29.9.03

não sei o que escrever

27.9.03

I can't get no satisfaction...

26.9.03

#4

a madrugada avança pelo relógio. estou com a janela aberta porque o calor teima em não ir embora... acabo de ouvir, lá fora, uma coruja a piar!
o que fará por aqui? andará perdida? estará só de passagem ou veio fazer concorrencia ao melro que canta as primeiras horas do dia na árvore debaixo da janela?
que maravilha!
#3

viram que ultrapassámos as kinhentas visitas?
#2

e as faixas diziam:

Sábado, 27 de Setembro

Dia da Mobilização Global contra a Ocupação do Iraque

Bairro Alto, Lisboa (Encontro na esquina do Mezcal, à 1h de Sábado para Domingo)





# 1

estava a preparar-me para ir trabalhar até às oito da manhã quando me telefonou a Luisa, sugerindo fazer-me este turno em troca do de amanhã...
acabei empoleirado num escadote de 3m, pelas ruas do Bairro Alto, a pendurar faixas da attac... já tinha saudades de fazer desportos radicais!

24.9.03

no jardim da Gulbenkian, 1º dia de Outono

a luz Outonal faz contrastar as cores: o verde das árvores, o azul do céu e o doirado que se espalha em tudo. continua calor. parece que entrámos num tempo que se contradiz e, embora se pinte de outras cores, não quer avançar. é um tónico para a melancolia...

22.9.03

#2

andei à volta do meu arquivo pessoal, tentando dar-lhe alguma ordem; manifestos, revistas, jornais, entrevistas com escritores, autocolantes, panfletos, publicações, bilhetes de cinema, poemas, trechos de livros, desenhos, presentes de amig@s, diários de bordo meio escritos - e tantas coisas por escrever ... como sempre, o sentimento que fica é o de alguma frustração: sinto que não consigo o minimo de organização no acervo da minha existência.
#1

no dia sem (ES)carros, uma só solução:
andar por aí de carrinho de mão

21.9.03

Metrografismos: em tempo de equinócio, desfia-se a memória dos dias longos...

Calor

Tarde turquesa
Quarenta graus
Talvez porque você não esteja
tudo lateja
Tarde sem nuvem
Cincoenta graus
Talvez por sua ausência
tudo derreta
Noite sem ninguém
Nada se mexe
Eu sonho nosso amor a sério
E você em outro hemisfério
Enquanto tudo derrete
Enquanto tudo derrete
Enquanto tudo parece
Derreter

Adriana Calcanhotto in Cantada

18.9.03

# 3


Luis Sepúlveda (Ovalle, Chile, 1949) tem toda a sua obra publicada pela ASA, desde o livro que o projectou internacionalmente – O Velho Que Lia Romances de Amor – até ao mais recente O general e o juiz.

O General e o Juiz
As Rosas de Atacama
Contos Apátridas (colectânea)
Diário de um Killer Sentimental
Encontro de Amor num País em Guerra
História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar
Histórias do Mar (colectânea)
Mundo do Fim do Mundo
Nome de Toureiro
O Velho que Lia Romances de Amor
Patagónia Express




# 2

curiosamente, hoje recebi um mail da Sofia que me falava dele, e lembrei-me de algo que, em tempos escrevi...

ZORBAS

Há um lugar último
(sem crenças nem limites)
nesse vazio intenso
do coração.
Alimento-o a espaços
com sonhos que roubo
em túneis escuros,
pipas antigas,
de marinheiros impossíveis.
Nele
também tu ensinaste
(em noites de tempestade)
as gaivotas a voar.

André

17.9.03

#1

volto ao tema Luis Sepúlveda.
ontem assisti ao vivo, na fnac, a uma entrevista que lhe foi feita pela paula Moura Pinheiro. a conversa andou à volta do livro "O general e o juiz", que editou agora.
uma hora de sonho, e de sonhos que se perderam, de sonhos que estão por vir e por fazer...


16.9.03

voltei ao trabalho. nada de muito novo, até me deu gozo.
quando saí, pelas onze da noite, vim por aí fora a curtir o raro calor de uma noite de setembro. cheirava a plantas :)
no comboio acabei de ler o mais recente livro do Luis Sepúlveda. pelos diversos posts que aqui deixei nos últimos meses, penso não valer a pena reafirmar a minha admiração por este chileno-cidadão-do-mundo, pelo que não vou tecer todos os elogios que o homem e a obra merecem.
marte ainda se vê muito bem, muito vermelhinho no céu, mais destacado que qualquer outra estrela ou constelação.
para me dar um novo cartão um mês antes do previsto, o meu banco privou-me da utilização do velho cartão multibanco durante quinze dias... é surreal...
pior ainda é este estúpido sentimento de estar um bocado enrascado por não poder contar a qualquer momento com um simples pedaço de plástico com banda magnética!

