco que, nos últimos 4 anos, tanto procurei. chama-se a janela, foi gravado (em parte) na cidade de lisboa e ganhou lugar no panteão das raridas. é o único albúm a solo conhecido de chris eckman, o vocalista dos the walkabouts.
vale bem a persistência
finalmente encontrei um disco que, nos últimos 4 anos, tanto procurei. chama-se a janela, foi gravado (em parte) na cidade de lisboa e ganhou lugar no panteão das raridas. é o único albúm a solo conhecido de chris eckman, o vocalista dos the walkabouts.
vale bem a persistência
#2
hoje levantei-me cedo para realizar um sonho antigo: visitar a fundação Arpad Szenes- Vieira da Silva.
aproveitei a exposição das litografias que Henri Matisse fez para ilustrar as cartas portuguesas de Mariana Alcoforado, para me perder por dois espaços que se complemetam nas cores e perspectiva: o jardim da mãe de água, sorrindo para uma lisboa soalheira, e a colecção permanente da fundação.
o trabalho do artista francês vale pela simplicidade com retrata Soror Mariana Alcoforado (1640-1723) - que viveu no Convento de Nossa Senhora da Conceição, em Beja. Por volta de 1665 conhece o Marquês de Chamilly, que chega a Portugal integrando as tropas francesas que vêm ajudar nas campanhas da Restauração. Seduzida pelo Marquês, escreve-lhe cinco cartas quando este regressa a França.
pergunto-me como é que tenho conseguido andar a metrografar pelo mundo e nunca ter ido a um sitio tão perto de casa?
hoje levantei-me cedo para realizar um sonho antigo: visitar a fundação Arpad Szenes- Vieira da Silva.
aproveitei a exposição das litografias que Henri Matisse fez para ilustrar as cartas portuguesas de Mariana Alcoforado, para me perder por dois espaços que se complemetam nas cores e perspectiva: o jardim da mãe de água, sorrindo para uma lisboa soalheira, e a colecção permanente da fundação.
o trabalho do artista francês vale pela simplicidade com retrata Soror Mariana Alcoforado (1640-1723) - que viveu no Convento de Nossa Senhora da Conceição, em Beja. Por volta de 1665 conhece o Marquês de Chamilly, que chega a Portugal integrando as tropas francesas que vêm ajudar nas campanhas da Restauração. Seduzida pelo Marquês, escreve-lhe cinco cartas quando este regressa a França.
pergunto-me como é que tenho conseguido andar a metrografar pelo mundo e nunca ter ido a um sitio tão perto de casa?
7.2.04
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim
(...)
chico buarque, in tanto mar
6.2.04
5.2.04
#3
recebi o mail que aqui passo a reproduzir.
vou pedir aos meus advogados uma análise atenta dos seus conteúdos.
--XX--XX--XX--
Viva Metrografista
Serve este mail para falar de comentários
Sempre que aqui venho deparo-me com a (para mim) incómoda situação de
ter de enviar um mail se quiser comunicar algo a VExa.
Para mais, a minha ideia fica entre VExa e a minha pessoa, com todo o
empobrecimento de ideias que isso acarreta para a humanidade.
Para mais ainda, é (como já disse algures) algo larilóide enviar mails
a gajos...
Ainda para mais, é egoísta ir mandar postas nos comentários dos outros
e não deixar q mandem no seu blog...
Não o apelido de fascizóide, pq os conteúdos do blog assim não o indiciam, mas a inexistência de comentários é em sim mesmo uma atitude fascista.
Você n usa um bigodinho minusculo, por acaso, não?
Fale c a sua irmã japonesa e democratize o blog!
Tenho dito
ginger ale
(aka padeira de Aljubarrota)
recebi o mail que aqui passo a reproduzir.
vou pedir aos meus advogados uma análise atenta dos seus conteúdos.
--XX--XX--XX--
Viva Metrografista
Serve este mail para falar de comentários
Sempre que aqui venho deparo-me com a (para mim) incómoda situação de
ter de enviar um mail se quiser comunicar algo a VExa.
