meus amigos, minhas amigas...
a partir deste momento o metrografismos fecha para balanço, prometendo regressar no ano que vem.
até lá!
30.12.03
#4
andava a dar uma volta na imprensa dos últimos dias e dei com um artigo no diário económico que me escapou na altura... um verdadeiro presente de natal fora de tempo!
deixo-vos o título, podem consultar o resto neste link:
Novo referendo ao aborto agrada à maioria
A sondagem do DE revela que 71,1% dos inquiridos deseja referendar novamente o aborto (...)
in Diário Económico, 24/12/2003
andava a dar uma volta na imprensa dos últimos dias e dei com um artigo no diário económico que me escapou na altura... um verdadeiro presente de natal fora de tempo!
deixo-vos o título, podem consultar o resto neste link:
Novo referendo ao aborto agrada à maioria
A sondagem do DE revela que 71,1% dos inquiridos deseja referendar novamente o aborto (...)
in Diário Económico, 24/12/2003
#1
ela escreveu:
Olá André
Não são canções, são apenas poemas de um poeta mexicano - Jaime
Sabines.
Lê
apenas poemas?!!
eu li Jaime Sabines, tive uma revelação!
muito obrigado sofia.
fica um cheirinho, podem encontrar textos deste e de muitos mais autores numa página muy rica, dedicada a poetas hispanoamericanos
ESPERO CURARME DE TI
Espero curarme de ti en unos días. Debo dejar de fumarte, de beberte, de pensarte. Es posible. Siguiendo las prescripciones de la moral en turno. Me receto tiempo, abstinencia, soledad.
¿Te parece bien que te quiera nada más una semana? No es mucho, ni es poco, es bastante. En una semana se puede reunir todas las palabras de amor que se han pronunciado sobre la tierra y se les puede prender fuego. Te voy a calentar con esa hoguera del amor quemado. Y también el silencio. Porque las mejores palabras del amor están entre dos gentes que no se dicen nada.
Hay que quemar también ese otro lenguaje lateral y subversivo del que ama. (Tú sabes cómo te digo que te quiero cuando digo: "que calor hace", "dame agua", "¿sabes manejar?", "se te hizo de noche"...Entre las gentes, a un lado de tus gentes y las mías, te he dicho "ya es tarde", y tú sabías que decía "te quiero".)
Una semana más para reunir todo el amor del tiempo. Para dártelo. Para que hagas con él lo que tú quieras: guardarlo, acariciarlo, tirarlo a la basura. No sirve, es cierto. Sólo quiero una semana para entender las cosas. Porque esto es muy parecido a estar saliendo de un manicomio para entrar a un panteón.
Jaime Sabines, in yuria
ela escreveu:
Olá André
Não são canções, são apenas poemas de um poeta mexicano - Jaime
Sabines.
Lê
apenas poemas?!!
eu li Jaime Sabines, tive uma revelação!
muito obrigado sofia.
fica um cheirinho, podem encontrar textos deste e de muitos mais autores numa página muy rica, dedicada a poetas hispanoamericanos
ESPERO CURARME DE TI
Espero curarme de ti en unos días. Debo dejar de fumarte, de beberte, de pensarte. Es posible. Siguiendo las prescripciones de la moral en turno. Me receto tiempo, abstinencia, soledad.
¿Te parece bien que te quiera nada más una semana? No es mucho, ni es poco, es bastante. En una semana se puede reunir todas las palabras de amor que se han pronunciado sobre la tierra y se les puede prender fuego. Te voy a calentar con esa hoguera del amor quemado. Y también el silencio. Porque las mejores palabras del amor están entre dos gentes que no se dicen nada.
Hay que quemar también ese otro lenguaje lateral y subversivo del que ama. (Tú sabes cómo te digo que te quiero cuando digo: "que calor hace", "dame agua", "¿sabes manejar?", "se te hizo de noche"...Entre las gentes, a un lado de tus gentes y las mías, te he dicho "ya es tarde", y tú sabías que decía "te quiero".)
Una semana más para reunir todo el amor del tiempo. Para dártelo. Para que hagas con él lo que tú quieras: guardarlo, acariciarlo, tirarlo a la basura. No sirve, es cierto. Sólo quiero una semana para entender las cosas. Porque esto es muy parecido a estar saliendo de un manicomio para entrar a un panteón.
Jaime Sabines, in yuria
29.12.03
#2
fui ver playtime - vida moderna.
é um filme de 67, dirigido por jacques tati - que também nos aparece no papel de sr. hulot, a personagem principal -, tendo sido, em homenagem ao seu autor, recentemente remasterizado e lançado no mercado do dvd e nas salas - não há nada como uma tela branca do tamanho de uma parede.
o meu sentimento sobre o filme é contraditório: a meio da exibição estava com vontade de me ir embora, mas, a partir de certa altura, comecei a gostar, e gostei tanto que o que ficara para trás passou a fazer sentido. penso que, pela primeira vez, me senti um bocadinho cinéfilo. sim, porque gostar de cinema e ir muito ao cinema não é bem o mesmo que ser um verdadeiro cinéfilo.
o único defeito que encontro é o facto de a legendagem ser muito má. apesar de existir uma intenção de jogar com rumores e diálogos que não são claros, existem comentários das personagens que, ao serem tratados como rumores, acabam por tornar mais ténue o fio condutor de toda a história.
fica a sinopse que o público apresenta na sua página electrónica.
Na era das "Economic Air Lines", umas turistas americanas efectuam uma viagem organizada. O programa é composto pela visita de uma capital por dia. Quando chegam a Paris, apercebem-se que o aeroporto é exactamente igual àquele de onde partiram de Roma, que as ruas são como as de Hamburgo e que os candeeiros de rua se parecem estranhamente aos de Nova Iorque.
Ao longo das 24 horas que dura a sua escala em Paris, as turistas conhecem alguns franceses - entre os quais o Sr. Hulot (Jacques Tati) - com quem estabelecem uma relação mais pessoal.
"Playtime", um ensaio sobre a vida moderna que ainda hoje continua extremamente actual, é a obra mais visionária e ambiciosa de Tati, o cineasta imortalizado pelo Sr. Hulot. Por ocasião dos 20 anos da sua morte, o Festival de Cannes prestou-lhe homenagem exibindo uma cópia cuidadosamente restaurada deste filme. A Atalanta Filmes associa-se à homenagem exibindo essa mesma cópia
fui ver playtime - vida moderna.
é um filme de 67, dirigido por jacques tati - que também nos aparece no papel de sr. hulot, a personagem principal -, tendo sido, em homenagem ao seu autor, recentemente remasterizado e lançado no mercado do dvd e nas salas - não há nada como uma tela branca do tamanho de uma parede.
o meu sentimento sobre o filme é contraditório: a meio da exibição estava com vontade de me ir embora, mas, a partir de certa altura, comecei a gostar, e gostei tanto que o que ficara para trás passou a fazer sentido. penso que, pela primeira vez, me senti um bocadinho cinéfilo. sim, porque gostar de cinema e ir muito ao cinema não é bem o mesmo que ser um verdadeiro cinéfilo.
o único defeito que encontro é o facto de a legendagem ser muito má. apesar de existir uma intenção de jogar com rumores e diálogos que não são claros, existem comentários das personagens que, ao serem tratados como rumores, acabam por tornar mais ténue o fio condutor de toda a história.
fica a sinopse que o público apresenta na sua página electrónica.
Na era das "Economic Air Lines", umas turistas americanas efectuam uma viagem organizada. O programa é composto pela visita de uma capital por dia. Quando chegam a Paris, apercebem-se que o aeroporto é exactamente igual àquele de onde partiram de Roma, que as ruas são como as de Hamburgo e que os candeeiros de rua se parecem estranhamente aos de Nova Iorque.
Ao longo das 24 horas que dura a sua escala em Paris, as turistas conhecem alguns franceses - entre os quais o Sr. Hulot (Jacques Tati) - com quem estabelecem uma relação mais pessoal.
"Playtime", um ensaio sobre a vida moderna que ainda hoje continua extremamente actual, é a obra mais visionária e ambiciosa de Tati, o cineasta imortalizado pelo Sr. Hulot. Por ocasião dos 20 anos da sua morte, o Festival de Cannes prestou-lhe homenagem exibindo uma cópia cuidadosamente restaurada deste filme. A Atalanta Filmes associa-se à homenagem exibindo essa mesma cópia
#1
esta história de andar por aí numa viagem de princípio distante e fim indefinido acaba por me levar a experimentar coisas, a ouvir, a apreender formas de ver, a trocar com outros pequenas coisas que mudam a vida. é a tal história dos pequenos prazeres que, por serem pequenos, são os melhores.
música... há tanta música para ser ouvida, nem que estivesse a vida toda com os ouvidos colados à aparelhagem. durante estes anos tenho encontrando autores e cantautores, colecionando sons que outr@s me vão passando e que, por isso mesmo, ficam associados a determinados momentos, a pessoas, a recordações de aromas e sabores, a idiomas e a sonhos.
um desses casos foi o do cubano silvio rodriguez, que entrou na minha vida como que por acaso e nela ficou ancorado, com a sua guitarra, a voz grave e palavras sentidas de poeta comprometido que canta. foi com ele que aprendi, entre outras coisas, castelhano, ouvindo milhares de vezes uma cassete que me fora oferecida por uma amiga numa fria noite de cáceres, no bar as meigas - não sei se ela ainda conserva a fita do sérgio godinho que lhe dei em troca, mas a que ela me deu, por sinal roubada no bar, é alvo de grande estima. no ano seguinte, numa loja no país basco, comprei um cd, de nome silvio, que me tem acompanhado e que estou a ouvir agora, fascinado como poder que estas cancões têm em se reinventar.
(...)
Yo quiero seguir jugando a lo perdido,
yo quiero ser a la zurda más que diestro,
yo quiero hacer un congreso del unido,
yo quiero rezar a fondo un hijonuestro.
Dirán que pasó de moda la locura,
dirán que la gente es mala y no merece,
más yo seguiré soñando travesuras
(acaso multiplicar panes y peces).
Yo no se lo que es el destino,
caminando fui lo que fui.
Allá Dios, que será divino.
Yo me muero como viví.
(...)
silvio rodriguez, el nécio, in silvio
esta história de andar por aí numa viagem de princípio distante e fim indefinido acaba por me levar a experimentar coisas, a ouvir, a apreender formas de ver, a trocar com outros pequenas coisas que mudam a vida. é a tal história dos pequenos prazeres que, por serem pequenos, são os melhores.
música... há tanta música para ser ouvida, nem que estivesse a vida toda com os ouvidos colados à aparelhagem. durante estes anos tenho encontrando autores e cantautores, colecionando sons que outr@s me vão passando e que, por isso mesmo, ficam associados a determinados momentos, a pessoas, a recordações de aromas e sabores, a idiomas e a sonhos.
um desses casos foi o do cubano silvio rodriguez, que entrou na minha vida como que por acaso e nela ficou ancorado, com a sua guitarra, a voz grave e palavras sentidas de poeta comprometido que canta. foi com ele que aprendi, entre outras coisas, castelhano, ouvindo milhares de vezes uma cassete que me fora oferecida por uma amiga numa fria noite de cáceres, no bar as meigas - não sei se ela ainda conserva a fita do sérgio godinho que lhe dei em troca, mas a que ela me deu, por sinal roubada no bar, é alvo de grande estima. no ano seguinte, numa loja no país basco, comprei um cd, de nome silvio, que me tem acompanhado e que estou a ouvir agora, fascinado como poder que estas cancões têm em se reinventar.
(...)
Yo quiero seguir jugando a lo perdido,
yo quiero ser a la zurda más que diestro,
yo quiero hacer un congreso del unido,
yo quiero rezar a fondo un hijonuestro.
Dirán que pasó de moda la locura,
dirán que la gente es mala y no merece,
más yo seguiré soñando travesuras
(acaso multiplicar panes y peces).
Yo no se lo que es el destino,
caminando fui lo que fui.
Allá Dios, que será divino.
Yo me muero como viví.
(...)
silvio rodriguez, el nécio, in silvio
28.12.03

Voce seria Chet Baker (1929-1988). Chet Baker foi o
expoente maximo do West Coast jazz, estilo
muito em voga nos anos 50. Trompetista e
cantor, o seu estilo intimista atraiu atencoes
que foram para alem da sua musica e, ate ao seu
tragico fim, despedacou coracoes.
Que Artista de Jazz Seria Voce?
brought to you by Quizilla
27.12.03
#1
há dias em que me sinto de acordo com as pessoas mais estranhas de que me possa lembrar. já estive de acordo com EPC, hoje calhou estar quase na totalidade de acordo com miguel sousa tavares.
há dias em que um homem se liberta, deixando vir ao papel aquilo que guarda com tanto primor. hoje mst soltou o esquerdista que tanto tenta esconder dentro de si. chegou a ir ao congresso do pp para exorcitar tal fantasma; tenta travestir este esquerdismo latente em bom conservadorismo - antítese do mau conservadorismo praticado e defendido por muit@s que aí andam e governam. mas tal intenção, na minha modesta opinião, saiu-lhe frustrada: miguel, dentro de ti há um camarada que se quer libertar e grita!
OS MALEFÍCIOS DO CONSERVADORISMO
Público, 26 de Dezembro de 2003
Quatro questões, que não são propriamente políticas a não ser no sentido lato, mas que passam pela política para serem resolvidas, regressaram recentemente à discussão pública. E em todas elas a discussão foi encerrada antes mesmo de ter começado ou foi liminarmente rejeitada a hipótese de alterar o "statu quo" em benefício de soluções alternativas e, porventura, mais corajosas. Em todas, o conservadorismo de pensamento, que se pretende ser antes um conjunto de "valores" caros à direita, determinou a orgulhosa inflexibilidade ideológica. Refiro-me à política de agravamento das multas e punições por excesso de velocidade no novo Código da Estrada que aí vem, na recusa das chamadas "salas de chuto" (assistidas ou não) nas prisões, a liberalização do consumo de drogas leves e a descriminalização do aborto (ou até mesmo a sua simples despenalização). A todas as sugestões de ensaiar uma via alternativa nestas matérias, a direita que governa respondeu: "Não, não, não e não."