12.9.03

# 4

os Pixies ameaçam voltar... ao menos uma boa notícia no público de hoje!

" Os Pixies, uma das bandas rock mais influentes de finais dos anos 80, vão ter um novo disco e nova digressão em 2004, noticiou ontem a MTV.com. O "site" da estação norte-americana diz que Black Francis, Kim Deal, Joey Santiago e David Lovering sanaram os conflitos que os levaram à separação, em 1992, e que a reunião acontecerá em Abril. Formados em 1986 em Boston, os Pixies marcaram o final da década com o seu rock abrasivo, que muitos viram como um renascimento do género. Embora associados ao nicho "alternativo", a influência dos Pixies viria a marcar o rock de massas nos anos 90. Ficou célebre a frase do líder dos Nirvana, Kurt Cobain, que afirmou ter tentado "copiar os Pixies" ao escrever temas como "Smells like teen spirit".

Com uma carreira assente no EP "Come On Pilgrim" e nos álbuns "Surfer Rosa", "Doolittle", "Bossanova" e "Trompe Le Monde", os Pixies chegaram ao fim após uma digressão de suporte aos U2, devido a conflitos entre os membros da banda. O principal compositor, vocalista e guitarrista Black Francis separou-se dos seus companheiros e começou a gravar a solo como Frank Black, sem o sucesso crítico e de vendas que conheceu como líder dos Pixies, tal como a baixista Kim Deal, que formou as Breeders. Os Pixies actuaram duas vezes em Portugal, em Junho de 1991, nos Coliseu de Lisboa e Porto"


# 3 - 11 de Setembro de 73 (II)

Quem fala assim não é gago!

"Queriamos construir uma revolução mais próxima de John Lennon do que de Lenine: Não uma segunda Cuba, mas sim um Socialismo à chilena, de empadas e vinho tinto. Mas aprendemos a viver com a certeza de ter perdido um País. Dezasseis anos de ditadura geraram uma transformação política , ideológica e física. E nas mentalidades. Desapareceu o velho País solidário e nasceu um país de merda, personalista, individualista. Há um sentimento de grande derrota, mas é difícil alguém sentir-se derrotado quando sabe que tinha razão."

Luis Sepúlveda, em entrevista à Visão de 04 de Setembro de 2003
# 2 - 11 de Setembro de 73 (I)

COMPATRIOTAS:

Es posible que silencien las radios, y me despido de ustedes. Quizás sea ésta la última oportunidad en que me pueda dirigir a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las torres de Radio Portales y Radio Corporación.

Mis palabras no tienen amargura, sino decepción y serán ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron, soldados de Chile, comandantes en jefes titulares, el Almirante Merino, que se ha autoproclamado, el general Mendoza, general rastrero que sólo ayer manifestara su solidaridad, también se ha denominado Director General de Carabineros.

Ante estos hechos sólo me cabe decirle a los trabajadores: Yo no voy a renunciar. Colocado en un trance histórico pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Y les digo que tengo la certeza de que la semilla que entregáramos a la conciencia digna de miles y miles de chilenos no podrá ser segada definitivamente.

En nombre de los más sagrados intereses del pueblo, en nombre de la patria, los llamo a ustedes para que tengan fe. La historia no se detiene ni con la represión ni con el crimen. Esta es una etapa que será superada. Este es un momento duro y difícil. Es posible que nos aplasten, pero el mañana será del pueblo, será de los trabajadores. La humanidad avanza para la conquista de una vida mejor.

Trabajadores de mi patria: quiero agradecerles la lealtad que siempre tuvieron, la confianza que depositaron en un hombre que sólo fue intérprete de grandes anhelos de justicia, que empeñó su palabra en que respetaría la Constitución y la Ley, y así lo hizo.

Es éste el momento definitivo, el último en que yo pueda dirigirme a ustedes. Espero que aprovechen la lección. El capital foráneo, el imperialismo unido a la reacción, creó el clima para que las Fuerzas Armadas rompieran su tradición, la que señaló Schneider y reafirmara el comandante Araya, víctimas del mismo sector social que hoy estará en sus casas esperando con mano ajena conquistar el poder para seguir defendiendo sus granjerías y sus privilegios.