Para mais, a minha ideia fica entre VExa e a minha pessoa, com todo o
empobrecimento de ideias que isso acarreta para a humanidade.
Para mais ainda, é (como já disse algures) algo larilóide enviar mails
a gajos...
Ainda para mais, é egoísta ir mandar postas nos comentários dos outros
e não deixar q mandem no seu blog...
Não o apelido de fascizóide, pq os conteúdos do blog assim não o indiciam, mas a inexistência de comentários é em sim mesmo uma atitude fascista.
Você n usa um bigodinho minusculo, por acaso, não?
Fale c a sua irmã japonesa e democratize o blog!
Tenho dito
ginger ale
(aka padeira de Aljubarrota)
#2
o povo americano está chocado com meio top less que a garota jackson fez na final do superball.
para lá do pormenor da estrela de xerife, não vi mais nada de chocante naquelas imagens... mas as sensiveis almas dos sobrinhos do tio sam ficaram muito constrangidos, talvez com a curvatura e a delicadeza da pele clara da intimidade de janet.
por causa disto, a entrega dos gramys será transmitida com alguns minutos de atraso... não vá aparecer outra estrela de xerife ou um novo michael moore a gritar: shame on you mister bush!
dá-me ideia que esta gente anda com a atenção focada nos motivos errados.
o povo americano está chocado com meio top less que a garota jackson fez na final do superball.
para lá do pormenor da estrela de xerife, não vi mais nada de chocante naquelas imagens... mas as sensiveis almas dos sobrinhos do tio sam ficaram muito constrangidos, talvez com a curvatura e a delicadeza da pele clara da intimidade de janet.
por causa disto, a entrega dos gramys será transmitida com alguns minutos de atraso... não vá aparecer outra estrela de xerife ou um novo michael moore a gritar: shame on you mister bush!
dá-me ideia que esta gente anda com a atenção focada nos motivos errados.
4.2.04
#1
a C trouxe-me de volta a dEUS.
ouvi, numa espécie de redenção, parte da banda sonora da minha vida.
theme from thurnpike (in a bar under the sea, 1997), por exemplo, traz consigo a memória de um carro de janelas abertas a cruzar um entardecer alentejano.
palavras dos senhores:
He went to the bottom, put his soul on fire
New Jersey Turnpike riding on a wet night
Maybe he got the rhyme
Maybe he got the eyes
Maybe he got the time counterclockwise
Yeah...
He said... He said...
New Jersey Turnpike riding on a wet night
Maybe he got the song
Maybe he got the size
Maybe he got it wrong counterclockwise
Yeah...
He said: "No more loud music"
a C trouxe-me de volta a dEUS.
ouvi, numa espécie de redenção, parte da banda sonora da minha vida.
theme from thurnpike (in a bar under the sea, 1997), por exemplo, traz consigo a memória de um carro de janelas abertas a cruzar um entardecer alentejano.
palavras dos senhores:
He went to the bottom, put his soul on fire
New Jersey Turnpike riding on a wet night
Maybe he got the rhyme
Maybe he got the eyes
Maybe he got the time counterclockwise
Yeah...
He said... He said...
New Jersey Turnpike riding on a wet night
Maybe he got the song
Maybe he got the size
Maybe he got it wrong counterclockwise
Yeah...
He said: "No more loud music"
3.2.04
#2
conta Luis spulveda que, de cada vez que um facho morre ou é metralhado nas ruas de santiago do chile, ele abre a melhor garrafa de vinho que encontra e bebe pela memória d@s que cairam nas garras de pinochet. uma noite chegou mesmo a faze-lo com água, à falta de bebida mais requintada.
lembrei-me desta história ao saber da morte de kaulza de arriaga, um facho sanguinário da nossa ditadura. é com satisfação que ergo a minha taça, estes podem cair que nem tordos em dia de caça, não fazem cá falta.
conta Luis spulveda que, de cada vez que um facho morre ou é metralhado nas ruas de santiago do chile, ele abre a melhor garrafa de vinho que encontra e bebe pela memória d@s que cairam nas garras de pinochet. uma noite chegou mesmo a faze-lo com água, à falta de bebida mais requintada.
lembrei-me desta história ao saber da morte de kaulza de arriaga, um facho sanguinário da nossa ditadura. é com satisfação que ergo a minha taça, estes podem cair que nem tordos em dia de caça, não fazem cá falta.
