9.2.04

#3

será que, nos casos de violação do segredo de justiça, os "movimentos de defesa da vida" também apoiam a gravidez levada até ao fim?
#2

«Se eu quisesse não havia educação sexual»

Mariana Cascais (Secretária de Estado da Educação), em entrevista ao dn de ontem


para que não haja enganos: a educação sexual é um favorzinho que esta amiga nos faz...

8.2.04

#1

finalmente encontrei um disco que, nos últimos 4 anos, tanto procurei. chama-se a janela, foi gravado (em parte) na cidade de lisboa e ganhou lugar no panteão das raridas. é o único albúm a solo conhecido de chris eckman, o vocalista dos the walkabouts.
vale bem a persistência
#2

hoje levantei-me cedo para realizar um sonho antigo: visitar a fundação Arpad Szenes- Vieira da Silva.
aproveitei a exposição das litografias que Henri Matisse fez para ilustrar as cartas portuguesas de Mariana Alcoforado, para me perder por dois espaços que se complemetam nas cores e perspectiva: o jardim da mãe de água, sorrindo para uma lisboa soalheira, e a colecção permanente da fundação.
o trabalho do artista francês vale pela simplicidade com retrata Soror Mariana Alcoforado (1640-1723) - que viveu no Convento de Nossa Senhora da Conceição, em Beja. Por volta de 1665 conhece o Marquês de Chamilly, que chega a Portugal integrando as tropas francesas que vêm ajudar nas campanhas da Restauração. Seduzida pelo Marquês, escreve-lhe cinco cartas quando este regressa a França.

pergunto-me como é que tenho conseguido andar a metrografar pelo mundo e nunca ter ido a um sitio tão perto de casa?
#1

uma nova pergunta é a melhor das respostas

7.2.04


Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim

(...)

chico buarque, in tanto mar

6.2.04

fim de semana a chegar.
estou embriagado por uma mistura de cansaço e um desejo irreprimivel de sol.
até já

5.2.04

#3

recebi o mail que aqui passo a reproduzir.
vou pedir aos meus advogados uma análise atenta dos seus conteúdos.

--XX--XX--XX--

Viva Metrografista

Serve este mail para falar de comentários
Sempre que aqui venho deparo-me com a (para mim) incómoda situação de
ter de enviar um mail se quiser comunicar algo a VExa.
Para mais, a minha ideia fica entre VExa e a minha pessoa, com todo o
empobrecimento de ideias que isso acarreta para a humanidade.
Para mais ainda, é (como já disse algures) algo larilóide enviar mails
a gajos...
Ainda para mais, é egoísta ir mandar postas nos comentários dos outros
e não deixar q mandem no seu blog...
Não o apelido de fascizóide, pq os conteúdos do blog assim não o indiciam, mas a inexistência de comentários é em sim mesmo uma atitude fascista.
Você n usa um bigodinho minusculo, por acaso, não?
Fale c a sua irmã japonesa e democratize o blog!

Tenho dito

ginger ale

(aka padeira de Aljubarrota)

#2

o povo americano está chocado com meio top less que a garota jackson fez na final do superball.
para lá do pormenor da estrela de xerife, não vi mais nada de chocante naquelas imagens... mas as sensiveis almas dos sobrinhos do tio sam ficaram muito constrangidos, talvez com a curvatura e a delicadeza da pele clara da intimidade de janet.
por causa disto, a entrega dos gramys será transmitida com alguns minutos de atraso... não vá aparecer outra estrela de xerife ou um novo michael moore a gritar: shame on you mister bush!
dá-me ideia que esta gente anda com a atenção focada nos motivos errados.

4.2.04

#1

a C trouxe-me de volta a dEUS.
ouvi, numa espécie de redenção, parte da banda sonora da minha vida.
theme from thurnpike (in a bar under the sea, 1997), por exemplo, traz consigo a memória de um carro de janelas abertas a cruzar um entardecer alentejano.

palavras dos senhores:


He went to the bottom, put his soul on fire

New Jersey Turnpike riding on a wet night

Maybe he got the rhyme
Maybe he got the eyes
Maybe he got the time counterclockwise

Yeah...
He said... He said...

New Jersey Turnpike riding on a wet night

Maybe he got the song
Maybe he got the size
Maybe he got it wrong counterclockwise

Yeah...
He said: "No more loud music"


3.2.04

#2
conta Luis spulveda que, de cada vez que um facho morre ou é metralhado nas ruas de santiago do chile, ele abre a melhor garrafa de vinho que encontra e bebe pela memória d@s que cairam nas garras de pinochet. uma noite chegou mesmo a faze-lo com água, à falta de bebida mais requintada.
lembrei-me desta história ao saber da morte de kaulza de arriaga, um facho sanguinário da nossa ditadura. é com satisfação que ergo a minha taça, estes podem cair que nem tordos em dia de caça, não fazem cá falta.
#1

"preciso da sua ajuda"
"diga como"
(...)
"quero ajuda para escrever um livro"
"quanto menos ajuda dos outros melhor"
Morel reflecte por instantes
"estou muito acabado"
"é assim mesmo que se escreve"
"eu quero ter certeza de que vou ser publicado"
"essa certeza não pode ter"
(...)
"adianta escrever, se ninguém vai ler?"
"adianta sempre."

Ruben Fonseca in O caso Morel

2.2.04

#2

portugal tem meio milhão de casas vagas.
cerca de 29 mil familias vivem em condições sub-humanas.

informação retirada do público de hoje

afinal parece que a construção civil e a especulação imobiliária mandam mesmo neste país!
face à barbaridade dos números, há uma velha frase, tão famosas no PREC, que me vem à ideia:
tanta gente sem casa, tanta casa sem gente
#1
fui ver, entre 239 pipoqueiros de sábado à tarde, lost in translaton, de Sofia Copolla.
o titulo da versão portuguesa - o amor é um lugar estranho - não é muito feliz, mas, tal como adivinhava, este é um filme de doce solidão, tendo a realizadora conseguido criar o ambiente de inquietante graciosidade que já ensaiara em as virgens suicídas.
dois seres perdidos na tradução dos dias encontram-se em tóquio. por entre signos e manifestações pós-modernas, acabam por tecer entre eles uma fina rede de cumplicidades e fazer, cada um pela sua bússola, um pouco do trilho da vida em conjunto.
há sempre alguém, nos sítios mais improváveis, que está em sintonia connosco, Copolla mostra-o de uma forma simples.

30.1.04

#4
estou para aqui a olhar para o computador e só me apetece ir ao cinema.
há uma lista imensa de filmes que ainda não vi, mas hoje estou especialmente virado para ir ver lost in translation. aposto que este é um filme de doce solidão.
#3

mi liga vai!!

eu sei que vossas ex.mas estão a precisar de carinho...

Durão Barroso para as bancadas da oposição, no debate de hoje na AR
#2

uma história de Racismo

manhã de sexta feira, subúrbio cinzento, frio e chuva.
entro na estação de comboio ao som de uma gritaria imensa.
no cais de Sintra um revisor discute em altos berros com um individuo que, ao que parece, vinha no comboio sem bilhete. os gritos ecoam na estação.
o cais de lisboa está repleto de gente silenciosa que assiste impavida e silênciosa à questão.
não sei o que se passou ali, não vi onde a conversa começara, quem tinha razão.
mas vi onde acabou, e sei que, nesse momento, o revisor da cp perdeu de vez toda a razão que provavelmete teria:
depois de já terem enveredado pela ofensa mutua, viraram as costas um ao outro e foram em direcções opostas, cada um deles a gritar as suas razões.
e as razões do revisor foram sublinhadas com um categórico preto de merda e um taxativo volta para a tua terra!
o cais de lisboa silêncioso, baixando os olhos, enterrando a vergonha nas notícias da morte de Feher ou apaudindo em secreto prazer.
preto de merda...
o silêncio sepulcral...
não me contive: chamei-lhe racista, lembrei-lhe que tem responsabilidades pelo farda que estava a usar, que tinha de ser imparcial.
toda a gente a ouvir, o silêncio cortante.
respondeu-me, na sua fúria, que eu tinha bilhete e o outro não.
pois... e isso é justificação para abrir a cartilha do preconceito, reduzindo outra pessoa à cor da sua pele?
o cais de lisboa manteve-se silêncioso, os olhos em baixo, a vergonha enterrada nas notícias da morte de Feher, os secretos aplausos de prazer.
fiquei com pena de não apresentar queixa contra o revisor por acto racista no cumprimento das funções. não ter bilhete pune-se com multa, não com impropérios. mas senti-me leve, ganhei o dia.




#1

dizem por aí que a auto estima dos portugueses anda pelas ruas da amargura...
bom... devo dizer que
- o meu salário não aumentou nos últimos dois anos - as migalhas que me deram foram devoradas pela infglação
- tenho uma indisposição de figado quando penso na escumalha que nos governa,
- vivo em casa dos meus pais porque o mercado de arrendamento é um sorvedor e não me apetece ficar amarrado 30 anos a um banco.
- o nosso país é um atraso no que respeita de intervenção social
- a nossa vida cultural é feita de grandes acontecimentos que, no fundo, são ocos
- o nosso país é, em si, um crime ambiental
- o mundo parece uma bola achatada que roda ao contrário,
mas, apesar de tudo isto e muito mais, a minha auto estima não está em baixo! como dizia, um dia destes, a Clara Ferreira Alves no Expresso, essa história de auto estima em baixo é uma treta para americanos parvos.

