#2
no site do ps aparece uma janela que promete: em breve, tudo o que precisa saber sobre os 30 anos do ps.
será que também vão falar dos acordos que fizeram com a cia nos anos quentes da revolução, ou essa parte da história soarista não serve (nem serviu) para nada?
14.1.04
#1
santana lopes escreveu um livro sobre a sua intervenção na cultura, que foi publicamnte apresentado com a chancela de agustina bessa luis.
ou terá sido:
agustina bessa luis escreveu um livro para santana lopes, que foi publicamente apresentado com a chancela da cultura.
qualquer uma das hipoteses é assustadora.
no entanto, uma coisa se destaca: parece que o rapaz, que em tempos militou na extrema direita do m.i.r.n., arranjou primeira dama.
santana lopes escreveu um livro sobre a sua intervenção na cultura, que foi publicamnte apresentado com a chancela de agustina bessa luis.
ou terá sido:
agustina bessa luis escreveu um livro para santana lopes, que foi publicamente apresentado com a chancela da cultura.
qualquer uma das hipoteses é assustadora.
no entanto, uma coisa se destaca: parece que o rapaz, que em tempos militou na extrema direita do m.i.r.n., arranjou primeira dama.
13.1.04
#2
o Blitz volta a atacar!
desta vez disponibilizam, a preço decente, o disco dos sloppy Joe, colectivo de vila do conde com alguns anos de estrada, que nunca conseguiu contornar os esquemas do mercado editorial e, por isso, ainda não tinha dado à luz o seu flic flac circus.
Esta banda, auto-situado entre a última e a próxima revolução, traz-nos um som alegre, com traços que vão desde a pop à electrónica, bebendo e fumando influências nos 80's e na música jamaicana.
parece que o jornal vai disponibilizar mais onze grandes discos (um por mês) durante este ano, salvé!
o Blitz volta a atacar!
desta vez disponibilizam, a preço decente, o disco dos sloppy Joe, colectivo de vila do conde com alguns anos de estrada, que nunca conseguiu contornar os esquemas do mercado editorial e, por isso, ainda não tinha dado à luz o seu flic flac circus.
Esta banda, auto-situado entre a última e a próxima revolução, traz-nos um som alegre, com traços que vão desde a pop à electrónica, bebendo e fumando influências nos 80's e na música jamaicana.
parece que o jornal vai disponibilizar mais onze grandes discos (um por mês) durante este ano, salvé!
#1
Uma viagem fora do tempo
vinha a pé para o trabalho, a curtir topominia de lisboa. gosto muito de andar a pé.
vi-o passar e não resisti. entrei e vim por aí fora a curtir o sacolejar da cabine de madeira, a fúria da guarda freio - TRIIIIIIIIIIIMMMMMMMMMMMMMMMMMM - alimentada pela falta de civismo dos condutores, cortada pela voz de Dido, vinda de uma telefonia fanhosa. as ruas ganham outras dimensões, a velocidade é vertiginosa na descida, a luz torna-se mais oblíqua. as casas conversam entre si, exibem-se ao senhor amarelo que passa. entrar no electrico deixa-me, invariavelmente, bem disposto. as velhotas a surfar para manter o equilibrio, os putos a irem para a escola, os turistas embasbacados com a metamorfose que os carris proporcionam...
uma viagem fora do tempo, vertigem epidermica, manhã ganha... não há dúvida de que o carro electrico, especialmente o 28, é um dos maiores tesouros desta cidade.
Uma viagem fora do tempo
vinha a pé para o trabalho, a curtir topominia de lisboa. gosto muito de andar a pé.
vi-o passar e não resisti. entrei e vim por aí fora a curtir o sacolejar da cabine de madeira, a fúria da guarda freio - TRIIIIIIIIIIIMMMMMMMMMMMMMMMMMM - alimentada pela falta de civismo dos condutores, cortada pela voz de Dido, vinda de uma telefonia fanhosa. as ruas ganham outras dimensões, a velocidade é vertiginosa na descida, a luz torna-se mais oblíqua. as casas conversam entre si, exibem-se ao senhor amarelo que passa. entrar no electrico deixa-me, invariavelmente, bem disposto. as velhotas a surfar para manter o equilibrio, os putos a irem para a escola, os turistas embasbacados com a metamorfose que os carris proporcionam...
uma viagem fora do tempo, vertigem epidermica, manhã ganha... não há dúvida de que o carro electrico, especialmente o 28, é um dos maiores tesouros desta cidade.