Porquê tamanha teimosia e inflexibilidade? Consideremos a primeira possibilidade: estão contentes com os resultados das políticas até aqui seguidas. Impossível, os números não deixam qualquer hipótese de escamotear a realidade. Os mortos na estrada continuam em números assustadores, o consumo e apreensões de droga aumenta todos os anos, o número de presos por crimes ligados à droga constitui praticamente dois terços do universo prisional, metade deles preventivos e todos continuando a drogar-se dentro das prisões, sendo que muitos se iniciam ou atingem o ponto de não retorno precisamente lá dentro. Enfim, nenhuma estatística indica que o número de abortos clandestinos tenha diminuído desde que a questão foi pela última vez abordada; antes se suspeita do contrário, como o sugere a persistência dos anúncios publicitários diários na nossa imprensa às clínicas espanholas que tratam do assunto sem problemas legais nem riscos clínicos.
Ou seja, não é pela via dos resultados obtidos que os defensores do imobilismo podem sustentar as suas posições. Sem exagerar, é lícito concluir que os resultados, sim, demonstram o total falhanço destas políticas e, em tal dimensão, que é preciso uma profunda convicção ou uma profunda hipocrisia para continuar a defender que não há outras vias.
Sobre a mal chamada "prevenção rodoviária" não me vou alongar, visto que aqui escrevi sobre o assunto há duas semanas. Limito-me a repetir a conclusão de que a eleição do excesso de velocidade como causa quase única dos acidentes tem como resultado (e objectivo) primeiro aumentar a cobrança de receitas do Estado, como resultado segundo manter nas estradas os incapazes ou os assassinos do volante que, todavia, não excedam habitualmente os limites de velocidade, e como resultado terceiro dispensar as autoridades rodoviárias de se preocuparem com as outras causas de acidentes e outro tipo de vigilância, que dá mais trabalho e menos receitas.
A recusa, mesmo após recomendação do provedor de Justiça - na sequência de um longo estudo e de um relatório devastador - da introdução das "salas de chuto" nas prisões é um caso de hipocrisia quase difícil de enquadrar. Conhecemos a mortandade nas prisões devida a casos de sida, de "overdose", de droga adulterada ou de seringas infectadas; conhecemos os resultados positivos que esta medida tem dado em todos os países onde foi introduzida; e, finalmente, não podemos ignorar que, se a droga é assim tão fácil de se obter numa prisão do Estado, é porque há necessariamente um circuito montado para a levar dos fornecedores cá de fora aos consumidores lá dentro. E esse circuito só pode existir, funcionar e manter-se com a colaboração, o lucro ou a conivência de funcionários do próprio Estado. Assim sendo, a recusa liminar da ministra em simplesmente considerar o assunto assume a forma de um crime em si mesmo, que não encontra qualquer justificação nem em valores, nem em ideologias, nem sequer em sentimentos tão simples como a simples piedade para com aqueles que nem lá dentro conseguem escapar às malhas dos traficantes que lá os enfiaram.
A liberalização do consumo de drogas leves é um assunto já tão estafado que a discussão só se continua a justificar pela dimensão crescente da hecatombe que decorre à vista de todos. Por mim, obviamente que não me vejo a condenar à cadeia - e às drogas fortes - um simples consumidor de "erva". Aqui, a hipocrisia é simplesmente total: o que se tem feito para contornar a dificuldade "moral" da solução legalmente em vigor é uma despenalização oficiosa. Existe teoricamente a possibilidade de prisão, mas ela nunca é aplicadas pelos tribunais. Exactamente o que se recusa para o aborto... Quem aqui me segue há vários anos sabe que eu defendo não isso, ou não apenas isso, mas muito mais do que isso: uma espécie de nacionalização do tráfico de drogas duras. Defendo que o Estado comece a concorrer com o mercado e que venda ele também drogas duras, a preço de custo e sem adulteração. Com condições: que os compradores sejam portadores de documento emitido pelas autoridades que os reconheça dependentes; que a venda se faça sob vigilância médica e assistência psicológica e social em locais determinados para o efeito; e que, paralelamente, sejam agravadas as penas para o tráfico de droga clandestino. Já me responderam que é impensável que um Estado de bem possa vender drogas, mesmo sem lucro. Não sei porquê: não cobra lucros na venda de álcool e de cigarros, não favorece a fuga aos impostos no "off-shore" da Madeira, não fomenta a profusão de casinos, ganhando dinheiro com a ruína dos viciados em jogo? Quem é que define quando é que o Estado é uma pessoa de bem e quando é que deve poder estar dispensado de o ser? São os valores íntimos da ministra da Justiça? E porque não os meus?
Temos finalmente o suave milagre do aborto, que não existe enquanto for proibido, para sossego de algumas boas consciências. Já tudo foi dito sobre isso, demasiadas e cansativas vezes. Já todos conhecemos as posições de todos, que no essencial se resumem a duas: a dos que acham que a criminalização do aborto dos outros é um problema e um dever que lhes impõe a sua consciência, e a dos que acham que o aborto é uma questão da consciência de cada um, com a qual os outros não têm que ver. Pessoalmente, só lamento que a forma profundamente estúpida como a esquerda tem conduzido sempre esta questão, recorrendo aos mais imbecis argumentos do mais imbecil femininismo dos anos 60, tenha desembocado no fastio que levou tanta gente que era a favor da despenalização a abster-se e a conduzir à derrota no referendo de há uns anos atrás. De outro modo, a questão já estaria resolvida, sem termos de aturar mais os argumentos das piedosas senhoras e sacras meninas do outro lado.
São quatro exemplos de "mau" conservadorismo - porque também existe o bom, ao contrário do que sustentam placidamente algumas cartilhas de pensamento pronto-a-vestir. São quatro exemplos de como uma hipocrisia erigida em pseudovalor moral pode causar danos concretos, mortes incluídas, às vítimas desses valores. Em nome do Estado, em nome da moral cristã ou - pior e nunca dito - em nome, muitas vezes, de interesses de negócio instalados, por exemplo na lavagem de dinheiro da droga ou na pretensa recuperação dos drogados. Santíssima hipocrisia!
há dias em que me sinto de acordo com as pessoas mais estranhas de que me possa lembrar. já estive de acordo com EPC, hoje calhou estar quase na totalidade de acordo com miguel sousa tavares.
há dias em que um homem se liberta, deixando vir ao papel aquilo que guarda com tanto primor. hoje mst soltou o esquerdista que tanto tenta esconder dentro de si. chegou a ir ao congresso do pp para exorcitar tal fantasma; tenta travestir este esquerdismo latente em bom conservadorismo - antítese do mau conservadorismo praticado e defendido por muit@s que aí andam e governam. mas tal intenção, na minha modesta opinião, saiu-lhe frustrada: miguel, dentro de ti há um camarada que se quer libertar e grita!
OS MALEFÍCIOS DO CONSERVADORISMO
Público, 26 de Dezembro de 2003
Quatro questões, que não são propriamente políticas a não ser no sentido lato, mas que passam pela política para serem resolvidas, regressaram recentemente à discussão pública. E em todas elas a discussão foi encerrada antes mesmo de ter começado ou foi liminarmente rejeitada a hipótese de alterar o "statu quo" em benefício de soluções alternativas e, porventura, mais corajosas. Em todas, o conservadorismo de pensamento, que se pretende ser antes um conjunto de "valores" caros à direita, determinou a orgulhosa inflexibilidade ideológica. Refiro-me à política de agravamento das multas e punições por excesso de velocidade no novo Código da Estrada que aí vem, na recusa das chamadas "salas de chuto" (assistidas ou não) nas prisões, a liberalização do consumo de drogas leves e a descriminalização do aborto (ou até mesmo a sua simples despenalização). A todas as sugestões de ensaiar uma via alternativa nestas matérias, a direita que governa respondeu: "Não, não, não e não."
Porquê tamanha teimosia e inflexibilidade? Consideremos a primeira possibilidade: estão contentes com os resultados das políticas até aqui seguidas. Impossível, os números não deixam qualquer hipótese de escamotear a realidade. Os mortos na estrada continuam em números assustadores, o consumo e apreensões de droga aumenta todos os anos, o número de presos por crimes ligados à droga constitui praticamente dois terços do universo prisional, metade deles preventivos e todos continuando a drogar-se dentro das prisões, sendo que muitos se iniciam ou atingem o ponto de não retorno precisamente lá dentro. Enfim, nenhuma estatística indica que o número de abortos clandestinos tenha diminuído desde que a questão foi pela última vez abordada; antes se suspeita do contrário, como o sugere a persistência dos anúncios publicitários diários na nossa imprensa às clínicas espanholas que tratam do assunto sem problemas legais nem riscos clínicos.
Ou seja, não é pela via dos resultados obtidos que os defensores do imobilismo podem sustentar as suas posições. Sem exagerar, é lícito concluir que os resultados, sim, demonstram o total falhanço destas políticas e, em tal dimensão, que é preciso uma profunda convicção ou uma profunda hipocrisia para continuar a defender que não há outras vias.
Sobre a mal chamada "prevenção rodoviária" não me vou alongar, visto que aqui escrevi sobre o assunto há duas semanas. Limito-me a repetir a conclusão de que a eleição do excesso de velocidade como causa quase única dos acidentes tem como resultado (e objectivo) primeiro aumentar a cobrança de receitas do Estado, como resultado segundo manter nas estradas os incapazes ou os assassinos do volante que, todavia, não excedam habitualmente os limites de velocidade, e como resultado terceiro dispensar as autoridades rodoviárias de se preocuparem com as outras causas de acidentes e outro tipo de vigilância, que dá mais trabalho e menos receitas.
A recusa, mesmo após recomendação do provedor de Justiça - na sequência de um longo estudo e de um relatório devastador - da introdução das "salas de chuto" nas prisões é um caso de hipocrisia quase difícil de enquadrar. Conhecemos a mortandade nas prisões devida a casos de sida, de "overdose", de droga adulterada ou de seringas infectadas; conhecemos os resultados positivos que esta medida tem dado em todos os países onde foi introduzida; e, finalmente, não podemos ignorar que, se a droga é assim tão fácil de se obter numa prisão do Estado, é porque há necessariamente um circuito montado para a levar dos fornecedores cá de fora aos consumidores lá dentro. E esse circuito só pode existir, funcionar e manter-se com a colaboração, o lucro ou a conivência de funcionários do próprio Estado. Assim sendo, a recusa liminar da ministra em simplesmente considerar o assunto assume a forma de um crime em si mesmo, que não encontra qualquer justificação nem em valores, nem em ideologias, nem sequer em sentimentos tão simples como a simples piedade para com aqueles que nem lá dentro conseguem escapar às malhas dos traficantes que lá os enfiaram.
A liberalização do consumo de drogas leves é um assunto já tão estafado que a discussão só se continua a justificar pela dimensão crescente da hecatombe que decorre à vista de todos. Por mim, obviamente que não me vejo a condenar à cadeia - e às drogas fortes - um simples consumidor de "erva". Aqui, a hipocrisia é simplesmente total: o que se tem feito para contornar a dificuldade "moral" da solução legalmente em vigor é uma despenalização oficiosa. Existe teoricamente a possibilidade de prisão, mas ela nunca é aplicadas pelos tribunais. Exactamente o que se recusa para o aborto... Quem aqui me segue há vários anos sabe que eu defendo não isso, ou não apenas isso, mas muito mais do que isso: uma espécie de nacionalização do tráfico de drogas duras. Defendo que o Estado comece a concorrer com o mercado e que venda ele também drogas duras, a preço de custo e sem adulteração. Com condições: que os compradores sejam portadores de documento emitido pelas autoridades que os reconheça dependentes; que a venda se faça sob vigilância médica e assistência psicológica e social em locais determinados para o efeito; e que, paralelamente, sejam agravadas as penas para o tráfico de droga clandestino. Já me responderam que é impensável que um Estado de bem possa vender drogas, mesmo sem lucro. Não sei porquê: não cobra lucros na venda de álcool e de cigarros, não favorece a fuga aos impostos no "off-shore" da Madeira, não fomenta a profusão de casinos, ganhando dinheiro com a ruína dos viciados em jogo? Quem é que define quando é que o Estado é uma pessoa de bem e quando é que deve poder estar dispensado de o ser? São os valores íntimos da ministra da Justiça? E porque não os meus?
Temos finalmente o suave milagre do aborto, que não existe enquanto for proibido, para sossego de algumas boas consciências. Já tudo foi dito sobre isso, demasiadas e cansativas vezes. Já todos conhecemos as posições de todos, que no essencial se resumem a duas: a dos que acham que a criminalização do aborto dos outros é um problema e um dever que lhes impõe a sua consciência, e a dos que acham que o aborto é uma questão da consciência de cada um, com a qual os outros não têm que ver. Pessoalmente, só lamento que a forma profundamente estúpida como a esquerda tem conduzido sempre esta questão, recorrendo aos mais imbecis argumentos do mais imbecil femininismo dos anos 60, tenha desembocado no fastio que levou tanta gente que era a favor da despenalização a abster-se e a conduzir à derrota no referendo de há uns anos atrás. De outro modo, a questão já estaria resolvida, sem termos de aturar mais os argumentos das piedosas senhoras e sacras meninas do outro lado.
São quatro exemplos de "mau" conservadorismo - porque também existe o bom, ao contrário do que sustentam placidamente algumas cartilhas de pensamento pronto-a-vestir. São quatro exemplos de como uma hipocrisia erigida em pseudovalor moral pode causar danos concretos, mortes incluídas, às vítimas desses valores. Em nome do Estado, em nome da moral cristã ou - pior e nunca dito - em nome, muitas vezes, de interesses de negócio instalados, por exemplo na lavagem de dinheiro da droga ou na pretensa recuperação dos drogados. Santíssima hipocrisia!