#1
"preciso da sua ajuda"
"diga como"
(...)
"quero ajuda para escrever um livro"
"quanto menos ajuda dos outros melhor"
Morel reflecte por instantes
"estou muito acabado"
"é assim mesmo que se escreve"
"eu quero ter certeza de que vou ser publicado"
"essa certeza não pode ter"
(...)
"adianta escrever, se ninguém vai ler?"
"adianta sempre."
Ruben Fonseca in O caso Morel
"preciso da sua ajuda"
"diga como"
(...)
"quero ajuda para escrever um livro"
"quanto menos ajuda dos outros melhor"
Morel reflecte por instantes
"estou muito acabado"
"é assim mesmo que se escreve"
"eu quero ter certeza de que vou ser publicado"
"essa certeza não pode ter"
(...)
"adianta escrever, se ninguém vai ler?"
"adianta sempre."
Ruben Fonseca in O caso Morel
2.2.04
#2
portugal tem meio milhão de casas vagas.
cerca de 29 mil familias vivem em condições sub-humanas.
informação retirada do público de hoje
afinal parece que a construção civil e a especulação imobiliária mandam mesmo neste país!
face à barbaridade dos números, há uma velha frase, tão famosas no PREC, que me vem à ideia:
tanta gente sem casa, tanta casa sem gente
portugal tem meio milhão de casas vagas.
cerca de 29 mil familias vivem em condições sub-humanas.
informação retirada do público de hoje
afinal parece que a construção civil e a especulação imobiliária mandam mesmo neste país!
face à barbaridade dos números, há uma velha frase, tão famosas no PREC, que me vem à ideia:
tanta gente sem casa, tanta casa sem gente
#1
fui ver, entre 239 pipoqueiros de sábado à tarde, lost in translaton, de Sofia Copolla.
o titulo da versão portuguesa - o amor é um lugar estranho - não é muito feliz, mas, tal como adivinhava, este é um filme de doce solidão, tendo a realizadora conseguido criar o ambiente de inquietante graciosidade que já ensaiara em as virgens suicídas.
dois seres perdidos na tradução dos dias encontram-se em tóquio. por entre signos e manifestações pós-modernas, acabam por tecer entre eles uma fina rede de cumplicidades e fazer, cada um pela sua bússola, um pouco do trilho da vida em conjunto.
há sempre alguém, nos sítios mais improváveis, que está em sintonia connosco, Copolla mostra-o de uma forma simples.
fui ver, entre 239 pipoqueiros de sábado à tarde, lost in translaton, de Sofia Copolla.
o titulo da versão portuguesa - o amor é um lugar estranho - não é muito feliz, mas, tal como adivinhava, este é um filme de doce solidão, tendo a realizadora conseguido criar o ambiente de inquietante graciosidade que já ensaiara em as virgens suicídas.
dois seres perdidos na tradução dos dias encontram-se em tóquio. por entre signos e manifestações pós-modernas, acabam por tecer entre eles uma fina rede de cumplicidades e fazer, cada um pela sua bússola, um pouco do trilho da vida em conjunto.
há sempre alguém, nos sítios mais improváveis, que está em sintonia connosco, Copolla mostra-o de uma forma simples.