28.1.04

#3

PALAVRAS

Nenhum ramo
é seguro. Frágeis
são as palavras.

Albano Martins
#2

celeste esfregona para o balde, já!!
bolas! nem as trafulhices mais evidentes fazem cair os ministros do pp...
estão mais agarrados ao poder que um mexilhão a uma rocha!

#1

contagem final: 121.151 assinaturas, estão entregues!
vejamos o que nos dizem os próximos dias.

27.1.04

#1

A plataforma que levou a cabo a petição para um novo referendo sobre a lei do aborto já tem 113.694 assinaturas contabilizadas, e ainda não acabou a contagem.
amanhã será o dia da entrega na assembleia da república, será que a direita vai insistir em manter-se miope, presa ao conservadorismo atroz, a promessas eleitorais que não fazem (e nunca fizeram) sentido?

25.1.04

#2

(...)
assim, a minha vida é uma fuga e perco tudo e tudo é do esquecimento ou do outro.

Borges, in poemas escolhidos
#1

não me interessa se são pretas, brancas, azuis, anãs, corcundas, pitosgas, coxas, gordas, magras, vegetarianas, carnivoras, asiáticas, europeias, africanas, americanas, de outro continente ou mesmo marcianas. não me importo com a existência ou não de diferenças no corpo, na personalidade, na natureza... se são homens com mulheres, mulheres com homens, mulheres com mulheres, homens com homens o outra hipótese qualquer.
recuso-me a ver as coisas dessa perspectiva redutora.
acredito que as pessoas se podem amar, que devem sentir e construir o amor como e com quem bem entenderem.
digam o que disserem, acredito no direito à diferença e bato-me por ele.

Deixo-vos o apelo das Panteras Rosa, uma associação que combate a homofobia. a história que denunciam é uma vergonha para a democracia.

---x---

Um tecto para Liliana!
- protestos retomam a partir de 2ª feira, todas as manhãs na Praça do Município
- CML inicia tentativas de intimidação

Após o interregno do fim de semana, já a partir de segunda-feira, a associação Panteras Rosas -Associação de Combate à Homofobia - vai voltar a marcar presença todos os dias frente aos Paços do Concelho, entre as 8h e as 12h, em protesto contra a discriminação de que está a ser vítima um casal de lésbicas injustamente excluído do processo de realojamento do seu bairro e colocado na situação de "sem abrigo".

Apesar do impedimento legal de manifestação naquele local (a CML tem garantido forte e intrusiva presença policial), todos os dias por volta das 12h, as Panteras Rosas irão desenvolver acções e formas de manifestação criativas no local e não deixarão de marcar presença na Praça do Município até que, pelo menos, o caso tenha o único final feliz possível: a correcção da injustiça de que o casal está a ser vítima, com a atribuição de um tecto pelo município.

- Ao invés de sugerir que as vítimas voltem para o lar dos agressores;
- ao invés de pressionar tanto a nossa associação quanto o casal - como tem feito nos últimos dias através de expedientes nada éticos - para que cessem os protestos;
- ao invés de utilizar terceiros para nos comunicar a falsa pretensão da CML em reunir connosco para procurar uma solução, pressupondo isso o "acalmar", da nossa parte, dos protestos e da exposição mediática do caso;
- ao invés de insultar e desrespeitar quem já vive situação desesperada;
- ao invés de mobilizar a polícia municipal e funcionários camarários dia e noite para esquadrinharem o Bairro da Cruz Vermelha do Lumiar à procura do casal (como tem vindo a acontecer desde as 23h de sexta-feira, com objectivos que não descortinamos);
a CML deve perceber que a atribuição de um tecto é única atitude humana a tomar, e que tem que reconhecer e considerar, no processo em causa, a discriminação homofóbica e a violência doméstica continuada de que o casal foi vítima devido à sua orientação sexual. Ou não terão os poderes públicos responsabilidades pedagógicas no combate às discriminações?

As Panteras Rosas recordam à CML que para encontrar Liliana, basta usar o seu número de telefone, que a Câmara sempre possuiu, dignando-se a responder aos seus pedidos de audiência sucessivos de há ano e meio para cá, ou responder ainda ao pedido de audiência recebido há semanas da nossa associação pelo Gabinete da vereadora da Habitação, e que mantemos válido, por considerarmos ainda que qualquer solução para este caso terá sempre que ser encontrada em conjunto com o município.

Para encontrar Liliana é desnecessário, recordamos, mobilizar tantos recursos humanos da autarquia em horas extraordinárias e durante o fim de semana. Tal esforço de busca terá por fim tudo menos uma conversa civilizada, parecendo-nos antes uma inaceitável tentativa de intimidação do casal. Não precisamos de capangas, precisamos de diálogo!

As Panteras Rosas apelam a toda a sociedade civil, aos associativismos e movimentos sociais para que compareçam na Praça do Município, e também para que pressionem a CML a permitir que este casal veja reconhecido o seu direito constitucional à Habitação e o seu direito à livre orientação sexual.

Pelas Panteras Rosas,

Sérgio Vitorino

NEM MENOS, NEM MAIS, DIREITOS IGUAIS!

22.1.04

à minha amiga cientista (que não sei se é leitora assidua).
dedico-te, com um brilhozinho nos olhos, estas velhinhas palavras de resistência, porque resistir é uma arte.


Que Força É Essa?

Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa
que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo

Não me digas que não me compreendes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compreendes

Que força é essa...

Sérgio Godinho

21.1.04

#2
dia improdutivo...
se a manuela ferreira leite sonha!
#1

parece que antónio guterres foi, enquanto presidente da internacional socialista, a mombai, ao forúm social mundial, tendo feito uma crítica aberta ao neoliberalismo.
cmo o tipo anda muito esquecido... então e a terceira via? então e o pacto de convergência da união europeia? então e o apoio que o seu governo deu à guerra contra a juguslávia em 99? então e o facto da IS por ele presidida ter governado a europa na década de noventa e ter sido a grande impulsionadora, ao lado das multinacionais, do neoliberalismo que marca o inicio do séc XXI...
antónio guterres devia, em vez de andar por ai a fazer figura de parvo, ter vergonha na cara e ficar em casa a contar as suas óstias e os sues pecados.

20.1.04

#2

A guerra e as suas justificações...

o canal de televisão americano abc apresentou, há dias, em estilo de spot promocional, um video filmado a 9 de Janeiro, de dentro de um helicoptero americano, onde se podia ver e ouvir como os tripulantes abatiam cirurgicamente 3 iraquianos, um deles ferido.
os diálogos pareciam tirados de um filme do rambo, o cenário até parecia um jogo de computador, mas estava-se, tão só, perante a realidade da guerra, e em prime time!
seria esta mais uma estratégia para aumentar a auto estima dos sobrinhos do tio sam, ou estarão as autoridades americanas à procura de novos recrutas para defender aquilo a que chamam paz e democracia?
#1

Portugal prepara sinalização de estradas para o Euro 2004, seguem alguns exemplos:

Sete Rios: Seven Rivers
Largo do Rato: Mouse Square
Pontinha: Little Point
Ajuda: Help!
Olivais: Olive Fields
Marvila: Sea Village
Campo Grande: Big Field
Campo Pequeno: Small Field
Buraca: Big Hole
Arco do Cego: Blind Arch
Linda-a-Velha: Beautifull The Old Lady
Miraflores: Look The Flowers
Queluz: What a Light!
Mata de Monsanto: The blowjob
Cais do Sodré: Bitches and green wine
Ilha da Madeira: Albert John Condominium
Faro: Marafado
Algarve: United Kingdom land
Porto: Little Chicken of the Coast
Berlengas: Vomidrinho
Casal Ventoso: Windy Couple
Amoreiras: Taveira's Movie

19.1.04

#2

INICIATIVA CIDADÃ PELA DEFESA E DESENVOLVIMENTO DO ENSINO
SUPERIOR E DA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA
#1

O apelo foi-me enviado pela SOS Racismo, mas existem muitas mais organizações empenhadas na inicicativa de abaixo, tomem lá nota:

PELA LEGALIZAÇÃO DOS/AS IMIGRANTES

CONCENTRAÇÃO PARA O DIA 31 DE JANEIRO, ÀS 15 HORAS NO LARGO LUIS DE CAMÕES (Lisboa), em simultâneo com outras manifestações levadas a efeito por toda a Europa nesse dia em que se assinala a “Jornada Europeia pela Legalização de todos os Imigrantes”, no âmbito do protesto convocado pela Assembleia de Movimentos Sociais do Fórum Social Europeu realizado em Paris.

18.1.04

#1

estou farto destes servidores de internet que se dizem gratuitos...
por conta da lentidão da ligação telefónica, ainda tenho de começar a tomar anti depressivos.
o acesso gratuito à internet de banda larga deveria ser um direito de quem paga impostos!
bha!!

16.1.04

#2

recebi um mail que reproduzo.
faz-me lembrar uma história de uma amiga que, depois de receber um mail deste tipo, ligou para o oceanário para saber se já tinham encontrado o pinguim que fugira...