25.12.03
#1
frio como o caraças.
silêncio, não se ouve nem vê ninguém.
não há jornais nem posts que tragam novidades, alegrias ou tristezas, até a interner parece ter ficado cristalizada desde ontem ao meio dia.
não há sítio onde se possa beber um café ou estar um pouco a ler, tudo se parece, tudo sabe, tudo cheira à ressaca natalícia. nem a música da rádio colabora.
felizmente que só voltamos a ter natal daqui a um ano!
frio como o caraças.
silêncio, não se ouve nem vê ninguém.
não há jornais nem posts que tragam novidades, alegrias ou tristezas, até a interner parece ter ficado cristalizada desde ontem ao meio dia.
não há sítio onde se possa beber um café ou estar um pouco a ler, tudo se parece, tudo sabe, tudo cheira à ressaca natalícia. nem a música da rádio colabora.
felizmente que só voltamos a ter natal daqui a um ano!
24.12.03
#3
um poema natalicio. não é dos que goste mais, mas vem a calhar.
CRISTO
teu nome é chorado
pelos que morrem de fome
e a tua verdade cantada
por quem os oprime.
debaixo das tuas barbas,
digladiam-se até à morte
filhos e pais que tiveste
derramando sangue sobre o azul
(qual ouro corrompido).
à sombra da tua cruz
protegem-se cegos,
tecendo os juízos
de quem não viu
e nada quer ver.
cristo,
tens dois mil e tal anos
estas velho
e foste carcomido.
andré
um poema natalicio. não é dos que goste mais, mas vem a calhar.
CRISTO
teu nome é chorado
pelos que morrem de fome
e a tua verdade cantada
por quem os oprime.
debaixo das tuas barbas,
digladiam-se até à morte
filhos e pais que tiveste
derramando sangue sobre o azul
(qual ouro corrompido).
à sombra da tua cruz
protegem-se cegos,
tecendo os juízos
de quem não viu
e nada quer ver.
cristo,
tens dois mil e tal anos
estas velho
e foste carcomido.
andré
23.12.03
#1
roubei, na e-edição do dnjovem desta semana, um texto napolitano de rodrigo francisco.
Naples Revisited (2003)
hoje podem gritar à vontade, que não estou cá. Podem ligar, escrever, puxar-me pelo braço. Podem ameaçar-me de que se não é hoje então deixa de ser, porque estou-me marimbando para todos vós; não estou nem para a Raquel Loureiro. É que hoje optei por levantar-me às seis da tarde, e é domingo. Aqueci o resto do espaguete seco em cima do fogão, abri uma lata de pêssegos em calda (bebi a calda como se fosse sumo, a acompanhar o espaguete). Saí e cumprimentei a senhora a fumar na janela em frente. Desci à Via Roma. Como é domingo cruzo-me com magotes de gente que choca contra mim e segue sem pedir desculpa. Fico um pouco em frente à Intimissimi avaliando o fio dental de hoje no manequim giratório. Na Piazza Dante ainda não sei que chorarei ali como um menino na madrugada da partida. Na Piazza Dante desta vez não vou de braço dado com o Lello ou com a Olimpia, ou com a Sarah, e os scugnizzi jogam à bola, e os caffone encostam-se às vespas e falam de futebol, de óculos escuros, das apresentadoras da televisão.
De modo que hoje subo ao Gesú Nuovo e nem sequer me detenho nas bancas dos alfarrabistas à procura de uma pechincha roubada de uma biblioteca qualquer, de modo que hoje ignoro as belíssimas estudantes tomando café nas tímidas esplanadas, de modo que hoje levanto a gola do casaco e chego em passo apressado à Piazza Bellini.
Isto tudo
(só hoje)
para cumprimentar o Ciro com dois beijos e ele oferecer-me um café. Eu sei que vocês devem estar fartos de eu vos contar de eu cumprimentar o Ciro com dois beijos e ele oferecer-me um café. Já não podem ouvir falar de eu cumprimentar o Ciro com dois beijos e ele oferecer-me um café.
Pelo que hoje escusam de estar para aí armados em amigos, armados em distracção, armados em Lisboa, porque ele há dias
(cá por coisas)
em que um gajo precisa de acordar às seis da tarde de um domingo em Nápoles e tomar café na Piazza Bellini
(cumprimentar o Ciro com dois beijos e ele oferecer-me um café)
dias em que parece que estás casado há demasiado tempo com Lisboa, e que os cabelos desgrenhados dela acordando a teu lado se vão tornando levemente insuportáveis
dias em que Nápoles te dói com se fosse a cabeça ou um dente.
Ele há dias em que logo de manhã te cresce uma incontornável vontade de estar sozinho, percebes?
roubei, na e-edição do dnjovem desta semana, um texto napolitano de rodrigo francisco.
Naples Revisited (2003)
hoje podem gritar à vontade, que não estou cá. Podem ligar, escrever, puxar-me pelo braço. Podem ameaçar-me de que se não é hoje então deixa de ser, porque estou-me marimbando para todos vós; não estou nem para a Raquel Loureiro. É que hoje optei por levantar-me às seis da tarde, e é domingo. Aqueci o resto do espaguete seco em cima do fogão, abri uma lata de pêssegos em calda (bebi a calda como se fosse sumo, a acompanhar o espaguete). Saí e cumprimentei a senhora a fumar na janela em frente. Desci à Via Roma. Como é domingo cruzo-me com magotes de gente que choca contra mim e segue sem pedir desculpa. Fico um pouco em frente à Intimissimi avaliando o fio dental de hoje no manequim giratório. Na Piazza Dante ainda não sei que chorarei ali como um menino na madrugada da partida. Na Piazza Dante desta vez não vou de braço dado com o Lello ou com a Olimpia, ou com a Sarah, e os scugnizzi jogam à bola, e os caffone encostam-se às vespas e falam de futebol, de óculos escuros, das apresentadoras da televisão.
De modo que hoje subo ao Gesú Nuovo e nem sequer me detenho nas bancas dos alfarrabistas à procura de uma pechincha roubada de uma biblioteca qualquer, de modo que hoje ignoro as belíssimas estudantes tomando café nas tímidas esplanadas, de modo que hoje levanto a gola do casaco e chego em passo apressado à Piazza Bellini.
Isto tudo
(só hoje)
para cumprimentar o Ciro com dois beijos e ele oferecer-me um café. Eu sei que vocês devem estar fartos de eu vos contar de eu cumprimentar o Ciro com dois beijos e ele oferecer-me um café. Já não podem ouvir falar de eu cumprimentar o Ciro com dois beijos e ele oferecer-me um café.
Pelo que hoje escusam de estar para aí armados em amigos, armados em distracção, armados em Lisboa, porque ele há dias
(cá por coisas)
em que um gajo precisa de acordar às seis da tarde de um domingo em Nápoles e tomar café na Piazza Bellini
(cumprimentar o Ciro com dois beijos e ele oferecer-me um café)
dias em que parece que estás casado há demasiado tempo com Lisboa, e que os cabelos desgrenhados dela acordando a teu lado se vão tornando levemente insuportáveis
dias em que Nápoles te dói com se fosse a cabeça ou um dente.
Ele há dias em que logo de manhã te cresce uma incontornável vontade de estar sozinho, percebes?
22.12.03
#4
do verdadeiro referendo sobre a IVG, aquele que um grupo de cidadãos e cidadãs - personalidades, sindicalistas, membros do movimento católico nos somos igreja, membros do BE, do PS e dos Renovadores Comunistas, activistas dos direitos dsas mulheres e das minorias -, quer pedir ao parlamento, digo que estou directamente envolvido no processo.
A ideia do referendo não será a que agrada a tod@s. há quem defenda que o direito de escolha e o direito à dignidade não se referenda e, por isso mesmo, não se deve entrar num novo processo. estou de acordo com a questão da legitimidade de referendar direitos, mas, face ao referendo de 98, penso não existir outra maneira de calar a direita e a padralhada ultraconservadoras que se julgam no direito decidir pel@s outr@s.
a recolha de assinaturas está a trazer a discussão para a rua, está a mexer com as pessoas, a confrontá-las... e há quem se sinta incomodad@ que isto esteja a acontecer, mesmo pessoas que acham que a lei tem de mudar.
Na rua existem @s que assinam sem muitas perguntas, @s que perguntam porque querem assinar, @s que não assinam determinadamente, @s que não querem assinar por juizo ético-moral e, diante de factos, acabam por dar razão e autografo. há ainda muita gente que se esconde atrás de uma neutralidade, de uma imparcialidade. num não ter opinião. a meu ver, isto é entregar o ouro ao bandido. foi pelos mesmos argumentos que muita gente ficou em casa em 98, foi esta a semente de apatia que se plantou no espírito de muita gente. quando não queremos ter opinião, ser neutrais, não nos preocuparmos em pensar e em confrontarmo-nos com nosco e com que nos rodeiam, acabamos, sem saber, por estar a tomar posição de algum lado.
lá diz a cançaõ de pedro abrunhosa que o conformismo
é sempre o poder de alguém.
do verdadeiro referendo sobre a IVG, aquele que um grupo de cidadãos e cidadãs - personalidades, sindicalistas, membros do movimento católico nos somos igreja, membros do BE, do PS e dos Renovadores Comunistas, activistas dos direitos dsas mulheres e das minorias -, quer pedir ao parlamento, digo que estou directamente envolvido no processo.
A ideia do referendo não será a que agrada a tod@s. há quem defenda que o direito de escolha e o direito à dignidade não se referenda e, por isso mesmo, não se deve entrar num novo processo. estou de acordo com a questão da legitimidade de referendar direitos, mas, face ao referendo de 98, penso não existir outra maneira de calar a direita e a padralhada ultraconservadoras que se julgam no direito decidir pel@s outr@s.
a recolha de assinaturas está a trazer a discussão para a rua, está a mexer com as pessoas, a confrontá-las... e há quem se sinta incomodad@ que isto esteja a acontecer, mesmo pessoas que acham que a lei tem de mudar.
Na rua existem @s que assinam sem muitas perguntas, @s que perguntam porque querem assinar, @s que não assinam determinadamente, @s que não querem assinar por juizo ético-moral e, diante de factos, acabam por dar razão e autografo. há ainda muita gente que se esconde atrás de uma neutralidade, de uma imparcialidade. num não ter opinião. a meu ver, isto é entregar o ouro ao bandido. foi pelos mesmos argumentos que muita gente ficou em casa em 98, foi esta a semente de apatia que se plantou no espírito de muita gente. quando não queremos ter opinião, ser neutrais, não nos preocuparmos em pensar e em confrontarmo-nos com nosco e com que nos rodeiam, acabamos, sem saber, por estar a tomar posição de algum lado.
lá diz a cançaõ de pedro abrunhosa que o conformismo
é sempre o poder de alguém.
#3
o tiago mandou-me este e-mail, tem a sua piada.
Novo referendo sobre o aborto.
Ouve-se dizer que o país vai ser, de novo, referendado sobre o aborto. Ao que consegui apurar, a questão que será exposta aos cidadãos já está formulada e é aqui avançada em primeira mão. A saber: Qual a sua opinião sobre o aborto?
a) Tem sido um bom primeiro-ministro.
b) Tem sido um primeiro-ministro ineficaz.
c) Nem sequer tem sido primeiro-ministro
o tiago mandou-me este e-mail, tem a sua piada.
Novo referendo sobre o aborto.
Ouve-se dizer que o país vai ser, de novo, referendado sobre o aborto. Ao que consegui apurar, a questão que será exposta aos cidadãos já está formulada e é aqui avançada em primeira mão. A saber: Qual a sua opinião sobre o aborto?
a) Tem sido um bom primeiro-ministro.
b) Tem sido um primeiro-ministro ineficaz.
c) Nem sequer tem sido primeiro-ministro

"Pulp Fiction"! Inovador, imaginativo,
inteligente. Da gosto conhecer-te!
Se fosses um filme, que filme serias?
brought to you by Quizilla
21.12.03
#1
hoje é um dos dias que mais gosto em todo o ano: apesar de começar o inverno, o solestício de dezembro, o dia mais pequeno em termos de luz solar, é por mim sentido como que o recomeçar de todos os ciclos.
daqui para a frente os dias vão começar a crescer suavemente, já posso imaginar as portas da primavera a abrir e a luz das tardes longas, o desejo de maresia e da melancolia do final de dia no meco parece-me mais real.
hoje é um dos dias que mais gosto em todo o ano: apesar de começar o inverno, o solestício de dezembro, o dia mais pequeno em termos de luz solar, é por mim sentido como que o recomeçar de todos os ciclos.
daqui para a frente os dias vão começar a crescer suavemente, já posso imaginar as portas da primavera a abrir e a luz das tardes longas, o desejo de maresia e da melancolia do final de dia no meco parece-me mais real.
19.12.03
#2
estive, por motivos profissionais, na doca pesca. devo dizer que foi um experiência sociológica e antropológica do maximo interesse.
enquanto andei por itália, ouvi dizer que a doca estava para fechar, que os pescadores iriam ser despedidos e que, naquele lugar, iria ser construido um empreendimento urbanistico, tipo expo... tudo em nome da taça américa em vela.
mas, azar do destino, a competição lançou ancora em Valencia; parece que os ventos não a trouxeram até mar aberto, não a empurraram para este porto de abrigo das agruras atlanticas que é o tejo...
no entanto, nada alterou as ideias dos especuladores: o valor do dinheiro deixou de ter o disfarce da prova desportiva e do interesse nacional - qual versão aquática do euro 2004 -, mas os 30 hectares de terreno à beira rio, num local paradisiaco, continuam a ser uma tentação a que não se resiste...
5 mil trabalhadores e trabalhadoras que irão ver o seu posto de trabalho ser substituido por um desenvolvimento aparentemente progressista... alguns serão reconvertidos. mas uma boa parte ficará em casa a lembrar o tempos de maré cheia e de redes esticadas.
além destes homens e destas mulheres de linguajar anguloso - e que, apesar das perspectivas, ainda ensaiam um sorriso- , há ainda outro factor a ter em conta... o desperdicio:
na doca pesca existem edifícos e equipamentos tecnológicos de ponta, com cerca de dois anos, que foram instalados com o dinheiro que a união europeia atribuiu durante as últimas décadas ao nosso país...
estes fundos, destinados a combater assimetrias de desenvolvimento entre os países da união, serão canalizados agora para o entulho.
no local onde, diariamente, se processada e acondicionada parte da alimentação que, alguns dias depois, tod@s iremos ver no prato, irá surgir, em breve, um espaço de interesse comum, que fará ganhar dinheiro a muita gente e estará na origem da miséria e infelicidade de tant@s outr@s.