30.1.04
#2
uma história de Racismo
manhã de sexta feira, subúrbio cinzento, frio e chuva.
entro na estação de comboio ao som de uma gritaria imensa.
no cais de Sintra um revisor discute em altos berros com um individuo que, ao que parece, vinha no comboio sem bilhete. os gritos ecoam na estação.
o cais de lisboa está repleto de gente silenciosa que assiste impavida e silênciosa à questão.
não sei o que se passou ali, não vi onde a conversa começara, quem tinha razão.
mas vi onde acabou, e sei que, nesse momento, o revisor da cp perdeu de vez toda a razão que provavelmete teria:
depois de já terem enveredado pela ofensa mutua, viraram as costas um ao outro e foram em direcções opostas, cada um deles a gritar as suas razões.
e as razões do revisor foram sublinhadas com um categórico preto de merda e um taxativo volta para a tua terra!
o cais de lisboa silêncioso, baixando os olhos, enterrando a vergonha nas notícias da morte de Feher ou apaudindo em secreto prazer.
preto de merda...
o silêncio sepulcral...
não me contive: chamei-lhe racista, lembrei-lhe que tem responsabilidades pelo farda que estava a usar, que tinha de ser imparcial.
toda a gente a ouvir, o silêncio cortante.
respondeu-me, na sua fúria, que eu tinha bilhete e o outro não.
pois... e isso é justificação para abrir a cartilha do preconceito, reduzindo outra pessoa à cor da sua pele?
o cais de lisboa manteve-se silêncioso, os olhos em baixo, a vergonha enterrada nas notícias da morte de Feher, os secretos aplausos de prazer.
fiquei com pena de não apresentar queixa contra o revisor por acto racista no cumprimento das funções. não ter bilhete pune-se com multa, não com impropérios. mas senti-me leve, ganhei o dia.
uma história de Racismo
manhã de sexta feira, subúrbio cinzento, frio e chuva.
entro na estação de comboio ao som de uma gritaria imensa.
no cais de Sintra um revisor discute em altos berros com um individuo que, ao que parece, vinha no comboio sem bilhete. os gritos ecoam na estação.
o cais de lisboa está repleto de gente silenciosa que assiste impavida e silênciosa à questão.
não sei o que se passou ali, não vi onde a conversa começara, quem tinha razão.
mas vi onde acabou, e sei que, nesse momento, o revisor da cp perdeu de vez toda a razão que provavelmete teria:
depois de já terem enveredado pela ofensa mutua, viraram as costas um ao outro e foram em direcções opostas, cada um deles a gritar as suas razões.
e as razões do revisor foram sublinhadas com um categórico preto de merda e um taxativo volta para a tua terra!
o cais de lisboa silêncioso, baixando os olhos, enterrando a vergonha nas notícias da morte de Feher ou apaudindo em secreto prazer.
preto de merda...
o silêncio sepulcral...
não me contive: chamei-lhe racista, lembrei-lhe que tem responsabilidades pelo farda que estava a usar, que tinha de ser imparcial.
toda a gente a ouvir, o silêncio cortante.
respondeu-me, na sua fúria, que eu tinha bilhete e o outro não.
pois... e isso é justificação para abrir a cartilha do preconceito, reduzindo outra pessoa à cor da sua pele?
o cais de lisboa manteve-se silêncioso, os olhos em baixo, a vergonha enterrada nas notícias da morte de Feher, os secretos aplausos de prazer.
fiquei com pena de não apresentar queixa contra o revisor por acto racista no cumprimento das funções. não ter bilhete pune-se com multa, não com impropérios. mas senti-me leve, ganhei o dia.
#1
dizem por aí que a auto estima dos portugueses anda pelas ruas da amargura...
bom... devo dizer que
- o meu salário não aumentou nos últimos dois anos - as migalhas que me deram foram devoradas pela infglação
- tenho uma indisposição de figado quando penso na escumalha que nos governa,
- vivo em casa dos meus pais porque o mercado de arrendamento é um sorvedor e não me apetece ficar amarrado 30 anos a um banco.