--x--x--x--x--x--x--x--x--x--x--x--x--x--x--x--x--x

MUITO CUIIIDAADDOOOOOOOOO

Não costumo acreditar neste tipo de avisos e muito menos costumo
reencaminhá-los, mas achei que era importante alertar-te, até pela
credibilidade da pessoa de quem recebi o texto,

Tem muito cuidado ao parar nos semáforos onde ficam aqueles malabaristas com
fogo. Enquanto o condutor está a assistir ao show, outro malabarista vem por
trás e atira um cocktail molotov para dentro do carro! O condutor, assustado
e com o carro em chamas, sai a correr desesperado. Nesse momento, surge um
terceiro malabarista, que vem pela direita e atira um chimpanzé domesticado
para dentro do carro, vestindo um fato com isolante térmico. Este chimpanzé,
treinado na cidade do Cairo (Egito) e alimentado com damascos gigantes da
Nova Guiné, rouba o auto-rádio e tudo o que houver dentro do automóvel.
Enquanto isso, dois falcões peruanos de caça fazem vôos rasantes sobre a
cabeça do condutor, distraindo a sua atenção para o que está a acontecer
dentro do carro! Quando o chimpanzé abandona o carro, eles fogem numa
trotinete motorizada verde musgo, fazendo uma pirâmide humana e cantando
"Afinal Havia Outra" da Ágata, rumo a outro semáforo.

O marido da prima da vizinha da cunhada da tia de um amigo meu, passou por
isso, então resolvi dar o alerta.
#1

parece que os gestores dos hospitais SA vão ter (ainda) mais beneficios...
está certo! se andam a poupar num lado - precarizam posto de trabalho, economizam nas fraldas e diminuem a qualidade do material - , teriam de aplicar noutro, ou o dinheiro ainda ganhava mofo.

14.1.04

#2

no site do ps aparece uma janela que promete: em breve, tudo o que precisa saber sobre os 30 anos do ps.
será que também vão falar dos acordos que fizeram com a cia nos anos quentes da revolução, ou essa parte da história soarista não serve (nem serviu) para nada?
#1

santana lopes escreveu um livro sobre a sua intervenção na cultura, que foi publicamnte apresentado com a chancela de agustina bessa luis.
ou terá sido:
agustina bessa luis escreveu um livro para santana lopes, que foi publicamente apresentado com a chancela da cultura.
qualquer uma das hipoteses é assustadora.
no entanto, uma coisa se destaca: parece que o rapaz, que em tempos militou na extrema direita do m.i.r.n., arranjou primeira dama.

13.1.04

#3

uma colecção de spots anti bush a não perder.
#2

o Blitz volta a atacar!
desta vez disponibilizam, a preço decente, o disco dos sloppy Joe, colectivo de vila do conde com alguns anos de estrada, que nunca conseguiu contornar os esquemas do mercado editorial e, por isso, ainda não tinha dado à luz o seu flic flac circus.
Esta banda, auto-situado entre a última e a próxima revolução, traz-nos um som alegre, com traços que vão desde a pop à electrónica, bebendo e fumando influências nos 80's e na música jamaicana.
parece que o jornal vai disponibilizar mais onze grandes discos (um por mês) durante este ano, salvé!

#1

Uma viagem fora do tempo

vinha a pé para o trabalho, a curtir topominia de lisboa. gosto muito de andar a pé.
vi-o passar e não resisti. entrei e vim por aí fora a curtir o sacolejar da cabine de madeira, a fúria da guarda freio - TRIIIIIIIIIIIMMMMMMMMMMMMMMMMMM - alimentada pela falta de civismo dos condutores, cortada pela voz de Dido, vinda de uma telefonia fanhosa. as ruas ganham outras dimensões, a velocidade é vertiginosa na descida, a luz torna-se mais oblíqua. as casas conversam entre si, exibem-se ao senhor amarelo que passa. entrar no electrico deixa-me, invariavelmente, bem disposto. as velhotas a surfar para manter o equilibrio, os putos a irem para a escola, os turistas embasbacados com a metamorfose que os carris proporcionam...
uma viagem fora do tempo, vertigem epidermica, manhã ganha... não há dúvida de que o carro electrico, especialmente o 28, é um dos maiores tesouros desta cidade.

12.1.04

#3

porque, de quando em vez, a poesia nos salva, deixo um poema de António Ramos Rosa, como que a agradecer à Isabel (que julgo não ter um link) pelo presente.

O dia é indiferente à minha construção
Ele continuará a ser o mesmo após a minha morte
Como não existem deuses e Deus se existe é como se não existisse
só me resta o espaço para celebrar o nascimento
dessa figura branca nunca actual mas eminente
de que sinto a brisa da sua boca verde

O mundo não é um berço cálido e seguro
nem uma clara estrada através de uma floresta
Diante de nós ou sobre nós está sempre a sombra irrevogável
que nos impede de pertencermos à plenitude do dia
A nossa vocação é construir e nós construímos na areia do tempo
e em cada dia temos de levantar uma coluna de argila
que o universo ignora e que se desmorona ao fim do dia

O sonho do poema é um movimento entre as árvores
os seus enlaces de água o lume do seu hálito
os ramos de um rio uma nesga azul
e que o mundo respire por por ele como se ele fosse a respiração possível

António Ramos Rosa, Deambulações Oblíquas




#2

Maria Rita... um lugar comum?
não conhecia, estava desconfiado... filha de celebridade cantante não saberá, necessariamente, cantar - aliás, dá-se muita importancia a esse facto
ouvi uma entrevista na Antena 1 (o serviço público a dar cartas) e gostei. ouvi a música e rendi-me. a única coisa de que tive pena foi não ter arranjado bilhetes para o concero.

Encontros e Despedidas
Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando

Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai e vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar

É assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida

A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida ....

É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida...

Milton Nascimento / Fernando Brant
#1

Eles andam aí!

um texto sobre a privatização do Serviço Nacional de Saúde, uma cruzada impulsionado pelo ex assessor do grupo mello e actual ministro da saúde, luis filipe pereira.


John Q. no Centro Hospitalar do Alto Minho
Por EDUARDO JORGE MADUREIRA
Público (local/minho), 12 de Janeiro de 2004

John Q. Archibald é um trabalhador esforçado e honesto que ama profundamente a família. Por isso, fica transtornado quando sabe que Michael, o filho, que vai parar ao hospital por causa de um desmaio num jogo de baseball, precisa de realizar urgentemente um transplante de coração. Mas este homem, que é capaz de fazer tudo para salvar a vida do filho, fica a saber que o seguro de saúde, que sempre lhe levou uma boa parte do seu reduzido ordenado, não contempla o que agora precisa. Uma alínea tramada ou outra razão obscura qualquer permite que a seguradora se escape de pagar a operação do filho. E o dinheiro todo que John Q. tem e o que conseguirá juntar vendendo bens e recolhendo o que os colegas lhe derem também para pouco serve.

O desespero vai-se apoderando de John Q., que começa a perceber que o sistema de saúde não é feito para cuidar de gente sem recursos. Alguém lhe explica, com uma argumentação sólida do ponto de vista económico, que um hospital não é um lugar para a prática da caridade, um hospital vende serviços a utentes. Para a direcção do hospital está, portanto, fora de causa oferecer um socorro. Até este momento, tudo é comum nesta história americana. Uma situação destas pode realmente ocorrer a qualquer pessoa com menos dinheiro. Inabitual é o passo que a seguir dá John Q., a personagem que Denzel Washington interpreta no filme "John Q. - Um Acto de Coragem", realizado por Nick Cassavetes e estreado em Portugal em 2002.

Quando verifica que todas as portas de uma solução se fecharam, John Q. resolve trancar mais algumas. Entra no serviço de urgência do hospital, bloqueia os acessos e toma como reféns todos os que ali se encontram, incluindo os que ali estavam à espera de cuidados médicos. Para contracenar com o protagonista e, claro, para fazer subir a adrenalina, chegam depois Robert Duvall, no papel de um veterano polícia especialista em negociações com sequestradores, e Ray Liotta, que interpreta um impaciente chefe de polícia. Há evidentemente situações que só ocorrem nos filmes. Mas a expulsão de um número cada vez maior de pessoas para as margens dos sistemas de saúde não é, em muitos países "civilizados", uma ficção.

Há percursos que se sabe como começam e não se sabe como acabam. Mas há inícios que prenunciam maus fins. É o caso do caminho que o Centro Hospitalar do Alto Minho quer seguir, celebrando protocolos de investimento com companhias de seguros, tendo como contrapartidas condições de atendimento preferenciais para os seus clientes. É através de pequenos passos - como os que se dão quando se preferem uns em detrimento de outros (e preferir uns significa sempre preterir outros) - que avança a discriminação das pessoas. Entra-se por aqui e nada garante que, na história real do serviço nacional de saúde, num episódio mais à frente, não haja não se sabe quantos John's Q. medrosos e incapazes de qualquer outra reacção que não seja ir dar conta do caso à TVI. Num país decente, o Estado não enfia a saúde dos cidadãos em máquinas de fazer dinheiro. É por isso que, ao contrário do que diz o ministro da Saúde, este não é "um caminho" a seguir.