Foram estes homens e estas mulheres- @s que circulam e existem no subterraneo do desenvolvimento e do conforto comum- que, com a sua pele queimada e as suas roupas de lutar com o frio e com o mar, me contaram esta e outras histórias, que me falaram no seu linguajar, que me avivaram na memória a sua presença. foi também esta gente, que, sem que tenhamos consciencia, estão presente em cada momento dos nossos dias, me fez voltar ao sangue dos outros de simone de beauvoir ou a primo levi... se isto é um país...
estive, por motivos profissionais, na doca pesca. devo dizer que foi um experiência sociológica e antropológica do maximo interesse.
enquanto andei por itália, ouvi dizer que a doca estava para fechar, que os pescadores iriam ser despedidos e que, naquele lugar, iria ser construido um empreendimento urbanistico, tipo expo... tudo em nome da taça américa em vela.
mas, azar do destino, a competição lançou ancora em Valencia; parece que os ventos não a trouxeram até mar aberto, não a empurraram para este porto de abrigo das agruras atlanticas que é o tejo...
no entanto, nada alterou as ideias dos especuladores: o valor do dinheiro deixou de ter o disfarce da prova desportiva e do interesse nacional - qual versão aquática do euro 2004 -, mas os 30 hectares de terreno à beira rio, num local paradisiaco, continuam a ser uma tentação a que não se resiste...
5 mil trabalhadores e trabalhadoras que irão ver o seu posto de trabalho ser substituido por um desenvolvimento aparentemente progressista... alguns serão reconvertidos. mas uma boa parte ficará em casa a lembrar o tempos de maré cheia e de redes esticadas.
além destes homens e destas mulheres de linguajar anguloso - e que, apesar das perspectivas, ainda ensaiam um sorriso- , há ainda outro factor a ter em conta... o desperdicio:
na doca pesca existem edifícos e equipamentos tecnológicos de ponta, com cerca de dois anos, que foram instalados com o dinheiro que a união europeia atribuiu durante as últimas décadas ao nosso país...
estes fundos, destinados a combater assimetrias de desenvolvimento entre os países da união, serão canalizados agora para o entulho.
no local onde, diariamente, se processada e acondicionada parte da alimentação que, alguns dias depois, tod@s iremos ver no prato, irá surgir, em breve, um espaço de interesse comum, que fará ganhar dinheiro a muita gente e estará na origem da miséria e infelicidade de tant@s outr@s.
Foram estes homens e estas mulheres- @s que circulam e existem no subterraneo do desenvolvimento e do conforto comum- que, com a sua pele queimada e as suas roupas de lutar com o frio e com o mar, me contaram esta e outras histórias, que me falaram no seu linguajar, que me avivaram na memória a sua presença. foi também esta gente, que, sem que tenhamos consciencia, estão presente em cada momento dos nossos dias, me fez voltar ao sangue dos outros de simone de beauvoir ou a primo levi... se isto é um país...
#1
Garzón investiga si dos ex etarras "robaran" a ETA 150. 000 euros
a história vem no El Pais de hoje e é o exemplo acabado da histeria do juiz baltazar garzon em relacção à eta... a sua fixação neste grupo armado é tão grande que até procura de quem os anda a enganar...
não é que ele anda a investigar se será mesmo verdade que dois ex-operacionais bascos se quedaram, para beneficio próprio, com parte do imposto revolucionário - cerca de 150.000 euros - que se destinava ao financiamento daquele grupo.
será que o juiz vai exigir uma indeminização à eta por parte destes dois larápios?
ou será que lhes vai perdoar outros crimes, baseando-se no juizo popular de que ladrão que rouba a ladrão...
Garzón investiga si dos ex etarras "robaran" a ETA 150. 000 euros
a história vem no El Pais de hoje e é o exemplo acabado da histeria do juiz baltazar garzon em relacção à eta... a sua fixação neste grupo armado é tão grande que até procura de quem os anda a enganar...
não é que ele anda a investigar se será mesmo verdade que dois ex-operacionais bascos se quedaram, para beneficio próprio, com parte do imposto revolucionário - cerca de 150.000 euros - que se destinava ao financiamento daquele grupo.
será que o juiz vai exigir uma indeminização à eta por parte destes dois larápios?
ou será que lhes vai perdoar outros crimes, baseando-se no juizo popular de que ladrão que rouba a ladrão...
17.12.03
#1
Agente da PJ Recorda "Uma Mulher Deitada e Despida" no Consultório
título de noticia do publico, 17 dez 2003
este título, por si só, é o espelho de uma sociedade de faz de conta, velha e decrépita, escudada numa história balofa de 800 anos e presa a um moralismo oco e hipócrita, que fecha os olhos a uma realidade, que, em nome da vida (imagine-se!), condena as suas mulheres a uma vida indignina, ao julgamento e ao sofrimento.
esta frase, como tantas outras, leva-me a perguntar, ensaiando primo levi, se isto é um país.
Agente da PJ Recorda "Uma Mulher Deitada e Despida" no Consultório
título de noticia do publico, 17 dez 2003
este título, por si só, é o espelho de uma sociedade de faz de conta, velha e decrépita, escudada numa história balofa de 800 anos e presa a um moralismo oco e hipócrita, que fecha os olhos a uma realidade, que, em nome da vida (imagine-se!), condena as suas mulheres a uma vida indignina, ao julgamento e ao sofrimento.
esta frase, como tantas outras, leva-me a perguntar, ensaiando primo levi, se isto é um país.
16.12.03
#1
A edição de hoje do Blitz, traz, em anexo, o cd do Legendary tiger man.
um disco sólido, de boas guitarradas. destaca.se também ao preço decente.
depois da edição do último disco dos more republica massonica, sauda-se a repetição da iniciativa. espero que a coisa continue, em nome da divulgação da música que está longe das play list's-salvé henrique amaro e companhia!
por outro lado, penso que a tão famosa crise da industria discográfica só pode ser ultrapassada com a edição de discos a baixo preço... os tubarões do comércio musical têm, de uma vez por todas, de se convencer que as suas taxas de lucro são vergonhosas.
A edição de hoje do Blitz, traz, em anexo, o cd do Legendary tiger man.
um disco sólido, de boas guitarradas. destaca.se também ao preço decente.
depois da edição do último disco dos more republica massonica, sauda-se a repetição da iniciativa. espero que a coisa continue, em nome da divulgação da música que está longe das play list's-salvé henrique amaro e companhia!
por outro lado, penso que a tão famosa crise da industria discográfica só pode ser ultrapassada com a edição de discos a baixo preço... os tubarões do comércio musical têm, de uma vez por todas, de se convencer que as suas taxas de lucro são vergonhosas.
15.12.03
14.12.03
#3
apesar do livro do José Luis Peixoto ainda não ter dado sinais de vida, já encontrei o caminho que havia perdido no início da semana, o da poesia.
e, para celebrar o reencontro:
Escrever
escrever- como se nada fosse importante-
o simples passar das horas
sentado na esplanada de um café
de uma provincia espanhola.
Escrever, como se estivesse escrito
que o ruído dessas chávenas no mármore
tivesse que passar o arroio límpido
de uns versos.
Escrever, como se nada fosse.
Juan Manuel Bonet, in la patria oscura
apesar do livro do José Luis Peixoto ainda não ter dado sinais de vida, já encontrei o caminho que havia perdido no início da semana, o da poesia.
e, para celebrar o reencontro:
Escrever
escrever- como se nada fosse importante-
o simples passar das horas
sentado na esplanada de um café
de uma provincia espanhola.
Escrever, como se estivesse escrito
que o ruído dessas chávenas no mármore
tivesse que passar o arroio límpido
de uns versos.
Escrever, como se nada fosse.
Juan Manuel Bonet, in la patria oscura
#2
ao saber da prisão de sadam hussein, 3 pensamentos floriram no meu espírito:
1º- será o verdadeiro ou será um dos de plástico? entre as patranhas do bigodes e os perus dos americanos nunca se sabe.
2º- deve ser o verdadeiro. na hora da verdade, e porque foram amigos por tanto tempo, os yankes saberiam reconhece-lo à primeira vista.
3º- Mxxxx ...! bush jr ficou mais perto de ganhar as eleições no ano que vem.
ao saber da prisão de sadam hussein, 3 pensamentos floriram no meu espírito:
1º- será o verdadeiro ou será um dos de plástico? entre as patranhas do bigodes e os perus dos americanos nunca se sabe.
2º- deve ser o verdadeiro. na hora da verdade, e porque foram amigos por tanto tempo, os yankes saberiam reconhece-lo à primeira vista.
3º- Mxxxx ...! bush jr ficou mais perto de ganhar as eleições no ano que vem.
#1
"
(...)
De repente, os quatro bofias dispersos por entre a assistência saltam-me à vista como piolhos numa folha branca. E, no entanto, nada os distingue dos outros machos da assembleia. Chuis, vendedores e colarinhos brancos, o mesmo combate pela pulseirinha de ouro e pelo vinco na calça. O olhar é que é difrerente. Esses quatro olham para os outros, e os outros olham em frente, pateticamente, como se a promessa de um amanhã sem explosivos pudesse sair da tribuna sindical. Os bófias, esses, procuram um matador. Exibem o olhar «psi». As orelhas crescem-lhes a olhos vistos. São os espeleólogos da alma ambiente. Quem, na assistencia, se sentiu suficientemente na merda para querer mandar pelos ares a chafarica? É a única interrogação que eles têm dentro daquelas cabeças.
E bem podem continuar a interrogar-se durante muit tempo...
O assassino não está na sala! é uma certeza que se inscreve a letras de fogo no meu silêncio intersideral."
daniel pennac in o paraíso dos papões
"
(...)
De repente, os quatro bofias dispersos por entre a assistência saltam-me à vista como piolhos numa folha branca. E, no entanto, nada os distingue dos outros machos da assembleia. Chuis, vendedores e colarinhos brancos, o mesmo combate pela pulseirinha de ouro e pelo vinco na calça. O olhar é que é difrerente. Esses quatro olham para os outros, e os outros olham em frente, pateticamente, como se a promessa de um amanhã sem explosivos pudesse sair da tribuna sindical. Os bófias, esses, procuram um matador. Exibem o olhar «psi». As orelhas crescem-lhes a olhos vistos. São os espeleólogos da alma ambiente. Quem, na assistencia, se sentiu suficientemente na merda para querer mandar pelos ares a chafarica? É a única interrogação que eles têm dentro daquelas cabeças.
E bem podem continuar a interrogar-se durante muit tempo...
O assassino não está na sala! é uma certeza que se inscreve a letras de fogo no meu silêncio intersideral."
daniel pennac in o paraíso dos papões
13.12.03
#1
"(...) Aveva preparato una cena, sulla terrazza che guardava gli olivi, e i monumenti preziosi, miracoli di proporzioni esatte che dicevano che la mente umana é fatta a somiglianza di quella di DIo. Ma Sieglinde non riusci neppure a meterssi a tavola: gli disse, quasi soffocando ma guardando negli occhi, che lo desiderava. (...)"
Giovanni Bogani, in blu
a poesia deste texto está não tanto no que conta, mas na forma musical como se faz contar...
"(...) tinha preparado um jantar, na varanda que olhava as oliveiras, e os monumentos preciosos, milagres de proporções exactas que diziam que a mente humana é feita à semelhança da de Deus. Mas Sieglinde não chegou sequer a sentar-se à mesa: disse-lhe, quase sufocando mas olhando-o nos olhos, que o desejava. (...)"
"(...) Aveva preparato una cena, sulla terrazza che guardava gli olivi, e i monumenti preziosi, miracoli di proporzioni esatte che dicevano che la mente umana é fatta a somiglianza di quella di DIo. Ma Sieglinde non riusci neppure a meterssi a tavola: gli disse, quasi soffocando ma guardando negli occhi, che lo desiderava. (...)"
Giovanni Bogani, in blu
a poesia deste texto está não tanto no que conta, mas na forma musical como se faz contar...
"(...) tinha preparado um jantar, na varanda que olhava as oliveiras, e os monumentos preciosos, milagres de proporções exactas que diziam que a mente humana é feita à semelhança da de Deus. Mas Sieglinde não chegou sequer a sentar-se à mesa: disse-lhe, quase sufocando mas olhando-o nos olhos, que o desejava. (...)"
12.12.03
11.12.03
#2
Uma Parte do Peru pelo Todo
Por EDUARDO PRADO COELHO
Público, 11 de Dezembro de 2003
Os meios de comunicação social deram algum relevo ao facto de ter sido divulgada para todo o mundo a famosa fotografia em que Bush aparece de surpresa junto das tropas americanas e avança pelo refeitório com uma eufórica bandeja de peru nos braços. Soube-se que o soberbo peru não era de carne e osso, mas de plástico.
Na sua habitual crónica do "Diário de Notícias", Luís Delgado sentiu-se ofendido no zelo com que defende intransigentemente as posições americanas e lançou uma réplica indignada: é preciso haver mesmo falta de informações interessantes para que jornalistas de todo o mundo, unidos num estranho e insuportável sentimento antiamericano, e em manifesto conluio, ou pelo menos simpatia, com as forças terroristas, se ocupem do falso peru de Bush.
