amanha é dia de partir, de tomar o caminho do sul - a direcçao de que mais gosto- e de ir à procura dessa italia que todos dizem ser mais genuina e bela... napoles e a Sicilia esperam por mim.
para tras fica uma cidade e uma terra que, cada vez mais, sinto amar; fica um mes cheio de coisas boas e tant@s amig@s nov@s.
tenho feito alguns giros pelas ruas, observado a melancolia luz dos dias de chuva... na minha cabeça ecoam palavras de um escritor italiano dos anos 50 do século passado, Cesare Pavese:
"começava a compreender que nada é mais inabitavel do que um lugar onde se foi feliz".... :)
agora que a minha relaçao com a blogosfera se adivinha mais espaçada, resta-me dizer-vos até um dia destes.
31.10.03
30.10.03
29.10.03
#4
em tempo de celebraçao e reconhecimento, estendo o meu tapete à Mulher, à grande Poetisa
Data
Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça
Sophia de Mello Breyner Andressem
em tempo de celebraçao e reconhecimento, estendo o meu tapete à Mulher, à grande Poetisa
Data
Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça
Sophia de Mello Breyner Andressem
#3
mas falemos de coisas bem mais interessantes...
o concerto de Ben Harper, anteontem, fui muito bom.
o benjamim das harpas trouxe consigo os inocent criminals, a sua banda de apoio, onde se juntam um teclista, um baterista, um percursionista, um guitarrista (além do prorio) e um baixo. destes, nao posso deixar de destacar o baixista, que mais fazia lembrar um contra baixo... era grande, volumoso, solido e arrancava das cordas sons magicos... ao pé dele, ben harper parecia um sueco raquitico.
o espetaculo teve varios pormenores de interesse sociologico... nao houve confusao à entrada, o mercado negro dos bilhetes nao pareceu muito lucrativo, o concerto começou às 21h em ponto e nao houve nenhuma cena de mosh ou violencia...
desde woman a dimonds inside, passando por sexual healling, change the world ou hey mister, o homem cantou e encantou, embora tenha tido um postura bastante distante d@s vibrantes tifosi que o idolatravam.
mas falemos de coisas bem mais interessantes...
o concerto de Ben Harper, anteontem, fui muito bom.
o benjamim das harpas trouxe consigo os inocent criminals, a sua banda de apoio, onde se juntam um teclista, um baterista, um percursionista, um guitarrista (além do prorio) e um baixo. destes, nao posso deixar de destacar o baixista, que mais fazia lembrar um contra baixo... era grande, volumoso, solido e arrancava das cordas sons magicos... ao pé dele, ben harper parecia um sueco raquitico.
o espetaculo teve varios pormenores de interesse sociologico... nao houve confusao à entrada, o mercado negro dos bilhetes nao pareceu muito lucrativo, o concerto começou às 21h em ponto e nao houve nenhuma cena de mosh ou violencia...
desde woman a dimonds inside, passando por sexual healling, change the world ou hey mister, o homem cantou e encantou, embora tenha tido um postura bastante distante d@s vibrantes tifosi que o idolatravam.
#2
nesta leitura pela tarde fora, com chazinho e boa musica, também descobri que bush jr so se apercebeu agora que " o iraque nao é um sitio seguro", e que collin powell foi capaz de uma afirmaçao tao brilhante como:
" estamos ainda em guerra", adiantando ainda que " Nao creio que o presidente tenha alguma vez pensado em minimiza-lo. ja nao sao combates intensos, o facto é que estamos perante uma insurreiçao, com pessoas que atacam e se retiram. agora a segurança é mais dificil."
sobre tudo isto começo a ter uma desconfiança muito grande... cheira-me que @s jornalistas american@s andam a mentir aos seus bondosos governantes... fizeram com que pensassem que a guerra tinha sido um mar de rosas, que estava ganha e, sobretudo, acabada.
mas, o sempre atento, paul wolfovitz (um dos membros da pandilha que (des)governa a américa e o mundo) apercebeu-se da marosca este fim de semana, quando viu entrar, pela parede do hotel onde estava alojado em Bagdade, um missil terra ar disparado pelos safados dos arabetas. a sorte do tipo é que o sadam era tao mau que nunca quis pagar tratamentos à miopia dos seus artilheiros...
nesta leitura pela tarde fora, com chazinho e boa musica, também descobri que bush jr so se apercebeu agora que " o iraque nao é um sitio seguro", e que collin powell foi capaz de uma afirmaçao tao brilhante como:
" estamos ainda em guerra", adiantando ainda que " Nao creio que o presidente tenha alguma vez pensado em minimiza-lo. ja nao sao combates intensos, o facto é que estamos perante uma insurreiçao, com pessoas que atacam e se retiram. agora a segurança é mais dificil."
sobre tudo isto começo a ter uma desconfiança muito grande... cheira-me que @s jornalistas american@s andam a mentir aos seus bondosos governantes... fizeram com que pensassem que a guerra tinha sido um mar de rosas, que estava ganha e, sobretudo, acabada.
mas, o sempre atento, paul wolfovitz (um dos membros da pandilha que (des)governa a américa e o mundo) apercebeu-se da marosca este fim de semana, quando viu entrar, pela parede do hotel onde estava alojado em Bagdade, um missil terra ar disparado pelos safados dos arabetas. a sorte do tipo é que o sadam era tao mau que nunca quis pagar tratamentos à miopia dos seus artilheiros...
#1
um dos meus exercicios favoritos para melhorar a leitura e compreensao da lingua é ler o jornal... e assim também aumento a minha incompreensao para com o mundo ;)
hoje, enquanto chovia torrencialmente, dediquei-me a ler aquele de que mais gosto, Il Manifesto.
desta forma pude descobrir que, apos o dia de ontem, se contavam 407 mortos entre os soldados da coligaçao que ocupa o iraque, a saber:
- 354 americanos (214 dos quais depois do fim oficial da guerra, no dia 1 de Maio, com uma taxa significativa de suicidio);
- 51 britanicos (ai tony blair... tas tramadinho)
- 1 ucraniano
- 1 dinamarques
um dos meus exercicios favoritos para melhorar a leitura e compreensao da lingua é ler o jornal... e assim também aumento a minha incompreensao para com o mundo ;)
hoje, enquanto chovia torrencialmente, dediquei-me a ler aquele de que mais gosto, Il Manifesto.
desta forma pude descobrir que, apos o dia de ontem, se contavam 407 mortos entre os soldados da coligaçao que ocupa o iraque, a saber:
- 354 americanos (214 dos quais depois do fim oficial da guerra, no dia 1 de Maio, com uma taxa significativa de suicidio);
- 51 britanicos (ai tony blair... tas tramadinho)
- 1 ucraniano
- 1 dinamarques
28.10.03
#2
Entardecer
vejo as vermelhas caudas do crepusculo
e o verde fulgor do mar.
lenta é a tarde
e quero demora-la em densas palpebras,
consagrando-a companheira imovel
na melancolica quietude do casario
em que as consoantes sao de espessa pedra e surda plenitude.
neste murmurio de sombra ainda tao solar
quero envolver-me cumplice dos muros
e da concava expansao do tempo,
até às praias distantes de um sossego azul.
assim me alongarei nas maos da sombra imovel
com o fogo do silencio e a melancolia das colinas,
vivendo o instante de um dinamismo lento
em que estar é ser seguro na igualdade.
Antonio Ramos Rosa, in Facilidade do ar
Entardecer
vejo as vermelhas caudas do crepusculo
e o verde fulgor do mar.
lenta é a tarde
e quero demora-la em densas palpebras,
consagrando-a companheira imovel
na melancolica quietude do casario
em que as consoantes sao de espessa pedra e surda plenitude.
neste murmurio de sombra ainda tao solar
quero envolver-me cumplice dos muros
e da concava expansao do tempo,
até às praias distantes de um sossego azul.
assim me alongarei nas maos da sombra imovel
com o fogo do silencio e a melancolia das colinas,
vivendo o instante de um dinamismo lento
em que estar é ser seguro na igualdade.
Antonio Ramos Rosa, in Facilidade do ar
#1
@s jornalistas italian@s fazem hoje uma greve em protesto contra o novo estatuto editorial dos média, tal como contra as novas leis concentracionarias, que, segundo comunicado sindical, atacam gravemente a liberdade de expressao e beneficiam alguns grupos editoriais - sabem quem é o maior magnata da comunicaçao social neste pais?... esta tudo dito!
como tal, e em solidariedade com este protesto, hoje recuso-me a dar noticias.
a poesia segue dentro de momentos.
@s jornalistas italian@s fazem hoje uma greve em protesto contra o novo estatuto editorial dos média, tal como contra as novas leis concentracionarias, que, segundo comunicado sindical, atacam gravemente a liberdade de expressao e beneficiam alguns grupos editoriais - sabem quem é o maior magnata da comunicaçao social neste pais?... esta tudo dito!
como tal, e em solidariedade com este protesto, hoje recuso-me a dar noticias.
a poesia segue dentro de momentos.
27.10.03
#1
sobre 6a passada uma curiosidade:
no mesmo dia em que centenas de milhar de italian@s sairam à rua para protestar contra o (des)governo de berlusconi, as tv's anunciam com grande estilo (especialmete as que pertencem ao dito silvio) a prisao de 6 alegados membros das brigadas vermelhas, tod@s responsaveis pelo reaparecimento deste grupo armado e envolvid@s num atentado contra um professor universitario em 99.
coincidencias?... certamente!
sobre 6a passada uma curiosidade:
no mesmo dia em que centenas de milhar de italian@s sairam à rua para protestar contra o (des)governo de berlusconi, as tv's anunciam com grande estilo (especialmete as que pertencem ao dito silvio) a prisao de 6 alegados membros das brigadas vermelhas, tod@s responsaveis pelo reaparecimento deste grupo armado e envolvid@s num atentado contra um professor universitario em 99.
coincidencias?... certamente!