Me dirijo, sobre todo a la modesta mujer de nuestra tierra, a la campesina que creyó en nosotros, a la obrera que trabajó más, a la madre que supo de nuestra preocupación por los niños.

Me dirijo a los profesionales de la patria, a los profesionales patriotas, a los que hace días están trabajando contra la sedición auspiciada por los colegios profesionales, colegios de clase para defender también las ventajas de una sociedad capitalista.

Me dirijo a la juventud, a aquellos que cantaron y entregaron su alegría y su espíritu de lucha.

Me dirijo al hombre de Chile, al obrero, al campesino, al intelectual, a aquellos que serán perseguidos, porque en nuestro país el fascismo ya estuvo hace muchas horas presente, en los atentados terroristas, volando los puentes, cortando las vías férreas, destruyendo los oleoductos y los gaseoductos, frente al silencio de los que tenían la obligación de proceder. Estaban comprometidos. La historia los juzgará.

Seguramente radio Magallanes será acallada y el metal tranquilo de mi voz no llegará a ustedes. No importa, me seguirán oyendo. Siempre estaré junto a ustedes, por lo menos mi recuerdo será el de un hombre digno que fue leal con la patria.

El pueblo debe defenderse, pero no sacrificarse. El pueblo no debe dejarse arrasar ni acribillar, pero tampoco debe humillarse.

Trabajadores de mi patria, tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo, donde la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre para construir una sociedad mejor.

¡Viva Chile, viva el pueblo, vivan los trabajadores!

Estas son mis últimas palabras, teniendo la certeza de que el sacrificio no será en vano. Tengo la certeza de que, por lo menos, habrá una sanción moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición.

Salvador Allende


#1

descobri que é possivel ir a pé a qualquer ponto da Suiça... todos os caminhos pedonais estão diligentemente marcados. Há também percursos para bicicicletas. andei que me fartei, mas ainda não me doiem os pés.
estive numa fabrica de chocolates, num vale que, todo ele, cheirava a chocolate... comi que me fartei e soube-me a pouco.
subi de teleférico a um glaciar a 3000m de altura - les diablets- e nevou-me na pinha... começo a perceber melhor o que leva alguns tipos ao ponto de deixarem o nariz nos oito mil.
voltei; aterrei às duas da tarde na portela, essa repartição diplomática do inferno.
a vida segue dentro de momentos

8.9.03

ola' a tod@s!
estou a escrever de um ibook, num teclado estranja, razoes de sobra para nao me entender com as teclas... :)
as ferias... apesar do tempo nublado, tudo vai pelo melhor: Os Alpes Suicos sao fantasticos, a cidade de Loussane muito bonita e interessante, cheia de iniciativas culturais e de dinamismo, cheia de portugueses e portuguesas por todo o lada ;).
pena é ser tudo tao caro... de cada vez que saco da carteira tenho de respirar fundo para nao me assustar com o que tenho de la tirar... mas tudo se leva com boa disposicao...
volto para os caminhos pedestres, para os passeios bucolicos no lago Geneve e para um cotidiano sem a agitacao do costume, com bons livros - destaco os tigres de Papel de olivier Roulin, ed. Asa.
até sabado.

4.9.03

#3

got the wells, petrol is cheap...

U2, miami
#2

estou com energia para passar a noite a postar, desfiando casualidades.
a verdade é que estou de partida, vou de novo para a estrada. desta vez vou de férias a sério, de mochila às costas, sem telemóvel, sem destino muito fixo. tenho um encontro marcado numa estação de comboio na Suiça amanhã a determinada hora e depois logo se vê...
se der para postar postarei, se não der... até daqui a dez dias!

#1

Eduardo Galeano sempre de olho aberto, falá-nos de terrorismo...

« (...) Otra definición [de terrorismo]. No es del FBI, sino de la mano anónima que la escribió en un muro del barrio de San Telmo, en Buenos Aires, en estos tiempos de crisis atroz. Y no se refiere al terrorismo internacional, sino a los medios masivos de comunicación: "Nos mean y los diarios dicen: Llueve".»

para quem não percebe a última frase, cá vai a tradução: "mijam-nos [em cima] e os diários dizem: chove"
o resto do texto pode ser encontrado em a veces soy buena


#2

reabriu o Agito Bar, depois de umas férias que, apesar de merecidas, desesperaram as ostes de habituais frequentadores e frequentadoras...
para quem não conhece, está situado na rua da Rosa, 261, ao Bairro Alto. Além de copos e comes, há música, exposições temporárias, um ponto de bookcrossing e muita animação.