12.1.04
#3
porque, de quando em vez, a poesia nos salva, deixo um poema de António Ramos Rosa, como que a agradecer à Isabel (que julgo não ter um link) pelo presente.
O dia é indiferente à minha construção
Ele continuará a ser o mesmo após a minha morte
Como não existem deuses e Deus se existe é como se não existisse
só me resta o espaço para celebrar o nascimento
dessa figura branca nunca actual mas eminente
de que sinto a brisa da sua boca verde
O mundo não é um berço cálido e seguro
nem uma clara estrada através de uma floresta
Diante de nós ou sobre nós está sempre a sombra irrevogável
que nos impede de pertencermos à plenitude do dia
A nossa vocação é construir e nós construímos na areia do tempo
e em cada dia temos de levantar uma coluna de argila
que o universo ignora e que se desmorona ao fim do dia
O sonho do poema é um movimento entre as árvores
os seus enlaces de água o lume do seu hálito
os ramos de um rio uma nesga azul
e que o mundo respire por por ele como se ele fosse a respiração possível
António Ramos Rosa, Deambulações Oblíquas
porque, de quando em vez, a poesia nos salva, deixo um poema de António Ramos Rosa, como que a agradecer à Isabel (que julgo não ter um link) pelo presente.
O dia é indiferente à minha construção
Ele continuará a ser o mesmo após a minha morte
Como não existem deuses e Deus se existe é como se não existisse
só me resta o espaço para celebrar o nascimento
dessa figura branca nunca actual mas eminente
de que sinto a brisa da sua boca verde
O mundo não é um berço cálido e seguro
nem uma clara estrada através de uma floresta
Diante de nós ou sobre nós está sempre a sombra irrevogável
que nos impede de pertencermos à plenitude do dia
A nossa vocação é construir e nós construímos na areia do tempo
e em cada dia temos de levantar uma coluna de argila
que o universo ignora e que se desmorona ao fim do dia
O sonho do poema é um movimento entre as árvores
os seus enlaces de água o lume do seu hálito
os ramos de um rio uma nesga azul
e que o mundo respire por por ele como se ele fosse a respiração possível
António Ramos Rosa, Deambulações Oblíquas
#2
Maria Rita... um lugar comum?
não conhecia, estava desconfiado... filha de celebridade cantante não saberá, necessariamente, cantar - aliás, dá-se muita importancia a esse facto
ouvi uma entrevista na Antena 1 (o serviço público a dar cartas) e gostei. ouvi a música e rendi-me. a única coisa de que tive pena foi não ter arranjado bilhetes para o concero.
Encontros e Despedidas
Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero
Todos os dias é um vai e vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
É assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida ....
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida...
Milton Nascimento / Fernando Brant
Maria Rita... um lugar comum?
não conhecia, estava desconfiado... filha de celebridade cantante não saberá, necessariamente, cantar - aliás, dá-se muita importancia a esse facto
ouvi uma entrevista na Antena 1 (o serviço público a dar cartas) e gostei. ouvi a música e rendi-me. a única coisa de que tive pena foi não ter arranjado bilhetes para o concero.
Encontros e Despedidas
Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero
Todos os dias é um vai e vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
É assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida ....
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida...
Milton Nascimento / Fernando Brant
#1
Eles andam aí!
um texto sobre a privatização do Serviço Nacional de Saúde, uma cruzada impulsionado pelo ex assessor do grupo mello e actual ministro da saúde, luis filipe pereira.
John Q. no Centro Hospitalar do Alto Minho
Por EDUARDO JORGE MADUREIRA
Público (local/minho), 12 de Janeiro de 2004
John Q. Archibald é um trabalhador esforçado e honesto que ama profundamente a família. Por isso, fica transtornado quando sabe que Michael, o filho, que vai parar ao hospital por causa de um desmaio num jogo de baseball, precisa de realizar urgentemente um transplante de coração. Mas este homem, que é capaz de fazer tudo para salvar a vida do filho, fica a saber que o seguro de saúde, que sempre lhe levou uma boa parte do seu reduzido ordenado, não contempla o que agora precisa. Uma alínea tramada ou outra razão obscura qualquer permite que a seguradora se escape de pagar a operação do filho. E o dinheiro todo que John Q. tem e o que conseguirá juntar vendendo bens e recolhendo o que os colegas lhe derem também para pouco serve.