11.1.04

post em memória do poeta Al berto, que faria hoje 56 anos

dizem que a paixão o conheceu , talvez por isso tenha feito a sua vida procurando a paciência o amor o abandono das palavras, o silêncio e a difícil arte da melancolia.
era frequente perder-se na largueza de todos os rios, onde por vezes uma gaivota pousava nas águas: tratava logo de imaginá-la de outras cores, noutros mares, com outras asas que não as do pássaro.
de tanto acenar ao destino, acabou por descobrir que, com um gesto, tudo vem ao chamamento e que
as mãos pressentem a leveza rubra do lume , isto quando ainda mal sabia reconhecer os teus própios erros .
navegou sempre, orientando-se pelas pernas cruzadas da cassiopeia. sempre que lhe sugeriam a mudança do rumo, justificava a persistência sem deslumbramentos, dizendo possuo a doença dos espaços incomensuráveis e os secretos poços dos nómadas...
com ele temos a ideia de que mais nada se move em cima do papel , só a escrita pausada, a respiração metafórica da vontade.
encontrei-o num inverno. era uma dessas noites que assobiam lá fora e ele estava ali, já morto e imortal... chegara sem se anunciar, com um livro roxo debaixo de um braço e uma pose onírica. perguntei-lhe, a medo: Al berto?!!
o homem levantou-se indiferente à revelação da alba, titubeou, tossiu e disse, antes de voltar a partir: A escrita é a minha primeira morada de silêncio .


10.1.04

#2

a notícia de onde retirei os fragmentos abaixo postados parece mentira... mas é pura realidade.
ao ler tudo isto veio-me à cabeça o voluntariato compulsivo de alexandre o'neil

V.C.

Em regime de voluntariato compulsivo
é mais fácil viver: tu acabas por ter
de fazer não o que não queres,
mas o que queres fazer.

(Um país ameaça com voluntários outro.
E os voluntários? estarão eles alistados?)

E assim resolvem para ti (e por ti) a antinomia
prazer-dever.

Em regime de voluntariato compulsivo
é que eu tenho (poque quero!) de viver.
#1

Mais de 150 auxiliares de saúde e administrativos do Hospital de São João (HSJ), no Porto, estão a trabalhar em regime de voluntariado, sem receberem qualquer retribuição, depois de terem sido convidados pela administração a assinar um documento em que aceitam sujeitar-se a estas condições durante um mês com a promessa de um futuro contrato a termo. A administração do HSJ, contesta a versão e argumenta que são os próprios trabalhadores que "propõe o estágio voluntário" e que "nada lhes é prometido".
(...)
Serafim Rebelo, vogal na Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, (...) não vê nenhuma ilegalidade na situação. "Não se pode proibir a boa vontade das pessoas, nem o facto de elas serem solidárias", advoga Rebelo, ao repetir a versão do hospital.

in jornal Público, 9 de Janeior de 2004

9.1.04

#2

PRECE
há homens e mulheres que merecem a atenção
e o esforço daquilo que tenho de fazer
que a voz de Leonard Cohen me ilumine e inspire.
ufff...
#1

acabo de perder o trabalho de meia manhã, um texto que fui escrevendo e de que não tinha apontamentos...
é irremediável.
tento consolar-me, ganhar coragem para reescrever e acreditar que a vida é feita destes pequenos nadas.

8.1.04

#1


O amor é como um espelho que deforma as imagens.

Don Delillo in Os Nomes

7.1.04

#2

de cada vez que olho para a minha secretária assusto-me com a confusão com que deparo...
#1

fui ver na américa, de Jim Sheridan.
não sendo genial, vale a pena ir ver este filme, onde, através de uma história familiar com pinceladas de drama, nos é contada uma versão irlandesa do sonho americano.
fica o texto do público.


Realizado por Jim Sheridan ("O Meu Pé Esquerdo", "Em Nome do Pai"), a partir de um argumento semi-autobiográfico escrito pelo realizador e pelas duas filhas Naomi e Kirsten Sheridan, "Na América" conta a história de uma família irlandesa em busca do sonho americano. Johnny e Sarah (Paddy Considine e Samantha Morton) chegam a Nova Iorque com as duas filhas pequenas e o seu dia-a-dia torna-se uma luta constante para encontrar emprego, sobreviver e tentar ignorar o sítio horrível em que vivem. Mas enquanto que para eles tudo parece um pesadelo, as pequenas Christy e Ariel (Sarah Bolger e Emma Bolger) olham para a América como um sítio mágico em que tudo pode acontecer.

6.1.04

#4

há lá frases que definem um homem!

«Cozinhar? Só sei abrir a porta do meu frigorífico»

manuel monteiro (cds, pnd e sabe-se lá mais o quê), in dn 06/01/004
#3
pergunta do dia...
que faz um repúblicano laico num dia de reis?
#2
cada vez estou mais convencido de que a minha guerra com o template deste blog será duradoira... ele faz o que lhe dá na bolha, mas eu sou muito teimoso.
#1

mais um texto de rodrigo francisco, repescado no dnj

Os dez maiores monstros da história

Não pá, vou para o trabalho. Na Mercedes, na secção das peças. Vou no terceiro contracto. É pá, não sei. Não sei, estou eu e mais dois, um de nós deve ficar, os outros não sei. E tu? Mas és actor? Pois, também deve ser fixe. Não pá, não costumo ir: eu gosto é de cinema. Vou ali ao Fórum Almada, agora já não é preciso ir a Lisboa, às vezes vamos ao Vasco da Gama, ao fim de semana. Com a minha namorada. Não, esse não vimos. Vimos aquele do Tarantino mas a minha namorada achou que era porrada a mais. Não, esse também não vi. Também não. O livro muito menos. Gosto pá, até gosto: às vezes vou à Fnac e compro qualquer coisa. Literatura também: um pouco de tudo. Olha, o último que trouxe chamava-se Os Dez Maiores Monstros da História. É sobre os gajos que mais merda fizeram ao longo da vida. Olha, por exemplo: o Hitler, um Ivan qualquer coisa, um serial killer americano. (Risos) Não pá, o Bush não vinha (Risos). Mas a sério pá, gostava de ir ver isso, não sei é onde é que fica. Eu sei que não é caro, mas nós vamos mais ao cinema. Ah arranjas?, então vamos. Dá-me o teu número que hoje ligo-te a dizer qualquer coisa. Nove seis é uma óptima escolha; a minha namorada tinha nove três mas eu convenci-a a mudar. Ligo pá, a sério. Olha, saio aqui; um abraço.
(O resto do caminho com a cabeça encostada ao vidro da janela do comboio a pensar na conversa com o meu antigo amigo de infância suburbana que já quase não me reconhecia. A pensar em como nem por um segundo se apercebeu de que o sugava até ao tutano para o transformar em prosa. O resto do caminho com pena dele, quase até às lágrimas, achanado-me um

filho da puta, filho da puta, filho da puta

derivado a esta mania fodida de avaliar a felicidade dos outros).

5.1.04

#2

ao que parece, continuamos a ser um país de grandes amigos... não admira portanto que também se metam algumas cunhas e se façam leis por medida.

"O inspector-geral do Grupo PT, Luís Todo-Bom, é a escolha de Luís Filipe Pereira para o cargo de presidente da comissão de avaliação das propostas dos concorrentes privados para a construção e gestão do Hospital de Loures, apurou o Diário Económico. A informação foi confirmada pelo próprio, que assegura que a principal motivação para aceitar o convite do ministro da Saúde é a «grande e longa amizade» que os une.
Em declarações ao DE, Luís Todo-Bom afirma que nem sequer está a par de todos os contornos da sua nova actividade, que vai acumular com o cargo de inspector-geral na Portugal Telecom. «Confio nos meus amigos, e quando eles precisam eu não fujo», justifica. (...)"

Diário Económico, 31/12/2003
#1

3 semanas para fazer uma constituição... é obra!
os analistas dizem que a nova constituição aprovada ontem pelos afegãos -seguramente que os americanos a terão aprovado primeiro - marca uma profunda ruptura com as leis do deposto regime taliban.
tendo o problema destes rapazes sido, essencialmente, o da interpretação radical da religião mussulmana, que levou - com a complacencia dos que agora os combatem - a todos os excessos conhecidos (e aos desconhecidos), penso que estes princípios não trarão grande novidade ou mesmo segurança... senão vejamos:

- O Afeganistão é uma República Islâmica sendo o islão a sua "religião sagrada";

- Seguidores de outras religiões são livres de realizar cerimónias religiosas de acordo com a lei;

- Nenhuma lei deve ser contrária às crenças e práticas do islão;

- Homens e mulheres têm direitos e deveres iguais perante a lei;

- O Afeganistão terá um sistema presidencial de governo;

- O Presidente é responsável perante a nação e a câmara baixa, ou Wolesi Jirga;

- O Presidente será directamente eleito pelo povo afegão com dois vice-presidentes, que são nomeados candidatos presidenciais durante a campanha eleitoral;

- A Assembleia Nacional consistirá de duas câmaras, a Wolesi Jirga ou "câmara do povo" e a Maeshrano Jirga ou "câmara dos anciãos";

- A Wolesi Jirga será directamente eleita pelo povo afegão;

- A Wolesi Jirga terá autoridade para impugnar ministros;

- O Presidente escolherá os ministros e o governador do Banco Central, com a aprovação da Wolesi Jirga ;

- Os ministros não deverão ter passaportes estrangeiros mas a Wolesi Jirga votará sobre a nomeação de ministros com dupla nacionalidade;

- O antigo rei Mohammad Zahir Shah conservará o título "Pai da Nação" durante a sua vida;

- Pashto e Dari são as línguas oficiais; outras línguas minoritárias serão consideradas oficiais nas áreas em que são faladas.

4.1.04

#3

-um post de hoje (para variar...)-

Não sonhem
(o computador)


não sonhem
piquem o ponto. escrevinhem, trabalhem, labutem, mourejem, esfalfem-se
não sonhem
a electrónica sonhará por vós
não façam amor
o electrcoito fá-lo-á por vós

piquem o ponto. escrevinhem, trabalhem, labutem, mourejem, esfalfem-se
não repousem.
o trabalho repousa por vós.