A estratégia argumentativa de Luís Delgado é curiosamente dupla. Tem uma primeira etapa de tipo epistemológico, que se resume na seguinte interrogação: como saber que o peru é falso? "Ele há pachorra para tudo. Será que o jornalista americano foi meter o dedo no peru? Tentou comer uma perna? Retirou um pedaço para análise posterior? Só mesmo quem não tem nada para dizer, ou escrever, ou comentar, é que se dedica ao peru, colocando-o na categoria merecedora de uma profunda análise política, simbólica, ritualista, do poder factual e mediático." Ponhamos de lado o facto de que Luís Delgado também se dedica ao caso do peru, porque ele poderá sempre argumentar que não é o peru que lhe interessa, mas sim os usos perversos do peru. Mas perguntemos que tem o peru de específico para escapar ao estatuto de objecto de "análise política, simbólica e ritualista". Será que um peru tem menos dignidade ontológica do que um cabrito ou uma lebre, ou mesmo um javali? É verdade que o nome não ajuda, e que aquele "u" final ganha uma dimensão grotesca. E também devemos reconhecer que o peru não é um animal particularmente astucioso ou inteligente. E daí? Não fazemos análises dos discursos de Bush, que tem uma relação com a linguagem particularmente atribulada?
A segunda etapa argumentativa é de tipo político: "Do Iraque chegam todos os dias notícias espectaculares, inquietantes, difíceis, intrincadas, mas nunca sobre um peru presidencial de plástico, ao matéria afim." Falar do peru, acha Luís Delgado, é "perder tempo". Contudo, penso que há uma componente retórica que Luís Delgado negligencia. Este peru não tem interesse em si mesmo, mas como realidade metonímica: é uma parte do peru pelo todo da intervenção norte-americana no Iraque. Por outras palavras, se o peru ganha tanto relevo é porque nele se consubstancia um estilo que a Administração americana promoveu: a realidade não basta em si mesma, é preciso produzi-la e encená-la.
Foi este o caso da mulher-soldado Jessica Lynch, transformada em heroína pelo Pentágono para poder fornecer um argumento para um filme. Tudo falso, como se veio a comprovar. E foi este o estatuto das famosas "armas de destruição maciça", que cada vez mais aparecem como um pretexto claramente encenado para convencer a opinião pública mundial. A questão está em sabermos até que ponto estes reincidentes falsificadores da realidade poderão ser os melhores defensores da verdade democrática.
Uma Parte do Peru pelo Todo
Por EDUARDO PRADO COELHO
Público, 11 de Dezembro de 2003
Os meios de comunicação social deram algum relevo ao facto de ter sido divulgada para todo o mundo a famosa fotografia em que Bush aparece de surpresa junto das tropas americanas e avança pelo refeitório com uma eufórica bandeja de peru nos braços. Soube-se que o soberbo peru não era de carne e osso, mas de plástico.
Na sua habitual crónica do "Diário de Notícias", Luís Delgado sentiu-se ofendido no zelo com que defende intransigentemente as posições americanas e lançou uma réplica indignada: é preciso haver mesmo falta de informações interessantes para que jornalistas de todo o mundo, unidos num estranho e insuportável sentimento antiamericano, e em manifesto conluio, ou pelo menos simpatia, com as forças terroristas, se ocupem do falso peru de Bush.
A estratégia argumentativa de Luís Delgado é curiosamente dupla. Tem uma primeira etapa de tipo epistemológico, que se resume na seguinte interrogação: como saber que o peru é falso? "Ele há pachorra para tudo. Será que o jornalista americano foi meter o dedo no peru? Tentou comer uma perna? Retirou um pedaço para análise posterior? Só mesmo quem não tem nada para dizer, ou escrever, ou comentar, é que se dedica ao peru, colocando-o na categoria merecedora de uma profunda análise política, simbólica, ritualista, do poder factual e mediático." Ponhamos de lado o facto de que Luís Delgado também se dedica ao caso do peru, porque ele poderá sempre argumentar que não é o peru que lhe interessa, mas sim os usos perversos do peru. Mas perguntemos que tem o peru de específico para escapar ao estatuto de objecto de "análise política, simbólica e ritualista". Será que um peru tem menos dignidade ontológica do que um cabrito ou uma lebre, ou mesmo um javali? É verdade que o nome não ajuda, e que aquele "u" final ganha uma dimensão grotesca. E também devemos reconhecer que o peru não é um animal particularmente astucioso ou inteligente. E daí? Não fazemos análises dos discursos de Bush, que tem uma relação com a linguagem particularmente atribulada?
A segunda etapa argumentativa é de tipo político: "Do Iraque chegam todos os dias notícias espectaculares, inquietantes, difíceis, intrincadas, mas nunca sobre um peru presidencial de plástico, ao matéria afim." Falar do peru, acha Luís Delgado, é "perder tempo". Contudo, penso que há uma componente retórica que Luís Delgado negligencia. Este peru não tem interesse em si mesmo, mas como realidade metonímica: é uma parte do peru pelo todo da intervenção norte-americana no Iraque. Por outras palavras, se o peru ganha tanto relevo é porque nele se consubstancia um estilo que a Administração americana promoveu: a realidade não basta em si mesma, é preciso produzi-la e encená-la.
Foi este o caso da mulher-soldado Jessica Lynch, transformada em heroína pelo Pentágono para poder fornecer um argumento para um filme. Tudo falso, como se veio a comprovar. E foi este o estatuto das famosas "armas de destruição maciça", que cada vez mais aparecem como um pretexto claramente encenado para convencer a opinião pública mundial. A questão está em sabermos até que ponto estes reincidentes falsificadores da realidade poderão ser os melhores defensores da verdade democrática.
#1
a minha intima e modesta opinião é, frequentemente, dissonante da análise que eduardo prado coelho (epc) vai fazendo dos dias que passam.
grosso modo, vejo o seu posicionamento à esquerda, recentemente alinhado com o PS, como um conforto intelectual, como uma forma de equilibrio e de gestão de emoções e de uma herança - palavra muito polémica na blogosfera lusa nos últimos tempos- não só cultural como familiar... é, por assim dizer, uma forma de alivio de consciência, com pouco comprometimento de facto...
este, chamemos-lhe, charme intelectual, acaba por ser mais um sinal que as diferenças históricas entre o pensamento de esquerda e direita não estão, como muitos tentam fazer querer, acabadas.
no entanto, é preciso admiti-lo, de quando em vez, epc acaba por acertar na mosca... e, desta vez, vai mais longe: acerta, por inteiro, no peru.
a minha intima e modesta opinião é, frequentemente, dissonante da análise que eduardo prado coelho (epc) vai fazendo dos dias que passam.
grosso modo, vejo o seu posicionamento à esquerda, recentemente alinhado com o PS, como um conforto intelectual, como uma forma de equilibrio e de gestão de emoções e de uma herança - palavra muito polémica na blogosfera lusa nos últimos tempos- não só cultural como familiar... é, por assim dizer, uma forma de alivio de consciência, com pouco comprometimento de facto...
este, chamemos-lhe, charme intelectual, acaba por ser mais um sinal que as diferenças históricas entre o pensamento de esquerda e direita não estão, como muitos tentam fazer querer, acabadas.
no entanto, é preciso admiti-lo, de quando em vez, epc acaba por acertar na mosca... e, desta vez, vai mais longe: acerta, por inteiro, no peru.
10.12.03
#5
de boa vontade viraria a cara à noticia que vai abrir os jornais das oito, daqui a cinco minutos - e sei qual é.
oooooh
STOP
with your feet in the air and your head on the ground
try this trick and spin it, yeah
your head will collapse
but there's nothing in it
and you'll ask yourself
where is my mind
where is my mind
where is my mind
way out in the water
see it swimmin'
Pixies, Surfer Rosa
de boa vontade viraria a cara à noticia que vai abrir os jornais das oito, daqui a cinco minutos - e sei qual é.
oooooh
STOP
with your feet in the air and your head on the ground
try this trick and spin it, yeah
your head will collapse
but there's nothing in it
and you'll ask yourself
where is my mind
where is my mind
where is my mind
way out in the water
see it swimmin'
Pixies, Surfer Rosa
#4
a última cena de fight club está fora do tempo. lembrei-me dela porque há momentos em que o melhor é virarmos as costas ao que está a acontecer no mundo, ao que parece ser uma impossibilidade cinematográfica.
depois de uma viagem atribulada por si e pelo mundo, a personagem vira as costas ao que, literalmete, andou a fazer.
enquanto os as guitarras e a voz de black francis dão o tom de where is my mind (os saudosos pixies...), as torres gémeas desabam depois de uma grande explosão... nada mau para um filme feito em 1998...
a última cena de fight club está fora do tempo. lembrei-me dela porque há momentos em que o melhor é virarmos as costas ao que está a acontecer no mundo, ao que parece ser uma impossibilidade cinematográfica.
depois de uma viagem atribulada por si e pelo mundo, a personagem vira as costas ao que, literalmete, andou a fazer.
enquanto os as guitarras e a voz de black francis dão o tom de where is my mind (os saudosos pixies...), as torres gémeas desabam depois de uma grande explosão... nada mau para um filme feito em 1998...
9.12.03
#2
não tendo a textura, o odor e a escravidão do papel, resta-me a frieza do plasma, onde também navegam poemas
a escrava
ontem, quanto senti a noite, segurei os teus dedos.
a tua pele nua não pode ser igual à minha memória.
ontem à noite, imaginei que segurei os teus dedos.
os teus cabelos talvez possam ser beijados. os teus
lábios existem. ontem, ao ver-te, descobri que não
aprendi nada quando corri o mundo. o que é um olhar?
existe sempre ontem na memória que me enche de
sonhos. os teus dedos tocam-me dentro dos sonhos.
nos teus lábios, imagino beijos. perdi-me no mundo.
no mundo, há jardins e palácios onde nunca entrarás.
és demasiado bela para o mundo. não te conheço.
quando entras para me servir, não te conheço.
ontem, esqueci todas as respostas: os teus dedos,
a tua pele e a memória. os teus cabelos, os teus lábios
e os sonhos. ontem, deixei de saber o que é um olhar.
josé luis peixoto, in a casa, a escuridão
não tendo a textura, o odor e a escravidão do papel, resta-me a frieza do plasma, onde também navegam poemas
a escrava
ontem, quanto senti a noite, segurei os teus dedos.
a tua pele nua não pode ser igual à minha memória.
ontem à noite, imaginei que segurei os teus dedos.
os teus cabelos talvez possam ser beijados. os teus
lábios existem. ontem, ao ver-te, descobri que não
aprendi nada quando corri o mundo. o que é um olhar?
existe sempre ontem na memória que me enche de
sonhos. os teus dedos tocam-me dentro dos sonhos.
nos teus lábios, imagino beijos. perdi-me no mundo.
no mundo, há jardins e palácios onde nunca entrarás.
és demasiado bela para o mundo. não te conheço.
quando entras para me servir, não te conheço.
ontem, esqueci todas as respostas: os teus dedos,
a tua pele e a memória. os teus cabelos, os teus lábios
e os sonhos. ontem, deixei de saber o que é um olhar.
josé luis peixoto, in a casa, a escuridão
6.12.03
#4
hoje vou ouvir um concerto de José Mario Branco, um dos meus gurus. gosto tanto do seu trabalho que até vou ve-lo à festa da política operária, um grupo que se diz comunista, mas que, no fundo, vive há volta de si mesmo e pratica o sectarismo militante.
grande espanto é não encontrar qualquer página na net que seja dedicado à vida e obra desta pedra basilar da música portuguesa...
hoje vou ouvir um concerto de José Mario Branco, um dos meus gurus. gosto tanto do seu trabalho que até vou ve-lo à festa da política operária, um grupo que se diz comunista, mas que, no fundo, vive há volta de si mesmo e pratica o sectarismo militante.
grande espanto é não encontrar qualquer página na net que seja dedicado à vida e obra desta pedra basilar da música portuguesa...
#2
parece que a nossa imprensa também deu atenção à história do peru de plástico. pode dizer-se que estamos perante uma mentira com penas e tudo!
Peru de Bush era decorativo
A TRAVESSA com peru, que George Bush segurou na sua visita-relâmpago ao Iraque e cuja foto se transformou num símbolo dessa viagem, era apenas uma peça decorativa. Dito de outra maneira: "The bird was perfect but not for dinner" ["A ave era perfeita mas não para comer"] .
in público, 06/12/2003
parece que a nossa imprensa também deu atenção à história do peru de plástico. pode dizer-se que estamos perante uma mentira com penas e tudo!
Peru de Bush era decorativo
A TRAVESSA com peru, que George Bush segurou na sua visita-relâmpago ao Iraque e cuja foto se transformou num símbolo dessa viagem, era apenas uma peça decorativa. Dito de outra maneira: "The bird was perfect but not for dinner" ["A ave era perfeita mas não para comer"] .
in público, 06/12/2003
a associação abril em maio prepara a abertura das suas portas para mais uma feira de inverno e, de caminho, também nos propõe um ciclo temático... a não perder.
5.12.03
#2
há especialistas em tudo... frangos, gestão de campos de golfe, plantação de batata em hipermercado, exploração de solários no sahara, de frigorificos no polo norte...
george bush, tão conhecido pela genialidade no comentário, por desencantar razões onde elas não existem, por ter uma visão muito própria (e desfocada)do mundo, acaba de abrir mais uma alinea na sua página pessoal do livro das surrealidades... consta que se tornou especialista em perus... de plástico.
é dificil de acreditar, mas o Wall Street Journal Europe de hoje (pág A3), jura que a famosa foto não passa de um embuste... de um embush!
esta noticia foi respigada no barnabé
há especialistas em tudo... frangos, gestão de campos de golfe, plantação de batata em hipermercado, exploração de solários no sahara, de frigorificos no polo norte...
george bush, tão conhecido pela genialidade no comentário, por desencantar razões onde elas não existem, por ter uma visão muito própria (e desfocada)do mundo, acaba de abrir mais uma alinea na sua página pessoal do livro das surrealidades... consta que se tornou especialista em perus... de plástico.
