30.11.03

So tell the girls that I am back in town
I've been on the road
I've been on vacation
I've been travelling light to reach my final destination

Now I'm coming home

So tell the girls that I am back in town
You'd better tell them to beware
Well they may go or they might try to hide
I follow on and I'll be there
So tell the girls that I am back in town
And if it's true I do not know
That every girl around had missed me since
I decided to go

I could be your friend
I could be your stranger
I could be the one your mother said would be a danger
Now it's up to you


jay-jay johanson, whiskey

28.11.03

sobre o filme de ontem escrevi...

há, entre o branco e o preto, uma gama de cores de matizes, que importa explorar.
esta é a ideia que Julio Medem - que realizou, entre outros, vacas (1992),e os amantes do circulo polar (1998) - procura explorar, aplicando-a a uma realidade que alguns tentam ocultar: o conflito social, político e armado em Euskal Herria (pais basco).
este filme/documentario é um convite ao dialogo, diz-nos um realizador que, apesar da sua origem basca, nega qualquer simpatia com a violência ou tendencia nacionalista (na verdade, vive fora do pais basco, em madrid, há cerca de uma decada). um convite ao dialogo que é posto em cima da mesa, projectado na tela, na forma de dezenas de intrevistas a homens e mulheres que se encontram nos diversos cumprimentos de onda deste espectro que varia entre o preto e o branco, desde vitimas da ETA (sobreviventes ou familiares) a familiares dos presos, passando por distintos membros do PSOE e dos partidos de Euskal Herria. pode-se também ouvir aqui o testemunho daqueles e daquelas que sofreram tortura policial, de policias que falam da sua vida diária, escutar o que têm a dizer a amnistia internacional,l as associaçoes de apoio às vitimas, artistas, intelectuais, psicologos, sociologos, jornalistas, historiadores, e até padres - com o testemunho do clero basco e de um padre irlandês, directamente envolvido nos acordos de paz da irlanda do norte.
de fora ficam as razoes da ETA, que acabam por ser analisadas pela esquerda aberzale (nacionalista), e o partido popular de aznar, que se auto-excluiu deste documentario - chegando mesmo a procurar um caso politico à sua volta, insistindo numa ligaçao directa entre o "on" da camara digital e o gatilho de uma qualquer pistola. entre isto, há homens e as mulheres que acendem mais algumas luzes sobre um conflito que, contrariamente ao que aznar tenta vender, esta longe de ter uma resoluçao.
a diferença de opinioes é a principal riqueza de um documentario que olha para o pais basco de hoje, para a sua historia e para as alternativas que se lhe abrem, existindo, por parte do autor, uma tentiva de equilibrio e auto-regulaçao: o terrorismo da ETA é posto lado a lado com o terrorismo do estado espanhol, que se manifesta, por exemplo, pela repressao de todo o nacionalismo, pela tentativa constante de monopolizar a informaçao e de criar um sentimento maniqueista do género "ou estas com a nossa democracia ou com a pistola da ETA"... branco ou negro.
e esta diversidade de opinioes acaba por revelar algumas ideias comuns, tais como o facto de nao existir soluçao para o conflito que nao passe pelo diálogo, sendo este sistematicamente recusado pelo pp - partido que tem levado a cabo uma politica de diabolizaçao dos seus opositores para manter o status quo, para se manter no poder e para justificar (e disfarçar) as suas politicas neo conservadoras que transbordam franquismo.
vi-me perante um documento inquietante, até porque as questoes que aqui se levantam nao se restringem ao eixo politico madrid/euskal herria, sao questoes que se levantam sobre este tempo de guerra infinita e sobre o mundo em que vivemos.