3.9.03

(...)
after years of waiting
after years of waiting
nothing came and you realise
you're looking in
looking in the wrong place
i'm a reasonable man get off my case
get off my case get off my case
i'm a reasonable man get off my case
(...)

Radiohead, Amnesiac

2.9.03

Ver partir um velho amigo é sempre difícil - mesmo sendo ele um cão de gostos subtis, resmungão e que até me inutilizou a mão esquerda por duas semanas com uma dentada...

1.9.03


Chile, 11 de Setembro de 1973



Estimados Amigos e Companheiros:

Pedimos que se re-envie este email aos vossos contactos se cosiderarem
oportuno.

Os chilenos antifascistas residentes em Portugal estamos preparando para
o dia 11 de Setembro às 21,30 horas, um acto no teatro La Comuna de
Lisboa, para recordar a Salvador Allende, Victor Jara e tantos milhares de chilenos assassinados pelo fascismo de Pinochet.
Dirigimo-nos a vossa Organização para pedir o apoio e participação neste
acto solidário, sabemos que sempre temos contado com os portugueses
antifascistas motivo pelo qual queremos novamente recurrir ao vosso
apoio.
O acto a que fazermos referencia será amplio, tentando a participação de
todas as forças da Esquerda portuguesa.
Terá um espectáculo com a participação musical de Manuel Freire,
Francisco Naia, Francisco Fanhais e Julián del Valle. Participará também a
Escritora Sônia Ferreira que acaba de lançar o seu livro Mulheres de Desaparecidos
(editora Ela por Ela) que está dedicado às heroicas mulheres chilenas
que tem sofrido este problema.
Cobraremos uma entrada simbólica de 5 Euros que servirá para cubrir os gastos relativos a este acto.

Julián del Valle
Portugal, 25 de Agosto de 2003.-

31.8.03

#3

O concerto do Kepa Junkera na Fábrica da Pólvora, Barcarena, foi realmente explosivo!
#2

Não pude deixar de ver Ken Park.
Ao contrário do que alguma crítica alvitra, penso que esta não é uma fita vazia e (tão só) voyeuer, mas sim mais um forte contributo para a compreensão desse fenómeno paranormal que é a sociedade americana, onde a adolescência e a própria mente humana acabam por estar na berlinda.
Pode existir uma qualquer sensação de déja vu - muito se fala do American Beauty de Sam Mendes, a mim lembra-me y tu madre tambien de Alfonso Cuarón -, mas prevalece o ponto de vista de Larry Clark. A questão da pornografia, num tempo em que a pedofilia é o credo na boca de muita gente, acaba por se revelar uma falsa questão... as imagens de sexo, presentes em tantos outros filmes, são enquadradas no argumento, e ajudam a responder àquela que, presumo, seja a intenção do filme, perguntar a qualquer um ou a qualquer uma: hei, quem és tu?
#1

"I Have a Dream..."

"Cem anos depois [da proclamação de emancipação dos escravos americanos], a vida de um negro ainda está tristemente subjugada às algemas da segregação e às correntes da discriminação. Cem anos depois, um negro vive numa solitária ilha de pobreza no meio de um vasto oceano de properidade material. Cem anos depois, um negro ainda definha nos cantos da sociedade americana e é um exilado na sua própria terra."

"Devemos sempre conduzir a nossa luta no elevado plano da dignidade e da disciplina. Não devemos permitir que o nosso protesto criativo degenere em violência. Repetidamente devemos ascender às majestosas alturas de confrontar a força física com a força espiritual."

"Não podemos estar satisfeitos enquanto os nossos corpos, pesados com o cansaço de uma viagem, não possam ter abrigo nos móteis das autoestradas nem no hóteis das cidades. Não podemos estar satisfeitos enquanto a mobilidade de um negro seja de um gueto pequeno para um maior. Não podemos estar satisfeitos enquanto um negro no Mississipi não pode votar e um negro em Nova Iorque acredita que não tem motivos para votar."

