"(...)
- Quando era mais pequena, acreditava em Deus, era magnifico; havia qualquer coisa que me era exigida a cada instante; entao parecia-me que devia de facto existir. Era uma necessidade.
Sorri-lhe com simpatia.
- Creio que o seu problema é imaginar que as suas razoes de viver deviam cair do céu ja prontas: somos nos que as temos de criar! (...)"
Simone de Beauvoir, in O Sangue dos Outros
15.10.03
14.10.03
#1
como alguém ja uma vez disse, os meus olhos devem ter um sensor especial para pinturas de parede e para cartazers colados, especialmente quando estes ou aquelas sao portadores de uma mensagem socialmente importante...
ha uma pichagem que se repete pelas ruas da cidade, nao com o teu nome (como na cançao), mas com a seguinte frase:
- MAROTTI
+ MORETTI
ando a matutar nesta historia desde que via frase, ou seja, desde o dia em que cheguei.
ontem decidi perguntar quem é Marotti, segue a explicaçao:
Marotti é economista e é a ministra da educaçao do (des)governo de berlusconni. consta que a sua carreira profissional é muito rica, mas nunca fez nada ligado à educaçao... o que, no campo do neoliberalismo puro e duro, nao interessa la muito. o que interessa é que ela esta a dar cabo do sistema publico e a po-lo às ordens do capital, da finança e da igreja... onde é que ja ouvimos esta historia?
quanto ao Moretti nao precisamos de grandes apresentaçoes. O cineasta panfletario tornou-se na grande figura de oposiçao ao neofascismo italiano (alem da direita berlusconiana, ha dois partidos neofaxos no governo, a aliança nacionalde fini e a liga lombarda de bossi), substituindo na critica, e espicaçando, a principal força de oposiçao, os comunistas reciclados da democrata di sinistra. No entanto, Nanni nao abandona aqueles que diz estarem a dormir ... - quem nao se lembra do seu apelo desesperado em aprile... responde Dalema! - e este facto vale-lhe uma critica muito forte da esquerda mais ideologica, nao so partidaria como social e artistica, que o acusa de ter a mania que é um grande génio, de ser demasiado egocentrico e quixotesco...
a frase nao deixa de ser deliciosa!
até ja
como alguém ja uma vez disse, os meus olhos devem ter um sensor especial para pinturas de parede e para cartazers colados, especialmente quando estes ou aquelas sao portadores de uma mensagem socialmente importante...
ha uma pichagem que se repete pelas ruas da cidade, nao com o teu nome (como na cançao), mas com a seguinte frase:
- MAROTTI
+ MORETTI
ando a matutar nesta historia desde que via frase, ou seja, desde o dia em que cheguei.
ontem decidi perguntar quem é Marotti, segue a explicaçao:
Marotti é economista e é a ministra da educaçao do (des)governo de berlusconni. consta que a sua carreira profissional é muito rica, mas nunca fez nada ligado à educaçao... o que, no campo do neoliberalismo puro e duro, nao interessa la muito. o que interessa é que ela esta a dar cabo do sistema publico e a po-lo às ordens do capital, da finança e da igreja... onde é que ja ouvimos esta historia?
quanto ao Moretti nao precisamos de grandes apresentaçoes. O cineasta panfletario tornou-se na grande figura de oposiçao ao neofascismo italiano (alem da direita berlusconiana, ha dois partidos neofaxos no governo, a aliança nacionalde fini e a liga lombarda de bossi), substituindo na critica, e espicaçando, a principal força de oposiçao, os comunistas reciclados da democrata di sinistra. No entanto, Nanni nao abandona aqueles que diz estarem a dormir ... - quem nao se lembra do seu apelo desesperado em aprile... responde Dalema! - e este facto vale-lhe uma critica muito forte da esquerda mais ideologica, nao so partidaria como social e artistica, que o acusa de ter a mania que é um grande génio, de ser demasiado egocentrico e quixotesco...
a frase nao deixa de ser deliciosa!
até ja
13.10.03
# 2
o meu mundo onirico volta a dar sinais de vida, a chegar-se perto da memoria:
ontem sonhei com uma mulher que dançava. ela era alta, muito magra, com um sorriso e um olhar que transcendiam. dançava uma dança oriental, suave, com momentos que recordavam taishi ou um kata de karaté... existia, naquela dança, uma linguagem muito mais forte que a do corpo ou das palavras que a possam descrever, uma linguagem que nao sei dizer.
hoje sonhei que encontrava uma velha amiga. nao me lembro em que contexto ocorria tal encontro ou o que sucedeu. encontrei-a, ponto.
o meu mundo onirico volta a dar sinais de vida, a chegar-se perto da memoria:
ontem sonhei com uma mulher que dançava. ela era alta, muito magra, com um sorriso e um olhar que transcendiam. dançava uma dança oriental, suave, com momentos que recordavam taishi ou um kata de karaté... existia, naquela dança, uma linguagem muito mais forte que a do corpo ou das palavras que a possam descrever, uma linguagem que nao sei dizer.
hoje sonhei que encontrava uma velha amiga. nao me lembro em que contexto ocorria tal encontro ou o que sucedeu. encontrei-a, ponto.