26.11.03

# 3

hoje deliciei-me (por ordem cronologica) com:

- o pavilhao que mies van der roe projectou para a presença da alemanha na exposiçao universal de barcelona em 1929, onde esta exposta a sua famosa "cadeira de barcelona", icone decorativo e do mobiliario do inicio do sec XX;
- a exposiçao sobre a obra do escultor basco Eduardo Chilida, patente na fundaçao Miró;
- o filme/documentario la pelota vasca, piel contra piedra, um olhar assombroso sobre o conflito basco;

tambem andei entre a obra de miro, mas nao fiquei muito convencido... a estética é muito interessante, mas a conceptualizaçao que aquele faz desta, bem como algumas interpretaçoes que sao feitas e apresentadas no guia do museu, deixam-me um pouco... indisposto.

com tudo isto, enchi umas quantas paginas do meu caderno de viagem. quando tiver tempo, e se vier a proposito, ascrescento.
# 2

ontem cruzei-me com a arquitectura de Gaudi, andei a ramblar - um verbo inventado agora, deve ser lido em italico, pena é que este nao funcione... - , e perdi-me no bairr gotico.
#1
parece que a minha tentativa de meter aqui uma foto falhou redondamente... tenho de apurar a tecnica.

25.11.03

#1

barcelona, a cidade condal, a cidade dos prodigios. bastou-me sair do comboio e encher o peito de ar para logo sentir o feeling desta urbe...

22.11.03

ontem fui a um festival de curtas metragens e cruzei-me com as bikini bandits... nao tenho palavras.

21.11.03

jazz in Paris

a night at the sunside: nelson veras trio invite mark turner

19.11.03

uma amiga mandou-me um sms a perguntar como vai a minha viagem...
respondi-lhe que, nesse momento, estava entre as mulheres de Picasso, que estava a gostar muito daquelas raparigas coloridas, cheias de angulos e curvas...

18.11.03

#4

" Amadis olhou o relogio e disse buhhh! para fazer recuar a agulha, mas so a dos segundos começou a rodar ao contrario; as outras continuaram no mesmo sentido, nada mudava."
boris vian, in o outono em pequin
#3

por falar em livros...
da primeira vez que estive em paris, andei as voltas com as formigas, a minha estreia absoluta na contundente e inquietante escrita de boris vian.
hoje, por acaso e apos alguns anos, voltei ao autor. comecei a ler o outono em pequim, e aconteceu algo digno da escrita deste autor... o livro, que me veio parar as maos a meio da viagem, estava cheio de folhas de arvore secas no seu interior...
#2

hoje fui ao bairro de belleville, local onde daniel pennac faz habitar a sua fabulosa familia malaussene. a realidade e a literatura tocaram-se, andei pelas ruas, pelas cores e pelos cheiros que aquele professor de literatura francesa plantou no meu imaginario, senti-me noutro tempo.
a quem nao sabe do que falo, sugiro a leitura d`o paraiso dos papoes (ed terramar), a primeira parte das aventuras de um tipo que tem a tarefa de bode espiatorio como profissao e uma familia muito peculiar.
#1

caso nao tenham reparado, o contador passou a ostentar 4 digitos...
como diriam os Ena Pa 2000 (no seu tempo menos decadente):
paris.... what a city!

14.11.03

# 5

desculpem as gralhas, mas um teclado azert é um quebra cabeças autentico!
# 4

duas notas sobre o mundo:
1- as forças italianas de ocupaçao do iraque ja provaram o gosto da terra, é hora de se irem embora, nao deverriam ter chegado a partir... a opiniao publica esta danada e promete sair à rua no sabado, em simultaneo com a manif pela paz no mundo promovida pelo fse em Paris. e em Portugal... precisamos de ter mortos para voltar a sair à rua?

2- um ano depois do desastre do prestige as consequências sociais e ecologicas ainda estao bem presentes na sociedade galega. nao tendo esquecido a solidariedade com este povo manchado, é tempo de voltar a lembrar que MARES NEGRAS- NUNCA MAIS!
# 3

o fse esta descentralizado por 4 zonas de paris - dizem as mas linguas que, desta forma, podem brilhar as autoridades destes bairros, todas da coligaçao psf, pcf e verdes. este facto exige uma correria constante, usa-se a gigantesca linha de metro para andar do lado para o outro...
os protestos sao muitos: é fora do centro, nao se pode ver a torre, etc coisa e tal... ca para mim é maravilhoso, esta constante mobilidadfe permite, alem de conhecer diversas zonas, ver onde moram as pessoas, como reagem ao facto de terem 60 mil estranhos a comerem sentados no chao das suas ruas, permite, la esta, metrografar uma cidqde invadida por uma festa de cor, de idiomas, de exigencia por um mundo diferente!
a torre continua la depois disto tudo.
#2