24.10.03
23.10.03
22.10.03
# 4
o italiano que se fala em Florença tem fama de ser o mais proximo da lingua considerada correcta. no entanto existe uma especie de dialecto local, o florentino, que se mantem pela tradiçao oral, e é uma versao acelarada e mastigada desta correcçao...
uma das caracteristicas deste dialecto é a de um C, entre duas vogais, ter efeito de H, o que torna bem mais divertido e saboroso um copo de hoha-hola.
o italiano que se fala em Florença tem fama de ser o mais proximo da lingua considerada correcta. no entanto existe uma especie de dialecto local, o florentino, que se mantem pela tradiçao oral, e é uma versao acelarada e mastigada desta correcçao...
uma das caracteristicas deste dialecto é a de um C, entre duas vogais, ter efeito de H, o que torna bem mais divertido e saboroso um copo de hoha-hola.
#2
alguém me explica porque é que o DN tem uma pagina online que nunca funciona?
ja nao bastava ser, como disse paulo portas, o jornal decente mais à direita do panorama portugues, ainda tenho de levar com isto... para piorar a situaçao, o publico e o expresso tem de ser pagos (o primeiro para ser visto do estrangeiro, o segundo sempre)... depois admiram-se que os imigrantes consumam musica pimba em quantidade industrial!
alguém me explica porque é que o DN tem uma pagina online que nunca funciona?
ja nao bastava ser, como disse paulo portas, o jornal decente mais à direita do panorama portugues, ainda tenho de levar com isto... para piorar a situaçao, o publico e o expresso tem de ser pagos (o primeiro para ser visto do estrangeiro, o segundo sempre)... depois admiram-se que os imigrantes consumam musica pimba em quantidade industrial!
#1
recebi um mail que acho interessante reproduzir, espero que sirva a alguém.
assunto: a degradação do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.
Em resumo fala-se de áreas que se pretendem desanexar da reserva natural (para promoção, contrução imobiliária e turismo), da inexistência de políticas destinadas às populações residentes em zonas protegidas e da incúria do Estado.
Por tudo isto corre na Net uma petição ao ministro do Ambiente para
recordar o Estado dos direitos dos cidadãos.
Seria bom que em vez de chorar sobre leite derramado (tal como na
vaga de incêndios), a sociedade civil agisse a tempo e horas e fizesse valer a sua posição. Não queremos outro Algarve. Queremos?
recebi um mail que acho interessante reproduzir, espero que sirva a alguém.
assunto: a degradação do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.
Em resumo fala-se de áreas que se pretendem desanexar da reserva natural (para promoção, contrução imobiliária e turismo), da inexistência de políticas destinadas às populações residentes em zonas protegidas e da incúria do Estado.
Por tudo isto corre na Net uma petição ao ministro do Ambiente para
recordar o Estado dos direitos dos cidadãos.
Seria bom que em vez de chorar sobre leite derramado (tal como na
vaga de incêndios), a sociedade civil agisse a tempo e horas e fizesse valer a sua posição. Não queremos outro Algarve. Queremos?
21.10.03
hoje fui à galeria da academia e cruzei-me com um tipo muito alto, branco e escultural, um tal de David... o seu olhar parecia liberto de uma gigantesca preocupaçao.
consta que o pai dele, um tal de Miguel Angelo, foi, em tempos, dono daquela tasca e que la deixou quatro tipos prisioneiros durante uma vida inteira... mas acho essa historia um pouco fantasiosa, devem ser so mas linguas e inveja.
consta que o pai dele, um tal de Miguel Angelo, foi, em tempos, dono daquela tasca e que la deixou quatro tipos prisioneiros durante uma vida inteira... mas acho essa historia um pouco fantasiosa, devem ser so mas linguas e inveja.
20.10.03
#4
tardes de domingo
as tardes de domingo
enchem-se de ruas vazias
que caminham placidamente
dentro de si.
pinturas impressionistas
esperam pacientes,
nos cruzamentos,
a sua vez para
atravessar a retina.
voam vacas ao acaso,
serpenteiam serpentes
verdes de contentamento,
formigas saltam e cantam
esquecendo
o trabalho de acumular.
nas tardes de domingo
ha uma cidade pousada
que respira
prazer e sonolencia,
que apanha sol na barriga,
que descalça os pés
e teima em nao ir
para lado nenhum.
andré
tardes de domingo
as tardes de domingo
enchem-se de ruas vazias
que caminham placidamente
dentro de si.
pinturas impressionistas
esperam pacientes,
nos cruzamentos,
a sua vez para
atravessar a retina.
voam vacas ao acaso,
serpenteiam serpentes
verdes de contentamento,
formigas saltam e cantam
esquecendo
o trabalho de acumular.
nas tardes de domingo
ha uma cidade pousada
que respira
prazer e sonolencia,
que apanha sol na barriga,
que descalça os pés
e teima em nao ir
para lado nenhum.
andré
#2
recebi este mail, gostava de poder estar presente...
por aqui o D'Alema, face à vergonhosa resoluçao da ONU, ja aprovou a invasao...
Juntos contra a ocupação do Iraque !
Pelo cancelamento do envio do contingente da GNR !
Pela devolução da soberania ao povo iraquiano!
CONCENTRAÇÃO 25 de Outubro - Sábado - 15 horas Largo de Camões
Organização:
Plataforma contra a guerra
recebi este mail, gostava de poder estar presente...
por aqui o D'Alema, face à vergonhosa resoluçao da ONU, ja aprovou a invasao...
Juntos contra a ocupação do Iraque !
Pelo cancelamento do envio do contingente da GNR !
Pela devolução da soberania ao povo iraquiano!
CONCENTRAÇÃO 25 de Outubro - Sábado - 15 horas Largo de Camões
Organização:
Plataforma contra a guerra
#1
sabado à noite estive num concerto de solidariedade com o sudao, mas acabamos por nao entrar porque estava no fim. seguimos para um bar com musica ao vivo, com duas paragens tecnicas pelo caminho para "abastecer". musica e calor humano, esteve-se muito bem. a noite acabou num concerto (!!!???) ao ar livre, organizado por um bando de fricks, anarcos e respectivos caes... numa praça da cidade, uma xavala que "vomitava" a sua revolta para um microfone e um bando de "besanos" mais ou menos limpinhos - acho que isso deve ser directamente proporcional ao grau de convicçao - que abanavam o capacete...
pelas tantas da madrugada, um fiat panda circulava pelas ruas desertas... la dentro, 4 insuspeitos cidadaos abanavam-se ao som de um tecno manhoso:
tstum... tstum...
oggi mi sinto stranio
mi sinto un pocco stranio
tstum... tstum..
sabado à noite estive num concerto de solidariedade com o sudao, mas acabamos por nao entrar porque estava no fim. seguimos para um bar com musica ao vivo, com duas paragens tecnicas pelo caminho para "abastecer". musica e calor humano, esteve-se muito bem. a noite acabou num concerto (!!!???) ao ar livre, organizado por um bando de fricks, anarcos e respectivos caes... numa praça da cidade, uma xavala que "vomitava" a sua revolta para um microfone e um bando de "besanos" mais ou menos limpinhos - acho que isso deve ser directamente proporcional ao grau de convicçao - que abanavam o capacete...
pelas tantas da madrugada, um fiat panda circulava pelas ruas desertas... la dentro, 4 insuspeitos cidadaos abanavam-se ao som de um tecno manhoso:
tstum... tstum...
oggi mi sinto stranio
mi sinto un pocco stranio
tstum... tstum..
18.10.03
#2
enquanto caminhava para aqui, com o nariz enfiado no casaco polar, pensava no que haveria de pensar... fui ver the dreamers, de Bernardo Bertoluci, e fiquei como gosto de ficar depois de uma ida ao cinema... satisfeito, inquieto, cerebral e até criativo.
o tempo é o do maio de 68, o espaço é um apartamento, com algumas (poucas) janelas abertas para a rua principal, onde o amor, a poesia, a revoluçao pintam à descoberta (ou nao) da praia que esta por baixo de cada calçada.
por aqui, o filme esta no cinema Odeon, um colosso dos anos trinta, com primeira e segunda plateia, espaço entre as cadeiras para sei la o que, uma cupula iluminada - substituir cupula por copula é uma boa sugestao para o espaço entre as cadeiras...-, dois intervalos numa pelicula de duas horas e bilhetes como ja nao se ve em lado nenhum.
enquanto caminhava para aqui, com o nariz enfiado no casaco polar, pensava no que haveria de pensar... fui ver the dreamers, de Bernardo Bertoluci, e fiquei como gosto de ficar depois de uma ida ao cinema... satisfeito, inquieto, cerebral e até criativo.
o tempo é o do maio de 68, o espaço é um apartamento, com algumas (poucas) janelas abertas para a rua principal, onde o amor, a poesia, a revoluçao pintam à descoberta (ou nao) da praia que esta por baixo de cada calçada.
por aqui, o filme esta no cinema Odeon, um colosso dos anos trinta, com primeira e segunda plateia, espaço entre as cadeiras para sei la o que, uma cupula iluminada - substituir cupula por copula é uma boa sugestao para o espaço entre as cadeiras...-, dois intervalos numa pelicula de duas horas e bilhetes como ja nao se ve em lado nenhum.
#1
la fora chove, faz frio, antecipa-se o final da tarde. os turistas continuam a circular, @s locais parecem ter desaparecido... excepto @s tifosi viola, @s doid@s pela Fiorentina, que se preparam para uma orgia de bola la para os lados do Campo de Marte, a casa desta eterna amada que nada deve a Beatriz- a que apaixonou Dante para sempre.
la diz o meu amigo Paolo: o tifo é uma doença!
la fora chove, faz frio, antecipa-se o final da tarde. os turistas continuam a circular, @s locais parecem ter desaparecido... excepto @s tifosi viola, @s doid@s pela Fiorentina, que se preparam para uma orgia de bola la para os lados do Campo de Marte, a casa desta eterna amada que nada deve a Beatriz- a que apaixonou Dante para sempre.
la diz o meu amigo Paolo: o tifo é uma doença!