# 1
fim de semana no campo, perto de Siena. perdi-me na extensao da paisagem, na clareza, nas cores da terra, das arvores e do céu... espalhei-me na leveza do ar.
no sabado houve boa comida e bebida, melhor companhia de velh@s (e nov@s) amig@s, numa festa ao fim da tarde com um grupo de musica tradicional e tudo.
no domingo houve um pic-nic com 3 amig@s, sendo que um é pintor. fomos para o monte, junto de uma capela medieval, comer e ver o artista a trabalhar... belissimo!
fim de semana no campo, perto de Siena. perdi-me na extensao da paisagem, na clareza, nas cores da terra, das arvores e do céu... espalhei-me na leveza do ar.
no sabado houve boa comida e bebida, melhor companhia de velh@s (e nov@s) amig@s, numa festa ao fim da tarde com um grupo de musica tradicional e tudo.
no domingo houve um pic-nic com 3 amig@s, sendo que um é pintor. fomos para o monte, junto de uma capela medieval, comer e ver o artista a trabalhar... belissimo!
9.10.03
# 5
siga a seta (traduçao livre)
Nada melhor que ir
pelo lado
oposto
ao que elas assinalam
mesmo sendo certo
- pelas redondezas do mundo
e essas coisas-
que um dia terminarao
apontando-nos
directamente ao coraçao
Nao ha nada
como ir
cantando
pelo outro lado
chorando por perder-se
Herman Rivera Letelier, in poesie senza patria
siga a seta (traduçao livre)
Nada melhor que ir
pelo lado
oposto
ao que elas assinalam
mesmo sendo certo
- pelas redondezas do mundo
e essas coisas-
que um dia terminarao
apontando-nos
directamente ao coraçao
Nao ha nada
como ir
cantando
pelo outro lado
chorando por perder-se
Herman Rivera Letelier, in poesie senza patria
# 3
a foto da aula de hoje terà, certamente, duas garrafas de vinho branco sienes - o famoso chianti é, descobri hoje, exclusivamente tinto-, picole pizza, textos lidos de pé nas cadeiras e poesia de Garcia Lorca em castelhano...
tudo em nome da lingua e da cultura!
como diriam os locais: ma che casino!
a foto da aula de hoje terà, certamente, duas garrafas de vinho branco sienes - o famoso chianti é, descobri hoje, exclusivamente tinto-, picole pizza, textos lidos de pé nas cadeiras e poesia de Garcia Lorca em castelhano...
tudo em nome da lingua e da cultura!
como diriam os locais: ma che casino!
8.10.03
um dos grandes problemas de Florenca e estar cheia daqueles seres com um sotaque estranho que conhecem quinze palavras no maximo (sendo duas delas you know e outras duas I mean), sorvedores de coca-cola e chefiados por um tipo com nome de arbusto e cerebro de amendoim demasiado torrado.
os dias tem variado entre o sol e a chuva, sendo o frio uma constante... de domingo para segunda a temperatura minima baixou dos 15 para os 7 graus! estas variacoes climatericas traduzem-se tambem em variacoes cromaticas bastante interessantes.
na casa onde vivo ha 4 maluc@s da minha especie... a casa e central, ao pe da linha do comboio - para nao me esquecer da minha condicao de classe suburbana... - e nao e uma casa, e um casarao... a sala, que e o meu quarto, tem uma area maior que a maior parte das casas a que estou habituado...
ando de bicicleta pela cidade, uma verdadeira aventura!
tenho feito progressos no italiano. o instituto e num palacio bastante bonito no centro, na via de St Egidio. a turma e composta maioritariamente por andaluzes, o que na pratica, da uma confusao linguistica dos diabos... conseuem imaginar andaluzes a falar qualquer outra lingua? e dificil...
ha momentos em que nao sei em que lingua falo! quem desespera com isto e o Carlo, o professor italianissimo de 1,60m, amante de cinema e que, como italiano e toscano que se preza, detesta o Berlusconi...
bom, vou apanhar sol e tentar nao ser atropelado pelas bicicletas
ate ja
os dias tem variado entre o sol e a chuva, sendo o frio uma constante... de domingo para segunda a temperatura minima baixou dos 15 para os 7 graus! estas variacoes climatericas traduzem-se tambem em variacoes cromaticas bastante interessantes.
na casa onde vivo ha 4 maluc@s da minha especie... a casa e central, ao pe da linha do comboio - para nao me esquecer da minha condicao de classe suburbana... - e nao e uma casa, e um casarao... a sala, que e o meu quarto, tem uma area maior que a maior parte das casas a que estou habituado...
ando de bicicleta pela cidade, uma verdadeira aventura!
tenho feito progressos no italiano. o instituto e num palacio bastante bonito no centro, na via de St Egidio. a turma e composta maioritariamente por andaluzes, o que na pratica, da uma confusao linguistica dos diabos... conseuem imaginar andaluzes a falar qualquer outra lingua? e dificil...
ha momentos em que nao sei em que lingua falo! quem desespera com isto e o Carlo, o professor italianissimo de 1,60m, amante de cinema e que, como italiano e toscano que se preza, detesta o Berlusconi...
bom, vou apanhar sol e tentar nao ser atropelado pelas bicicletas
ate ja
7.10.03
4.10.03
#4
todo o texto vale a pena... mas como estou com preguiça de o teclar, copio só um pormenor de caixa lateral.
