11.2.04

#4

NATO happy to ignore explosions in Afghan opium output, says Russia

título retirado do jornal Britânico The Guardian, 9 Fevereiro 2003

e, no primeiro parágrafo da notícia, podemos ler:

«A Nato está a fechar os olhos ao florescente mercado do ópio no Afeganistão para assim garantir o apoio dos senhores da guerra, no sentido de manter a segurança no país, afirmou o ministro da defesa Russo.»

o resto do texto é uma resposta exemplar à pergunta: a quem serve a guerra?
#3

e que tal um jazz vindo directamente de new orleans?

WWOZ New Orleans Community Radio
Your Jazz and Heritage Station


esta é uma ideia roubada ao senhor carne.

#2

lá dizia o outrro: oh meux amigox... jejejejejeje

Ai o Sexo!...
Por JOAQUIM FIDALGO
Público, 11 de Fevereiro de 2004

A senhora secretária de Estado da Educação e militante do PP, de sua graça Mariana Cascais, é um espanto. Por exemplo, ela acha que a lei que preconiza, desde há 20 anos (!!!), a obrigatoriedade da educação sexual nas escolas portuguesas está a ser cumprida. Deve ser a única pessoa a pensar tal, mas lá terá as suas razões. Ainda assim, admite que é necessário proceder a algumas mudanças e está a tratar disso. Por acaso, uns deputados do PSD - partido que faz coligação governamental com o PP - também estão a tratar disso, e por acaso com perspectivas muito diferentes das da senhora secretária de Estado da Educação...

Mas Mariana Cascais é uma verdadeira liberal, por pouco que pareça. A senhora disse, em entrevista ao "Diário de Notícias" do último domingo, esta coisa espantosa: "Se eu quisesse, não havia educação sexual." Tal e qual. Lendo a elucidativa conversa que teve com as jornalistas, percebe-se bem o sentido daquela afirmação. É algo do género "vocês estão para aí a sugerir que sou retrógrada e conservadora, que tenho umas ideias um pouco fechadas em relação à educação sexual nas escolas, mas não, eu até sou muito aberta, e a prova é que até vai haver alguma educação sexual nas escolas, sim, alguma, portanto não me acusem, até porque sou eu que mando e, se eu quisesse, nem sequer se falava dessas... ah... 'coisas' nas nossas escolas". Estão a ver como ela é aberta, moderna e "práfrentex"? Ela, que é "dona" da educação em Portugal; ela, que manda nas escolas a seu bel-prazer; ela, que podia perfeitamente, "se quisesse", riscar a educação sexual dos programas, mesmo havendo uma lei da República que a tornou obrigatória; ela, sim, vai generosamente permitir alguma abordagem dessas... ah... 'coisas' nas aulas!

Mas atenção, tem tudo de ser científico, neutro e prudente. Não se pode, por exemplo, ir para uma sala de aula mostrar como é que se coloca um preservativo, essa modernice que se faz em algumas escolas estrangeiras. Não, nós "temos uma mentalidade muito retrógrada", garante a senhora (que bem deve saber do que fala...). Para ela, talvez se possa falar do preservativo, mas pouquinho e como algo de excepcional, algo que só "os outros", os "que se portam menos bem", precisam de usar. Porque o importante é os meninos e as meninas aprenderem os valores da abstinência pré-matrimonial e da fidelidade conjugal a um só parceiro (e isto é que é ser neutro...). Mais nada! Se sabem para que serve um preservativo, e se até aprendem as técnicas do seu uso correcto, às tantas vão pôr-se todos para aí a utilizá-lo de manhã à noite... Sim, que a educação sexual é nisso que dá: num regabofe sem parança, numa promiscuidade a todo o transe, numa pouca-vergonha!