17.10.03
16.10.03
a cidade acordou batida por um vento norte que, alem de levantar as folhas secas, traz o frio dos Alpes (que ficam noroeste- norte) e dos Dolomiti (a nordeste).
o vento manteve-se pelo dia, levando a que as pessoas se tivessem mantido com os casacos fechados e a face franzida... talvez para assusta-lo.
andei pelas ruas do sul, na zona de transiçao para o campo, onde as estradas sao estreitas, as arvores desinibidas e as cores mais atrevidas. desci pelo ventre da tarde, deixando-me espantar pelas pinceladas que o sol da na cupula do duomo ou na estrutura de metal que, por motivos de restauraçao, envolve a torre do palazio vechio.
entrando de novo no casario, o sol passa a ser uma memoria remota, la longe, no cimo dos telhados. as pessoass apressam-se, os bares começam a lançar o seu charme sobre quem passa, convidando ao prazer do calor e da comida. os batentes das janelas deixam escapar um pouco do que nao sabermos estar do outro lado, agitam-se as bandeiras da paz que a maioria das varandas orgulhosamente ostentam.
os cantos e os recantos adensam-se de mistério. a calma começa, lentamente, a poisar.
o vento manteve-se pelo dia, levando a que as pessoas se tivessem mantido com os casacos fechados e a face franzida... talvez para assusta-lo.
andei pelas ruas do sul, na zona de transiçao para o campo, onde as estradas sao estreitas, as arvores desinibidas e as cores mais atrevidas. desci pelo ventre da tarde, deixando-me espantar pelas pinceladas que o sol da na cupula do duomo ou na estrutura de metal que, por motivos de restauraçao, envolve a torre do palazio vechio.
entrando de novo no casario, o sol passa a ser uma memoria remota, la longe, no cimo dos telhados. as pessoass apressam-se, os bares começam a lançar o seu charme sobre quem passa, convidando ao prazer do calor e da comida. os batentes das janelas deixam escapar um pouco do que nao sabermos estar do outro lado, agitam-se as bandeiras da paz que a maioria das varandas orgulhosamente ostentam.
os cantos e os recantos adensam-se de mistério. a calma começa, lentamente, a poisar.
15.10.03
"(...)
- Quando era mais pequena, acreditava em Deus, era magnifico; havia qualquer coisa que me era exigida a cada instante; entao parecia-me que devia de facto existir. Era uma necessidade.
Sorri-lhe com simpatia.
- Creio que o seu problema é imaginar que as suas razoes de viver deviam cair do céu ja prontas: somos nos que as temos de criar! (...)"
Simone de Beauvoir, in O Sangue dos Outros
- Quando era mais pequena, acreditava em Deus, era magnifico; havia qualquer coisa que me era exigida a cada instante; entao parecia-me que devia de facto existir. Era uma necessidade.
Sorri-lhe com simpatia.
- Creio que o seu problema é imaginar que as suas razoes de viver deviam cair do céu ja prontas: somos nos que as temos de criar! (...)"
Simone de Beauvoir, in O Sangue dos Outros
14.10.03
#1
como alguém ja uma vez disse, os meus olhos devem ter um sensor especial para pinturas de parede e para cartazers colados, especialmente quando estes ou aquelas sao portadores de uma mensagem socialmente importante...
ha uma pichagem que se repete pelas ruas da cidade, nao com o teu nome (como na cançao), mas com a seguinte frase:
- MAROTTI
+ MORETTI
ando a matutar nesta historia desde que via frase, ou seja, desde o dia em que cheguei.
ontem decidi perguntar quem é Marotti, segue a explicaçao:
Marotti é economista e é a ministra da educaçao do (des)governo de berlusconni. consta que a sua carreira profissional é muito rica, mas nunca fez nada ligado à educaçao... o que, no campo do neoliberalismo puro e duro, nao interessa la muito. o que interessa é que ela esta a dar cabo do sistema publico e a po-lo às ordens do capital, da finança e da igreja... onde é que ja ouvimos esta historia?
quanto ao Moretti nao precisamos de grandes apresentaçoes. O cineasta panfletario tornou-se na grande figura de oposiçao ao neofascismo italiano (alem da direita berlusconiana, ha dois partidos neofaxos no governo, a aliança nacionalde fini e a liga lombarda de bossi), substituindo na critica, e espicaçando, a principal força de oposiçao, os comunistas reciclados da democrata di sinistra. No entanto, Nanni nao abandona aqueles que diz estarem a dormir ... - quem nao se lembra do seu apelo desesperado em aprile... responde Dalema! - e este facto vale-lhe uma critica muito forte da esquerda mais ideologica, nao so partidaria como social e artistica, que o acusa de ter a mania que é um grande génio, de ser demasiado egocentrico e quixotesco...
a frase nao deixa de ser deliciosa!
até ja
como alguém ja uma vez disse, os meus olhos devem ter um sensor especial para pinturas de parede e para cartazers colados, especialmente quando estes ou aquelas sao portadores de uma mensagem socialmente importante...
ha uma pichagem que se repete pelas ruas da cidade, nao com o teu nome (como na cançao), mas com a seguinte frase:
- MAROTTI
+ MORETTI
ando a matutar nesta historia desde que via frase, ou seja, desde o dia em que cheguei.
ontem decidi perguntar quem é Marotti, segue a explicaçao:
Marotti é economista e é a ministra da educaçao do (des)governo de berlusconni. consta que a sua carreira profissional é muito rica, mas nunca fez nada ligado à educaçao... o que, no campo do neoliberalismo puro e duro, nao interessa la muito. o que interessa é que ela esta a dar cabo do sistema publico e a po-lo às ordens do capital, da finança e da igreja... onde é que ja ouvimos esta historia?
quanto ao Moretti nao precisamos de grandes apresentaçoes. O cineasta panfletario tornou-se na grande figura de oposiçao ao neofascismo italiano (alem da direita berlusconiana, ha dois partidos neofaxos no governo, a aliança nacionalde fini e a liga lombarda de bossi), substituindo na critica, e espicaçando, a principal força de oposiçao, os comunistas reciclados da democrata di sinistra. No entanto, Nanni nao abandona aqueles que diz estarem a dormir ... - quem nao se lembra do seu apelo desesperado em aprile... responde Dalema! - e este facto vale-lhe uma critica muito forte da esquerda mais ideologica, nao so partidaria como social e artistica, que o acusa de ter a mania que é um grande génio, de ser demasiado egocentrico e quixotesco...
a frase nao deixa de ser deliciosa!
até ja
13.10.03
# 2
o meu mundo onirico volta a dar sinais de vida, a chegar-se perto da memoria:
ontem sonhei com uma mulher que dançava. ela era alta, muito magra, com um sorriso e um olhar que transcendiam. dançava uma dança oriental, suave, com momentos que recordavam taishi ou um kata de karaté... existia, naquela dança, uma linguagem muito mais forte que a do corpo ou das palavras que a possam descrever, uma linguagem que nao sei dizer.
hoje sonhei que encontrava uma velha amiga. nao me lembro em que contexto ocorria tal encontro ou o que sucedeu. encontrei-a, ponto.
o meu mundo onirico volta a dar sinais de vida, a chegar-se perto da memoria:
ontem sonhei com uma mulher que dançava. ela era alta, muito magra, com um sorriso e um olhar que transcendiam. dançava uma dança oriental, suave, com momentos que recordavam taishi ou um kata de karaté... existia, naquela dança, uma linguagem muito mais forte que a do corpo ou das palavras que a possam descrever, uma linguagem que nao sei dizer.
hoje sonhei que encontrava uma velha amiga. nao me lembro em que contexto ocorria tal encontro ou o que sucedeu. encontrei-a, ponto.
# 1
fim de semana no campo, perto de Siena. perdi-me na extensao da paisagem, na clareza, nas cores da terra, das arvores e do céu... espalhei-me na leveza do ar.
no sabado houve boa comida e bebida, melhor companhia de velh@s (e nov@s) amig@s, numa festa ao fim da tarde com um grupo de musica tradicional e tudo.
no domingo houve um pic-nic com 3 amig@s, sendo que um é pintor. fomos para o monte, junto de uma capela medieval, comer e ver o artista a trabalhar... belissimo!
fim de semana no campo, perto de Siena. perdi-me na extensao da paisagem, na clareza, nas cores da terra, das arvores e do céu... espalhei-me na leveza do ar.
no sabado houve boa comida e bebida, melhor companhia de velh@s (e nov@s) amig@s, numa festa ao fim da tarde com um grupo de musica tradicional e tudo.
no domingo houve um pic-nic com 3 amig@s, sendo que um é pintor. fomos para o monte, junto de uma capela medieval, comer e ver o artista a trabalhar... belissimo!
9.10.03
# 5
siga a seta (traduçao livre)
Nada melhor que ir
pelo lado
oposto
ao que elas assinalam
mesmo sendo certo
- pelas redondezas do mundo
e essas coisas-
que um dia terminarao
apontando-nos
directamente ao coraçao
Nao ha nada
como ir
cantando
pelo outro lado
chorando por perder-se
Herman Rivera Letelier, in poesie senza patria
siga a seta (traduçao livre)
Nada melhor que ir
pelo lado
oposto
ao que elas assinalam
mesmo sendo certo
- pelas redondezas do mundo
e essas coisas-
que um dia terminarao
apontando-nos
directamente ao coraçao
Nao ha nada
como ir
cantando
pelo outro lado
chorando por perder-se
Herman Rivera Letelier, in poesie senza patria
# 3
a foto da aula de hoje terà, certamente, duas garrafas de vinho branco sienes - o famoso chianti é, descobri hoje, exclusivamente tinto-, picole pizza, textos lidos de pé nas cadeiras e poesia de Garcia Lorca em castelhano...
tudo em nome da lingua e da cultura!
como diriam os locais: ma che casino!
a foto da aula de hoje terà, certamente, duas garrafas de vinho branco sienes - o famoso chianti é, descobri hoje, exclusivamente tinto-, picole pizza, textos lidos de pé nas cadeiras e poesia de Garcia Lorca em castelhano...
tudo em nome da lingua e da cultura!
como diriam os locais: ma che casino!