o Forum Social Europeu é um mundo de proporções inimaginaveis... olhando para o programa posso encontrar, no mesmo horario, centenas de coisas que gostaria de fazer, a dificuldade da escolha é obvia. debates com gente de todo o mundo, de todas as cores, de todos os credos... assuntos variados e toneladas de ideias a girar...
ontem dediquei-me a um debate sobre a necessidade de uma rede mundial de serviços e bens publicos, que vao desde a saude até à agua - sera esta a causa das guerras futuras entre a (des)humanidade? - como gqrqnte de desenvolvimento sustentavel e equidade. durante a tarfd eestive numa manifestação promovida pelo movimento de intermitentes do espetaculo - @s precari@s desta area que estao em luta pela dignidade e segurança laboral-, epm nopme de uma cultura publica e gratuita... numa manifestaçao de artistas encontrei couisas tao dispares cantoras de opera agitando bandeiras vermelhas com palhaços pintados, uma banda jazz em plena actuaçao, o agricultor Jose Bové - lider da maior ass. campesina da europa e que encqbeçou a destruiçao de armazens onde estavam guardadas toneladas de milho geneticamente modificado, atropelando pelo caminho alguns McD...- e um dispositivo policial gigante, que nao teve problemas em lançar gas para cima d@s manifestantes ao menor sinal de confusao... a democracia d@s que dizem combater o terrorismo...
#1

ando a metrografar por paris

11.11.03

2

pelos motivos ja abordados, e por outros que passam pelo luxo que por aqui se exibe e pelos precos proibitivos, decidi odiar esta cidade...
mas, um passeio ao fim da tarde pelo casario da cidade antiga, com uma passagem pelo parque do castelo - de onde se tem uma vista soberba sobre a cidade e sobre o mediterraneo-, faz-me ceder um pouco na virulencia daquele sentimento...
em vez de odiar a cidade, formulo o desejo de nao ter de ca voltar e de nao ter de comer as minhas palavras da proxima vez que me aproximar de fronteira de ventimiglia...
1

definitivamente a cidade de nice tem um lugar muito especial no rol dos meus karmas... parte da viagem que descrevi ontem foi passada em nice, a esperar por uma ligacao para o norte de franca... e hoje ca estou de novo, nao havia lugares em qualquer tgv, terei de ir no comboio da noite...

10.11.03

#2

estou a tentar resistir a postar sobre o aniversario do sr. marreirinhas...
bem... talvez lhe envie um sincero parabéns camarada, esperando nao receber de volta (dele ou dos que no seu partido insistem em falar por ele) um redondo olhe que nao...
fim de semana de sol, menos frio do que se esperava.
estou de novo com a mochila pronta, esta noite entro nos carris: paris, via vintemiglia... a ultima vez que passei por esta cidade fronteiriça fiz a viagem mais surreal da minha vida, meteu mortos, greves surpresa, comboios fantasma, atraso de 1 dia e meio, uma trupe de chec@s que so falavam checo e atropelavam @s restantes passageir@s, uma trupe de teenagers americanas histéricas que em todas as estaçoes tentavam sair do comboio para apanhar uma ligaçao para Barcelona, uma tempestade em pisa, um calor de rachar na riviera, um dia de praia, uma ocupaçao de carruagem, mexilhoes num restaurante de bascos, muito mau humor... e muito mais que nao me estou a lembrar agora.
esperemos que desta vez as coisas sejam um bocadinho mais convencionais - mas so porque quero chegar a horas ao forum social europeu...
até ja

7.11.03

#3

acabo de ler no dn que um membro do jet-set (!!!???) foi preso na alfandega... espero que os metam todos la dentro!
#2
200 mil operarios metalomecanicos manifestaram-se hoje em Roma e em toda a italia contra a precariedade dos novos contratos que o patronato berlusconiano quer impor. um momento assombroso, inolvidavel.
#1
estou em Roma, regresso ao frio

6.11.03

nunca os tinha visto pessoalmente, mas quando nos cruzamos soube reconhece-los de imediato.
no céu Siciliano, milhares de estorninhos voavam, formando silenciosas nuvens pretas, contorcendo as cores do entardecer...
de um momento para o outro, numa sintonia de pasmar, todos se dirigiram para as magnolias do porto, começando uma cantoria (opera, certamente) que abafou todos os ruidos de Siracusa.
a tarde findou-se naqueles instantes, os amarelos rosados do tramonto diluiram-se. o mediterraneo balançou o seu balancear e eu suspirei de alegria.