"Tenho um sonho de que um dia esta nação irá erguer-se e cumprir o verdadeiro sentido do seu mote: 'Consideramos estas verdades auto-evidentes: que todos os homens são criados iguais' [citação da declaração de independência dos EUA]. Tenho um sonho de que um dia nas colinas vermelhas da Georgia os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos esclavagistas poderão sentar-se juntos a uma mesa de fraternidade."

"Tenho um sonho de que os meus quatro filhos poderão um dia viver numa nação onde serão julgados não pela cor da sua pele mas pelo conteúdo do seu carácter."

"Quando deixarmos a liberdade soar, quando a deixarmos soar em cada aldeia e cada povoado, em cada estado e cada cidade, seremos capazes de adiantar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, serão capazes de juntar mãos e cantar as palavras do antigo espiritual negro, 'Finalmente livres! Finalmente livres! Obrigado Deus todo-poderoso, somos finalmente livres!'"

Martin Luther King Jr

in Jornal Público, Quinta-feira, 28 de Agosto de 2003, 40 anos depois da Marcha Cívica

30.8.03

Armário de Especiarias e Ervas Aromáticas

Cerofólio, manjerona
malagueta, benjoim
noz moscada, cardomomo
salsa, sândalo, alecrim

erva doce, piripiri
cravinho, canela em pau
gengibre, menta, tomilho
pimpinela, colorau

zimbro, funcho, açafrão
oregãos, coentros, caril
azedas, louro, estragão

Jorge de Sousa Braga, in O Poeta Nu

26.8.03

Coisas deste mundo...
1- Nasceu a Maria, uma estrelinha sobre o mar, um sol para a Sónia e o Zé.
2- Marte anda aí... e não ataca!

23.8.03

De eléctrico

(Num carro para Campolide. Dia Sexual)

Uma mulher de carne azul,
semeadora de luas e de transes,
atravessou o vidro
e veio, voadora,
sentar-se no meu colo
na nudez reclinada
dum desdém de espelhos.

(Mas que bom! ninguém suspeita
que levo uma mulher nua nos joelhos.)

José Gomes Ferreira
Como num poema de Otávio Paz

Fogem de mim
silêncios.
Nas tuas mãos
prudentes
a tinta indelével
com que escrevo
um código desconhecido,
a catarse do tempo.
Palavras soltas
que dizem,
em traços ligeiros,
a inquietação.


André

20.8.03

#4

(...)
baby
o que mais importa
a poesia está morta
mas juro qua não fui eu
tudo à minha volta são reclames
desejos
vãos
e sóis
tudo à minha volta são reclames
desejos
vãos
e só
(...)

Zeca Baleiro, in Mundo dos Negócios
#3

sobre o que se passou no Iraque, lá diz o povo que quem semeia ventos colhe tempestades...

19.8.03

#2

NÃO

Não formar nenhuma ideia
do que somos ou seremos
mas entre as vozes que fogem
precisar o que dizemos.
Dormir sonos ante-céus
abismos que são infernos.
Dormir em paz. Dormir paz,
enfim a nota segura.
Lembrar pessoas e dias
que penetram no espaço
de eventos primaveris.
E dar as mãos aos espectros
beijá-los lendas, perfis.
Amar a sombra, a penumbra
correr janelas e véus.
Saber que nada é verdade.
Dizer amor ao deserto
abraçar quem nos ignora
dormir com quem não nos vê
mas precisar do calor
de quem nunca nos encontra.

Natércia Freire, in Antologia Poética
#1


LISBOA INFESTA

OS ABAIXO-ASSINADOS SÃO CONTRA O SOM QUE É IMPOSTO PELA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA A PARTIR DOS MAIS DE 100 ALTIFALANTES QUE ‘ORELHAM’ OS CANDEEIROS DA BAIXA LISBOETA DURANTE DOZE HORAS DO DIA.

Gostamos dos sons próprios de cada rua, de cada esquina e de cada momento.
Os abaixo-assinados são contra o ensombramento destes sons pela massa sonora contínua que escorre pelos altifalantes sobrepondo-se às conversas das pessoas na rua.

Porque gostamos da diferenciação dos usos que em cada espaço se vão gerando, não queremos a unificação do som, desta forma imposta, que tende a gerar a uniformização dos comportamentos retirando aos lugares e às pessoas a memória e o sabor da diferença.

Em consciência dos nossos direitos, sentimos a presença dos altifalantes como uma intervenção prepotente no espaço público.