Jacques Prévert in choses et autres
#2

-outro post de ontem-

por causa da história do sorriso, veio-me à memória algo que escrevi no comboio entre Florença e Nápoles, sobre uma história contada por uma amiga.
cá vai:

Shalon

era tão bela
(mas tão bela!)
que só consegui
dizer-lhe
uma tímida palavra.

André, 02 de Novembro de 2003
#1

-um post de ontem-


por vezes acontece. é raro, mas acontece encontrar, em qualquer lugar - especialmente neste comboio -, uma mulher sozinha que, recostada e embrenhada nos seus pensamentos, sorri.
não é um sorrios qualquer: é de satistfação profunda, de quem abriu a porta de um mistério, pintou uma parede, deu passos num caminho interior há muito abandonado ou esquecido. um sorriso que ilumina a imobilidade, que ofusca o cinzentismo do suburbio e o sol da tarde, que antecipa a primavera. um sorrios que lembra uma paixão e que me faz sentir contente por ela.
por vezes acontece... como é belo o sorriso distraído de uma mulher apaixonada.

2.1.04

#3

última hora!!!
eu não sou de intrigas, mas ouvi dizer, num chat da net, que kofi anan e zinedine zidane também têm os seus nomes inscritos nas famosas cartas anónimas.
também se falava de um velho vestido de branco, de sotaque polaco arrastado, mas a santa sé já desmentiu.
#2

já agora, para que se clarifiquem posições (outra expressão dubia...):

cabala: interpretação alegórica do velho testamento, entre os antigos judeus; espécie de ocultismo; [fig] maquinação; intriga; conluio (do hebreu qabbalah, «tradição», referindo-se à tradição esotérica, pelo fr cabale «intriga»).

in Dicionário da Língua Portuguesa, 8º edição, porto editora, 1998
#1

hoje adelino granja veio atacar uma das duas intituições nacionais que ainda estava longe da pedofilia: a direita.
depois das declarações que toda a gente anda a dar a esse orgão oficial do segredo de justiça chamada correio da manhã, começo mesmo a achar que existe uma cabala.
até agora não acreditava muito, sempre achei normal que os gajos esquisitos estivessem todos juntos nesse loby massónico que se chama ps, mas agora já não digo nada...
ou melhor, até digo: se não fosse a madeira estar livre desta praga o que seria da nossa patria bem amada e mal parida?

1.1.04

#1

aqui estamos comandante...

passam dez anos do aparecimento público do Exercíto Zapatista de Libertação Nacional, em chiapas, méxico. depois de uma década, a luta segue e continua mais do que actual.

"(...) Esse é o problema: a mundialização quis juntar peças que não encaixam. Por esta razão, e por outras que não posso desenvolver neste texto, é que é necessário edificar um mundo novo; um mundo que possa conter muitos mundos, que possa conter todos os mundos."

subcomandante Marcos in a 4ª guerra mundial já começou

30.12.03

meus amigos, minhas amigas...
a partir deste momento o metrografismos fecha para balanço, prometendo regressar no ano que vem.
até lá!
#4

andava a dar uma volta na imprensa dos últimos dias e dei com um artigo no diário económico que me escapou na altura... um verdadeiro presente de natal fora de tempo!
deixo-vos o título, podem consultar o resto neste link:

Novo referendo ao aborto agrada à maioria
A sondagem do DE revela que 71,1% dos inquiridos deseja referendar novamente o aborto (...)

in Diário Económico, 24/12/2003


#3

já estou mais bem humorado... penso que o maior perigo já passou.
#2

aviso à navegação:
acordei com um mau humor do caraças, estou com uma birra de sono do tamanho de um comboio de longo curso.
#1

ela escreveu:
Olá André
Não são canções, são apenas poemas de um poeta mexicano - Jaime
Sabines.


apenas poemas?!!
eu li Jaime Sabines, tive uma revelação!
muito obrigado sofia.
fica um cheirinho, podem encontrar textos deste e de muitos mais autores numa página muy rica, dedicada a poetas hispanoamericanos



ESPERO CURARME DE TI

Espero curarme de ti en unos días. Debo dejar de fumarte, de beberte, de pensarte. Es posible. Siguiendo las prescripciones de la moral en turno. Me receto tiempo, abstinencia, soledad.

¿Te parece bien que te quiera nada más una semana? No es mucho, ni es poco, es bastante. En una semana se puede reunir todas las palabras de amor que se han pronunciado sobre la tierra y se les puede prender fuego. Te voy a calentar con esa hoguera del amor quemado. Y también el silencio. Porque las mejores palabras del amor están entre dos gentes que no se dicen nada.

Hay que quemar también ese otro lenguaje lateral y subversivo del que ama. (Tú sabes cómo te digo que te quiero cuando digo: "que calor hace", "dame agua", "¿sabes manejar?", "se te hizo de noche"...Entre las gentes, a un lado de tus gentes y las mías, te he dicho "ya es tarde", y tú sabías que decía "te quiero".)

Una semana más para reunir todo el amor del tiempo. Para dártelo. Para que hagas con él lo que tú quieras: guardarlo, acariciarlo, tirarlo a la basura. No sirve, es cierto. Sólo quiero una semana para entender las cosas. Porque esto es muy parecido a estar saliendo de un manicomio para entrar a un panteón.

Jaime Sabines, in yuria


29.12.03

#2

fui ver playtime - vida moderna.
é um filme de 67, dirigido por jacques tati - que também nos aparece no papel de sr. hulot, a personagem principal -, tendo sido, em homenagem ao seu autor, recentemente remasterizado e lançado no mercado do dvd e nas salas - não há nada como uma tela branca do tamanho de uma parede.
o meu sentimento sobre o filme é contraditório: a meio da exibição estava com vontade de me ir embora, mas, a partir de certa altura, comecei a gostar, e gostei tanto que o que ficara para trás passou a fazer sentido. penso que, pela primeira vez, me senti um bocadinho cinéfilo. sim, porque gostar de cinema e ir muito ao cinema não é bem o mesmo que ser um verdadeiro cinéfilo.
o único defeito que encontro é o facto de a legendagem ser muito má. apesar de existir uma intenção de jogar com rumores e diálogos que não são claros, existem comentários das personagens que, ao serem tratados como rumores, acabam por tornar mais ténue o fio condutor de toda a história.
fica a sinopse que o público apresenta na sua página electrónica.


Na era das "Economic Air Lines", umas turistas americanas efectuam uma viagem organizada. O programa é composto pela visita de uma capital por dia. Quando chegam a Paris, apercebem-se que o aeroporto é exactamente igual àquele de onde partiram de Roma, que as ruas são como as de Hamburgo e que os candeeiros de rua se parecem estranhamente aos de Nova Iorque.
Ao longo das 24 horas que dura a sua escala em Paris, as turistas conhecem alguns franceses - entre os quais o Sr. Hulot (Jacques Tati) - com quem estabelecem uma relação mais pessoal.
"Playtime", um ensaio sobre a vida moderna que ainda hoje continua extremamente actual, é a obra mais visionária e ambiciosa de Tati, o cineasta imortalizado pelo Sr. Hulot. Por ocasião dos 20 anos da sua morte, o Festival de Cannes prestou-lhe homenagem exibindo uma cópia cuidadosamente restaurada deste filme. A Atalanta Filmes associa-se à homenagem exibindo essa mesma cópia
#1

esta história de andar por aí numa viagem de princípio distante e fim indefinido acaba por me levar a experimentar coisas, a ouvir, a apreender formas de ver, a trocar com outros pequenas coisas que mudam a vida. é a tal história dos pequenos prazeres que, por serem pequenos, são os melhores.
música... há tanta música para ser ouvida, nem que estivesse a vida toda com os ouvidos colados à aparelhagem. durante estes anos tenho encontrando autores e cantautores, colecionando sons que outr@s me vão passando e que, por isso mesmo, ficam associados a determinados momentos, a pessoas, a recordações de aromas e sabores, a idiomas e a sonhos.
um desses casos foi o do cubano silvio rodriguez, que entrou na minha vida como que por acaso e nela ficou ancorado, com a sua guitarra, a voz grave e palavras sentidas de poeta comprometido que canta. foi com ele que aprendi, entre outras coisas, castelhano, ouvindo milhares de vezes uma cassete que me fora oferecida por uma amiga numa fria noite de cáceres, no bar as meigas - não sei se ela ainda conserva a fita do sérgio godinho que lhe dei em troca, mas a que ela me deu, por sinal roubada no bar, é alvo de grande estima. no ano seguinte, numa loja no país basco, comprei um cd, de nome silvio, que me tem acompanhado e que estou a ouvir agora, fascinado como poder que estas cancões têm em se reinventar.

(...)
Yo quiero seguir jugando a lo perdido,
yo quiero ser a la zurda más que diestro,
yo quiero hacer un congreso del unido,
yo quiero rezar a fondo un hijonuestro.
Dirán que pasó de moda la locura,
dirán que la gente es mala y no merece,
más yo seguiré soñando travesuras
(acaso multiplicar panes y peces).

Yo no se lo que es el destino,
caminando fui lo que fui.
Allá Dios, que será divino.
Yo me muero como viví.
(...)

silvio rodriguez, el nécio, in silvio

28.12.03

#2

gosto da chuva no telhado, de ouvir os seus pingos grossos a ensaiarem uma melodia nocturna.
Chet Baker
Voce seria Chet Baker (1929-1988). Chet Baker foi o
expoente maximo do West Coast jazz, estilo
muito em voga nos anos 50. Trompetista e
cantor, o seu estilo intimista atraiu atencoes
que foram para alem da sua musica e, ate ao seu
tragico fim, despedacou coracoes.