é dificil de acreditar, mas o Wall Street Journal Europe de hoje (pág A3), jura que a famosa foto não passa de um embuste... de um embush!
esta noticia foi respigada no barnabé
#1
" Empresa de Nobre Guedes com Rádios em Situação Duvidosa"
in Público, 5/12/2003
consta que luis nobre guedes é dono de 5 estações de rádio no nosso pais, entre as quais a estação "alternativa" vox (aquela que se dizia amarela num pais cinzento)...
estaremos simplesmente perante um caso de concentração de média ou será esta uma tentativa de criar a versão tuga de berlusconi?
já te estou a ver luis... um dia, para fazeres leis à tua medida, vais fundir o pp com o ppd num só partido de governo, chamar-lhe-ás a nossa seleção!
" Empresa de Nobre Guedes com Rádios em Situação Duvidosa"
in Público, 5/12/2003
consta que luis nobre guedes é dono de 5 estações de rádio no nosso pais, entre as quais a estação "alternativa" vox (aquela que se dizia amarela num pais cinzento)...
estaremos simplesmente perante um caso de concentração de média ou será esta uma tentativa de criar a versão tuga de berlusconi?
já te estou a ver luis... um dia, para fazeres leis à tua medida, vais fundir o pp com o ppd num só partido de governo, chamar-lhe-ás a nossa seleção!
4.12.03
ontem o daniel tentou semear em mim a tristeza... o seu blogo anda pelas 70 e tal mil visitas em 3 meses, enquanto que o contador do metrografismos só anda pelos 1100.
é preciso desmistificar a questão...
1- o metrografismos não é um blog de massas, apesar de se se pelar por uma pasta;
2- metrografismos tem ritmo próprio variando com o clima, entre o lento, o bucólico e o pessoal, ao sabor das imagens, com a luz dos dias e a fase da lua;
3- metrografismos pretende ser um exercicio de escrita e, eventualmente, de leitura;
4- ao ter poucos leitores a probabilidade do pacheco pereira metrografar é pouca, quase nula. ainda bem.
é preciso desmistificar a questão...
1- o metrografismos não é um blog de massas, apesar de se se pelar por uma pasta;
2- metrografismos tem ritmo próprio variando com o clima, entre o lento, o bucólico e o pessoal, ao sabor das imagens, com a luz dos dias e a fase da lua;
3- metrografismos pretende ser um exercicio de escrita e, eventualmente, de leitura;
4- ao ter poucos leitores a probabilidade do pacheco pereira metrografar é pouca, quase nula. ainda bem.
3.12.03
#2
não há pachorra!!!!!!!
"A primeira grande agressão à sexualidade humana, e o início da sua fragmentação, "é a contracepção". A afirmação de José Pedro Ramos Ascensão, presidente da associação Mais Família, pretende explicar uma das conclusões do congresso "A linguagem corporal do amor numa visão integral do homem". A iniciativa, que decorreu na Universidade Católica, foi promovida por diversos grupos católicos pró-vida. (...)"
in jornal publico, 2/12/2003
sobre esta e outras barbaridades, tenho a dizer que estes tipos e estas senhoras (tipas é feio):
1- têm um raciocínio medieval... em pleno século XXI... e procuram mete-lo na cabeça de alguns e algumas, atentando contra a liberdade de tod@s.
2- não devem ter ouvido falar nos elevados números de gravidez na adolescência
3- estão esquecidos que são precisas alternativas para evitar algo que tanto os horroriza, a IVG
4- que a SIDA (e outras dst's) existe... não devem ter visto os jornais e as tv's no passado dia 1...
não há pachorra!!!!!!!
"A primeira grande agressão à sexualidade humana, e o início da sua fragmentação, "é a contracepção". A afirmação de José Pedro Ramos Ascensão, presidente da associação Mais Família, pretende explicar uma das conclusões do congresso "A linguagem corporal do amor numa visão integral do homem". A iniciativa, que decorreu na Universidade Católica, foi promovida por diversos grupos católicos pró-vida. (...)"
in jornal publico, 2/12/2003
sobre esta e outras barbaridades, tenho a dizer que estes tipos e estas senhoras (tipas é feio):
1- têm um raciocínio medieval... em pleno século XXI... e procuram mete-lo na cabeça de alguns e algumas, atentando contra a liberdade de tod@s.
2- não devem ter ouvido falar nos elevados números de gravidez na adolescência
3- estão esquecidos que são precisas alternativas para evitar algo que tanto os horroriza, a IVG
4- que a SIDA (e outras dst's) existe... não devem ter visto os jornais e as tv's no passado dia 1...
#1
atravessar as ruas num ritmo diferente d@s que me rodeiam, olha-@s como se falassem uma lingua estranha, deter-me em pormenores, acariciar a luz branca que se estende pelas faces da cidade... o regresso guarda em si uma dose imensa de espanto, um sem número de surpresas, pequenos prazeres que, por serem pequenos, transformam os dias.
atravessar as ruas num ritmo diferente d@s que me rodeiam, olha-@s como se falassem uma lingua estranha, deter-me em pormenores, acariciar a luz branca que se estende pelas faces da cidade... o regresso guarda em si uma dose imensa de espanto, um sem número de surpresas, pequenos prazeres que, por serem pequenos, transformam os dias.
30.11.03
So tell the girls that I am back in town
I've been on the road
I've been on vacation
I've been travelling light to reach my final destination
Now I'm coming home
So tell the girls that I am back in town
You'd better tell them to beware
Well they may go or they might try to hide
I follow on and I'll be there
So tell the girls that I am back in town
And if it's true I do not know
That every girl around had missed me since
I decided to go
I could be your friend
I could be your stranger
I could be the one your mother said would be a danger
Now it's up to you
jay-jay johanson, whiskey
I've been on the road
I've been on vacation
I've been travelling light to reach my final destination
Now I'm coming home
So tell the girls that I am back in town
You'd better tell them to beware
Well they may go or they might try to hide
I follow on and I'll be there
So tell the girls that I am back in town
And if it's true I do not know
That every girl around had missed me since
I decided to go
I could be your friend
I could be your stranger
I could be the one your mother said would be a danger
Now it's up to you
jay-jay johanson, whiskey
28.11.03
sobre o filme de ontem escrevi...
há, entre o branco e o preto, uma gama de cores de matizes, que importa explorar.
esta é a ideia que Julio Medem - que realizou, entre outros, vacas (1992),e os amantes do circulo polar (1998) - procura explorar, aplicando-a a uma realidade que alguns tentam ocultar: o conflito social, político e armado em Euskal Herria (pais basco).
este filme/documentario é um convite ao dialogo, diz-nos um realizador que, apesar da sua origem basca, nega qualquer simpatia com a violência ou tendencia nacionalista (na verdade, vive fora do pais basco, em madrid, há cerca de uma decada). um convite ao dialogo que é posto em cima da mesa, projectado na tela, na forma de dezenas de intrevistas a homens e mulheres que se encontram nos diversos cumprimentos de onda deste espectro que varia entre o preto e o branco, desde vitimas da ETA (sobreviventes ou familiares) a familiares dos presos, passando por distintos membros do PSOE e dos partidos de Euskal Herria. pode-se também ouvir aqui o testemunho daqueles e daquelas que sofreram tortura policial, de policias que falam da sua vida diária, escutar o que têm a dizer a amnistia internacional,l as associaçoes de apoio às vitimas, artistas, intelectuais, psicologos, sociologos, jornalistas, historiadores, e até padres - com o testemunho do clero basco e de um padre irlandês, directamente envolvido nos acordos de paz da irlanda do norte.
de fora ficam as razoes da ETA, que acabam por ser analisadas pela esquerda aberzale (nacionalista), e o partido popular de aznar, que se auto-excluiu deste documentario - chegando mesmo a procurar um caso politico à sua volta, insistindo numa ligaçao directa entre o "on" da camara digital e o gatilho de uma qualquer pistola. entre isto, há homens e as mulheres que acendem mais algumas luzes sobre um conflito que, contrariamente ao que aznar tenta vender, esta longe de ter uma resoluçao.
a diferença de opinioes é a principal riqueza de um documentario que olha para o pais basco de hoje, para a sua historia e para as alternativas que se lhe abrem, existindo, por parte do autor, uma tentiva de equilibrio e auto-regulaçao: o terrorismo da ETA é posto lado a lado com o terrorismo do estado espanhol, que se manifesta, por exemplo, pela repressao de todo o nacionalismo, pela tentativa constante de monopolizar a informaçao e de criar um sentimento maniqueista do género "ou estas com a nossa democracia ou com a pistola da ETA"... branco ou negro.
e esta diversidade de opinioes acaba por revelar algumas ideias comuns, tais como o facto de nao existir soluçao para o conflito que nao passe pelo diálogo, sendo este sistematicamente recusado pelo pp - partido que tem levado a cabo uma politica de diabolizaçao dos seus opositores para manter o status quo, para se manter no poder e para justificar (e disfarçar) as suas politicas neo conservadoras que transbordam franquismo.
vi-me perante um documento inquietante, até porque as questoes que aqui se levantam nao se restringem ao eixo politico madrid/euskal herria, sao questoes que se levantam sobre este tempo de guerra infinita e sobre o mundo em que vivemos.
há, entre o branco e o preto, uma gama de cores de matizes, que importa explorar.
esta é a ideia que Julio Medem - que realizou, entre outros, vacas (1992),e os amantes do circulo polar (1998) - procura explorar, aplicando-a a uma realidade que alguns tentam ocultar: o conflito social, político e armado em Euskal Herria (pais basco).
este filme/documentario é um convite ao dialogo, diz-nos um realizador que, apesar da sua origem basca, nega qualquer simpatia com a violência ou tendencia nacionalista (na verdade, vive fora do pais basco, em madrid, há cerca de uma decada). um convite ao dialogo que é posto em cima da mesa, projectado na tela, na forma de dezenas de intrevistas a homens e mulheres que se encontram nos diversos cumprimentos de onda deste espectro que varia entre o preto e o branco, desde vitimas da ETA (sobreviventes ou familiares) a familiares dos presos, passando por distintos membros do PSOE e dos partidos de Euskal Herria. pode-se também ouvir aqui o testemunho daqueles e daquelas que sofreram tortura policial, de policias que falam da sua vida diária, escutar o que têm a dizer a amnistia internacional,l as associaçoes de apoio às vitimas, artistas, intelectuais, psicologos, sociologos, jornalistas, historiadores, e até padres - com o testemunho do clero basco e de um padre irlandês, directamente envolvido nos acordos de paz da irlanda do norte.
de fora ficam as razoes da ETA, que acabam por ser analisadas pela esquerda aberzale (nacionalista), e o partido popular de aznar, que se auto-excluiu deste documentario - chegando mesmo a procurar um caso politico à sua volta, insistindo numa ligaçao directa entre o "on" da camara digital e o gatilho de uma qualquer pistola. entre isto, há homens e as mulheres que acendem mais algumas luzes sobre um conflito que, contrariamente ao que aznar tenta vender, esta longe de ter uma resoluçao.
a diferença de opinioes é a principal riqueza de um documentario que olha para o pais basco de hoje, para a sua historia e para as alternativas que se lhe abrem, existindo, por parte do autor, uma tentiva de equilibrio e auto-regulaçao: o terrorismo da ETA é posto lado a lado com o terrorismo do estado espanhol, que se manifesta, por exemplo, pela repressao de todo o nacionalismo, pela tentativa constante de monopolizar a informaçao e de criar um sentimento maniqueista do género "ou estas com a nossa democracia ou com a pistola da ETA"... branco ou negro.
e esta diversidade de opinioes acaba por revelar algumas ideias comuns, tais como o facto de nao existir soluçao para o conflito que nao passe pelo diálogo, sendo este sistematicamente recusado pelo pp - partido que tem levado a cabo uma politica de diabolizaçao dos seus opositores para manter o status quo, para se manter no poder e para justificar (e disfarçar) as suas politicas neo conservadoras que transbordam franquismo.
vi-me perante um documento inquietante, até porque as questoes que aqui se levantam nao se restringem ao eixo politico madrid/euskal herria, sao questoes que se levantam sobre este tempo de guerra infinita e sobre o mundo em que vivemos.
26.11.03
# 3
hoje deliciei-me (por ordem cronologica) com:
- o pavilhao que mies van der roe projectou para a presença da alemanha na exposiçao universal de barcelona em 1929, onde esta exposta a sua famosa "cadeira de barcelona", icone decorativo e do mobiliario do inicio do sec XX;
- a exposiçao sobre a obra do escultor basco Eduardo Chilida, patente na fundaçao Miró;
- o filme/documentario la pelota vasca, piel contra piedra, um olhar assombroso sobre o conflito basco;
tambem andei entre a obra de miro, mas nao fiquei muito convencido... a estética é muito interessante, mas a conceptualizaçao que aquele faz desta, bem como algumas interpretaçoes que sao feitas e apresentadas no guia do museu, deixam-me um pouco... indisposto.
com tudo isto, enchi umas quantas paginas do meu caderno de viagem. quando tiver tempo, e se vier a proposito, ascrescento.
hoje deliciei-me (por ordem cronologica) com:
- o pavilhao que mies van der roe projectou para a presença da alemanha na exposiçao universal de barcelona em 1929, onde esta exposta a sua famosa "cadeira de barcelona", icone decorativo e do mobiliario do inicio do sec XX;
- a exposiçao sobre a obra do escultor basco Eduardo Chilida, patente na fundaçao Miró;
- o filme/documentario la pelota vasca, piel contra piedra, um olhar assombroso sobre o conflito basco;
tambem andei entre a obra de miro, mas nao fiquei muito convencido... a estética é muito interessante, mas a conceptualizaçao que aquele faz desta, bem como algumas interpretaçoes que sao feitas e apresentadas no guia do museu, deixam-me um pouco... indisposto.
com tudo isto, enchi umas quantas paginas do meu caderno de viagem. quando tiver tempo, e se vier a proposito, ascrescento.
25.11.03
22.11.03
19.11.03
18.11.03
#3
por falar em livros...
da primeira vez que estive em paris, andei as voltas com as formigas, a minha estreia absoluta na contundente e inquietante escrita de boris vian.
hoje, por acaso e apos alguns anos, voltei ao autor. comecei a ler o outono em pequim, e aconteceu algo digno da escrita deste autor... o livro, que me veio parar as maos a meio da viagem, estava cheio de folhas de arvore secas no seu interior...
por falar em livros...
da primeira vez que estive em paris, andei as voltas com as formigas, a minha estreia absoluta na contundente e inquietante escrita de boris vian.
hoje, por acaso e apos alguns anos, voltei ao autor. comecei a ler o outono em pequim, e aconteceu algo digno da escrita deste autor... o livro, que me veio parar as maos a meio da viagem, estava cheio de folhas de arvore secas no seu interior...