NÃO QUEREMOS UMA CIDADE INSÍPIDA REDUZIDA A UM IMENSO ESPAÇO DE CONSUMO.
OS ABAIXO-ASSINADOS EXIGEM QUE OS ALTIFALANTES SEJAM DE IMEDIATO REMOVIDOS.


18.8.03

a história de Magiolo Gonçalves enoja-me... um desertor das ex-colónias reciclado em heroi anticomuna que tinha medalhinhas de fátima e rezava pais nossos por timor e pelo PS... lá dizia o Sérgio Godinho que o heroi é aquele que foge para a frente!
esta orgia de mitos é a parábola quase perfeita da democracia que se instalou neste país após o 25 de Novembro de 1975; só lá faltou o cónego de melo a rezar a missa ou alberto joão a anunciar o nome do dito cujo para uma rua, um aeroporto ou um programa humanitário.

17.8.03

olá. encontrei a nova que se segue, deixo o alerta e espero que sirva a alguém.

Domingo, 17 Agosto, pelas 19h, vai acontecer uma vigília no alto do
Parque Eduardo VII, junto aos jacarandás que vão ser abatidos para o início
das obras de construção de um túnel no Marquês de Pombal. A Câmara
Municipal já se pronunciou hoje em termos vergonhosos contra esta acção
convocada por um grupo de cidadãos.
A vossa (nossa) presença seria útil!


16.8.03

mar, sol, areia e conchas... uma fuga à rotina não faz mal a ninguém.

14.8.03

quero o silêncio do arco-irís
quero a alquímia das estações
quero as vogais todas abertas
quero ver partir os barcos
prenhos de interrogações
(...)

Jorge Palma in tempo dos assassinos

12.8.03

sobre o seu blogue, a teresa diz:Este blogue é absolutamente desnecessário
pela simples razão de que poderia nunca ser escrito e ninguém sentiria a sua falta
.
Permitam-me discordar: apesar de parecerem um exercício umbiguista, alguns blogues também nos permitem sentir falta d@s outr@s de uma forma muito peculiar... são como que pequenas pegadas na areia dos dias.



11.8.03

soubesse explicar esta lua enorme e alaranjada que nos encima
e não teria a boca seca, incendiada de dúvida e desejo

7.8.03

#3

estou apaixonado pela Carla Bruni! não pelas suas medidas de top model ou pela sua cara bonita - que só conheci agora - mas pela voz, pela harmonia musical e pela sua poesia sublime...
uma lufada de ar fresco num verão escaldante!
#2

(...)
quando sei qui con me
questa stanza non ha più pareti
ma alberi, alberi infiniti
e tu sei vicino a me
questo soffito, viola, no
non esiste più, e vedo el cielo sopra a noi
che restiamo qui, abbandonati come se
non ci fosse più niente più niente al mondo
suona l'harmonica, ma sembra un organo
che canta per te e per me
su nell' immensità dell cielo
e per te e per me

Carla Bruni, in Le ciel dans ma chambre
# 1
tá tanto calor que até as ideias se colam!

2.8.03

uns dias fora das redes do dia a dia, e não fico cansado de me espantar com as coisas raras que acontecem...
a que mais nauseou foi a história - que mais parece uma estória de mau gosto-, do navio chileno onde foram torturad@s centenas de homens e mulheres durante os anos de Pinochet. O dito navio, depois de ter vista a sua entrada recusada em alguns portos europeus, acabou por aportar em Ponta Delgada... temos um pais sem memória nenhuma e com muito pouca auto estima!
amnistia internacional entrou em acção, a denuncia foi feita para @s pouc@s que a quiseram ouvir.
depois da malfadada cimeira das Lajes, os Açores, terra maravilhosa e de tão boa gente, voltam a servir de abrigo para sombras negras deste mundo em que vivemos.

27.7.03

#4

vou de novo para a estrada, volto daqui a uma semana com novas e frescas.

#3
metrografismos: imagens instantaneas, casuais, a metro, sempre em reinvenção, há um mês numa bloggosfera perto de ti.
#2
mudei de casa, fiquei pior
mudei de emprego, foi um horror
mudei de musa, não resultou
aqui há gato, quem me tramou?