8.10.03
um dos grandes problemas de Florenca e estar cheia daqueles seres com um sotaque estranho que conhecem quinze palavras no maximo (sendo duas delas you know e outras duas I mean), sorvedores de coca-cola e chefiados por um tipo com nome de arbusto e cerebro de amendoim demasiado torrado.
os dias tem variado entre o sol e a chuva, sendo o frio uma constante... de domingo para segunda a temperatura minima baixou dos 15 para os 7 graus! estas variacoes climatericas traduzem-se tambem em variacoes cromaticas bastante interessantes.
na casa onde vivo ha 4 maluc@s da minha especie... a casa e central, ao pe da linha do comboio - para nao me esquecer da minha condicao de classe suburbana... - e nao e uma casa, e um casarao... a sala, que e o meu quarto, tem uma area maior que a maior parte das casas a que estou habituado...
ando de bicicleta pela cidade, uma verdadeira aventura!
tenho feito progressos no italiano. o instituto e num palacio bastante bonito no centro, na via de St Egidio. a turma e composta maioritariamente por andaluzes, o que na pratica, da uma confusao linguistica dos diabos... conseuem imaginar andaluzes a falar qualquer outra lingua? e dificil...
ha momentos em que nao sei em que lingua falo! quem desespera com isto e o Carlo, o professor italianissimo de 1,60m, amante de cinema e que, como italiano e toscano que se preza, detesta o Berlusconi...
bom, vou apanhar sol e tentar nao ser atropelado pelas bicicletas
ate ja
os dias tem variado entre o sol e a chuva, sendo o frio uma constante... de domingo para segunda a temperatura minima baixou dos 15 para os 7 graus! estas variacoes climatericas traduzem-se tambem em variacoes cromaticas bastante interessantes.
na casa onde vivo ha 4 maluc@s da minha especie... a casa e central, ao pe da linha do comboio - para nao me esquecer da minha condicao de classe suburbana... - e nao e uma casa, e um casarao... a sala, que e o meu quarto, tem uma area maior que a maior parte das casas a que estou habituado...
ando de bicicleta pela cidade, uma verdadeira aventura!
tenho feito progressos no italiano. o instituto e num palacio bastante bonito no centro, na via de St Egidio. a turma e composta maioritariamente por andaluzes, o que na pratica, da uma confusao linguistica dos diabos... conseuem imaginar andaluzes a falar qualquer outra lingua? e dificil...
ha momentos em que nao sei em que lingua falo! quem desespera com isto e o Carlo, o professor italianissimo de 1,60m, amante de cinema e que, como italiano e toscano que se preza, detesta o Berlusconi...
bom, vou apanhar sol e tentar nao ser atropelado pelas bicicletas
ate ja
7.10.03
4.10.03
#4
todo o texto vale a pena... mas como estou com preguiça de o teclar, copio só um pormenor de caixa lateral.
O que você poupa em não viajar
ter de esperar pelo enterro
sentir a cabeça a encher
ser obrigado a perguntar, a olhar, a cheirar, a tocar
ter de voltar
perder um segundo duma monótona existência
fazer e desfazer malas
guardar histórias
saudades
António Risco, in Dna, 27 de Setembro de 2003
todo o texto vale a pena... mas como estou com preguiça de o teclar, copio só um pormenor de caixa lateral.
O que você poupa em não viajar
ter de esperar pelo enterro
sentir a cabeça a encher
ser obrigado a perguntar, a olhar, a cheirar, a tocar
ter de voltar
perder um segundo duma monótona existência
fazer e desfazer malas
guardar histórias
saudades
António Risco, in Dna, 27 de Setembro de 2003
#3
sabatical
I must admit i'm getting tired
of sitting on my cloud
well, heaven's not what i desired
eternety can wear you out
so i get lost on busy boulevards
forgot about my mission
drown in a pair of tempting eyes
cultivate my indecision
(...)
de-phazz, in dead by chocolate
sabatical
I must admit i'm getting tired
of sitting on my cloud
well, heaven's not what i desired
eternety can wear you out
so i get lost on busy boulevards
forgot about my mission
drown in a pair of tempting eyes
cultivate my indecision
(...)
de-phazz, in dead by chocolate
3.10.03
# 1
a Sofia dá-nos uma lista de Pequenos prazeres:
Chá e scones n'O Chá do Carmo, Largo do Carmo.
O pôr-do-sol no Castelo
de S. Jorge.
Uma fatia de Cheesecake no bar O'Gillians, Cais do Sodré.
Observar Lisboa da janela do eléctrico 28.
Um fim de tarde em frente ao Mar da Palha, no Parque das Nações.
Ler uma história para os meus alunos.
Um jantar sem horas.
O pequeno-almoço de sábado com jornais à mistura.
O frio húmido da Serra do Gerês.
Uma viagem de comboio ao longo do Rio Douro.
Adormecer com a chuva.
O chocolate quente do Café Astória em Braga.
Acordar na aldeia e ficar na cama com o silêncio.
Pisar as folhas secas de Outono.
Conversar com os meus avós à lareira.
Ouvir o crepitar das chamas e sentir a cara quase a ferver.
Ler
...e tudo o que seja música para os meus sentidos...
e eu acrescento-lhe alguns itens:
caminhar na areia, descalço
um copo de vinho, tinto
cozinhar, com demoras
ouvir o melro debaixo da minha janela, noite fora
um passeio madrugador, na serra de Sintra
um passeio a qualquer hora, na serra de Sintra
uma peça de teatro
cinema ao fim da tarde, num dia de semana
o som da caneta no papel
café no adamastor
jazz nas Catacumbas
rock no Jamaica
estudar o mapa da linha do metro
abrir um livro ao acaso, encontrar um poema
o cheiro da terra molhada e da erva cortada
(...)
a Sofia dá-nos uma lista de Pequenos prazeres:
Chá e scones n'O Chá do Carmo, Largo do Carmo.
O pôr-do-sol no Castelo
de S. Jorge.
Uma fatia de Cheesecake no bar O'Gillians, Cais do Sodré.
Observar Lisboa da janela do eléctrico 28.
Um fim de tarde em frente ao Mar da Palha, no Parque das Nações.
Ler uma história para os meus alunos.
Um jantar sem horas.
O pequeno-almoço de sábado com jornais à mistura.
O frio húmido da Serra do Gerês.
Uma viagem de comboio ao longo do Rio Douro.
Adormecer com a chuva.
O chocolate quente do Café Astória em Braga.
Acordar na aldeia e ficar na cama com o silêncio.
Pisar as folhas secas de Outono.
Conversar com os meus avós à lareira.
Ouvir o crepitar das chamas e sentir a cara quase a ferver.
Ler
...e tudo o que seja música para os meus sentidos...
e eu acrescento-lhe alguns itens:
caminhar na areia, descalço
um copo de vinho, tinto
cozinhar, com demoras
ouvir o melro debaixo da minha janela, noite fora
um passeio madrugador, na serra de Sintra
um passeio a qualquer hora, na serra de Sintra
uma peça de teatro
cinema ao fim da tarde, num dia de semana
o som da caneta no papel
café no adamastor
jazz nas Catacumbas
rock no Jamaica
estudar o mapa da linha do metro
abrir um livro ao acaso, encontrar um poema
o cheiro da terra molhada e da erva cortada
(...)
1.10.03
29.9.03
27.9.03
26.9.03
#4
a madrugada avança pelo relógio. estou com a janela aberta porque o calor teima em não ir embora... acabo de ouvir, lá fora, uma coruja a piar!
o que fará por aqui? andará perdida? estará só de passagem ou veio fazer concorrencia ao melro que canta as primeiras horas do dia na árvore debaixo da janela?
que maravilha!
a madrugada avança pelo relógio. estou com a janela aberta porque o calor teima em não ir embora... acabo de ouvir, lá fora, uma coruja a piar!
o que fará por aqui? andará perdida? estará só de passagem ou veio fazer concorrencia ao melro que canta as primeiras horas do dia na árvore debaixo da janela?
que maravilha!
# 1
estava a preparar-me para ir trabalhar até às oito da manhã quando me telefonou a Luisa, sugerindo fazer-me este turno em troca do de amanhã...
acabei empoleirado num escadote de 3m, pelas ruas do Bairro Alto, a pendurar faixas da attac... já tinha saudades de fazer desportos radicais!
estava a preparar-me para ir trabalhar até às oito da manhã quando me telefonou a Luisa, sugerindo fazer-me este turno em troca do de amanhã...
acabei empoleirado num escadote de 3m, pelas ruas do Bairro Alto, a pendurar faixas da attac... já tinha saudades de fazer desportos radicais!
24.9.03
no jardim da Gulbenkian, 1º dia de Outono
a luz Outonal faz contrastar as cores: o verde das árvores, o azul do céu e o doirado que se espalha em tudo. continua calor. parece que entrámos num tempo que se contradiz e, embora se pinte de outras cores, não quer avançar. é um tónico para a melancolia...
a luz Outonal faz contrastar as cores: o verde das árvores, o azul do céu e o doirado que se espalha em tudo. continua calor. parece que entrámos num tempo que se contradiz e, embora se pinte de outras cores, não quer avançar. é um tónico para a melancolia...
22.9.03
#2
andei à volta do meu arquivo pessoal, tentando dar-lhe alguma ordem; manifestos, revistas, jornais, entrevistas com escritores, autocolantes, panfletos, publicações, bilhetes de cinema, poemas, trechos de livros, desenhos, presentes de amig@s, diários de bordo meio escritos - e tantas coisas por escrever ... como sempre, o sentimento que fica é o de alguma frustração: sinto que não consigo o minimo de organização no acervo da minha existência.
andei à volta do meu arquivo pessoal, tentando dar-lhe alguma ordem; manifestos, revistas, jornais, entrevistas com escritores, autocolantes, panfletos, publicações, bilhetes de cinema, poemas, trechos de livros, desenhos, presentes de amig@s, diários de bordo meio escritos - e tantas coisas por escrever ... como sempre, o sentimento que fica é o de alguma frustração: sinto que não consigo o minimo de organização no acervo da minha existência.
21.9.03
Metrografismos: em tempo de equinócio, desfia-se a memória dos dias longos...