- o nosso país é um atraso no que respeita de intervenção social
- a nossa vida cultural é feita de grandes acontecimentos que, no fundo, são ocos
- o nosso país é, em si, um crime ambiental
- o mundo parece uma bola achatada que roda ao contrário,
mas, apesar de tudo isto e muito mais, a minha auto estima não está em baixo! como dizia, um dia destes, a Clara Ferreira Alves no Expresso, essa história de auto estima em baixo é uma treta para americanos parvos.
dizem por aí que a auto estima dos portugueses anda pelas ruas da amargura...
bom... devo dizer que
- o meu salário não aumentou nos últimos dois anos - as migalhas que me deram foram devoradas pela infglação
- tenho uma indisposição de figado quando penso na escumalha que nos governa,
- vivo em casa dos meus pais porque o mercado de arrendamento é um sorvedor e não me apetece ficar amarrado 30 anos a um banco.
- o nosso país é um atraso no que respeita de intervenção social
- a nossa vida cultural é feita de grandes acontecimentos que, no fundo, são ocos
- o nosso país é, em si, um crime ambiental
- o mundo parece uma bola achatada que roda ao contrário,
mas, apesar de tudo isto e muito mais, a minha auto estima não está em baixo! como dizia, um dia destes, a Clara Ferreira Alves no Expresso, essa história de auto estima em baixo é uma treta para americanos parvos.
28.1.04
27.1.04
#1
A plataforma que levou a cabo a petição para um novo referendo sobre a lei do aborto já tem 113.694 assinaturas contabilizadas, e ainda não acabou a contagem.
amanhã será o dia da entrega na assembleia da república, será que a direita vai insistir em manter-se miope, presa ao conservadorismo atroz, a promessas eleitorais que não fazem (e nunca fizeram) sentido?
A plataforma que levou a cabo a petição para um novo referendo sobre a lei do aborto já tem 113.694 assinaturas contabilizadas, e ainda não acabou a contagem.
amanhã será o dia da entrega na assembleia da república, será que a direita vai insistir em manter-se miope, presa ao conservadorismo atroz, a promessas eleitorais que não fazem (e nunca fizeram) sentido?
25.1.04
#1
não me interessa se são pretas, brancas, azuis, anãs, corcundas, pitosgas, coxas, gordas, magras, vegetarianas, carnivoras, asiáticas, europeias, africanas, americanas, de outro continente ou mesmo marcianas. não me importo com a existência ou não de diferenças no corpo, na personalidade, na natureza... se são homens com mulheres, mulheres com homens, mulheres com mulheres, homens com homens o outra hipótese qualquer.
recuso-me a ver as coisas dessa perspectiva redutora.
acredito que as pessoas se podem amar, que devem sentir e construir o amor como e com quem bem entenderem.
digam o que disserem, acredito no direito à diferença e bato-me por ele.
Deixo-vos o apelo das Panteras Rosa, uma associação que combate a homofobia. a história que denunciam é uma vergonha para a democracia.
---x---
Um tecto para Liliana!
- protestos retomam a partir de 2ª feira, todas as manhãs na Praça do Município
- CML inicia tentativas de intimidação
Após o interregno do fim de semana, já a partir de segunda-feira, a associação Panteras Rosas -Associação de Combate à Homofobia - vai voltar a marcar presença todos os dias frente aos Paços do Concelho, entre as 8h e as 12h, em protesto contra a discriminação de que está a ser vítima um casal de lésbicas injustamente excluído do processo de realojamento do seu bairro e colocado na situação de "sem abrigo".
Apesar do impedimento legal de manifestação naquele local (a CML tem garantido forte e intrusiva presença policial), todos os dias por volta das 12h, as Panteras Rosas irão desenvolver acções e formas de manifestação criativas no local e não deixarão de marcar presença na Praça do Município até que, pelo menos, o caso tenha o único final feliz possível: a correcção da injustiça de que o casal está a ser vítima, com a atribuição de um tecto pelo município.