E eu que julgava que educação sexual era para os jovens estarem bem informados de tudo (mas informados mesmo, clara e concretamente) para depois poderem decidir, com liberdade responsável, como querem conduzir a sua vida, por exemplo sabendo os riscos que correm e sabendo também como evitá-los... Há-de ser giro ver a senhora secretária de Estado da Educação discutir estas matérias com os colegas sociais-democratas da coligação!
#1

Amigo, perdi o caminho. Eco: o caminho prossegue.
Há outro caminho? Eco : o caminho é só um.
Tenho de reconstruir o trilho? Eco: está perdido, desapareceu
Para trás, tenho de caminhar para trás! Eco: nenhum caminho vai lá ter, nenhum.
Então farei daqui o meu lugar, Eco: (a estrada continua)
Permanecerei imóvel e fixarei o meu rosto, Eco: (a estrada avança)
Ficarei aqui, ficarei para sempre. Eco: nenhum se por aqui, nenhum.
Não consigo encontrar o caminho Eco: o caminho prossegue.
Oh, os lugares porque passei! Eco: essa viagem acabou.
E o que virá por fim? Eco: A estrada prossegue.


Edwuin Muir

10.2.04

#1

Bruno Bozzetto, já ouviram falar?
entre outras coisas, é um ás a utilizar flash como meio de suporte na dificil explicação das ideossincrasias culturais italianas.

9.2.04

#4

uma dia destes, uma colega viu-me a tirar umas notas no meu caderninho e comentou:
- tens um moleskine!
- moles kê?
- moleskine, esse caderno na tua mão é um moleskine, é famoso em todo o mundo.
não liguei muito à história, para mim era só um caderno preto de que gosto muito porque me foi dado por uma amiga italiana com a recomendação de nele deixar esquiços das viagens.
moles... kê?
ontem descobri o mistério que o tal kê guarda.
afinal, o "caderninho preto", que até tem um papel fino demais para canetas de tinta e uma estrutura pouco recomendada a quem gosta de fazer up grades às memórias escritas, é um objecto de culto de viajantes, artistas e escritores - entre os quais luis sepulveda. parece que as suas dimensões reduzidas (tamanho de bolso), as suas folhas brancas, o elastico que o fecha e a sua discrição lhe deram estatuto de companheiro indispensável de quem anda por aí a vaguear.
tem piada a história, dá-me vontade de ir novamente em busca de outros ares.
#3

será que, nos casos de violação do segredo de justiça, os "movimentos de defesa da vida" também apoiam a gravidez levada até ao fim?
#2

«Se eu quisesse não havia educação sexual»

Mariana Cascais (Secretária de Estado da Educação), em entrevista ao dn de ontem


para que não haja enganos: a educação sexual é um favorzinho que esta amiga nos faz...

8.2.04

#1

finalmente encontrei um disco que, nos últimos 4 anos, tanto procurei. chama-se a janela, foi gravado (em parte) na cidade de lisboa e ganhou lugar no panteão das raridas. é o único albúm a solo conhecido de chris eckman, o vocalista dos the walkabouts.
vale bem a persistência
#2

hoje levantei-me cedo para realizar um sonho antigo: visitar a fundação Arpad Szenes- Vieira da Silva.
aproveitei a exposição das litografias que Henri Matisse fez para ilustrar as cartas portuguesas de Mariana Alcoforado, para me perder por dois espaços que se complemetam nas cores e perspectiva: o jardim da mãe de água, sorrindo para uma lisboa soalheira, e a colecção permanente da fundação.
o trabalho do artista francês vale pela simplicidade com retrata Soror Mariana Alcoforado (1640-1723) - que viveu no Convento de Nossa Senhora da Conceição, em Beja. Por volta de 1665 conhece o Marquês de Chamilly, que chega a Portugal integrando as tropas francesas que vêm ajudar nas campanhas da Restauração. Seduzida pelo Marquês, escreve-lhe cinco cartas quando este regressa a França.

pergunto-me como é que tenho conseguido andar a metrografar pelo mundo e nunca ter ido a um sitio tão perto de casa?
#1

uma nova pergunta é a melhor das respostas

7.2.04


Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim

(...)

chico buarque, in tanto mar

6.2.04

fim de semana a chegar.
estou embriagado por uma mistura de cansaço e um desejo irreprimivel de sol.
até já

5.2.04

#3

recebi o mail que aqui passo a reproduzir.
vou pedir aos meus advogados uma análise atenta dos seus conteúdos.