Calor
Tarde turquesa
Quarenta graus
Talvez porque você não esteja
tudo lateja
Tarde sem nuvem
Cincoenta graus
Talvez por sua ausência
tudo derreta
Noite sem ninguém
Nada se mexe
Eu sonho nosso amor a sério
E você em outro hemisfério
Enquanto tudo derrete
Enquanto tudo derrete
Enquanto tudo parece
Derreter
Adriana Calcanhotto in Cantada
Calor
Tarde turquesa
Quarenta graus
Talvez porque você não esteja
tudo lateja
Tarde sem nuvem
Cincoenta graus
Talvez por sua ausência
tudo derreta
Noite sem ninguém
Nada se mexe
Eu sonho nosso amor a sério
E você em outro hemisfério
Enquanto tudo derrete
Enquanto tudo derrete
Enquanto tudo parece
Derreter
Adriana Calcanhotto in Cantada
18.9.03
# 3
Luis Sepúlveda (Ovalle, Chile, 1949) tem toda a sua obra publicada pela ASA, desde o livro que o projectou internacionalmente – O Velho Que Lia Romances de Amor – até ao mais recente O general e o juiz.
O General e o Juiz
As Rosas de Atacama
Contos Apátridas (colectânea)
Diário de um Killer Sentimental
Encontro de Amor num País em Guerra
História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar
Histórias do Mar (colectânea)
Mundo do Fim do Mundo
Nome de Toureiro
O Velho que Lia Romances de Amor
Patagónia Express
Luis Sepúlveda (Ovalle, Chile, 1949) tem toda a sua obra publicada pela ASA, desde o livro que o projectou internacionalmente – O Velho Que Lia Romances de Amor – até ao mais recente O general e o juiz.
O General e o Juiz
As Rosas de Atacama
Contos Apátridas (colectânea)
Diário de um Killer Sentimental
Encontro de Amor num País em Guerra
História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar
Histórias do Mar (colectânea)
Mundo do Fim do Mundo
Nome de Toureiro
O Velho que Lia Romances de Amor
Patagónia Express
# 2
curiosamente, hoje recebi um mail da Sofia que me falava dele, e lembrei-me de algo que, em tempos escrevi...
ZORBAS
Há um lugar último
(sem crenças nem limites)
nesse vazio intenso
do coração.
Alimento-o a espaços
com sonhos que roubo
em túneis escuros,
pipas antigas,
de marinheiros impossíveis.
Nele
também tu ensinaste
(em noites de tempestade)
as gaivotas a voar.
André
curiosamente, hoje recebi um mail da Sofia que me falava dele, e lembrei-me de algo que, em tempos escrevi...
ZORBAS
Há um lugar último
(sem crenças nem limites)
nesse vazio intenso
do coração.
Alimento-o a espaços
com sonhos que roubo
em túneis escuros,
pipas antigas,
de marinheiros impossíveis.
Nele
também tu ensinaste
(em noites de tempestade)
as gaivotas a voar.
André
17.9.03
16.9.03
voltei ao trabalho. nada de muito novo, até me deu gozo.
quando saí, pelas onze da noite, vim por aí fora a curtir o raro calor de uma noite de setembro. cheirava a plantas :)
no comboio acabei de ler o mais recente livro do Luis Sepúlveda. pelos diversos posts que aqui deixei nos últimos meses, penso não valer a pena reafirmar a minha admiração por este chileno-cidadão-do-mundo, pelo que não vou tecer todos os elogios que o homem e a obra merecem.
marte ainda se vê muito bem, muito vermelhinho no céu, mais destacado que qualquer outra estrela ou constelação.
quando saí, pelas onze da noite, vim por aí fora a curtir o raro calor de uma noite de setembro. cheirava a plantas :)
no comboio acabei de ler o mais recente livro do Luis Sepúlveda. pelos diversos posts que aqui deixei nos últimos meses, penso não valer a pena reafirmar a minha admiração por este chileno-cidadão-do-mundo, pelo que não vou tecer todos os elogios que o homem e a obra merecem.
marte ainda se vê muito bem, muito vermelhinho no céu, mais destacado que qualquer outra estrela ou constelação.
para me dar um novo cartão um mês antes do previsto, o meu banco privou-me da utilização do velho cartão multibanco durante quinze dias... é surreal...
pior ainda é este estúpido sentimento de estar um bocado enrascado por não poder contar a qualquer momento com um simples pedaço de plástico com banda magnética!
pior ainda é este estúpido sentimento de estar um bocado enrascado por não poder contar a qualquer momento com um simples pedaço de plástico com banda magnética!
12.9.03
# 4
os Pixies ameaçam voltar... ao menos uma boa notícia no público de hoje!
" Os Pixies, uma das bandas rock mais influentes de finais dos anos 80, vão ter um novo disco e nova digressão em 2004, noticiou ontem a MTV.com. O "site" da estação norte-americana diz que Black Francis, Kim Deal, Joey Santiago e David Lovering sanaram os conflitos que os levaram à separação, em 1992, e que a reunião acontecerá em Abril. Formados em 1986 em Boston, os Pixies marcaram o final da década com o seu rock abrasivo, que muitos viram como um renascimento do género. Embora associados ao nicho "alternativo", a influência dos Pixies viria a marcar o rock de massas nos anos 90. Ficou célebre a frase do líder dos Nirvana, Kurt Cobain, que afirmou ter tentado "copiar os Pixies" ao escrever temas como "Smells like teen spirit".
Com uma carreira assente no EP "Come On Pilgrim" e nos álbuns "Surfer Rosa", "Doolittle", "Bossanova" e "Trompe Le Monde", os Pixies chegaram ao fim após uma digressão de suporte aos U2, devido a conflitos entre os membros da banda. O principal compositor, vocalista e guitarrista Black Francis separou-se dos seus companheiros e começou a gravar a solo como Frank Black, sem o sucesso crítico e de vendas que conheceu como líder dos Pixies, tal como a baixista Kim Deal, que formou as Breeders. Os Pixies actuaram duas vezes em Portugal, em Junho de 1991, nos Coliseu de Lisboa e Porto"
os Pixies ameaçam voltar... ao menos uma boa notícia no público de hoje!
" Os Pixies, uma das bandas rock mais influentes de finais dos anos 80, vão ter um novo disco e nova digressão em 2004, noticiou ontem a MTV.com. O "site" da estação norte-americana diz que Black Francis, Kim Deal, Joey Santiago e David Lovering sanaram os conflitos que os levaram à separação, em 1992, e que a reunião acontecerá em Abril. Formados em 1986 em Boston, os Pixies marcaram o final da década com o seu rock abrasivo, que muitos viram como um renascimento do género. Embora associados ao nicho "alternativo", a influência dos Pixies viria a marcar o rock de massas nos anos 90. Ficou célebre a frase do líder dos Nirvana, Kurt Cobain, que afirmou ter tentado "copiar os Pixies" ao escrever temas como "Smells like teen spirit".
Com uma carreira assente no EP "Come On Pilgrim" e nos álbuns "Surfer Rosa", "Doolittle", "Bossanova" e "Trompe Le Monde", os Pixies chegaram ao fim após uma digressão de suporte aos U2, devido a conflitos entre os membros da banda. O principal compositor, vocalista e guitarrista Black Francis separou-se dos seus companheiros e começou a gravar a solo como Frank Black, sem o sucesso crítico e de vendas que conheceu como líder dos Pixies, tal como a baixista Kim Deal, que formou as Breeders. Os Pixies actuaram duas vezes em Portugal, em Junho de 1991, nos Coliseu de Lisboa e Porto"
# 3 - 11 de Setembro de 73 (II)
Quem fala assim não é gago!
"Queriamos construir uma revolução mais próxima de John Lennon do que de Lenine: Não uma segunda Cuba, mas sim um Socialismo à chilena, de empadas e vinho tinto. Mas aprendemos a viver com a certeza de ter perdido um País. Dezasseis anos de ditadura geraram uma transformação política , ideológica e física. E nas mentalidades. Desapareceu o velho País solidário e nasceu um país de merda, personalista, individualista. Há um sentimento de grande derrota, mas é difícil alguém sentir-se derrotado quando sabe que tinha razão."
Luis Sepúlveda, em entrevista à Visão de 04 de Setembro de 2003
Quem fala assim não é gago!
"Queriamos construir uma revolução mais próxima de John Lennon do que de Lenine: Não uma segunda Cuba, mas sim um Socialismo à chilena, de empadas e vinho tinto. Mas aprendemos a viver com a certeza de ter perdido um País. Dezasseis anos de ditadura geraram uma transformação política , ideológica e física. E nas mentalidades. Desapareceu o velho País solidário e nasceu um país de merda, personalista, individualista. Há um sentimento de grande derrota, mas é difícil alguém sentir-se derrotado quando sabe que tinha razão."
Luis Sepúlveda, em entrevista à Visão de 04 de Setembro de 2003
# 2 - 11 de Setembro de 73 (I)
COMPATRIOTAS:
Es posible que silencien las radios, y me despido de ustedes. Quizás sea ésta la última oportunidad en que me pueda dirigir a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las torres de Radio Portales y Radio Corporación.
Mis palabras no tienen amargura, sino decepción y serán ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron, soldados de Chile, comandantes en jefes titulares, el Almirante Merino, que se ha autoproclamado, el general Mendoza, general rastrero que sólo ayer manifestara su solidaridad, también se ha denominado Director General de Carabineros.
Ante estos hechos sólo me cabe decirle a los trabajadores: Yo no voy a renunciar. Colocado en un trance histórico pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Y les digo que tengo la certeza de que la semilla que entregáramos a la conciencia digna de miles y miles de chilenos no podrá ser segada definitivamente.
En nombre de los más sagrados intereses del pueblo, en nombre de la patria, los llamo a ustedes para que tengan fe. La historia no se detiene ni con la represión ni con el crimen. Esta es una etapa que será superada. Este es un momento duro y difícil. Es posible que nos aplasten, pero el mañana será del pueblo, será de los trabajadores. La humanidad avanza para la conquista de una vida mejor.