O desespero vai-se apoderando de John Q., que começa a perceber que o sistema de saúde não é feito para cuidar de gente sem recursos. Alguém lhe explica, com uma argumentação sólida do ponto de vista económico, que um hospital não é um lugar para a prática da caridade, um hospital vende serviços a utentes. Para a direcção do hospital está, portanto, fora de causa oferecer um socorro. Até este momento, tudo é comum nesta história americana. Uma situação destas pode realmente ocorrer a qualquer pessoa com menos dinheiro. Inabitual é o passo que a seguir dá John Q., a personagem que Denzel Washington interpreta no filme "John Q. - Um Acto de Coragem", realizado por Nick Cassavetes e estreado em Portugal em 2002.
Quando verifica que todas as portas de uma solução se fecharam, John Q. resolve trancar mais algumas. Entra no serviço de urgência do hospital, bloqueia os acessos e toma como reféns todos os que ali se encontram, incluindo os que ali estavam à espera de cuidados médicos. Para contracenar com o protagonista e, claro, para fazer subir a adrenalina, chegam depois Robert Duvall, no papel de um veterano polícia especialista em negociações com sequestradores, e Ray Liotta, que interpreta um impaciente chefe de polícia. Há evidentemente situações que só ocorrem nos filmes. Mas a expulsão de um número cada vez maior de pessoas para as margens dos sistemas de saúde não é, em muitos países "civilizados", uma ficção.
Há percursos que se sabe como começam e não se sabe como acabam. Mas há inícios que prenunciam maus fins. É o caso do caminho que o Centro Hospitalar do Alto Minho quer seguir, celebrando protocolos de investimento com companhias de seguros, tendo como contrapartidas condições de atendimento preferenciais para os seus clientes. É através de pequenos passos - como os que se dão quando se preferem uns em detrimento de outros (e preferir uns significa sempre preterir outros) - que avança a discriminação das pessoas. Entra-se por aqui e nada garante que, na história real do serviço nacional de saúde, num episódio mais à frente, não haja não se sabe quantos John's Q. medrosos e incapazes de qualquer outra reacção que não seja ir dar conta do caso à TVI. Num país decente, o Estado não enfia a saúde dos cidadãos em máquinas de fazer dinheiro. É por isso que, ao contrário do que diz o ministro da Saúde, este não é "um caminho" a seguir.
Eles andam aí!
um texto sobre a privatização do Serviço Nacional de Saúde, uma cruzada impulsionado pelo ex assessor do grupo mello e actual ministro da saúde, luis filipe pereira.
John Q. no Centro Hospitalar do Alto Minho
Por EDUARDO JORGE MADUREIRA
Público (local/minho), 12 de Janeiro de 2004
John Q. Archibald é um trabalhador esforçado e honesto que ama profundamente a família. Por isso, fica transtornado quando sabe que Michael, o filho, que vai parar ao hospital por causa de um desmaio num jogo de baseball, precisa de realizar urgentemente um transplante de coração. Mas este homem, que é capaz de fazer tudo para salvar a vida do filho, fica a saber que o seguro de saúde, que sempre lhe levou uma boa parte do seu reduzido ordenado, não contempla o que agora precisa. Uma alínea tramada ou outra razão obscura qualquer permite que a seguradora se escape de pagar a operação do filho. E o dinheiro todo que John Q. tem e o que conseguirá juntar vendendo bens e recolhendo o que os colegas lhe derem também para pouco serve.
O desespero vai-se apoderando de John Q., que começa a perceber que o sistema de saúde não é feito para cuidar de gente sem recursos. Alguém lhe explica, com uma argumentação sólida do ponto de vista económico, que um hospital não é um lugar para a prática da caridade, um hospital vende serviços a utentes. Para a direcção do hospital está, portanto, fora de causa oferecer um socorro. Até este momento, tudo é comum nesta história americana. Uma situação destas pode realmente ocorrer a qualquer pessoa com menos dinheiro. Inabitual é o passo que a seguir dá John Q., a personagem que Denzel Washington interpreta no filme "John Q. - Um Acto de Coragem", realizado por Nick Cassavetes e estreado em Portugal em 2002.