3.11.03

#6

Sobre Pompeia

parar viver assim
nao me importava
de morrer assado


andré, 03-11-2003
#5

hoje fui a Pompeia. confesso que fiquei impressionado com tudo aquilo, da grandiosidade da obra humana à imensidao da natureza. é um sitio que nao se ve nem se digere numa so visita, estive la quase 5 horas, a minha cabeça ja andava à roda com tanta romanidade... mas so vi 2/3 da cidade... uma coisa devo dizer: estes romanos eram loucos! e gostavam de sexo à brava, a avaliar pelos frescos hardcore de 2000 anos que por ali ha.....
#4

a casa é do tamanho do quarto que ocupava em florença... 30m2... nada mal. o recheio é minimal (a vista enche), mas a colecçao de disco é de perder a cabeça... agora estou a teclar bebel gilberto, ja andei por paolo comte, moby (dos primeiros tempos), herbert... estivesse por aqui mais uns dias e teria de levar um carrinho de mao com copias para casa...
#3

quando cheguei encontrei-me com a minha familia florentina... tinham vindo passar o fim de semana ca a baixo e esperavam por mim para se despedirem. um momento um pouco triste... vivi com aqueles tres durante um mes e foi tao fixe...
mas - surpresa! - arranjaram-me um colchao na casa de uma amiga, situada num velho palacete adaptado, com vista para a baia de napoles e para o vesuvio... sou um tipo cheio de sorte! hoje quando acordei e vi aquele colosso à minha frente, o primeiro pensamento linear que tive foi: "é melhor nao fazer muito barulho, nao va o tipo acordar mal disposto"
# 2

o sul é um mundo à parte. se ja desconfiava disto, depois de ter saido da estaçao de Napoles tive a certeza absoluta... durante duas horas andei por uma cidade vazia, um vazio domingueiro que, de um momento para o outro, se converteu numa feira de rua, numa festa, num espiral de cor... até uma banda de jazz encontrei.
esperava uma cidade mais pequena, encontro um colosso que junta estilos diversos de arquitectura, desde o colonialismo espanhol do tempo de carlos II até à art noveau, passando pelo puro pato bravismo, numa mistura incrivel, cheia de vida, de transacçao, de ruido... aqui encontrei coisas que me fizeram lembrar fez, essauira, lisboa (sobretudo pela luz), o porto... tudo isto me alegra, me baralha, me disperta os sentidos... em italia usa-se uma expressao que podemos aplicar na perfeiçao a napoles: um verdadeiro casino!
depressa compreendi onde queria chegar uma moça de salermo quando me dizia que " florença nao é bem uma cidade, é mais um parque de diversoes".
ca para mim, prefiro uma comparaçao mais vegetal florença é um jardim cuidado, napoles é uma selva luxuriante.
#1

ca estou eu de novo!
depois de ter percorrido todas as festas de haloween de Florença na noite de 6a feira - incluindo uma rave party na forteza d'abasso, onde havia mais vendedores de pastilhas que pombos no rossio -; de ter perdido o comboio que devia apanhar de manha; de ter sobrevivido a 14h ininterruptas de uma chuva diluviana - eu estava a chegar a casa no momento em que começou a chover, às 7 da manha -; acabei por partir no domingo de manha... com muita pena minha, mas com vontade.
a viagem foi uma delicia. devia parecer um parvinho, uma vez que nao tirava os olhos da janela e nao conseguia desarmar o sorriso que tinha... as cores, a vegetaçao, as formas da paisagem, a arquitectura... tudo mudou tantas vezes durante 530kms... e o mar: tao azul!!
definitivamente este pais nao para de me surprender.