#3
O concerto do Kepa Junkera na Fábrica da Pólvora, Barcarena, foi realmente explosivo!
31.8.03
#2
Não pude deixar de ver Ken Park.
Ao contrário do que alguma crítica alvitra, penso que esta não é uma fita vazia e (tão só) voyeuer, mas sim mais um forte contributo para a compreensão desse fenómeno paranormal que é a sociedade americana, onde a adolescência e a própria mente humana acabam por estar na berlinda.
Pode existir uma qualquer sensação de déja vu - muito se fala do American Beauty de Sam Mendes, a mim lembra-me y tu madre tambien de Alfonso Cuarón -, mas prevalece o ponto de vista de Larry Clark. A questão da pornografia, num tempo em que a pedofilia é o credo na boca de muita gente, acaba por se revelar uma falsa questão... as imagens de sexo, presentes em tantos outros filmes, são enquadradas no argumento, e ajudam a responder àquela que, presumo, seja a intenção do filme, perguntar a qualquer um ou a qualquer uma: hei, quem és tu?
Não pude deixar de ver Ken Park.
Ao contrário do que alguma crítica alvitra, penso que esta não é uma fita vazia e (tão só) voyeuer, mas sim mais um forte contributo para a compreensão desse fenómeno paranormal que é a sociedade americana, onde a adolescência e a própria mente humana acabam por estar na berlinda.
Pode existir uma qualquer sensação de déja vu - muito se fala do American Beauty de Sam Mendes, a mim lembra-me y tu madre tambien de Alfonso Cuarón -, mas prevalece o ponto de vista de Larry Clark. A questão da pornografia, num tempo em que a pedofilia é o credo na boca de muita gente, acaba por se revelar uma falsa questão... as imagens de sexo, presentes em tantos outros filmes, são enquadradas no argumento, e ajudam a responder àquela que, presumo, seja a intenção do filme, perguntar a qualquer um ou a qualquer uma: hei, quem és tu?
#1
"I Have a Dream..."
"Cem anos depois [da proclamação de emancipação dos escravos americanos], a vida de um negro ainda está tristemente subjugada às algemas da segregação e às correntes da discriminação. Cem anos depois, um negro vive numa solitária ilha de pobreza no meio de um vasto oceano de properidade material. Cem anos depois, um negro ainda definha nos cantos da sociedade americana e é um exilado na sua própria terra."
"Devemos sempre conduzir a nossa luta no elevado plano da dignidade e da disciplina. Não devemos permitir que o nosso protesto criativo degenere em violência. Repetidamente devemos ascender às majestosas alturas de confrontar a força física com a força espiritual."
"Não podemos estar satisfeitos enquanto os nossos corpos, pesados com o cansaço de uma viagem, não possam ter abrigo nos móteis das autoestradas nem no hóteis das cidades. Não podemos estar satisfeitos enquanto a mobilidade de um negro seja de um gueto pequeno para um maior. Não podemos estar satisfeitos enquanto um negro no Mississipi não pode votar e um negro em Nova Iorque acredita que não tem motivos para votar."
"Tenho um sonho de que um dia esta nação irá erguer-se e cumprir o verdadeiro sentido do seu mote: 'Consideramos estas verdades auto-evidentes: que todos os homens são criados iguais' [citação da declaração de independência dos EUA]. Tenho um sonho de que um dia nas colinas vermelhas da Georgia os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos esclavagistas poderão sentar-se juntos a uma mesa de fraternidade."
"Tenho um sonho de que os meus quatro filhos poderão um dia viver numa nação onde serão julgados não pela cor da sua pele mas pelo conteúdo do seu carácter."
"Quando deixarmos a liberdade soar, quando a deixarmos soar em cada aldeia e cada povoado, em cada estado e cada cidade, seremos capazes de adiantar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, serão capazes de juntar mãos e cantar as palavras do antigo espiritual negro, 'Finalmente livres! Finalmente livres! Obrigado Deus todo-poderoso, somos finalmente livres!'"