Quando verifica que todas as portas de uma solução se fecharam, John Q. resolve trancar mais algumas. Entra no serviço de urgência do hospital, bloqueia os acessos e toma como reféns todos os que ali se encontram, incluindo os que ali estavam à espera de cuidados médicos. Para contracenar com o protagonista e, claro, para fazer subir a adrenalina, chegam depois Robert Duvall, no papel de um veterano polícia especialista em negociações com sequestradores, e Ray Liotta, que interpreta um impaciente chefe de polícia. Há evidentemente situações que só ocorrem nos filmes. Mas a expulsão de um número cada vez maior de pessoas para as margens dos sistemas de saúde não é, em muitos países "civilizados", uma ficção.
Há percursos que se sabe como começam e não se sabe como acabam. Mas há inícios que prenunciam maus fins. É o caso do caminho que o Centro Hospitalar do Alto Minho quer seguir, celebrando protocolos de investimento com companhias de seguros, tendo como contrapartidas condições de atendimento preferenciais para os seus clientes. É através de pequenos passos - como os que se dão quando se preferem uns em detrimento de outros (e preferir uns significa sempre preterir outros) - que avança a discriminação das pessoas. Entra-se por aqui e nada garante que, na história real do serviço nacional de saúde, num episódio mais à frente, não haja não se sabe quantos John's Q. medrosos e incapazes de qualquer outra reacção que não seja ir dar conta do caso à TVI. Num país decente, o Estado não enfia a saúde dos cidadãos em máquinas de fazer dinheiro. É por isso que, ao contrário do que diz o ministro da Saúde, este não é "um caminho" a seguir.
11.1.04
post em memória do poeta Al berto, que faria hoje 56 anos
dizem que a paixão o conheceu , talvez por isso tenha feito a sua vida procurando a paciência o amor o abandono das palavras, o silêncio e a difícil arte da melancolia.
era frequente perder-se na largueza de todos os rios, onde por vezes uma gaivota pousava nas águas: tratava logo de imaginá-la de outras cores, noutros mares, com outras asas que não as do pássaro.
de tanto acenar ao destino, acabou por descobrir que, com um gesto, tudo vem ao chamamento e que
as mãos pressentem a leveza rubra do lume , isto quando ainda mal sabia reconhecer os teus própios erros .
navegou sempre, orientando-se pelas pernas cruzadas da cassiopeia. sempre que lhe sugeriam a mudança do rumo, justificava a persistência sem deslumbramentos, dizendo possuo a doença dos espaços incomensuráveis e os secretos poços dos nómadas...
com ele temos a ideia de que mais nada se move em cima do papel , só a escrita pausada, a respiração metafórica da vontade.
encontrei-o num inverno. era uma dessas noites que assobiam lá fora e ele estava ali, já morto e imortal... chegara sem se anunciar, com um livro roxo debaixo de um braço e uma pose onírica. perguntei-lhe, a medo: Al berto?!!
o homem levantou-se indiferente à revelação da alba, titubeou, tossiu e disse, antes de voltar a partir: A escrita é a minha primeira morada de silêncio .
dizem que a paixão o conheceu , talvez por isso tenha feito a sua vida procurando a paciência o amor o abandono das palavras, o silêncio e a difícil arte da melancolia.
era frequente perder-se na largueza de todos os rios, onde por vezes uma gaivota pousava nas águas: tratava logo de imaginá-la de outras cores, noutros mares, com outras asas que não as do pássaro.
de tanto acenar ao destino, acabou por descobrir que, com um gesto, tudo vem ao chamamento e que
as mãos pressentem a leveza rubra do lume , isto quando ainda mal sabia reconhecer os teus própios erros .
navegou sempre, orientando-se pelas pernas cruzadas da cassiopeia. sempre que lhe sugeriam a mudança do rumo, justificava a persistência sem deslumbramentos, dizendo possuo a doença dos espaços incomensuráveis e os secretos poços dos nómadas...
com ele temos a ideia de que mais nada se move em cima do papel , só a escrita pausada, a respiração metafórica da vontade.
encontrei-o num inverno. era uma dessas noites que assobiam lá fora e ele estava ali, já morto e imortal... chegara sem se anunciar, com um livro roxo debaixo de um braço e uma pose onírica. perguntei-lhe, a medo: Al berto?!!
o homem levantou-se indiferente à revelação da alba, titubeou, tossiu e disse, antes de voltar a partir: A escrita é a minha primeira morada de silêncio .
10.1.04
#2
a notícia de onde retirei os fragmentos abaixo postados parece mentira... mas é pura realidade.
ao ler tudo isto veio-me à cabeça o voluntariato compulsivo de alexandre o'neil
V.C.