- Ao invés de sugerir que as vítimas voltem para o lar dos agressores;
- ao invés de pressionar tanto a nossa associação quanto o casal - como tem feito nos últimos dias através de expedientes nada éticos - para que cessem os protestos;
- ao invés de utilizar terceiros para nos comunicar a falsa pretensão da CML em reunir connosco para procurar uma solução, pressupondo isso o "acalmar", da nossa parte, dos protestos e da exposição mediática do caso;
- ao invés de insultar e desrespeitar quem já vive situação desesperada;
- ao invés de mobilizar a polícia municipal e funcionários camarários dia e noite para esquadrinharem o Bairro da Cruz Vermelha do Lumiar à procura do casal (como tem vindo a acontecer desde as 23h de sexta-feira, com objectivos que não descortinamos);
a CML deve perceber que a atribuição de um tecto é única atitude humana a tomar, e que tem que reconhecer e considerar, no processo em causa, a discriminação homofóbica e a violência doméstica continuada de que o casal foi vítima devido à sua orientação sexual. Ou não terão os poderes públicos responsabilidades pedagógicas no combate às discriminações?
As Panteras Rosas recordam à CML que para encontrar Liliana, basta usar o seu número de telefone, que a Câmara sempre possuiu, dignando-se a responder aos seus pedidos de audiência sucessivos de há ano e meio para cá, ou responder ainda ao pedido de audiência recebido há semanas da nossa associação pelo Gabinete da vereadora da Habitação, e que mantemos válido, por considerarmos ainda que qualquer solução para este caso terá sempre que ser encontrada em conjunto com o município.
Para encontrar Liliana é desnecessário, recordamos, mobilizar tantos recursos humanos da autarquia em horas extraordinárias e durante o fim de semana. Tal esforço de busca terá por fim tudo menos uma conversa civilizada, parecendo-nos antes uma inaceitável tentativa de intimidação do casal. Não precisamos de capangas, precisamos de diálogo!
As Panteras Rosas apelam a toda a sociedade civil, aos associativismos e movimentos sociais para que compareçam na Praça do Município, e também para que pressionem a CML a permitir que este casal veja reconhecido o seu direito constitucional à Habitação e o seu direito à livre orientação sexual.
Pelas Panteras Rosas,
Sérgio Vitorino
NEM MENOS, NEM MAIS, DIREITOS IGUAIS!
não me interessa se são pretas, brancas, azuis, anãs, corcundas, pitosgas, coxas, gordas, magras, vegetarianas, carnivoras, asiáticas, europeias, africanas, americanas, de outro continente ou mesmo marcianas. não me importo com a existência ou não de diferenças no corpo, na personalidade, na natureza... se são homens com mulheres, mulheres com homens, mulheres com mulheres, homens com homens o outra hipótese qualquer.
recuso-me a ver as coisas dessa perspectiva redutora.
acredito que as pessoas se podem amar, que devem sentir e construir o amor como e com quem bem entenderem.
digam o que disserem, acredito no direito à diferença e bato-me por ele.
Deixo-vos o apelo das Panteras Rosa, uma associação que combate a homofobia. a história que denunciam é uma vergonha para a democracia.
---x---
Um tecto para Liliana!
- protestos retomam a partir de 2ª feira, todas as manhãs na Praça do Município
- CML inicia tentativas de intimidação
Após o interregno do fim de semana, já a partir de segunda-feira, a associação Panteras Rosas -Associação de Combate à Homofobia - vai voltar a marcar presença todos os dias frente aos Paços do Concelho, entre as 8h e as 12h, em protesto contra a discriminação de que está a ser vítima um casal de lésbicas injustamente excluído do processo de realojamento do seu bairro e colocado na situação de "sem abrigo".
Apesar do impedimento legal de manifestação naquele local (a CML tem garantido forte e intrusiva presença policial), todos os dias por volta das 12h, as Panteras Rosas irão desenvolver acções e formas de manifestação criativas no local e não deixarão de marcar presença na Praça do Município até que, pelo menos, o caso tenha o único final feliz possível: a correcção da injustiça de que o casal está a ser vítima, com a atribuição de um tecto pelo município.