Martin Luther King Jr
in Jornal Público, Quinta-feira, 28 de Agosto de 2003, 40 anos depois da Marcha Cívica
"I Have a Dream..."
"Cem anos depois [da proclamação de emancipação dos escravos americanos], a vida de um negro ainda está tristemente subjugada às algemas da segregação e às correntes da discriminação. Cem anos depois, um negro vive numa solitária ilha de pobreza no meio de um vasto oceano de properidade material. Cem anos depois, um negro ainda definha nos cantos da sociedade americana e é um exilado na sua própria terra."
"Devemos sempre conduzir a nossa luta no elevado plano da dignidade e da disciplina. Não devemos permitir que o nosso protesto criativo degenere em violência. Repetidamente devemos ascender às majestosas alturas de confrontar a força física com a força espiritual."
"Não podemos estar satisfeitos enquanto os nossos corpos, pesados com o cansaço de uma viagem, não possam ter abrigo nos móteis das autoestradas nem no hóteis das cidades. Não podemos estar satisfeitos enquanto a mobilidade de um negro seja de um gueto pequeno para um maior. Não podemos estar satisfeitos enquanto um negro no Mississipi não pode votar e um negro em Nova Iorque acredita que não tem motivos para votar."
"Tenho um sonho de que um dia esta nação irá erguer-se e cumprir o verdadeiro sentido do seu mote: 'Consideramos estas verdades auto-evidentes: que todos os homens são criados iguais' [citação da declaração de independência dos EUA]. Tenho um sonho de que um dia nas colinas vermelhas da Georgia os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos esclavagistas poderão sentar-se juntos a uma mesa de fraternidade."
"Tenho um sonho de que os meus quatro filhos poderão um dia viver numa nação onde serão julgados não pela cor da sua pele mas pelo conteúdo do seu carácter."
"Quando deixarmos a liberdade soar, quando a deixarmos soar em cada aldeia e cada povoado, em cada estado e cada cidade, seremos capazes de adiantar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, serão capazes de juntar mãos e cantar as palavras do antigo espiritual negro, 'Finalmente livres! Finalmente livres! Obrigado Deus todo-poderoso, somos finalmente livres!'"
Martin Luther King Jr
in Jornal Público, Quinta-feira, 28 de Agosto de 2003, 40 anos depois da Marcha Cívica
30.8.03
Armário de Especiarias e Ervas Aromáticas
Cerofólio, manjerona
malagueta, benjoim
noz moscada, cardomomo
salsa, sândalo, alecrim
erva doce, piripiri
cravinho, canela em pau
gengibre, menta, tomilho
pimpinela, colorau
zimbro, funcho, açafrão
oregãos, coentros, caril
azedas, louro, estragão
Jorge de Sousa Braga, in O Poeta Nu
Cerofólio, manjerona
malagueta, benjoim
noz moscada, cardomomo
salsa, sândalo, alecrim
erva doce, piripiri
cravinho, canela em pau
gengibre, menta, tomilho
pimpinela, colorau
zimbro, funcho, açafrão
oregãos, coentros, caril
azedas, louro, estragão
Jorge de Sousa Braga, in O Poeta Nu
26.8.03
23.8.03
De eléctrico
(Num carro para Campolide. Dia Sexual)
Uma mulher de carne azul,
semeadora de luas e de transes,
atravessou o vidro
e veio, voadora,
sentar-se no meu colo
na nudez reclinada
dum desdém de espelhos.
(Mas que bom! ninguém suspeita
que levo uma mulher nua nos joelhos.)
José Gomes Ferreira
(Num carro para Campolide. Dia Sexual)
Uma mulher de carne azul,
semeadora de luas e de transes,
atravessou o vidro
e veio, voadora,
sentar-se no meu colo
na nudez reclinada
dum desdém de espelhos.
(Mas que bom! ninguém suspeita
que levo uma mulher nua nos joelhos.)
José Gomes Ferreira
20.8.03
#4
(...)
baby
o que mais importa
a poesia está morta
mas juro qua não fui eu
tudo à minha volta são reclames
desejos
vãos
e sóis
tudo à minha volta são reclames
desejos
vãos
e só
(...)