Em regime de voluntariato compulsivo
é mais fácil viver: tu acabas por ter
de fazer não o que não queres,
mas o que queres fazer.
(Um país ameaça com voluntários outro.
E os voluntários? estarão eles alistados?)
E assim resolvem para ti (e por ti) a antinomia
prazer-dever.
Em regime de voluntariato compulsivo
é que eu tenho (poque quero!) de viver.
a notícia de onde retirei os fragmentos abaixo postados parece mentira... mas é pura realidade.
ao ler tudo isto veio-me à cabeça o voluntariato compulsivo de alexandre o'neil
V.C.
Em regime de voluntariato compulsivo
é mais fácil viver: tu acabas por ter
de fazer não o que não queres,
mas o que queres fazer.
(Um país ameaça com voluntários outro.
E os voluntários? estarão eles alistados?)
E assim resolvem para ti (e por ti) a antinomia
prazer-dever.
Em regime de voluntariato compulsivo
é que eu tenho (poque quero!) de viver.
#1
Mais de 150 auxiliares de saúde e administrativos do Hospital de São João (HSJ), no Porto, estão a trabalhar em regime de voluntariado, sem receberem qualquer retribuição, depois de terem sido convidados pela administração a assinar um documento em que aceitam sujeitar-se a estas condições durante um mês com a promessa de um futuro contrato a termo. A administração do HSJ, contesta a versão e argumenta que são os próprios trabalhadores que "propõe o estágio voluntário" e que "nada lhes é prometido".
(...)
Serafim Rebelo, vogal na Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, (...) não vê nenhuma ilegalidade na situação. "Não se pode proibir a boa vontade das pessoas, nem o facto de elas serem solidárias", advoga Rebelo, ao repetir a versão do hospital.
in jornal Público, 9 de Janeior de 2004
Mais de 150 auxiliares de saúde e administrativos do Hospital de São João (HSJ), no Porto, estão a trabalhar em regime de voluntariado, sem receberem qualquer retribuição, depois de terem sido convidados pela administração a assinar um documento em que aceitam sujeitar-se a estas condições durante um mês com a promessa de um futuro contrato a termo. A administração do HSJ, contesta a versão e argumenta que são os próprios trabalhadores que "propõe o estágio voluntário" e que "nada lhes é prometido".
(...)
Serafim Rebelo, vogal na Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, (...) não vê nenhuma ilegalidade na situação. "Não se pode proibir a boa vontade das pessoas, nem o facto de elas serem solidárias", advoga Rebelo, ao repetir a versão do hospital.
in jornal Público, 9 de Janeior de 2004
9.1.04
7.1.04
#1
fui ver na américa, de Jim Sheridan.
não sendo genial, vale a pena ir ver este filme, onde, através de uma história familiar com pinceladas de drama, nos é contada uma versão irlandesa do sonho americano.
fica o texto do público.
Realizado por Jim Sheridan ("O Meu Pé Esquerdo", "Em Nome do Pai"), a partir de um argumento semi-autobiográfico escrito pelo realizador e pelas duas filhas Naomi e Kirsten Sheridan, "Na América" conta a história de uma família irlandesa em busca do sonho americano. Johnny e Sarah (Paddy Considine e Samantha Morton) chegam a Nova Iorque com as duas filhas pequenas e o seu dia-a-dia torna-se uma luta constante para encontrar emprego, sobreviver e tentar ignorar o sítio horrível em que vivem. Mas enquanto que para eles tudo parece um pesadelo, as pequenas Christy e Ariel (Sarah Bolger e Emma Bolger) olham para a América como um sítio mágico em que tudo pode acontecer.
fui ver na américa, de Jim Sheridan.
não sendo genial, vale a pena ir ver este filme, onde, através de uma história familiar com pinceladas de drama, nos é contada uma versão irlandesa do sonho americano.
fica o texto do público.
Realizado por Jim Sheridan ("O Meu Pé Esquerdo", "Em Nome do Pai"), a partir de um argumento semi-autobiográfico escrito pelo realizador e pelas duas filhas Naomi e Kirsten Sheridan, "Na América" conta a história de uma família irlandesa em busca do sonho americano. Johnny e Sarah (Paddy Considine e Samantha Morton) chegam a Nova Iorque com as duas filhas pequenas e o seu dia-a-dia torna-se uma luta constante para encontrar emprego, sobreviver e tentar ignorar o sítio horrível em que vivem. Mas enquanto que para eles tudo parece um pesadelo, as pequenas Christy e Ariel (Sarah Bolger e Emma Bolger) olham para a América como um sítio mágico em que tudo pode acontecer.