--XX--XX--XX--

Viva Metrografista

Serve este mail para falar de comentários
Sempre que aqui venho deparo-me com a (para mim) incómoda situação de
ter de enviar um mail se quiser comunicar algo a VExa.
Para mais, a minha ideia fica entre VExa e a minha pessoa, com todo o
empobrecimento de ideias que isso acarreta para a humanidade.
Para mais ainda, é (como já disse algures) algo larilóide enviar mails
a gajos...
Ainda para mais, é egoísta ir mandar postas nos comentários dos outros
e não deixar q mandem no seu blog...
Não o apelido de fascizóide, pq os conteúdos do blog assim não o indiciam, mas a inexistência de comentários é em sim mesmo uma atitude fascista.
Você n usa um bigodinho minusculo, por acaso, não?
Fale c a sua irmã japonesa e democratize o blog!

Tenho dito

ginger ale

(aka padeira de Aljubarrota)

#2

o povo americano está chocado com meio top less que a garota jackson fez na final do superball.
para lá do pormenor da estrela de xerife, não vi mais nada de chocante naquelas imagens... mas as sensiveis almas dos sobrinhos do tio sam ficaram muito constrangidos, talvez com a curvatura e a delicadeza da pele clara da intimidade de janet.
por causa disto, a entrega dos gramys será transmitida com alguns minutos de atraso... não vá aparecer outra estrela de xerife ou um novo michael moore a gritar: shame on you mister bush!
dá-me ideia que esta gente anda com a atenção focada nos motivos errados.

4.2.04

#1

a C trouxe-me de volta a dEUS.
ouvi, numa espécie de redenção, parte da banda sonora da minha vida.
theme from thurnpike (in a bar under the sea, 1997), por exemplo, traz consigo a memória de um carro de janelas abertas a cruzar um entardecer alentejano.

palavras dos senhores:


He went to the bottom, put his soul on fire

New Jersey Turnpike riding on a wet night

Maybe he got the rhyme
Maybe he got the eyes
Maybe he got the time counterclockwise

Yeah...
He said... He said...

New Jersey Turnpike riding on a wet night

Maybe he got the song
Maybe he got the size
Maybe he got it wrong counterclockwise

Yeah...
He said: "No more loud music"


3.2.04

#2
conta Luis spulveda que, de cada vez que um facho morre ou é metralhado nas ruas de santiago do chile, ele abre a melhor garrafa de vinho que encontra e bebe pela memória d@s que cairam nas garras de pinochet. uma noite chegou mesmo a faze-lo com água, à falta de bebida mais requintada.
lembrei-me desta história ao saber da morte de kaulza de arriaga, um facho sanguinário da nossa ditadura. é com satisfação que ergo a minha taça, estes podem cair que nem tordos em dia de caça, não fazem cá falta.
#1

"preciso da sua ajuda"
"diga como"
(...)
"quero ajuda para escrever um livro"
"quanto menos ajuda dos outros melhor"
Morel reflecte por instantes
"estou muito acabado"
"é assim mesmo que se escreve"
"eu quero ter certeza de que vou ser publicado"
"essa certeza não pode ter"
(...)
"adianta escrever, se ninguém vai ler?"
"adianta sempre."

Ruben Fonseca in O caso Morel

2.2.04

#2

portugal tem meio milhão de casas vagas.
cerca de 29 mil familias vivem em condições sub-humanas.

informação retirada do público de hoje

afinal parece que a construção civil e a especulação imobiliária mandam mesmo neste país!
face à barbaridade dos números, há uma velha frase, tão famosas no PREC, que me vem à ideia:
tanta gente sem casa, tanta casa sem gente
#1
fui ver, entre 239 pipoqueiros de sábado à tarde, lost in translaton, de Sofia Copolla.
o titulo da versão portuguesa - o amor é um lugar estranho - não é muito feliz, mas, tal como adivinhava, este é um filme de doce solidão, tendo a realizadora conseguido criar o ambiente de inquietante graciosidade que já ensaiara em as virgens suicídas.
dois seres perdidos na tradução dos dias encontram-se em tóquio. por entre signos e manifestações pós-modernas, acabam por tecer entre eles uma fina rede de cumplicidades e fazer, cada um pela sua bússola, um pouco do trilho da vida em conjunto.
há sempre alguém, nos sítios mais improváveis, que está em sintonia connosco, Copolla mostra-o de uma forma simples.