Zeca Baleiro, in Mundo dos Negócios
(...)
baby
o que mais importa
a poesia está morta
mas juro qua não fui eu
tudo à minha volta são reclames
desejos
vãos
e sóis
tudo à minha volta são reclames
desejos
vãos
e só
(...)
Zeca Baleiro, in Mundo dos Negócios
19.8.03
#2
NÃO
Não formar nenhuma ideia
do que somos ou seremos
mas entre as vozes que fogem
precisar o que dizemos.
Dormir sonos ante-céus
abismos que são infernos.
Dormir em paz. Dormir paz,
enfim a nota segura.
Lembrar pessoas e dias
que penetram no espaço
de eventos primaveris.
E dar as mãos aos espectros
beijá-los lendas, perfis.
Amar a sombra, a penumbra
correr janelas e véus.
Saber que nada é verdade.
Dizer amor ao deserto
abraçar quem nos ignora
dormir com quem não nos vê
mas precisar do calor
de quem nunca nos encontra.
Natércia Freire, in Antologia Poética
NÃO
Não formar nenhuma ideia
do que somos ou seremos
mas entre as vozes que fogem
precisar o que dizemos.
Dormir sonos ante-céus
abismos que são infernos.
Dormir em paz. Dormir paz,
enfim a nota segura.
Lembrar pessoas e dias
que penetram no espaço
de eventos primaveris.
E dar as mãos aos espectros
beijá-los lendas, perfis.
Amar a sombra, a penumbra
correr janelas e véus.
Saber que nada é verdade.
Dizer amor ao deserto
abraçar quem nos ignora
dormir com quem não nos vê
mas precisar do calor
de quem nunca nos encontra.
Natércia Freire, in Antologia Poética
#1
LISBOA INFESTA
OS ABAIXO-ASSINADOS SÃO CONTRA O SOM QUE É IMPOSTO PELA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA A PARTIR DOS MAIS DE 100 ALTIFALANTES QUE ‘ORELHAM’ OS CANDEEIROS DA BAIXA LISBOETA DURANTE DOZE HORAS DO DIA.
Gostamos dos sons próprios de cada rua, de cada esquina e de cada momento.
Os abaixo-assinados são contra o ensombramento destes sons pela massa sonora contínua que escorre pelos altifalantes sobrepondo-se às conversas das pessoas na rua.
Porque gostamos da diferenciação dos usos que em cada espaço se vão gerando, não queremos a unificação do som, desta forma imposta, que tende a gerar a uniformização dos comportamentos retirando aos lugares e às pessoas a memória e o sabor da diferença.
Em consciência dos nossos direitos, sentimos a presença dos altifalantes como uma intervenção prepotente no espaço público.
NÃO QUEREMOS UMA CIDADE INSÍPIDA REDUZIDA A UM IMENSO ESPAÇO DE CONSUMO.
OS ABAIXO-ASSINADOS EXIGEM QUE OS ALTIFALANTES SEJAM DE IMEDIATO REMOVIDOS.
LISBOA INFESTA
OS ABAIXO-ASSINADOS SÃO CONTRA O SOM QUE É IMPOSTO PELA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA A PARTIR DOS MAIS DE 100 ALTIFALANTES QUE ‘ORELHAM’ OS CANDEEIROS DA BAIXA LISBOETA DURANTE DOZE HORAS DO DIA.
Gostamos dos sons próprios de cada rua, de cada esquina e de cada momento.
Os abaixo-assinados são contra o ensombramento destes sons pela massa sonora contínua que escorre pelos altifalantes sobrepondo-se às conversas das pessoas na rua.
Porque gostamos da diferenciação dos usos que em cada espaço se vão gerando, não queremos a unificação do som, desta forma imposta, que tende a gerar a uniformização dos comportamentos retirando aos lugares e às pessoas a memória e o sabor da diferença.
Em consciência dos nossos direitos, sentimos a presença dos altifalantes como uma intervenção prepotente no espaço público.