Trabajadores de mi patria: quiero agradecerles la lealtad que siempre tuvieron, la confianza que depositaron en un hombre que sólo fue intérprete de grandes anhelos de justicia, que empeñó su palabra en que respetaría la Constitución y la Ley, y así lo hizo.
Es éste el momento definitivo, el último en que yo pueda dirigirme a ustedes. Espero que aprovechen la lección. El capital foráneo, el imperialismo unido a la reacción, creó el clima para que las Fuerzas Armadas rompieran su tradición, la que señaló Schneider y reafirmara el comandante Araya, víctimas del mismo sector social que hoy estará en sus casas esperando con mano ajena conquistar el poder para seguir defendiendo sus granjerías y sus privilegios.
Me dirijo, sobre todo a la modesta mujer de nuestra tierra, a la campesina que creyó en nosotros, a la obrera que trabajó más, a la madre que supo de nuestra preocupación por los niños.
Me dirijo a los profesionales de la patria, a los profesionales patriotas, a los que hace días están trabajando contra la sedición auspiciada por los colegios profesionales, colegios de clase para defender también las ventajas de una sociedad capitalista.
Me dirijo a la juventud, a aquellos que cantaron y entregaron su alegría y su espíritu de lucha.
Me dirijo al hombre de Chile, al obrero, al campesino, al intelectual, a aquellos que serán perseguidos, porque en nuestro país el fascismo ya estuvo hace muchas horas presente, en los atentados terroristas, volando los puentes, cortando las vías férreas, destruyendo los oleoductos y los gaseoductos, frente al silencio de los que tenían la obligación de proceder. Estaban comprometidos. La historia los juzgará.
Seguramente radio Magallanes será acallada y el metal tranquilo de mi voz no llegará a ustedes. No importa, me seguirán oyendo. Siempre estaré junto a ustedes, por lo menos mi recuerdo será el de un hombre digno que fue leal con la patria.
El pueblo debe defenderse, pero no sacrificarse. El pueblo no debe dejarse arrasar ni acribillar, pero tampoco debe humillarse.
Trabajadores de mi patria, tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo, donde la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre para construir una sociedad mejor.
¡Viva Chile, viva el pueblo, vivan los trabajadores!
Estas son mis últimas palabras, teniendo la certeza de que el sacrificio no será en vano. Tengo la certeza de que, por lo menos, habrá una sanción moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición.
Salvador Allende
COMPATRIOTAS:
Es posible que silencien las radios, y me despido de ustedes. Quizás sea ésta la última oportunidad en que me pueda dirigir a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las torres de Radio Portales y Radio Corporación.
Mis palabras no tienen amargura, sino decepción y serán ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron, soldados de Chile, comandantes en jefes titulares, el Almirante Merino, que se ha autoproclamado, el general Mendoza, general rastrero que sólo ayer manifestara su solidaridad, también se ha denominado Director General de Carabineros.
Ante estos hechos sólo me cabe decirle a los trabajadores: Yo no voy a renunciar. Colocado en un trance histórico pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Y les digo que tengo la certeza de que la semilla que entregáramos a la conciencia digna de miles y miles de chilenos no podrá ser segada definitivamente.
En nombre de los más sagrados intereses del pueblo, en nombre de la patria, los llamo a ustedes para que tengan fe. La historia no se detiene ni con la represión ni con el crimen. Esta es una etapa que será superada. Este es un momento duro y difícil. Es posible que nos aplasten, pero el mañana será del pueblo, será de los trabajadores. La humanidad avanza para la conquista de una vida mejor.
Trabajadores de mi patria: quiero agradecerles la lealtad que siempre tuvieron, la confianza que depositaron en un hombre que sólo fue intérprete de grandes anhelos de justicia, que empeñó su palabra en que respetaría la Constitución y la Ley, y así lo hizo.
Es éste el momento definitivo, el último en que yo pueda dirigirme a ustedes. Espero que aprovechen la lección. El capital foráneo, el imperialismo unido a la reacción, creó el clima para que las Fuerzas Armadas rompieran su tradición, la que señaló Schneider y reafirmara el comandante Araya, víctimas del mismo sector social que hoy estará en sus casas esperando con mano ajena conquistar el poder para seguir defendiendo sus granjerías y sus privilegios.
Me dirijo, sobre todo a la modesta mujer de nuestra tierra, a la campesina que creyó en nosotros, a la obrera que trabajó más, a la madre que supo de nuestra preocupación por los niños.
Me dirijo a los profesionales de la patria, a los profesionales patriotas, a los que hace días están trabajando contra la sedición auspiciada por los colegios profesionales, colegios de clase para defender también las ventajas de una sociedad capitalista.
Me dirijo a la juventud, a aquellos que cantaron y entregaron su alegría y su espíritu de lucha.
Me dirijo al hombre de Chile, al obrero, al campesino, al intelectual, a aquellos que serán perseguidos, porque en nuestro país el fascismo ya estuvo hace muchas horas presente, en los atentados terroristas, volando los puentes, cortando las vías férreas, destruyendo los oleoductos y los gaseoductos, frente al silencio de los que tenían la obligación de proceder. Estaban comprometidos. La historia los juzgará.
Seguramente radio Magallanes será acallada y el metal tranquilo de mi voz no llegará a ustedes. No importa, me seguirán oyendo. Siempre estaré junto a ustedes, por lo menos mi recuerdo será el de un hombre digno que fue leal con la patria.
El pueblo debe defenderse, pero no sacrificarse. El pueblo no debe dejarse arrasar ni acribillar, pero tampoco debe humillarse.
Trabajadores de mi patria, tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo, donde la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre para construir una sociedad mejor.
¡Viva Chile, viva el pueblo, vivan los trabajadores!
Estas son mis últimas palabras, teniendo la certeza de que el sacrificio no será en vano. Tengo la certeza de que, por lo menos, habrá una sanción moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición.
Salvador Allende
#1
descobri que é possivel ir a pé a qualquer ponto da Suiça... todos os caminhos pedonais estão diligentemente marcados. Há também percursos para bicicicletas. andei que me fartei, mas ainda não me doiem os pés.
estive numa fabrica de chocolates, num vale que, todo ele, cheirava a chocolate... comi que me fartei e soube-me a pouco.
subi de teleférico a um glaciar a 3000m de altura - les diablets- e nevou-me na pinha... começo a perceber melhor o que leva alguns tipos ao ponto de deixarem o nariz nos oito mil.
voltei; aterrei às duas da tarde na portela, essa repartição diplomática do inferno.
a vida segue dentro de momentos
descobri que é possivel ir a pé a qualquer ponto da Suiça... todos os caminhos pedonais estão diligentemente marcados. Há também percursos para bicicicletas. andei que me fartei, mas ainda não me doiem os pés.
estive numa fabrica de chocolates, num vale que, todo ele, cheirava a chocolate... comi que me fartei e soube-me a pouco.
subi de teleférico a um glaciar a 3000m de altura - les diablets- e nevou-me na pinha... começo a perceber melhor o que leva alguns tipos ao ponto de deixarem o nariz nos oito mil.
voltei; aterrei às duas da tarde na portela, essa repartição diplomática do inferno.
a vida segue dentro de momentos
8.9.03
ola' a tod@s!
estou a escrever de um ibook, num teclado estranja, razoes de sobra para nao me entender com as teclas... :)
as ferias... apesar do tempo nublado, tudo vai pelo melhor: Os Alpes Suicos sao fantasticos, a cidade de Loussane muito bonita e interessante, cheia de iniciativas culturais e de dinamismo, cheia de portugueses e portuguesas por todo o lada ;).
pena é ser tudo tao caro... de cada vez que saco da carteira tenho de respirar fundo para nao me assustar com o que tenho de la tirar... mas tudo se leva com boa disposicao...
volto para os caminhos pedestres, para os passeios bucolicos no lago Geneve e para um cotidiano sem a agitacao do costume, com bons livros - destaco os tigres de Papel de olivier Roulin, ed. Asa.
até sabado.
estou a escrever de um ibook, num teclado estranja, razoes de sobra para nao me entender com as teclas... :)
as ferias... apesar do tempo nublado, tudo vai pelo melhor: Os Alpes Suicos sao fantasticos, a cidade de Loussane muito bonita e interessante, cheia de iniciativas culturais e de dinamismo, cheia de portugueses e portuguesas por todo o lada ;).
pena é ser tudo tao caro... de cada vez que saco da carteira tenho de respirar fundo para nao me assustar com o que tenho de la tirar... mas tudo se leva com boa disposicao...
volto para os caminhos pedestres, para os passeios bucolicos no lago Geneve e para um cotidiano sem a agitacao do costume, com bons livros - destaco os tigres de Papel de olivier Roulin, ed. Asa.
até sabado.
4.9.03
#2
estou com energia para passar a noite a postar, desfiando casualidades.
a verdade é que estou de partida, vou de novo para a estrada. desta vez vou de férias a sério, de mochila às costas, sem telemóvel, sem destino muito fixo. tenho um encontro marcado numa estação de comboio na Suiça amanhã a determinada hora e depois logo se vê...
se der para postar postarei, se não der... até daqui a dez dias!
estou com energia para passar a noite a postar, desfiando casualidades.
a verdade é que estou de partida, vou de novo para a estrada. desta vez vou de férias a sério, de mochila às costas, sem telemóvel, sem destino muito fixo. tenho um encontro marcado numa estação de comboio na Suiça amanhã a determinada hora e depois logo se vê...
se der para postar postarei, se não der... até daqui a dez dias!
#1
Eduardo Galeano sempre de olho aberto, falá-nos de terrorismo...
« (...) Otra definición [de terrorismo]. No es del FBI, sino de la mano anónima que la escribió en un muro del barrio de San Telmo, en Buenos Aires, en estos tiempos de crisis atroz. Y no se refiere al terrorismo internacional, sino a los medios masivos de comunicación: "Nos mean y los diarios dicen: Llueve".»
para quem não percebe a última frase, cá vai a tradução: "mijam-nos [em cima] e os diários dizem: chove"
o resto do texto pode ser encontrado em a veces soy buena
Eduardo Galeano sempre de olho aberto, falá-nos de terrorismo...