O que você poupa em não viajar
ter de esperar pelo enterro
sentir a cabeça a encher
ser obrigado a perguntar, a olhar, a cheirar, a tocar
ter de voltar
perder um segundo duma monótona existência
fazer e desfazer malas
guardar histórias
saudades
António Risco, in Dna, 27 de Setembro de 2003
todo o texto vale a pena... mas como estou com preguiça de o teclar, copio só um pormenor de caixa lateral.
O que você poupa em não viajar
ter de esperar pelo enterro
sentir a cabeça a encher
ser obrigado a perguntar, a olhar, a cheirar, a tocar
ter de voltar
perder um segundo duma monótona existência
fazer e desfazer malas
guardar histórias
saudades
António Risco, in Dna, 27 de Setembro de 2003
#3
sabatical
I must admit i'm getting tired
of sitting on my cloud
well, heaven's not what i desired
eternety can wear you out
so i get lost on busy boulevards
forgot about my mission
drown in a pair of tempting eyes
cultivate my indecision
(...)
de-phazz, in dead by chocolate
sabatical
I must admit i'm getting tired
of sitting on my cloud
well, heaven's not what i desired
eternety can wear you out
so i get lost on busy boulevards
forgot about my mission
drown in a pair of tempting eyes
cultivate my indecision
(...)
de-phazz, in dead by chocolate
3.10.03
# 1
a Sofia dá-nos uma lista de Pequenos prazeres:
Chá e scones n'O Chá do Carmo, Largo do Carmo.
O pôr-do-sol no Castelo
de S. Jorge.
Uma fatia de Cheesecake no bar O'Gillians, Cais do Sodré.
Observar Lisboa da janela do eléctrico 28.
Um fim de tarde em frente ao Mar da Palha, no Parque das Nações.
Ler uma história para os meus alunos.
Um jantar sem horas.
O pequeno-almoço de sábado com jornais à mistura.
O frio húmido da Serra do Gerês.
Uma viagem de comboio ao longo do Rio Douro.
Adormecer com a chuva.
O chocolate quente do Café Astória em Braga.
Acordar na aldeia e ficar na cama com o silêncio.
Pisar as folhas secas de Outono.
Conversar com os meus avós à lareira.
Ouvir o crepitar das chamas e sentir a cara quase a ferver.
Ler
...e tudo o que seja música para os meus sentidos...
e eu acrescento-lhe alguns itens:
caminhar na areia, descalço
um copo de vinho, tinto
cozinhar, com demoras
ouvir o melro debaixo da minha janela, noite fora
um passeio madrugador, na serra de Sintra
um passeio a qualquer hora, na serra de Sintra
uma peça de teatro
cinema ao fim da tarde, num dia de semana
o som da caneta no papel
café no adamastor
jazz nas Catacumbas
rock no Jamaica
estudar o mapa da linha do metro
abrir um livro ao acaso, encontrar um poema
o cheiro da terra molhada e da erva cortada
(...)
a Sofia dá-nos uma lista de Pequenos prazeres:
Chá e scones n'O Chá do Carmo, Largo do Carmo.
O pôr-do-sol no Castelo
de S. Jorge.
Uma fatia de Cheesecake no bar O'Gillians, Cais do Sodré.
Observar Lisboa da janela do eléctrico 28.
Um fim de tarde em frente ao Mar da Palha, no Parque das Nações.
Ler uma história para os meus alunos.
Um jantar sem horas.
O pequeno-almoço de sábado com jornais à mistura.
O frio húmido da Serra do Gerês.
Uma viagem de comboio ao longo do Rio Douro.
Adormecer com a chuva.
O chocolate quente do Café Astória em Braga.
Acordar na aldeia e ficar na cama com o silêncio.
Pisar as folhas secas de Outono.
Conversar com os meus avós à lareira.
Ouvir o crepitar das chamas e sentir a cara quase a ferver.
Ler
...e tudo o que seja música para os meus sentidos...
e eu acrescento-lhe alguns itens:
caminhar na areia, descalço
um copo de vinho, tinto
cozinhar, com demoras
ouvir o melro debaixo da minha janela, noite fora
um passeio madrugador, na serra de Sintra
um passeio a qualquer hora, na serra de Sintra
uma peça de teatro
cinema ao fim da tarde, num dia de semana
o som da caneta no papel
café no adamastor
jazz nas Catacumbas
rock no Jamaica
estudar o mapa da linha do metro
abrir um livro ao acaso, encontrar um poema
o cheiro da terra molhada e da erva cortada
(...)
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