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25.2.13

#1 [Um livro de coragem]


http://makaangola.org/wp-content/uploads/2012/03/Garimpo_10_Final-150x150.jpg"O presente relatório demonstra a prevalência de um estado de terror na Bacia do Cuango. A violência, nessa região, assenta na vontade política de altos dirigentes angolanos, acoitados pelo Presidente da República, os quais enriquecem de forma ilícita e violenta, em conluio com empresas extractivas e de compra de diamantes.
(…)
Os depoimentos das pessoas que entrevistei no decorrer desta investigação mostram como os cidadãos reconhecem as injustiças de que são alvo, que não temem denunciar os seus opressores e que desejam procurar alcançar justiça. O presente livro, ao identificar directamente as vítimas, dá voz a essas comunidades, que se mantêm, de certo modo, isoladas do resto de Angola e excluídas da paz militar que o país vive desde 2002."

in Diamantes de Sangue – Corrupção e Tortura em Angola 
 

20.2.13

#1 [Fim de semana na Guatemala]

Miguel  Angel Asturias foi o primeiro homem sul americano a ganhar o prémio Nobel da literatura, depois da chilena Gabriela Mistral ter inaugurado a lista daquele subcontinente.
Em Fim de Semana na Guatemala, Astúrias conta algumas short  stories sobre a intervenção militar que pôs fim ao consolado de Jacobo Arbenz,  presidente que promoveu a distribuição de terras às populações indígenas através de  um processo de reforma agrária e assim ousou afrontar a oligarquia guatemalteca e a poderosa United Fruit Company que nela mandava. 
A Guatemala é, simultaneamente, o país natal de Asturias e o centro da sua obra, tendo o escritor trabalhado em torno da história recente e da tradição cultural e indígena deste país. Pena não ser fácil encontrar edições recentes dos seus livros.

24.1.13

#1 [Não há rum que me caia bem]

Não gosto de rum. As noites acabam mal sempre que o bebo. Mas no outro dia encontrei, na feira da ladra, um livro com um título promissor: «O general de todas as estrelas foi-se embora sem ter bebido um trago de havana club». 
O oficial em questão foi António Ochoa, Herói do Povo Cubano que, depois da sua derradeira batalha em Angola, caiu em desgraça e acabou à frente do pelotão de fuzilamento, acusado de tráfico de droga e de outras afrontas à revolução e aos seus líderes.
No prólogo, o autor começa logo por esclarecer que, apesar de algumas personagens e factos relatados serem reais, muito do que ali se vai ler é fruto da sua imaginação. Imaginação pouco fértil e algo amargurada, notei ao fim de poucas páginas, que desenrola uma teia mais preocupada em denunciar a decrepitude do regime cubano do que em atar as pontas soltas que a história vai deixando - a certa altura o personagem faz uma autocrítica por se ter esquecido dos cuidados que aprendera na clandestinidade lusitana da na sua juventude, mas a história está cheia de erros cometidos por pessoas que ainda vivem na clandestinidade. Do sonho e das esperanças que a revolução cubana abriram, o pouco que se diz é sempre matizado pelo grisalho da omnipresente barba do velho que ainda hoje manda nos destinos da ilha.
Apesar do teor ideológico – a forma como a denúncia é feita é toda ela ideológica – e das pontas soltas, é um livro que se leva bem, que faz pensar nas voltas que o mundo dá e nas mentiras que diariamente nos contam, deste e do outro lado do oceano.
O nome do autor, Tomás Vasques, não me dizia nada. A lombada informa que era chefe de gabinete da Câmara de Lisboa em 2001, a recta final do mandato em que uma coligação de esquerda, muito pela arrogância e manigâncias do seu edil, conseguiu desbaratar o prestígio que tinha acumulado desde 1989, abrindo caminho a Santana e suas tropelias. Já depois do livro lido, percebi que se trata de um famoso blogger e comentarista da nossa praça. Talvez se explique a amargura.

20.1.13

#1 [Notícia de um Sequestro]


Jornalista encartado, Gabriel Garcia Marquez retoma em Notícia de um Sequestro o estilo escorreito de cronista que já usara em obras como O Náufrago ou A aventura de Miguel Littin clandestino no Chile, para nos contar a história dos sequestros e do cativeiro de Maruja Pachón, Beatriz Villamizar de Guerrero, Marina Montoya, Francisco Santos Calderón, Diana Turbay e quatro elementos da sua equipa de reportagem.
O episódio aconteceu no início da década de 1990, a mando de Pablo Escobar, grande chefe do cartel de Medellín, organização colombiana que se dedicava ao tráfico de droga. Tal como outros traficantes, Escobar vivia aterrorizado com a possibilidade de ser extraditado pelo governo do seu país para os Estados Unidos para aí ser julgado e fez de tudo para garantir que tal não viesse a acontecer.
Um livro que desmonta, sem banalizar, algumas das razões da tensão que ainda se vive num dos países mais violentos do continente americano (e talvez do mundo) e que permite compreender que episódios mais recentes, como o de Ingrid Bettencourt, a corrupção ou o tráfico não são casos isolados nem um exclusivo das guerrilhas vermelhas que ainda actuam no país, mas sim uma prática enraizada nas relações sociais e nas elites do poder político e financeiro.

17.1.13

#2 [Mo Yan]

A mudança de sítio mata as árvores, mas mantém as pessoas vivas.

in Mudanças
( o primeiro livro da Divina Comédia)