« (...) Otra definición [de terrorismo]. No es del FBI, sino de la mano anónima que la escribió en un muro del barrio de San Telmo, en Buenos Aires, en estos tiempos de crisis atroz. Y no se refiere al terrorismo internacional, sino a los medios masivos de comunicación: "Nos mean y los diarios dicen: Llueve".»
para quem não percebe a última frase, cá vai a tradução: "mijam-nos [em cima] e os diários dizem: chove"
o resto do texto pode ser encontrado em a veces soy buena
#2
reabriu o Agito Bar, depois de umas férias que, apesar de merecidas, desesperaram as ostes de habituais frequentadores e frequentadoras...
para quem não conhece, está situado na rua da Rosa, 261, ao Bairro Alto. Além de copos e comes, há música, exposições temporárias, um ponto de bookcrossing e muita animação.
reabriu o Agito Bar, depois de umas férias que, apesar de merecidas, desesperaram as ostes de habituais frequentadores e frequentadoras...
para quem não conhece, está situado na rua da Rosa, 261, ao Bairro Alto. Além de copos e comes, há música, exposições temporárias, um ponto de bookcrossing e muita animação.
3.9.03
2.9.03
1.9.03
Chile, 11 de Setembro de 1973
Estimados Amigos e Companheiros:
Pedimos que se re-envie este email aos vossos contactos se cosiderarem
oportuno.
Os chilenos antifascistas residentes em Portugal estamos preparando para
o dia 11 de Setembro às 21,30 horas, um acto no teatro La Comuna de
Lisboa, para recordar a Salvador Allende, Victor Jara e tantos milhares de chilenos assassinados pelo fascismo de Pinochet.
Dirigimo-nos a vossa Organização para pedir o apoio e participação neste
acto solidário, sabemos que sempre temos contado com os portugueses
antifascistas motivo pelo qual queremos novamente recurrir ao vosso
apoio.
O acto a que fazermos referencia será amplio, tentando a participação de
todas as forças da Esquerda portuguesa.
Terá um espectáculo com a participação musical de Manuel Freire,
Francisco Naia, Francisco Fanhais e Julián del Valle. Participará também a
Escritora Sônia Ferreira que acaba de lançar o seu livro Mulheres de Desaparecidos
(editora Ela por Ela) que está dedicado às heroicas mulheres chilenas
que tem sofrido este problema.
Cobraremos uma entrada simbólica de 5 Euros que servirá para cubrir os gastos relativos a este acto.
Julián del Valle
Portugal, 25 de Agosto de 2003.-
31.8.03
#2
Não pude deixar de ver Ken Park.
Ao contrário do que alguma crítica alvitra, penso que esta não é uma fita vazia e (tão só) voyeuer, mas sim mais um forte contributo para a compreensão desse fenómeno paranormal que é a sociedade americana, onde a adolescência e a própria mente humana acabam por estar na berlinda.
Pode existir uma qualquer sensação de déja vu - muito se fala do American Beauty de Sam Mendes, a mim lembra-me y tu madre tambien de Alfonso Cuarón -, mas prevalece o ponto de vista de Larry Clark. A questão da pornografia, num tempo em que a pedofilia é o credo na boca de muita gente, acaba por se revelar uma falsa questão... as imagens de sexo, presentes em tantos outros filmes, são enquadradas no argumento, e ajudam a responder àquela que, presumo, seja a intenção do filme, perguntar a qualquer um ou a qualquer uma: hei, quem és tu?
Não pude deixar de ver Ken Park.
Ao contrário do que alguma crítica alvitra, penso que esta não é uma fita vazia e (tão só) voyeuer, mas sim mais um forte contributo para a compreensão desse fenómeno paranormal que é a sociedade americana, onde a adolescência e a própria mente humana acabam por estar na berlinda.
Pode existir uma qualquer sensação de déja vu - muito se fala do American Beauty de Sam Mendes, a mim lembra-me y tu madre tambien de Alfonso Cuarón -, mas prevalece o ponto de vista de Larry Clark. A questão da pornografia, num tempo em que a pedofilia é o credo na boca de muita gente, acaba por se revelar uma falsa questão... as imagens de sexo, presentes em tantos outros filmes, são enquadradas no argumento, e ajudam a responder àquela que, presumo, seja a intenção do filme, perguntar a qualquer um ou a qualquer uma: hei, quem és tu?
#1
"I Have a Dream..."
"Cem anos depois [da proclamação de emancipação dos escravos americanos], a vida de um negro ainda está tristemente subjugada às algemas da segregação e às correntes da discriminação. Cem anos depois, um negro vive numa solitária ilha de pobreza no meio de um vasto oceano de properidade material. Cem anos depois, um negro ainda definha nos cantos da sociedade americana e é um exilado na sua própria terra."
"Devemos sempre conduzir a nossa luta no elevado plano da dignidade e da disciplina. Não devemos permitir que o nosso protesto criativo degenere em violência. Repetidamente devemos ascender às majestosas alturas de confrontar a força física com a força espiritual."
"Não podemos estar satisfeitos enquanto os nossos corpos, pesados com o cansaço de uma viagem, não possam ter abrigo nos móteis das autoestradas nem no hóteis das cidades. Não podemos estar satisfeitos enquanto a mobilidade de um negro seja de um gueto pequeno para um maior. Não podemos estar satisfeitos enquanto um negro no Mississipi não pode votar e um negro em Nova Iorque acredita que não tem motivos para votar."
"Tenho um sonho de que um dia esta nação irá erguer-se e cumprir o verdadeiro sentido do seu mote: 'Consideramos estas verdades auto-evidentes: que todos os homens são criados iguais' [citação da declaração de independência dos EUA]. Tenho um sonho de que um dia nas colinas vermelhas da Georgia os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos esclavagistas poderão sentar-se juntos a uma mesa de fraternidade."
"Tenho um sonho de que os meus quatro filhos poderão um dia viver numa nação onde serão julgados não pela cor da sua pele mas pelo conteúdo do seu carácter."
"Quando deixarmos a liberdade soar, quando a deixarmos soar em cada aldeia e cada povoado, em cada estado e cada cidade, seremos capazes de adiantar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, serão capazes de juntar mãos e cantar as palavras do antigo espiritual negro, 'Finalmente livres! Finalmente livres! Obrigado Deus todo-poderoso, somos finalmente livres!'"
Martin Luther King Jr
in Jornal Público, Quinta-feira, 28 de Agosto de 2003, 40 anos depois da Marcha Cívica
"I Have a Dream..."
"Cem anos depois [da proclamação de emancipação dos escravos americanos], a vida de um negro ainda está tristemente subjugada às algemas da segregação e às correntes da discriminação. Cem anos depois, um negro vive numa solitária ilha de pobreza no meio de um vasto oceano de properidade material. Cem anos depois, um negro ainda definha nos cantos da sociedade americana e é um exilado na sua própria terra."
"Devemos sempre conduzir a nossa luta no elevado plano da dignidade e da disciplina. Não devemos permitir que o nosso protesto criativo degenere em violência. Repetidamente devemos ascender às majestosas alturas de confrontar a força física com a força espiritual."
"Não podemos estar satisfeitos enquanto os nossos corpos, pesados com o cansaço de uma viagem, não possam ter abrigo nos móteis das autoestradas nem no hóteis das cidades. Não podemos estar satisfeitos enquanto a mobilidade de um negro seja de um gueto pequeno para um maior. Não podemos estar satisfeitos enquanto um negro no Mississipi não pode votar e um negro em Nova Iorque acredita que não tem motivos para votar."
"Tenho um sonho de que um dia esta nação irá erguer-se e cumprir o verdadeiro sentido do seu mote: 'Consideramos estas verdades auto-evidentes: que todos os homens são criados iguais' [citação da declaração de independência dos EUA]. Tenho um sonho de que um dia nas colinas vermelhas da Georgia os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos esclavagistas poderão sentar-se juntos a uma mesa de fraternidade."
"Tenho um sonho de que os meus quatro filhos poderão um dia viver numa nação onde serão julgados não pela cor da sua pele mas pelo conteúdo do seu carácter."
"Quando deixarmos a liberdade soar, quando a deixarmos soar em cada aldeia e cada povoado, em cada estado e cada cidade, seremos capazes de adiantar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, serão capazes de juntar mãos e cantar as palavras do antigo espiritual negro, 'Finalmente livres! Finalmente livres! Obrigado Deus todo-poderoso, somos finalmente livres!'"
Martin Luther King Jr
in Jornal Público, Quinta-feira, 28 de Agosto de 2003, 40 anos depois da Marcha Cívica
30.8.03
Armário de Especiarias e Ervas Aromáticas
Cerofólio, manjerona
malagueta, benjoim
noz moscada, cardomomo
salsa, sândalo, alecrim
erva doce, piripiri
cravinho, canela em pau
gengibre, menta, tomilho
pimpinela, colorau
zimbro, funcho, açafrão
oregãos, coentros, caril
azedas, louro, estragão
Jorge de Sousa Braga, in O Poeta Nu
Cerofólio, manjerona
malagueta, benjoim
noz moscada, cardomomo
salsa, sândalo, alecrim
erva doce, piripiri
cravinho, canela em pau
gengibre, menta, tomilho
pimpinela, colorau
zimbro, funcho, açafrão
oregãos, coentros, caril
azedas, louro, estragão
Jorge de Sousa Braga, in O Poeta Nu
26.8.03
23.8.03
De eléctrico
(Num carro para Campolide. Dia Sexual)
Uma mulher de carne azul,
semeadora de luas e de transes,
atravessou o vidro
e veio, voadora,
sentar-se no meu colo
na nudez reclinada
dum desdém de espelhos.
(Mas que bom! ninguém suspeita
que levo uma mulher nua nos joelhos.)
José Gomes Ferreira
(Num carro para Campolide. Dia Sexual)
Uma mulher de carne azul,
semeadora de luas e de transes,
atravessou o vidro
e veio, voadora,
sentar-se no meu colo
na nudez reclinada
dum desdém de espelhos.
(Mas que bom! ninguém suspeita
que levo uma mulher nua nos joelhos.)