NÃO QUEREMOS UMA CIDADE INSÍPIDA REDUZIDA A UM IMENSO ESPAÇO DE CONSUMO.
OS ABAIXO-ASSINADOS EXIGEM QUE OS ALTIFALANTES SEJAM DE IMEDIATO REMOVIDOS.
18.8.03
a história de Magiolo Gonçalves enoja-me... um desertor das ex-colónias reciclado em heroi anticomuna que tinha medalhinhas de fátima e rezava pais nossos por timor e pelo PS... lá dizia o Sérgio Godinho que o heroi é aquele que foge para a frente!
esta orgia de mitos é a parábola quase perfeita da democracia que se instalou neste país após o 25 de Novembro de 1975; só lá faltou o cónego de melo a rezar a missa ou alberto joão a anunciar o nome do dito cujo para uma rua, um aeroporto ou um programa humanitário.
esta orgia de mitos é a parábola quase perfeita da democracia que se instalou neste país após o 25 de Novembro de 1975; só lá faltou o cónego de melo a rezar a missa ou alberto joão a anunciar o nome do dito cujo para uma rua, um aeroporto ou um programa humanitário.
17.8.03
olá. encontrei a nova que se segue, deixo o alerta e espero que sirva a alguém.
Domingo, 17 Agosto, pelas 19h, vai acontecer uma vigília no alto do
Parque Eduardo VII, junto aos jacarandás que vão ser abatidos para o início
das obras de construção de um túnel no Marquês de Pombal. A Câmara
Municipal já se pronunciou hoje em termos vergonhosos contra esta acção
convocada por um grupo de cidadãos.
A vossa (nossa) presença seria útil!
Domingo, 17 Agosto, pelas 19h, vai acontecer uma vigília no alto do
Parque Eduardo VII, junto aos jacarandás que vão ser abatidos para o início
das obras de construção de um túnel no Marquês de Pombal. A Câmara
Municipal já se pronunciou hoje em termos vergonhosos contra esta acção
convocada por um grupo de cidadãos.
A vossa (nossa) presença seria útil!
14.8.03
quero o silêncio do arco-irís
quero a alquímia das estações
quero as vogais todas abertas
quero ver partir os barcos
prenhos de interrogações
(...)
Jorge Palma in tempo dos assassinos
quero a alquímia das estações
quero as vogais todas abertas
quero ver partir os barcos
prenhos de interrogações
(...)
Jorge Palma in tempo dos assassinos
12.8.03
sobre o seu blogue, a teresa diz:Este blogue é absolutamente desnecessário
pela simples razão de que poderia nunca ser escrito e ninguém sentiria a sua falta.
Permitam-me discordar: apesar de parecerem um exercício umbiguista, alguns blogues também nos permitem sentir falta d@s outr@s de uma forma muito peculiar... são como que pequenas pegadas na areia dos dias.
pela simples razão de que poderia nunca ser escrito e ninguém sentiria a sua falta.
Permitam-me discordar: apesar de parecerem um exercício umbiguista, alguns blogues também nos permitem sentir falta d@s outr@s de uma forma muito peculiar... são como que pequenas pegadas na areia dos dias.
11.8.03
7.8.03
#3
estou apaixonado pela Carla Bruni! não pelas suas medidas de top model ou pela sua cara bonita - que só conheci agora - mas pela voz, pela harmonia musical e pela sua poesia sublime...
uma lufada de ar fresco num verão escaldante!
estou apaixonado pela Carla Bruni! não pelas suas medidas de top model ou pela sua cara bonita - que só conheci agora - mas pela voz, pela harmonia musical e pela sua poesia sublime...
uma lufada de ar fresco num verão escaldante!