Gaiteiros de Lisboa, in Macareú
#1
cá estou de novo, de passagem pelas teclas... já tinha saudades de bloggar um pouco!
andei pela Galiza, fui a Santiago de Compostela às comemorações do 25 de Julho, dia do santo e da patria Galega.
entre muita chuva, algum stress, muita alegria, boa queimada e melhor comida, matei saudades de amig@s e de uma cidade que, apesar de ter dezenas de padres por metro quadrado, me encanta.
nos entretantos, tive oportunidade de ir a uma grande manifestação da plataforma Nunca Mais, onde se relembrou o desastre, ainda presente, do Prestige, e aos concerto do FestiGal 03, dos quais destaco Paulo Lenine - uma deliciosa aparição na minha pesquisa musical - e os Gaiteiros de Lisboa - uma deliciosa, e sempre bem vinda, repetição.
dias cheios, dias em cheio.

20.7.03

Vinha eu no metro pelo cair da tarde, quando, na Alameda, as carruagens foram subitamente ocupadas por centenas de noruegueses/as, tod@s de igual... parte de uma das equipas de ginástica que tomam conta de Lisboa nestes dias - não se fala muito deste campeonato de ginástica porque o futebol é que induca, já se vê!
Enquanto me deliciava com a alegria e a cor de um bando de atletas ensolarad@s, só me lembrava das invasões barbaras dos Gaiteiros de Lisboa.

19.7.03

#2

cento e alguns visitantes, entramos na (h)era dos três digitos! boas navegações!
#1
esqueço-me frequentemente das regras,
a minha impulsividade altera-me o animo na sua duração,
sou demasiado realista e nada calculista,
começo a desconfiar de que não gosto de jogar ;)

16.7.03

Tua beleza esquece-se
de mim.

Sou um marco da estrada:
tu passas, olhas e páras
apenas
para medir a distância
que te separa do fim.

Tua Beleza distrai-se
e concentra-se em mim.


Albano Martins, in Secura Verde

15.7.03

requiem por Compay Segundo:
um travo de havano, um copo de rum, uma salsa, uma mulher bonita e três gargalhadas criolas.

14.7.03

ser ou não ser? eis a questão
que nos ocupa (inutilmente?) parte significativa do tempo.

13.7.03

Em tempo de poucas palavras resta-me sempre a Poesia.


A MEU FAVOR

A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer

A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.

Alexandre O'neill, in No Reino da Dinamarca

11.7.03

Incendiar as naus

Incendiar as naus
para que não nos sigam
as sombras velhas
pela terra nova

para os que vão comigo
não pensem que é possivel
voltar a ser o que eram
no país perdido

para que pelas costas
só encontremos o mar
e pela frente o desconhecido

para que sobre o incêndio
caminhemos sem medo
aqui e agora

Homero Aridjis

7.7.03

" - (...) Dá-me um eufemsimo, mano.
- Um quê? - perguntou o taberneiro.
- Um cubalibre. (...)"

Luis Sepúlveda, in Nome de Toureiro

6.7.03

# 3
Fui à Aula Magna de Lx assistir ao Concerto Reafirmar as Cantigas do Maio, organizado pela Ass. José Afonso.
Se a Galega Uxia me encheu o peito de ar com a sua voz e alegria, os irmãos Samir e Wissam Jourban conseguiram, com os seus alaudes e as histórias do último cerco de Ramallah, cortar-me a respiração.
Espero que esta seja a força que faltava para As Cantigas regressarem ao formato de festival, sempre, e cada vez, com mais qualidade.
# 2

@s Galeg@s que conheci este ano em Lisboa regressam a casa após terem terminado o Erasmus... amig@s adoráveis, pessoas maravilhosas, lutadores/as incansáveis...
Juntos formámos a plataforma NUNCA MAIS de Lisboa, que desenvolveu, tal como lá, actividade solidária com o povo Galego na sua luta contra as marés negras e o esquecimento.
Vão fazer-nos falta.
#1
na noite passada sonhei que encontrava um autocarro de dois andares- daqueles bem antigos, da Carris - à porta do Jardim Botânico...
raramente me lembro dos sonhos, espero que este tenha vindo à tona da memória, talvez para me adivinhar viagens memoráveis.

4.7.03

ManiFESTAcção
Nem só um geninho prò Iraque

O Governo quer 120 GNRs no Iraque - Nem um só geninho prò Iraque - Basta de mentiras e sangue por petróleo!
Manifesta acção contra o envio de GNRs para o Iraque, com festa e música.