Que Artista de Jazz Seria Voce?
brought to you by Quizilla

27.12.03

#1

há dias em que me sinto de acordo com as pessoas mais estranhas de que me possa lembrar. já estive de acordo com EPC, hoje calhou estar quase na totalidade de acordo com miguel sousa tavares.
há dias em que um homem se liberta, deixando vir ao papel aquilo que guarda com tanto primor. hoje mst soltou o esquerdista que tanto tenta esconder dentro de si. chegou a ir ao congresso do pp para exorcitar tal fantasma; tenta travestir este esquerdismo latente em bom conservadorismo - antítese do mau conservadorismo praticado e defendido por muit@s que aí andam e governam. mas tal intenção, na minha modesta opinião, saiu-lhe frustrada: miguel, dentro de ti há um camarada que se quer libertar e grita!


OS MALEFÍCIOS DO CONSERVADORISMO
Público, 26 de Dezembro de 2003

Quatro questões, que não são propriamente políticas a não ser no sentido lato, mas que passam pela política para serem resolvidas, regressaram recentemente à discussão pública. E em todas elas a discussão foi encerrada antes mesmo de ter começado ou foi liminarmente rejeitada a hipótese de alterar o "statu quo" em benefício de soluções alternativas e, porventura, mais corajosas. Em todas, o conservadorismo de pensamento, que se pretende ser antes um conjunto de "valores" caros à direita, determinou a orgulhosa inflexibilidade ideológica. Refiro-me à política de agravamento das multas e punições por excesso de velocidade no novo Código da Estrada que aí vem, na recusa das chamadas "salas de chuto" (assistidas ou não) nas prisões, a liberalização do consumo de drogas leves e a descriminalização do aborto (ou até mesmo a sua simples despenalização). A todas as sugestões de ensaiar uma via alternativa nestas matérias, a direita que governa respondeu: "Não, não, não e não."

Porquê tamanha teimosia e inflexibilidade? Consideremos a primeira possibilidade: estão contentes com os resultados das políticas até aqui seguidas. Impossível, os números não deixam qualquer hipótese de escamotear a realidade. Os mortos na estrada continuam em números assustadores, o consumo e apreensões de droga aumenta todos os anos, o número de presos por crimes ligados à droga constitui praticamente dois terços do universo prisional, metade deles preventivos e todos continuando a drogar-se dentro das prisões, sendo que muitos se iniciam ou atingem o ponto de não retorno precisamente lá dentro. Enfim, nenhuma estatística indica que o número de abortos clandestinos tenha diminuído desde que a questão foi pela última vez abordada; antes se suspeita do contrário, como o sugere a persistência dos anúncios publicitários diários na nossa imprensa às clínicas espanholas que tratam do assunto sem problemas legais nem riscos clínicos.

Ou seja, não é pela via dos resultados obtidos que os defensores do imobilismo podem sustentar as suas posições. Sem exagerar, é lícito concluir que os resultados, sim, demonstram o total falhanço destas políticas e, em tal dimensão, que é preciso uma profunda convicção ou uma profunda hipocrisia para continuar a defender que não há outras vias.

Sobre a mal chamada "prevenção rodoviária" não me vou alongar, visto que aqui escrevi sobre o assunto há duas semanas. Limito-me a repetir a conclusão de que a eleição do excesso de velocidade como causa quase única dos acidentes tem como resultado (e objectivo) primeiro aumentar a cobrança de receitas do Estado, como resultado segundo manter nas estradas os incapazes ou os assassinos do volante que, todavia, não excedam habitualmente os limites de velocidade, e como resultado terceiro dispensar as autoridades rodoviárias de se preocuparem com as outras causas de acidentes e outro tipo de vigilância, que dá mais trabalho e menos receitas.

A recusa, mesmo após recomendação do provedor de Justiça - na sequência de um longo estudo e de um relatório devastador - da introdução das "salas de chuto" nas prisões é um caso de hipocrisia quase difícil de enquadrar. Conhecemos a mortandade nas prisões devida a casos de sida, de "overdose", de droga adulterada ou de seringas infectadas; conhecemos os resultados positivos que esta medida tem dado em todos os países onde foi introduzida; e, finalmente, não podemos ignorar que, se a droga é assim tão fácil de se obter numa prisão do Estado, é porque há necessariamente um circuito montado para a levar dos fornecedores cá de fora aos consumidores lá dentro. E esse circuito só pode existir, funcionar e manter-se com a colaboração, o lucro ou a conivência de funcionários do próprio Estado. Assim sendo, a recusa liminar da ministra em simplesmente considerar o assunto assume a forma de um crime em si mesmo, que não encontra qualquer justificação nem em valores, nem em ideologias, nem sequer em sentimentos tão simples como a simples piedade para com aqueles que nem lá dentro conseguem escapar às malhas dos traficantes que lá os enfiaram.

A liberalização do consumo de drogas leves é um assunto já tão estafado que a discussão só se continua a justificar pela dimensão crescente da hecatombe que decorre à vista de todos. Por mim, obviamente que não me vejo a condenar à cadeia - e às drogas fortes - um simples consumidor de "erva". Aqui, a hipocrisia é simplesmente total: o que se tem feito para contornar a dificuldade "moral" da solução legalmente em vigor é uma despenalização oficiosa. Existe teoricamente a possibilidade de prisão, mas ela nunca é aplicadas pelos tribunais. Exactamente o que se recusa para o aborto... Quem aqui me segue há vários anos sabe que eu defendo não isso, ou não apenas isso, mas muito mais do que isso: uma espécie de nacionalização do tráfico de drogas duras. Defendo que o Estado comece a concorrer com o mercado e que venda ele também drogas duras, a preço de custo e sem adulteração. Com condições: que os compradores sejam portadores de documento emitido pelas autoridades que os reconheça dependentes; que a venda se faça sob vigilância médica e assistência psicológica e social em locais determinados para o efeito; e que, paralelamente, sejam agravadas as penas para o tráfico de droga clandestino. Já me responderam que é impensável que um Estado de bem possa vender drogas, mesmo sem lucro. Não sei porquê: não cobra lucros na venda de álcool e de cigarros, não favorece a fuga aos impostos no "off-shore" da Madeira, não fomenta a profusão de casinos, ganhando dinheiro com a ruína dos viciados em jogo? Quem é que define quando é que o Estado é uma pessoa de bem e quando é que deve poder estar dispensado de o ser? São os valores íntimos da ministra da Justiça? E porque não os meus?

Temos finalmente o suave milagre do aborto, que não existe enquanto for proibido, para sossego de algumas boas consciências. Já tudo foi dito sobre isso, demasiadas e cansativas vezes. Já todos conhecemos as posições de todos, que no essencial se resumem a duas: a dos que acham que a criminalização do aborto dos outros é um problema e um dever que lhes impõe a sua consciência, e a dos que acham que o aborto é uma questão da consciência de cada um, com a qual os outros não têm que ver. Pessoalmente, só lamento que a forma profundamente estúpida como a esquerda tem conduzido sempre esta questão, recorrendo aos mais imbecis argumentos do mais imbecil femininismo dos anos 60, tenha desembocado no fastio que levou tanta gente que era a favor da despenalização a abster-se e a conduzir à derrota no referendo de há uns anos atrás. De outro modo, a questão já estaria resolvida, sem termos de aturar mais os argumentos das piedosas senhoras e sacras meninas do outro lado.

São quatro exemplos de "mau" conservadorismo - porque também existe o bom, ao contrário do que sustentam placidamente algumas cartilhas de pensamento pronto-a-vestir. São quatro exemplos de como uma hipocrisia erigida em pseudovalor moral pode causar danos concretos, mortes incluídas, às vítimas desses valores. Em nome do Estado, em nome da moral cristã ou - pior e nunca dito - em nome, muitas vezes, de interesses de negócio instalados, por exemplo na lavagem de dinheiro da droga ou na pretensa recuperação dos drogados. Santíssima hipocrisia!


25.12.03

#1

frio como o caraças.
silêncio, não se ouve nem vê ninguém.
não há jornais nem posts que tragam novidades, alegrias ou tristezas, até a interner parece ter ficado cristalizada desde ontem ao meio dia.
não há sítio onde se possa beber um café ou estar um pouco a ler, tudo se parece, tudo sabe, tudo cheira à ressaca natalícia. nem a música da rádio colabora.
felizmente que só voltamos a ter natal daqui a um ano!

24.12.03

#3

um poema natalicio. não é dos que goste mais, mas vem a calhar.

CRISTO

teu nome é chorado
pelos que morrem de fome
e a tua verdade cantada
por quem os oprime.

debaixo das tuas barbas,
digladiam-se até à morte
filhos e pais que tiveste
derramando sangue sobre o azul
(qual ouro corrompido).

à sombra da tua cruz
protegem-se cegos,
tecendo os juízos
de quem não viu
e nada quer ver.

cristo,
tens dois mil e tal anos
estas velho
e foste carcomido.

andré

23.12.03

#2

o meu telemóvel está a ser bombardeado com mensagens natalícias!!!
socorro! alguém me tira deste pesadelo?
#1

roubei, na e-edição do dnjovem desta semana, um texto napolitano de rodrigo francisco.