#2
(...)
quando sei qui con me
questa stanza non ha più pareti
ma alberi, alberi infiniti
e tu sei vicino a me
questo soffito, viola, no
non esiste più, e vedo el cielo sopra a noi
che restiamo qui, abbandonati come se
non ci fosse più niente più niente al mondo
suona l'harmonica, ma sembra un organo
che canta per te e per me
su nell' immensità dell cielo
e per te e per me
Carla Bruni, in Le ciel dans ma chambre
(...)
quando sei qui con me
questa stanza non ha più pareti
ma alberi, alberi infiniti
e tu sei vicino a me
questo soffito, viola, no
non esiste più, e vedo el cielo sopra a noi
che restiamo qui, abbandonati come se
non ci fosse più niente più niente al mondo
suona l'harmonica, ma sembra un organo
che canta per te e per me
su nell' immensità dell cielo
e per te e per me
Carla Bruni, in Le ciel dans ma chambre
2.8.03
uns dias fora das redes do dia a dia, e não fico cansado de me espantar com as coisas raras que acontecem...
a que mais nauseou foi a história - que mais parece uma estória de mau gosto-, do navio chileno onde foram torturad@s centenas de homens e mulheres durante os anos de Pinochet. O dito navio, depois de ter vista a sua entrada recusada em alguns portos europeus, acabou por aportar em Ponta Delgada... temos um pais sem memória nenhuma e com muito pouca auto estima!
amnistia internacional entrou em acção, a denuncia foi feita para @s pouc@s que a quiseram ouvir.
depois da malfadada cimeira das Lajes, os Açores, terra maravilhosa e de tão boa gente, voltam a servir de abrigo para sombras negras deste mundo em que vivemos.
a que mais nauseou foi a história - que mais parece uma estória de mau gosto-, do navio chileno onde foram torturad@s centenas de homens e mulheres durante os anos de Pinochet. O dito navio, depois de ter vista a sua entrada recusada em alguns portos europeus, acabou por aportar em Ponta Delgada... temos um pais sem memória nenhuma e com muito pouca auto estima!
amnistia internacional entrou em acção, a denuncia foi feita para @s pouc@s que a quiseram ouvir.
depois da malfadada cimeira das Lajes, os Açores, terra maravilhosa e de tão boa gente, voltam a servir de abrigo para sombras negras deste mundo em que vivemos.
27.7.03
#2
mudei de casa, fiquei pior
mudei de emprego, foi um horror
mudei de musa, não resultou
aqui há gato, quem me tramou?
Gaiteiros de Lisboa, in Macareú
mudei de casa, fiquei pior
mudei de emprego, foi um horror
mudei de musa, não resultou
aqui há gato, quem me tramou?
Gaiteiros de Lisboa, in Macareú
#1
cá estou de novo, de passagem pelas teclas... já tinha saudades de bloggar um pouco!
andei pela Galiza, fui a Santiago de Compostela às comemorações do 25 de Julho, dia do santo e da patria Galega.
entre muita chuva, algum stress, muita alegria, boa queimada e melhor comida, matei saudades de amig@s e de uma cidade que, apesar de ter dezenas de padres por metro quadrado, me encanta.
nos entretantos, tive oportunidade de ir a uma grande manifestação da plataforma Nunca Mais, onde se relembrou o desastre, ainda presente, do Prestige, e aos concerto do FestiGal 03, dos quais destaco Paulo Lenine - uma deliciosa aparição na minha pesquisa musical - e os Gaiteiros de Lisboa - uma deliciosa, e sempre bem vinda, repetição.
dias cheios, dias em cheio.
cá estou de novo, de passagem pelas teclas... já tinha saudades de bloggar um pouco!
andei pela Galiza, fui a Santiago de Compostela às comemorações do 25 de Julho, dia do santo e da patria Galega.
entre muita chuva, algum stress, muita alegria, boa queimada e melhor comida, matei saudades de amig@s e de uma cidade que, apesar de ter dezenas de padres por metro quadrado, me encanta.
nos entretantos, tive oportunidade de ir a uma grande manifestação da plataforma Nunca Mais, onde se relembrou o desastre, ainda presente, do Prestige, e aos concerto do FestiGal 03, dos quais destaco Paulo Lenine - uma deliciosa aparição na minha pesquisa musical - e os Gaiteiros de Lisboa - uma deliciosa, e sempre bem vinda, repetição.
dias cheios, dias em cheio.