- Ao invés de sugerir que as vítimas voltem para o lar dos agressores;
- ao invés de pressionar tanto a nossa associação quanto o casal - como tem feito nos últimos dias através de expedientes nada éticos - para que cessem os protestos;
- ao invés de utilizar terceiros para nos comunicar a falsa pretensão da CML em reunir connosco para procurar uma solução, pressupondo isso o "acalmar", da nossa parte, dos protestos e da exposição mediática do caso;
- ao invés de insultar e desrespeitar quem já vive situação desesperada;
- ao invés de mobilizar a polícia municipal e funcionários camarários dia e noite para esquadrinharem o Bairro da Cruz Vermelha do Lumiar à procura do casal (como tem vindo a acontecer desde as 23h de sexta-feira, com objectivos que não descortinamos);
a CML deve perceber que a atribuição de um tecto é única atitude humana a tomar, e que tem que reconhecer e considerar, no processo em causa, a discriminação homofóbica e a violência doméstica continuada de que o casal foi vítima devido à sua orientação sexual. Ou não terão os poderes públicos responsabilidades pedagógicas no combate às discriminações?
As Panteras Rosas recordam à CML que para encontrar Liliana, basta usar o seu número de telefone, que a Câmara sempre possuiu, dignando-se a responder aos seus pedidos de audiência sucessivos de há ano e meio para cá, ou responder ainda ao pedido de audiência recebido há semanas da nossa associação pelo Gabinete da vereadora da Habitação, e que mantemos válido, por considerarmos ainda que qualquer solução para este caso terá sempre que ser encontrada em conjunto com o município.
Para encontrar Liliana é desnecessário, recordamos, mobilizar tantos recursos humanos da autarquia em horas extraordinárias e durante o fim de semana. Tal esforço de busca terá por fim tudo menos uma conversa civilizada, parecendo-nos antes uma inaceitável tentativa de intimidação do casal. Não precisamos de capangas, precisamos de diálogo!
As Panteras Rosas apelam a toda a sociedade civil, aos associativismos e movimentos sociais para que compareçam na Praça do Município, e também para que pressionem a CML a permitir que este casal veja reconhecido o seu direito constitucional à Habitação e o seu direito à livre orientação sexual.
Pelas Panteras Rosas,
Sérgio Vitorino
NEM MENOS, NEM MAIS, DIREITOS IGUAIS!
22.1.04
à minha amiga cientista (que não sei se é leitora assidua).
dedico-te, com um brilhozinho nos olhos, estas velhinhas palavras de resistência, porque resistir é uma arte.
Que Força É Essa?
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro
Que força é essa
que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Não me digas que não me compreendes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compreendes
Que força é essa...
Sérgio Godinho
dedico-te, com um brilhozinho nos olhos, estas velhinhas palavras de resistência, porque resistir é uma arte.
Que Força É Essa?
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro
Que força é essa
que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Não me digas que não me compreendes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compreendes
Que força é essa...
Sérgio Godinho
21.1.04
#1
parece que antónio guterres foi, enquanto presidente da internacional socialista, a mombai, ao forúm social mundial, tendo feito uma crítica aberta ao neoliberalismo.
cmo o tipo anda muito esquecido... então e a terceira via? então e o pacto de convergência da união europeia? então e o apoio que o seu governo deu à guerra contra a juguslávia em 99? então e o facto da IS por ele presidida ter governado a europa na década de noventa e ter sido a grande impulsionadora, ao lado das multinacionais, do neoliberalismo que marca o inicio do séc XXI...
antónio guterres devia, em vez de andar por ai a fazer figura de parvo, ter vergonha na cara e ficar em casa a contar as suas óstias e os sues pecados.
parece que antónio guterres foi, enquanto presidente da internacional socialista, a mombai, ao forúm social mundial, tendo feito uma crítica aberta ao neoliberalismo.
cmo o tipo anda muito esquecido... então e a terceira via? então e o pacto de convergência da união europeia? então e o apoio que o seu governo deu à guerra contra a juguslávia em 99? então e o facto da IS por ele presidida ter governado a europa na década de noventa e ter sido a grande impulsionadora, ao lado das multinacionais, do neoliberalismo que marca o inicio do séc XXI...
antónio guterres devia, em vez de andar por ai a fazer figura de parvo, ter vergonha na cara e ficar em casa a contar as suas óstias e os sues pecados.
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