#2
hoje fui ao bairro de belleville, local onde daniel pennac faz habitar a sua fabulosa familia malaussene. a realidade e a literatura tocaram-se, andei pelas ruas, pelas cores e pelos cheiros que aquele professor de literatura francesa plantou no meu imaginario, senti-me noutro tempo.
a quem nao sabe do que falo, sugiro a leitura d`o paraiso dos papoes (ed terramar), a primeira parte das aventuras de um tipo que tem a tarefa de bode espiatorio como profissao e uma familia muito peculiar.
hoje fui ao bairro de belleville, local onde daniel pennac faz habitar a sua fabulosa familia malaussene. a realidade e a literatura tocaram-se, andei pelas ruas, pelas cores e pelos cheiros que aquele professor de literatura francesa plantou no meu imaginario, senti-me noutro tempo.
a quem nao sabe do que falo, sugiro a leitura d`o paraiso dos papoes (ed terramar), a primeira parte das aventuras de um tipo que tem a tarefa de bode espiatorio como profissao e uma familia muito peculiar.
14.11.03
# 4
duas notas sobre o mundo:
1- as forças italianas de ocupaçao do iraque ja provaram o gosto da terra, é hora de se irem embora, nao deverriam ter chegado a partir... a opiniao publica esta danada e promete sair à rua no sabado, em simultaneo com a manif pela paz no mundo promovida pelo fse em Paris. e em Portugal... precisamos de ter mortos para voltar a sair à rua?
2- um ano depois do desastre do prestige as consequências sociais e ecologicas ainda estao bem presentes na sociedade galega. nao tendo esquecido a solidariedade com este povo manchado, é tempo de voltar a lembrar que MARES NEGRAS- NUNCA MAIS!
duas notas sobre o mundo:
1- as forças italianas de ocupaçao do iraque ja provaram o gosto da terra, é hora de se irem embora, nao deverriam ter chegado a partir... a opiniao publica esta danada e promete sair à rua no sabado, em simultaneo com a manif pela paz no mundo promovida pelo fse em Paris. e em Portugal... precisamos de ter mortos para voltar a sair à rua?
2- um ano depois do desastre do prestige as consequências sociais e ecologicas ainda estao bem presentes na sociedade galega. nao tendo esquecido a solidariedade com este povo manchado, é tempo de voltar a lembrar que MARES NEGRAS- NUNCA MAIS!
# 3
o fse esta descentralizado por 4 zonas de paris - dizem as mas linguas que, desta forma, podem brilhar as autoridades destes bairros, todas da coligaçao psf, pcf e verdes. este facto exige uma correria constante, usa-se a gigantesca linha de metro para andar do lado para o outro...
os protestos sao muitos: é fora do centro, nao se pode ver a torre, etc coisa e tal... ca para mim é maravilhoso, esta constante mobilidadfe permite, alem de conhecer diversas zonas, ver onde moram as pessoas, como reagem ao facto de terem 60 mil estranhos a comerem sentados no chao das suas ruas, permite, la esta, metrografar uma cidqde invadida por uma festa de cor, de idiomas, de exigencia por um mundo diferente!
a torre continua la depois disto tudo.
o fse esta descentralizado por 4 zonas de paris - dizem as mas linguas que, desta forma, podem brilhar as autoridades destes bairros, todas da coligaçao psf, pcf e verdes. este facto exige uma correria constante, usa-se a gigantesca linha de metro para andar do lado para o outro...
os protestos sao muitos: é fora do centro, nao se pode ver a torre, etc coisa e tal... ca para mim é maravilhoso, esta constante mobilidadfe permite, alem de conhecer diversas zonas, ver onde moram as pessoas, como reagem ao facto de terem 60 mil estranhos a comerem sentados no chao das suas ruas, permite, la esta, metrografar uma cidqde invadida por uma festa de cor, de idiomas, de exigencia por um mundo diferente!
a torre continua la depois disto tudo.
#2
o Forum Social Europeu é um mundo de proporções inimaginaveis... olhando para o programa posso encontrar, no mesmo horario, centenas de coisas que gostaria de fazer, a dificuldade da escolha é obvia. debates com gente de todo o mundo, de todas as cores, de todos os credos... assuntos variados e toneladas de ideias a girar...
ontem dediquei-me a um debate sobre a necessidade de uma rede mundial de serviços e bens publicos, que vao desde a saude até à agua - sera esta a causa das guerras futuras entre a (des)humanidade? - como gqrqnte de desenvolvimento sustentavel e equidade. durante a tarfd eestive numa manifestação promovida pelo movimento de intermitentes do espetaculo - @s precari@s desta area que estao em luta pela dignidade e segurança laboral-, epm nopme de uma cultura publica e gratuita... numa manifestaçao de artistas encontrei couisas tao dispares cantoras de opera agitando bandeiras vermelhas com palhaços pintados, uma banda jazz em plena actuaçao, o agricultor Jose Bové - lider da maior ass. campesina da europa e que encqbeçou a destruiçao de armazens onde estavam guardadas toneladas de milho geneticamente modificado, atropelando pelo caminho alguns McD...- e um dispositivo policial gigante, que nao teve problemas em lançar gas para cima d@s manifestantes ao menor sinal de confusao... a democracia d@s que dizem combater o terrorismo...
o Forum Social Europeu é um mundo de proporções inimaginaveis... olhando para o programa posso encontrar, no mesmo horario, centenas de coisas que gostaria de fazer, a dificuldade da escolha é obvia. debates com gente de todo o mundo, de todas as cores, de todos os credos... assuntos variados e toneladas de ideias a girar...
ontem dediquei-me a um debate sobre a necessidade de uma rede mundial de serviços e bens publicos, que vao desde a saude até à agua - sera esta a causa das guerras futuras entre a (des)humanidade? - como gqrqnte de desenvolvimento sustentavel e equidade. durante a tarfd eestive numa manifestação promovida pelo movimento de intermitentes do espetaculo - @s precari@s desta area que estao em luta pela dignidade e segurança laboral-, epm nopme de uma cultura publica e gratuita... numa manifestaçao de artistas encontrei couisas tao dispares cantoras de opera agitando bandeiras vermelhas com palhaços pintados, uma banda jazz em plena actuaçao, o agricultor Jose Bové - lider da maior ass. campesina da europa e que encqbeçou a destruiçao de armazens onde estavam guardadas toneladas de milho geneticamente modificado, atropelando pelo caminho alguns McD...- e um dispositivo policial gigante, que nao teve problemas em lançar gas para cima d@s manifestantes ao menor sinal de confusao... a democracia d@s que dizem combater o terrorismo...
11.11.03
2
pelos motivos ja abordados, e por outros que passam pelo luxo que por aqui se exibe e pelos precos proibitivos, decidi odiar esta cidade...
mas, um passeio ao fim da tarde pelo casario da cidade antiga, com uma passagem pelo parque do castelo - de onde se tem uma vista soberba sobre a cidade e sobre o mediterraneo-, faz-me ceder um pouco na virulencia daquele sentimento...
em vez de odiar a cidade, formulo o desejo de nao ter de ca voltar e de nao ter de comer as minhas palavras da proxima vez que me aproximar de fronteira de ventimiglia...
pelos motivos ja abordados, e por outros que passam pelo luxo que por aqui se exibe e pelos precos proibitivos, decidi odiar esta cidade...
mas, um passeio ao fim da tarde pelo casario da cidade antiga, com uma passagem pelo parque do castelo - de onde se tem uma vista soberba sobre a cidade e sobre o mediterraneo-, faz-me ceder um pouco na virulencia daquele sentimento...
em vez de odiar a cidade, formulo o desejo de nao ter de ca voltar e de nao ter de comer as minhas palavras da proxima vez que me aproximar de fronteira de ventimiglia...
10.11.03
fim de semana de sol, menos frio do que se esperava.
estou de novo com a mochila pronta, esta noite entro nos carris: paris, via vintemiglia... a ultima vez que passei por esta cidade fronteiriça fiz a viagem mais surreal da minha vida, meteu mortos, greves surpresa, comboios fantasma, atraso de 1 dia e meio, uma trupe de chec@s que so falavam checo e atropelavam @s restantes passageir@s, uma trupe de teenagers americanas histéricas que em todas as estaçoes tentavam sair do comboio para apanhar uma ligaçao para Barcelona, uma tempestade em pisa, um calor de rachar na riviera, um dia de praia, uma ocupaçao de carruagem, mexilhoes num restaurante de bascos, muito mau humor... e muito mais que nao me estou a lembrar agora.
esperemos que desta vez as coisas sejam um bocadinho mais convencionais - mas so porque quero chegar a horas ao forum social europeu...
até ja
estou de novo com a mochila pronta, esta noite entro nos carris: paris, via vintemiglia... a ultima vez que passei por esta cidade fronteiriça fiz a viagem mais surreal da minha vida, meteu mortos, greves surpresa, comboios fantasma, atraso de 1 dia e meio, uma trupe de chec@s que so falavam checo e atropelavam @s restantes passageir@s, uma trupe de teenagers americanas histéricas que em todas as estaçoes tentavam sair do comboio para apanhar uma ligaçao para Barcelona, uma tempestade em pisa, um calor de rachar na riviera, um dia de praia, uma ocupaçao de carruagem, mexilhoes num restaurante de bascos, muito mau humor... e muito mais que nao me estou a lembrar agora.
esperemos que desta vez as coisas sejam um bocadinho mais convencionais - mas so porque quero chegar a horas ao forum social europeu...
até ja
7.11.03
6.11.03
nunca os tinha visto pessoalmente, mas quando nos cruzamos soube reconhece-los de imediato.
no céu Siciliano, milhares de estorninhos voavam, formando silenciosas nuvens pretas, contorcendo as cores do entardecer...
de um momento para o outro, numa sintonia de pasmar, todos se dirigiram para as magnolias do porto, começando uma cantoria (opera, certamente) que abafou todos os ruidos de Siracusa.
a tarde findou-se naqueles instantes, os amarelos rosados do tramonto diluiram-se. o mediterraneo balançou o seu balancear e eu suspirei de alegria.
no céu Siciliano, milhares de estorninhos voavam, formando silenciosas nuvens pretas, contorcendo as cores do entardecer...
de um momento para o outro, numa sintonia de pasmar, todos se dirigiram para as magnolias do porto, começando uma cantoria (opera, certamente) que abafou todos os ruidos de Siracusa.
a tarde findou-se naqueles instantes, os amarelos rosados do tramonto diluiram-se. o mediterraneo balançou o seu balancear e eu suspirei de alegria.
3.11.03
#5
hoje fui a Pompeia. confesso que fiquei impressionado com tudo aquilo, da grandiosidade da obra humana à imensidao da natureza. é um sitio que nao se ve nem se digere numa so visita, estive la quase 5 horas, a minha cabeça ja andava à roda com tanta romanidade... mas so vi 2/3 da cidade... uma coisa devo dizer: estes romanos eram loucos! e gostavam de sexo à brava, a avaliar pelos frescos hardcore de 2000 anos que por ali ha.....
hoje fui a Pompeia. confesso que fiquei impressionado com tudo aquilo, da grandiosidade da obra humana à imensidao da natureza. é um sitio que nao se ve nem se digere numa so visita, estive la quase 5 horas, a minha cabeça ja andava à roda com tanta romanidade... mas so vi 2/3 da cidade... uma coisa devo dizer: estes romanos eram loucos! e gostavam de sexo à brava, a avaliar pelos frescos hardcore de 2000 anos que por ali ha.....
#4
a casa é do tamanho do quarto que ocupava em florença... 30m2... nada mal. o recheio é minimal (a vista enche), mas a colecçao de disco é de perder a cabeça... agora estou a teclar bebel gilberto, ja andei por paolo comte, moby (dos primeiros tempos), herbert... estivesse por aqui mais uns dias e teria de levar um carrinho de mao com copias para casa...
a casa é do tamanho do quarto que ocupava em florença... 30m2... nada mal. o recheio é minimal (a vista enche), mas a colecçao de disco é de perder a cabeça... agora estou a teclar bebel gilberto, ja andei por paolo comte, moby (dos primeiros tempos), herbert... estivesse por aqui mais uns dias e teria de levar um carrinho de mao com copias para casa...