José Gomes Ferreira
20.8.03
#4
(...)
baby
o que mais importa
a poesia está morta
mas juro qua não fui eu
tudo à minha volta são reclames
desejos
vãos
e sóis
tudo à minha volta são reclames
desejos
vãos
e só
(...)
Zeca Baleiro, in Mundo dos Negócios
(...)
baby
o que mais importa
a poesia está morta
mas juro qua não fui eu
tudo à minha volta são reclames
desejos
vãos
e sóis
tudo à minha volta são reclames
desejos
vãos
e só
(...)
Zeca Baleiro, in Mundo dos Negócios
19.8.03
#2
NÃO
Não formar nenhuma ideia
do que somos ou seremos
mas entre as vozes que fogem
precisar o que dizemos.
Dormir sonos ante-céus
abismos que são infernos.
Dormir em paz. Dormir paz,
enfim a nota segura.
Lembrar pessoas e dias
que penetram no espaço
de eventos primaveris.
E dar as mãos aos espectros
beijá-los lendas, perfis.
Amar a sombra, a penumbra
correr janelas e véus.
Saber que nada é verdade.
Dizer amor ao deserto
abraçar quem nos ignora
dormir com quem não nos vê
mas precisar do calor
de quem nunca nos encontra.
Natércia Freire, in Antologia Poética
NÃO
Não formar nenhuma ideia
do que somos ou seremos
mas entre as vozes que fogem
precisar o que dizemos.
Dormir sonos ante-céus
abismos que são infernos.
Dormir em paz. Dormir paz,
enfim a nota segura.
Lembrar pessoas e dias
que penetram no espaço
de eventos primaveris.
E dar as mãos aos espectros
beijá-los lendas, perfis.
Amar a sombra, a penumbra
correr janelas e véus.
Saber que nada é verdade.
Dizer amor ao deserto
abraçar quem nos ignora
dormir com quem não nos vê
mas precisar do calor
de quem nunca nos encontra.
Natércia Freire, in Antologia Poética
#1
LISBOA INFESTA
OS ABAIXO-ASSINADOS SÃO CONTRA O SOM QUE É IMPOSTO PELA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA A PARTIR DOS MAIS DE 100 ALTIFALANTES QUE ‘ORELHAM’ OS CANDEEIROS DA BAIXA LISBOETA DURANTE DOZE HORAS DO DIA.
Gostamos dos sons próprios de cada rua, de cada esquina e de cada momento.
Os abaixo-assinados são contra o ensombramento destes sons pela massa sonora contínua que escorre pelos altifalantes sobrepondo-se às conversas das pessoas na rua.
Porque gostamos da diferenciação dos usos que em cada espaço se vão gerando, não queremos a unificação do som, desta forma imposta, que tende a gerar a uniformização dos comportamentos retirando aos lugares e às pessoas a memória e o sabor da diferença.
Em consciência dos nossos direitos, sentimos a presença dos altifalantes como uma intervenção prepotente no espaço público.
NÃO QUEREMOS UMA CIDADE INSÍPIDA REDUZIDA A UM IMENSO ESPAÇO DE CONSUMO.
OS ABAIXO-ASSINADOS EXIGEM QUE OS ALTIFALANTES SEJAM DE IMEDIATO REMOVIDOS.
LISBOA INFESTA
OS ABAIXO-ASSINADOS SÃO CONTRA O SOM QUE É IMPOSTO PELA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA A PARTIR DOS MAIS DE 100 ALTIFALANTES QUE ‘ORELHAM’ OS CANDEEIROS DA BAIXA LISBOETA DURANTE DOZE HORAS DO DIA.
Gostamos dos sons próprios de cada rua, de cada esquina e de cada momento.
Os abaixo-assinados são contra o ensombramento destes sons pela massa sonora contínua que escorre pelos altifalantes sobrepondo-se às conversas das pessoas na rua.
Porque gostamos da diferenciação dos usos que em cada espaço se vão gerando, não queremos a unificação do som, desta forma imposta, que tende a gerar a uniformização dos comportamentos retirando aos lugares e às pessoas a memória e o sabor da diferença.
Em consciência dos nossos direitos, sentimos a presença dos altifalantes como uma intervenção prepotente no espaço público.
NÃO QUEREMOS UMA CIDADE INSÍPIDA REDUZIDA A UM IMENSO ESPAÇO DE CONSUMO.
OS ABAIXO-ASSINADOS EXIGEM QUE OS ALTIFALANTES SEJAM DE IMEDIATO REMOVIDOS.
18.8.03
a história de Magiolo Gonçalves enoja-me... um desertor das ex-colónias reciclado em heroi anticomuna que tinha medalhinhas de fátima e rezava pais nossos por timor e pelo PS... lá dizia o Sérgio Godinho que o heroi é aquele que foge para a frente!
esta orgia de mitos é a parábola quase perfeita da democracia que se instalou neste país após o 25 de Novembro de 1975; só lá faltou o cónego de melo a rezar a missa ou alberto joão a anunciar o nome do dito cujo para uma rua, um aeroporto ou um programa humanitário.
esta orgia de mitos é a parábola quase perfeita da democracia que se instalou neste país após o 25 de Novembro de 1975; só lá faltou o cónego de melo a rezar a missa ou alberto joão a anunciar o nome do dito cujo para uma rua, um aeroporto ou um programa humanitário.
17.8.03
olá. encontrei a nova que se segue, deixo o alerta e espero que sirva a alguém.
Domingo, 17 Agosto, pelas 19h, vai acontecer uma vigília no alto do
Parque Eduardo VII, junto aos jacarandás que vão ser abatidos para o início
das obras de construção de um túnel no Marquês de Pombal. A Câmara
Municipal já se pronunciou hoje em termos vergonhosos contra esta acção
convocada por um grupo de cidadãos.
A vossa (nossa) presença seria útil!
Domingo, 17 Agosto, pelas 19h, vai acontecer uma vigília no alto do
Parque Eduardo VII, junto aos jacarandás que vão ser abatidos para o início
das obras de construção de um túnel no Marquês de Pombal. A Câmara
Municipal já se pronunciou hoje em termos vergonhosos contra esta acção
convocada por um grupo de cidadãos.
A vossa (nossa) presença seria útil!
14.8.03
quero o silêncio do arco-irís
quero a alquímia das estações
quero as vogais todas abertas
quero ver partir os barcos
prenhos de interrogações
(...)
Jorge Palma in tempo dos assassinos
quero a alquímia das estações
quero as vogais todas abertas
quero ver partir os barcos
prenhos de interrogações
(...)
Jorge Palma in tempo dos assassinos
12.8.03
sobre o seu blogue, a teresa diz:Este blogue é absolutamente desnecessário
pela simples razão de que poderia nunca ser escrito e ninguém sentiria a sua falta.
Permitam-me discordar: apesar de parecerem um exercício umbiguista, alguns blogues também nos permitem sentir falta d@s outr@s de uma forma muito peculiar... são como que pequenas pegadas na areia dos dias.
pela simples razão de que poderia nunca ser escrito e ninguém sentiria a sua falta.
Permitam-me discordar: apesar de parecerem um exercício umbiguista, alguns blogues também nos permitem sentir falta d@s outr@s de uma forma muito peculiar... são como que pequenas pegadas na areia dos dias.
11.8.03
7.8.03
#3
estou apaixonado pela Carla Bruni! não pelas suas medidas de top model ou pela sua cara bonita - que só conheci agora - mas pela voz, pela harmonia musical e pela sua poesia sublime...
uma lufada de ar fresco num verão escaldante!
estou apaixonado pela Carla Bruni! não pelas suas medidas de top model ou pela sua cara bonita - que só conheci agora - mas pela voz, pela harmonia musical e pela sua poesia sublime...
uma lufada de ar fresco num verão escaldante!
#2
(...)
quando sei qui con me
questa stanza non ha più pareti
ma alberi, alberi infiniti
e tu sei vicino a me
questo soffito, viola, no
non esiste più, e vedo el cielo sopra a noi
che restiamo qui, abbandonati come se
non ci fosse più niente più niente al mondo
suona l'harmonica, ma sembra un organo
che canta per te e per me
su nell' immensità dell cielo
e per te e per me
Carla Bruni, in Le ciel dans ma chambre
(...)
quando sei qui con me
questa stanza non ha più pareti
ma alberi, alberi infiniti
e tu sei vicino a me
questo soffito, viola, no
non esiste più, e vedo el cielo sopra a noi
che restiamo qui, abbandonati come se
non ci fosse più niente più niente al mondo
suona l'harmonica, ma sembra un organo
che canta per te e per me
su nell' immensità dell cielo
e per te e per me
Carla Bruni, in Le ciel dans ma chambre
2.8.03
uns dias fora das redes do dia a dia, e não fico cansado de me espantar com as coisas raras que acontecem...
a que mais nauseou foi a história - que mais parece uma estória de mau gosto-, do navio chileno onde foram torturad@s centenas de homens e mulheres durante os anos de Pinochet. O dito navio, depois de ter vista a sua entrada recusada em alguns portos europeus, acabou por aportar em Ponta Delgada... temos um pais sem memória nenhuma e com muito pouca auto estima!
amnistia internacional entrou em acção, a denuncia foi feita para @s pouc@s que a quiseram ouvir.
depois da malfadada cimeira das Lajes, os Açores, terra maravilhosa e de tão boa gente, voltam a servir de abrigo para sombras negras deste mundo em que vivemos.
a que mais nauseou foi a história - que mais parece uma estória de mau gosto-, do navio chileno onde foram torturad@s centenas de homens e mulheres durante os anos de Pinochet. O dito navio, depois de ter vista a sua entrada recusada em alguns portos europeus, acabou por aportar em Ponta Delgada... temos um pais sem memória nenhuma e com muito pouca auto estima!
amnistia internacional entrou em acção, a denuncia foi feita para @s pouc@s que a quiseram ouvir.
depois da malfadada cimeira das Lajes, os Açores, terra maravilhosa e de tão boa gente, voltam a servir de abrigo para sombras negras deste mundo em que vivemos.
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