6.1.04
#1
mais um texto de rodrigo francisco, repescado no dnj
Os dez maiores monstros da história
Não pá, vou para o trabalho. Na Mercedes, na secção das peças. Vou no terceiro contracto. É pá, não sei. Não sei, estou eu e mais dois, um de nós deve ficar, os outros não sei. E tu? Mas és actor? Pois, também deve ser fixe. Não pá, não costumo ir: eu gosto é de cinema. Vou ali ao Fórum Almada, agora já não é preciso ir a Lisboa, às vezes vamos ao Vasco da Gama, ao fim de semana. Com a minha namorada. Não, esse não vimos. Vimos aquele do Tarantino mas a minha namorada achou que era porrada a mais. Não, esse também não vi. Também não. O livro muito menos. Gosto pá, até gosto: às vezes vou à Fnac e compro qualquer coisa. Literatura também: um pouco de tudo. Olha, o último que trouxe chamava-se Os Dez Maiores Monstros da História. É sobre os gajos que mais merda fizeram ao longo da vida. Olha, por exemplo: o Hitler, um Ivan qualquer coisa, um serial killer americano. (Risos) Não pá, o Bush não vinha (Risos). Mas a sério pá, gostava de ir ver isso, não sei é onde é que fica. Eu sei que não é caro, mas nós vamos mais ao cinema. Ah arranjas?, então vamos. Dá-me o teu número que hoje ligo-te a dizer qualquer coisa. Nove seis é uma óptima escolha; a minha namorada tinha nove três mas eu convenci-a a mudar. Ligo pá, a sério. Olha, saio aqui; um abraço.
(O resto do caminho com a cabeça encostada ao vidro da janela do comboio a pensar na conversa com o meu antigo amigo de infância suburbana que já quase não me reconhecia. A pensar em como nem por um segundo se apercebeu de que o sugava até ao tutano para o transformar em prosa. O resto do caminho com pena dele, quase até às lágrimas, achanado-me um
filho da puta, filho da puta, filho da puta
derivado a esta mania fodida de avaliar a felicidade dos outros).
mais um texto de rodrigo francisco, repescado no dnj
Os dez maiores monstros da história
Não pá, vou para o trabalho. Na Mercedes, na secção das peças. Vou no terceiro contracto. É pá, não sei. Não sei, estou eu e mais dois, um de nós deve ficar, os outros não sei. E tu? Mas és actor? Pois, também deve ser fixe. Não pá, não costumo ir: eu gosto é de cinema. Vou ali ao Fórum Almada, agora já não é preciso ir a Lisboa, às vezes vamos ao Vasco da Gama, ao fim de semana. Com a minha namorada. Não, esse não vimos. Vimos aquele do Tarantino mas a minha namorada achou que era porrada a mais. Não, esse também não vi. Também não. O livro muito menos. Gosto pá, até gosto: às vezes vou à Fnac e compro qualquer coisa. Literatura também: um pouco de tudo. Olha, o último que trouxe chamava-se Os Dez Maiores Monstros da História. É sobre os gajos que mais merda fizeram ao longo da vida. Olha, por exemplo: o Hitler, um Ivan qualquer coisa, um serial killer americano. (Risos) Não pá, o Bush não vinha (Risos). Mas a sério pá, gostava de ir ver isso, não sei é onde é que fica. Eu sei que não é caro, mas nós vamos mais ao cinema. Ah arranjas?, então vamos. Dá-me o teu número que hoje ligo-te a dizer qualquer coisa. Nove seis é uma óptima escolha; a minha namorada tinha nove três mas eu convenci-a a mudar. Ligo pá, a sério. Olha, saio aqui; um abraço.
(O resto do caminho com a cabeça encostada ao vidro da janela do comboio a pensar na conversa com o meu antigo amigo de infância suburbana que já quase não me reconhecia. A pensar em como nem por um segundo se apercebeu de que o sugava até ao tutano para o transformar em prosa. O resto do caminho com pena dele, quase até às lágrimas, achanado-me um
filho da puta, filho da puta, filho da puta
derivado a esta mania fodida de avaliar a felicidade dos outros).
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