#3
quando cheguei encontrei-me com a minha familia florentina... tinham vindo passar o fim de semana ca a baixo e esperavam por mim para se despedirem. um momento um pouco triste... vivi com aqueles tres durante um mes e foi tao fixe...
mas - surpresa! - arranjaram-me um colchao na casa de uma amiga, situada num velho palacete adaptado, com vista para a baia de napoles e para o vesuvio... sou um tipo cheio de sorte! hoje quando acordei e vi aquele colosso à minha frente, o primeiro pensamento linear que tive foi: "é melhor nao fazer muito barulho, nao va o tipo acordar mal disposto"
quando cheguei encontrei-me com a minha familia florentina... tinham vindo passar o fim de semana ca a baixo e esperavam por mim para se despedirem. um momento um pouco triste... vivi com aqueles tres durante um mes e foi tao fixe...
mas - surpresa! - arranjaram-me um colchao na casa de uma amiga, situada num velho palacete adaptado, com vista para a baia de napoles e para o vesuvio... sou um tipo cheio de sorte! hoje quando acordei e vi aquele colosso à minha frente, o primeiro pensamento linear que tive foi: "é melhor nao fazer muito barulho, nao va o tipo acordar mal disposto"
# 2
o sul é um mundo à parte. se ja desconfiava disto, depois de ter saido da estaçao de Napoles tive a certeza absoluta... durante duas horas andei por uma cidade vazia, um vazio domingueiro que, de um momento para o outro, se converteu numa feira de rua, numa festa, num espiral de cor... até uma banda de jazz encontrei.
esperava uma cidade mais pequena, encontro um colosso que junta estilos diversos de arquitectura, desde o colonialismo espanhol do tempo de carlos II até à art noveau, passando pelo puro pato bravismo, numa mistura incrivel, cheia de vida, de transacçao, de ruido... aqui encontrei coisas que me fizeram lembrar fez, essauira, lisboa (sobretudo pela luz), o porto... tudo isto me alegra, me baralha, me disperta os sentidos... em italia usa-se uma expressao que podemos aplicar na perfeiçao a napoles: um verdadeiro casino!
depressa compreendi onde queria chegar uma moça de salermo quando me dizia que " florença nao é bem uma cidade, é mais um parque de diversoes".
ca para mim, prefiro uma comparaçao mais vegetal florença é um jardim cuidado, napoles é uma selva luxuriante.
o sul é um mundo à parte. se ja desconfiava disto, depois de ter saido da estaçao de Napoles tive a certeza absoluta... durante duas horas andei por uma cidade vazia, um vazio domingueiro que, de um momento para o outro, se converteu numa feira de rua, numa festa, num espiral de cor... até uma banda de jazz encontrei.
esperava uma cidade mais pequena, encontro um colosso que junta estilos diversos de arquitectura, desde o colonialismo espanhol do tempo de carlos II até à art noveau, passando pelo puro pato bravismo, numa mistura incrivel, cheia de vida, de transacçao, de ruido... aqui encontrei coisas que me fizeram lembrar fez, essauira, lisboa (sobretudo pela luz), o porto... tudo isto me alegra, me baralha, me disperta os sentidos... em italia usa-se uma expressao que podemos aplicar na perfeiçao a napoles: um verdadeiro casino!
depressa compreendi onde queria chegar uma moça de salermo quando me dizia que " florença nao é bem uma cidade, é mais um parque de diversoes".
ca para mim, prefiro uma comparaçao mais vegetal florença é um jardim cuidado, napoles é uma selva luxuriante.
#1
ca estou eu de novo!
depois de ter percorrido todas as festas de haloween de Florença na noite de 6a feira - incluindo uma rave party na forteza d'abasso, onde havia mais vendedores de pastilhas que pombos no rossio -; de ter perdido o comboio que devia apanhar de manha; de ter sobrevivido a 14h ininterruptas de uma chuva diluviana - eu estava a chegar a casa no momento em que começou a chover, às 7 da manha -; acabei por partir no domingo de manha... com muita pena minha, mas com vontade.
a viagem foi uma delicia. devia parecer um parvinho, uma vez que nao tirava os olhos da janela e nao conseguia desarmar o sorriso que tinha... as cores, a vegetaçao, as formas da paisagem, a arquitectura... tudo mudou tantas vezes durante 530kms... e o mar: tao azul!!
definitivamente este pais nao para de me surprender.
ca estou eu de novo!
depois de ter percorrido todas as festas de haloween de Florença na noite de 6a feira - incluindo uma rave party na forteza d'abasso, onde havia mais vendedores de pastilhas que pombos no rossio -; de ter perdido o comboio que devia apanhar de manha; de ter sobrevivido a 14h ininterruptas de uma chuva diluviana - eu estava a chegar a casa no momento em que começou a chover, às 7 da manha -; acabei por partir no domingo de manha... com muita pena minha, mas com vontade.
a viagem foi uma delicia. devia parecer um parvinho, uma vez que nao tirava os olhos da janela e nao conseguia desarmar o sorriso que tinha... as cores, a vegetaçao, as formas da paisagem, a arquitectura... tudo mudou tantas vezes durante 530kms... e o mar: tao azul!!
definitivamente este pais nao para de me surprender.
31.10.03
amanha é dia de partir, de tomar o caminho do sul - a direcçao de que mais gosto- e de ir à procura dessa italia que todos dizem ser mais genuina e bela... napoles e a Sicilia esperam por mim.
para tras fica uma cidade e uma terra que, cada vez mais, sinto amar; fica um mes cheio de coisas boas e tant@s amig@s nov@s.
tenho feito alguns giros pelas ruas, observado a melancolia luz dos dias de chuva... na minha cabeça ecoam palavras de um escritor italiano dos anos 50 do século passado, Cesare Pavese:
"começava a compreender que nada é mais inabitavel do que um lugar onde se foi feliz".... :)
agora que a minha relaçao com a blogosfera se adivinha mais espaçada, resta-me dizer-vos até um dia destes.
para tras fica uma cidade e uma terra que, cada vez mais, sinto amar; fica um mes cheio de coisas boas e tant@s amig@s nov@s.
tenho feito alguns giros pelas ruas, observado a melancolia luz dos dias de chuva... na minha cabeça ecoam palavras de um escritor italiano dos anos 50 do século passado, Cesare Pavese:
"começava a compreender que nada é mais inabitavel do que um lugar onde se foi feliz".... :)
agora que a minha relaçao com a blogosfera se adivinha mais espaçada, resta-me dizer-vos até um dia destes.
30.10.03
29.10.03
#4
em tempo de celebraçao e reconhecimento, estendo o meu tapete à Mulher, à grande Poetisa
Data
Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça
Sophia de Mello Breyner Andressem
em tempo de celebraçao e reconhecimento, estendo o meu tapete à Mulher, à grande Poetisa
Data
Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça
Sophia de Mello Breyner Andressem
#3
mas falemos de coisas bem mais interessantes...
o concerto de Ben Harper, anteontem, fui muito bom.
o benjamim das harpas trouxe consigo os inocent criminals, a sua banda de apoio, onde se juntam um teclista, um baterista, um percursionista, um guitarrista (além do prorio) e um baixo. destes, nao posso deixar de destacar o baixista, que mais fazia lembrar um contra baixo... era grande, volumoso, solido e arrancava das cordas sons magicos... ao pé dele, ben harper parecia um sueco raquitico.
o espetaculo teve varios pormenores de interesse sociologico... nao houve confusao à entrada, o mercado negro dos bilhetes nao pareceu muito lucrativo, o concerto começou às 21h em ponto e nao houve nenhuma cena de mosh ou violencia...
desde woman a dimonds inside, passando por sexual healling, change the world ou hey mister, o homem cantou e encantou, embora tenha tido um postura bastante distante d@s vibrantes tifosi que o idolatravam.
mas falemos de coisas bem mais interessantes...
o concerto de Ben Harper, anteontem, fui muito bom.
o benjamim das harpas trouxe consigo os inocent criminals, a sua banda de apoio, onde se juntam um teclista, um baterista, um percursionista, um guitarrista (além do prorio) e um baixo. destes, nao posso deixar de destacar o baixista, que mais fazia lembrar um contra baixo... era grande, volumoso, solido e arrancava das cordas sons magicos... ao pé dele, ben harper parecia um sueco raquitico.
o espetaculo teve varios pormenores de interesse sociologico... nao houve confusao à entrada, o mercado negro dos bilhetes nao pareceu muito lucrativo, o concerto começou às 21h em ponto e nao houve nenhuma cena de mosh ou violencia...
desde woman a dimonds inside, passando por sexual healling, change the world ou hey mister, o homem cantou e encantou, embora tenha tido um postura bastante distante d@s vibrantes tifosi que o idolatravam.
#2
nesta leitura pela tarde fora, com chazinho e boa musica, também descobri que bush jr so se apercebeu agora que " o iraque nao é um sitio seguro", e que collin powell foi capaz de uma afirmaçao tao brilhante como:
" estamos ainda em guerra", adiantando ainda que " Nao creio que o presidente tenha alguma vez pensado em minimiza-lo. ja nao sao combates intensos, o facto é que estamos perante uma insurreiçao, com pessoas que atacam e se retiram. agora a segurança é mais dificil."
sobre tudo isto começo a ter uma desconfiança muito grande... cheira-me que @s jornalistas american@s andam a mentir aos seus bondosos governantes... fizeram com que pensassem que a guerra tinha sido um mar de rosas, que estava ganha e, sobretudo, acabada.
mas, o sempre atento, paul wolfovitz (um dos membros da pandilha que (des)governa a américa e o mundo) apercebeu-se da marosca este fim de semana, quando viu entrar, pela parede do hotel onde estava alojado em Bagdade, um missil terra ar disparado pelos safados dos arabetas. a sorte do tipo é que o sadam era tao mau que nunca quis pagar tratamentos à miopia dos seus artilheiros...
nesta leitura pela tarde fora, com chazinho e boa musica, também descobri que bush jr so se apercebeu agora que " o iraque nao é um sitio seguro", e que collin powell foi capaz de uma afirmaçao tao brilhante como:
" estamos ainda em guerra", adiantando ainda que " Nao creio que o presidente tenha alguma vez pensado em minimiza-lo. ja nao sao combates intensos, o facto é que estamos perante uma insurreiçao, com pessoas que atacam e se retiram. agora a segurança é mais dificil."
sobre tudo isto começo a ter uma desconfiança muito grande... cheira-me que @s jornalistas american@s andam a mentir aos seus bondosos governantes... fizeram com que pensassem que a guerra tinha sido um mar de rosas, que estava ganha e, sobretudo, acabada.
mas, o sempre atento, paul wolfovitz (um dos membros da pandilha que (des)governa a américa e o mundo) apercebeu-se da marosca este fim de semana, quando viu entrar, pela parede do hotel onde estava alojado em Bagdade, um missil terra ar disparado pelos safados dos arabetas. a sorte do tipo é que o sadam era tao mau que nunca quis pagar tratamentos à miopia dos seus artilheiros...
#1
um dos meus exercicios favoritos para melhorar a leitura e compreensao da lingua é ler o jornal... e assim também aumento a minha incompreensao para com o mundo ;)
hoje, enquanto chovia torrencialmente, dediquei-me a ler aquele de que mais gosto, Il Manifesto.
desta forma pude descobrir que, apos o dia de ontem, se contavam 407 mortos entre os soldados da coligaçao que ocupa o iraque, a saber:
- 354 americanos (214 dos quais depois do fim oficial da guerra, no dia 1 de Maio, com uma taxa significativa de suicidio);
- 51 britanicos (ai tony blair... tas tramadinho)
- 1 ucraniano
- 1 dinamarques
um dos meus exercicios favoritos para melhorar a leitura e compreensao da lingua é ler o jornal... e assim também aumento a minha incompreensao para com o mundo ;)
hoje, enquanto chovia torrencialmente, dediquei-me a ler aquele de que mais gosto, Il Manifesto.
desta forma pude descobrir que, apos o dia de ontem, se contavam 407 mortos entre os soldados da coligaçao que ocupa o iraque, a saber:
- 354 americanos (214 dos quais depois do fim oficial da guerra, no dia 1 de Maio, com uma taxa significativa de suicidio);
- 51 britanicos (ai tony blair... tas tramadinho)
- 1 ucraniano
- 1 dinamarques
28.10.03
#2
Entardecer
vejo as vermelhas caudas do crepusculo
e o verde fulgor do mar.
lenta é a tarde
e quero demora-la em densas palpebras,
consagrando-a companheira imovel
na melancolica quietude do casario
em que as consoantes sao de espessa pedra e surda plenitude.
neste murmurio de sombra ainda tao solar
quero envolver-me cumplice dos muros
e da concava expansao do tempo,
até às praias distantes de um sossego azul.
assim me alongarei nas maos da sombra imovel
com o fogo do silencio e a melancolia das colinas,
vivendo o instante de um dinamismo lento
em que estar é ser seguro na igualdade.
Antonio Ramos Rosa, in Facilidade do ar
Entardecer
vejo as vermelhas caudas do crepusculo
e o verde fulgor do mar.
lenta é a tarde
e quero demora-la em densas palpebras,
consagrando-a companheira imovel
na melancolica quietude do casario
em que as consoantes sao de espessa pedra e surda plenitude.
neste murmurio de sombra ainda tao solar
quero envolver-me cumplice dos muros
e da concava expansao do tempo,
até às praias distantes de um sossego azul.
assim me alongarei nas maos da sombra imovel
com o fogo do silencio e a melancolia das colinas,
vivendo o instante de um dinamismo lento
em que estar é ser seguro na igualdade.
Antonio Ramos Rosa, in Facilidade do ar
#1
@s jornalistas italian@s fazem hoje uma greve em protesto contra o novo estatuto editorial dos média, tal como contra as novas leis concentracionarias, que, segundo comunicado sindical, atacam gravemente a liberdade de expressao e beneficiam alguns grupos editoriais - sabem quem é o maior magnata da comunicaçao social neste pais?... esta tudo dito!
como tal, e em solidariedade com este protesto, hoje recuso-me a dar noticias.
a poesia segue dentro de momentos.
@s jornalistas italian@s fazem hoje uma greve em protesto contra o novo estatuto editorial dos média, tal como contra as novas leis concentracionarias, que, segundo comunicado sindical, atacam gravemente a liberdade de expressao e beneficiam alguns grupos editoriais - sabem quem é o maior magnata da comunicaçao social neste pais?... esta tudo dito!
como tal, e em solidariedade com este protesto, hoje recuso-me a dar noticias.
a poesia segue dentro de momentos.
27.10.03
#1
sobre 6a passada uma curiosidade:
no mesmo dia em que centenas de milhar de italian@s sairam à rua para protestar contra o (des)governo de berlusconi, as tv's anunciam com grande estilo (especialmete as que pertencem ao dito silvio) a prisao de 6 alegados membros das brigadas vermelhas, tod@s responsaveis pelo reaparecimento deste grupo armado e envolvid@s num atentado contra um professor universitario em 99.
coincidencias?... certamente!
sobre 6a passada uma curiosidade:
no mesmo dia em que centenas de milhar de italian@s sairam à rua para protestar contra o (des)governo de berlusconi, as tv's anunciam com grande estilo (especialmete as que pertencem ao dito silvio) a prisao de 6 alegados membros das brigadas vermelhas, tod@s responsaveis pelo reaparecimento deste grupo armado e envolvid@s num atentado contra um professor universitario em 99.
coincidencias?... certamente!
24.10.03
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