Uma iniciativa da ATTAC

3.7.03

(...)
Se meto os pés para dentro, a partir de agora
Eu meto-os para fora
Se dizia o que penso, eu posso estar atento
E pensar para dentro
Se queres que seja duro, muito bem eu serei duro
Se queres que seja doce, serei doce, ai isso juro
Eu quero é ser o tal
E como o tal reconhecido
Assim, digo-te ao ouvido

Arranja-me um emprego
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, concerteza
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego

(...) Sérgio Godinho

2.7.03

O Girassol Anarquista

Olhou para o céu
e gritou
“ um dia ainda rodarás
de cada vez que eu me virar! “

André

1.7.03

sem a ajuda da teresa não tinha nem metade do blog... depois de muitas dicas, hoje conseguimos, numa parceria online, instalar aqui o contador... obrigado!!!
Ainda está escuro, mas já estamos num outro mês... e o céu continua bordado a cinzento, como se fosse Fevereiro, com a lua , escondida, a acentuar-lhe o jogo de tons. Contento-me com jazz, vagueando nos desejos dispertos por Uma noite na Tunisia.

30.6.03

nestes dias em que o meu ritmo circadiano anda às voltas consigo mesmo, só me vem à cabeça a canção dos REM...

I see today with a newsprint fray
my night is colored headache grey
don't wake me with so much.
daysleeper.

I cried the other night
I can't even say why
fluorescent flat caffeine lights
its furious balancing

29.6.03

“ Os tremores de terra, dizem os cientistas, são fenómenos frequentes. Falando de todo o globo, registam-se uns quinze mil sismos por década. A estabilidade é que é rara. O anormal, o extremo, o operático, o extravagante: eis a regra. A vida normal é uma coisa que não existe. E, no entanto, é dela que precisamos, da casa que construímos para nos defendermos do lobo mau da mudança. E se, no fim de contas, o lobo é a realidade, a casa é a nossa melhor defesa contra a tempestade: chamemos-lhe civilização. Construímos as nossas casas de palha ou de tijolo não só contra a vulpina instabilidade dos tempos mas também contra a nossa natureza predatória; contra o lobo que temos dentro de nós.
Este é um modo de ver. Uma casa também pode ser uma prisão. Os grandes lobos (perguntem a Mowgli, a Romulo e Remo, a Kevin Costner, não temos de acreditar sempre nos 3 porquinhos) não são obrigatoriamente maus. (...)”

Salman Rushdie, In “O chão que ela pisa ”

28.6.03

"Parecera o começo da felicidade, e às vezes, passados mais de trinta anos, ela ainda se sente chocada ao dar-se conta de que foi felicidade, de que toda a experiência se encontra num beijo e num passeio, na previsão de um jantar e de um livro. O jantar foi, entretanto, esquecido; a Lessing foi há muito ofuscada por outros escritores, e até o sexo, depois de ela e Richard terem chegado a esse ponto, foi ardente, mas embaraçoso, insatisfatório, mais aprazivel do que apaixonado. O que continua a viver, intacto, na memória de Clarissa, decorridads mais de três décadas, é um beijo no crepúsculo, num retalho de erva seca, e um passeio à volta de uma lagoa, enquanto zumbiam mosquitos no ar que escurecia. Ainda permanece nessa perfeição singular, e é perfeição, em parte, porque pareceu, na altura, prometer tão claramente mais. Ela agora sabe: esse foi o momento, exactamente esse. Não houve nenhum outro."

Michel Cunniigham, in As Horas

27.6.03

um poema de Jorge de Sousa Braga para quem andar por aqui a navegar

Afluentes

Que sabe un rio dos seus afluentes? E os afluentes dos subafluentes?
E estes dos pequenos regatos da montanha? Os rios não têm memória.
(Embora digam que a memória é um rio.)

Têm água. E nós sede.

26.6.03

adormecer a pensar nisto...
acordar radiante porque parece existir...
sobressaltar-me só de pensar...
correr para o computador e nem ligar o email e as páginas de sempre...
blogopaixão?
bom... parece que isto funciona

Metrografismos


1

A solidão é
um copo de plástico
amarelo-vazio e
três notas festivas
num acordeão
melancólico

2

Semioptica do desejo:
letras vermelhas em
constelação repetitiva,
modelando a comunicação
na noite dos túneis

3

Cidade que rodopia
nas próprias entranhas
Não olhar de frente
os estranhos
é regra para que
não se faça luz
sobre o que somos


4

clic
um poema
sem métrica
uma imagem de nada
que se faz no metro

André