Naples Revisited (2003)

hoje podem gritar à vontade, que não estou cá. Podem ligar, escrever, puxar-me pelo braço. Podem ameaçar-me de que se não é hoje então deixa de ser, porque estou-me marimbando para todos vós; não estou nem para a Raquel Loureiro. É que hoje optei por levantar-me às seis da tarde, e é domingo. Aqueci o resto do espaguete seco em cima do fogão, abri uma lata de pêssegos em calda (bebi a calda como se fosse sumo, a acompanhar o espaguete). Saí e cumprimentei a senhora a fumar na janela em frente. Desci à Via Roma. Como é domingo cruzo-me com magotes de gente que choca contra mim e segue sem pedir desculpa. Fico um pouco em frente à Intimissimi avaliando o fio dental de hoje no manequim giratório. Na Piazza Dante ainda não sei que chorarei ali como um menino na madrugada da partida. Na Piazza Dante desta vez não vou de braço dado com o Lello ou com a Olimpia, ou com a Sarah, e os scugnizzi jogam à bola, e os caffone encostam-se às vespas e falam de futebol, de óculos escuros, das apresentadoras da televisão.
De modo que hoje subo ao Gesú Nuovo e nem sequer me detenho nas bancas dos alfarrabistas à procura de uma pechincha roubada de uma biblioteca qualquer, de modo que hoje ignoro as belíssimas estudantes tomando café nas tímidas esplanadas, de modo que hoje levanto a gola do casaco e chego em passo apressado à Piazza Bellini.

Isto tudo
(só hoje)

para cumprimentar o Ciro com dois beijos e ele oferecer-me um café. Eu sei que vocês devem estar fartos de eu vos contar de eu cumprimentar o Ciro com dois beijos e ele oferecer-me um café. Já não podem ouvir falar de eu cumprimentar o Ciro com dois beijos e ele oferecer-me um café.

Pelo que hoje escusam de estar para aí armados em amigos, armados em distracção, armados em Lisboa, porque ele há dias
(cá por coisas)

em que um gajo precisa de acordar às seis da tarde de um domingo em Nápoles e tomar café na Piazza Bellini

(cumprimentar o Ciro com dois beijos e ele oferecer-me um café)

dias em que parece que estás casado há demasiado tempo com Lisboa, e que os cabelos desgrenhados dela acordando a teu lado se vão tornando levemente insuportáveis

dias em que Nápoles te dói com se fosse a cabeça ou um dente.

Ele há dias em que logo de manhã te cresce uma incontornável vontade de estar sozinho, percebes?





eu não sou de intrigas... mas há qualquer coisa no ar entre sushi e ginger blogoflirt?
repito: eu não sou de intrigas!

22.12.03

#4

do verdadeiro referendo sobre a IVG, aquele que um grupo de cidadãos e cidadãs - personalidades, sindicalistas, membros do movimento católico nos somos igreja, membros do BE, do PS e dos Renovadores Comunistas, activistas dos direitos dsas mulheres e das minorias -, quer pedir ao parlamento, digo que estou directamente envolvido no processo.
A ideia do referendo não será a que agrada a tod@s. há quem defenda que o direito de escolha e o direito à dignidade não se referenda e, por isso mesmo, não se deve entrar num novo processo. estou de acordo com a questão da legitimidade de referendar direitos, mas, face ao referendo de 98, penso não existir outra maneira de calar a direita e a padralhada ultraconservadoras que se julgam no direito decidir pel@s outr@s.
a recolha de assinaturas está a trazer a discussão para a rua, está a mexer com as pessoas, a confrontá-las... e há quem se sinta incomodad@ que isto esteja a acontecer, mesmo pessoas que acham que a lei tem de mudar.
Na rua existem @s que assinam sem muitas perguntas, @s que perguntam porque querem assinar, @s que não assinam determinadamente, @s que não querem assinar por juizo ético-moral e, diante de factos, acabam por dar razão e autografo. há ainda muita gente que se esconde atrás de uma neutralidade, de uma imparcialidade. num não ter opinião. a meu ver, isto é entregar o ouro ao bandido. foi pelos mesmos argumentos que muita gente ficou em casa em 98, foi esta a semente de apatia que se plantou no espírito de muita gente. quando não queremos ter opinião, ser neutrais, não nos preocuparmos em pensar e em confrontarmo-nos com nosco e com que nos rodeiam, acabamos, sem saber, por estar a tomar posição de algum lado.
lá diz a cançaõ de pedro abrunhosa que o conformismo
é sempre o poder de alguém
.
#3

o tiago mandou-me este e-mail, tem a sua piada.

Novo referendo sobre o aborto.

Ouve-se dizer que o país vai ser, de novo, referendado sobre o aborto. Ao que consegui apurar, a questão que será exposta aos cidadãos já está formulada e é aqui avançada em primeira mão. A saber: Qual a sua opinião sobre o aborto?

a) Tem sido um bom primeiro-ministro.
b) Tem sido um primeiro-ministro ineficaz.
c) Nem sequer tem sido primeiro-ministro
# 2

isto é frustrante.
o teste é palerma e o resultado palerma é.
pulp fiction não é, definitivamente, um dos meus filmes.
além disso, uma thurman a dizer-me que sou Inovador, imaginativo, inteligente. Da gosto conhecer-te!, só mesmo num filme...
Pulp Fiction
"Pulp Fiction"! Inovador, imaginativo,
inteligente. Da gosto conhecer-te!


Se fosses um filme, que filme serias?
brought to you by Quizilla

21.12.03

#1
hoje é um dos dias que mais gosto em todo o ano: apesar de começar o inverno, o solestício de dezembro, o dia mais pequeno em termos de luz solar, é por mim sentido como que o recomeçar de todos os ciclos.
daqui para a frente os dias vão começar a crescer suavemente, já posso imaginar as portas da primavera a abrir e a luz das tardes longas, o desejo de maresia e da melancolia do final de dia no meco parece-me mais real.

19.12.03

#2

estive, por motivos profissionais, na doca pesca. devo dizer que foi um experiência sociológica e antropológica do maximo interesse.
enquanto andei por itália, ouvi dizer que a doca estava para fechar, que os pescadores iriam ser despedidos e que, naquele lugar, iria ser construido um empreendimento urbanistico, tipo expo... tudo em nome da taça américa em vela.
mas, azar do destino, a competição lançou ancora em Valencia; parece que os ventos não a trouxeram até mar aberto, não a empurraram para este porto de abrigo das agruras atlanticas que é o tejo...
no entanto, nada alterou as ideias dos especuladores: o valor do dinheiro deixou de ter o disfarce da prova desportiva e do interesse nacional - qual versão aquática do euro 2004 -, mas os 30 hectares de terreno à  beira rio, num local paradisiaco, continuam a ser uma tentação a que não se resiste...
5 mil trabalhadores e trabalhadoras que irão ver o seu posto de trabalho ser substituido por um desenvolvimento aparentemente progressista... alguns serão reconvertidos. mas uma boa parte ficará em casa a lembrar o tempos de maré cheia e de redes esticadas.
além destes homens e destas mulheres de linguajar anguloso - e que, apesar das perspectivas, ainda ensaiam um sorriso- , há ainda outro factor a ter em conta... o desperdicio:
na doca pesca existem edifícos e equipamentos tecnológicos de ponta, com cerca de dois anos, que foram instalados com o dinheiro que a união europeia atribuiu durante as últimas décadas ao nosso paí­s...
estes fundos, destinados a combater assimetrias de desenvolvimento entre os paí­ses da união, serão canalizados agora para o entulho.
no local onde, diariamente, se processada e acondicionada parte da alimentação que, alguns dias depois, tod@s iremos ver no prato, irá surgir, em breve, um espaço de interesse comum, que fará ganhar dinheiro a muita gente e estará na origem da miséria e infelicidade de tant@s outr@s.
Foram estes homens e estas mulheres- @s que circulam e existem no subterraneo do desenvolvimento e do conforto comum- que, com a sua pele queimada e as suas roupas de lutar com o frio e com o mar, me contaram esta e outras histórias, que me falaram no seu linguajar, que me avivaram na memória a sua presença. foi também esta gente, que, sem que tenhamos consciencia, estão presente em cada momento dos nossos dias, me fez voltar ao sangue dos outros de simone de beauvoir ou a primo levi... se isto é um país...
#1

Garzón investiga si dos ex etarras "robaran" a ETA 150. 000 euros

a história vem no El Pais de hoje e é o exemplo acabado da histeria do juiz baltazar garzon em relacção à eta... a sua fixação neste grupo armado é tão grande que até procura de quem os anda a enganar...
não é que ele anda a investigar se será mesmo verdade que dois ex-operacionais bascos se quedaram, para beneficio próprio, com parte do imposto revolucionário - cerca de 150.000 euros - que se destinava ao financiamento daquele grupo.
será que o juiz vai exigir uma indeminização à eta por parte destes dois larápios?
ou será que lhes vai perdoar outros crimes, baseando-se no juizo popular de que ladrão que rouba a ladrão...

17.12.03

#1


Agente da PJ Recorda "Uma Mulher Deitada e Despida" no Consultório

título de noticia do publico, 17 dez 2003

este título, por si só, é o espelho de uma sociedade de faz de conta, velha e decrépita, escudada numa história balofa de 800 anos e presa a um moralismo oco e hipócrita, que fecha os olhos a uma realidade, que, em nome da vida (imagine-se!), condena as suas mulheres a uma vida indignina, ao julgamento e ao sofrimento.
esta frase, como tantas outras, leva-me a perguntar, ensaiando primo levi, se isto é um país.