20.7.03
Vinha eu no metro pelo cair da tarde, quando, na Alameda, as carruagens foram subitamente ocupadas por centenas de noruegueses/as, tod@s de igual... parte de uma das equipas de ginástica que tomam conta de Lisboa nestes dias - não se fala muito deste campeonato de ginástica porque o futebol é que induca, já se vê!
Enquanto me deliciava com a alegria e a cor de um bando de atletas ensolarad@s, só me lembrava das invasões barbaras dos Gaiteiros de Lisboa.
Enquanto me deliciava com a alegria e a cor de um bando de atletas ensolarad@s, só me lembrava das invasões barbaras dos Gaiteiros de Lisboa.
19.7.03
16.7.03
15.7.03
13.7.03
Em tempo de poucas palavras resta-me sempre a Poesia.
A MEU FAVOR
A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer
A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.
Alexandre O'neill, in No Reino da Dinamarca
A MEU FAVOR
A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer
A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.
Alexandre O'neill, in No Reino da Dinamarca
11.7.03
Incendiar as naus
Incendiar as naus
para que não nos sigam
as sombras velhas
pela terra nova
para os que vão comigo
não pensem que é possivel
voltar a ser o que eram
no país perdido
para que pelas costas
só encontremos o mar
e pela frente o desconhecido
para que sobre o incêndio
caminhemos sem medo
aqui e agora
Homero Aridjis
Incendiar as naus
para que não nos sigam
as sombras velhas
pela terra nova
para os que vão comigo
não pensem que é possivel
voltar a ser o que eram
no país perdido
para que pelas costas
só encontremos o mar
e pela frente o desconhecido
para que sobre o incêndio
caminhemos sem medo
aqui e agora
Homero Aridjis
7.7.03
6.7.03
# 3
Fui à Aula Magna de Lx assistir ao Concerto Reafirmar as Cantigas do Maio, organizado pela Ass. José Afonso.
Se a Galega Uxia me encheu o peito de ar com a sua voz e alegria, os irmãos Samir e Wissam Jourban conseguiram, com os seus alaudes e as histórias do último cerco de Ramallah, cortar-me a respiração.
Espero que esta seja a força que faltava para As Cantigas regressarem ao formato de festival, sempre, e cada vez, com mais qualidade.
Fui à Aula Magna de Lx assistir ao Concerto Reafirmar as Cantigas do Maio, organizado pela Ass. José Afonso.
Se a Galega Uxia me encheu o peito de ar com a sua voz e alegria, os irmãos Samir e Wissam Jourban conseguiram, com os seus alaudes e as histórias do último cerco de Ramallah, cortar-me a respiração.
Espero que esta seja a força que faltava para As Cantigas regressarem ao formato de festival, sempre, e cada vez, com mais qualidade.
# 2
@s Galeg@s que conheci este ano em Lisboa regressam a casa após terem terminado o Erasmus... amig@s adoráveis, pessoas maravilhosas, lutadores/as incansáveis...
Juntos formámos a plataforma NUNCA MAIS de Lisboa, que desenvolveu, tal como lá, actividade solidária com o povo Galego na sua luta contra as marés negras e o esquecimento.
Vão fazer-nos falta.
@s Galeg@s que conheci este ano em Lisboa regressam a casa após terem terminado o Erasmus... amig@s adoráveis, pessoas maravilhosas, lutadores/as incansáveis...
Juntos formámos a plataforma NUNCA MAIS de Lisboa, que desenvolveu, tal como lá, actividade solidária com o povo Galego na sua luta contra as marés negras e o esquecimento.
Vão fazer-nos falta.
4.7.03
3.7.03
(...)