16.12.03

#1

A edição de hoje do Blitz, traz, em anexo, o cd do Legendary tiger man.
um disco sólido, de boas guitarradas. destaca.se também ao preço decente.
depois da edição do último disco dos more republica massonica, sauda-se a repetição da iniciativa. espero que a coisa continue, em nome da divulgação da música que está longe das play list's-salvé henrique amaro e companhia!
por outro lado, penso que a tão famosa crise da industria discográfica só pode ser ultrapassada com a edição de discos a baixo preço... os tubarões do comércio musical têm, de uma vez por todas, de se convencer que as suas taxas de lucro são vergonhosas.

15.12.03

#2

afinal foi engano...
o dito jornalista trocou, por lapso, o nome dos criminosos, afinal quem foi preso, como já se sabia, foi sadam.
é preciso não perder a esperança.
#1

o pivot da SIC Noticias anunciou, no jornal das 15h, a captura e prisão de george w bush no iraque!
afinal ainda há esperança de um mundo mais justo.

14.12.03

#4

esta jeitosa aderiu à blogosfera e só o decobri agora!
mais vale tarde do que nunca!
#3

apesar do livro do José Luis Peixoto ainda não ter dado sinais de vida, já encontrei o caminho que havia perdido no início da semana, o da poesia.
e, para celebrar o reencontro:

Escrever
escrever- como se nada fosse importante-
o simples passar das horas
sentado na esplanada de um café
de uma provincia espanhola.
Escrever, como se estivesse escrito
que o ruído dessas chávenas no mármore
tivesse que passar o arroio límpido
de uns versos.
Escrever, como se nada fosse.

Juan Manuel Bonet, in la patria oscura
#2

ao saber da prisão de sadam hussein, 3 pensamentos floriram no meu espírito:
1º- será o verdadeiro ou será um dos de plástico? entre as patranhas do bigodes e os perus dos americanos nunca se sabe.
2º- deve ser o verdadeiro. na hora da verdade, e porque foram amigos por tanto tempo, os yankes saberiam reconhece-lo à primeira vista.
3º- Mxxxx ...! bush jr ficou mais perto de ganhar as eleições no ano que vem.
#1

"
(...)
De repente, os quatro bofias dispersos por entre a assistência saltam-me à vista como piolhos numa folha branca. E, no entanto, nada os distingue dos outros machos da assembleia. Chuis, vendedores e colarinhos brancos, o mesmo combate pela pulseirinha de ouro e pelo vinco na calça. O olhar é que é difrerente. Esses quatro olham para os outros, e os outros olham em frente, pateticamente, como se a promessa de um amanhã sem explosivos pudesse sair da tribuna sindical. Os bófias, esses, procuram um matador. Exibem o olhar «psi». As orelhas crescem-lhes a olhos vistos. São os espeleólogos da alma ambiente. Quem, na assistencia, se sentiu suficientemente na merda para querer mandar pelos ares a chafarica? É a única interrogação que eles têm dentro daquelas cabeças.
E bem podem continuar a interrogar-se durante muit tempo...
O assassino não está na sala! é uma certeza que se inscreve a letras de fogo no meu silêncio intersideral."

daniel pennac in o paraíso dos papões

13.12.03

#1

"(...) Aveva preparato una cena, sulla terrazza che guardava gli olivi, e i monumenti preziosi, miracoli di proporzioni esatte che dicevano che la mente umana é fatta a somiglianza di quella di DIo. Ma Sieglinde non riusci neppure a meterssi a tavola: gli disse, quasi soffocando ma guardando negli occhi, che lo desiderava. (...)"
Giovanni Bogani, in blu


a poesia deste texto está não tanto no que conta, mas na forma musical como se faz contar...

"(...) tinha preparado um jantar, na varanda que olhava as oliveiras, e os monumentos preciosos, milagres de proporções exactas que diziam que a mente humana é feita à semelhança da de Deus. Mas Sieglinde não chegou sequer a sentar-se à mesa: disse-lhe, quase sufocando mas olhando-o nos olhos, que o desejava. (...)"

12.12.03

#1

escrever na areia
o teu nome
molhado.
saber que dele
restará
apenas maresia.


andré, 11/12/2003

11.12.03

#2

Uma Parte do Peru pelo Todo
Por EDUARDO PRADO COELHO
Público, 11 de Dezembro de 2003

Os meios de comunicação social deram algum relevo ao facto de ter sido divulgada para todo o mundo a famosa fotografia em que Bush aparece de surpresa junto das tropas americanas e avança pelo refeitório com uma eufórica bandeja de peru nos braços. Soube-se que o soberbo peru não era de carne e osso, mas de plástico.

Na sua habitual crónica do "Diário de Notícias", Luís Delgado sentiu-se ofendido no zelo com que defende intransigentemente as posições americanas e lançou uma réplica indignada: é preciso haver mesmo falta de informações interessantes para que jornalistas de todo o mundo, unidos num estranho e insuportável sentimento antiamericano, e em manifesto conluio, ou pelo menos simpatia, com as forças terroristas, se ocupem do falso peru de Bush.

A estratégia argumentativa de Luís Delgado é curiosamente dupla. Tem uma primeira etapa de tipo epistemológico, que se resume na seguinte interrogação: como saber que o peru é falso? "Ele há pachorra para tudo. Será que o jornalista americano foi meter o dedo no peru? Tentou comer uma perna? Retirou um pedaço para análise posterior? Só mesmo quem não tem nada para dizer, ou escrever, ou comentar, é que se dedica ao peru, colocando-o na categoria merecedora de uma profunda análise política, simbólica, ritualista, do poder factual e mediático." Ponhamos de lado o facto de que Luís Delgado também se dedica ao caso do peru, porque ele poderá sempre argumentar que não é o peru que lhe interessa, mas sim os usos perversos do peru. Mas perguntemos que tem o peru de específico para escapar ao estatuto de objecto de "análise política, simbólica e ritualista". Será que um peru tem menos dignidade ontológica do que um cabrito ou uma lebre, ou mesmo um javali? É verdade que o nome não ajuda, e que aquele "u" final ganha uma dimensão grotesca. E também devemos reconhecer que o peru não é um animal particularmente astucioso ou inteligente. E daí? Não fazemos análises dos discursos de Bush, que tem uma relação com a linguagem particularmente atribulada?

A segunda etapa argumentativa é de tipo político: "Do Iraque chegam todos os dias notícias espectaculares, inquietantes, difíceis, intrincadas, mas nunca sobre um peru presidencial de plástico, ao matéria afim." Falar do peru, acha Luís Delgado, é "perder tempo". Contudo, penso que há uma componente retórica que Luís Delgado negligencia. Este peru não tem interesse em si mesmo, mas como realidade metonímica: é uma parte do peru pelo todo da intervenção norte-americana no Iraque. Por outras palavras, se o peru ganha tanto relevo é porque nele se consubstancia um estilo que a Administração americana promoveu: a realidade não basta em si mesma, é preciso produzi-la e encená-la.

Foi este o caso da mulher-soldado Jessica Lynch, transformada em heroína pelo Pentágono para poder fornecer um argumento para um filme. Tudo falso, como se veio a comprovar. E foi este o estatuto das famosas "armas de destruição maciça", que cada vez mais aparecem como um pretexto claramente encenado para convencer a opinião pública mundial. A questão está em sabermos até que ponto estes reincidentes falsificadores da realidade poderão ser os melhores defensores da verdade democrática.
#1

a minha intima e modesta opinião é, frequentemente, dissonante da análise que eduardo prado coelho (epc) vai fazendo dos dias que passam.
grosso modo, vejo o seu posicionamento à esquerda, recentemente alinhado com o PS, como um conforto intelectual, como uma forma de equilibrio e de gestão de emoções e de uma herança - palavra muito polémica na blogosfera lusa nos últimos tempos- não só cultural como familiar... é, por assim dizer, uma forma de alivio de consciência, com pouco comprometimento de facto...
este, chamemos-lhe, charme intelectual, acaba por ser mais um sinal que as diferenças históricas entre o pensamento de esquerda e direita não estão, como muitos tentam fazer querer, acabadas.
no entanto, é preciso admiti-lo, de quando em vez, epc acaba por acertar na mosca... e, desta vez, vai mais longe: acerta, por inteiro, no peru.

10.12.03

#5

de boa vontade viraria a cara à noticia que vai abrir os jornais das oito, daqui a cinco minutos - e sei qual é.

oooooh
STOP

with your feet in the air and your head on the ground
try this trick and spin it, yeah
your head will collapse
but there's nothing in it
and you'll ask yourself

where is my mind
where is my mind
where is my mind

way out in the water
see it swimmin'

Pixies, Surfer Rosa
#4

a última cena de fight club está fora do tempo. lembrei-me dela porque há momentos em que o melhor é virarmos as costas ao que está a acontecer no mundo, ao que parece ser uma impossibilidade cinematográfica.
depois de uma viagem atribulada por si e pelo mundo, a personagem vira as costas ao que, literalmete, andou a fazer.
enquanto os as guitarras e a voz de black francis dão o tom de where is my mind (os saudosos pixies...), as torres gémeas desabam depois de uma grande explosão... nada mau para um filme feito em 1998...

#3

finalmente acabei o trabalho que tinha em mãos!
é tempo de almoçar e passar ao próximo.