Se meto os pés para dentro, a partir de agora
Eu meto-os para fora
Se dizia o que penso, eu posso estar atento
E pensar para dentro
Se queres que seja duro, muito bem eu serei duro
Se queres que seja doce, serei doce, ai isso juro
Eu quero é ser o tal
E como o tal reconhecido
Assim, digo-te ao ouvido
Arranja-me um emprego
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, concerteza
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego
(...) Sérgio Godinho
Se meto os pés para dentro, a partir de agora
Eu meto-os para fora
Se dizia o que penso, eu posso estar atento
E pensar para dentro
Se queres que seja duro, muito bem eu serei duro
Se queres que seja doce, serei doce, ai isso juro
Eu quero é ser o tal
E como o tal reconhecido
Assim, digo-te ao ouvido
Arranja-me um emprego
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, concerteza
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego
(...) Sérgio Godinho
2.7.03
1.7.03
30.6.03
nestes dias em que o meu ritmo circadiano anda às voltas consigo mesmo, só me vem à cabeça a canção dos REM...
I see today with a newsprint fray
my night is colored headache grey
don't wake me with so much.
daysleeper.
I cried the other night
I can't even say why
fluorescent flat caffeine lights
its furious balancing
I see today with a newsprint fray
my night is colored headache grey
don't wake me with so much.
daysleeper.
I cried the other night
I can't even say why
fluorescent flat caffeine lights
its furious balancing
29.6.03
“ Os tremores de terra, dizem os cientistas, são fenómenos frequentes. Falando de todo o globo, registam-se uns quinze mil sismos por década. A estabilidade é que é rara. O anormal, o extremo, o operático, o extravagante: eis a regra. A vida normal é uma coisa que não existe. E, no entanto, é dela que precisamos, da casa que construímos para nos defendermos do lobo mau da mudança. E se, no fim de contas, o lobo é a realidade, a casa é a nossa melhor defesa contra a tempestade: chamemos-lhe civilização. Construímos as nossas casas de palha ou de tijolo não só contra a vulpina instabilidade dos tempos mas também contra a nossa natureza predatória; contra o lobo que temos dentro de nós.
Este é um modo de ver. Uma casa também pode ser uma prisão. Os grandes lobos (perguntem a Mowgli, a Romulo e Remo, a Kevin Costner, não temos de acreditar sempre nos 3 porquinhos) não são obrigatoriamente maus. (...)”
Salman Rushdie, In “O chão que ela pisa ”
Este é um modo de ver. Uma casa também pode ser uma prisão. Os grandes lobos (perguntem a Mowgli, a Romulo e Remo, a Kevin Costner, não temos de acreditar sempre nos 3 porquinhos) não são obrigatoriamente maus. (...)”
Salman Rushdie, In “O chão que ela pisa ”
28.6.03
"Parecera o começo da felicidade, e às vezes, passados mais de trinta anos, ela ainda se sente chocada ao dar-se conta de que foi felicidade, de que toda a experiência se encontra num beijo e num passeio, na previsão de um jantar e de um livro. O jantar foi, entretanto, esquecido; a Lessing foi há muito ofuscada por outros escritores, e até o sexo, depois de ela e Richard terem chegado a esse ponto, foi ardente, mas embaraçoso, insatisfatório, mais aprazivel do que apaixonado. O que continua a viver, intacto, na memória de Clarissa, decorridads mais de três décadas, é um beijo no crepúsculo, num retalho de erva seca, e um passeio à volta de uma lagoa, enquanto zumbiam mosquitos no ar que escurecia. Ainda permanece nessa perfeição singular, e é perfeição, em parte, porque pareceu, na altura, prometer tão claramente mais. Ela agora sabe: esse foi o momento, exactamente esse. Não houve nenhum outro."
Michel Cunniigham, in As Horas
Michel Cunniigham, in As Horas
27.6.03
26.6.03
Metrografismos
1
A solidão é
um copo de plástico
amarelo-vazio e
três notas festivas
num acordeão
melancólico
2
Semioptica do desejo:
letras vermelhas em
constelação repetitiva,
modelando a comunicação
na noite dos túneis
3
Cidade que rodopia
nas próprias entranhas
Não olhar de frente
os estranhos
é regra para que
não se faça luz
sobre o que somos
4
clic
um poema
sem métrica
uma imagem de nada
que se faz no metro
André
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